sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

Resgate das almas



“Senhor, fizeste subir minha alma da sepultura; conservaste-me a vida, para que eu não descesse ao abismo.” Sal 30;3

Não significa uma ressurreição, como a que aconteceu com Lázaro, por exemplo. Sendo Davi também poeta, usava a linguagem poética na maioria dos seus escritos. Assim, ter deixado a vida de fugitivo, proscrito e errante, para ser, enfim, guindado ao Palácio, coroado rei, bem pode significar o ser retirado da sepultura e ser conservado com vida.

Nem todos os que escreviam movidos pelo Espírito do Senhor, tinham o “Sensus plênior”, daquilo que eram levados a escrever. Muitas coisas podiam ter um sentido bem mais amplo que, o entendido por eles.

Naqueles dias, não havia uma compreensão da morte espiritual, como a que foi ensina pelo Salvador. “Mas a que vive em deleites, vivendo está morta” I Tim 5;6 disse Paulo acerca das viúvas espiritualmente descuidadas. Há uma morte que é possível, concomitante com a vida, pois.

Quando ensinou sobre a necessidade do “Novo Nascimento”, o Senhor lidou com alunos tardos; Falou disso a um mestre, a Nicodemos, nem assim, foi entendido; careceu explicar um pouco mais; “O que é nascido da carne é carne; o que nascido do Espírito, é espírito.” Jo 3;6 O novo nascimento não é carnal.

Como o corpo é pó, esse está fadado a voltar ao pó; a alma habitando nele, sem vida espiritual, está na “sepultura”; impotente para sair de lá pelas próprias forças. Nesse sentido, O Salvador explanou que pregava a mortos que podiam ouvir; “Na verdade na verdade vos digo que, quem ouve Minha Palavra e crê Naquele que Me enviou, tem a vida eterna, não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida. Em verdade em verdade vos digo que, vem a hora, agora é, em que os mortos ouvirão a Voz do Filho de Deus; os que a ouvirem, viverão.” Jo 5;24 e 25

Então, se para Davi, ser tirado da sepultura sendo conservado com vida, era uma descrição poética de ser livre do desterro das perseguições, guindado a um lugar de honra, para nós, o sentido é bem mais profundo.

Nossas almas jaziam mortas em vícios e pecados, submissas aos anseios naturais, dos quais não podiam se livrar pelas próprias forças; fomos libertos pela regeneração espiritual, o novo nascimento.

Para serem conservadas com vida; andarem sem temor, livres da perdição, carecem voltar ao lugar natural para o qual foram criadas; a manifestação das escolhas, expressa pelos corpos em submissão ao espírito. Não mais a autonomia inconsequente, indução da serpente que, por falsa, levou as almas à prisão e escravidão aos ditames do pecado.

“... conservaste-me avida, para que eu não descesse ao abismo.” Se a alma morta em delitos e pecados mesmo vivendo nossos corpos já estava na “sepultura”, a que perece nessa condição, sem conhecer ao Salvador, acaba num lugar mais profundo; o abismo.

O Espírito Santo, mediante A Palavra da Vida, convence a quem ouve, do pecado, da justiça e do juízo; quem se deixa convencer, crendo no Salvador, é por Ele “turbinado”, para que dali em diante, possa agir segundo o espírito, não seja mais escravo dos ditames da carne; “A todos quantos o receberam, deu-lhes poder de serem feitos filhos de Deus; aos que creem no Seu Nome.” Jo 1;12

Se, antes da conversão não tínhamos escolhas, éramos escravos do pecado, (porque o que faço não aprovo, o que quero não faço, mas o que aborreço faço) depois, pela regeneração espiritual nossas consciências são vivificadas; então, seguir após as diretrizes nela impressas, é chamado na Palavra de “andar em espírito.”

Em Cristo, tal andar, antes impossível, agora é facultado. Nele podemos ser arbitrários, fazer escolhas, obedecer ou não. Dessas escolhas atinentes à obediência depende nossa salvação. “Portanto, agora, nenhuma condenação há, para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito; porque a lei do espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da Lei do pecado e da morte.” (em Moisés) Rom 8;1 e 2

Antes, Paulo ilustrara a sina de um pecador sem Cristo dizendo: “Porque bem sabemos que a Lei é espiritual, mas eu sou carnal, vendido sob o pecado.” No Salvador, não mais somos reféns; podemos fazer escolhas segundo a “Lei do Espírito”, agora escrita em nossas consciências, não, em pedras.

