sexta-feira, 3 de maio de 2024

As línguas estranhas


“Todos se maravilhavam e estavam suspensos, dizendo uns para os outros: Que quer isto dizer? Outros, zombando, diziam: Estão cheios de mosto.” Atos 2;12 e 13

O que dera azo ao maravilhar-se de uns, e zombaria de outros, fora o fato que, cheios do Espírito Santo, simples homens galileus, sem cultura, começaram a falam nitidamente mais de uma dezena de idiomas diferentes, exaltando as grandezas Divinas.

Só tolos têm resposta para tudo; homens prudentes, eventualmente, têm dúvidas. Se acontece algo fora do comum, desafiando a compreensão, esses admitem sua falta de entendimento; “Que quer isto dizer?”

Ao passo que, os tolos arranjam uma “resposta” para tudo; pois, invés da honestidade intelectual, que precisa lidar com os fatos, lhes basta o escárnio, a zombaria, mesmo desprovido de qualquer senso. “Estão cheios de mosto.” Exageraram no vinho, encheram a cara; não sabem o que falam.

A embriaguez impossibilita o ordinário, invés de capacitar para o extraordinário. Digo, um bêbado não consegue falar direito seu idioma, como seria capacitado pelo álcool, a falar noutro?

Deixemos os escarnecedores, e nos ocupemos, por um pouco, dos honestos. “Que quer isso dizer?” Pedro respondeu: “Estes homens não estão embriagados, como vós pensais, sendo a terceira hora do dia. Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel: Nos últimos dias acontecerá, diz Deus, Que do Meu Espírito derramarei sobre toda carne; vossos filhos e filhas profetizarão, vossos jovens terão visões, os vossos velhos sonharão sonhos;” vs 15 a 17

Aquilo queria dizer que eles foram cheios do Espírito Santo, como fora predito pelo profeta.

A possibilidade sobrenatural de falar em línguas estranhas, queria dizer algo mais.

A ordem Divina nos dias antigos fora para que se espalhassem, ocupassem toda a terra. Porém, em Babel, decidiram fazer um “monumento à rebeldia”, uma torre tão alta que pudesse ser vista de muito longe, para que sempre voltassem para aquele vale. “... edifiquemos nós uma cidade e uma torre cujo cume toque nos céus, façamo-nos um nome; para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra.” Gn 11;4

Invés de glorificar a Deus, queriam fazer um nome para si; “... façamo-nos um nome...” antes que, se espalhar pela terra como ordenado, queriam um referencial para que não fizessem isso nem por acidente. “... para que não sejamos espalhados sobre a face da terra.”

Vendo isso, O Eterno desceu e confundiu as línguas; o que antes era apenas um idioma, se tornou uma miscelânea, de modo que as pessoas não se entendiam. Assim, por eliminação dos diferentes se agruparam aos semelhantes, formando inúmeras tribos que por razões óbvias, evitar estranhos com quais não podiam se comunicar, elas se espalharam por toda terra.

Eventualmente, analisando ruínas Astecas, Incas, Maias, na América, alguns, “suspeitam” que tenhamos sido habitados por extraterrestes, dado o conhecimento arquitetônico necessário àquilo; impossível, supõem, aos habitantes daqueles sítios.

Ora na região da Mesopotâmia, e Egito era avançada a arte de construir, naqueles dias. Invés de um honesto, “que quer isso dizer”, ante tais ruínas, avaliando a possibilidade de engenheiros da época terem vindo para cá na migração forçada pós Babel, preferem o “estão cheios de mosto.” Digo, “foram alienígenas.”

Duas coisas recusadas então, glorificar e obedecer a Deus, ainda são sistematicamente, onde o homem transita sem O Espírito Santo animando-o.

Então chegamos ao mais importante que aquilo queria dizer. Se em dias idos, com idioma único o povo recusou a obedecer e glorificar a Deus, então, em todas as línguas da terra, isso seria possibilitado pelo Bendito Consolador. “... todos nós temos ouvido em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus.” V 11

Certo que há muita falsificação, gente que exibe o dom sem frutos. Entretanto, muitos escarnecedores ainda vicejam, gente de nome se dizendo servos de Deus, que zombam dos dons do Espírito Santo, como se, não fossem genuínos, nem cumprissem um propósito.

