quarta-feira, 16 de outubro de 2024

Íntimos de Deus


“Servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado.” Atos 13;2

Interessante o relato! não menciona nenhum apóstolo, ou profeta como o veículo usado para manifestação; “disse O Espírito Santo.” Óbvio que o fez mediante alguém! Mas a comunhão era tão intensa, que não havia lugar para partidarismos, egoísmos, essas doenças tão comuns, onde pessoas superficiais visam para si a Glória que pertence ao Eterno.

Muitas “Igrejas” têm um proprietário humano, quando não, uma convenção, que, periodicamente mexe os pauzinhos, atentando a politicagens, nepotismos e conveniências humanas, invés da necessária consulta a quem os rebanhos pertencem.

Apadrinhados sem preparo, sem uma vida digna, ocupam lugares altos. Não poucos de vidas consagradas, testemunho probo e almas preparadas são preteridos, pois, o “Espírito Santo” não os vê.

Na igreja infante já havia voluntarismo de gente que Deus não chamara, que se punha a estragar o trabalho alheio. Hoje a proporção é assustadora.

Paulo sofreu muito com isso; certa vez algumas questões tiveram que ser tratadas num concílio apostólico. A resolução descartava aos voluntários e seus ensinos; dizia: “Porquanto ouvimos que alguns que saíram dentre nós vos perturbaram com palavras, e transtornaram vossas almas, dizendo que deveis circuncidar-vos e guardar a Lei, não lhes tendo nós dado mandamento, pareceu-nos bem, reunidos em acordo, eleger alguns homens e enviá-los com os nossos amados Barnabé e Paulo, homens que já expuseram suas vidas pelo Nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Enviamos, portanto, Judas e Silas, os quais por palavra vos anunciarão também as mesmas coisas.” Atos 15;24 a 27

Como sabiam que Paulo, Barnabé, Judas e Silas anunciariam as mesmas coisas? Serviam no mesmo Espírito estavam imbuídos do mesmo propósito, participaram todos da decisão comum. É o modo do Espírito Santo agir; diversidade de dons e pessoas, unidade de propósito.

Disputas periféricas de igreja a x b, de fulano que passou daqui para a acolá; beltrano migrou da lá para cá, são tristes recortes do egoísmo e insubmissão a Deus, não algum progresso da Igreja do Senhor, que não se prende às predileções particulares.

Há mais “despregadores” do Evangelho, que pregadores. Sempre tem um ateu que conhece grego e hebraico, com seus “argumentos” fundados sobre a areia movediça da própria incredulidade; outro que “descobre” livros que a “Igreja escondeu” e claro, ensinariam coisas totalmente desconexas com A Palavra; não poucos, que testemunham decepções que viveram no meio cristão; portanto, se tornaram “desigrejados;” os que passaram a consumir porções de “Teologia liberal” invés da Pura Palavra de Deus e se fizeram expoentes das aberrações que consumiram; deixaram a Sã doutrina e se desencaminharam, etc.

O que todos têm em comum, é que nenhum foi chamado pelo Espírito Santo; se foi, um dia, separou-se e perdeu o rumo; isso os “frutos” produzidos, deixam ver.

Os dons espirituais não são brinquedos aleatórios, antes, ferramentas para laborar com um propósito específico; “Há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil.” I Cor 12;6 e 7

A comunhão necessária com Deus, nos permite uma identidade afetiva até; pouco a pouco aprendemos a amar o que Ele ama, e desprezar o que O Santo despreza. Essa identidade “atrai” O Espírito Santo, de modo a se expressar mais vivamente por nosso intermédio; “Tu amas a justiça e odeias a impiedade; por isso Deus, o Teu Deus, Te ungiu com óleo de alegria mais do que a teus companheiros.” Sal 45;7

Objetaria um intérprete qualquer: Mas esse texto se refere a Jesus; certo. Mas, não fomos chamados para sermos imitadores Dele?

Os que prezam estar com O Santo, vivendo em temor e obediência, se fazem íntimos Dele, a ponto de receber revelações especiais. “O segredo do Senhor é com aqueles que O temem; Ele lhes mostrará Sua Aliança.” Sal 25;14

No caso de um assim, estar em posição influente na Obra de Deus, acaso não lhe diria O Espírito Santo, a quem teria escolhido e para fazer o quê? Não foi O Espírito que perdeu a aptidão para dirigir, ou a condição de falar; mas muitos “líderes”, não O conseguem ouvir mais.

