domingo, 1 de setembro de 2024

Morte e vida


“Porque aquele que está morto está justificado do pecado.” Rom 6;7

Isso, se lido de modo superficial pode dar azo a interpretações espúrias, distantes da intenção do autor. Já há no imaginário popular, uma espécie de sagração da morte, como se ela apagasse tudo de ruim que fazemos, e nas suas asas, todos seriam salvos, passariam a um estado de ventura.

Quando morre alguém, sobretudo, famoso, não importa quais escolhas tenha feito aqui, no escopo espiritual, dizem que “Passou pro andar de cima”, “tornou-se uma estrela no firmamento”, quiçá, um guardião que velará pelos que lhe eram queridos.

Não raro, estendem o modo de vida que o finado levava na terra, como se lá fosse mera continuação das mesmas coisas. Se era cantor, passará a “cantar para Deus”; era um jogador de futebol, “desfilará nos campos celestes”; etc. O artifício e a humana imaginação, não são nada além disso.

Será que as coisas são mesmo assim? Que, não importa quais atos pratiquemos, no final, com a morte tudo será esquecido, todos seremos salvos? Não seria essa a ideia do verso em apreço, “Aquele que está morto, está justificado do pecado?” O simples fato de ter morrido zerou suas dívidas, aparecerá justo diante de Deus?

Justificar, aqui, não significa inocentar, antes, dar o pagamento justo, o que merecem os atos do sujeito. No mesmo contexto encontramos: “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor.” Rom 6;23

Restaria a ideia da inexistência dos que morrem em pecado, e a vida eterna apenas aos salvos. Mas, não é isso que A Palavra de Deus ensina. Nesse caso as pessoas apostariam suas fichas todas nos prazeres pecaminosos daqui, finda a vida, nada a temer.

O Salvador ensinou diferente: “Eu vos mostrarei a quem deveis temer; temei Aquele que, depois de matar, tem poder para lançar no inferno; sim, vos digo, a Esse temei.” Luc 12;5 Após a morte inda restam contas em aberto.

No caso de tudo findar na morte, poderiam escarnecer de Deus, o que muitos fazem, infelizmente, sem consequências, sem ceifar o devido juízo. “Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso ceifará. Porque o que semeia na carne, da carne ceifará corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará vida eterna.” Gál 6;7 e 8

A corrupção da carne não significa inexistência; “Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para vida eterna, outros para vergonha e desprezo eterno.” Dn 12;2

Logo, a morte física é o fim apenas do tempo que nos foi dado para reencontrarmos o rumo de casa; recebemos certo limite de espaço e tempo, “Para que buscassem ao Senhor, se porventura, tateando, o pudessem achar; ainda que não está longe de cada um de nós;” Atos 17;27 Isaías sinaliza a urgência com que devemos cuidar disso: “Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto.” Is 55;6 Esse “enquanto se pode achar” subentende a vinda de um tempo em que não será mais possível.

A ideia da conversão esposada por Paulo, é anteciparmos nossa "morte", por uma mudança de mentalidade e atitudes tal, que seria como se, morrêssemos juntamente com Cristo; “Negue a si mesmo” dissera Ele; não por deixar de existir, mas por levar a vontade do Pai às últimas consequências, para que essa identificação na morte, satisfaça à Justiça Divina de modo a nos legar o dom da vida.

“Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na Sua morte? De sorte que fomos sepultados com Ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela Glória do Pai, assim andemos também em novidade de vida.” Rom 6;3 e 4

Tal morte, Paulo explica, requer um não conformismo com o jeito mundano de ser, o sacrifício dos nossos desejos pecaminosos, para que possamos andar segundo a vontade de Deus; “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” Rm 12;1 e 2

Assim, “Aquele que está morto está justificado do seu pecado”. Pois, que “morreu” em Cristo, vive Nele, com Ele, para Ele. A justiça do Salvador é atribuída ao Seu servo, que mesmo nessa vida, espiritualmente, ingressa na vida eterna, como aconselhou o apóstolo: “Milita a boa milícia da fé, toma posse da vida eterna, para qual também foste chamado...” I Tim 6;12

sábado, 31 de agosto de 2024

Os imitadores


“Aprendem sempre, e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade. Como Janes e Jambres resistiram a Moisés, assim também estes resistem à verdade, sendo homens corruptos de entendimento, réprobos quanto à fé.” II Tim 3;7 e 8

Falsos obreiros, que vão de casa em casa ensinando erros e cativando gente incauta, com suas mensagens palatáveis aos ímpios paladares, desprovidas de verdade.

