quinta-feira, 28 de março de 2024

Máscaras


“Tive vergonha de mim mesmo, quando percebi que a vida é um baile de máscaras, e participei com o meu rosto verdadeiro.” Franz Kafka

Intrigante frase do escritor judeu Tcheco. Essa “vergonha” de modo irônico, como uma diatribe à desfaçatez adjacente foi versada também por Ruy Barbosa, em sua célebre frase: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.”

Todo o homem que vai ao “baile de máscaras” da vida com seu rosto verdadeiro, a rigor, tem vergonha de ser desonesto; de ser flagrado nalguma forma de improbidade. Aquela “vergonha” assumida, é seu modo oblíquo de depreciar à falta de pejo dos falsos.

Grande parte das repreensões de Jesus Cristo foram contra a hipocrisia, um mal com a idade da humanidade. 

Não é tão fácil como pode parecer a alguém descuidado, a “arte” de sermos verdadeiros, full time.

Não que um homem decente adote a mentira, ou a hipocrisia. Mas, nem sempre é oportuno ser transparente e veraz, pelas consequências que nossa forma de pensar ou de ver, trariam em determinados ambientes, se fossem categoricamente, expressas.

Então, sem mentir, podemos silenciar, omitir, protelar certas falas, tendo uma visão mais ampla das possíveis consequências.

Mesmo Jesus Cristo, A Verdade encarnada, não falou tudo aos discípulos, em atenção ao momento e as limitações deles; disse: “Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não podeis suportar agora.” Jo 16:12

O Salvador não ia sonegar nada da verdade que eles careciam saber; porém, sobre certas coisas não achou oportuno falar, então. Prometeu que O Espírito Santo completaria a Obra que Ele começara; “Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, Ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de Si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará o que há de vir.” Jo 16:13

Salomão desaconselhara a precipitação e o preciosismo que poderiam ter consequências danosas contra seu próprio agente; “Não sejas demasiadamente justo, nem demasiadamente sábio; por que destruirias a ti mesmo?” Ecl 7:16

Ele fora feito o mais sábio dentre todos os homens, contudo, de posse da sabedoria, mais que apreciar ao seu valor, sentiu seu peso; “... me engrandeci, sobrepujei em sabedoria a todos os que houve antes de mim em Jerusalém; meu coração contemplou abundantemente a sabedoria e o conhecimento. Apliquei o meu coração a conhecer a sabedoria e a conhecer os desvarios e as loucuras, e vim a saber que também isto era aflição de espírito. Porque na muita sabedoria há muito enfado; o que aumenta em conhecimento, aumenta em dor.” Ecl 1:16 a 18

“Não sejas demasiadamente sábio,”
pois, não parece ser o sentido do conselho. Sabedoria é algo tão difícil, além do dom Divino requer a prática do que aprendemos, e suportar as limitações adjacentes, que, mais facilmente se aconselharia alguém a buscar luz, invés de, tendo-a, abrir mão dela.

O que ele está aconselhando é que não sejamos precipitados, nem entremos em pleitos que não valem à pena. Mesmo sabendo o que dizer em determinada situação, não digamos tudo, afinal, “Até o tolo, quando se cala, é reputado por sábio; o que cerra os seus lábios é tido por entendido.” Prov 17:28

Assim, voltando a Kafka, eventualmente precisamos de uma “máscara” inocente. Em casos que, nosso “rosto verdadeiro” não faria boa figura.

A discussão entre iguais, desde que por métodos honestos e propósito sadio, como a busca pela verdade, eventualmente, tem lá seus frutos. Mesmo que, os “ferrões” dos argumentos contrários nos firam as pretensões, o mel da edificação compensa tais dores.

Entretanto, discutir com mentecaptos, fanáticos, desonestos intelectuais, que buscam por isso, porque, de alguma forma nossas vidas os emulam, seria estupidez. Teríamos as ferroadas sem possibilidade de nenhum mel, como ir mexer com marimbondos.

Deixar os medíocres na limitação da mediocridade, e relegar os irrelevantes às suas insignificâncias, é também, uma profilaxia necessária, visando a preservação da saúde de nossas almas.

