quarta-feira, 2 de outubro de 2024

As escolhas


“Do homem são as preparações do coração, mas do Senhor a resposta da língua.” Prov 16;1

Quer o homem admita, quer não, Deus preside sobre suas escolhas. As coisas que se alinham ao Divino querer, óbvio, são expressões da Sua Santa Vontade; as demais, da Sua permissão, que na nossa saga de arbitrários, faculta que as façamos.

Nosso horizonte é mui módico, se comparado ao Divino. Somos imediatistas; supomos que nossa visão de mundo abarca a verdade, e nossa opção, uma vez exercida, é a melhor; em geral, porque é nossa, não por algum outro valor qualquer. 

Quem se acostumou a um relacionamento com O Eterno, usa ir além das predileções. Pondera valores a buscar, a evitar, tudo pelo alinhamento desses à Revelação Divina, ou, pela desconexão, no caso dos evitáveis.

O Eterno prescreve um “ai” aos defensores da inversão de valores; como uma campainha soando, a advertir do juízo que incidirá sobre os que se dão a isso. “Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem, mal; que fazem das trevas luz, da luz, trevas; fazem do amargo doce, e do doce, amargo! Ai dos que são sábios aos seus próprios olhos, prudentes diante de si mesmos!” Is 5;20 e 21

“Todos os caminhos do homem são puros aos seus olhos, mas O Senhor pesa o espírito.” V 2

Mais profundo que o alcance dos olhos, O Senhor sonda o espírito, a intenção, a motivação subjacente às escolhas que fazemos. Se essas soarem probas aos Olhos do Santo, há boas chances que sejam abençoadas, com resultados venturosos. Se não, melhor que nem se realizem, sob pena de fazerem um depósito nefasto para nosso porvir, como disse Paulo; “Mas, segundo tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus;” Rom 2;5

Assim, todo o homem prudente decide orar, consultar a Deus, antes de externar suas escolhas tangentes às incidências cotidianas, na terra dos homens.

A Palavra ensina: “Confia no Senhor de todo o teu coração, não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, Ele endireitará as tuas veredas. Não sejas sábio aos teus próprios olhos; teme ao Senhor e aparta-te do mal. Isto será saúde para teu âmago, medula para os teus ossos.” Prov 3;5 a 8

Se, mantivermos um relacionamento sadio com o Pai, eventualmente Ele nos fará saber coisas pelas quais sequer oramos. Ele honra nossa condição de amigos Seus, e nos conta aquilo que acha que precisamos saber. Tanto as que Ele deseja que aconteçam, quanto, outras que fazem em oculto, os que se opõem ao Divino querer. “O segredo do Senhor é com aqueles que o temem; Ele lhes mostrará a Sua Aliança.” Sal 25;14

Não raro, o homem que teme a Deus, quando fecha seus olhos para o descanso, tem os olhos espirituais abertos, e recebe instruções que nem estava esperando.

Se, as preparações do coração, estritamente do homem, carecem passar pelo crivo da aprovação Divina, antes de saírem à luz, as que vertem de um coração acostumado a agir segundo Deus, já saem à luz com o selo da aprovação Divina, pois, vieram da Bendita inspiração.

Nossa natureza tende ao egoísmo, a absolutização das nossas vontades. A visão do alto contempla o todo, e a despeito de nossas conveniências imediatas, nos mostra por onde convém andar. “Eu sei, ó Senhor, que não é do homem o seu caminho; nem do homem que caminha o dirigir os seus passos.” Jr 10;23

Diferente de alguns “cultos alternativos” que existem por aí, para O Todo Poderoso, não se oferece algum amontoado de “guloseimas” em troca de um favor, mesmo que esse contrarie a vontade Dele. Antes, você vive um relacionamento com Ele, no qual, o querer do Altíssimo determina o seu, e então, não precisas de encruzilhadas pontuais; você tem um caminho que pauta seu dia a dia.

