quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

Santo relacionamento


“... O Senhor o deu, O Senhor tomou: Bendito seja O Nome do Senhor.” Jó 1;21

Jó, quando informado que, todos seus bens foram consumidos e seus filhos, mortos.
Ah, se todos tivessem entendimento que, nada acontece, senão, pela vontade ou permissão do Senhor! No caso, fora a Divina permissão que autorizara ao canhoto, para que fizesse seu trabalho sujo.

Infelizmente, invés de um Ser, Sábio, Santo, Justo, Proposital, Soberano, Moral, além de Amoroso, a maioria costuma ter O Todo Poderoso como se fosse uma espécie de Papai Noel; festeiro, amoral, pródigo, inconsequente, sentimental, que validaria a tudo; acataria todos, em nome do “amor”.

Coisas “boas” são atribuídas a Ele, enquanto, os reveses seriam, necessariamente, burlas da oposição. Dessa abordagem surgem ditos como, “Mais tem Deus para dar, que o diabo para tirar.” Assim, Deus seria sempre Aquele que nos dá as coisas, o inimigo quem as tira; será?

O endeusamento das conveniências naturais evidencia crassa ignorância sobre O Altíssimo, e as próprias necessidades, na miserável condição de caídos. Suponhamos que alguém erre, tome o descaminho; algo que requeira severa correção; mas, invés disso o sujeito seja cumulado de bens. Qual a implicação disso? Estaria sendo abençoado, malgrado, suas perversões?

Os que não consideram a Santidade do Senhor, antes de outras coisas, podem ceifar nocivas implicações e severas disciplinas. A correção não busca aos estranhos, antes, aos filhos; “Porque O Senhor corrige ao que ama, açoita a qualquer que recebe por filho; se suportais a correção, Deus vos trata como filhos. Porque, que filho há a quem o pai não corrija? Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos participantes, sois então, bastardos, não filhos.” Heb 12;6 a 8

Quem faz tudo errado, na contramão dos Divinos preceitos e prospera, ou está na esfera da Divina permissão, onde O Eterno tenta lhe falar, para o iluminar; ou recebe suas “bênçãos” de outro deus.

Nos dias de Malaquias, O Profeta denunciara um culto profano, com sacrifícios desprezíveis, vontade sonolenta, preguiçosa. O mensageiro fez seus ouvintes verem o que significaria, eventual aceitação daquilo: “Vós O profanais quando dizeis: A mesa do Senhor é impura; seu produto, isto é sua comida é desprezível. E dizeis ainda: Eis aqui que canseira! O lançastes ao desprezo, diz O Senhor dos Exércitos. Vós ofereceis o que foi roubado, o coxo, o enfermo; assim trazeis a oferta. Aceitaria Eu, isso das vossas mãos? Diz O Senhor.” Ml 1;12 e 13

Tais profanações, se aceitas, significariam: “... qualquer que faz o mal passa por bom ao Olhos do Senhor; desses que Ele se agrada; ou, onde está o Deus do juízo?” Mal 2;17

Assim, não apenas pela correção dos profanos, mas, também pela separação do Santo Nome daquilo, O Eterno tinha que rejeitar, e foi o que fez. “Quem há também entre vós que feche as portas por nada, não acenda debalde o fogo do Meu altar? Eu não tenho prazer em vós, diz O Senhor dos Exércitos, nem aceitarei a oferta da vossa mão.” Mal 1;10

Do endeusamento das ímpias inclinações, e a necessidade hipócrita de adorná-las com um verniz religioso, a fortuna dos falsos profetas que, em demanda de aplausos, aceitação, falam segundo os desejos de quem os ouve, não, de quem, supostamente os teria comissionado. “Porque virá o tempo em que não suportarão à Sã Doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si, doutores segundo as próprias concupiscências; desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas.” II Tim 4;3 e 4

Os filhos de Jó se preocupavam com diversões apenas; Jó com a lisura espiritual e comunhão com Deus; “...decorrido o turno dos dias dos seus banquetes, enviava Jó e os santificava; se levantava de madrugada, oferecia holocaustos segundo o número de todos eles; porque dizia: Porventura, pecaram meus filhos. Amaldiçoaram a Deus no seu coração. Assim fazia, continuamente.” Jó 1;5

Na hora que o invejoso mor pediu ao Eterno permissão para testar a fé de Jó, foi vetado que o inimigo tocasse na vida dele apenas, não na dos filhos. Quem acha que a vida é mero convite para festa, e, são coisas irrelevantes, as renúncias e santificação ensinadas, poderia aprender algo aqui.