Em linhas gerais, pois, um homem decente vai ao “palco” com seu rosto verdadeiro. Porém, suas “queimaduras de gato escaldado”, o fazem seletivo quanto às águas das quais prefere se manter distante.

O “sábio aos próprios olhos”, pelo espelho distorcido no qual se admira, não aceita nada que esteja divorciado das suas idiossincrasias. 

O homem prudente que não se interessa por aplausos nem carece provar nada; muitas vezes prefere ter paz, a ter razão.

Com algum tempo bem aproveitado, na estrada da vida, é possível adquirir discernimento, para ver as formas que se ocultam debaixo das máscaras.

O falso reino


“Porque o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo.” Rom 14:17

O Salvador dissera: “O que contamina o homem não é o que entra na boca, mas o que sai da boca, isso contamina o homem.” Mat 15:11

Portanto, essa história de que é proibido comer carne, aconselhável comer peixes nesses dias, pode ter a origem que tiver, mas é espúria, alheia à Bíblia. O saudável hábito de tomar posição, evocando o testemunho dos textos bíblicos como fiadores, não é muito comum, infelizmente.

Nem mesmo “semana santa” existe na Palavra de Deus. Trata-se de mera tradição religiosa, que nenhum valor espiritual possui. Para o catolicismo, que, coloca a tradição e o magistério da igreja, como fontes de autoridade canônica, similares à Bíblia, pode fazer sentido. Duvidoso sentido; afinal, quem deveria ser guardião da Divina Palavra, ser o primeiro a alterá-la é, no mínimo, preocupante.

Pois, quem pauta a vida pela Palavra de Deus, sabe que, nada de estranho a ela deve ser levado em consideração, como se fosse do mesmo calibre.

Somos desafiados à santificação, em tempo integral; não, numa semana do ano, como se, nesses dias O Eterno ficasse atento aos nossos feitos; nos demais, cochilasse. “Em todo o tempo sejam alvas tuas vestes e nunca falte o óleo sobre tua cabeça.” Ecl 9:8

Adendos à Divina Palavra implicam em duas possibilidades; a) a Palavra é incompleta e precisa ser suplementada; b) ela é imperfeita, carece de ser corrigida.

Sobre sua plenitude, ensina: “Visto como o Seu Divino Poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou pela Sua glória e virtude;” II Ped 1:3

Se, A Palavra de Deus nos dá tudo o que diz respeito à vida e piedade, qualquer acréscimo, certamente, dirá respeito a outras coisas.

Quanto à necessidade de correção, a criação sofrerá mudanças, enquanto, Sua Palavra seguirá; “Passará o céu e a terra, mas Minhas Palavras não hão de passar.” Luc 21:33 Afinal, “Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e eternamente.” Heb 13:8

Não carecemos ordem do “Papa” para fazer isso ou aquilo, como se, aquele que decide de fonte própria, invés de fazer segundo a Palavra de Deus, valesse alguma coisa, representasse algo na terra, além da presunção de um sistema falido.

Tal sistema, primou pelo poder político; se dizendo Igreja, fundou um Estado; com fito de unir todas as religiões para sobre elas dominar, vem pavimentado o famigerado ecumenismo, que nada tem na Palavra de Deus, exceto, a denúncia de ser um motim global.

“Por que se amotinam os gentios, os povos imaginam coisas vãs? Os reis da terra se levantam, governos consultam juntamente contra O Senhor e contra Seu Ungido, dizendo: Rompamos Suas ataduras, sacudamos de nós Suas cordas.” Sal 2:1 a 3

Sua veia política é mais pujante que a religiosa, uma vez que se une aos reis da terra, autoridades civis para realizar seu propósito; no entanto, seu levante é contra alvos religiosos, uma vez que luta contra o “Senhor e Seu Ungido”, tentando “remover suas cordas”, metáfora para proibir Sua Doutrina.

