sábado, 30 de março de 2019

"Apenas" O Rei dos Reis

“Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo; pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus.” Rom 5;1 e 2

O Feito de Cristo por nós deveria ser óbvio, entretanto, dado o agir de muitos que pregam por aí, nunca é demais recordar. Éramos inimigos de Deus e fomos reconciliados. Isso encerra a maravilhosa graça que, sendo injustos fomos imputados justos, apenas mediante a fé; fomos justificados. Afinal, Cristo “... por nossos pecados foi entregue e ressuscitou para nossa justificação.” Rom 4;25 Nós causamos Sua morte.

A real compreensão disso deveria obrar duas coisas. Primeiro deveríamos nos envergonhar de que a nossa maldade tenha custado tão alto preço à Justiça e Bondade Divinas. Diverso do dizer de alguns pavões da praça que o preço do resgate mensura nosso valor, na verdade mede a intensidade da maldade dos nossos pecados. Depois da vergonha seria esperável um sentimento de profunda gratidão ao que, pelo custo da própria vida, resgatou-nos.

Contudo, a sedução do “neo-evangelismo” moderno não mais se satisfaz com o “básico”. Paramentam suas mensagens com um calhamaço de acessórios de promessas fáceis, luzes, cores, coreografias, carnavais, unção disso ou daquilo; engodos materialistas que envergonham aos simplórios que pregam um Evangelho que oferece “apenas” Jesus Cristo. Antes que, o grato louvor Àquele que É Digno, as músicas na imensa maioria são antropocêntricas, egoístas, terrenas. O “Eu” que deveria ser mortificado inda dá as cartas nesse insano jogo travestido de cristianismo.

Invés de constrangimento e gratidão que deveriam habitar as nossas almas, há uma crassa falta de noção de gente que sente-se no direito de “decretar” “determinar” isso ou aquilo; uma vez que “filhos do Rei;” arvoram-se nos pretensos direitos de fruírem vidas de príncipes. Vergonha na cara, um deserto; presunção, um oceano.

Primeiro tivemos o surgimento da “Teologia da Libertação” onde inclinações políticas comunistas roubaram um verniz cristão para melhor engodar incautos fazendo parecer que as humanas e ímpias comichões seriam a Vontade de Deus; depois, importamos dos States a famigerada “Teologia da Prosperidade”, onde, invés de reconciliação com inimigos, o “Evangelho” remasterizado nem se importa muito com esse viés “secundário” da reconciliação; na verdade o que conta é que Deus nos desejaria enriquecer e empoderar na Terra.

Desgraçadamente “igrejas” proponentes dessa obscenidade enchem-se, enquanto, as que inda conservam a sóbria mensagem de reconciliação padecem dificuldades até para manter a membresia; quiçá, fazê-la crescer.

Esses dias foram vaticinados; “... haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos, repentina perdição. Muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade. Por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas;” II Ped 2;1 a 3

A uma leitura superficial pareceria que nem se trata desses, afinal, pregam todos os seus descaminhos “em Nome de Jesus; e os denunciados por Pedro agiriam negando ao “Senhor que os resgatou”. Ora, O Senhor desafiou pretensos seguidores a tomarem suas cruzes e segui-lo. Essas necessariamente demandam a mortificação das vontades naturais segundo o mundo, para, enfim, serem iluminadas e conduzidas pela Vontade Divina.

“Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” Rom 12;1 e 2

O Nome do Santo nos lábios e as cobiças naturais na mira é mais que negar ao Senhor; antes, é profaná-lo. “Todavia o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que são seus; qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniquidade.” II Tim 2;19

Mais que uma mensagem falada, as veras testemunhas de Cristo têm uma mensagem vivida em seu modo de agir; “Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; nem se acende a candeia e coloca debaixo do alqueire, mas no velador; dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça vossa luz diante dos homens, para que vejam vossas boas obras e glorifiquem ao vosso Pai, que está nos céus.” At 5;14 a 16
Uma cidade edificada sobre um monte é algo que se não pode esconder; a vera conversão salta aos olhos naturais, tanto quanto, a apostasia exibe-se obscena ante a visão espiritual.

