quarta-feira, 18 de setembro de 2024

Mosaico Papal


Fala do Papa Francisco na Ásia.

“Todas as religiões são um caminho para chegar a Deus. São como línguas diferentes, diversos caminhos para chegarmos lá. Mas Deus é Deus de todos. Se vocês começassem a discutir, a minha religião é mais importante que a tua, é verdadeira e a tua, não; onde isso nos levará? Meu Deus é mais importante que o teu; é sério isso? Há um só Deus e nossa religiões são linguagens, caminhos para levar a Deus. Uns são Sick outros, muçulmanos, outros, hindus e cristãos. São caminhos diferentes. Entendido?”

Entendido e aplaudido foi isso; para protesto, sobretudo, dos católicos, que o Pontífice deveria representar.

Sempre se ensinou que “fora da Igreja Católica não existe salvação.” Agora aparece um Papa “Infalível”, e assegura que todos os caminhos, diversos, antagônicos, levam a Deus. Natural a decepção dos que, têm que lidar com tamanha contradição.

Também discordo da fala, porém, por motivos distintos dos católicos. A Salvação nunca foi atrelada a uma instituição; antes a um relacionamento “A vida eterna é esta: que conheçam, a Ti só, por Único Deus Verdadeiro, e a Jesus Cristo, a Quem enviaste.” Jo 17;3

A tradição não está em pé de igualdade com A Palavra de Deus; aliás, Jesus censurou aos que, em defesa dela, anulavam à Palavra. “... invalidastes, pela vossa tradição, o mandamento de Deus.” Mat 15;6 “... invalidais o mandamento de Deus para guardardes vossa tradição.” Mc 7;9

Assim, quando uma tradição se chocar com A Palavra da Vida, para um vero cristão, não é difícil escolher. Fúteis são as coisas humanas; Pedro “o primeiro Papa” ensinou: “... Julgai vós se é justo, diante de Deus, ouvir-vos, antes que a Deus;” Atos 4;19

Invocar “santos” e Maria como mediadores, é uma tradição, que contraria à Palavra: “Porque há Um só Deus, e Um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.” I Tim 2;5

Chamar ao líder espiritual de pai, (Padre), também é uma tradição espúria. “A ninguém na terra chameis vosso pai, porque Um só é o vosso Pai, o qual está nos Céus.” Mat 23;9

O batismo infantil também é uma tradição avessa À Palavra. Devemos batizar quem crê; não, crianças incapazes para isso; etc.

Não raro, nos acusam que para nós tudo é a Bíblia. Quisera fosse, mas, muitos distorcem, omitem, malversam também. Alguém se dizer evangélico, protestante, não é sinônimo de ortodoxia, infelizmente.

Mas, quem leva devidamente a sério sua vocação em Cristo, não ousa fora dos limites estabelecidos. “Toda A Palavra de Deus é pura; escudo é para os que confiam Nele. Nada acrescentes às Suas Palavras, para que não te repreenda e sejas achado mentiroso.” Prov 30;5 e 6

Não de agora, quando vemos a coisa acontecendo aos nossos olhos, mas, há muito, os que conhecem e se baseiam na Palavra de Deus, como diretriz da vida, vêm alertando que chegará a ditadura da religião única, onde todas as crenças serão validadas, exceto, a Sã Doutrina de Cristo.

Esse levante contra O Ungido do Senhor está expresso: “Por que se amotinam os gentios, os povos imaginam coisas vãs? Os reis da terra se levantam, governos consultam juntamente contra o Senhor e contra Seu Ungido, dizendo: Rompamos Suas ataduras, sacudamos de nós Suas cordas.” Sal 2;1 a 3

Cristo É Categórico: “Eu Sou O Caminho, A Verdade e a Vida; ninguém vem a Pai, senão, por Mim.” Jo 14;6 

Para o Papa Papudo, animistas, falicistas, hinduístas, budistas, islâmicos, etc. estão todos certos, todos no caminho. (?)

Deus é Um só, dizem os sofistas. Pois, não apenas Deus, há mais coisas que são ímpares, e devemos considerar: “Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus, Pai de todos, o qual é sobre todos, por todos e em todos vós.” Ef 4;4 a 6

Ou regressamos a Ele nos Seus termos, ou nunca o faremos. Quem ensina diferente disso é assassino e pilantra.

