quinta-feira, 26 de setembro de 2024

O tão falado, amor


“Tenho, porém, contra ti que deixaste teu primeiro amor.” Apoc 2;4

Fragmento, enviado mediante João, à igreja de Éfeso.

“deixar o primeiro amor”, não significava deixar a Deus colocando outro no lugar; antes, abandonar o zelo com o qual servia, permitir que a relação esfriasse. “sofreste, tens paciência; trabalhaste pelo Meu Nome, não te cansaste.” V 3

Notemos que os verbos que arrolam as virtudes estão todos no pretérito; sofreste, trabalhaste, cansaste... conclusão necessária que não fazia as mesmas coisas. Ainda diz: “Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e pratica as primeiras obras...” v 5

O abandono do amor a Deus era o desleixo com as coisas espirituais, como se, as tivesse feito por alguma recompensa imediata; não a tendo recebido, o interesse tivesse esfriado. Paulo ensinou: “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens.” I Cor 15;19

Há um barateamento do amor, nas relações interpessoais, que não o diminuem, no que ele é; antes, evidencia o mau uso daquele excelso nome, rotulando paixões egoístas, como se o produto fosse o mesmo.

Alguns ostentam número de casamentos na casa de dois dígitos, segundo eles, sempre, porque o “amor acabou”. A Palavra de Deus ensina diferente: “O amor nunca falha...” I Cor 13;8 Tanto que, ao se firmar um compromisso de amor entre dois cônjuges, o ministrante diz; “Até que a morte os separe,” invés de, até que o amor acabe.

Que seja mera chama, “eterno enquanto dure” como disse Vinícius de Morais, pode ter sua beleza poética; mas, falta vínculo com a verdade. Descreve à efêmera paixão, colocando na mesma, as vestes nobres do amor.

Quando inquiriam ao Salvador sobre o mais importante da Lei, Ele resumiu os Dez Mandamentos a dois, tendo o amor como traço comum. “... Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração, toda tua alma e todo teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.” Mat 22;37 a 39

Acontece que o vero amor é uma decisão moral, não um sentimento inconstante. Se fosse reles sentimento, sequer poderia ser um mandamento. Deus nos mandaria sentir algo, Invés de agir conforme determinado princípio? Não temos controle sobre nossos sentires.

O amor que “não busca os próprios interesses, não folga com a justiça, mas, com a verdade”, envolve ter como caro a nós, aquilo que apraz ao Amado; “Se Me amais, guardai os Meus Mandamentos.” “Aquele que tem Meus Mandamentos e os guarda esse é o que Me ama; aquele que Me ama será amado de Meu Pai; Eu o amarei, e Me manifestarei a ele.” Jo 14;15 e 21 Claro que esse amor correspondido produz um sentimento de paz, harmonia. Mas, como derivado, não como a causa.

O amor a Deus deve moldar nosso agir conforme os Santos preceitos; nada tem a ver com loquacidade vazia, tampouco, com mero sentimentos que geralmente têm um viés egoísta. Dos marqueteiros do amor sem o produto, O Salvador disse: “Este povo se aproxima de Mim com a sua boca e Me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de Mim.” Mat 15;8

Enquanto não conseguirmos ver beleza em Deus, dificilmente O amaremos; precisamos conhecê-lo em Seus Benditos predicados, para entendermos o quão amável É; “Dai ao Senhor a glória devida ao Seu Nome, adorai O Senhor na beleza da santidade.” Sal 29;2 “Tributai ao Senhor a glória de Seu Nome; trazei presentes, e vinde perante Ele; adorai ao Senhor na beleza da Sua Santidade.” I Cron 16;29 etc.

A dissonância entre o que ama a Deus, e o que se engana, amando a si mesmo, acreditando amar ao Santo, é que aquele, busca ao Senhor; esse, busca coisas do Senhor, apenas. A Palavra ensina: “... é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele existe e é galardoador dos que O buscam.” Heb 11;6

A diferença entre requerer coisas do Senhor, e buscar a Ele é muito grande. Se, busco coisas viso minha vontade, meu deleite; se busco a Ele, espero aprender sobre Sua vontade ao meu respeito, à qual, procurarei me adequar, para que fique manifesto o meu amor.