A restauração da amizade com Deus custou tão alto, trocaríamos isso por algumas moedas? Quem ainda confunde cascalho com diamantes precisa recuperar as vistas antes que, outro bem qualquer.

domingo, 24 de março de 2019

As Feras Domadas

“Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em ti.” is 26;3

A Paz natural deriva de muitos fatores. Poderio militar superior de alguém com quem “temos paz”; satisfação circunstancial das necessidades de água e pasto; ignorância sobre o mal que nos fazem escondido: “O que os olhos não veem o coração não sente”; etc.

Normalmente, fatores externos, circunstanciais patrocinam a quietude nos âmbitos naturais, mesmo que, no interior do ser, muitas guerras ainda labutem. Tendem a equacionar mera calmaria com paz.

O Salvador fez questão de dizer que Sua Paz era diferente dessa rasteira, aparente, vulgar. “Deixo-vos a paz, Minha Paz vos dou; não vo-la dou como o mundo dá. Não se turbe vosso coração, nem se atemorize.” Jo 14;27

Diverso da “Paz” que se apóia em fatores laterais, a de Cristo firma-se na Sua Pessoa a despeito dos ventos que soprem ao redor. “Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.” Jo 16;33

Ela deriva de dois fatores: Justiça; a Sua em nosso favor, e confiança nossa na integridade Dele. “Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti...” Pois, “O efeito da justiça será paz; a operação da justiça, repouso e segurança para sempre.” Is 32;17 Nele, “A misericórdia e a verdade se encontraram; justiça e paz se beijaram.” Sal 85;10

Estarmos em paz com Deus, porém, nos indispõe com aquele que está em guerra; não raro, como os que o servem. “Adúlteros e adúlteras, não sabeis que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus. Ou cuidais que em vão diz a Escritura: O Espírito que em nós habita tem ciúmes?” Tg 4;4 e 5

Paz pela sua natureza é algo que se busca de modo oblíquo; sendo um efeito colateral da justiça, sem essa, não há aquela. Certa vez alguém me perguntou sobre meu trabalho: “Você gosta do que faz?” Eu disse que não. Essa filosofia confuciana que, “quem trabalha com o que gosta não trabalha nunca” parece bonita no papel; mas, na prática quase nunca funciona. A gente mete o peito n’água seja suja, seja limpa; faz “o que tem pra hoje” como se diz, porque gostamos do fruto do trabalho, o salário digno, não, do trabalho em si.

Igualmente, a busca pela paz com Deus, requer renúncias, crucificação de maus pendores, eventuais indisposições com familiares e amigos... mas, seu “fruto” que enseja uma consciência em silêncio e a bendita comunhão com O Santo compensa em muito ao seu custo.

Invés da enganosa calmaria aquela que camufla as internas batalhas, uma serenidade interior tal, que, nem todos os embates da agitação ímpia circunstante colocam em risco nossa paz.

O mundo é um imenso circo que empreende esforço para domar feras; Deus O Todo Poderoso transforma-as em ovelhas. As feras adestradas dependerão sempre de jaulas, do domador por perto, pois, nada garante que seus instintos ainda latentes não façam predadoras da plateia, uma vez soltas. Sua “paz” controla consequências sem tocar nas causas.

Num momento o enganador mor declarará que está tudo dominado; no instante seguinte, a bicharada “pacífica” eclodirá de novo numa guerra mundial. “Pois que, quando disserem: Há paz e segurança, então lhes sobrevirá repentina destruição...” I Tess 5;3

Tratar consequências ignorando causas será eficaz como enxugar gelo. A impiedade autônoma é a causa de todas as guerras; enquanto essa não for tratada pela Cruz de Cristo, nada feito. “Eles tratam da ferida do meu povo como se ela não fosse grave. "Paz, paz", dizem, quando não há paz alguma.” Jr 8;11 “... os ímpios não têm paz, diz o Senhor.” Is 48;22

Acontece que, a impiedade é uma eterna declaração de guerra à Santidade Divina; e, invés de, rasteiramente concordarmos em não discordar, como pretendem os do ecumenismo, o homem que deveras anseia encontrar paz deve reconciliar-se com O Senhor, antes de tudo. “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando seus pecados; pôs em nós a palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamo-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus.” II Cor 5;19 e 20

Não ao pacífico, o de índole cordata; nem ao pacifista, o pensador anti-belicista; mas, ao pacificador; que promove à paz onde está em falta, a Palavra louva.