Estar abençoado por habitar na sombra de alguém que honra a Deus, é bom; mas ser abençoado por manter um relacionamento saudável e reto com Ele, em qualquer circunstância, é vital.

Certo que O Pai tenciona nos enviar apenas coisas boas; mas Ele decide o que é bom para nós. Se vir como necessárias algumas perdas de relevância menor, para que o mais importante seja preservado, Ele permitirá. “A calmaria que nos faz dormir, pode ser mais fatal que a tempestade que nos mantém acordados.”

Reconciliados


“Naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, estranhos às Alianças da promessa, não tendo esperança, seu Deus no mundo.” Ef 2;12

“... sem Cristo...”
estar sem Ele, não significa apenas isso; como se o homem fosse um ente autônomo. Pela nossa condição de criaturas, feitas com inclinação para adoração, e um lapso que apenas O Criador pode preencher, quem estiver ausente dele, acabará refém do traidor que, usurpa ao lugar do Divino, sempre que pode.


Ouçamos Paulo: “... andaste segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, que agora opera nos filhos da desobediência.” Ef 2;2

Não há neutralidade; nossas atitudes fatalmente denunciarão as escolhas; “... a quem vos apresentardes por servos para obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis; do pecado para morte, ou da obediência para justiça.” Rom 6;16
Gostando ou não, se não estivermos com Cristo, estaremos ao alcance do “Príncipe das potestades do ar...”

“... separados da comunidade de Israel...”
O Salvador disse: “... a salvação vem dos judeus.” Jo 4;22 havia uma separação de origem espiritual, entre o “povo eleito”, que deveria ser representante de Deus, e os gentios. Estar alienado do povo da promessa, também deixava distante do Salvador. Tendo Ele vindo, a divisão entre os povos deixou de existir; “porque Ele é a nossa paz, o qual, de ambos os povos fez um, derrubando a parede da separação que estava no meio.” Ef 2;14

“... estranhos às Alianças da promessa.”
A primeira Aliança respeitava a Abraão e sua descendência. “... em ti serão benditas todas as famílias da terra.” Gn 12;3 Embora a abrangência global da promessa, “todas as famílias da terra”, essa difusão não foi alcançada pelo judaísmo. Paulo ensinou que o vínculo era espiritual, não, sanguíneo: “Sabei, pois, que os que são da fé, são filhos de Abraão.” Gál 3;7

Depois, explicou: “As promessas foram feitas a Abraão e sua descendência, não diz: às descendências, como falando de muitas; mas como de uma só. À tua descendência, que É Cristo.” Gál 3;16 Antes, dissera: “Os que são da fé são benditos, com o crente Abraão.” Gál 3;9

A segunda Aliança, em Cristo, tinha o mesmo objetivo da primeira; abençoar aos fiéis; como os termos da primeira Aliança nunca foram plenamente obedecidos, pela incapacidade do homem caído, Deus radicalizou: “... sacrifícios, ofertas, holocaustos e oblações pelo pecado não te agradaram; então, (Cristo) disse: Eis aqui venho, para fazer, ó Deus, tua vontade. Tira o primeiro para estabelecer o segundo. Na qual vontade, temos sido santificados, pela oblação do Corpo de Cristo, feita uma vez.” Heb 10;8 a 10

Quando fazemos o santo memorial da Ceia do Senhor, evocamos o “Sangue da Nova Aliança”, pela qual, a promessa da bênção chega aos que creem.

“... não tendo esperança...” A esperança é um daqueles bens que se nota mais pela ausência, que pela presença. Como água e energia elétrica; na sua incidência nem notamos; caso faltem é que perceberemos melhor a utilidade que têm. Assim a esperança. Em seu curso normal nos faculta viver, planejar o devir, galgarmos degraus evolutivos no conhecimento, fazermos projetos, sonharmos, crermos.
Caso seus verdes ramos venham a murchar, a depressão, o pânico, e outras doenças psicossomáticas poderão encontrar brechas em nossas almas. Assim, além de um acessório precioso à fé, a esperança é um “insumo” valioso até para o exercício nas coisas ordinárias. Quem jamais ouviu que o desespero de fulano, deu azo a grandes males?