Porque eles não falam, não é demérito. “... a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil.” I Cor 12;7 Mas, qual a utilidade? Se foi dado para que Deus fosse glorificado em todos os idiomas...

Ninguém imita ao falso. Se os dons do Espírito são verdadeiros, os que escarnecem e fazem humor até, contra os que “estão cheios de mosto”, em algum momento, serão achados lutando contra Deus.

Que farsantes sejam desmascarados; maus testemunhos, depreciados. O cidadão celeste é um, “A cujos olhos o réprobo é desprezado; mas, honra os que temem ao Senhor...” Sal 15;4

O risco de confundir um e outro, deveria ensejar cuidado, em homens prudentes. “O que justifica o ímpio, e o que condena o justo, tanto um quanto outro são abomináveis ao Senhor.” Prov 17;15

quinta-feira, 2 de maio de 2024

A tragédia


“Foi-me bom ter sido afligido, para que aprendesse Teus Estatutos.” Sal 119;71

Há um componente medicinal nas aflições que só pode ser haurido, por aqueles que as recebem no espírito correto, com discernimento das causas. Salomão filosofou: “Melhor é a mágoa que o riso, porque com a tristeza do rosto se faz melhor o coração.” Ecl 7;3

Atualmente, em nossa região, tudo o que nos parece necessário, é socorro, palavras de consolo, esperança, dada a imensa tragédia que se abate sobre nosso Estado, principalmente nas regiões ribeirinhas, com inundações descomunais; a compreensão das causas parece irrelevante; ou, ao menos, inoportuna.

Há uma diferença entre a voz do profeta e a do cronista. Aquele antevê e avisa da parte de Deus; esse, reporta, quando as coisas já estão acontecendo. Mais que uma análise causal, é tempo de tristes e devastadoras reportagens.

Sempre recordo J.F. Kennedy; “O telhado devemos consertar, quando o sol está brilhando.” Sábia providência! Antever às “chuvas”, e preveni-las. Manifestar solidariedade ajudando das formas possíveis, rogar orações pelo nosso Estado, é lugar comum, agora.

Infelizmente, por duro e insensível que pareça, quando Deus fala em tempos de calmaria, viramos as costas; quando permite fragmentos de juízo assomem, batemos desesperados à Sua porta. Ele detesta esse “utilitarismo” hipócrita, que despreza o conselho que trataria das causas, e se apressa a clamar por socorro no clímax das consequências.

Perguntou ensinando: “Até quando, ó simples, amareis a simplicidade? Vós escarnecedores, desejareis o escárnio? Vós insensatos, odiareis o conhecimento? Atentai para Minha repreensão; pois, vos derramarei abundantemente do Meu Espírito e vos farei saber Minhas Palavras. Entretanto, porque clamei e recusastes; estendi a Minha Mão e não houve quem desse atenção, antes rejeitastes todo Meu conselho, e não quisestes Minha repreensão, também de Minha parte, rirei na vossa perdição e zombarei, em vindo vosso temor.” Prov 1;22 a 26

É claro que me entristece e comove ver a dor das pessoas que estão perdendo seus patrimônios e vidas até. 

Em geral, os oportunistas parecem mais “humanos” em horas assim; passado o temor, a vida voltando ao normal, “soltam os bichos” em suas práticas pecaminosas e contrárias ao querer de Deus, o qual, julgam muito importante agora, e fazem parecer desprezível, depois.

Esse “surf” social que ajeita suas pranchas, conforme as ondas, não é próprio de um servo de Deus que O teme e busca honrar em tempo integral.

Não é sábio tratarmos ao Todo Poderoso como se fosse um pneu reserva, que só serve, eventualmente, quando fura um dos que estamos usando; por um pouco, até chegarmos ao borracheiro, depois, podemos deixar de lado novamente. A maioria dos religiosos de tragédias, age assim.