Por mais desmancha-prazer que um ministro idôneo pareça é um pacificador a serviço de uma causa santa. A volta do pródigo à casa paterna. “Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus;” Mat 5;9

domingo, 17 de março de 2019

A "feiura" de Jesus

“A glória desta última casa será maior que a da primeira, diz o Senhor dos Exércitos; neste lugar darei a paz...” Ag 2;9

A segunda casa, então, era o segundo templo que era construído, dada a destruição do primeiro, pelos exércitos babilônios. A Glória referida tinha a ver, em parte, com o portento da própria edificação, ornamentada com recursos Daquele que possui a prata e o ouro; mas, sobretudo, porque naquela casa seria apresentado O Príncipe da Paz; “... neste lugar darei a paz, diz O Senhor...”

Lá no oitavo dia de vida O Messias foi apresentado; aos trinta anos se apresentou interpretando um texto de Isaías ao Seu respeito; depois travou embates com Escribas, Fariseus Saduceus...

O fato de que Deus daria a paz não significa que a mesma seria recebida nos termos Dele; não foi; como lamentou o próprio Salvador; “Quando ia chegando, vendo a cidade, chorou sobre ela, dizendo: Ah! se tu conhecesses também, ao menos neste teu dia, o que à tua paz pertence! Mas agora isto está encoberto aos teus olhos.” Luc 19;41 e 42

Parece que a rejeição não derivou de uma aversão pela paz em si; mas, de uma dificuldade de visão; a Dádiva Divina esteve de algum modo “encoberta” aos olhos. À sua rejeição e perseguição ao Messias estava anexa uma maldição que trazia exatamente isso: Cegueira. “Escureçam-se seus olhos, para que não vejam; faze com que os seus lombos tremam constantemente.” Sal 69;23

Quando Isaías pintou a “feiura” do Messias que “justificou” Sua rejeição, não devemos entender literalmente como se tratando de lapsos físicos. “... não tinha beleza nem formosura, olhando nós para Ele, não havia boa aparência nele, para que o desejássemos. Era desprezado, o mais rejeitado entre os homens, homem de dores, experimentado nos trabalhos; como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, não fizemos dele caso algum.” Is 53;2 e 3

Se, fosse uma pessoa de traços disformes, cuja presença fosse desagradável não seria ovacionado por uma multidão quando da Entrada Triunfal em Jerusalém. O silêncio dos quatro repórteres sobre seus traços são fortes indícios de que Ele era uma pessoa normal, nesse quesito.

Quando O Profeta diz que Ele “não tinha beleza nem formosura... boa aparência...” provavelmente alegoriza ao apreço que fariam de Sua Doutrina; a mesma em momento algum lhes aparentou desejável. Não esperavam um pobretão oriundo da Galileia; tampouco, andando sem exército, desarmado, falando de amor, perdão, até mesmo, para os opressores romanos. Pior: Chamando de hipócritas aos veneráveis religiosos e prometendo precedência no Reino às prostitutas e publicanos. Isso era feio demais; indesejável.

A suma é que Deus deu O Príncipe da Paz em termos que eles não queriam; aí, sendo chamados a votar num “concurso de beleza” entre Cristo e um assassino, preferiram esse.

A sina deles figura à de muitos nos dias atuais. Também desejam paz com Deus; porém, recusam os termos propostos; Reino dos Céus? Tamo junto! Cruz? Tô fora!

Pedro chamou ao próprio corpo de tabernáculo, o qual deixaria na morte; disse ainda que somos casas espirituais. “Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual, sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo.” I Ped 2;5

Nosso “primeiro templo” foi destruído pelo pecado na queda; também necessitamos da reconstrução espiritual recebendo ao Príncipe da Paz. Isso foi chamado pelo Salvador de “Novo nascimento”. Se, após o desterro da queda tendemos ao egoísmo autônomo, independente, na regeneração somos desafiados a voltar ao começo; viver de modo a agradar a Deus. “Oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus...”