Outro dia o “Papa” deixou patente seu alinhamento com as perversões imorais do mundo, quando, prescreveu a bênção para as uniões homoafetivas. O que A Palavra diz? “Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; abominação é;” Lev 18:22 “... os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro. Como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convêm;” Rom 1:27 e 28

Ainda: “Não erreis: nem devassos, idólatras, adúlteros, efeminados, sodomitas, ladrões, avarentos, bêbados, maldizentes, nem os roubadores herdarão o Reino de Deus.” I Cor 6:10

Tem mais; porém, esses textos já bastam para deixar evidente que aquele sujeito não é um representante de Deus; se fosse falaria segundo Deus. Representa parcamente, o catolicismo, (muitos católicos não o reconhecem) e ainda, seu sonho ilimitado de poder a qualquer custo.

A falta de paladar para a Palavra de Deus é um mal muito antigo; “... a palavra do Senhor é para eles coisa vergonhosa, e não gostam dela.” Jr 6:10

Se qualquer presunçoso surgir, desdizendo o que O Todo Poderoso disse, fazendo pose de alguma coisa, esse será bem-vindo, onde O Eterno não é.

Esses, tardiamente saberão, que trocaram o precioso pelo vil; “... desprezaram toda Minha repreensão. Portanto comerão do fruto do seu caminho, fartar-se-ão dos seus próprios conselhos.” Prov 1:30 e 31

quarta-feira, 27 de março de 2024

Os "profetas"


“Não havendo profecia, o povo perece...” Prov 29:18

Dentre os muitos textos mal entendidos, ou mal interpretados, esse sofre grande reincidência.

Sutilmente, o substantivo, “profecia” é trocado por “profeta;” aí, passamos a ter: “Não havendo profeta, o povo se corrompe;” mentira. 

A segurança deixaria de estar numa mensagem profética à qual obedecer, e passaria a depender do ministério, de um suposto profeta. Para cada idôneo existente nos dias idos, havia dezenas, centenas de falsos profetas; hoje, muito mais.

Profetas como havia no Antigo Testamento, já não existem. “A lei e os profetas duraram até João; desde então é anunciado o Reino de Deus...” Luc 16;16

Eventualmente, O Espírito Santo usa alguém pelo dom de profecia e revela algo; mas, em geral a “profecia” que evita a corrupção das pessoas, é o ensino da Palavra de Deus. Basta repetir o que O Eterno Falou, no devido contexto; qualquer um estará "profetizando”, sem necessidade da pose, de chamar a si mesmo de “profeta;”

Amós ensina: “Rugiu o leão, quem não temerá? Falou o Senhor Deus, quem não profetizará?” Am 3:8

Nos dias de jeremias havia muitos sonhadores, que se presumiam profetas; suas mensagens eivadas de boas intenções estavam longe de refletir a vontade de Deus; “Assim diz o Senhor dos Exércitos: Não deis ouvidos às palavras dos profetas, que entre vós profetizam; fazem-vos desvanecer; falam da visão do seu coração, não da Boca do Senhor.” Jr 23:16

“Profetas” assim, invés de evitar a corrupção, patrocinam. Pois, no tempo e espaço que alugam os ouvidos alheios para mentir, deveriam ser veículos da Palavra de Deus, que corrige, aparta dos caminhos errôneos; “Não mandei esses profetas, contudo, foram correndo; não lhes falei, mas eles profetizaram. Se estivessem no Meu conselho, então teriam feito Meu povo ouvir Minhas Palavras; o teriam feito voltar do seu mau caminho, da maldade das suas ações.” Jr 23:21 e 22

Em linhas gerais, todos elogiam ao ceticismo sadio dos bereanos, que, invés de engolirem sem mastigar, o que Paulo lhes dizia, conferiam se a mensagem tinha nexo com as Escrituras. “... porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim.” Atos 17:11

Se, com a palavra pregada, esses eram assim cuidadosos, quanto mais devemos ser, em relação aos presumidos profetas, que, trazem algo que supostamente Deus lhes mostrou: A Palavra ensina por qual crivo, devem ser avaliados; “Se disseres no teu coração: Como conhecerei a palavra que O Senhor não falou? Quando o profeta falar em Nome do Senhor, e essa palavra não se cumprir, esta é palavra que O Senhor não falou; com soberba a falou aquele profeta; não tenhas temor dele.” Deut 18:21 a 22