A mega igreja global se estabelecerá e governará por uns dias. A intimidade com Deus prescreve que nos separemos do que é profano, invés de nos unirmos.

Ao sistema, pouco importa se os católicos estão zelosos pelo catolicismo. Farão o que lhes der na telha, ignorando protestos. Quisera, o zelo daqueles, fosse por Deus e Sua Palavra, não pela instituição e suas tradições.

A Igreja como conheceram acabará; em seu lugar a mega Babilônia global.

Que Deus lhes faça aprender que, o testemunho de salvação vem Dele, não de selos humanos. “O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.” Rom 8;16

segunda-feira, 16 de setembro de 2024

A maldição


“Como ao pássaro o vaguear, à andorinha o voar, assim a maldição sem causa não virá.” Prov 26;2

Alados quando voam, sempre o fazem por algum motivo; buscam alimento, água, construir um ninho, fugir de uma ameaça; aves migratórias entendem quando chega o tempo de partir. Enfim, o voo das tais, sempre tem uma causa.

Mas qual seria a causa da maldição? Antes de vermos isso, é necessário fazer distinção entre dois tipos de maldição. A que é proferida pelos lábios de alguém contra outrem, e a oriunda de Deus.

No que tange aos nossos lábios, somos ensinados a não incorrer nisso, sob pena de culpa. “Abençoai aos que vos perseguem, abençoai, não amaldiçoeis.” Rom 12;14 Afinal, O Salvador dissera: “Como quereis que os homens vos façam, da mesma maneira lhes fazei também.” Luc 6;31

Como não queremos ser amaldiçoados, que não sejamos amaldiçoadores também. Pois, amar ao semelhante é um mandamento. Não significa que devamos ser lisonjeiros com ele, gostar na marra, da sua companhia, tampouco, concordar com tudo o que ele faz; sendo nós justos, lenientes ante eventual falha, verazes e bondosos para com ele, estaremos manifestando um tratamento condizente com o amor que deve fazer ao próximo como deseja que aquele faça a si.

Porém, a maldição oriunda de Deus, sempre tem o pecado, a rebeldia, como causa. Quando cometido o primeiro, que ensejou a queda, entre outras coisas O Criador disse: “... Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida. Espinhos, e cardos também, te produzirá...” Gn 3;17 e 18

A primeira maldição acrescentou algo novo à criação. Espinhos e cardos. Desde então, a coisa só fez crescer. O pecado tornou o homem filho de Satanás, Jo 8;44; e a progressão da maldade por todas as partes também arrastou consigo as inevitáveis consequências; “A terra está contaminada por causa dos seus moradores; porquanto têm transgredido as leis, mudado os estatutos, e quebrado a Aliança Eterna. Por isso a maldição consome a terra...” Is 24.5 e 6

A Lei de Deus amaldiçoava a quem não a cumprisse cabalmente, coisa que nenhum ser humano consegue; “Todos aqueles, pois, que são das obras da Lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da Lei, para fazê-las.” Gál 3;10

Por isso nossa urgente necessidade de Jesus Cristo; “Cristo nos resgatou da maldição da Lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro; para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios por Jesus Cristo, para que, pela fé nós recebamos a promessa do Espírito.” Gál 3;13 e 14 O Salvador recebeu em Si, a maldição que caberia a nós, para que Nele, fôssemos abençoados.

Os que tentam fundir Cristo com a Lei de Moisés, exigindo a guarda do sábado, por exemplo, precisam ver mais detalhadamente o que era requerido nesse dia.