Nada a ver com ofertar dinheiro pra ganhar mais dinheiro como ensinam certos patifes; antes, sacrificar na cruz, às vontades enfermas cambiando-as pela de Deus; “... apresenteis vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” Rom 12;1 e 2

Como no templo aquele, nossa glória depende da presença do Príncipe da Paz, ao qual, recebendo nossa visão será ampliada.

Foi a beleza da Santidade do Senhor que o fez indesejável aos que viviam longo consórcio com a feiura do pecado. “... a luz veio ao mundo; os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más. Porque todo aquele que faz o mal odeia a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas.” Jo 3;19 e 20

Os que são reedificados Nele, o veem, enfim, como de fato É. “... adorai o Senhor na beleza da santidade.” Sal 29;2

sábado, 16 de março de 2019

A "Distância" de Deus

“Por que estás ao longe, Senhor? Por que te escondes nos tempos de angústia?” Sal 10;1

As coisas vistas da perspectiva humana devem ser analisadas como tais; isto é: Como o homem as percebe, mesmo que, não seja necessariamente assim.

Na percepção do salmista O Senhor estava longe quando ele escrevia. O contexto imediato mostra que o “distanciamento” do Santo se notava pela permissão da prosperidade e arrogância dos ímpios, pois, perseguiam aos pobres e ficavam impunes.

Mesmo inquirindo o porquê, dessa “omissão” Divina, não deixou de encerrar seu escrito com esperança no “Juiz de toda a Terra”; “Senhor, tu ouviste os desejos dos mansos; confortarás seus corações; teus ouvidos estarão abertos para eles; Para fazer justiça ao órfão, ao oprimido, a fim de que o homem da terra não prossiga mais em usar da violência.” Vs 17 e 18

A violência dos maus era a característica mais visível do “estar longe” de Deus. Quantas vezes, após uma catástrofe qualquer as pessoas perguntam por Deus, como se, fosse Ele o responsável?

A rigor, sendo Onipresente é impossível O Eterno estar distante de qualquer paragem; entretanto, como nos fez arbitrários no direito, e consequentes no dever, permite nossos voos na direção que nos aprouver, mesmo que esses sejam para pousarmos sobre os ramos da injustiça.

Se, a retribuição fosse imediata não haveria tempo para arrependimento, tampouco, perdão; duas coisas Suas, que O Altíssimo deseja vislumbrar em nós. “Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito vosso Pai que está nos céus.” Mat 5;48

Essa dádiva que permite uma reflexão posterior aos feitos, ou, o vislumbre das consequências, que deveria nos ensinar a ver melhor, tem sido usada pela maioria como permissão, incentivo até, para pecar ainda mais; como se, o “afastamento” eventual do Santo equivalesse à inexistência; quiçá, conivência com os atos maus. “Porquanto não se executa logo o juízo sobre a má obra, por isso o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto para fazer o mal.” Ecl 8;11

Porém, Salomão não via essa permissão longânime como patrocinadora da maldade humana, antes, tinha certeza que haveria a devida recompensa; “Ainda que o pecador faça o mal cem vezes, os dias se lhe prolonguem, contudo, eu sei com certeza, que bem sucede aos que temem a Deus, aos que temem diante Dele.” V 12

Quando uma injustiça qualquer está acontecendo, concomitantemente ocorrem duas coisas; seu agente “entesoura” juízo contra si; “Segundo tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus;” Rom 2;5 e seu paciente, que, eventualmente padece “sede de justiça” deposita “créditos” para o porvir, onde, enfim, será saciado. “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos;” Mat 5;6

As tribulações que sofremos não são inteiramente mal. Isto é: Aquele que faz com que “todas as coisas contribuam juntamente para o bem dos que amam a Deus” converte dores em frutos; “... tribulação produz paciência, a paciência, experiência e a experiência a esperança. A esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.” Rom 5;4 e 5

Notemos que, o contraponto às injustiças que nos atribulam não é a justiça imediata, o que poderia requerer nossa “lógica”; antes, o Amor de Deus em nós.