Infelizmente, muito do que se pretende igreja, se institucionalizou e virou empresa, assunto de homens apenas.

Graças a Deus as coisas nem sempre são tão ruins como nos parecem; quando Elias se sentiu só, O Senhor garantiu que havia mais sete mil fiéis.

Como são preciosos aqueles que, nessa ou naquela denominação, temem a Deus e nada acrescentam à Sua Palavra. O Espírito Santo os pode enviar onde aprouver, e falarão todos, as mesmas coisas.

terça-feira, 15 de outubro de 2024

A loucura de crer


“Visto como na sabedoria de Deus o mundo não O conheceu pela Sua Sabedoria, aprouve a Ele salvar os crentes pela loucura da pregação.” I Cor 1;21

A revelação deveria ser tratada como uma joia de ímpar valor. O povo se deixaria moldar pelos Divinos Estatutos, e certamente seria admirado. Relações interpessoais seriam sadias; com Deus, puras e santas.

Depois de entregar Seus preceitos mediante Moisés, pelo mesmo expoente, Deus ensinou sobre as consequências da fidelidade; “Guardai-os pois, e cumpri-os, porque isso será vossa sabedoria e entendimento perante os olhos dos povos, que ouvirão todos estes estatutos, e dirão: Este grande povo é nação sábia e entendida. Pois, que nação há tão grande, que tenha deuses tão chegados como O Senhor nosso Deus, todas as vezes que O invocamos?” Deut 4;6 e 7 Sábios, entendidos e íntimos do Eterno, era o propósito.

Lhes foi facultado conhecer a Deus pela Sua Sabedoria. O problema é que o conhecimento espiritual não é a mesma coisa que o intelectual. Mais que saber algo, como bastaria ao intelecto, requer andar, viver conforme. Um homem inteligente e conhecedor sabe que está escrito: “Ficarão de fora os mentirosos;” um sábio não mente.

Quando algo valioso nos é dado, certamente demanda zelo à altura, pela preservação; se alguém achar que a vigilância para conservação desse bem superior é demasiado custosa, pela sua falta de apreço, fatalmente deixará coisas de rara incidência e ímpar valor, e buscará simulacros; a preguiça de cuidar do que é precioso, necessariamente lançará os relapsos a alternativas mais fáceis, malgrado, fúteis.

Infelizmente o “povo eleito” incorreu nesse grave erro: “Espantai-vos disto, ó Céus, horrorizai-vos! Ficai verdadeiramente desolados, diz O Senhor. Porque Meu povo fez duas maldades: a Mim deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm águas.” Jr 2;12 e 13

O conhecimento do Santo não seria patenteado na capacidade de alguém recitar os Estatutos dados por Ele; antes, em viver o povo, de modo a produzir os frutos que evidenciariam isso.

Isaías explica: “Que mais se podia fazer à Minha vinha, que Eu lhe não tenha feito? Por que, esperando que desse uvas boas, veio a dar uvas bravas? Agora, pois, vos farei saber o que hei de fazer à Minha vinha: tirarei sua sebe, para que sirva de pasto; derrubarei sua parede, para que seja pisada; a tornarei em deserto; não será podada nem cavada; porém crescerão nela sarças e espinheiros; e às nuvens darei ordem que não derramem chuva sobre ela. Porque a vinha do Senhor dos Exércitos é a casa de Israel, os homens de Judá são a planta das Suas delícias; esperou que exercesse juízo, e eis aqui opressão; justiça, e eis aqui clamor.” Is 5;4 a 7

A vide degenerada, incapaz dos frutos tencionados pelo Eterno agricultor resultou de serem relapsos ante os Divinos Ensinamentos. Por isso, para contraponto a essa “vinha” que se tornara falsa pelos frutos produzidos O Salvador disse: “Eu Sou a Videira Verdadeira, Meu Pai É O Lavrador. Toda a vara em Mim, que não dá fruto, tira; limpa toda aquela que dá fruto, para que dê ainda mais.” Jo 15;1 e 2

O intelecto com suas noções “lógicas” tem tudo para pôr os pés pelas patas, pois suas cogitações são, como disse Tiago, “terrenas animais e diabólicas.” Tg 3;15 Há muitos de cérebros privilegiados que são ateus. Sua luz mostra muitas direções, exceto, a da vida.