Dizer as palavras certas, eventualmente, qualquer um consegue; mas Aquele que sonda os espíritos, que É Rei dos Reis, seria ludibriado no raso império das falácias? “Tu sabes o meu assentar e o meu levantar; de longe entendes o meu pensamento. Cercas o meu andar, e meu deitar; conheces todos os meus caminhos. Não havendo ainda palavra alguma na minha língua, eis que logo, ó Senhor, tudo conheces.” Sal 139;2 a 4

Enfim, mesmo se declarando cristão, alguém, por imprudência, falta de comunhão com O Senhor, poderá receber um sonoro não! quando, Aquele que sonda os espíritos decidir sobre as escolhas feitas. Porque “... falei e não escutaram; mas fizeram o que era mau aos Meus Olhos, escolheram aquilo em que Eu não tinha prazer.” Is 66;4

terça-feira, 1 de outubro de 2024

A Casa de Deus


“Chamou Jacó aquele lugar, onde Deus falara com ele, Betel.” Gn 35;15

Betel; “Casa de Deus”; nome que Jacó dera ao lugar onde passara a noite, tendo uma pedra por travesseiro. Normal que o homem leia eventos desde sua perspectiva. Chama-se a isso, antropomorfismo; fenômenos a partir da humana observação.

Dizemos que o sal nasce e se põe; quando, a rigor, a terra gira, ocasionando o “banho de sol” em toda sua superfície.

Kant, fazia diferença entre fenômeno, e númeno. O primeiro refere-se a, como percebemos as coisas; o númeno atina a como a coisa é em si mesma.

Dizemos que determinada roupa ficou pequena, quando, não houve nenhuma mudança no tamanho dela; apenas, no do nosso abdômen.

Assim, porque tivera uma experiência rica com Deus, naquele lugar, Jacó fizera sua leitura, e batizara ao lugar como lhe parecera; Casa de Deus.

Contudo, a “coisa em si” é bem mais abrangente que um sítio desértico como parecera ao Patriarca. O Mesmo Senhor propõe a questão: “Esconder-se-ia alguém em esconderijos, de modo que Eu não veja? diz o Senhor. Porventura não encho céus e terra? diz O Senhor.” Jr 23;24

A “Casa de Deus” é um pouco maior do que pensara Jacó. Davi enxergou melhor: “Para onde me irei do Teu Espírito, ou para onde fugirei da Tua Face? Se subir ao céu, lá estás; se fizer no inferno a minha cama, eis que tu ali estás também. Se tomar as asas da alva, habitar nas extremidades do mar, até ali, Tua mão me guiará Tua destra me susterá. Se disser: Decerto que as trevas me encobrirão; então a noite será luz à roda de mim. Nem ainda as trevas me encobrem de Ti; mas a noite resplandece como o dia; trevas e luz são para Ti a mesma coisa;” Sal 139;7 a 12

Duvidando da Divina Onipresença, certa vez um incrédulo altercou com um missionário: “Se Deus está, mesmo, em todos os lugares - disse – deve estar no inferno também.” – Sim, respondeu; lá está Sua Ira.

Quando O Salvador diz: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir Minha voz, e abrir, entrarei em sua casa, com ele cearei, e ele Comigo.” Apoc 3;20 Não o faz porque seja um sem teto, ansiando um lugar para ficar.

Tampouco, um faminto desejando nossa mesa. Ele mesmo diz: “Conheço todas as aves dos montes; minhas são todas as feras do campo. Se tivesse fome, não te diria, pois, Meu é o mundo e sua plenitude.” Sal 50;11 e 12

Somos minimundos autônomos, no mundo de Deus. Porque Ele nos deu arbítrio, direito de escolha, respeita nossas opções, mesmo que essas, O deixem de fora das nossas vidas.