Pode ainda que a revelação aconteça, e o profeta seja, falso. Caso, invés de conduzir a Deus, seus sinais levem a caminhos espúrios. “Quando profeta ou sonhador de sonhos se levantar no meio de ti, te der um sinal ou prodígio, e suceder o tal sinal ou prodígio, de que te houver falado, dizendo: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los; não ouvirás as palavras daquele profeta ou sonhador de sonhos; porquanto o Senhor vosso Deus vos prova, para saber se amais o Senhor vosso Deus com todo vosso coração, e toda vossa alma.” Deut 13:1 a 3

Enfim, o que evita a corrupção do povo de Deus, não é essa cambada sem noção do “O Senhor me mostra, O Senhor me revela...” e adjacências. 

Os verdadeiros profetas são idôneos intérpretes da Palavra; essa, se cumprida, guarda da corrupção. “Com que purificará o jovem seu caminho? Observando-o conforme Tua Palavra.” Sal 119:9

Além dessas aferições necessárias, algumas características mais, podemos observar. O profeta idôneo não é um “chutador”, que no meio de muitas pessoas “revela” alguém. Deus não fala com “alguéns”; Suas Palavras têm alvos específicos. O falso profeta, invés da correção de rumos que quase sempre carecemos, em geral faz promessas, coisas que “Deus fará”, em favor daquele que está em rebeldia contra a vontade Dele; “... curam superficialmente a ferida da filha do Meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não há paz.” Jr 6:14

Por que se deixam “curar” por mentiras alienados da Palavra de Deus? Porque “... seus ouvidos estão incircuncisos e não podem ouvir; Pois, A Palavra do Senhor é para eles coisa vergonhosa, não gostam dela.” Jr 6:10

Isaías denunciou algo semelhante: “Dizem aos videntes: Não vejais; aos profetas: Não profetizeis para nós o que é reto; dizei-nos coisas aprazíveis, vede para nós enganos.” Is 30:10

Então, não havendo profecia idônea, Palavra de Deus, o povo se corrompe; atualmente, há “profetas” demais e Bíblia de menos; por isso a Igreja está doente como está.

domingo, 24 de março de 2024

Os fugitivos


“O que anda na retidão teme ao Senhor, mas o que se desvia de seus caminhos O despreza.” Prov 14;2

Dois tipos de relação com Deus; um teme, outro, despreza. Em geral, as pessoas pretendem demonstrar com palavras, coisas que demandam atitudes.

Afirmam crer, dizem pertencer a Ele; lugar comum, onde a maioria se pretende abrigar. Alguns chegam a “filosofar”; “Deus É Pai, não é padrasto; também sou filho de Deus.”

O que cada um é, evidencia-se pelo seu modo de andar, agir, não, de falar. O que “anda” na retidão o teme... o que se desvia, O despreza. O resto é apenas a presunção enfeitando vitrines; hipocrisia, para apreciação superficial dos incautos.

Aos que se apressam a atribuir títulos, de Senhor e de Pai, ao Eterno, vivendo de modo indigno, O Santo questiona: “O filho honra ao pai, o servo ao senhor; se Sou Pai, onde está Minha honra? Se Sou Senhor, onde está Meu temor? diz O Senhor dos Exércitos...” Mal 1:6

O lapso de substância entre as ousadas afirmações e a realidade, fazem gritante a hipocrisia, para perda dos que assim se enganam.

Paulo também colocou as escolhas como aferidoras da filiação espiritual, a despeito do que, possamos dizer. “Não sabeis que, a quem vos apresentardes por servos para obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, ou do pecado para morte, ou da obediência para justiça?” Rom 6:16

Os caminhos logram mostrar o que as falas, em geral, tentam esconder; a verdade.

Palavras são uma necessidade, sobretudo, para quem foi capacitado a ensinar. Contudo, nossa fé deve ser evidente sem nossos ditos. Algo que precisa saltar aos olhos de quem contempla nosso viver. “Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; nem se acende a candeia e coloca debaixo do alqueire, mas no velador; dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça vossa luz diante dos homens, para que vejam vossas boas obras e glorifiquem ao vosso Pai, que está nos Céus.” Mat 5:14 a 16

Aquilo que outros veem em nós, não carece ser dito, uma vez que já terá a “eloquência” necessária, pelo testemunho que enseja.