O que mais nos incomoda? As coisas que pensamos que nos faltam, ou a adoração, reverência e respeito que esse mundo mau, blasfemo, nega ao Eterno? Dependendo de qual for nossa reposta, saberemos se amamos a Deus, ou apenas a nós mesmos. “... as afrontas dos que te afrontam caíram sobre mim.” Sal 69;9

Quem precisa de um escândalo “gospel” para justificar-se na impiedade, ama aos lugares sujos, como os porcos, e folga quando encontra um.
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terça-feira, 24 de setembro de 2024

Os sedentos

“Aquele que beber da água que Eu lhe der nunca terá sede, porque a água que Eu lhe der se fará nele uma que salte para a vida eterna.” Jo 4;14

O Senhor usou uma metáfora, para ilustrar Sua Doutrina, comparando-a com uma água que saciaria a sede espiritual, de uma vez por todas.

Assim, aquele que cumprir e guardar suas Palavras, nunca mais terá carências de ordem espiritual. Contudo, os fatos que observamos sugerem que alguns teriam bebido da referida água e continuado com sede; por quê?

Primeiro, vamos aos indícios de que a sede espiritual permanece depois da “conversão”. Muitos “cristãos” aos quais foi ensinado a devida ordem de coisas segundo a escala dos Céus, “Buscai primeiro O Reino de Deus e a Sua Justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas.” Mat 6;33 andam na contramão da Água da Fonte do Salvador.

Suas prioridades são materialistas; até onde deveriam viver e ensinar estritamente O Evangelho, poluem com seu amor ao vil metal, ocupando a primazia nas saídas das suas vidas. Ao menor escândalo no seio cristão, as pessoas se apressam a dizer seu, ainda bem que o tal, não é da “minha igreja”, denominação; mostrando mais cuidado com a própria reputação, que com a de Cristo. Por que inda tem sede dessas coisas? Quem bebe de Cristo não carece antes, negar a si mesmo?

A Palavra ensina: “Saiamos, pois, a Ele fora do arraial, levando o Seu vitupério.” Heb 13;13 Quem professa pertencer a Cristo, se entristece mas, não foge quando alguém envergonha ao Seu Nome. Se amamos aos Senhor, devemos ser partícipes da Sua humilhação. Levar Seu vitupério.

Muitos que se dizem de Cristo inda jogam em loterias sonhando com grandes “boladas”; outros, consultam horóscopos, citam autores espíritas sem a menor noção do que significa. Todas essas coisas e muitas similares evidenciam sede espiritual; um viver mal resolvido nesse âmbito.

Será que O Senhor se enganou ao valorar a Água que trazia? “nunca mais terá sede...” Pela Divina Graça ter me encontrado em ocasião oportuna, bebi dessa água, e, nunca mais tive sede espiritual.

Quando leio algum ensino diverso, antagônico, o faço por dever ministerial, de buscar o devido preparo, conhecer os motivos dos que bebem de outras fontes. Tudo o que há de válido na filosofia, ou nalgum credo paralelo, só será visto por esse prisma, à medida que se alinhar aos Ensinos do Mestre. Afinal, não busco essas fontes alternativas por estar com sede; antes para entender por que, outros buscam.

Todo dia somos testados. Sempre tem um “Indiana Jones” espiritual que excursiona às cavernas da terra em busca de algum “tesouro” escondido, o qual, uma vez encontrado toca trombetas anunciando-o. Um, concluiu que o preterismo anula a esperança dos cristãos; outro, “descobriu O Evangelho de Tomé” ou de “Maria Madalena” o Livro de Enoque, uma EQM onde algum anjo, finalmente lhe mostrou a verdade, etc. Todos esses tipos de excursões à terra do nunca são sintomas de sede.

Forçosa a conclusão que, malgrado o sedento em foco tenha usado o rótulo de cristão, eventualmente, nunca bebeu, deveras, de Jesus Cristo. Se o tivesse feito, teria encontrado descanso para a alma, invés de errar num ativismo inquieto, a buscar peixes onde só existem cobras. “... Por que buscais O Vivente entre os mortos?” Luc 24;5

Termos bebido do Senhor, não nos faz hermeticamente fechados, refratários a outras formas de conhecimento. Mas, sacia-nos de tal forma, que supera ao que conhecemos antes, relegando-o à insignificância; desde então, nossa busca acaba sendo por mais de Cristo, não de fontes espúrias.