“Não acendereis fogo em nenhuma das vossas moradas no dia do sábado.” Ex 35.3 “... cada um fique no seu lugar, ninguém saia do seu lugar no sétimo dia.” Ex 16;29 Não cumprir cabalmente à Lei trazia maldição. Por isso, quem se abriga nela, acaba se apartando de Cristo que remiu quem crê. “Separados estais de Cristo, vós os que vos justificais pela Lei; da Graça tendes caído.” Gál 5;4

Deve significar algo, a última palavra do Antigo Testamento ser “maldição”; o primeiro ensino do Mestre, na Nova Aliança, começar com “Bem aventurado”; Mat 5;3 e, o último verso da Palavra, uma bênção rogando a Graça de Cristo. Apoc 22;21

Espinhos não faziam parte da criação, nem o pecado estava no Divino propósito. Fomos abençoados pela fé no Salvador, “... os que são da fé são benditos com o crente Abraão.” Gl; 3;9 Nossos “espinhos” foram tirados pelo perdão.

Tenhamos cuidado pois, para nos portarmos de modo a nos mantermos no lugar onde O Eterno ordena vida e bênção. “Porque assim diz o Senhor aos homens de Judá e a Jerusalém: Preparai para vós o campo de lavoura, não semeeis entre espinhos.” Jr 4;3

Desde outrora, Deus tem chamado o homem às melhores escolhas. “Céus e Terra tomo hoje por testemunhas contra vós, de que te tenho proposto vida e morte, bênção e maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência, amando ao Senhor teu Deus, dando ouvidos à Sua Voz, e achegando-te a Ele; pois Ele é a tua vida e o prolongamento dos teus dias...” Deut 30;19;20
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domingo, 15 de setembro de 2024

O que ler?


“Persiste em ler, exortar e ensinar, até que eu vá.” I Tim 4;13

Recebi de um amigo que me honra lendo meus textos, o pedido de indicação de leituras relevantes.

Pensei um pouco, mais um pouco, algumas dezenas de títulos se deixaram fotografar na parede da memória. Mesmo assim, não me atrevi a recomendar nenhum. Uma série de “efeitos colaterais” me assustaram.

Já aconteceu de alguém me indicar algo “imperdível;” eu ler sem ter me empolgado. Certamente, coisas que indiquei também passaram pelo mesmo crivo, decepção.

Por que isso acontece? Porque temos necessidades e paladares diferentes, e estamos em estágios distintos em nossa escalada de aprendizado. Assim, nem sempre o que soa aprazível a um, tem o mesmo resultado a outro.

Podemos ainda, diferir sobre o que buscamos, quando lemos. Em se tratando de teor espiritual, nenhum cristão colocará nada no lugar da Palavra de Deus. Além da teologia, para a devida interpretação, bons autores, como Charles H. Mackintosh, Charles Spurgeon, Don Richardson que seu espetacular “O Fator Melquisedeque”, algo sobre os puritanos, Dave Hant, com “A sedução do Cristianismo” e “Escapando da Sedução”, foram leituras que me fizeram bem.

A Palavra coloca um conselho sobre a busca da sabedoria: “Examinai tudo. Retende o bem.” I Tess 5;21

Assim, o fato de alguém ser Arminiano, não deve tolher que leia bons autores Calvinistas, e vice-versa. Eu sou cristão, entretanto, li o “Alcorão” mais de uma vez; “o Livro de Mórmon”, “O Grande Conflito”, alguns títulos espíritas, livros de psicologia, e muitos de filosofia. Qual o proveito? Não sei. Mas, na pior das hipóteses, um livro com teor que descremos, enriquece nosso vocabulário, permite conhecer os motivos de quem crê diferente, nos qualificando a argumentar com conhecimento, quando falarmos com um desses.

Quem gosta de sensibilidade apurada e linguagem poética, Antoine de Saint Exupèry, com a “Terra dos Homens” e “O pequeno Príncipe”, embora não tenham teor espiritual, mostram profunda habilidade na leitura da alma humana, e grande riqueza poética no modo como isso é expresso.

Se outrem desejar aprender com certo humor, “O Elogio da Loucura” de Erasmo de Roterdã é um achado. Na filosofia, “O Livre Arbítrio” de Artur Schopenhauer me ajudou. Os diálogos de Platão, Górgias, Teeteto, A República, Sofista, Fédon etc. também têm seu valor. Não significa que concordo, necessariamente, com tudo que está exposto lá. Na receita aquela do “examinai tudo e retende o bem”, devemos ser cuidadosos. Se, no método argumentativo a dialética é admirável, no teor, nem sempre o que se lê nos soa digno, probo.