Mesmo a salvação, cujo vínculo primeiro é com a fé, que nos faculta certezas do que não vemos, enquanto não se manifesta, tem seu assento na esperança, como ensinou Paulo: “Porque em esperança fomos salvos; ora, a esperança que se vê, não é esperança. Porque, o que alguém vê, como esperará.” Rom 8;24

O fato dela ser invisível, como a fé, não elimina sua substância; antes, se evidencia nas atitudes que promove. “Qualquer que Nele tem esta esperança, purifica a si mesmo, assim como Ele É Puro.” I Jo 3;3

“...sem Deus no mundo.”
O Salvador ensinou: “Meu Reino não é deste mundo.” Assim, estar sem Deus em ambiente adverso, é estar desprotegido, a mercê do inimigo. Diferente do ecumenismo que, no afã de domínio político valida todas as religiões, a salvação demanda um relacionamento com Deus, mediante Jesus Cristo. Os termos são expressos na Sua Palavra.

Na verdade, o príncipe do mundo só se mostra nosso inimigo quando, reconciliamos com Deus. Antes, manipulava fingindo ser amigo. “... Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo...” II Cor 5;19

Sermos amigos do Mais Forte é um luxo; mesmo em terreno adverso, somos abençoados; “Prepara-me uma mesa na presença dos meus inimigos...” Sal 23;5

terça-feira, 31 de dezembro de 2024

O novo


“Confia no Senhor de todo teu coração; não te estribes no próprio entendimento. Reconhece -o em todos os teus caminhos, Ele endireitará tuas veredas.” Prov 3;5 e 6

Em mudanças de calendário, como agora, a maioria das pessoas estipula metas que pretende atingir no ano vindouro; conquistas materiais, não reiteração de ingenuidades cometidas, abandono de vícios, adoção de melhores práticas atinentes à saúde, às finanças, à vida espiritual, etc.

Grande parte dos “propósitos” perde-se, sem sequer serem tentados. Os quais, serão renovados na próxima troca de ano. Paralelo a essas atitudes, a também repetitiva observação que, não adianta fazer planos virtuosos, se não houver atitudes correspondentes; e, não mudando isso, malgrado, a data, nada mudará, etc.

Por que essas coisas ocorrem? Primeiro, pela ingenuidade conveniente à cumplicidade coletiva, a qual, plasmou no imaginário social, que, mudanças de calendário são boas oportunidades para mudanças de atitudes. Não são. Mudanças de atitudes demandam em primeiro plano, uma mudança de mentalidade. “Deixe o homem ímpio seus caminhos, e o homem maligno seus pensamentos e se converta ao Senhor...” Is 55;7

Pessoas que levam essa ideia muito a sério, acabam como que traindo a si mesmas, “planejando” o que, sabem que não cumprirão, por se importar mais com a perspectiva externa, de figurar coisas “pertinentes” ante o social, que, com uma resolução interna, de mudar deveras, o que sabem que deveriam, mas não querem. O tetro da vida não é feito com script; antes, as atuações costumam ser de improviso tendo o querer, como diretor.

A humana vontade é prisioneira; lhe é permitido fazer planos de fuga por detrás das grades; fugir seria uma empresa, bem mais difícil.

Paulo expôs o conflito de um que, cheio de boas intenções, não obstantes essas, acaba coagido a realizar apenas coisas más. “Porque o que faço, não aprovo; o que quero, não faço, mas o que aborreço, faço; se faço o que não quero, consinto com a Lei que é boa. De maneira que, agora, já não sou eu que faço isso, mas o pecado que habita em mim.” Rom 7;15 a 17

Invés de homem livre, pois, apenas um locador, tendo o pecado como inquilino e feitor. Além do “Madruga” em apreço não pagar o aluguel, inda perverte as atitudes do dono da "casa" coagindo-o a fazer o que não quer.

Confrontado, se dirá livre; pois, a presunção de autonomia é o móvel básico da sua prisão.

Assim prossegue a sina dos portadores de bons planos para o ano novo, em apreço; cheios de boas vontades, porém, incapazes de as colocar em prática. Isso se verifica de modo mais intenso, sobretudo, nas resoluções que demandam uma mudança moral, espiritual.

Intimamente convencidas que carecem disso, as pessoas com suas vontades presas nos maus hábitos enraizados em suas naturezas, olham por entre as grades, para cenários que gostariam de visitar, mas, não tanto, ao ponto de pagar o preço para ser livres. Ficam “indo a Paris” sem saírem das suas celas.