Quem, de um passado ruim, ao ser transformado pelo Senhor, a simples transformação, (não que seja simples) dará gritos; se tornará uma mensagem para quem ousar ver a realidade, admitindo-a. “Esperei com paciência no Senhor, Ele se inclinou para mim, e ouviu meu clamor. Tirou-me dum lago horrível, dum charco de lodo, pôs meus pés sobre uma rocha, firmou meus passos. Pôs um novo cântico na minha boca, um hino ao nosso Deus; muitos verão, temerão, e confiarão no Senhor.” Sal 40:1 a 3

Quem andara no lodo, de repente, ser visto mudado, louvando a Deus, fala muito alto.

A transformação de um errante assim, se torna um desafio a outros que seguiam da mesma maneira, e que, nem sempre ousam dar a mesma guinada na vida. Há um preço de renúncias a pagar, a cruz, da qual a maioria foge.

Lembro de quantos “amigos” deixaram de frequentar minha casa, quando, em lugar das bebedeiras e chocarrices afins, o ambiente foi “salgado” pela Palavra de Deus. De uma vez, se afastaram todos. Eu que sempre fora tão “legal” de repente adotara um comportamento que, por si só se tornara uma censura ao deles; não puderam suportar e se afastaram. A conversão veraz faz isso.

Ao transformar-nos, acaba mudando nossas relações, de modo automático. Há no mundo uma inimizade com Deus, adormecida pela cegueira e hipocrisia que grassam; se alguém, de determinado grupo, se reconciliar com Ele, presto, os outros, verão melhor suas próprias situações. Se apressarão a manter “distância segura” do Santo.

Os que prezavam nossa companhia, na inimizade comum, não nos suportarão mais, pelas nuances de Cristo em nós; “Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação.” II Cor 5:19

Por medo dessa palavra, os que, antes nos ouviam em tudo, sumirão.

A autonomia para valoração das coisas ao bel prazer, foi a “obra-prima” do canhoto, que levou a morte toda a humanidade. Os que aceitam o convite do Príncipe da Vida, abdicam dessa insana pretensão e voltam a viver, em submissão ao Senhor; “Eu sei, ó Senhor, que não é do homem seu caminho; nem do homem que caminha o dirigir seus passos.” Jr 10:23

Chamam de liberdade a escravidão a toda sorte de vícios, onde erram os mortos-vivos do canhoto. Quem treme à ideia de se aproximar da luz, da verdade, é antes, um fugitivo que alguém livre. “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” Jo 8:32

sábado, 23 de março de 2024

Processo


“Tem coisas que Deus dá para a gente aprender. E tem coisas que Deus só dá quando a gente aprende.” Autor desconhecido

Privações, por exemplo, são antídotos à arrogância, normalmente dados para que aprendamos nossa dependência de Deus, como A Palavra ensina: “Te humilhou deixou ter fome, te sustentou com o maná que não conheceste, nem teus pais o conheceram; para te dar a entender que o homem não viverá só de pão, mas de tudo o que sai da boca do Senhor.” Deut 8:3

Quando nos priva de algo, no fundo, O Eterno dá; em vista do fruto que essa privação produzirá; como disse Charles Spurgeon, “Deus nos abençoa muitas vezes, cada vez que nos abençoa.” Ou seja: mexe muitas peças no “tabuleiro” antes de nos levar à vitória.

Se, tem em vista guindar alguém a um lugar alto, como tinha acerca de José, as privações permitidas acabam sendo mais intensas; ele mais que, sofrer fome, foi privado da sua terra, da família, da liberdade, da justiça, até o tempo em que, O Senhor resolveu lhe dar um lugar de honra, por tê-lo preparado para o tal, em meio às dores que permitiu.

Não significa, como fazem parecer muitos pregadores despreparados, que a saga do filho de Jacó seja a mesma para cada salvo. Não há tantos tronos assim, disponíveis. Mas, que a preparação vem antes da bênção é fato rotineiro, em se tratando das coisas espirituais.