Por isso Paulo fez distinção entre a Sabedoria de Deus e a pretensão mundana; disse: “Todavia falamos sabedoria entre os perfeitos; não, a sabedoria deste mundo, nem dos príncipes deste mundo, que se aniquilam; mas falamos a Sabedoria de Deus, oculta em mistério, a qual Deus ordenou antes dos séculos para nossa glória; a qual nenhum dos príncipes deste mundo conheceu; porque, se conhecessem, nunca crucificariam ao Senhor da Glória.” I Cor 2;6 a 8

A “loucura da pregação” é refinada ironia; o modo retórico do apóstolo dizer aos “sábios” daqueles dias; aquilo que avaliais como loucura, é a Sabedoria Divina que vos escapa, por estardes presos numa “lógica” maligna, que veda coisas que são de outro âmbito; a fé.

“Mas para os que são chamados, tanto judeus quanto gregos, lhes pregamos a Cristo, Poder de Deus, e Sabedoria de Deus. Porque a loucura de Deus é mais sábia que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte que os homens.” I Cor 1;24 e 25

Não carecemos ser gigantes intelectuais; nos basta sermos como crianças, e crer; depois, pouco a pouco somos iluminados. “A vereda dos justos é como a luz da aurora; vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito.” Prov 4;18

segunda-feira, 14 de outubro de 2024

A mesmas coisas


“Resta, irmãos meus, que vos regozijeis no Senhor. Não me aborreço de escrever-vos as mesmas coisas; é segurança para vós.” Fp 3;1

Estranhas alegrias, até quando a vida insiste em semear razões para tristezas. O Salvador preveniu: “No mundo tereis aflições...”
Então, alguém se regozijar parece improvável; contudo, é desse modo. Assim como há dois tipos de tristeza, uma segundo Deus, outra segundo o mundo, ver II Cor 7;10, há também dois tipos de alegria, conforme as mesmas fontes.

Muitas coisas que trazem um peso pela sua incidência, ensejam leveza pelas consequências espirituais, em quem as pode avaliar corretamente. Pedro ensina: “Mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo, para que também na revelação da Sua Glória vos regozijeis e alegreis.” I Ped 4;13

Gozo pode verter desde a esperança, antes mesmo de se fruir na plenitude. “Alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração;” Rom 12;12

No auge das aflições O Senhor preveniu aos Seus sobre a tristeza, que daria espaço a uma alegria permanente; “A mulher, quando está para dar à luz, sente tristeza, porque é chegada sua hora; mas, depois de ter dado à luz a criança, já não se lembra da aflição, pelo prazer de haver nascido um homem no mundo. Assim também vós agora, na verdade, tendes tristeza; mas outra vez vos verei, e vosso coração se alegrará, a vossa alegria ninguém tirará.” Jo 16;21 e 22 Alegria de sabermos que Ele venceu à morte e nos fará vencedores com Ele, quem poderá tirar?

O regozijo espiritual podemos fruir mesmo quando todas as circunstâncias insistem em falar de tristeza. Se, as alegrias mundanas têm a ver com coisas tangíveis, conquistas, que acabam em bebedices e portentosos banquetes, as espirituais prescindem dessas coisas; “Porque o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo.” Rm 14;17

“... as mesmas coisas...”
alguém definiu a celeridade com que as coisas mudam, pela tecnologia avançada, e “valores” voláteis, como “mundo líquido”. Raul Seixas já cantava: “Se hoje sou estrela amanhã já se apagou...” essa metamorfose que soou atrevida naqueles dias, agora reflete a realidade.