A verdadeira liberdade, ensinou O Salvador, requer permanência na Sua Palavra. Carecemos ousadia santa para palmilhar na “Cidade Luz”. “... Se vós permanecerdes na Minha Palavra, verdadeiramente sereis Meus discípulos; conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.” Jo 8;31 e 32

Sabedor O Senhor, da nossa escravidão e incapacidade para nos libertarmos, “turbinou” aos que lhe deram crédito assistidos pelo Espírito Santo, de modo que se possam comportar à altura da honraria que receberam mediante o novo nascimento; “A todos que O receberam, deu-lhes poder de serem feitos filhos de Deus; aos que creem no Seu Nome.” Jo 1;12

“Deu-lhes, poder...”
As coisas virtuosas, em Cristo, não são mais um devaneio distante, uma espécie de “quem me dera”; Cristo Deu poder aos que Lhe deram ouvidos; os fez renascer da Água (palavra) e do Espírito (Santo).

Não carecemos uma lista de maus hábitos a abandonar, na nova vida que acontece após a conversão, a despeito do calendário. Pós o Novo nascimento, nosso espírito é vivificado e dirigido por santo caminho, pela Voz Bendita do Espírito Santo. “Os teus ouvidos ouvirão a palavra que está por detrás de ti, dizendo: Este é o caminho, andai nele, sem vos desviardes para a direita, nem para a esquerda.” Is 30;21

Quem deseja uma mudança veraz, deve ousar mais que ficar decorando a roda do tempo, para que ela gire cheia de brilhos artificiais.

Tem, o ser humano, mais facilidade de arrostar o mundo, que enfrentar a si mesmo. Quem desejar sinceramente, ousar nessa direção, será ajudado pelo Senhor, que lhe dará a vida eterna, para que não careça mais, se importar tanto com a marcha do calendário terreno. Aos que se atreverem, enfim, feliz nascimento novo!!

Deus e o mal


“Porventura, da Boca do Altíssimo não sai, tanto o mal, quanto o bem? De que se queixa, pois, o homem vivente? Queixe-se cada um dos próprios pecados.” Lam 3;38 e 39

Esse “mal” procedente do Altíssimo é um daqueles textos para deleite dos que sentem prazer em atribuir imperfeições ao Eterno.

Os filósofos antigos faziam distinção entre o “Númeno” e o “Fenômeno”. Aquele primeiro refere-se ao ser, à essência das coisas, e o fenômeno, à aparência, a manifestação.

Do ponto-de-vista do fenômeno, dizemos que o sol nasce e se põe todos os dias; pois, assim nos parece. Entretanto o ser é diferente; é a terra que gira sobre si mesma, produzindo essa sensação.

Um exemplo mais, e basta; quando nossos abdomens adquirem certa protuberância, de modo que algumas roupas não nos servem mais, dizemos que elas ficaram pequenas, embora permaneçam do mesmo tamanho. A mudança se deu em nós.

Porque A Palavra de Deus fala mediante homens, aos homens, natural que use o modo antropomórfico (forma humana) de falar, para facilitar a compreensão. Assim, aquilo que soa como um mal, aos nossos olhos, aos Dele, nem sempre é assim.

A relação do Eterno com o mal em si, com a essência do mesmo é absolutamente impossível. Abraão dissera: “Longe de ti que faças tal coisa, que mates o justo com o ímpio; longe de Ti; não faria justiça o Juiz de toda a Terra?” Gn 18;25

Por Habacuque, disse: “Tu És tão puro de olhos que não podes ver o mal; a opressão não podes contemplar...” Hac 1;13

Tiago pontuou a absoluta aversão do Santo, para com o mal; “Ninguém, sendo tentado diga: Por Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta. Cada um é tentado, quando é atraído e engodado pela própria cobiça.” Tg 1;13 e 14

A rigor, nem o pecador é atraído pelo mal; carece de um “engodo”, alguma nuance de bem, de prazer, vantagens, revanche, algo que, como uma isca, esconda o anzol da maldade, para que esse incauto o abocanhe.

O Eterno, É Santo e Onisciente. Assim, além da aversão pelo mal, dada a Sua Essência, também não pode, como nós, ser enganado por desejos doentios, em consórcio com o logro dos fenômenos.