O Senhor prometera: “... porei as Minhas Leis no seu entendimento, em seus corações as escreverei; Eu lhes serei por Deus, e eles Me serão por povo.” Heb 8;10

Assim, cada vez que uma porção da Divina Palavra nos é ensinada, no processo de edificação e santificação, está O Santo, tomando misericordiosas providências, para nos conservar as almas com vida.
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quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

Escândalos



“Ai do mundo por causa dos escândalos, porque é necessário que venham escândalos; mas ai daquele homem, por quem o escândalo vem.” Mat 18;7 “necessário” aqui, deve ser entendido como inevitável, não, como algo cuja incidência traga algum bem.

Temos dois ais, interjeições que significam dor; simbolizando, as consequências contra aqueles por meio dos quais, os escândalos vierem. Biblicamente, um ai, sempre é um aceno de juízo, a colheita das consequências de algo pecaminoso.

Ora, de onde nada se espera, é que nada vem, mesmo. O que, pois, causaria escândalo nesse mundo?

É um sistema amoral, quando não, imoral; às vezes, contra a moral, até; poucas coisas têm potencial de escandalizar. Se, virmos um corrupto se corrompendo, um devasso perdido em devassidões, um ladrão roubando, um mentiroso contumaz, mentindo, nada disso nos escandalizará. Infelizmente, vistas essas coisas, pelo padrão mundano, todas estarão em seus devidos lugares. “Dos ímpios procede a impiedade.” I Sam 24;13

Entretanto, quando alguém afirma ter adotado para si os valores de Deus, alegando pertencer a Ele; frequenta ambientes onde O Eterno é cultuado, Sua Palavra é ensinada, invoca para si a reputação de servo de Deus, mas age de forma ímpia, aí, pela discrepância entre a profissão de fé e ações, o escândalo estará formado, a vergonha subirá na mesa.

Os escândalos são próprios de ambientes com valores, não, do mundo. Mas, espere! O texto não diz: “Ai do mundo por causa dos escândalos?” Diz. Como encaixar as peças, então?

Eventualmente peregrinam nos ambientes dos salvos, pessoas que não têm intenção de deixar a impiedade; mesmo tratados com a maior deferência, agem como sempre; “Ainda que se mostre favor ao ímpio, nem por isso aprende a justiça; até na terra da retidão ele pratica a iniquidade, não atenta para a Majestade do Senhor.” Is 26;10 Nesse caso, seria um escândalo “na” igreja, não “da” igreja. Contudo, há muitos vexames que os “direitos autorais” são mesmo, dos cristãos.

Quando O Salvador disse que os Seus não eram do mundo, estava separando-os do sistema terreno, com seus valores invertidos e sua busca pelos anseios naturais, alienados do Eterno. Não estamos vinculados à forma mundana de encarar as coisas. O mundo é a “plateia” que observará nosso desempenho em Cristo; seja, exemplar, seja, escandaloso.

Do risco de, tendo adotado para si o nome de servos de Deus, destoar e agir de modo vergonhoso, O Senhor disse: “Vós sois o sal da terra; se o sal for insípido com que se há de salgar? Para nada mais presta, senão, para se lançar fora, e ser pisado pelos homens.” Mat 5;13

Quando cometemos algum escândalo, a zombaria que o mundo faz, mormente agora, que todos podem espalhar suas vozes aos quatro cantos, é a forma dos que estão de fora, pisarem no “sal” degenerado.

Além de evitarmos escolher os vícios como modo de vida, pois, devemos esposar as virtudes de Cristo, pois serão uma forma de deixarmos O Senhor, evidente em nós. “Assim, resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam vossas boas obras, e glorifiquem ao vosso Pai que está nos Céus.” Mat 5;16

Logo, nosso desempenho em Cristo, tanto pode ser uma “pregação do Evangelho”, quanto, um motivo para os ímpios se manterem afastados, se, eventualmente, incorrermos em escândalos.