Li “O Mundo de Sofia” de Jostein Garden; é uma espécie de sumário da história da Filosofia, desde os pré-socráticos, até meados do século XX. O autor não esposa nenhuma visão, apenas, menciona cada uma expondo o que essa defendia, em linhas gerais.

A busca da sabedoria deve ter a avidez de um garimpo, segundo o mais sábio entre os homens, Salomão. “Se clamares por conhecimento, por inteligência alçares tua voz, se como a prata a buscares, como a tesouros escondidos a procurares, então entenderás o temor do Senhor, e acharás o conhecimento de Deus. Porque o Senhor dá sabedoria; da Sua Boca é que vem o conhecimento e entendimento.” Prov 2;3 a 6

Já ouvi pregadores com sua exagerada ênfase no “poder”, baixando a lenha em outros que citam filósofos em suas mensagens. Ora, quando a citação serve para enfatizar uma verdade bíblica, como a aversão à luz ensinada por Cristo em João Cap 3; 19 a 21 Foi Platão que disse: “Trágico não é a criança com medo do escuro; antes, os adultos com medo da luz.” Qual problema citar algo assim?

Paulo menciona o cretense Epimênides na carta a Tito. Tt 1;12 Pediu certa vez: “Quando vieres, traze a capa que deixei em Trôade, em casa de Carpo e os livros, principalmente, os pergaminhos.” II Tim 4;13

Portanto, querido irmão, perdoe-me se não me atrevo a prescrever esse ou aquele livro. Talvez, o maior trunfo de um autodidata, (Um idiota por conta própria, como definiu o Quintana) seja ele não receber “nada” em troca de seus estudos.

Difere de quem busca se formar por um diploma, e um labor naquilo que se habilitou que permita ganhar a vida; natural e honesto, isso. Quem busca ao conhecimento “apenas” por ele mesmo, tem melhores chances de apreciá-lo em seu real valor.

Se, por um lado, tudo recebemos do Senhor; Ele nos capacita ao aprendizado; por outro, nossas escolhas terão consequências. Foi a um que desde criança estudava, que foi dito: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a Palavra da Verdade.” II Tim 2;15

Pablo Marçal


“O temor do Senhor é o princípio do conhecimento; os loucos desprezam sabedoria e instrução.” Prov 1;7

Vendo parte de uma “entrevista” do candidato a prefeito de São Paulo, Pablo Marçal, uma “jornalista” queixou-se que ele respondera uma pergunta com outra; ele se defendeu: “Isso é um princípio de sabedoria.”

Destaquei a palavra entrevista, e seus agentes, jornalistas, entre aspas, pelo triste fato que, grande parte de nossa imprensa, escrita, televisada e falada deixou de fazer jornalismo há muito, e passou a fazer militância política.

Se, o inquirido é daqueles pelos quais militam, são dóceis, servis, só fazem questionamentos ensaiados, sem nenhum risco de constrangimento; todavia, quando é um desafeto assentado entre eles, a mesma planta que antes exalara perfume se torna “carnívora” e tudo faz para devorar, a quem deveriam apenas questionar e deixar responder como aprouvesse.

Assim, ser o entrevistado, arredio, é compreensível. Sua agressividade e má vontade é um recurso de legítima defesa.

Não estou no rol dos admiradores de Marçal, malgrado, tenha tripudiado, nos debates com os demais concorrentes e com a imprensa que, invés de inquirir, de certa forma, debate também. Torço que ele vença por duas razões: Seus concorrentes são muito ruins; e ele defende valores de direita, com os quais me identifico, só isso.

O sujeito tem rapidez de raciocínio, boa gama de informações, célere trânsito no mundo virtual, negócios, e habilidade retórica notável. Contudo, essas qualidades não bastam para forjar a integridade. Certamente servem para os embates nos quais ele está envolvido; mas, nem tudo na vida é uma questão de velocidade, nem acúmulo de bens.

A rapidez na arte de falar costuma ensejar alguns acidentes. “Não te precipites com tua boca, nem teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus; porque Deus está nos Céus, tu estás sobre a terra; assim sejam poucas as tuas palavras. Porque da muita ocupação vêm os sonhos, a voz do tolo, da multidão das palavras.” Ecl 5;2 e 3

Assim, voltando ao começo, princípio de sabedoria é o “Temor do Senhor.” Responder perguntando é redarguir, coisa que qualquer beócio consegue.