Jeremias profetizara por mais de duas décadas, advertindo do juízo vindouro, se não houvesse arrependimento e mudança, na sociedade daqueles dias. Foi rejeitado, perseguido, agredido, preso.

A resiliência, mormente dos líderes, na maldade, tornara o juízo, o cativeiro, inevitáveis.

Num contexto de terra arrasada, o povo cativo em Babilônia, a cidade e o templo destruídos que Jeremias escreveu suas lamentações. Ele, pela demora do julgamento anunciado, fora testemunha da longanimidade Divina, da espera pelo arrependimento, para não carecer o julgamento.

Então, o “mal” em apreço só o era, do ponto-de-vista humano; do Divino era apenas justiça. O mesmo profeta testificara da difícil necessidade do Eterno; “Ainda que entristeça a alguém, usará de compaixão, segundo a grandeza das Suas misericórdias; porque não aflige nem entristece de bom grado, aos filhos dos homens.” Lam 3;32 e 33

Não é algo que apraz ao Todo Poderoso, mas eventualmente, vê como necessário.
Quanto à Sua Essência e bondade, o simples fato de enviar sol e chuva, sobre justos e injustos já deixa ver nuances.

Logo, quando Ele Diz: “Eu formo a luz e crio as trevas, faço a paz e crio o mal, Eu, O Senhor faço todas essas coisas;” Is 45;7 Está O Santo reivindicando Seu direito Soberano de julgar às coisas como lhe aprouver, sem dar satisfação às criaturas; não, evidenciando alguma relação Sua, com o mal em si.

O contexto imediato do verso inicial das lamentações, nesse apreço, deixa ver o tipo do “mal” que era referido; também a causa do mesmo. “De que se queixa, pois, o homem vivente? Queixe-se cada um dos próprios pecados.”

Quando o homem tiver consciência que, em geral, seus “males” são consequências, e eventuais limitações inatas serão recompensadas no porvir, invés de queixar-se contra Deus, colocará limites em si mesmo, será parcimonioso na semeadura. “Não erreis; Deus não se deixa escarnecer; tudo que o homem semear, isso ceifará; o que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; o que semeia no espírito, ceifará a vida eterna.” Gál 6;7 e 8

Enfim, os caçadores de “contradições bíblicas”, que procuram erros na Palavra de Deus, já deixam, por essa escolha, patente sua preferência pelo mal. Quando o ceifarem terão que culpar a si mesmos.

Felizes os que leem À Palavra de Deus! mas que o façam como quem aprende, não, como quem julga ao Eterno. “Lendo A Palavra de Deus, encontrei muitos erros; todos, em mim.” Agostinho
Gosto
Comentar
Enviar
Partilhar

segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

Os mortos, vivos


“Porque aquele que está morto, está justificado do pecado.” Rom 6;7

Isso, se deslocado do contexto, entendido de modo superficial, pode dar azo a interpretações distorcidas, heresias. Já existe no imaginário popular, uma espécie de sagração da morte; como se, ela trouxesse a correção dos erros de quem vive de modo ímpio, avesso ao Criador.

Aquele que fora alvo das mais ácidas críticas pelas escolhas na vida, uma vez morto, recebe elogios, leniências várias, como se, a cessação da existência terrena trouxesse um apagador e zerasse por inteiro, a lousa dos vícios. Machado de Assis usou isso: “Podemos elogiar à vontade; está morto.”

Basta frequentar autos fúnebres, ou, perceber como alguns citam a morte, para identificar traços dessa doença. O sujeito pode ter os desajustes que tiver, ter vivido os mais variados tipos de erros, quando morre, “Passou para o andar de cima; se tornou uma estrela; estará olhando por nós; no fundo era uma boa pessoa.” etc.]

O ambiente fúnebre deve ensejar reflexões nos que estão vivos. Lá vemos a exposição prática da nossa finitude. Analisar isso pode ajudar a curar alguns vícios, como arrogância, pretensão, egoísmo.

Está dito: “Melhor é ir à casa onde há luto, que ir à casa onde há banquete; porque naquela está fim de todos os homens; os vivos aplicam isso aos seus corações; melhor é a mágoa que o riso, porque com a tristeza do rosto, se faz melhor o coração.” Ecl 7;2 e 3

A tentativa de tornar ao profano, sagrado, apenas pelo seu fim, seria uma interpretação rasa, do verso, “Aquele que está morto, está justificado do pecado.” Visto mais de perto, o sentido é outro. As letras miúdas do contrato, não podem ser desprezadas.