Que os bons exemplos de transformação dão frutos é inegável, como diz no salmo 40: “Esperei com paciência no Senhor, Ele se inclinou para mim e ouviu o meu clamor; tirou-me dum lago horrível, dum charco de lodo, pôs os meus pés sobre uma rocha, firmou os meus passos. Pôs um novo cântico na minha boca, um hino ao nosso Deus; muitos verão, temerão e confiarão no Senhor.” Sal 40;1 a 3

Se os que veem transformações como essa aprendem a confiar, os que veem escândalos, recrudescem em desconfiar. É nesse sentido que os escândalos dos “cristãos” fazem mal ao mundo.

Pois, o sistema já está condenado pelos próprios méritos. O ai, que lhe cabe, deriva das suas escolhas. Porém, os que perdem a salvação porque, preferiram se manter distantes do Evangelho, por causa de atitudes vergonhosas de alguns “evangélicos”, esses herdam seus ais particulares, em consórcio com a maldade de outros, que os escandalizaram. “Ai do homem, por quem o escândalo vem.”

Essa história que cada um que paga suas contas não deve satisfações a ninguém, faz o que bem entende, não é bem assim. Somos gregários, influenciáveis, podemos ser induzidos, tanto aos vícios, quanto às virtudes, pelas coisas que observamos o semelhante fazer.

Ninguém é forçado a se dizer de Cristo, se disser, entenda antes, o que significa; “Aquele que diz que está Nele, também deve andar como Ele andou.” I Jo 2;6
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Os jovens


“Como purificará, o jovem, seu caminho? Observando-o conforme Tua Palavra.” Sal 119;9

Tão ou mais importante que saber as respostas certas, é saber fazer as perguntas certas. Essas, costumam abrir janelas que o vulgo nem suspeitava ou, o mais distraído, não as considerava necessárias.

O jovem pensar em purificar seus caminhos, pode ser uma dessas coisas vitais, que passam despercebidas. As metas de um jovem, esse “alpinista” com a identidade em formação, em geral, atinam a grandezas a conquistar, alturas a atingir, mais que, aos valores que devem pautar a escalada.

Na ventura de nascer em lares cristãos, desde tenra idade, devem ser inseridos nesses valores; “Educa a criança no caminho que deve andar; até quando envelhecer, não se desviará dele.” Prov 22;6 A sina da maioria não é assim, entretanto. Refiro-me a cristãos verdadeiros, que observam deveras, à Palavra de Deus, não, a meros professos, que vivem às suas ímpias maneiras.

A diretriz da educação espiritual é dever dos pais. Enquanto os filhos inda são crianças, essa pasta é deles. A juventude é um intermédio, onde, pouco a pouco, as crianças começam a prescindir da influência paterna, e vão ousando voos com as próprias asas.

Lhes foi dado um lembrete, para que, quando saírem do ninho, não saiam também do Divino relacionamento: “Lembra-te do teu Criador, nos dias da tua mocidade; antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais venhas a dizer: Não tenho neles contentamento.” Ecl 12;1

A alegria de viver, o contentamento em fazer descobertas, tão comum entre jovens, também pode ser combustível para animá-los a “descobrirem” O Criador. Enquanto essa punção inda é bem ativa, mais facilmente se pode ousar, em empresas que demandem coragem. Entregar a vida a Cristo é uma dessas, sobretudo, na juventude. Renunciar-se pelo Senhor não é coisa para covardes.

Embora, os que fogem nos acusem de nos escondermos “atrás da Bíblia”, o que seria uma covardia, a coisa não é bem assim. Consideremos o que é mais fácil; enxergar e combater erros n’outrem, ou, em si mesmo? Sobre a facilidade de se ver distante o “cisco” no olho alheio, alguém disse: “Reconhecemos um louco sempre que o vemos; nunca, quando o somos.”

A Luz Divina que a Santa Palavra irradia, deixa patente que nossos caminhos são impuros, e carecem de uma limpeza. Quando alguém é iluminado, no tocante a isso, tem duas opções. Se deixar purificar, mudando segundo Deus, ou, manter “distância segura” ocultando-se no escuro. “Porque todo aquele que faz o mal odeia a luz; não vem para a luz, para que suas obras não sejam reprovadas.” Jo 3;20

O tal, não quer reprovação, tampouco, escolhe o caminho probo. A ele, basta seguir escondido. Manter-se distante da luz. Por isso, a acusação dos que dizem que nos escondemos após a Bíblia é ridícula. Não há esconderijo possível para erros, em Deus. “Não há coisa alguma encoberta diante Dele; antes, todas as coisas estão nuas e patentes, aos Olhos Daquele com quem temos de tratar.” Heb 4;13 Quando nos escondemos Nele, o fazemos pela Sua Proteção, contra os ataques da oposição.