Infelizmente, em muitas palestras que ele deu na ocupação de coach, foi flagrado em grotescas mentiras, e, manipulação de eventuais “assistidos” descontentes com a contrapartida dele, pelo alto valor cobrado.

A arte de fazer as coisas acontecerem é melhor que a inércia; entretanto, o ativismo em si é amoral. A vera sabedoria, além de dominar o “como” fazer, requer a integridade de um “porquê?”

Nesse prisma de um viver alinhado ao Divino propósito, a cultura, a versatilidade retórica, a rapidez de locomoção ou raciocínio não contam. “Voltei-me, e vi debaixo do sol que não é dos ligeiros a carreira, nem dos fortes a batalha; tampouco, dos sábios o pão, ou, dos prudentes as riquezas, nem, dos entendidos o favor, mas que o tempo e a oportunidade ocorrem a todos.” Ecl 9;11

Os que temem Ao Senhor, o bastante para adotarem como normas de vida, os Divinos Ensinamentos, por simples e incultos que sejam, são sábios pelo valor da escolha que fazem.

Não é problema o sujeito ter determinados predicados; entretanto, não deve confiar neles nem os considerar como substitutos de Cristo, como fez Paulo que tinha vasta cultura. “Na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo.” Fp 3;8

Submetidos ao Senhor, de onde os mesmos vieram, os dons se tornam bênçãos, como os de Paulo que, o capacitaram a escrever grande parte do Novo Testamento.

Nos dias de Sócrates, os sofistas, hábeis na retórica e descompromissados morais, eram desprezados pelos filósofos. Esses buscavam pela verdade, mesmo que, eventualmente estivesse em domínios alheios; aqueles, prevalecer num debate, ainda que, para tanto, usassem a mentira. Eram obreiros amorais aptos a produzir crença sem ciência, apenas.

Nós outros, decorridos 2500 anos, estaríamos no mesmo lugar; a apreciar a loquacidade vazia, onde deveríamos buscar pela verdade.

Há porções de saber ao alcance, no âmbito experimental, como esposavam os empiristas; outras, acessíveis apenas no escopo racional, como defendiam os racionalistas; mas, nada, por esse método ou aquele, deve desafinar das diretrizes espirituais legadas pelo Senhor, sob pena de confundirmos o ouro de tolos, com o nobre metal.

Alguns séculos antes de Sócrates, Jeremias já dissera: “Eu sei, ó Senhor, que não é do homem seu caminho; nem do homem que caminha o dirigir seus passos.” Jr 10;23

A vida real não é tão administrável, quanto, a virtual. Num debate, basta ser mais veloz. Mas, como dizia Joelmir Betting, “Na prática, a teoria é outra.”

sábado, 14 de setembro de 2024

A nova Lei


“Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte.” Rom 8;2

Paulo está dizendo que uma Lei libertadora nos tirou das garras de outra, mortal. Mudança necessária, tendo, a relação do homem com Deus progredido do sacerdócio levítico para outro, superior. “Porque, mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também, mudança da lei.” Heb 7;12

Não se trata de algum “aperfeiçoamento”, como se, O que É Perfeito em Sabedoria, tivesse criado algo rudimentar, tosco, e vendo a inutilidade, refizesse num molde melhor. Paulo ensina: “... a Lei é Santa, o mandamento santo, justo e bom.” Rom 7;12

O propósito da Lei nunca foi salvar. Visava expor nossa pecaminosidade, necessidade de salvação. Assim, “... vindo o mandamento, reviveu o pecado, e eu morri. O mandamento que era para vida, achei que era para morte.” Rom 7;9 e 10 Nesse sentido, a letra mata; os Divinos mandamentos evidenciam nossa culpa e nos fazem réus de morte; em Cristo, fomos chamados a “... um novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, o espírito vivifica.” II Cro 3;6

Eis, o Divino propósito na Lei! “... a Lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados.” Gál 3;24

Mandamentos sobre amar a Deus, ao próximo, e honrar aos pais não perderam vigência. A “Lei do Espírito de Vida” foi além do “cumprimento” exterior; propiciou tratamento das causas.