Enquanto o sopro da vida pulsa, muitas coisas podem ser mudadas, refeitas; cessada sua incidência, não mais; donde vem o dito: “enquanto há vida, há esperança.” Se, alguém não fez a boa escolha em tempo, terá que se resignar a um dito expresso por Jeremias: “Passou o verão, findou a sega e não estou salvo.” Jr 8;20

O “morto” em apreço, que está justificado porque morreu, é um “morto voluntário” como prescreveu O Salvador; “... quem perder sua vida por amor de Mim, achá-la-á.” Mat 10;39

Somos desafiados, por amor a Ele, à “crucificação da carne”, deixar o ego na submissão, no preceituado, “negue a si mesmo”; enfim, nossa identificação com O Salvador em renúncias e obediência ao Divino querer, deve ser tal, que é como se tivéssemos morrido.

Paulo esposa essa ideia; “Ou não sabeis que, todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo, o fomos, na Sua morte? De sorte que fomos sepultados com Ele, pelo batismo, na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim, andemos também em novidade de vida.” Rom 6;3 e 4
Não é algo que cessa a vida, pois; antes, renova, transforma.

Adiante, explica melhor o sentido: “Sabendo isto; que nosso homem velho foi com Ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, e não o sirvamos mais.” V 6

Há três tipos de mortes, que devemos distinguir. O primeiro, aquele de conhecimento comum, quando cessou a existência terrena, separou-se a alma do corpo. O segundo, o que, mesmo respirando ainda, está espiritualmente morto, alienado de Deus; a sina da maioria.

Desses, O Salvador disse: “Em verdade em verdade vos digo que, vem a hora, agora é, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus; os que a ouvirem, viverão.” Jo 5;25 Aludindo à conversão e consequente, “Novo nascimento.”

Por fim, nosso morto voluntário em apreço, aquele que leva a obediência e santificação às últimas consequências; seu não! aos reclames ímpios da carne é tão decidido, que é como se ela estivesse morta. “Os que são de Cristo, crucificaram à carne, com suas paixões e concupiscências.” Gál 5;24 “Pois, quanto a ter morrido, de uma vez morreu para o pecado; mas quanto a viver, vive para Deus.” Rom 6;10
Esses, pois, são os “mortos” que estão justificados dos seus pecados.

Isso visto sob outro aspecto, é tido por “andar em espírito”; não significa que deixaremos de ter um corpo natural como os demais; apenas, que os clamores desse e suas inclinações perversas não serão mais as diretrizes para as nossas vidas.

“Aquele que está morto está justificado do pecado”; deve ser visto no prisma espiritual; quem nasceu de novo e anda segundo o Espírito está livre de condenação; “Portanto, agora nenhuma condenação há, para os que estão em Cristo Jesus; que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito.” Rom 8;1

Não é um jazer, que o justifica; antes, um novo modo de andar.

domingo, 29 de dezembro de 2024

Porta fechada


“Porfiai por entrar pela porta estreita; porque vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão” Luc 13;24

Que a salvação é pela fé, não pelas obras, fazendo a submissão e confiança, mais eficazes que o esforço, para fins de obtê-la, a maioria, bem sabe. Todavia, pra alguém procurar entrar, pressupomos que esse acredita, possui a fé necessária. Por que, tantos procurando, não poderão, então? Acaso O Eterno não estabeleceu os mesmos termos para todos?

Vejamos o contexto: “Quando o Pai de família se levantar e cerrar a porta, e começardes, de fora, a bater, dizendo: Senhor, Senhor, abre-nos, e respondendo Ele vos disser, não sei de onde vós sois...” V 25 esse detalhe deixa ver que os muitos que procurarão entrar, farão esforços para isso quando for tarde demais; quando a porta estiver fechada. Jeremias menciona um “acordar” tardio assim: “Passou a sega, findou o verão e não estamos salvos.” Jr 8;20 Os mesmos termos e o mesmo tempo, para todos.

Nos dias normais, esses não se preocuparam com integridade, obediência, comunhão; antes, viveram na religiosidade, mero teatro em ambientes cristãos, sem ser dos tais. “... temos comido e bebido na Tua presença, Tu tens ensinado nas nossas ruas.” Será o argumento desses retardatários. Frequentavam locais onde O Salvador ensinava; mas não se deixaram moldar pelos ensinos Dele.