Mas e os escândalos, adultérios, vícios, violências; tantas coisas que vêm a luz todos os dias entre os cristãos? Não é essa uma demonstração que os tais, não andam tão na luz assim? Ora, quando vemos uma dona-de-casa retirando o lixo para a rua, isso não significa que ela seja desleixada com a higiene, por haver lixo em sua casa. O simples remover desse, mostra o oposto.

A Igreja do Senhor não pretende ser um local dedetizado, livre dos males circunstantes. Antes, é como um hospital, que recebe a toda sorte de doentes, cuida, trata, e prescreve o necessário a cada um. Quem segue a receita à risca, conforme O Médico dos Médicos, é curado.

Os que, mesmo sendo prescrito o necessário para a cura, preferem seguir doentes, “escondendo” sintomas, em dado momento serão banidos do “hospital” para não contaminarem aos demais. “Por isso, os ímpios não subsistirão no juízo, nem os pecadores na congregação dos justos.” Sal 1;5 Assim, a exposição dos escândalos mostra a necessária higiene espiritual nos ambientes onde O Senhor é mencionado.

Então, caro jovem, toda sorte de argumentos, para crer ou descrer estão disponíveis. A boa escolha poderá não ser a melhor, no prisma do prazer, mas certamente será, no aspecto da saúde espiritual.

“Confia no Senhor de todo o teu coração, não te estribes no teu próprio entendimento; reconhece-o em todos os teus caminhos, Ele endireitará tuas veredas; não sejas sábio aos teus próprios olhos, teme ao Senhor e aparta-te do mal; isto será saúde para teu âmago, e medula para teus ossos.” Prov 3;5 a 8

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

Nossos corpos, de Cristo


“Trazendo sempre, por toda parte, a mortificação do Senhor Jesus, no nosso corpo; para que a vida de Jesus se manifeste também, em nossos corpos.” II Cor 4;10

O papel do corpo, entre cristãos, nem sempre é bem compreendido. Muitos adotam uma espécie de maniqueísmo, onde acreditam que seus espíritos professando as coisas certas, pouco importa a expressão dos corpos, mediante as atitudes. Afinal, “a carne é fraca.” Defendem-se.

Conheci um “pastor pegador” que dizia às que tentava pegar, quando o inquiriam se ele não era servo de Deus; “sou pastor apenas da cintura para cima;” no mais, seria mero homem. Era apenas um rótulo, um escândalo a profanar O Nome Santo. A Palavra é categórica: “O fundamento de Deus fica firme tendo este selo: O Senhor conhece os que são Seus; qualquer que profere o Nome de Cristo, aparte-se da iniquidade.” II Tim 2;19

Não precisa ser um pastor; basta se pretender cristão, para estar sob esse preceito. Spurgeon dizia: “Ninguém é obrigado a se declarar cristão; mas se o fizer, diga e se garanta.” Santifique ao Senhor em seu modo de viver.

Embora nem todos que atuam na carne usem a mesma linguagem desse “centauro”, muitos portam-se do mesmo modo, como se os corpos fossem coisas de menor relevância. Nada poderia estar mais longe da verdade.

Paulo perguntou aos dos seus dias: “Não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo o fomos na Sua morte?” Rom 6;3 Ele aceitou morrer, para levar a Divina vontade às últimas consequências; também devemos pagar o preço necessário, pelo mesmo motivo.

No verso seguinte esmiuçou as implicâncias dessa “morte”: “De sorte que fomos sepultados com Ele pelo batismo, na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela Glória do Pai, assim, andemos também em novidade de vida.”