A purificação do Salvador excede em muito aos corpos, regenera consciências. “Porque, se o sangue dos touros e bodes, a cinza de uma novilha esparzida sobre os imundos, os santifica, quanto à purificação da carne, quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito Eterno se ofereceu imaculado a Deus, purificará vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus Vivo?” Heb 9;13 e 14

O sábado, além de um testemunho sobre, ao qual Deus, serviam os Hebreus, era um cuidado amoroso com a saúde humana. “... o sábado foi feito por causa do homem...” transgredi-lo era grave como a outro mandado qualquer. Cristo diz que “... É lícito fazer bem nos sábados.” Mat 12;12

A observância da lei como meio de salvação, desvia da Graça em Cristo, por pretender colocar a “justiça” humana, onde só a Divina é suficiente; quem assim faz, invés de obediência, manifesta rebeldia; “Porquanto, não conhecendo a justiça de Deus, procurando estabelecer a própria justiça, não se sujeitaram à justiça de Deus.” Rom 10;3 a insubmissão é característica da carne; “Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, pode ser.” Rom 8;7

Se Deus mudou algo que Ele mesmo estabeleceu, para um patamar superior, não nos cabe questionar; apenas, obedecer. A recusa implica em nova queda. “Separados estais de Cristo, vós que vos justificais pela Lei; da graça tendes caído.” Gál 5;4

Quem rejeita ao Senhor, porque teria algo melhor, Moisés, carece entender bem o lugar de cada um; “Porque Ele é tido por digno de tanto maior glória que Moisés, quanto maior honra que a casa tem aquele que a edificou.” Heb 3;3

Não apenas num dia da semana, mas em todo o tempo, devemos andar em Espírito, em submissão ao Espírito Santo que O Salvador enviou para nos conduzir; Ele a todo momento selará suas diretrizes em nosso espírito, seja o dia da semana, que for. Se assim fizermos, “... nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito.” Rom 8;1

A não observância do sábado não é uma facilitação das coisas para nós; antes, deriva da nossa compreensão do propósito Divino, que requer de nós coisas ainda melhores. A Lei continua valendo; por Ela Deus julgará o mundo. Mas os que recebem a Cristo, “morrem” para ela e renascem para outra, superior. “Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a Lei pelo corpo de Cristo, para que sejais de outro, daquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que demos fruto para Deus.” Rom 7;4

Alguém quer descansar no sábado, qual o problema? “Um faz diferença entre dia e dia, outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em sua própria mente.” Rom 14;5

Apenas não convertam isso em “Selo de Deus”, porque não é, nem o domingo em “marca da besta”, que é igualmente, tolo.

O Selo de Deus é O Espírito Santo; “Não entristeçais O Espírito Santo de Deus, no qual estais selados...” Ef 4;30 a marca, um código de acesso ao sistema global, onde estará o dinheiro digital.

Quem andar em espírito, pelo Espírito terá livramento oportuno.

sexta-feira, 13 de setembro de 2024

O escudo da dúvida


“No amor não há temor, antes, o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena; o que teme não é perfeito em amor.” I Jo 4;18

Sempre tivemos como antídoto ao medo, coragem. No entanto, o verso supra esposa que o perfeito amor basta para lançar fora o medo; como? Deve haver alguma razão para as centenas de “não temas” e similares, da Palavra de Deus.

Talvez, não tenhamos conseguido ainda avaliar devidamente, a força do amor. Paulo mencionou um hipotético ato de bravura, que, seria inútil sem esse sentimento; “... ainda que entregasse meu corpo para ser queimado, se não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.” I Cor 13;3 Necessário que o amor seja maior que a coragem, pois.

O Salvador disse: “Onde estiver vosso coração, aí estará vosso tesouro”; o que mais alto valoramos, o que mais amamos, mais tememos perder; por quê? Certamente por padecermos de um amor imperfeito, rasteiro, que se apega a coisas, posições efêmeras, mais que às eternas.