Alguns, equacionam o aprender algo, com saber a verdade. O efeito colateral dessa apostasia traz: “... cativas mulheres néscias carregadas de pecados, levadas de várias concupiscências;” v 6

A verdade, invés de cativar, como fazem as doutrinas espúrias das seitas, forja homens livres, servos apenas de Cristo. “Jesus dizia, pois, aos judeus que criam Nele: Se vós permanecerdes na Minha Palavra, verdadeiramente sereis Meus discípulos; conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” Jo 8;31 e 32

O conhecimento prático da verdade liberta; permanecer na Palavra é praticá-la. Necessária a conclusão que, o que aprisiona é a mentira.

Não por acaso, os proponentes dessas coisas, invés de forjar pessoas livres as têm cativas.
Às seitas não basta O Senhor; sempre concorre um suplemento revelado a esse profeta, àquela profetisa, uma interpretação peculiar de determinado líder que reinventa a roda, redescobre a pólvora. O que tem de “melhor” para o paladar carnal, nos ensinos sectários é que eles geralmente são “superiores” aos ensinos de outrem, que não tem consigo as mesmas “revelações”. O orgulho religioso de não ser “tapado” como os demais é um banquete à carne, que deveria ter sido crucificada, invés de alimentada. Eis o “tempero” que mantém saciado o paladar dos sectários!

Assim, invés de uma busca íntima de adequar o próprio viver a Cristo, acaba buscando se adequar, o sonolento prosélito, à seita e suas idiossincrasias “superiores”. 

Cristo foi categórico: “Se vós permanecerdes nas Minha Palavra, sereis Meus discípulos,” o que implica que os que caem após a sedução dos sectários conheceram-na, eventualmente; mas, não permaneceram. Faltou-lhe perseverança. Foram seduzidos por algum simulacro.

Qual o método, farsantes usam para cativar após si, os que deveriam seguir livres em Cristo? “... como Janes e Jambres resistiram a Moisés, estes resistem à verdade...”

Os magos do Faraó resistiram a Moisés forjando “milagres” semelhantes aos dele. Resistiram por imitação, até onde lhes foi possível. Porém o teatrinho barato deles, achou termo. Se, com seu ilusionismo maligno pareceram fazer sinais, como Moisés, quando Deus, através dele transformou poeira em piolhos, eles largaram suas cartolas. “Então disseram os magos a Faraó: Isto é o Dedo de Deus...” Ex 8;19 Não brinco mais. 

Os imitadores atuais, certamente sabem a diferença, mas suas vítimas, não. Não foram treinadas a pensar livremente para discernir.

A parte “eloquente” de Cristo em nós, que evidencia que coisas antes mortas, passaram à vida, nossas almas, não é nos tornarmos versados nas línguas originais; capazes de pregar com grande eloquência, conhecermos o panorama bíblico inteiro, operarmos sinais, entregarmos supostas profecias, revelações.

Isso pode fazer parte do pacote de uma vida em Cristo, dependendo de escolhas humanas, no caso da busca pelo preparo, e Divinas, no sentido de legar dons. Porém, o “Selo do INMETRO” de nossa salvação, é o caráter transformado, segundo O Senhor; “O fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que são Seus; qualquer que profere o Nome de Cristo aparte-se da iniquidade.” II Tim 2;29

Estamos num grande teatro; os que nos cercam são a plateia; “Não se acende a candeia e coloca debaixo do alqueire, mas no velador; dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça vossa luz diante dos homens, para que vejam vossas boas obras e glorifiquem ao vosso Pai, que está nos Céus.” Mat 5;15 e 16

Em Cristo, a luz da verdade é acesa dentro, e requer um modo de agir que seja a difusão dessa luz que recebemos, mediante condigno modo de vida.