Nosso compromisso com O Senhor deve ser em tempo integral: “Em todo o tempo sejam alvas as tuas roupas, nunca falte o óleo sobre a tua cabeça.” Ecl 9;8

Figura poética tencionando dizer: “Em todo tempo sejam justas tuas ações, e nunca esqueça da direção do Espírito Santo, antes das tuas decisões.”

Em geral, grandes desgraças como terremotos, tsunamis, furações, tornados, vemos pela televisão; são males que atingem outros, noutros países. Não agindo nós, nenhum pouquinho melhor que os habitantes dos países onde isso acontece, muitas vezes fazendo pior, por que estaríamos livres de toda sorte de desgraças?

“Na verdade, a terra está contaminada por causa dos seus moradores; porquanto têm transgredido as leis, mudado os Estatutos, e quebrado a Aliança Eterna. Por isso a maldição consome a terra...” Is 24;5 e 6

Bem sei que, quando tudo passar, o “carro” voltar a rodar com seus quatro pneus de sempre, presto recomeçará a cantilena sobre as causas. “O aquecimento global”, a falta de cuidado com a ecologia, a má gestão dos políticos, etc. O mesmo Deus, tão solicitado agora, será solenemente esquecido, deixado de lado. Infelizmente sempre foi assim.

Bons tempos aqueles em que as aflições ensinavam alguma coisa. Claro que me dói e preocupa, ver o que estou vendo!! Porém, isso vai passar; breve, me doerão coisas que muito poucos estarão vendo. A indiferença a Deus, Sua Leis, Seus Estatutos, novamente desprezados. 

Afinal temos um “Cristo Protetor” com mais de 40 metros de altura para nos guardar. Nossa maior autoridade é um assumido perverso sexual; tudo está “normal”. Que Deus abençoe o Rio Grande!

Estou dizendo que esses dois aspectos citados são as causas? Não! São tristes nuances de uma sociedade perversa, inimiga de Deus, avessa às Suas Leis.

Minha solidariedade a todos os que estão sofrendo. Sincero desejo que, ao vermos tantos patrimônios imensos, sendo desfeitos num momento, possamos, finalmente, entender o valor real das coisas, priorizando a vida. Pois, “... a vida de qualquer um não consiste na abundância do que possui.” Lc 12;15

quarta-feira, 1 de maio de 2024

O universalismo


“Toda a carne verá a salvação de Deus.” Luc 3;6
“... depois derramarei o Meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e filhas profetizarão, vossos velhos terão sonhos, vossos jovens terão visões.” Jl 2;28

“Toda a carne”, seja para ver a salvação, ou, para receber dons espirituais, é uma demonstração da abrangência possibilitadora, da Obra de Deus; não, da incidência necessária. A universalidade do propósito, não abona um universalismo do alcance.

Em palavras mais simples; porque todos verão, não significa que todos terão. Afinal, poucos responderão ao chamado, como O Senhor deseja.

Dons espirituais seriam derramados sobre gente que ignora a Deus? Não. Então como entendermos o vaticínio de Joel, que dons seriam derramados sobre toda a carne?

Todos os povos; africanos, asiáticos, europeus, americanos, os da Oceania, ilhéus por toda parte. Nenhum lugar seria privado da mensagem de salvação, tampouco, dos dons espirituais que acompanham. “Pregai O Evangelho a toda criatura,” Ordenou O Senhor.

As particularidades inerentes aos que respondem favoravelmente ao Divino Chamado, evidenciam que, embora o mesmo esteja ao alcance de todos, a eficácia dele reflete-se sobre os poucos que reagem do modo correto; crendo, se arrependendo e mudando de vida. “Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos.” Mat 22;14

O universalismo, onde todos serão salvos, a despeito do modo como vivam, é a abordagem central do livro/filme, “A Cabana”, que tanto sucesso fez, por esposar uma mensagem que o ímpio gosta, a despeito do que Deus manifestou na Sua Palavra.

Em dado momento do filme, a “Sabedoria” personificada leva Mac ao “tribunal”; ordena que ele julgue seus dois filhos que restaram, após a trágica perda da caçula, e escolha qual dos dois irá para o céu e qual para o inferno. Ele se desespera aos gritos não querendo condenar a nenhum. Qualquer pai, sadio, agiria assim.