O Sinédrio condenou Jesus à morte por medo de perder sua posição. Barjesus o mago, falso profeta, resistia à mensagem de Paulo, temendo perder sua influência na casa do procônsul, Sérgio Paulo. Ver Atos 13, 6 a 10.

Muitos líderes de sinagogas, quando a mensagem do Evangelho crescia entre eles, com aceitação popular, também se excitavam pelo mesmo medo. “No sábado seguinte ajuntou-se quase toda a cidade para ouvir a Palavra de Deus. Então os judeus, vendo a multidão, encheram-se de inveja e, blasfemando, contradiziam o que Paulo falava.” Atos 13;44 e 45 etc.

Se o temor traz consigo a pena, implica que os que amam de modo imperfeito sabem disso; mas, preferem um “amor” adoecido de resultados imediatos, em prol do seu comodismo, que, o perfeito amor, o qual, permite que a própria vida seja ceifada, quando for o caso, mas não se permite amar diferente do que O Eterno ensinou. “... Amarás O Senhor teu Deus de todo teu coração, toda tua alma e todo teu pensamento.” Mat 22;37

Jó, no auge da dor recusou a duvidar de Deus; “Ainda que Ele me mate, Nele esperarei; contudo, meus caminhos defenderei diante Dele.” Jó 13;15

Ou, os jovens ameaçados com a fornalha de fogo em Babilônia, por se recusarem a uma adoração idólatra; desafiados pelo rei, responderam: “Eis que o nosso Deus, a quem nós servimos, é que nos pode livrar; Ele nos livrará da fornalha de fogo ardente, e da tua mão, ó rei. Se, não, fica sabendo ó rei, que não serviremos a teus deuses nem adoraremos a estátua de ouro que levantaste.” Dn 3;17 e 18

Esse “se, não”, é o mais bonito da declaração de fé dos jovens hebreus. Diferente da presunção a esposar que Deus fará algo apenas porque eu creio, a fé verdadeira deixa um “se, não”, uma porta aberta à Divina Soberania, que, pode fazer diverso do que espero, sem por isso, deixar de ser Sábia, ou Amorosa. O perfeito amor confia em quem ama, não nos próprios anseios, nos quais, o amor egoísta e enfermo, costuma ancorar.

A fé sadia tem melhores Objetos, que, objetivos. “... credes em Deus, crede também em Mim.” Jo 14;1

Se, acredito que Deus É Eterno; que seguindo-o e obedecendo-o, recebo vida eterna, por que me agarraria com força a essa vida, como se ela fosse tudo o que tenho? Caso o fizesse, negaria minha fé agindo na contramão. “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens.” I Cor 15;19

Tiago ensina: “Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, também a fé, sem obras é morta.” Tg 2;26

Em alguns casos, as “obras” da fé são passivas. Fazer caridade ao próximo, porque O Amor de Cristo requer, anunciar a salvação, são situações ativas. Padecer incompreensões, perseguições, decepções, sem descrer em Quem cremos, não. Nesses casos, a fé atua em consórcio com alguém inda maior que ela; o amor. “Agora, pois, permanecem fé, esperança e amor; estes três, mas o maior destes é o amor.” I Cor 13;13

Afinal, fé é uma “criatura”; Jesus É “... autor e consumador da fé...” Heb 12;2 O Amor permeia O Divino Ser; “Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus É Amor.” I Jo 4;8

Os que se dão a comportamentos opostos ao Divino querer, escudados no, “Deus É Amor”, manifestam de modo oblíquo o egoísmo, amando aos próprios anseios, mais que, aos do Eterno. Seus “escudos” testificam de seus medos.

O amor não carece escudos; seu alvo está fora de si; “O amor... não se porta com indecência, não busca seus interesses...” I Cor 13;5

quinta-feira, 12 de setembro de 2024

Vencedores


“... Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da Árvore da Vida, que está no meio do Paraíso de Deus.” Ap 2;7

Vencer, em geral não é devidamente entendido. Se alguém teve um pretérito de privações, e, de repente, por alguma contingência for guindado a uma situação onde passe a ganhar muito dinheiro, presto dirão que venceu na vida.