Li muitas coisas antes da conversão, buscando preencher um vazio interior; cada novo ensino parecia superar ao outro; não sei se, pelo mero sabor de novidade, ou porque o antes aprendido era mais pobre mesmo. Chegando À Palavra de Deus, todos os outros livros, “Poder da mente”, “Poder do pensamento positivo”, astrologia, numerologia, espiritismo, nada disso parecia ter algum apelo, desde então.

Quem encontrou o “Manancial de águas vivas” carece ser muito estúpido para buscar fontes mortas. Como os hebreus fizeram um dia; “Meu povo fez duas maldades: a Mim deixaram, o Manancial de Águas Vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm águas.” Jr 2;23

Beber do Senhor não é tomar para si um rótulo; antes, uma cruz. Identificar-se com Ele em obediência. “Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na Sua morte?” Rom 6;3

Por um pouco, O Senhor inda chama aos sedentos oferecendo da Sua Água; “O Espírito e a esposa dizem: Vem. Quem ouve, diga: Vem. Quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da Água da Vida.” Apoc 22;17

domingo, 22 de setembro de 2024

Os escândalos


“Ai do mundo, por causa dos escândalos; é inevitável que venham escândalos, mas ai daquele homem por quem o escândalo vem!” Mat 18;7

Há dois aspectos nos escândalos: um, social, outro, particular. Ambos, estão advertidos com um lamento. “Ai do mundo... ai daquele...”

O que é escândalo? “fato ou acontecimento que contraria e ofende sentimentos, crenças ou convenções morais, sociais ou religiosas, estabelecidas; indignação, perplexidade ou sentimento de revolta provocados por ato que viola convenções morais e regras de decoro; aquilo que pode levar a erro, mau procedimento ou, pecado.”

O potencial de induzir ao erro pela imitação, é o viés mais nocivo. O mau exemplo e seus desdobramentos. “Dar o exemplo não é a melhor maneira de influenciar os outros. É a única.” Albert Schwitzer. Quem escandaliza acaba sendo um “pregador” da maldade.

Quem age segundo Cristo se faz um ponto de luz, cujo fulgor resulta na Glória de Deus, “Assim resplandeça vossa luz diante dos homens, para que vejam vossas boas obras e glorifiquem ao vosso Pai, que está nos Céus.” Mat 5;16 um escândalo, um mau exemplo se torna um elogio às trevas, justificador da maldade, indutor à rebeldia, para “glória” do trevoso mor.

Desgraçadamente, a natureza humana caída tem mais olhos para o mal que, para as coisas virtuosas. Basta ver de que são feitos nossos jornais; assassinatos, roubos, acidentes, corrupção, traições, etc. invés de perdão, regeneração, abandono de vícios, conversão, mudança de vida, reconciliação e similares. Se aqueles fatos deixassem de figurar, e esses últimos ficassem em evidência, o referido veículo perderia seu apelo junto ao público.

Se, numa congregação de cem pessoas, 90 andarem bem, e dez saírem para o outro lado, será esse “dízimo” infiel que receberá as maiores atenções, estará na boca do povo; sua infidelidade em ambientes onde se espera o contrário, como que, “justifica” aos que, mesmo convidados, se recusam a entrar.

Para efeito de melhor compreensão, cogitemos o venturoso milagre de termos uma congregação totalmente avessa à maldade, cujas vidas seguem cabalmente a Doutrina do Senhor, bebendo apenas da Água da Vida, levando um viver exemplar.

A mera existência desse venturoso rebanho seria uma “pregação”, uma denúncia eloquente contra a maldade dos ímpios, que, ou se deixariam atrair, abandonando à impiedade, ou, pelo menos se manteriam a uma “distância segura”, daquela sucursal dos Céus sobre a Terra, daquele oásis de virtude no vasto deserto dos vícios;

Não teriam coragem de falar mal de tão convictos santos, que deixaram os caminhos tortos, e escolheram para si um lugar onde a retidão impera. Pois, o que escandaliza é um que se misturaria a esse ambiente santo, sem deixar de lado seus hábitos tortos. “Ainda que se mostre favor ao ímpio, nem por isso aprende a justiça; até na terra da retidão ele pratica a iniquidade, não atenta para a Majestade do Senhor.” Is 26;10

Não que a igreja seja esse ambiente dedetizado, onde nenhum inseto possa voar. Toda sorte de males e vícios estão em nosso meio. Assim como um hospital não existe em função de pessoas saudáveis, antes das doentes, também onde se ensina a virtude, ocorre em contraponto aos vícios que permeiam as vidas dos que carecem aprendê-la.