Nas entrelinhas, a mensagem da “dificuldade Divina” em mandar algum dos seus “filhos” para o inferno também, o que, seria o “argumento teológico” pra salvação universal. Tudo muito bonitinho, sentimental, com um viés “lógico”, porém, com uma omissão proposital que estraga tudo. “Uma coisa boa não é boa fora do seu lugar.” Spurgeon.

Deus não considera todo o ser humano como Seu filho. Enquanto cativo de Satanás pelo pecado, não passa de criatura. Devemos viver e anunciar a Cristo, “Na esperança que, também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus.” Rom 8;21

Essa liberdade, traz um testemunho interior, que deixamos a condição de criaturas e fomos feitos filhos. “O mesmo Espírito testifica com nosso espírito que somos filhos de Deus.” Rom 8;16

O Eterno não terá que enfrentar a dificuldade de escolher qual dos Seus filhos irá para o inferno, porque, nenhum irá.

Porém, a maioria das criaturas, pela própria rebeldia em consórcio com a oposição, se perderá, para desprazer do Eterno. “... Vivo Eu, diz o Senhor Deus, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; por que razão morrereis...?” Ez 33;11

Se, não conversão implica, necessariamente, em morte, onde se abriga o universalismo?
Será que, no âmbito espiritual podemos criar doutrinas aos berros, à coação de narrativas, como na política? “Toda Palavra de Deus é pura; escudo para os que confiam Nele. Nada acrescentes às Suas Palavras, para que não te repreenda e sejas achado mentiroso.” Prov 30;5 e 6

Fizeram em Encantado RS contra A Palavra, uma estátua com 43,5 metros, o “Cristo Protetor”, no Vale do Taquari. Desde a recente inauguração, estamos na terceira tragédia, infelizmente, por causa de enchentes descomunais.

Coisas assim, toda carne vê, basta olhar. No que tange à comunhão com Deus, é mais estrita. “Quem me der ouvidos habitará em segurança, estará livre do temor do mal.” Prov 1;33

terça-feira, 30 de abril de 2024

Esse desconhecido; o amor


“Quem amar o dinheiro jamais dele se fartará; quem amar a abundância nunca se fartará da renda...” Ecl 5;10

Se, o amor por coisas, dinheiro e abundância, não pode ser suprido, por que embarcaria alguém nessa “missão impossível”? Por que se embrenhar rumo a uma empresa que jamais será plenamente realizada?

Há dependências, que, não são fáceis de vencer; mesmo quando decididos a nos livrar delas, o processo de desintoxicação costuma ser moroso.

Provavelmente, o lapso do ensino, no que tange aos verdadeiros valores, ou, o ensino errado segundo uma escala de valores mesquinhos, inversa, certamente deve ser o fator dominante nas almas que dispõem a “amar” assim.

Não é possível exagerar a importância do ensino, sobretudo na infância; “Educa a criança no caminho em que deve andar; até quando envelhecer não se desviará dele.” Prov 22;6 “Porventura pode o etíope mudar sua pele, ou o leopardo suas manchas? Então podereis fazer o bem, sendo ensinados a fazer o mal.” Jr 13;23

Daí, a tara pela imposição da “ideologia de gênero” desde a infância nos colégios. Se as perversões sexuais forem glamourizadas nas mentes infantis, quando serão vistas de outra forma? Deparei com um “meme” extremamente expressivo sobre isso; alguém bradava: “Existe 33 tipos de gênero! Um gatinho respondia: Há dois gêneros e 31 tipos de gays.” Quanto ao número, desconheço; no prisma moral, totalmente de acordo.

Paulo colocou o amor como motivo supremo das ações humanas. Mesmo, abnegações e desprendimentos ousados, se não tiverem ele como motivação, perdem o sentido. “Ainda que distribuísse toda minha fortuna para sustento dos pobres, ainda que entregasse meu corpo para ser queimado, se não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.” I Cor 13;3

Embora se diga, que, amor com amor se paga, prefiro o dito do poeta Drummond de Andrade: “Amor é estado de graça; com nada se paga”.