Alguns exacerbam na pretensão. Um que, na carência morou numa favela, agora, na fartura sente-se como se representasse a todos daquele lugar. “A favela venceu”. Nesses casos é a falta de noção que triunfa.

Não tem nada a ver com vitória, migrar da necessidade à fartura. As posses são coisas instáveis; tanto um paupérrimo pode galgar alturas, quanto, um abastado ir à falência. Quem jamais viu, ou soube?

As posses facilitam a vida terrena, nada além dela; “Morrendo o homem perverso perece sua esperança, acaba-se a expectação das riquezas.” Prov 11;7

Então, qual deve ser nossa aquisição prioritária? A Sabedoria diz: “Riquezas e honra estão comigo; assim como os bens duráveis e justiça.” Prov 8;18 A justiça “compra” grandes coisas; “De nada aproveitam, riquezas no dia da ira, mas a justiça livra da morte.” Prov 11;4

A terra costuma corroborar ao que conquista grandes coisas, o Céu, em geral aprova ao que labora por legítimos meios, conquistando coisas, ou, não. “Se alguém milita, não é coroado se não militar legitimamente.” II Tim 2;7

Mesmo numa caminhada meritória, como estava Paulo, por não ter terminado ainda sua jornada, foi comedido; não convém ao homem prudente cantar vitória antes do tempo. “Porque em nada me sinto culpado; - disse - nem por isso me considero justificado, pois quem me julga é O Senhor.” I Cor 4;4

Prosperar materialmente é a sina natural de todo ser humano; trabalhamos para tanto. Os frutos do trabalho são apenas isso. Quando laboramos vencemos apenas à preguiça.

Muitos vão se perder, atolados em dinheiro, infelizmente, porque viveram como se, amontoar metais fosse o sentido da vida.

Aliás, a primeira credencial para uma vida vitoriosa é entendermos o porquê estamos aqui, qual o fim, o objetivo de nossa existência terrena. Paulo ensina: “De um só sangue (Deus) fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e limites da sua habitação; para que buscassem ao Senhor, se porventura, tateando, O pudessem achar; ainda que não está longe de cada um de nós;” Atos 17;26 e 27

Como “matéria-prima” nos é dado um limite de tempo e espaço, como alvo, buscarmos a Deus; parece necessário que, vencem, aqueles que logram esse objetivo.

Cristo veio para ensinar Sua Doutrina, dar Sua Vida em resgate por todos os que se arrependessem; no exato momento que Sua Obra estava sendo completa, bradou: “Está consumado!” Estranha vitória!! Todavia, foi a maior de todas, em todos os tempos. O triunfo do amor ao ódio; conquista da Luz sobre as trevas; vitória da verdade sobre a mentira; superação da morte, pela vida.

O mesmo Paulo que, em meio a uma vida honrosa em Cristo, recusou-se a cantar vitória precipitadamente, quando estava na reta final, convicto do que faria, até o fim, foi ao encontro da morte como quem sobe a um podium. “Porque eu já estou sendo oferecido por aspersão de sacrifício, e o tempo da minha partida está próximo. Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual O Senhor, Justo Juiz, me dará naquele dia; não somente a mim, mas também a todos que amarem a Sua vinda.” II Tim 4;6 a 8 Do seu modo disse: Eu venci.

Se vencer na vida fosse ser famoso ou rico, os tais não se suicidariam. Jim Carrey disse: “Eu acho que todo mundo deveria ficar rico, famoso e fazer tudo o que sempre sonhou, para que possa ver que essa não é a resposta.” Ele é rico e famoso, mas parece que, ainda não, vencedor.

O irônico é que ele fez “Bruce Noland” em “O Todo Poderoso” sujeito que queria ser rico e famoso, mas, aprendeu que a simplicidade na vontade Divina é melhor. Talvez, o personagem não tenha conseguido influenciar ao intérprete.

Deus não terá perdedores consigo. No entanto, a vitória que conta, deveras, tem a ver com frutos espirituais, não com impérios que caem, nem com renome que é produto da idolatria e ignorância dos derrotados.

Não dar a coisas fúteis a relevância que elas não têm, é já um bom começo para sermos vencedores. “Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; esta é a vitória que vence o mundo, nossa fé.” I Jo 5;4