Ele nos ama, malgrado, nossos muitos pecados, e deseja também ser amado, O Eterno não força ninguém. Envia o convite do Seu Amor; onde houver correspondência, então entrará e se sentirá em casa. “Jesus respondeu: Se alguém Me ama, guardará Minha Palavra; Meu Pai o amará, viremos para ele e faremos nele morada.” Jo 14;23

Assim, num sentido amplo, todos somos convidados a ser Betel; Casa de Deus. O aprendizado nas coisas Divinas é chamado de edificação. Pedro explica: “Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual, sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo.” I Ped 2;5

Essa edificação, necessariamente deverá ser segundo o projeto. Pois, em última análise, como Ele nos dá Sua Palavra por norma, e Seu espírito com capacitador da edificação, é O Senhor que nos edifica. A Palavra assegura: “Se O Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se O Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela.” Sal 127;1

Se, mesmo enchendo Céus e Terra, O Altíssimo não habita nos que se recusam a abrir-lhe a porta e obedecer Seus mandamentos, isso por si só elimina a falácia do ecumenismo, esposada pelo Papa Bergoglio. Todas as religiões estariam certas, seriam linguagens diferentes servindo ao mesmo Deus; não!! Ele levantou pessoas capazes, fez Sua Palavra verter em todos os idiomas, para que todos pudessem conhecer Sua Vontade.

Os que se recusam a isso, porque sua religião de espúria feitura lhes basta, negam-se a abrir suas casas ao Todo-Poderoso. Ele mesmo sentencia: “... porque clamei e recusastes; estendi a Minha Mão e não houve quem desse atenção, antes rejeitastes todo o Meu conselho, e não quisestes a Minha repreensão, também de minha parte Eu me rirei na vossa perdição e zombarei, em vindo vosso temor.” Prov 1;24 a 26

Jacó viu como “Casa de Deus” onde Ele lhe falara; ainda é assim. Deus fala no espírito do homem. Nos que lhe dão ouvidos, habita.

domingo, 29 de setembro de 2024

O difamador


“Não estais estreitados em nós; mas, estais estreitados nos vossos próprios afetos.” II Cor 6;12

Alguns que se diziam apóstolos não sendo, iam após o trabalho de Paulo, desqualificando-o; cristãos na cidade de Corinto estavam, como que, envergonhados por terem se convertido pelo ministério do apóstolo.

Entre outras coisas, os difamadores diziam que era um valentão, apenas de longe. “Porque suas cartas, dizem, são graves e fortes, mas a presença do corpo é fraca, a palavra desprezível.” Cap 10;10 então, assegurou: “Pense o tal isto, que, quais somos na palavra por cartas, estando ausentes, tais seremos também por obra, estando presentes.” V 11

O “estreitamento”, uma espécie de “vergonha de ser honesto” como versou Ruy Barbosa, era derivado de darem crédito aos difamadores, não a algum lapso do apóstolo, um testemunho vexaminoso. Disso se defendeu, quando disse: “Não estais estreitados em nós...” Não dei nenhum escândalo, nenhum motivo para vergonha.

Nem todos se convertem a ouvir a boa nova do Evangelho. A fé é um dom particular, uns abraçam-na, outros, não; assim era naquela cidade.

Familiares dos que se convertiam, não tendo eles crido, se faziam adversários, insinuando coisas constrangedoras que, os mais tímidos sofriam; essa timidez, esse falar da própria conversão a boca miúda, como se fosse um erro, Paulo definiu como “estreitamento” derivado dos afetos deles.

O Salvador prevenira que seria assim: “Porque daqui em diante estarão cinco divididos numa casa: três contra dois, dois contra três. O pai estará dividido contra o filho, o filho contra o pai; a mãe contra a filha, a filha contra a mãe; a sogra contra sua nora, a nora contra sua sogra.” Luc 12;52 e 53

Então, aconselhou que assumissem a plenos pulmões sua decisão por Cristo. “Ora, em recompensa disto, (falo como a filhos) dilatai-vos.” V 13

A “dilatação”, por certo, aumentaria a aversão daqueles; então, preceituou uma postura mais radical, dos santos em relação aos que descriam. “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem justiça com injustiça? Que comunhão tem luz com trevas? Que concórdia há entre Cristo e Belial? Que parte tem o fiel com o infiel? Que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei, entre eles andarei; serei o seu Deus, eles serão Meu povo. Por isso saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; não toqueis nada imundo, e vos receberei; serei para vós Pai, vós sereis para Mim filhos e filhas, Diz O Senhor Todo-Poderoso.” Vs 14 a 18

Sociedade, concórdia, comunhão, consenso, óbvio que são coisas boas! Nem sempre essas são possíveis; pois, se uma outra coisa ainda melhor, a verdade, carecer ser sacrificada para a possibilidade dessas existirem, então, já não são mais desejáveis. 