Como disse alguém, morar numa garagem não nos transforma em carros; assim, frequentar igrejas, ouvir pregações, não muda ninguém. Como cada reage ao que ouve, é que faz diferença.

A resposta será sisuda: “... não vos conheço, nem sei de onde sois; apartai-vos de Mim, vós todos que praticais a iniquidade.” Luc 13;27 Se, mesmo frequentando ambientes santos, inda eram iníquos, desprezaram as veredas da vida.

A fé nem foi mencionada, então. Sendo ela o “firme fundamento das coisas que não se vê”, Heb 11;1 quando as realidades que ela apregoa se fizerem visíveis, como o juízo de uns e outros, não será mais útil, nem necessária.

Malgrado, a entrada à ventura da salvação seja por ela, se não tivermos, em tempo, as obras correspondentes, como testemunhas que ela vive, não passará de um cadáver como ensina Tiago: “Ó homem vão, queres tu saber que a fé sem obras é morta?” Tg 2;20

A salvação é pela fé, a evidência dessa, pelas obras que patrocina; “Porque somos feitura Sua, criados em Jesus Cristo para as boas obras, as quais, Deus preparou para que andássemos nelas.” Ef 2;10

Quando O Senhor ensinou que “Não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte”, não estava aludindo a cidades. Usou uma figura eloquente para dizer que, Sua presença em determinada vida, terá que ser visível fatalmente; se não o for, é porque Ele não está. “Assim, resplandeça vossa luz diante dos homens, para que vejam vossas boas obras e glorifiquem ao vosso Pai que está nos Céus.” Mat 5;16

Paulo explicou o que muda: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram, tudo se fez novo.” II Cor 5;17 Escrevendo aos romanos, ampliou: “De sorte que fomos sepultados com Ele pelo batismo, na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela Glória do Pai, assim, andemos também, em novidade de vida.” Rom 6;4

Normalmente consideramos a exortação, “Porfiai por entrar pela porta estreita”, sob o prisma das renúncias necessárias, que reduzem a amplitude da porta. A ênfase, no “estreita”. Nesse caso, além disso devemos considerar a urgência em se abraçar a salvação. Esforçai-vos, porfiai, por entrar, invés de se satisfazer com mera teatralidade religiosa sem um compromisso real com O Salvador, olhando de fora, para o ambiente dos salvos. A ênfase deve ser, no “esforçai-vos por entrar.”

A vida eterna não tem vínculo apenas com o tempo; mas com o modo que vivemos. Pois, nos que se convertem deveras, começa desde já. Os que preferem existência segundo o mundo, quando esse for julgado, padecerão juntamente.

A longanimidade Divina que nos faculta tempo para arrependimento dos nossos erros é algo maravilhoso. Porém, a temeridade de protelar decisões urgentes apenas confiados nela, tem feito a desgraça de muitos. Salomão descreve esse mal: “Porque não se executa logo o juízo sobre as más obras, o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto para fazer o mal.” Ecl 8;11

Alguns conseguem piorar isso ainda; interpretem o silêncio de Deus como concordância, cumplicidade; Ele pontua: “Estas coisas tens feito e Eu me calei; pensavas que era tal como tu; mas Eu te arguirei, e as porei por ordem diante dos teus olhos.” Sal 50;21

Certa frase de Rabelais, às vezes, se impõe: “Conheço muitos que não puderam quando queriam, porque não quiseram quando podiam.”

Ovelhas "selvagens"


“... vós bem sabeis que não é lícito a um homem judeu, ajuntar-se ou chegar-se a estrangeiros, mas Deus mostrou-me que, a nenhum homem chame comum, ou imundo.” At 10;28

Deus vetara casamentos com estrangeiros que tivessem outros deuses; em caso de adesão ao Deus de Israel, mesmo esses seriam aceitos, como vemos na saga de Rute, a moabita.

A Palavra do Santo prescrevia que estrangeiros fossem bem tratados pelos hebreus; “O estrangeiro não afligirás, nem o oprimirás; pois, estrangeiros fostes na terra do Egito.” Ex 22;21

Caso desejassem participar do culto ao Senhor, conforme os ritos deveriam ser aceitos; “Se algum estrangeiro se hospedar contigo, e quiser celebrar a páscoa do Senhor, seja-lhe circuncidado todo o homem, então se chegara a celebrá-la; será como o natural, da terra...” Ex 12;48

Então, o “não é lícito” de Pedro, derivava mais das tradições arraigadas no judaísmo, que da Palavra de Deus. Talvez a ideia de “povo santo” não tenha sido bem entendida; a separação prescrita no salmo primeiro, “Não anda segundo o caminho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores”, tenha sido desviada do propósito, passando a significar, não se misturar com gente de outros povos, embora, não seja isso que o texto diz.