Mas, levei a obediência e a santificação ao superlativo, em meu hipotético exemplo, para, pelo contraste, expor a grandeza da maldade daquele que não se importa em causar escândalos, onde o modo oposto de viver é ensinado. 

Não deveríamos ter apenas os exemplos circunstantes como motivos para nossos passos.
Como vimos naquele que não se importa de entortar na “Terra da retidão”, ele “... não atenta para a Majestade do Senhor.” Pois, em última análise, não importa o que façam as pessoas de meu convívio, meu alvo é a santificação; ser imitador do Santo, não dos ímpios. “como é santo Aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda vossa maneira de viver; porquanto está escrito: Sede santos, porque Eu Sou Santo.” I Ped 1;15 e 16

Diuturnamente, temos escândalos para todos os gostos; financeiros, sexuais, perfídias, mentiras, invejas, corrupção, abuso de poder... quem desejar “se lavar com lama” terá farta matéria-prima.

Mas, qual o proveito de eu fazer mal à minha própria alma, perder a salvação, apenas, porque outrem, assim o faz? Teria inveja porque ele estaria “curtindo” enquanto me esforço pela santificação? “Não tenhas inveja dos homens malignos, nem desejes estar com eles.” Prov 24;1 Pedro pergunta: “Se o justo apenas se salva, onde aparecerá o ímpio, o pecador?” I Ped 4;18

Enfim, escândalos são inevitáveis; como reagiremos a eles, depende de nós. “Não porei coisa má diante dos meus olhos. Odeio a obra daqueles que se desviam; não se pegará a mim.” Sal 101;3

sábado, 21 de setembro de 2024

O Supremo no STF?


“Qualquer homem da casa de Israel, ou dos estrangeiros que peregrinam entre eles, que comer algum sangue, contra aquela alma porei Minha Face, e a extirparei do seu povo. Porque a vida da carne está no sangue; pelo que, vos tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas; porquanto é o sangue que fará expiação pela alma.” Lev 17;10 e 11

A proibição de comer sangue vem desde o Antigo Testamento, e foi reiterada no Novo. “... se abstenham das contaminações dos ídolos, da fornicação, do que é sufocado e do sangue.” Atos 15;20

As Testemunhas de Jeová, com sua interpretação peculiar das Escrituras, acrescentaram a prática medicinal da transfusão de sangue. Isso, segundo creem, estaria contrariando à Lei de Deus. 

O mandado entregue nos dias iniciais da caminhada do “Povo Eleito” com O Senhor, foi reiterado nos últimos dias de Moisés. “Somente esforça-te para que não comas sangue; pois, o sangue é vida; pelo que não comerás a vida com a carne;” Deut 12;23

Qualquer intérprete honesto das Escrituras entenderá que essa é a Vontade de Deus. Mas, já comemos morcilha, que leva sangue; como fica? Eu já o fiz, em dias que era estranho à Lei do Senhor. A Palavra ensina: “Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, em todo o lugar, que se arrependam;” Atos 17;30

Ignorarmos que algo contraria à Lei de Deus, não muda o fato que é um erro. Mas, por ser erro sem dolo, a Graça Divina tolera. Uma vez inteirados dele, se persistirmos, aí seremos responsabilizados.

Porém, nem carecemos de uma exegese mais aprofundada para entender que, o motivo do veto Divino, é que, a vida que está no sangue do animal abatido não se torne comida, alimento.

Há duas variáveis que os intérpretes da referida religião deixaram de considerar. Uma; o sangue pelo processo intravenoso não é alimento, estritamente; sua função orgânica, embora vital, é de oxigenar ao organismo, levar o “sopro da vida” a todas as células. Outra; a doação de sangue é feita voluntariamente por alguém que está vivo; de modo que, nenhuma violência, supressão de direitos ocorre.

Dois casos repercutem, de modo que o famigerado STF foi chamado a julgar sobre o direito de se portarem assim, os referidos religiosos.