Mesmo a paz, tão boa nem sempre encontra assento, quando as escolhas espirituais divergem. Devemos buscá-la quando possível, não como um bem supremo, acima da submissão ao Senhor; “Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens.” Rom 12;18

Se, o preço para estarmos em paz for negarmos ao nosso Senhor, então será caro demais. Que se vá a paz, mas fique O Salvador.

As diferenças diametrais, no campo dos valores, não podem ser ignoradas, como se, a união entre opostos fosse algo possível, desejável. Aristóteles dizia: “A pior forma de desigualdade, é considerar iguais, às coisas diferentes.” Paulo não fez assim; antes, considerou a ideia de ver convertidos andando junto com os que não tinham os mesmos valores, um “jugo desigual.”

E isso, até no tocante aos animais, foi vetado por Deus; “Com boi e com jumento não lavrarás juntamente.” Deut 22;10 São dois animais de estatura diferente e forças desproporcionais; de igual modo, o crente e o incrédulo não podem formar uma “junta” em questões espirituais.

A ideia em gestação, do ecumenismo, onde todas as religiões estão “certas” são apenas linguagens diferentes da mesma fala, segundo O Papa Francisco, propõe que se faça as mais desconexas juntas imagináveis. Boi com jacaré; jumento com avestruz, leão com esquilo, etc.

O Salvador, por um pouco, se fez do “nosso tamanho”, e nos convida a formarmos uma junta com Ele, que nos capacita, para o peso da obediência necessária. “Tomai sobre vós o Meu jugo, e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para vossas almas.” Mat 11;29

O mesmo jugo que propõe uma cruz, para o corpo, enseja descanso à alma, pela salvação que propicia. Qualquer coisa fora disso, seja oriunda do Papa, pastor, ou reverendo que for, é uma fraude do capeta. O difamador que atua para destruir, pois nada sabe construir.

sábado, 28 de setembro de 2024

Os paradoxos


“Um deles, seu próprio profeta, disse: Os cretenses são sempre mentirosos, bestas ruins, ventres preguiçosos.” Tt 1;12

Segundo historiadores, quem teria dito essa frase citada por Paulo, Epimênides, era uma espécie de Sacerdote daquela ilha. Estaria por trás da nomeação do altar “Ao Deus Desconhecido” citado nos Atos dos Apóstolos. Consta no livro “O Fator Melquisedeque” de Don Richardson.

Algum pensador mais perspicaz, atentando à frase, e ao fato de seu autor ser também cretense, elaborou o chamado “Paradoxo de Epimênides”. Uma vez que, “todos os cretenses são mentirosos,” e o autor era de Creta, significava que, ‘se ele estivesse mentindo, falaria a verdade; se fosse verdadeiro, estaria mentindo.’ Num primeiro momento dá um nó; mas pensando melhor, entendemos o sentido. Na análise estrita da letra, seria essa a conclusão, necessária.

Contudo, o simples fato dele declarar sua aversão ao comportamento dos demais ilhéus, implica que reprovava tal postura; donde seria legítimo concluir que, ele não faria parte dos “todos” tencionados na frase.

Às vezes acho graça quando alguém me aconselha que não me meta na vida alheia. Penso: Eis aí um que não vive o que prega. Pois, ao me aconselhar como agir, está se metendo na minha, me prescrevendo a fazer o contrário. Seu modo de agir se insurge contra seu jeito de falar.

Igual contradição cometem os que alardeiam o valor do silêncio, em vistosas e provocativas postagens. Se gostam tanto do silêncio, apreciam deveras o valor dele, por que não calam a boca?

Como vemos, o referido paradoxo, tipo a brincadeira antiga da “gata amarela” onde “quem falar primeiro come, fora eu” é a “filosofia” de vida de muitos presumidos sábios da praça.

Óbvio que há direitos inalienáveis, particularidades que são de foro específico de cada um. O indivíduo, como a palavra sugere, é indivisível, ímpar; na condição de partícula do tecido social, tem seus direitos particulares. Desgraçadamente, na grande maioria dos casos, quem deveria fazer silêncio, pelo lapso de conteúdo, é quem costuma fazer mais barulho, pois o lapso atinge à noção também.