Pois, assim como esse mesmo Amor tolerou por muito tempo nossas falhas a espera que nos arrependêssemos, agora, atuando em nós deve sofrer as falhas dos semelhantes pelo mesmo motivo. Eis a causa altruísta necessária da nossa sede de justiça, eventual!

Todavia, é comum vislumbrarmos o desejo de vingança em frases “filosóficas” tipo: “Que Deus te dê em dobro tudo o que me desejares”. Ora, um verdadeiro servo de Deus deve aprender a perdoar assim como foi perdoado. Se, seus desejos contra desafetos forem de vingança, o perdão de Deus ainda não foi recebido em seu doentio e ímpio coração.

Além disso, independente do arrependimento dos que nos prejudicam, ou, não, inserimos que estamos num mundo dual, de luz e trevas, verdade e mentira, saúde e doença, vida e morte, etc. conhecer os dois lados da moeda é necessário para que tenhamos têmpera para o triunfo no “bom combate” como disse Paulo. “No dia da prosperidade goza do bem, mas no dia da adversidade considera; porque Deus fez este em oposição àquele, para que o homem nada descubra do que há de vir depois dele.” Ecl 7;14

Quando Deus parece distante é porque focamos com a lupa natural; quem tem olhos espirituais vê o livramento onde parece existir apenas desgraça. “... Senhor; peço-te que lhe abras os olhos, para que veja...” II Rs 6;7

quinta-feira, 14 de março de 2019

Nossa culpa do Bolsonaro

“A lei do Senhor é perfeita, refrigera a alma; o testemunho do Senhor é fiel; dá sabedoria aos símplices.” Sal 19;7

A Lei dada mediante Moisés não tinha como escopo nossa salvação, antes, deixar patente nossa carência do Salvador; Ele, trouxe a Graça; todavia, não nos deixou numa anomia, (ausência de lei) antes, nos colocou sobre a “Lei de Cristo” ou, “Lei do Espírito de Vida em Cristo Jesus...”

Humanos são acostumados a propor novas leis quando parece haver uma demanda a atender. Nem sempre oportuno a trabalho das Câmaras, Assembleias, ou, do Congresso Nacional. Pois, a Constituição diz o texto introdutório que todos são iguais perante a lei; mas, logo surge um bravo legislador propondo penduricalhos que fazem gays ou mulheres diferentes, para dar dois exemplos apenas.

No tocante aos próprios políticos, desigualdades referentes às mordomias, salários, regras de aposentadoria etc. são obscenidades praticadas, pelos “mais iguais que os outros.”

Perante à Lei do Senhor todos somos iguais, malgrado as condições financeiras, eventual projeção social, ou, usufruo de condições abastadas. “Não seguirás a multidão para fazeres o mal; nem numa demanda falarás, tomando parte com a maioria para torcer o direito. Nem ao pobre favorecerás na sua demanda.” Ex 23;2 e 3 “A vida de cada um não consiste na abundância do que possui”; ensinou O Salvador.

Diferente dos homens que tendem a enfrentar tenuemente algumas consequências, O Senhor coloca o dedo na ferida das causas. “Porque do coração procedem maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias. São estas coisas que contaminam o homem...”

O mundo pretende combater a violência por força de leis. Uns são pelo desarmamento, outros, pela posse de armas aos cidadãos de bem. Em casos como o da tragédia de Suzano SP, alguns, invés de respeitar à dor dos atingidos fazem seus comícios hipócritas e vergonhosos, como se, a cada tragédia fosse seu alvo faturar algum dividendo eleitoral. Que vergonha alheia! Que gentalha não vale um prego!

Notemos, voltando, vemos que A Lei do Senhor, ela não visa reflexos sociais; ainda que, onde observada os tenha; seu alvo é o indivíduo. “... refrigera a alma...” Faz mais: Amplia a visão; “... o mandamento do Senhor é puro; ilumina os olhos.” Sal 19;8

Cada um traz em si, a despeito de intelectos, ideologias, bens, etc. Um peso que separa da Fonte da Vida, Deus; chamado pecado. Enquanto isso não for tratado pela “Lei do Senhor” que nos declara, miseravelmente iguais; “... Não há um justo, nem um sequer.” Rom 3;10 Com armas, ou sem, daremos um jeito de fazer nossas maldades eclodirem.