Ele renunciou a tudo, porque sabia a vontade do Pai e a essa escolhera cumprir; nós somos desafiados a mortificar as vontades carnais, para que possamos saber. “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus que apresenteis vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional; não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” Rom 12;1 e 2

Como vimos no princípio, a Vida de Jesus deve se manifestar em nós, pelos nossos corpos; como poderemos nos eximir de O santificar nessa parte também? “... vosso espírito, alma e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis, para a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo.” I Tess 5;23

Certo grupo, as feministas, com sua sede de independência no que tange a Deus e Seus preceitos, vocifera: “Meu corpo minhas regras”; falácia que usam para assassinar corpinhos indefesos e incapazes de ter regras; emporcalham o mundo com suas devassidões e violência.

Porém, os que decidem por pertencer a Deus precisam entender algo sério atinente a isso: “Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus que sois vós, é santo;” I Cor 3;17 “Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e não sois de vós mesmos? I Cor 6;19

Onde vamos, se pertencemos ao Senhor, O levamos em nós. Os que se misturam com meretrizes, levariam O Santo para o lixo? “Não sabeis que vossos corpos são membros de Cristo? Tomareis, pois, os membros de Cristo e os farei membros de uma meretriz? Não, por certo.” I Cor 6;15 Tão ou mais grave, o agir dos adúlteros.

Espiritualmente, a Igreja do Senhor, entre todas as denominações que se dizem Dele, é conhecida como “O Corpo de Cristo.” Assim, para participarmos do santo memorial da Ceia do Senhor, devemos ter em mente o que significa pertencer a Ele. “Porque o come e bebe indignamente, (os elementos que simbolizam a identificação com O Senhor) come e bebe para sua própria condenação, não discernindo O Corpo do Senhor.” I Cor 11;29

E particularmente, cada um que a Ele pertence, também é mordomo de um “corpo de Cristo”, o próprio corpo, que deve zelar, manter em santificação, e submissão ao Espírito, para fruir em si a eficácia da redenção do Salvador.

É por meio do corpo que nos expressamos nesse mundo imanente; “Sabendo isto: que nosso homem velho foi com Ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado;” Rom 6;6 “Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscências.” Rom 6;12

“Porque se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis.” Rom 8;13

A incredulidade



“O que é mais fácil? Dizer: teus pecados te são perdoados, ou dizer: Levanta-te e anda?” Luc 5;23

Pergunta do Senhor aos religiosos que murmuraram por que dissera a um paralítico: “Teus pecados te são perdoados.”

Apenas Deus pode perdoar pecados. Quem Jesus pretendia ser? Tanto as Escrituras que prometeram Sua Vinda, quanto, as que descrevem Seus feitos dizem: Ele É Deus. No Velho Testamento, temos: “... se chamará o Seu Nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte...” Is 9;6 “Porque eis que O Senhor está para sair do Seu lugar, descerá e andará sobre as alturas da terra.” Miq 1;3 etc.

No Novo: “No princípio era o Verbo, o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.” Jo 1;1 “O Verbo se fez carne e habitou entre nós...” Jo 1;14 etc.

Se, àqueles, Cristo ainda era alvo de controvérsias, a nós as coisas estão claras; ousemos vê-las como Deus mostrou.

O Senhor perguntara: “O que é mais fácil? Dizer: Teus pecados te são perdoados, ou dizer: Levanta-te e anda?”
Pecados perdoados, era algo que não poderia ser verificado pelos olhos humanos. Uma promessa que requer fé. Porém, a cura do paralítico, certamente era demonstração de poder, inequívoca, que deveria fazer os murmuradores repensar. “Ora, para que saibas que o Filho do homem tem, sobre a terra poder de perdoar pecados, (disse ao paralítico) te digo: Levanta, toma tua cama e vai para tua casa. Levantando-se logo, diante deles, tomando a cama em que estava deitado foi para sua casa glorificando a Deus.” Vs 24 e 25

Não bastou isso, para que seus oponentes cressem. Afinal, O decidiram matar, logo após ter ressuscitado a Lázaro. Quanto mais O Senhor se mostrava como É, tanto mais era odiado, pelos religiosos.

No incidente em apreço, vemos qual a Sua prioridade; a cura das almas, primeiro até que, dos corpos. Pois, perdoou pecados, antes de curar ao paralítico. Um corpo deformado não impede que alguém seja salvo; receberá no porvir, outro, perfeito; e junto, a vida eterna; todavia, uma alma deformada pelo pecado, só poderá ser “curada” com a cooperação do “doente”, que antes de mais nada, carece aceitar o “diagnóstico” do seu mal.