Quando alguém ensina algo que mexe com as almas, confrontando-as com os preceitos Divinos, facilmente enseja desconforto, abala o comodismo indolente daqueles que vivem às suas ímpias maneiras, e não querem ser incomodados. Quem é escolhido pelo Eterno, para expoente da Palavra, “se mete” nas vidas de todos que interagem consigo, uma vez que o Amor de Cristo o constrange.

O que herdou do Senhor o estimula a querer igual, para o semelhante; o que recebeu como incumbência, o desafia a ser porta-voz do Reino dos Céus.

O risco é o mesmo dos paradoxos e contradições vistas. Paulo disse o seguinte: “Todo aquele que luta de tudo se abstém; eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, uma incorruptível. Pois, assim corro, não como a coisa incerta; assim combato, não como batendo no ar. Antes, subjugo meu corpo, e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira ficar reprovado.” I Cor 9;25 a 27

Na mesma carta a Tito citado ao princípio, o apóstolo mencionou uns que eram bons no reino das falas e inúteis onde imperam as ações; “Confessam que conhecem a Deus, mas negam-no com as obras, sendo abomináveis, desobedientes e reprovados para toda a boa obra.” Cap 1;16

Embora o silêncio tenha lá seus méritos, ou, pelo menos a vantagem de não despertar problemas que hibernam sob a neve do esquecimento, tem também os hospedeiros mais indicados; “Até o tolo, quando se cala, é reputado por sábio; o que cerra os seus lábios é tido por entendido.” Prov 17;28

Quem foi incumbido de falar por Deus, da parte Dele, não pode se apegar a esses “méritos”. Num momento de grande fome em Samaria, a cidade cercada por inimigos, O Senhor criou um reboliço e os fez fugir abandonando tudo, inclusive os víveres; quatro leprosos que foram ao encontro dos inimigos, preferindo morrer pelas armas a morrer de fome, fartaram-se encontrando aquilo tudo.

Depois, a consciência os cobrou, para que fossem avisar daquela fartura na cidade também; “Então disseram uns para os outros: Não fazemos bem; este dia é dia de boas novas, e nos calamos; se esperarmos até à luz da manhã, algum mal nos sobrevirá; por isso agora vamos, e anunciaremos à casa do rei.” II Rs 7;9

Assim somos nós, ministros do Evangelho. Leprosos que foram curados e abençoados, sabem onde há fartura de alimento espiritual, pra socorro dos oprimidos pelo inimigo. Nesse caso, o mérito não está no silêncio; antes na proclamação a plenos pulmões, da boa notícia. “Quão formosos são, sobre os montes, os pés do que anuncia boas novas...” Is 52;7

O "poder" da fé


“... Não há profeta sem honra senão na sua pátria, entre os seus parentes, e na sua casa. Não podia fazer ali nenhuma obra maravilhosa; somente curou alguns poucos enfermos, impondo-lhes as mãos.” Mc 6;4 e 5

Textos como esse podem dar azo a erros de interpretação. Alguns esposam que se não tivermos fé, Deus “não pode” fazer o que carecemos; seja, legar uma cura, prover uma necessidade, salvar.

Marcos menciona incredulidade e escândalo, até, daqueles que conheciam à família de Jesus, e se assustavam com as coisas que Ele fazia. Sem, contudo, darem crédito às Suas Palavras.

Há o risco de darmos à fé, um poder que ela não tem. Imaginemos, uma conta bancária muito vultosa, com recursos para suprir a todas as demandas; a qual, só estará disponível a quem necessitasse, se esse alguém digitasse determinada senha. Não seria a senha que potencializaria a conta, colocando recursos; eles já estariam lá. Assim, a fé é a “senha” que permite aos fiéis, acessar ao Poder de Deus, que não carece da minha fé para ser o que é, mas se agrada dela.

“Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele existe, e É galardoador dos que O buscam.” Heb 11;6

Se a fé agrada a Deus, a incredulidade desonra; traz consigo um efeito colateral mui grave; a resiliência incrédula implica uma blasfêmia; pois, o que duvida da Divina Palavra, é como se chamasse ao Santo de mentiroso. “Quem crê no Filho de Deus, em si mesmo tem o testemunho; quem a Deus não crê mentiroso O fez, porquanto não creu no testemunho que Deus de Seu Filho deu.” I Jo 5;10

Honra é algo que O Eterno preza, como disse desde dias antigos: “... aos que Me honram honrarei, porém os que Me desprezam serão desprezados.” I Sam 2;30

Disse mais: “... porque Eu clamei e recusastes; estendi Minha Mão e não houve quem desse atenção, antes, rejeitastes todo Meu conselho, e não quisestes Minha repreensão; também de Minha parte, rirei na vossa perdição e zombarei em vindo vosso temor.” Prov 1;24 a 26

O Senhor não disse que não podia fazer milagres em Sua terra, por causa da incredulidade adjacente. Antes queixou-se de ser desonrado. “... Não há profeta sem honra senão na sua pátria, entre seus parentes, na sua casa...”

Então, O Salvador fez algumas curas que julgou mais urgentes e os deixou. Não estava disposto a ser abençoador de incrédulos.

O Eterno criou a tudo que existe; bem poderia transferir a cada um de nós, as perguntas que fez a Jó: “Onde estavas tu, quando Eu fundava a terra? Faze-me saber, se tens inteligência. Quem lhe pôs as medidas, se é que o sabes? Ou quem estendeu sobre ela o cordel?” Jó 38;4 e 5

O Criador não precisou de nossa fé para fazer nada; tampouco, precisa. Acontece que, a queda da humanidade representada no primeiro casal, se deu, justamente por duvidarem eles, da Palavra de Deus abraçando a sugestão do “profeta” alternativo que estimulou à desobediência, acenando com resultados que não aconteceram. Prometeu que eles seriam como Deus, desobedecendo-o e se tornaram como o capiroto; caídos, desgraçados, privados da comunhão com O Santo.

A causa de todos os males de então, e os derivados, foi a negação da Palavra de Deus, a regeneração requer a negação de tudo o que esse mundo vive e ensina, que contraia à Palavra do Santo; além, é claro, do inefável Resgate de Jesus Cristo.

Por isso, Paulo ensina: “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” Rom 12;1 e 2

Quando O Salvador dizia, a um abençoado por Ele: “Tua fé te salvou”, não estava corroborando um suposto “poder da fé”. O “Tudo é possível ao que crê”, deve ser entendido em consórcio com outro verso: “... a Deus tudo é possível.” Mat 19;26

Nossa fé nos salva, quando a depositamos Nele. Se alguém acha que é um poder independente, creia em qualquer coisa, “todos os caminhos levam a Deus” como disse o Papa.

Porém, entre o que o Chico fala e o que Jesus Cristo disse, não me é difícil escolher. O Senhor pontua: “a vida eterna é esta: que conheçam, a Ti só, por Único Deus Verdadeiro, e Jesus Cristo, a quem enviaste.” Jo 17;3

O resto, com ou sem fé, não passa de casulos vazios, incapazes de gestar as necessárias asas.

sexta-feira, 27 de setembro de 2024

A Face Divina


“Quanto a mim, contemplarei Tua Face na justiça; e me satisfarei da Tua semelhança quando acordar.” Salm 17;15

A “Face Divina”, não deve ser entendido literalmente. A bênção sacerdotal mencionava-a duas vezes, sem significar que a Mesma se tornaria visível. “O Senhor te abençoe e te guarde; O Senhor faça resplandecer Seu Rosto sobre ti, e tenha misericórdia de ti; O Senhor sobre ti levante Seu rosto e te dê paz.” Nm 6;24 a 26

A Face Divina voltada ao povo significava a boa vontade do Eterno, Seu cuidado Amoroso, Sua bênção. O povo também deveria ter seu “rosto” voltado para O Senhor, em dependência, comunhão, fidelidade. Quando não foi assim, O Santo denunciou: “Viraram-me as costas, não o rosto; ainda que Eu os ensinava, madrugando e ensinando-os, contudo, não deram ouvidos, para receber o ensino.” Jr 32;33