Vergonhosamente, pessoas que deveriam ter uns quatro ou cinco neurônios ainda funcionando “pra andar até perder,” fazem calorosos discursos contra a violência dos “foras-da-lei” aos quais pretendem tolher criando novas leis. Que extraordinária máquina de enxugar gelo são os seus cérebros!!

A Lei do Senhor, o “Jugo de Cristo” ao qual somos desafiados, também conhecido como, cruz; demanda a renúncias das vontades próprias que, mesmo quando bem intencionadas trazem a maldade da autonomia, da ação divorciada do Senhor. Carecemos a mudança dos nossos pensamentos pelos Divinos; para, enfim, sob o regime de governo que for usufruirmos o descanso da alma.

“Tomai sobre vós o meu jugo; aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para vossas almas.” Mat 11;29

Os ”enxugadores de gelo” referidos caminham para a rejeição cabal da Lei do Senhor; motim global; “Os reis da terra se levantam, os governos consultam juntamente contra o Senhor e contra Seu Ungido, dizendo: Rompamos suas ataduras, sacudamos de nós suas cordas.” Sal 2;2 e 3

Mas, somos indivíduos; a despeito do que façam os governantes da Terra, “cada um dará conta de si mesmo a Deus.” Rom 14;12

Não vai adiantar chegar perante O Tribunal do Santo e dizer que a culpa pelas escolhas seria do Bolsonaro como fazem muitos.

Pois, ele seria um incentivador da violência com os dedos em forma de armas; Porém, lembro de outro “Incentivo” mui presente nas falas dele: “... Deus acima de Todos...” E O Santo tem Suas autoridades que usam armas para punir aos foras-da-lei; “... Queres tu, pois, não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela. Porque ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus; vingador para castigar o que faz o mal.” Rom 13;3 e 4

A coisa é simples: Escolhemos a Lei do Senhor que traz descanso, refrigério, ou, as consequências de agentes humanos como punição, sem refresco nenhum.

Você é pelo desarmamento? Então comece consigo mesmo; há um arsenal a ser implodido...

domingo, 10 de março de 2019

A Valiosa Pequenez

“Quando te abaterem, então tu dirás: Haja exaltação! E Deus salvará ao humilde.” Jó 22;29

Quatro coisas aqui: Ação dos outros; nossa reação; Ação de Deus e nosso caráter necessário.

Quando te abaterem... Embora mui tocante a parábola do Bom Samaritano que encontra ao estranho abatido e se compadece é mais comum depararmos com salteadores que, com “Samaritanos”.

Num momento farto, próspero, invés da empatia dos que se alegrariam conosco, mais facilmente assoma a inveja dos que quereriam estar em nosso lugar.

Não poucos “obreiros” espraiam sobre incautos suas apostasias ministeriais acoroçoadas pelas cobiças temporais mercenárias. O pior tipo de salteadores, pois, além dos bem terrenos pilham almas eternas também.

O bem do semelhante não me faz mal, tampouco, sua felicidade; pelo menos, não deveria se, eu fosse o servo que Deus chamou para ser. Nossa empatia deve ser plena em quaisquer circunstâncias; “Alegrai-vos com os que se alegram; chorai com os que choram.”

Se, muitos obram por me abater, isso não patrocina uma reação auto-comiserada, introspecta, depressiva; devo ter alguma dose de amor próprio; reagir. “Quando te abaterem então tu dirás: Haja exaltação!”

Exaltação aqui está em oposição ao permanecer abatido, prostrado; não tem a ver com orgulho; antes, com desejo de não permanecer prostrado; ser reerguido por Deus. “O Senhor sustenta todos os que caem; levanta todos os abatidos.” Sal 145;14

Assim, da reação de inconformidade com o abatimento ensejado por terceiros sou “co-autor” da Ação Divina, à medida que clamo confiante a Ele e espero pelo Seu socorro. “Deus salvará ao humilde”.