O simples fato de carecer ser julgados por alguém “estrangeiro” à fé, é já um sinal de inépcia em interpretar o que está expresso claramente.

Paulo censurou aos cristãos coríntios, pois, levavam pleitos que poderiam ser resolvidos entre eles, ante juízes ímpios. “Mas o irmão vai a juízo com o irmão, isto perante infiéis. Na verdade, é já realmente uma falta entre vós, terdes demandas uns contra os outros. Por que não sofreis antes, a injustiça? Por que não sofreis antes, o dano? Mas, vós mesmos fazeis injustiça, fazeis o dano, e isto aos irmãos.” I Cor 6;6 a 8

Se não fosse a interpretação “sui generis” deles, tais pleitos seriam desnecessários. Aqueles que deveriam ser a luz do mundo, acabam batendo em portas escuras a mendigar, quando poderiam servir farta mesa.

Embora o “amor” difuso por aí tenha seus olhos sequiosos pelo querer, o amor ensinado pela Palavra de Deus, tem consórcio firmado com o verbo “dar”.

“O amor é sofredor, benigno; não é invejoso; não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca seus interesses...” I Cor 13;4 e 5

O Salvador deplorou a esse “amor” pródigo em palavras, e ermo de coração; “Este povo se aproxima de Mim com sua boca, Me honra com seus lábios, mas seu coração está longe de Mim.” Mat 15;8

Quando quis manifestar Seu Amor, O Eterno o fez de modo inefável. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que ‘deu Seu Filho’ Unigênito, para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha vida eterna.” Jo 3;16

Noutra parte, tendo o mesmo verbo como protagonista O Salvador assegurou: “Ninguém tem maior amor do que este; dar alguém a Sua vida pelos Seus amigos.” Jo 15;13

Logo, se o veto para comer sangue decorre de ser ele, a vida, e dar a vida é a maior demonstração de amor, possível, quem precisa do STF para decidir sobre isso?

É próprio de toda seita ter intepretações peculiares da Bíblia, coisa que ela veta, aliás. “... nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo.” II Ped 1;20 e 21

A Pessoa Bendita do Espírito Santo, a referida seita desconhece também; é dádiva de Outro Supremo, O Verdadeiro, O Único.

sexta-feira, 20 de setembro de 2024

Os escravos


“Melhor é o que tarda em irar-se do que o poderoso, o que controla seu ânimo do que aquele que toma uma cidade.” Prov 16;32

Um dos aspectos do “Fruto do Espírito” é domínio próprio. Na Antiga Aliança, o agir do Espírito Santo era mais estrito; Sua operação não era tão conhecida. Invés de um fruto espiritual, certa atitude era valorada como uma escolha filosófica pelo melhor.

O domínio sobre outrem foi posto como indesejável, enquanto, o que regia a própria vontade era quem escolhia a virtude. Do poder sobre outrem, foi dito: “Tudo isto vi quando apliquei meu coração a toda obra que se faz debaixo do sol; tempo há em que um homem tem domínio sobre outro, para desgraça sua.” Ecl 8;9

Infelizmente isso sempre aconteceu. Os egípcios dominaram mais de quatro séculos, nos últimos tempos, escravizaram aos hebreus. Quando da Divina intervenção, a libertação do povo e as dez pragas, restou um país arrasado, como punição. Os Babilônios escravizaram ao mesmo povo por setenta anos; depois, foram subjugados pelos medos e persas. Em geral, quem plantou opressão, acabou colhendo os devidos frutos.

A escravidão sempre foi um flagelo, com males para ambos os lados. Os escravos, por razões óbvias, não carecemos descrever suas dores. Os escravistas, inda que pudessem fruir aqui, frutos da sua perversidade, diante de Deus, os que não foram justiçados, lá o serão. “Os pecados de alguns homens são manifestos, precedendo o juízo; em alguns manifestam-se depois.” I Tim 5;24

Essa vergonhosa chaga também nos maculou. Felizmente, nos dias atuais, já não há espaço. Um ou outro incidente, pontual, acaba punido pela lei, se descoberto.