Preceituando a qualificação necessária dos ministros, diz: “Não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo.” I Tim 3:6

Entre outras coisas a edificação é necessária para a constância na obra, mesmo, em meio ao turbilhão das tentações que nos visam desviar. Devemos ser edificados em Cristo, “Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em redor por todo vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente.” Ef 4:14

Quando alguém quer demais, determinada posição, geralmente não está preparado para ela, por atentar aos privilégios mais que, às responsabilidades. O que foi feito apto, pela visão exata das coisas, teme, sabedor dos pesos que um lugar mais elevado encerra.

Salomão versou sobre algumas inversões que vivenciou; “Vi servos a cavalo, e príncipes andando sobre a terra como servos.” Ecl 10:7 As circunstâncias não definem as pessoas, apenas, seus existenciários eventuais.

Não é humildade recusar, alguém, um lugar para o qual O Eterno o chama; mas, é noção exata das coisas, temer, não se voluntariar a postos elevados reconhecendo as próprias limitações, temendo embates aos quais será exposto. Deus capacita, sabemos. Todavia, isso não tolhe o receio natural, de quem precisa ousar numa empresa de grande responsabilidade.

Para a salvação, qualquer um está “apto”; basta estar perdido, e sem Deus, todos estão. Para efeitos de servir, numa ocupação ministerial, carecemos aprender andar em retidão, antes do serviço. “Meus olhos estarão sobre os fiéis da terra, para que se assentem comigo; o que anda num caminho reto, esse Me servirá.” Sal 101:6

Se, no prisma cultural, intelectual, social, patrimonial, O Senhor escolhe gente de pouca relevância, quando quer, “Deus escolheu as coisas vis deste mundo, as desprezíveis, que não são, para aniquilar as que são;” I Cor 1:28 no aspecto espiritual, para efeito de serviço, requer retidão, postura reverente e submissa, aí já não pode ser uma “coisa vil”; “O temor do Senhor é o princípio do conhecimento; os loucos desprezam sabedoria e instrução.” Prov 1:7

Quem for bom ouvinte quando Deus falar, independentemente de ter estudo ou não, poderá ser usado nas coisas espirituais; se deixando transformar pelo que aprender, será abençoando e uma bênção nas Divinas mãos. “Se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente; não lança em rosto, e ser-lhe-á dada.” Tg1:5 “O que me der ouvidos habitará em segurança, estará livre do temor do mal.” Prov 1:33

Para posição de liderança, geralmente, as demandas são maiores; “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a Palavra da Verdade.” II Tim 2:15

Conhecimento é necessário, porque nessa arena sofreremos ataques. “As armas da nossa milícia não são carnais, mas poderosas em Deus para destruição das fortalezas; destruindo conselhos, e toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus; levando cativo todo entendimento à obediência de Cristo;” II Cor 10:4 e 5

Como na antiga Aliança, as coisas mais preciosas deveriam ser guardadas por homens armados, ainda é assim, malgrado, as armas sejam outras; “... Passai e rodeai a cidade; quem estiver armado, passe adiante da Arca do Senhor.” Jos 6:7

A quem Deus deu armas poderosas, o fez em vista das batalhas que virão.

Em Cristo, podemos


“Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece.” Fp 4:13

Esse texto, se mal compreendido acabará dando azo a grandes heresias.

Suponhamos que, alguém acrescente a ele o verbo de sua predileção; o materialista gosta de conquistar bens materiais; assim, ficaria: “Posso ‘conquistar’ todas as coisas, em Cristo que me fortalece.” Não poucas vezes escutei gente usando dessa forma.

Agora, outro mais modesto, que se disponha a sofrer pelo Reino de Deus, se for necessário. Estaria, esse suposto virtuoso, propenso a suportar o que viesse; teríamos então: “Posso 'suportar' todas as coisas em Cristo, que me fortalece.” Qual das construções citadas seria verdadeira?

Em si, ambas estariam corretas. Entretanto, um intérprete idôneo não se dará às possíveis “construções verbais” de um texto; antes, buscará a intenção do autor.