Vista a ação dos outros, a nossa reação, e a intervenção Divina chegamos ao quarto ponto: Nosso caráter. Humildade.

Ela é uma coisa mui tênue. Se, for propagada deixa de ser. Como moeda rara de um colecionador que é preciosa para ter, mas, não deve ser usada indo na padaria comprar alimento. Assim a humildade; é mui valiosa, mas se tocarmos trombetas sobre ela deixa de ser; cede seu devido assento ao intrometido do orgulho.

Olhando alhures vemos quão limitada é a compreensão geral dos cristãos sobre isso. Há tantas expressões eivadas de orgulho onde deveria ser diverso que chega a ser alarmante. Um servo de Deus idôneo não “arrasa, causa, lacra, arrebenta a boca do balão”... Pois, se assim fizer não serve. Serve-se. O Servo espera com Paciência no Senhor; no Seu Tempo, Ele Ouve e livra.

Pelejar com veemência pelo que cremos, desagravos dos blasfemos contra O Santo, não distorção das Escrituras é “batalhar pela fé”, como a Palavra ensina. Se, aos desavisados essa convicção, esse ardor na peleja soa a orgulho, ser “dono da verdade”, isso tem a ver com a cegueira que os vitima, não, com a realidade.

Quem é mais humilde? Aquele que arrisca-se sendo antipático até, para que a Vontade de Deus revelada não seja vilipendiada, alterada, ou, outro que, por simpatias naturais, humanos melindres, ou ninharias assim coloca mera opinião no lugar da Palavra de Deus?

O primeiro peleja pelo império da Divina Vontade; o segundo, pela própria; bem sabemos quem sugeriu que poderíamos ser “como Deus” decidindo nós mesmos sobre valores como bem e mal. O Pai do Orgulho e da mentira, Satanás.

Humildade é dependência de Deus, não frouxidão quanto aos Seus Bens que nos confiou.

Infelizmente o inimigo formatou uma sociedade doentia, culpada de tudo, onde o indivíduo, invés de responsável por seus atos, consequente, é visto apenas como vítima. Esse chororô dodói tão em voga nada tem a ver com humildade de um que estaria sofrendo por culpa alheia. Antes, é só uma máscara malignamente arquitetada para disfarce do orgulho, daqueles que se recusam a admitir as próprias culpas.

Davi apesar de seus muitos erros foi chamado de homem “segundo O Coração de Deus”; tanto quanto entendo, segundo é o que vem após O Primeiro. Esse É Deus. Só serei segundo Ele, se, invés de impor meus anseios, devaneios, opiniões e pendores doentios, abraçar para mim Seus Pensamentos; tomar como diretriz, Sua Palavra.

Davi não só admitia-se pecador como ainda sabia que pecava até sem notar; que havia erros ocultos para serem perdoados. “Quem pode entender seus erros? Expurga-me tu dos que me são ocultos.” Sal 19;12 Eis a humildade do homem segundo Deus em seu santo consórcio com a verdade!

Quanto a ação dos outros não podemos evitar; mais pedras atirarão quanto mais frutos virem em nós; nossa reação de não ficar prostrados depende de confiarmos no socorro Divino. Ele agirá se O honrarmos crendo, obedecendo.

Quando nos livrar, não permitir que eventuais lugares altos sirvam para montagem do bungee jump do orgulho. Humildade não atrela-se à circunstâncias; na lama, não duvida do amor Divino; num trono, sabe Quem Reina...

sábado, 9 de março de 2019

Sistematizados

Há pouco fui ao banco, pois, precisava fazer uns pagamentos. Porém, todos os terminais eletrônicos estavam sem serviço, e assim permaneceram por uns quarenta minutos, tempo em que esperei por atendimento. Como era só pagamento, um caixa exclusivo para esse fim, enfim, voltou a funcionar; os demais que pretendiam saques, ou outra coisas ficaram inda esperando quando saí.

Chegando em casa minha Internet estava off; ainda está enquanto escrevo; esses dois incidentes me fizeram pensar em, quão dependentes de sistemas que não controlamos, estamos.