Por interesses ideológicos, muitos fundiram a escravatura ao racismo, como se fossem, necessariamente, frutos do mesmo baraço. Inclusive, movimentos antirracismo, chegaram a pleitear a remoção de certa frase do hino riograndense, pois, seria racista. “Povo que não tem virtude, acaba por ser escravo.” Diz.

Pelo menos três objeções me ocorrem, à ideia de alterarmos a letra do nosso consagrado hino. a) a escravidão não aconteceu somente em prejuízo dos negros. Vimos dois exemplos dos judeus; nepaleses sob domínio chinês, hindus de castas inferiores submissos às “superiores”, hititas, cananeus, sob o domínio dos hebreus, foram escravos, povos dominados pelos romanos, mongóis, também; etc.

b) os países que abasteciam aos navios negreiros eram governados por negros, com populações majoritariamente negras. Assim, como vendiam seus concidadãos aos escravistas brancos de outras nações, eram também culpados pela nefasta prática;

c) por fim, se a antítese da virtude é a escravidão, por certo, o autor não tencionava atingir à que tolhe a soberania e castra direitos civis. A escravidão da qual a virtude liberta é a dos vícios. Seja o escravo, quem for.

Há escravos da pornografia, mentira, lascívia, corrupção, do amor ao dinheiro, dos jogos de azar, das drogas, etc. Entre todas as cores e raças. O que é a conversão desejada pelo Salvador, Jesus Cristo, senão, uma libertação desse feitor impiedoso, o pecado?

Paulo ilustrou como esse tirano domina: “Porque o que faço não o aprovo; pois o que quero, não faço, mas o que aborreço, faço. Se faço o que não quero, consinto com a Lei, que é boa. De maneira que agora já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim.” Rom 7;15 a 17

Nossa inclinação natural precisa ser mortificada, e carecemos de uma injeção que nos “turbine”, para deixarmos a avenida costumeira da rebelião, (Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem pode ser. Rom 8;7) e sermos capacitados a abraçar a virtude em Cristo, como novo modo de vida. “Mas, a todos quantos O receberam, deu-lhes poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no Seu Nome;” Jo 1;12

Não é algo que ganhamos pronto, pré-fabricado; antes, somos potencializados, com a regeneração espiritual, e chamados às escolhas que se coadunam com a necessária santificação.

Paulo esmiúça: “quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano; vos renoveis no espírito da vossa mente; vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade. Por isso deixai a mentira, falai a verdade cada um com o seu próximo; porque somos membros uns dos outros. Irai-vos, mas, não pequeis; não se ponha o sol sobre vossa ira. Não deis lugar ao diabo.” Ef 4;22 a 27 etc.

Em Cristo nossa virtude não é estritamente nossa; foi nos dada a bendita “chave” que abre nossas “algemas”; cada tentação é uma oportunidade. De liberdade, ou escravidão. Então é vero o dito: “Povo que não tem virtude, acaba por ser escravo.”

Haters de Deus


“Porque eles mesmos anunciam de nós qual a entrada que tivemos para convosco; como dos ídolos vos convertestes a Deus, para servir O Deus Vivo e Verdadeiro.” I Tess 1;9

Igrejas da Acaia e Macedônia, tomavam como exemplo a mudança radical ocorrida em Tessalônica, desde quando, pela ministração de Paulo, os tessalonicenses abraçaram à fé.

Uma conversão coletiva, enseja mudanças profundas numa comunidade. Naquele caso, “... dos ídolos vos convertestes a Deus, para servir ao Deus Vivo e Verdadeiro.”

Toda a escolha encerra perdas. Suponhamos que alguém deva tomar para si um algarismo favorito de zero a nove: Ao dizer sim, ao de sua predileção, automaticamente disse não, os demais. Nas coisas do coração, quando se decide casar, a opção por um cônjuge, traz anexa a rejeição de todos as demais possibilidades, eventuais pretendentes.

De igual modo, a fé. Embora, a palavra da moda seja ecumenismo, todos deveriam se unir, mesmo, cada um preservando seu modo de crer, no tocante ao “Deus Vivo e Verdadeiro”, essa escolha exclui a todas as demais. Senão, O Todo Poderoso, Criador dos Céus e da Terra, seria do mesmo calibre que qualquer fantoche de humana feitura.