A resiliência dos poucos, refratários a mudanças de cunho espiritual, moral, soa como um radicalismo, saudosismo jurássico, uma resistência indevida, às modernidades “necessárias” do novo mundo que se descortina. Para Deus, inversão de valores; “Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem, mal; que fazem das trevas luz, da luz, trevas; fazem do amargo, doce, e do doce, amargo!” Is 5;20

O Senhor foi bastante “primitivo” em Sua pretensão; disse: “Passará o Céu e a Terra, mas Minhas Palavras não hão de passar.” Luc 21;33

Figurou a prática dos Seus Ensinos, com “edificar a casa na rocha”, apta a resistir as fúrias líquidas que a testariam. “Todo aquele, pois, que escuta estas Minhas Palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou sua casa sobre a rocha; desceu a chuva, correram rios, assopraram ventos, combateram aquela casa e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha.” Mat 7;24 e 25

As mesmas coisas faladas há dois milênios, não serem biodegradáveis evidenciam que sua origem é eterna. Nossa segurança nos convida ao retrovisor, não à amplitude ímpia que se descortina diante de nós. “Assim diz o Senhor: Ponde-vos nos caminhos, e vede, perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele; achareis descanso para as vossas almas; mas eles dizem: Não andaremos nele.” Jr 6;16

“... é segurança para vós.”
Como buscarão segurança nas “mesmas coisas” aqueles, que, recusando-se a abraçá-las no devido tempo, se deixaram seduzir por outras, “novas” e aparentemente mais fáceis?

Tudo aquilo que derivar do engano, que carecer o acessório da mentira, por novas que sejam as roupagens com as quais se apresente, tem a idade da humanidade. Essas velharias já estragam a relação do homem com Deus desde o Jardim do Éden.

A presente geração se contenta com coisas “virtuais”; simulacros da verdade já bastam para muitos. Entretanto, salvação ou perdição que decorrem das nossas escolhas são coisas muito reais, e de peso eterno. Tendemos a nos deixar influenciar pelo que a maioria deixa; porém, somos desafiados pelo Mestre a ousar ser minoria; “Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos.” Mat 22;14

O que há de sisudo no Evangelho da Graça de Deus, é que somos convidados ao arrependimento e desafiados às renúncias para sermos regenerados segundo Deus; e o que há doentio e suicida nesse lamaçal mundano, é que pessoas ímpias se atrevem a “Mudar Deus” segundo suas insanas inclinações, pela recusa em se converter. A escolha pelo mais difícil significa mais; uma cruz que se tornará coroa.

O Espírito em nós


“Em todo o tempo sejam alvas tuas vestes, e nunca falte o óleo sobre tua cabeça.” Ecl 9;8

“Em todo o tempo...”
Hoje tudo é fragmentário, se pode fazer “cortes” selecionando as partes prediletas disso ou daquilo; aumenta o risco de ancorarmos nosso cristianismo em performances pontuais, invés de vivermos a probidade integral, como convém.

Um filtro para remover uma imperfeição aqui, um ajuste ali, e fácil se pode fazer boa figura no reino das aparências. Somos de outro Reino.

O Espírito Santo é nossa “plateia” perene; Ele vê nosso desempenho. Artifícios pontuais que maquiam problemas invés de os solver, pioram nossa situação ante Ele, que está sempre pronto a ajudar, se decidirmos pelas veredas da justiça.

Ter problemas, todos os têm. O que se torna vital é como lidamos com eles. Não é possível fazermos “cortes” em nossas almas, priorizando apenas os bons momentos. Ante Deus, somos como somos, em todo o tempo.

Via arrependimento e mudança de atitude, quem identifica seus maus passos pode mudar; esquecer as coisas que para trás ficam, podemos abraçar a novidade de vida em Cristo. Carecemos honestidade ante a voz interior, que valora corretamente nossas escolhas.

Nossa caminhada deve ser dirigida por Deus, não pelos semelhantes. “Eu sei, ó Senhor, que não é do homem seu caminho; nem do homem que caminha, dirigir seus passos.” Jr 10;23

“... sejam alvas tuas vestes...”
não se trata de outrem escolher a cor das roupas para nós. Antes, de uma figura de linguagem; as vestes limpas tipificam atitudes retas, vida em harmonia com o semelhante, no que depender de nós, e em harmonia com Deus.