Preconceituoso pensar que os do “povo santo” não cometem falhas; e, equacionar, necessariamente, os estrangeiros, com os adjetivos aqueles; ímpios, pecadores, escarnecedores.

Pedro estava com seu judaísmo ainda não depurado pelo Espírito Santo, que precisou trabalhar na vida dele, para lhe sanar a compreensão. Mostrou-lhe uma visão com animais de todas as espécies; ordenou que matasse e comesse, ao que, Pedro retrucou: “De modo nenhum, Senhor; porque nunca comi coisa alguma, comum ou imunda.” Atos 10;14 Então O Senhor respondeu: “Não faças tu, comum, ao que Deus purificou.” Isso, por três vezes.

Então, chegaram os enviados de Cornélio, o centurião estrangeiro, piedoso, que fora instruído por um anjo, a mandar chamar Pedro, para ouvir O Evangelho.

Foi exatamente quando chegou a casa desse, que Pedro disse as palavras que vimos no início; “... Deus mostrou-me que, a nenhum homem chame comum, ou imundo.”

Adiante, melhor inteirado da situação, deu sinais de cura de sua tradição, alienada do Divino propósito; “... Reconheço, na verdade, que Deus não faz acepção de pessoas; mas, que lhe é agradável aquele que, em qualquer nação O teme, e faz o que é justo.” Atos 10;34 e 35
No mesmo ambulatório, e ao mesmo tempo, O Médico dos Médicos curava Pedro e Cornélio.

O “Ide por todo o mundo, pregai O Evangelho a toda criatura”, ordenado pelo Salvador, estava devagar, quase parando, justamente por isso. A influência da tradição judaísta, na qual todos foram formados, retinha-os ao redor de Jerusalém, no máximo ousavam até Samaria. Embora tinham recebido a Cristo, ainda não tinham compreendido a Sua abrangência. O “Em ti será benditas todas as famílias da Terra”, dito a Abraão, começava, finalmente, a se cumprir.

Pois, O Senhor decidiu transformar o mais ferrenho perseguidor da Igreja, no mais ousado defensor. “Saulo, por que me persegues?” O mais intrépido defensor do Judaísmo foi transformado, pelo conhecimento de Jesus Cristo; naturalmente rejeitado, após convertido, pelos colegas da antiga fé, perseguido para morte, até; assim, um que tinha poucos motivos para ficar orbitando ao Sinédrio, recebeu a missão, não cumprida pelos demais apóstolos.

“Disse-me, vai, porque hei de enviar-te aos gentios de longe.” Atos 22;21

Ainda hoje, passados dois milênios, preconceitos religiosos, tradições, apegos a laços sanguíneos tolhem que muitos sejam abençoados como O Senhor deseja.

O conselho a se evitar o convívio com maus traços de caráter acaba, “convenientemente” ressignificado, como se prescrevesse evitarmos a companhia dos que não gostamos. Agir assim é um desserviço às nossas próprias almas, uma maximização dos nossos preconceitos, em consórcio com a ignorância sobre A Palavra de Deus.

O mesmo Espírito Santo que educara a Pedro, de modo que fosse à casa de um romano ensinar O Evangelho, “assinou a obra”, quando o apóstolo O obedeceu; “Dizendo Pedro, ainda essas palavras, caiu O Espírito Santo sobre todos os que ouviram a palavra; os fiéis, que eram da circuncisão, todos quantos tinham vindo com Pedro, maravilharam-se que o dom do Espírito Santo se derramasse ‘também’ sobre os gentios.” Vs 44 e 45

É maravilhoso saber que não somos os favoritos de Deus; Ele pensa maior que nossos umbigos; O Salvador dissera: “Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também Me convém agregar estas; elas ouvirão Minha Voz, haverá um rebanho, e Um Pastor.” Jo 10;16

Muitos daqueles dos quais, eventualmente, não gostamos, O Senhor ama; vai salvar. Com ou sem nossa participação. A escolha é nossa.