Geralmente, o contexto imediato basta. Se olharmos o verso anterior, encontraremos o seguinte: “Sei estar abatido, e também ter abundância; em toda maneira, em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, quanto ter fome; tanto a ter abundância, quanto, padecer necessidade.” V 12

Fácil perceber que o apóstolo está dizendo que pode sofrer, suportar o que vier, se mantendo fiel. Qualquer construção diversa disso será falaciosa, divorciada da intenção de quem escreveu.

Deus É Todo Poderoso; entretanto, alguns confundem o poder Dele com o querer. Digo, por saber que pode nos livrar de nossas aflições, supõem que Ele deva fazer isso, desde que nós creiamos que fará.

Se, como a Paulo, também a nós deu O Espírito Santo, foi para nos capacitar a suportar todas as coisas, necessárias. Mesmo nas adversidades espera que nos mantenhamos fiéis. A salvação, mais que nos tirar de situações desconfortáveis, visa tirar de nós, hábitos pecaminosos, “fermento” do velho homem; “Tira da prata as escórias, sairá vaso para o fundidor;” Prov 25:4

Invés de nos desviar das adversidades, O Senhor nos ampara nelas; “Quando passares pelas águas estarei contigo, quando pelos rios, não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti.” Is 43:2

Promessa aos 
servos da Antiga Aliança, que Jesus reiterou aos da Nova; “... eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.” Mat 28:20

Esse processo traz consigo, necessariamente, dores. Como certas enfermidades requerem cirurgias, também, maus hábitos precisam intervenções dolorosas, para que a cura das nossas almas aconteça.

Uma coisa é a justificação para salvação; algo imediato à conversão; “Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve Minha Palavra, e crê Naquele que Me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida.” Jo 5:24

Outra é o aperfeiçoamento, a santificação; um processo que começa na conversão e segue burilando nossas almas até nos regenerar plenamente.

Como nosso parâmetro é muito elevado, “Até que todos cheguemos à unidade da fé, ao conhecimento do Filho de Deus, homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo.” Ef 4:13 O trabalho em nós não para; “... aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo;” Fp 1:6

O sofrimento por Cristo não é uma escolha; antes, uma necessidade.

O concurso das duas naturezas em quem se converte, a carnal, inclinada ao pecado, e a espiritual que se atém às coisas de Deus, sempre trará uma disputa íntima, onde parte de nós desejará ao erro, outra, a obediência. Seremos submissos a uma ou outra; nossa escolha definirá quem somos. “Não sabeis que a quem vos apresentardes por servos para lhe obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, ou do pecado para morte, ou da obediência para justiça?” Rom 6:16

Em Cristo podemos obedecer, fomos capacitados para isso; para agir, quais filhos de Deus; “a todos quantos O receberam, deu-lhes poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no Seu Nome;” Jo 1:12

Acontece que ser capacitado a algo, requer ainda o consórcio da vontade; que queiramos aquilo que passamos a poder. Suportemos todas as coisas necessárias aqui, para que na nossa eternidade não sejam necessárias mais; “... Deus limpará de seus olhos toda a lágrima.” Apoc 7:17

Enfim, não é a Bíblia um livro mágico que “aceita” todo tipo de interpretação, como dizem os céticos; “cada um interpreta como quer.” Antes, é um compêndio Santo, cuja única interpretação honesta revela ao ser humano como ele está; propõe um tratamento duro, dada a disseminação do câncer do pecado, na sua alma.

Se é certo que podemos todas as coisas em Cristo, também é que, Nele, não haveremos de desejar coisas sujas; “... se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas passaram; eis que tudo se fez novo.” II Cor 5:17

sexta-feira, 22 de março de 2024

O dízimo ainda vale?


“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei, juízo, misericórdia e fé; deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas.” Mat 23:23

Dízimos têm sido combatidos de forma recorrente por “mestres” que, invés de extraírem o real sentido da revelação bíblica, como requer a boa exegese, usam exemplos de gente que malversa o dinheiro, ou, apenas advogam que a prática era da lei, e que vivemos na “Era da Graça”; a Lei teria sido abolida por Cristo.