Até nos ditos populares, as desavenças são tidas como sujeiras, donde verteu o dito: “Roupa suja se lava em casa.” Significando que essas coisas não devem ser tratadas em público. Mesmo na Palavra de Deus, roupas excelentes apontam para caracteres excelentes, alinhados à Justiça Divina. “Foi-lhe dado que se vestisse de linho fino, puro e resplandecente; porque o linho fino são as justiças dos santos.” Apoc 19;8

Assim, quando alguém torna impura sua alma, por más escolhas que faz, figuradamente se diz que o tal “manchou as vestes.” Mesmo a infidelidade conjugal é valorada sob essa figura; aquele que assim o faz, mancha o próprio leito; daí, o preceito: “Venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; porém, aos que se dão à prostituição, e aos adúlteros, Deus julgará.” Heb 13;4

“... nunca falte o óleo...”
uma vez mais, não devemos entender literalmente a linguagem poética. Óleo era usado para unção de reis, profetas e sacerdotes na Antiga Aliança. Depois desse rito, O Espírito de Deus atuava junto àqueles tentando conduzi-los segundo O Divino Querer. Não significa que um ungido não errava; mas quando fazia isso, certamente deixava de escutar ao Espírito que o animava, agindo de moto próprio.

Na Nova Aliança em Cristo, O Espírito Santo é dado a todos os que se convertem; independente de um ritual com óleo; os que creem são “selados” pelo Espírito Santo, recebem Sua unção. “Vós tendes a unção do Santo, e sabeis todas as coisas.” I Jo 2;20

Como os da Antiga Aliança, os da Nova também erram após a unção; pelo mesmo motivo. Um atuar independente da direção que recebem. Por isso a certeza de “inocência plena” apenas é dada aos que se submetem integralmente às diretrizes espirituais. “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito.” Rom 8;1

Os submissos ao Espírito em todo o tempo, deles, figuradamente se diz que “andam no óleo.”

“... sobre a tua cabeça.” Embora eventualmente se chame ao núcleo da personalidade, o centro das decisões e afetos humanos de “coração”, sabemos que esse coração tem muito de cabeça, entendimento. Todos os membros do corpo devem submissão às diretrizes da cabeça. Tanto, que a Igreja é chamada de “Corpo de Cristo”, sendo Ele a Cabeça, a origem de todas as diretrizes que convêm ao nosso andar.

Assim, termos o “Óleo” sobre nossas cabeças significa, entendermos que os rumos que nós devemos abraçar, precisam passar antes pelo crivo do Espírito Santo.

Invés de sobre a cabeça, alguns agem como se O tivessem à mão; pudessem ordenar isso, decretar aquilo, profetizar, e deixar a Ele o papel de obedecer. Blasfema e suicida atitude!

Não foi O Espírito Santo que nos foi dado; nós fomos dados a Ele como habitats, e servos. “Não sabeis que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” I Cor 3;16

Logo, integralmente andemos em retidão, e jamais coloquemos nossos anseios onde convém atentar à diretriz do Espírito Santo.

domingo, 13 de outubro de 2024

A Sabedoria


“Porém, onde se achará a sabedoria, onde está o lugar da inteligência?” Jó 28;12

Antes de pensarmos onde encontrar esses bens, cabe considerar o valor deles, para entender se vale à pena empreender esforços pelos tais. Por acostumados a avaliarmos coisas tangíveis apenas, essas que escapam ao toque, tendem a receber uma valoração ínfima, como se fossem coisas comuns. “O homem não conhece o seu valor; nem ela se acha na terra dos viventes.” V 13

Lugares remotos, amplos, se apressam a dizer que não a conhecem, que não habita com eles; “O abismo diz: Não está em mim; o mar fala: Ela não está comigo.” V 14

Entretanto, seu valor não é superficial como pode parecer aos mais desavisados; “Não se dará por ela ouro fino, nem se pesará prata em troca dela. Não se pode comprar por ouro fino de Ofir, nem pelo precioso ônix, nem pela safira. Com ela não se pode comparar o ouro nem o cristal; nem se trocará por joia de ouro fino.” Vs 15 a 17

Quanto mais nossa investigação avança, mais compreendemos seu valor, e menos vislumbramos seu lugar.