Em Tessalônica, cultuavam a ídolos, coisas derivadas das mãos humanas. O Eterno diz: “Eu sou O Senhor; este é O Meu Nome; Minha Glória, pois, a outrem não darei, nem Meu Louvor às imagens de escultura.” Is 42;8 “... nada sabem os que conduzem em procissão suas imagens de escultura, feitas de madeira, e rogam a um deus que não pode salvar.” Is 45;20 etc.

Sempre aparece um sofista a dizer que, não adora imagens, apenas venera; para defender que são como a fotos de um parente falecido; pior: Os que pegam incidentes onde, Deus mandou fazer imagem de dois querubins, ou, uma serpente de metal, como se isso legitimasse à idolatria.

Venerar e adorar são sinônimos; os tais cultuam imagens, lhes fazem procissões, coisas que não fazem ao Deus Vivo; dirigem orações às coisas mortas, como elas pudessem ouvir, e em todos os lugares, como se fossem onipresentes. Quanto à fotografia de um ente querido, ninguém faz orações, nem lhe fala, como se, o falecido inda vivesse; ninguém, psicologicamente sadio, ao menos.

Por ter, O Criador ordenado a confecção de certas imagens, derivar disso uma “permissão” tipo, se Deus pode, eu também posso, bastaria olhar para o que está criado, e pensar se também pode, antes da estupidez de pretender ter as mesmas prerrogativas.

Se o Eterno ordena a fazer algo para si, é a obediência que convém ao servo prudente. Quanto ao tema, porém, foi categórico: “Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque Eu, O Senhor teu Deus, Sou Deus Zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que Me odeiam.” Ex 20;4 e 5

Diferente do que possa pensar um incauto, a confecção de imagens proibidas não é uma forma de “enriquecer a fé”, tampouco, incrementar ou facilitar a adoração; antes, deriva de odiar ao Senhor.

Ninguém assumirá isso abertamente. “Aquele que odeia dissimula com seus lábios, mas no seu íntimo encobre o engano;” Prov 26;24 O mestre dos sofistas, que cega entendimentos dos incrédulos, Satanás, sempre prepara uma desculpa piedosa para que a desobediência, camuflada com tais vestes, não se mostre como é.

O amor a Deus não se manifesta com lisonjas, antes, com obediência à Sua Palavra; “Se Me amais, guardai os Meus mandamentos.” Jo 14;15 “Aquele que tem Meus mandamentos e os guarda esse é o que Me ama; aquele que Me ama será amado de Meu Pai; Eu o amarei, e Me manifestarei a ele.” Jo 14;21

Os reféns da Mentira, os “haters” de Deus, conseguem a proeza de sê-lo, fingindo servi-lo. Quem ama a Deus deveras, se incomoda com tudo o que contraia ao Espírito Santo, que nele está. “Pois o zelo da Tua casa me devorou, as afrontas dos que Te afrontam caíram sobre mim.” Sal 69;9

Quem se pretende, servo do Deus Vivo, mas, ao ver seu Senhor profanado, não arde em zelo, nem peleja em defesa da justiça e da verdade, não passa de um idiota útil da oposição, pela cegueira na qual erra.

A conversão salta aos olhos, pela mudança radical que enseja, como ocorreu em Tessalônica. Os que “servem a Deus”, mas ninguém sabe, não exibem sinais notórios disso, lograram a proeza de esconder algo que, O Salvador disse ser impossível: “... não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte...” Mat 5;14

quinta-feira, 19 de setembro de 2024

Os sábios


“Dá instrução ao sábio, e ele se fará mais sábio; ensina o justo e ele aumentará em entendimento.” Prov 9;9

O paralelismo sinonímico é uma característica da poesia hebraica. Onde, uma sentença esposa uma ideia, depois, reitera-a com outras palavras.

É o caso do provérbio supra. “Dá instrução ao sábio e ele se fará mais sábio", é sinônimo de: “Ensina o justo e ele aumentará em entendimento.”

Não parece contraditório que um sábio careça de ensino, instrução? Existem dois aspectos da sabedoria; o princípio e o contingente. O sábio em princípio é alguém que fez a escolha de lidar com os fatos, mesmo que esses lhe sejam adversos. De índole dócil, ensinável, temente a Deus; inda que, sabendo pouco, é um sábio em princípio, pela abertura da sua alma, que se faz permeável ao Senhor. “O temor do Senhor é o princípio do conhecimento...” Prov 1;7

Na segunda sentença, o “sábio” é chamado de justo; pois, além de aplicado ao aprendizado, o tal, é amigo da probidade, praticante da justiça. Essa qualidade lhe permite admitir suas insipiências, e questionar buscando aprendizado. Tem um lapso a preencher, mais que, uma coroa de latão a ostentar no inglório reino da presunção.