Os religiosos de então, se presumiam médicos, não, pacientes; assim, viam no Messias um concorrente, invés de alguém que podia curá-los também. A ideia que eram pecadores carentes de salvação feria seu orgulho religioso. A mera presença do orgulho já testifica que careciam mesmo.

Como fazem os maus atuais, quando desejam destruir a alguém que detestam; tomam esse intento como ponto de partida; camuflam a maldade com alguns rótulos “justos, piedosos”, e saem a caça dum pretexto, para que o seu mal desfile com alguma aparência melhor do que aquela que, deveras, possui. Sempre tem um pilantra “defendendo à democracia”, no caso, a “ortodoxia”, capas que a maldade veste; pois, diferente da verdade, não ousa desfilar nua.

Assim, pouco importava o que viam O Senhor fazer, no prisma de se deixarem convencer, estavam decididos que não o queriam; achariam um jeito de se livrar do “incômodo.”

Perdoar pecados é uma prerrogativa de Deus, sabiam com acerto; mas curar espetacularmente a um paralítico, não é também? Mesmo um cego que também foi curado pelo Senhor, ensinou “teologia” a eles; “Ora, nós sabemos que Deus não ouve a pecadores; mas se alguém é temente a Ele e faz Sua vontade, a esse ouve; desde o princípio do mundo nunca se ouviu, que alguém abrisse os olhos de cego de nascença; se Esse não fosse de Deus, nada poderia fazer.” Jo 9;31 a 33

Diante de tamanho discernimento creram? Que nada, expulsaram ao “pretencioso” pecador que os queria ensinar.

Assim é a incredulidade. Nem que todas as evidências patrocinem a fé, ela pisoteia em cada uma; pois, já fez sua escolha e recusa-se a mudar; “A condenação é esta: Que a Luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas que a Luz, porque suas obras eram más.” Jo 3;19

Onde houver um pouco desta, seu patrocinador se encarregará de acrescentar mais. “... o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que não lhes resplandeça a luz do Evangelho da Glória de Cristo...” II Cor 4;4

Atualmente, cada escândalo que um “cristão” se envolve, acaba sendo “justificativa” para os que se lavam com lama. Agarram-se a ele como se fosse uma “prova” da falsidade de Cristo. Os que vêm a público são demonstrações da Justiça Dele, desmascarando hipócritas.

Nossa salvação depende da resposta ao Evangelho; a queda de outros não nos melhora um milímetro. Como disse a Pedro, diz a cada um de nós: “... Se Eu não te lavar, não tens parte comigo.” Jo 13;8

terça-feira, 14 de janeiro de 2025

Fadados a escolher


“Filho meu, não te ponhas a caminho com eles; desvia teu pé das suas veredas; porque seus pés correm para o mal, se apressam a derramar sangue.” Prov 1;15 e 16

O sábio ensina evitar companhias daqueles que, cometem maldade com prazer, “seus pés correm para o mal.” Ora, em geral, as pessoas se apressam por coisas que lhes agrada. Assim, se um jovem com a personalidade ainda em formação caminhar com os tais, fatalmente terá noções de bem e mal, do que apraz, e o que não, distorcidas.

Quando as consequências assomam, só então, percebem contra quem fizeram o verdadeiro mal; “... estes armam ciladas contra seu próprio sangue; espreitam suas próprias vidas.” Prov 1;18

Quem aprende coisas erradas desde tenra idade, ocasiona que essas se tornem, como partes da sua natureza. Por Jeremias O Senhor pergunta: “Porventura, pode o etíope mudar sua pele, ou, o leopardo suas manchas? Então, podereis vós fazer o bem, sendo ensinados a fazer o mal.” Jr 13;23

Há quem espose o fatalismo dizendo que, alguns nascem para ser bons, outros, ruins; assim, estaríamos fadados a ser o que os deuses decidiram por nós.

Mesmo Demócrito, que viveu na cultura grega antiga, com sua rica mitologia onde, o fatalismo era bem enraizado, pensava diferente; “Bondade se aprende”, dizia. A educação, não o Fado, delineia caminhos. Essa é derivada de uma escolha dupla; requer quem ensine e quem aprenda.