“Não se fará menção de coral nem de pérolas; porque o valor da sabedoria é melhor que o dos rubis. Não se lhe igualará o topázio da Etiópia, nem se pode avaliar por ouro puro.” Vs 18 e 19

Ela própria, nos lábios de Salomão, com quem viveu, disse: “Aceitai minha correção, não a prata; o conhecimento, mais que o ouro fino escolhido. Porque melhor é a sabedoria que os rubis; e tudo o que mais se deseja não se pode comparar com ela.” Prov 8;10 e 11

Valendo isso tudo, por que tão poucos se esforçam por encontrá-la? Por estar atrelada a bens de valor eterno, e ser o homem caído um refém do pecado, ter o entendimento obtuso pela ação do canhoto, “... o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do Evangelho da Glória de Cristo...” II Cor 4;4 acaba esse cego agindo como reles jumentos, para os quais, a palha vale mais que o ouro.

As “riquezas” terrenas, no fundo apenas permitem comprar mais palha, o que emoldurará a morte dos ímpios com nuances de comodismo, conforto terreno, não indo um centímetro além daí.

O engano das riquezas, que O Salvador equacionou a espinhos, na Parábola do Semeador, foi também denunciado pelo poeta: “Engana-se quem pensa que os cofres dos bancos possuem riquezas, - disse – eles têm apenas dinheiro.” Carlos Drummond de Andrade

A vera riqueza não tem efeitos colaterais, como a enganosa que qualquer ladrão a pode dilapidar num momento. “A bênção do Senhor é que enriquece e não traz consigo dores.” Prov 10;22

A um que estava assentado sobre muitas posses terrenas, sem nenhum depósito no banco celeste foi dito: “... Louco! esta noite pedirão a tua alma; o que tens preparado, para quem será?” Luc 12;20

Não somos capazes de valorar devidamente uma alma; porém, Aquele que É, disse: “Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?” Mat 16;26

Se, preciosidades materiais como ouro, prata, rubis, topázio, empalidecem ante o valor da sabedoria, é porque essa “compra” coisas que aquelas não conseguem. “Porque a sabedoria serve de defesa, como de defesa serve o dinheiro; mas a excelência do conhecimento é que a sabedoria dá vida ao seu possuidor.” Ecl 7;12

O valor da vida torna ínfimos os outros bens. Até o vulgo sabe disso, quando filosofa nos botecos da existência; “vão-se os anéis, ficam os dedos;” diz. A problema é que os “dedos” na visão do tal, é a mera existência terrena; aos Olhos Divinos o valor inestimável está na vida eterna. “Aqueles que confiam na sua fazenda, se gloriam na multidão das suas riquezas, nenhum deles de modo algum pode remir seu irmão, ou dar a Deus o resgate dele.” Sal 49;6 e 7

Então, voltando à nossa investigação inicial, a saga de Jó ilustra de modo exemplar, a postura de quem conhece a vera riqueza. Ele perdeu tudo; bens, família, saúde; resiliente, mal aconselhado, acusado até; porém, se recusou a perder sua comunhão com Deus. “Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra.” Jó 19;25

Esse, pois, tinha moral para versar sobre a verdadeira sabedoria; ele a conhecia, e fez isso notório com seu agir; não sem antes, desenhar o mapa, para que também a possamos encontrar, caso a desejemos; “... Eis que o temor do Senhor é a sabedoria, e apartar-se do mal é a inteligência.” Jó 28;28

sábado, 12 de outubro de 2024

Malafaia, a vergonha


“... não pense de si mesmo além do que convém...” Rom 12;3

Muitos estão decepcionados com as recentes declarações de Silas Malafaia, que falou duras coisas contra Jair Bolsonaro.

Eu não estou decepcionado por algumas razões; a primeira e mais grave é o conhecido “mimetismo” político do referido pregador. Já “abençoou” Lula, Dilma, Temer, antes do Jair. Se estiver vislumbrando alguma chance em Tarcísio para 2026, nada mais natural que comece sua migração. Trata-se de um parasita dos poderosos, não um referencial moral e espiritual como deveria ser.

Diferente de João Batista, que segundo Jesus, não era “uma cana agitada pelo vento”, ele iça suas velas segundo as correntes. Gente venal assim, para meus parâmetros não vale nada.

Se souber que escrevi isso, certamente dirá: “Quem éss tu na fila do pão? Eu faço esse negócio há maiss de trinta anoss!” Quando lhe convém usa fama como “argumento” e longevidade como “testemunha”; embora, a função pareça mesmo um negócio, ao tal.