Entretanto, esse espécime é mais notório pela ausência, que, pela incidência em nossos dias, infelizmente. Cada um porta-se como sendo uma obra acabada, que não carece aperfeiçoamento, mandando longe qualquer tentativa de ensino; afinal, o Google lhe “ensina” tudo o que precisa saber. Os demais, que se mantenham distantes; afinal, não pagam suas contas. Se alguém discordar, corrigir, bastará cancelar ao “enxerido.”

Se me dissessem há alguns anos, que, roupas rasgadas seriam moda, dar tapas na cara seria uma competição com grande apelo, que homens lutariam boxe contra mulheres, pela derivação de uma doença ideológica, que escolheríamos nossos “representantes” colocando-os numa rinha, como galos, para vibrar com quem agride mais, eu me recusaria a acreditar que nos tornaríamos tão imbecilizados assim. Contudo, teria que me desculpar com meu hipotético profeta.

Tenho medo dos próximos passos dessa geração melindrosa, refratária ao conhecimento, aos valores e princípios, amoral e imoral. A decadência da espécie foi tida como inevitável, a Salomão: “Nunca digas: Por que foram os dias passados melhores do que estes? Porque não provém da sabedoria esta pergunta.” Ecl 7;10 Ou seja: A derrocada do “homo sapiens” seria tão esperável à sabedoria, que sequer estranharia sua incidência.

Porém, o aprendizado em si pode ser um cansaço inócuo, dependendo do quê, alguém está aprendendo. Paulo citou as mulheres que se deixavam ludibriar por mestres viciosos; “Porque deste número são os que se introduzem pelas casas, e levam cativas mulheres néscias carregadas de pecados, levadas de várias concupiscências; que aprendem sempre, e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade.” II Tim 3;6 e 7

Aprender a verdade deve ser nosso alvo, mesmo que, para tanto careçamos descartar muitas “certezas”, rever posturas, comportamentos, modo de pensar.

O conhecimento da verdade costuma ser um vento contrário nesse mundo de mentiras onde vivemos. Ora, a mentira airosa exibe seu “Ingrêis”, “fake News”; outra, se esconde no eufemismo de “narrativa”, mas, segue sendo a bosta de sempre. 

Podemos facilmente andar a favor do vento, sem necessidade de nos indispormos com “A” ou “B”; mas, ao “vestirmos a roupa da moda”, estaremos traindo a nós mesmos, privando-nos do que é valioso, pela acomodação preguiçosa ao mais fácil.

A recusa em conhecer à verdade é fatal. O Salvador ensinou: “... Se vós permanecerdes na Minha Palavra, verdadeiramente sereis Meus discípulos; conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.’ Jo 8;31 e 32

O problema é que para isso, carecemos uma mudança radical, tanto, que, soa como se nos anulássemos, pela verdade; “... Se alguém quiser vir após Mim, negue a si mesmo, tome sua cruz, e siga-me.” Mc 8;34

A sabedoria de quem confia em Deus, permite “ver” além das aparências, e apostar todas as fichas nas consequências que Ele garante: “Porque aquele que quiser salvar sua vida, perdê-la-á, e quem perder sua vida por amor de Mim, achá-la-á.” Mat 16;25 

Só os sábios de fato, se atrevem a tanto; “Todavia falamos sabedoria entre os perfeitos; não a sabedoria deste mundo, nem dos príncipes deste mundo, que se aniquilam; mas, falamos a sabedoria de Deus, oculta em mistério, a qual Deus ordenou antes dos séculos para nossa glória;” I Cor 2;6 e 7

A sabedoria que Deus lega, diferente do conhecimento que é amoral, tem consórcio com retidão, justiça, como vimos no princípio. “... o Senhor dá sabedoria; da Sua boca é que vem conhecimento e entendimento. Ele reserva a verdadeira sabedoria para os retos. Escudo é para os que caminham na sinceridade;” Prov 2;6 e 7