Paulo descrevera de modo mais amplo, com outras palavras: “O amor é sofredor, benigno; não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas, com a verdade;” I Cor 13;4 a 6

Vulgarmente, pretendem que o amor seja, mero sentimento. Se assim fosse, não poderia figurar na Lei de Deus como mandamento. Na verdade, a base de todos os mandamentos, que foram resumidos a dois, tendo o amor como traço comum; “... Amarás O Senhor teu Deus de todo teu coração, toda tua alma, e todo teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os profetas.” Mat 22;37 a 40

Mais que um sentimento, pois, o amor é uma decisão moral, que nos constrange a atuar, até mesmo, contra o que sentimos. A “justiça” do “olho por olho”, ou, “sou bom para aquele que é bom para mim”, ainda; “Que Deus te dê em dobro tudo o que me desejares” etc. não chega nem perto do amor. Não passa de egoísmo, desejo de vingança, comércio.

Combatendo essas percepções mercantis, comuns entre os religiosos, O Salvador avisou: “Porque vos digo que, se vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos Céus.” Mat 5;20

Adiante pontuou em quê, consiste esse ir além dos costumes de então; “... Amai vossos inimigos, bendizei aos que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos maltratam e perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos Céus; porque faz que Seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos. Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo? Se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim? Sede vós pois perfeitos, como é perfeito vosso Pai que está nos Céus.” Mat 5;44 a 48

Entretanto, que não se equacione amar, a concordar, aceitar tudo em nome do amor. Como vimos, o “amor não folga com a injustiça, mas com a verdade.” 

Eventualmente, ao vermos alguém que escolhe caminhos errôneos, se amamos, a esse, é nosso dever advertir das consequências das escolhas que o vemos fazer.

Sem esses falsos escrúpulos de “não se intrometer”, patrocinando nossa omissão. Não podemos nos intrometer nas escolhas; são da alçada de cada um; todavia, iluminar segundo a luz que temos, é uma forma prática de amar.

“Assim resplandeça vossa luz diante dos homens, para que vejam vossas boas obras e glorifiquem ao vosso Pai, que está nos Céus.” Mat 5;16

As escórias


“... Tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas; as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo.” Fp 3;8

O que Paulo perdera? Ele mesmo arrolou todo um pretérito religioso, pleno de credenciais, que, segundo a carne, o fariam importante. “Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; segundo a lei, fui fariseu; segundo o zelo, perseguidor da igreja, segundo a justiça que há na lei, irrepreensível.” Vs 5 e 6

Vasto rol de coisas consideradas importantes pelo establishment. Mas, fizera sua escolha. Os mesmos religiosos que valorizavam tanto essas credenciais as colocaram em oposição a Cristo; a pessoa deveria optar por uma coisa, ou outra. “... Porquanto já os judeus tinham resolvido que, se alguém confessasse ser Ele o Cristo, fosse expulso da sinagoga.” Jo 9;22

Nenhuma possibilidade de concorrerem, coisas aprendidas no judaísmo com os ensinos de Cristo, se houvesse alguma semelhança. Viam como doutrinas excludentes, uma ou outra.

Nesse contexto, que, o perseguido Paulo, por ter deixado a submissão ao judaísmo, decidiu “valorar” o que perdera, em face ao que ganhara conhecendo O Salvador. Escória.

O Mesmo Salvador ilustrara que Seu Reino era uma “Pérola de Grande Valor”, que anularia o demais; “Outrossim o Reino dos Céus é semelhante ao homem, negociante, que busca boas pérolas; encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo quanto tinha, e comprou-a.” Mat 13;45 e 46

Quando ainda vejo pessoas pelejando por denominações, defendendo baboseiras como sendo esta, ou aquela, a “única igreja verdadeira”, com tristeza percebo que, malgrado toda sua religiosidade, ainda não entenderam a Cristo. Quem aquilata escória como se fosse ouro, não conhece o precioso metal.