Também as Obras do Criador são testemunhas a evidenciar a Santa Face pra quem quiser ver. “... o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lhes manifestou. Porque suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto Seu Eterno Poder, quanto, Sua Divindade, se entende, e claramente se vê pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis;” Rom 1;19 e 20

“eles” são os que, tendo visto isso tudo, preferiram subterfúgios à obediência; “ Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram; seu coração insensato se obscureceu.” V 21

Contemplar À Face de Deus na justiça, significa agir em justiça, que Deus ama, e fruir a paz derivada desse proceder.

Poderia essa expressão abarcar um sentido mais amplo, de enxergar deveras, O Senhor, na eternidade, quando O Justo Juiz, justificará uns e condenará outros, segundo as escolhas feitas na terra.

Qualquer pessoa minimamente esclarecida nas coisas espirituais sabe, que, nossa salvação deriva do Divino Amor e Graça, não de nos dar o que merecemos, como requereria a justiça. Em Cristo somos justificados, considerados justos; pelo Feito Dele; “Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo Sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo.” Tt 3;5

Então, busquemos ter paz de consciência quando agimos em justiça; a aprovação do Espírito Santo em nosso espírito, é a “Face de Deus” que nos é possível contemplar em nossa peregrinação.

A regeneração final, quando a presença do pecado não mais será nossa inquilina como agora, nos levará de regresso à posição original em que o homem foi criado; Imagem e Semelhança. “... me satisfarei da Tua Semelhança, quando acordar.”

Se, as obras justas não bastam para nos salvar, a ventura de termos sido salvos requer que nosso proceder seja diferente. “De sorte que fomos sepultados com Ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela Glória do Pai, assim andemos em novidade de vida.” Rom 6;4

Cada possibilidade de cometer injustiça que nos assedia, deriva do “Pai da mentira”; toda a vez que atuarmos segundo O “Pai do Espíritos aperfeiçoados,” estaremos de rostos voltados para Ele, que certamente manifestará Sua aprovação em nosso espírito, confirmando que pertencemos a Ele; “O mesmo Espírito testifica com nosso espírito que somos filhos de Deus.” Rom 8;16

A inclinação à injustiça permeia a natureza do homem caído, que é egoísta, parcial, incapaz de agir segundo Deus, sem ser capacitado pelo Senhor. “Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à Lei de Deus, nem pode ser.” Rom 8;7 Por isso, “a todos quantos O receberam, deu-lhes poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no Seu Nome;” Jo 1;12

Mais do que um Nome Santo, Jesus Cristo é A Face de Deus que se deixou ver, aos olhos humanos; “O qual, sendo o resplendor da Sua glória, a Expressa Imagem da Sua Pessoa, sustentando todas as coisas pela palavra do Seu Poder, havendo feito por Si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da Majestade nas alturas;” Heb 1;3

Se queremos atingir a semelhança com Deus quando acordarmos, precisamos empreender esforços em santificação e edificação, para alcançarmos esse estágio antes de dormirmos.

Os mestres espirituais nos foram dados pelo Senhor, “Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; até que todos cheguemos à unidade da fé, ao conhecimento do Filho de Deus, homem perfeito, à medida da Estatura Completa de Cristo.” Ef 4;12 e 13

Deus É Espírito. Sua Face se deixa ver nos valores que abraçamos. “Julgou a causa do aflito e necessitado; então lhe sucedeu bem; porventura não é isto conhecer-me? diz o Senhor.” Jr 22;16

quinta-feira, 26 de setembro de 2024

Gravando!!


“Pela fé Abel ofereceu a Deus maior sacrifício que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando Deus testemunho dos seus dons; por ela, depois de morto, ainda fala.” Heb 11;4

A capacidade de falar depois de morto não é derivada da fé; antes, as obras são; elas se fazem eloquentes, mesmo depois que alguém parte pro além.

Como ensina Tiago, “a fé sem obras é morta”; a viva produz um atuar consoante, e mesmo a morte não pode calar sua voz. Como, depois que o sol se põe, inda resta aproximadamente uma hora de luz residual, quando a vida de alguém “se põe” no horizonte do tempo, sua luz inda segue viva, pelo impacto do testemunho deixado.

“... Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor. Sim, diz O Espírito, para que descansem dos seus trabalhos; suas obras os seguem.” Apo 14;13

Óbvio que estamos nos referindo a obras meritórias, de quem viveu como se estivesse morto, crucificando más inclinações, e tendo morrido é como se seguisse vivo, desafiando-nos a imitar seu proceder.

Quem vive de modo réprobo, já produz trevas antes mesmo da “noite” chegar; sai da vida, tristemente, deixando um suspiro de alívio após si, dos que acham que o tal, já foi tarde. De Jeoacaz, a Bíblia fala em termos nada elogiosos, na sua morte; “Era da idade de trinta e dois anos quando começou a reinar; reinou oito anos em Jerusalém; e foi sem deixar de si saudades; sepultaram-no na cidade de Davi, porém não nos sepulcros dos reis.” II Cron 21;20

Os meios dos quais dispomos, permitem a qualquer um, “falar” após sua partida, deixando gravada sua voz; contudo, não é esse o falar em apreço. A eloquência do exemplo, pelo modo de vida abraçado, é a “fala” à qual A Palavra de Deus se refere.

Alguns ensinos pretendem que os mortos “voltem” nas asas dos “médiuns” e ditem pelos lábios desses, supostas instruções, palavras de alento e coisas afins. O Juiz dos vivos e dos mortos veta essas coisas por duas razões.

1) o que carecemos saber sobre o além, está contido na Divina revelação, A Palavra de Deus; quando um morto pediu algo assim, foi dito que era impossível e desnecessário. “... Têm Moisés e os profetas; ouçam-nos.” Luc 16;29 Hoje temos ainda, Jesus Cristo.

2) se os mortos não têm mais parte com esse lado, quem fala se passando por eles, certamente é uma fraude; “Seu amor, seu ódio, sua inveja já pereceram; já não têm parte alguma para sempre, em coisa alguma do que se faz debaixo do sol.” Ecl 9;6 Por isso, o veto categórico a que se faça isso: “Quando, pois, vos disserem: Consultai os que têm espíritos familiares, os adivinhos, que chilreiam e murmuram: Porventura não consultará o povo ao seu Deus? A favor dos vivos consultar-se-á aos mortos? À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles.” Is 8;19 e 20

Contudo não confundirmos o que as pessoas falam do morto, no velório, com o que o morto “fala”, pelo exemplo deixado. Nesses momentos, até invejosos se rasgam em elogios, não temem mais que, o que disserem venha a ser usado contra eles no “tribunal da vida”. “Podemos elogiar à vontade; está morto.” Machado de Assis.

Desse cinismo nasceu o dito que as pessoas ficam boas quando morrem. Na verdade, as más guardam suas armas, ao verem morto o “inimigo”.

Quando, quem parte é uma pessoa de viver exemplar, que deixará vasta lacuna sua ausência, pela grande capacidade que tem essa austera oradora, a morte, a partida desse que deveria ter ainda permanecido conosco, acaba ampliando o alcance dos seus feitos.

O que é motivo de dores, lamento, angústia entre os que veem da perspectiva terrena, é diverso quando valorado pelo apreço dos Céus; “Preciosa é à vista do Senhor a morte dos Seus santos.” Sal 116;15

Foi justo pelo teor filosófico que faz nos percebermos também, na fila da finitude, que o sábio considerou o dia da morte, mais eloquente que o do nascimento. “Melhor é a boa fama que o melhor unguento, e o dia da morte do que o dia do nascimento de alguém. Melhor é ir à casa onde há luto, que ir à casa onde há banquete, porque naquela está o fim de todos os homens, os vivos o aplicam ao seu coração.” Ecl 7;1 e 2

Enfim, nossas ações, escolhas, enquanto vivos, “gravam” o que falaremos depois. Não importa o que tenhamos protagonizado até hoje, se, coisas más; o arrependimento e mudança de vida em Cristo, “deleta” nossos maus passos, e capacita a palmilharmos, novos.