Quando são atitudes, evidências do caráter, que estão em apreço, apenas essas devem ser analisadas. Há muitos “influencers” com milhões de seguidores que não valem um prato de lentilhas. O imbecil coletivo não arrasta os valores para o âmbito da imbecilidade. Assim como, preço e valor são coisas distintas, também, sucesso e anonimato, nada têm a dizer em questões de caráter. Quem és tu? Um bicho que se recusa ser camaleão.

Escolher uma “jornalista” como Mônica Bérgamo para falar, piora muito as coisas. Notória militante comunista, parcial, desonesta intelectual, quando convém à “causa”. Não satisfeito de produzir “M”, fez questão do auxílio do ventilador. De uma baixeza moral assustadora.

Ele está pensando de si mesmo muito acima do que convém. Quem disse que algum candidato carece do apoio dele para ser eleito? Não foi ele que tirou o Marçal do segundo turno, malgrado, toda a campanha difamatória que promoveu. O mesmo sistema que “elegeu” Lula definiu o resultado em São Paulo.

Dada a aversão que a maioria dos cristãos têm ao tal, mais repele votos, que os atrai. Se, como pastor serviu de apoio pontual ao Bolsonaro em momentos difíceis, deveria ter sido leal e guardado isso como “segredo de confessionário”; não lançado ao vento como fez. Porém, no prisma político, não foi de valia nenhuma ao Bolsonaro, que conquistou o que conquistou, apesar dele, não, por causa dele.

Se eu tivesse acesso ao Jair, diria que mantivesse distância segura desse “apoiador”; no prisma espiritual há melhores que ele; que aconselhariam sem o expor; no político, não fariam perder votos como o falastrão em apreço, faz.

Não sou radical a ponto de esposar que um cristão não se envolva em política. Quando os de bom caráter se recusam acabam, necessariamente, governados pelos maus. Somos cidadãos dos Céus e da terra. Cada coisa, pois, no seu lugar. “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.” Não usamos o púlpito para candidatos pedirem votos, tampouco pedimos, para esse ou aquele; mas os que vêm a nós em busca de oração, e apoio espiritual, encontram.

Se um lado defende valores com os quais os cristãos se identificam, natural que nos identifiquemos. Não é isso ser coerente? O que são as obras da fé, senão, agirmos consoante ao que cremos?

Há muitas fés “walking deads” por aí; dos que afirmam crer em algo, e votam nos que defendem o oposto. Gente que não merece respeito e sabe disso; seus olhos os denunciam, quando encontram alguém verdadeiro. Suas “vitrines baças” mostram que sabem o que fizeram, não conseguem ser espontâneos. O homem que trai a si mesmo dorme com o inimigo e anda sempre em má companhia.

Agora abraçar ao verde hoje, ao vermelho amanhã, ao roxo mais adiante, não é participar de política, simplesmente. Antes, participar no subsolo dos valores, abraçando ao que a má política tem de pior; fisiologismo, jogo de interesses, corrupção.

Não me dá nenhum alento, antes, tristeza ter que falar assim de alguém que um dia me pareceu ser alguma coisa de valor. Deixem esse pavão entregue a si mesmo, o único ser que ele respeita.

Se aplicássemos ao Silas a “regra” aquela de comprar pelo que vale e revender pelo que pensa que vale, nossa fortuna nos faria figurar na revista Forbes; colocaríamos o Elon Musk no bolso.

Certas “bênçãos” é melhor não ter; quando a origem é naqueles que desonram a Deus; “Se não ouvirdes e se não propuserdes, no vosso coração, dar honra ao Meu Nome, diz o Senhor dos Exércitos, enviarei a maldição contra vós e amaldiçoarei as vossas bênçãos; também já as tenho amaldiçoado, porque não aplicais a isso o coração.” Ml 2;2

O lugar das coisas


“Como joia de ouro no focinho de uma porca, assim é a mulher formosa que não tem discrição.” Prov 11;22

A beleza carece certo “acessório”. Uma joia de ouro é linda; todavia, se estiver mesclada à lama, essa beleza perderia seu fulgor, o sentido, até.

As coisas bonitas têm seu próprio lugar. Nalguns casos, o tempo certo para que soem belas. “Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita ao seu tempo.” Prov 25;11 Duas belezas se somam; a coisa certa no tempo certo.