Cristo aboliu a lei dos sacrifícios expiatórios do sacerdócio levítico. “Porque, mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei.” Heb 7:12

Os Dez Mandamentos, O Salvador resumiu a dois, tendo seu princípio espiritual ainda vigente; “... Amarás O Senhor teu Deus de todo teu coração, toda a tua alma e todo teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.” Mat 22:37 a 40

Os que advogam que o dízimo era coisa da Lei, poderiam dizer em qual dos dez mandamentos ele está? Existia nos dias de Abrão, alguns séculos antes de Moisés. “Bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou teus inimigos nas tuas mãos. E Abrão deu-lhe o dízimo de tudo.” Gn 14:20 Abrão deu a Melquisedeque, sacerdote de Salém.

O Sacerdócio de Cristo é dessa ordem. “Porque ele assim testifica: Tu És Sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque.” Heb 7:17 Então, “Por assim dizer, por meio de Abraão, até Levi, que recebe dízimos, pagou dízimos. Porque ainda ele estava nos lombos de seu pai quando Melquisedeque lhe saiu ao encontro.” Heb 7:9 e 10

A lei cerimonial apenas regulamentou uma prática existente, de que, os que semeiam as coisas espirituais, recebam as temporais. O sustento para a manutenção da obra é o sentido bíblico do dízimo. “Se nós vos semeamos as coisas espirituais, será muito que de vós recolhamos as carnais?” I Cor 9:11

Acima vimos que, os fariseus eram ciosos com os dízimos até das ervas que produziam; entretanto, desleixados com as coisas mais importantes. Invés de seletivos escolhendo qual parte obedecer, O Salvador censurou-lhes a hipocrisia e sentenciou: “... deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas.”

Foi no contexto dos impostos demandados pelos romanos que O Senhor disse a clássica sentença: “Dai a César o que é de César; e a Deus o que é de Deus.” O que é de Deus, no prisma de “impostos”, é o dízimo.

Mas e os mercenários da fé, os marajás espirituais que malversam o dinheiro da igreja? A desonestidade desses não justifica a impiedade dos cristãos, assim como, o fato de sermos presididos por um notório ladrão, não legitima que todos se façam sonegadores de impostos; são assuntos separados.

O foco é deixar patente que o dízimo é mandamento ainda em vigor. Não uma condição para salvação; essa deriva dos méritos de Jesus. Mas, é um convite à participação eficaz na Obra Divina, uma possibilidade honrosa, pela qual, O Eterno se responsabiliza em abençoar aos fiéis.

Quem direciona sua capacidade de amar, ao dinheiro invés de a Deus, deixa uma ventura recompensadora, e toma para si uma missão impossível; correr atrás da sombra. “Quem amar o dinheiro jamais dele se fartará; quem amar a abundância nunca se fartará da renda...” Ecl 5:10 “Porque a sabedoria serve de defesa, como de defesa serve o dinheiro; mas a excelência do conhecimento é que a sabedoria dá vida ao seu possuidor.” Ecl 7:12

Há muitos “teólogos” defendendo o amor ao dinheiro com argumentos tão rasos, que, uma formiga passaria andando sobre, não precisaria nadar em tais águas. Ninguém é obrigado a nada; cada um é mordomo das próprias finanças.

Todavia, a interpretação honesta da Palavra, é o mínimo que se espera de um intérprete. Trabalhamos cinco meses por ano para pagar impostos extorsivos para corruptos, que laboram pela destruição da família, disseminação das drogas, perversões sexuais, e vida que segue.

Agora dez por cento do líquido para um trabalho que se esmera na reverão dessa destruição de valores que grassa gera gritaria? Arde um quê de vergonha alheia.
Confesso certa preguiça intelectual de evidenciar o óbvio.

Não há problemas doutrinários com o dízimo. Apenas os que levantam esses supostos problemas, o fazem como camuflagem de seus problemas sentimentais; “Porque o amor ao dinheiro é raiz de toda espécie de males; nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e traspassaram a si mesmos com muitas dores. Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas...” 6:10 e 11