Embora, instituições, denominações congregacionais sejam necessárias, (longe de mim a rebeldia “lógica” dos desigrejados) nenhuma instituição, ou denominação é proprietária de nada.

A pretensão doentia de Roma; “Fora da Igreja Católica não há salvação.” Ou, de tantas seitas menores, se pretendendo donas da verdade, invés dum diagnóstico excludente do demais, é um sintoma interno de cada uma, mostrando sua alienação do Salvador. Ele não proibiu nada, tampouco, ensinou; antes, disse: “... Não proibais, porque quem não é contra nós é por nós.” Luc 9;50

Por sadia que seja em suas práticas, ortodoxa em sua doutrina, qualquer denominação é apenas um fragmento, uma parte do Corpo de Cristo. A Igreja do Senhor só Ele conhece; quando do arrebatamento, a revelará; escondendo-a do mundo.

Não apenas, nada além do Evangelho, como nada de fusão com outros ensinos; nisso os judaístas, aqueles, estavam certos.

Entre os cristãos da Galácia, se imiscuíram alguns, tentando misturar o que deve ser mantido separado. Tal mescla, criara “outro” Evangelho. Paulo interpretou: “O qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o Evangelho de Cristo.” Gál 1;7 e sentenciou: “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro Evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema.” V 8

Não apontou para denominações, instituições; antes, para preservação da pureza do Evangelho.

Escrevendo a Timóteo ensinou que, nos últimos dias, os que recusam submissão a Cristo, criariam doutrinas alternativas, ancorados na religiosidade carnal, não, na suficiência do Salvador. “Porque virá tempo em que não suportarão a Sã Doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme suas próprias concupiscências; desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas.” II Tim 4;3 e 4

Seguido deparo com “inventores da roda, descobridores da pólvora”, e fujo, de preguiça. Fazem vistosas capas em seus temas; “Os livros banidos da Bíblia!” “O que a Igreja escondeu de você”, “O Nome verdadeiro do Senhor”, “O oculto Jesus que você desconhece”, “quem são, os reptilianos, tefilins, nefilins, onde vivem, de que se alimentam”, etc. Sempre um rebento tardio de “verdade”; um “tesouro” oculto num limbo teológico, que um “iluminado” resolve expor para nos livrar do “sistema”.

A Palavra da Vida é limpa, categórica, excludente, suficiente, cabal; “A lei do Senhor é perfeita, e refrigera a alma; o testemunho do Senhor é fiel, dá sabedoria aos símplices. Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração; o mandamento do Senhor é puro, ilumina os olhos. O temor do Senhor é limpo, e permanece eternamente; os juízos do Senhor são verdadeiros e justos juntamente.” Sal 19;7 a 9

Quem não for salvo com todo o manancial nela contido, tampouco será, por alguma “revelação paralela”, como se, a perfeição carecesse suplemento. Escórias doutrinárias são tristes sintomas de impurezas não tratadas, que impossibilitam de pertencer a Cristo. “Tira da prata as escórias; sairá vaso para o fundidor;” Prvov 25;5

segunda-feira, 29 de abril de 2024

Problemas do coração


“Seja mudado seu coração, para que não seja mais coração de homem, lhe seja dado coração de animal; e passem sobre ele sete tempos.” Dn 4;16

Nabucodonosor, testificando vicissitudes que passara quando Deus resolvera punir sua arrogância. O Santo enviara um sonho profético, um ano antes do Seu juízo; de lambuja, Daniel, o profeta interpretara para o rei o sonho, exortando-o ao arrependimento para que o juízo fosse evitado.

O rei fizera-se de surdo e a sentença, no tempo aprazado se cumprira. Deixara a condição humana, reino e palácio, e fora feito como animal, comendo erva o campo e dormindo ao relento durante sete anos. Passada a punição, voltando à situação anterior; resolveu testificar e escreveu sua experiência.