Como seria se, de repente, por ocasião de alguma anomalia solar, por exemplo, toda a “nuvem” virtual se desfizesse; e, o terminal “Hard” que a sustenta implodisse também?

Provavelmente teríamos que reaprender a viver; para os mais novos, dependentes disso, seria quase uma questão de sobrevivência; seria uma geração “walking Dead” com existência zumbiforme, cujo “espírito” lhes teria sido roubado.

Todavia, vendo o outro lado, onde “tudo” funciona as inquietações deveriam ser inda maiores. Funciona para quê? O quê produz efetivamente? Estarão nossas vidas sendo facilitadas pela tecnologia ou, vampirizadas?

As redes sociais são em sua imensa maioria para inchaço dos egos, na ostentação das virtudes, saberes e aparências falsas; caiamos na estultice de não elogiar mesmo discordando e choverão meteoritos em nossas cabeças. Sabendo disso depois de muitas pedradas resolvi usar o capacete do silêncio. Quem não suporta a verdade não será alvo de cantos de ninar mentirosos, pelo menos, oriundos dos meus lábios.

Por discordâncias políticas com gente sem noção que defende ladrões, sofri duras ofensas a ponto de ter que excluir contatos que se revelaram piores do que eu pensava. Culpa minha; quem mandou pensar que as pessoas respeitavam fatos, lógica, e agiriam com honestidade intelectual enfrentando apenas ideias sem ofender pessoas?

À vera estamos todos prontos para sermos aplaudidos, embora meros autômatos; somos avessos ao ensino, ou, correção.

Pior que ser refém de sistemas é ser servo do próprio ego sem noção; partilhar a torto e a direito, ofensas genéricas só porque o sabor ferino do veneno excita ao ímpio paladar.

Assim, a mesma pessoa fala do amor de Deus que nos considera, os Seus Servos “Um Corpo”, mas, se calhar por um melindre qualquer mando-nos cuidar de nossas vidas e ficar a distancia. Da mesma fonte dois tipos de água.

A máquina destreina de como pensar racionalmente e nos oferece maldades, ironias, agressões para todos os gostos... Eventualmente, navalhas são enroladas em panos piedosos para que os “guerreiros” das aparências e das falácias se presumam melhores que são.

Estarei acima disso? Não. Corro risco de incorrer nesses mesmos erros. Porém, geralmente escrevo o que penso não, o que outro pensou; nem partilho para ofender apenas.


Quando escrevo à partir da Palavra de Deus as mesmas coisas que ensino servem para mim; estou sob o mesmo jugo dos que me leem.

Nos dias do Anticristo, que se aproximam, todos os Servos de Deus estarão “off” do sistema. “Faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na sua mão direita, ou nas suas testas, para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome.” Apoc 13;16 e 17

Nesse caso sim, será questão de sobrevivência literal. Sem a senha do Capeta estaremos fora. Presentemente somos desafiados a “não ser do mundo” nos valores, crenças, “modus operandi”. Então, não seremos mais, em nada.

Nossa cidadania terrena será castrada; teremos que optar entre perder a celeste para por um pouco inda usufruirmos a daqui, ou, levar nossa confiança em Cristo às últimas consequências, mesmo que essas sejam terminais.

Por isso é oportuno lembrar que devemos perseverar, “Olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus. Considerai aquele que suportou tais contradições dos pecadores contra si mesmo, para que não enfraqueçais, desfalecendo em vossos ânimos. Ainda não resististes até ao sangue, combatendo contra o pecado.” Heb 12;2 a 4

Pergunto-me: Como uma geração sem têmpera, vitimista, incapaz de pensar, pelejar por valores, não interesses, colocará sem reservas suas vidas nas mãos de Deus, que desconhece, dando uma banana ao sistema?

A batalha espiritual se dá nas mentes; “Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas, poderosas em Deus para destruição das fortalezas; destruindo os conselhos, e toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo;” II Cor 10;4 e 5

Mentes que “pensam” com um mouse, ou, touch screen, quando carecerem de neurônios, infelizmente, estarão off.