Se o fatalismo, como pulsava então, exposto nas peças teatrais, como Édipo Rei, de Sófocles, fosse veraz, seríamos inimputáveis, sem culpas. Faríamos apenas o que nos fosse determinado de antemão. Todavia, isso evidencia a noção que alguns pensadores da época tinham dos deuses.

Desconheciam, O Deus Único. Perante Ele, somos responsáveis pelas nossas decisões, feitores dos próprios destinos, nos rumos que tomamos; não, títeres de uma divindade que nos levaria ao seu bel prazer. Certo que O Eterno planeja coisas para nós; mas nos chama a cooperarmos; caso não queiramos, permite que façamos nossos próprios caminhos. Apenas adverte que devemos ser consequentes. “Porque o erro dos simples, os matará; o desvio dos insensatos os destruirá; mas o que Me der ouvidos habitará em segurança, estará livre do temos do mal.” Prov 1;32 e 33

Por isso, o preceito de se ensinar o dever aos pequenos; “Educa a criança no caminho que deve andar; até quando envelhecer, não se desviará dele.” Prov 22;6

Muitos resquícios do fatalismo irresponsável persistem em nossa cultura ainda. Morre alguém de forma inesperada, e logo o “Simplício” filosofa: “Quando chega a hora não tem o que fazer.” Ora, a maioria das mortes que acontece, não tem nenhum vínculo com a vontade Divina. O sujeito escolhe dirigir temerariamente, e perece no trânsito; se dá a vícios de toda sorte e esses abreviam os dias também; se entrega a alimentações insalubres e elas trazem consequências semelhantes.

Esses erros e outros mais, como as escolhas de más companhias, junto a quadrilheiros violentos, como vimos no início, têm o “efeito colateral” de abreviar os dias dos que, nisso erram. Não morrem quando chegou a hora; mas quando chega o fim, por alguma consequência previsível ou fortuita que espreita ao longo do caminho escolhido. “Há caminhos que ao homem parecem direitos, mas no seu fim, são os caminhos da morte.” Prov 14;12

O primeiro dos Salmos traz: “Bem aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores.” Sal 1;1 Esse abençoado faz escolhas quanto aos conselhos que segue, às companhias de jornada e mesmo, dos que participarão dos seus momentos de lazer.

Porém isso ainda é pouco. O tal, se ocupa em conhecer a Deus como Ele se revelou; “Tem seu prazer na Lei do Senhor, e na Sua Lei medita de dia e de noite.”

Pois, manter distância de maus ambientes e companhias é uma profilaxia contra o mal ao redor de nós. Conhecer a Deus, Sua Santidade, Seus ensinos, Sua Lei, nos capacita a lidarmos que o mal que está dentro de nós.

Se alguém presumir que não há maldades em suas inclinações, deve começar o tratamento pela presunção, que, nesse caso poderá ser diagnosticada no prefácio da obra.

Spurgeon dizia que os pecados que admitimos, confessamos, são apenas os mais vistosos. Como um fruticultor expõe seus melhores frutos na feira; mas, no pomar lá em casa, ainda resta uma infinidade. Por isso, além dos nossos belos “frutos” devemos orar como Davi: “Quem pode entender os próprios erros? Purifica-me Tu, dos que me são ocultos.” Sal 19;12

“Podemos tentar evitar de fazer escolhas através de não fazermos nada, mas mesmo isso é uma escolha.” Gary Collins

segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

Os enganadores


“Aquele que odeia dissimula com seus lábios, mas o seu íntimo encobre o engano.” Prov 26;24

Há uma diferença sutil, entre o enganador e o hipócrita. Esse é mais grosseiro em sua farsa; facilmente identificável, pois, diz uma coisa e faz outra; “Confessam que conhecem a Deus, mas negam-no com as obras, sendo abomináveis, desobedientes, reprovados para toda boa obra.” Tt 1;16

O enganador esconde no íntimo seu veneno, não o deixa patente. Pode até dizer e fazer as coisas certas; todavia, com intenções perversas; de maneira que, não se pode ver sem o precioso discernimento, que O Espírito Santo outorga. Como disse Watchman Nee, “As palavras estão certas, mas o espírito é errado.”