Findado seu juízo, “No mesmo tempo tornou a mim meu entendimento, e para a dignidade do meu reino tornou-me a vir a minha majestade e meu resplendor; buscaram-me os meus conselheiros e os meus senhores; fui restabelecido no meu reino, e minha glória foi aumentada. Agora, pois, eu, Nabucodonosor, louvo, exalço e glorifico ao Rei do céu; porque todas suas obras são verdade, seus caminhos, juízo; pode humilhar aos que andam na soberba.” Vs 36 e 37

Muitas coisas podemos aprender com essa saga; mas, vamos nos deter num aspecto: “... lhe seja dado coração de animal...”

Não que o coração humano seja essa maravilha, que possa perceber as coisas espirituais por si só; “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?” Jr 17;9; mas, está apto a entender a vida no âmbito humano. Para abdicar desse, viver e se alimentar como animal, precisaria de um coração naquele nível.

Coração, no caso, não se trata do órgão especificamente; mas é uma metáfora para identificar o centro da personalidade humana; (ou seria da animalidade?) habitat dos pensamentos, sentimentos, desejos. Precisaria O Eterno “piorar” ao ser humano, para que ele nivelasse com os bichos?

Salomão pensava diferente; “Disse eu no meu coração, quanto a condição dos filhos dos homens, que Deus os provaria, para que assim pudessem ver que são, em si mesmos, como os animais.” Ecl 3;18

Há uma centelha Divina, mesmo nos ímpios, a consciência; essa, obra tentando constranger o homem rumo a certos valores, ou, pelo menos, a não afundar tanto em perversões contrárias.

Se ela for removida, neutralizada, o homem ficar em “estado puro”, em si mesmo, estará no mesmo nível da bicharada. Foi assim que O Eterno “endureceu o coração de Faraó.” Não o constrangeu a desobedecer, nem forçou a pecar; apenas, deixou-o sozinho, sem a centelha aquela; o bicho assumiu as rédeas.

Por isso o conselho: “Confia no Senhor de todo teu coração, não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, Ele endireitará tuas veredas.” Prov 3;5 e 6

Os fiéis e obedientes são tidos por homens “segundo o coração de Deus.” Prova inequívoca que, o nosso coração natural não está apto para o exercício espiritual.

Sabedor disso, antevendo a Vitória de Cristo, O Eterno prometeu: “Então aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e todos vossos ídolos vos purificarei. E dar-vos-ei um coração novo, porei dentro de vós um espírito novo; tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. Porei dentro de vós Meu Espírito e farei que andeis nos Meus estatutos, guardeis os Meus juízos e os observeis.” Ez 36;25 a 27

Além de remover nossas sujeiras pretéritas pela lavagem da Palavra, O Senhor muda o coração dos que se convertem, enviando Seu Espírito para persuadi-los e capacitá-los à obediência.

Se, para “animalizar” ao Rei arrogante a consciência dele sumira, tanto que disse, no fim do juízo, “... levantei os meus olhos ao céu, e tornou-me a vir o entendimento...” v 34 pra santificar em obediência a Cristo, Deus vivifica as consciências cauterizadas pela contumaz prática do pecado. “Quando estáveis mortos, nos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com Ele, perdoando-vos todas as ofensas.” Col 2;13

Não significa que a salvação seja automática a despeito do arbítrio humano. Em cristo o que fora impossível antes, Nele é possibilitado; “A todos quantos O receberam, deu-lhes poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no Seu Nome;” Jo 1;12

Contudo, a preservação de uma consciência impoluta é dever de cada um, caso deseje permanecer na fé; “Conservando a fé, e a boa consciência, a qual alguns, rejeitando, fizeram naufrágio na fé.” I Tim 1;19

Os que a tendo recebido regenerada, não a conservam, voltam ao animalesco estágio. “... O cão voltou ao próprio vômito, a porca lavada ao espojadouro de lama.” II Ped 2;22

domingo, 28 de abril de 2024

A originalidade


“Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Já foi nos séculos passados, que foram antes de nós.” Ecl 1;10

Com tantos engenhos cada dia mais tecnológicos, não teria o sábio se equivocado em afirmar que não há nada de novo, debaixo do sol? Nos dias dele havia inventos vários; antes do Dilúvio já se dominava a siderurgia e criavam instrumentos musicais. A falácia do homem das cavernas corre por conta de quem a criou, por conveniência, não, evidência.