A intenção de alegrar alguém, tem seu momento propício, outros, inadequados; “O que canta canções para o coração aflito é como aquele que se despe num dia de frio, ou como o vinagre sobre salitre.” Prov 25;20 Contaríamos uma piada a alguém que chora ao lado de um morto? Nesse caso a hora é de empatia, consolo.

Aparatos de beleza estética, ou atitudes de beleza moral, sentimental, têm sem tempo oportuno, bem como o lugar. Se, divorciados desse consórcio, perdem o apelo das suas qualidades, pela imperícia de quem viu as coisas apenas em parte, esquecendo algo igualmente importante.

“Não convém ao tolo a fala excelente; quanto menos ao príncipe, o lábio mentiroso.” Prov 17;7 Agora, coisas que deveriam estar divorciadas, e eventualmente aparecem casadas.

Pode um tolo se exibir numa fala excelente? Claro! Qualquer um pode aprender expressões mais rebuscadas, citar frases de profundo saber; apenas, por acreditar que esses “fogos de artifício” atrairão atenções para si.
Porém, terminada a explosão, dispersas as fagulhas, o sujeito voltará ao escuro; os que foram atraídos a ele facilmente notarão o engodo, o que piorará a situação do “filósofo”. 

Por isso, o conselho: “Até o tolo, quando se cala, é reputado por sábio; o que cerra seus lábios é tido por entendido.” Prov 17;28 Mesmo quem sabe algumas coisas, eventualmente enxerga mais proveito em calar que expressar o que sabe.

Mais sério é sobre as coisas de Deus, cuja interpretação requer algum preparo. Muitos que, ainda desconhecem seu idioma pátrio se colocam a versar sobre escatologia, doutrina, ortodoxia, evidenciando crasso despreparo pra isso. Paulo aconselha: “... em nós aprendais a não ir além do que está escrito, não vos ensoberbecendo a favor de um contra outro.” I Cor 4;6 Equacionam predileções, costumes, com Palavra de Deus, como se fossem frutos do mesmo baraço.

“Não convém... ao príncipe, o lábio mentiroso.” No caso do tolo, a limitação vem antes e a excelência, depois. Agora inverte-se; a excelência vem antes, o sujeito é um príncipe, ocupa um lugar alto. No entanto, fala segundo a mais vil baixeza moral; com lábios mentirosos. Excelência associada a um tolo está fora de casa, tanto quanto, a mentira nos lábios daquele que se assenta em lugares altos.

Infelizmente, como cantou Elis Regina, está cada vez mais baixa a alta sociedade. Isaías anteviu: “A terra pranteia e murcha; o mundo enfraquece e murcha; enfraquecem os mais altos do povo da terra.” Is 24;4

Há tantos príncipes em cadeiras presidenciais, nobres assentos em altos tribunais, que são indignos de se assentar à mesa com um trabalhador braçal, de vida digna. Malgrado, a nobreza do lugar que ocupam, a vileza do caráter ostentado os enlameia, como a porca vista no início, com sua joia de ouro, em seu habitat favorito.

Os convertidos a Cristo, são guindados de um lugar sujo para outro, nobre; “Tirou-me dum lago horrível, dum charco de lodo, pôs meus pés sobre uma rocha, firmou os meus passos. Pôs um novo cântico na minha boca, um hino ao nosso Deus; muitos o verão, temerão, e confiarão no Senhor.” Sal 40;2 e 3

Não apenas nosso falar deve ser condigno à nossa posição em Cristo; sobretudo, o agir. Ao nos dizermos cristãos, querendo ou não, invocamos sobre nós, O Nome que é sobre todos os nomes, não apenas pelo Seu Excelso poder, mas também pela Sua Justiça e Santidade.

Assim, o mero proferir esse Excelente, deve ser acompanhado de uma postura de temor, de um viver que O honre; “Todavia o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que são Seus; qualquer que profere o Nome de Cristo aparte-se da iniquidade.” II Tim 2;19

Não importa a sujeira que nos circunde; devemos andar entre ela sem nos contaminar, se somos deveras, de Cristo. Como o sol passeia sobre fétidos pântanos, leva luz e calor e não se suja, assim deve ser nosso proceder entre pessoas de má postura. Quanto piores forem, mais notória se fará a diferença.

“Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam vossas boas obras e glorifiquem ao vosso Pai, que está nos Céus.” Mat 5;16