Paulo mencionou nuances disso: “... o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz; não é muito, pois, que seus ministros se transfigurem em ministros de justiça...” II Cor 11;14 e 15

Além das sutilezas manipulando a doutrina, ainda temos o concurso de milagres fraudulentos; aqueles que se movem pelo espanto mais que pela verdade, caem nas teias do engano; O Salvador preveniu: “Porque surgirão falsos Cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios, que se possível fosse, enganariam até aos escolhidos.” Mat 24;24

Quem se impressiona mais com o sobrenatural, que com a Justiça e Santidade do Senhor, tem grandes possibilidades de acabar vítima do “anjo de luz”, ou dos seus ministros.
Nem tudo o que tem tom sobrenatural se origina no Senhor. Basta ver os estragos que satanás fez contra Jó, seus bens e seus filhos, para entender que, sob Divina permissão, pode fazer grandes coisas.

Certa vez fui a uma “Cruzada” no litoral, onde um ministro desses, entreteve uma plateia de incautos, apenas adivinhando nomes e números de CPFs; pedindo ofertas em envelopes, em troca das quais prometia grandes recompensas materiais.

Para minha vergonha alheia, foi incensado, ovacionado, invés de ser desmascarado como convinha. Era novo convertido, então, mas o Espírito em mim, se recusou a compactuar com aquele lixo.

Ora, nos dias de Atos, já havia em Filipos na Macedônia, uma jovem que era usada pelo capeta para essas mesmas coisas. Qual a novidade?

Suponhamos que eu esteja vivendo momentos de desajustes vários, carecendo uma porção sólida de correção do Senhor, mediante Sua Palavra, para ser levado ao arrependimento e mudança. Aí, vou num evento desses, invés de escutar o que necessito pela Palavra da Vida, um gadareno desses diz o número dome CPF? E daí?

O patife tolhe que eu seja assistido, segundo necessito, pela correção e misericórdia do Senhor, sai como herói levando dinheiro do povo ainda. Naquele caso, todos os cultos foram cancelados na cidade, para “prestigiar à cruzada.” Outra vez me envergonho lembrando disso.

Estão na moda ainda, os que, como o “Vidente Carlinhos” que teria acertado a queda do avião da Chapecoense, (nessa virada de ano caíram uns dez) depois se tornou uma celebridade, não adivinhando nada mais. Assim, além dos adivinhos satânicos, grassa também a súcia dos chutadores carnais.

Esses são toscos e mesmo assim têm seu público. “Deus me revela alguém com o filho nas drogas; outrem que está desempregado...” Cáspita!! O Eterno chamou a Josias e Ciro pelos nomes, antes deles nascerem. Deus não fala com “alguéns”, nem “acerta por aproximação” a nada. Até quando esses patifes prosperarão pela nossa negligência??

Numa mensagem escrita ou falada, visa a todos quantos tiverem acesso às mesmas; como cada um reagirá a elas, é que fará diferença, ou não. Quando revela algo específico, é cirúrgico, preciso, inerrante.

Por isso, mais necessário que nunca, é que andemos em espírito e busquemos do Senhor o necessário discernimento. “O que é espiritual discerne bem a tudo e de ninguém é discernido.” I Cor 2;15

Devemos ser cuidadosos também com o excesso de “intimidade” com O Altíssimo. O grande Daniel quando teve visão com um Anjo do Senhor, quase desmaiou. Esses bobos alegres vendem sem ficarem vermelhos, coisas que “ouvem do Senhor” todos os dias, como se fizessem um happy hour, com Ele a cada tarde. Gentalha, sem noção!!

Alugam grandes plateias, (desgraçadamente, quanto menos bíblico for o sujeito, mais público terá) e invés de ensinarem À Palavra da Vida, que exorta, consola e edifica, ficam soprando suas flautas enganosas, encantando serpentes com supostas “revelações” que receberam no “chá das cinco” de ontem.

Até quando?? “... não deis ouvidos às palavras dos profetas que entre vós profetizam; fazem-vos desvanecer; falam da visão dos seus corações, não da Boca do Senhor.” Jr 23;16

Porque o erro dos simples os matará; e o desvario dos insensatos os destruirá; mas o que me der ouvidos, habitará em segurança; estará livre do temor do mal.” Prov 1;32 e 33