A ausência de novidades esposada pelo pensador deve ser entendida no escopo filosófico, das motivações, não, no varejo dos fenômenos.

Todo invento, por rebuscado, esmerado que seja em suas funções, ou, visa suprir uma necessidade, ou, deriva de alguma vaidade humana. Isso, em todo o tempo; desde os rudimentos do mundo, até os dias atuais, da nanotecnologia. Embora, as necessidades eram mais numerosas, em dias antigos, e as vaidades o são, hoje, filosoficamente, não há nada de novo.

O anseio por originalidade também é um rebento antigo; vaidade humana, que, desde sempre buscou holofotes, pódios, aplausos.

Deparei com a seguinte frase: “Apenas os loucos e os solitários é que se podem dar ao luxo de serem eles próprios. Os solitários não têm ninguém para agradar e os loucos não se importam se agradam ou não." Charles Bukowski.

A pessoa precisaria perder contato com o mundo, como um eremita, ou, perder o senso de lógica para “ser ela mesma”; assim, seria um perdedor que ganharia? Não sei se, ser eu mesmo, é alvo sadio.

A Sócrates, foi dito: “Conhece a ti mesmo”. Quereria eu, seu eu mesmo, sem a ousadia de me ver, como sou? Paulo, fazendo isso, se assustou com o que viu; “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem.” Rom 7;18 Havia uma instrução nele, que não podia ser seguida.

Não viu uma singularidade que devesse ser preservada a todo custo; antes, um escravo que carecia desesperadamente de libertação.

Foi precisamente falando aos filósofos, que se ocupavam de entender o sentido da vida, que ele expressou: “De um só sangue (Deus) fez toda geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação; para que buscassem ao Senhor, se porventura, tateando, O pudessem achar; ainda que não está longe de cada um de nós;” Atos 17;26 e 27 

Assim o “sentido” é buscar a Deus; voltar à casa do Pai, como o filho pródigo.

A Palavra de Deus propõe uma “loucura” libertadora; invés de evitar aos outros, ou, ao senso das coisas, enlouquecendo, desafia a “evitarmos” a nós mesmos, atacar o problema na raiz; “... negue a si mesmo, tome sua cruz e siga-me.”

Isso demandará demorado processo de separação da antiga forma de pensar, agir; paulatinamente aprender a atuar segundo Deus.

Nem todos ousam ser loucos o bastante para isso; “Ninguém engane a si mesmo. Se alguém dentre vós se tem por sábio neste mundo, faça-se louco para ser sábio.” I Cor 3;18

A originalidade está na origem. Imagem e Semelhança Divinas. Isso foi perdido pela escolha do pecado; pode ser regenerado em Cristo, rendendo-se a Ele, aprendendo Dele.

Será reputado loucura, deixar as amplas avenidas da vida dissoluta, pelo caminho estreito da santificação; sabedor disso, Paulo sentenciou: “Porque a loucura de Deus é mais sábia que os homens; a fraqueza de Deus é mais forte que eles.” I Cor 1;25

Também necessitamos enfraquecer; Deus se identificará conosco, como que, enfraquecendo junto; “Quando passares pelas águas estarei contigo, quando pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem chama arderá em ti.” Is 43;2

Essa anulação dos impulsos naturais em nós, permitirá a expressão dos Divinos predicados mediante nós. “Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco, então, sou forte.” II Cor 12;10

Muitos, lendo essas breves linhas poderão dizer que se trata de fanatismo, religiosidade excessiva, mediocridade servil, coisas assim. Com um discurso “libertador” desse tipo, Satanás convenceu a mulher à desobediência, e consequente perda da originalidade santa, na qual vivia.

Eventuais diatribes contra a verdade, serão a afirmação da mesma; que, não há nada de novo, debaixo do sol.

Infelizmente estamos tão habituados a ter falsificação como veraz, que, a volta ao original necessariamente será cheia de novidades. “... fomos sepultados com Ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos também em novidade de vida.” Rom 6;4