Por fim, não há inocência nos que são enganados, uma vez que, são “corruptos de entendimento, réprobos quanto à fé.” A corrupção requer dois lados concomitantes; corruptor e corrompido. O que propõe e o que aceita aos ensinos errôneos. O falso obreiro é uma resposta de Satã, aos desejos dos que, tendo uma índole religiosa, não a têm obediente, senão, ficariam em Cristo.

Nessas almas, “Janes e Jambres” dominam, distribuindo seus placebos “espirituais.”

“Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme suas próprias concupiscências; desviarão ouvidos da verdade, voltando às fábulas.” II Tom 4;3 e 4

Faraó tem dias contados. Quem seguir aos servos dele, perecerá junto. “Mas o que me der ouvidos habitará em segurança, estará livre do temor do mal.” Prov 1;33

sexta-feira, 30 de agosto de 2024

"Quem sou eu para julgar?"


“Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça.” Jo 7;24

O “não julgueis” tem sido o biombo favorito dos desobedientes, que, denunciados por seus descaminhos, correm para trás dele.

Faça-se aos tais, uma pergunta objetiva sobre as perversões sexuais da moda, sobre o que esbarra na aversão do Senhor, e logo se esconderão atrás de um “versículo” que alguém inventou para esse fim; fugir da Palavra de Deus. “Quem sou eu para julgar?”

Sobre a capacidade humana, foi dito que Deus fez o homem, “... pouco menor que os anjos; de glória e honra o coroaste. Fazes com que ele tenha domínio sobre as obras das Tuas mãos; tudo puseste debaixo dos seus pés:” Sal 8;5 e 6

Quem exerce funções ministeriais, deve ser depositário da Palavra de Deus; na Antiga Aliança eram os sacerdotes, na Nova os obreiros. “Porque os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, da sua boca devem os homens buscar a Lei porque ele é o mensageiro do Senhor dos Exércitos.” Ml 2;7

Assim, quando alguém nos pergunta algo mais polêmico, deixa nas entrelinhas que sabemos a Vontade Divina acerca daquilo, pelo dever funcional de conhecermos À Palavra de Deus.

Quando apresentamos o que está escrito sobre determinado assunto, não estamos apresentando particular juízo, movidos pelas nossas motivações; antes, evidenciamos o juízo Divino, conforme está expresso.

Sequer precisamos nos esconder após um “quem sou eu para julgar”, uma vez que, estamos cientes que não será nosso juízo, mas o Divino que verterá. Todavia, esses melindrosos avessos à mínima ideia de juízo, quando se trata da defesa dos seus pecados de estimação, presto nos chamam de “moralistas, fundamentalistas, religiosos legalistas, expoentes de discursos de ódio”, isso que eles são avessos a julgar.

Resulta necessário que, são refratários ao anúncio do juízo Divino que veta suas comichões favoritas, apenas; no tocante a eles, podem nos julgar como aprouver; colar em nós os rótulos derivados dos seus juízos peculiares. Não deveriam viver pelo “não julgueis,” uma vez que esposam esse conceito?

O “Quem sou eu para julgar”, longe de ser uma atitude piedosa e humilde, é uma cretinice covarde que ama mais à aprovação do mundo ímpio, que, de Deus. Já ouvi isso do Papa Francisco, do Padre Fábio, da “bispa” Sônia Hernandes, dos “pastores” da graça barata, que desprezam nosso “farisaísmo”, embora, não julguem.

A Palavra de Deus é categórica sobre o homossexualismo; “como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus, Ele os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convêm;” Rom 1;28 “Não erreis: nem devassos, idólatras, adúlteros, efeminados, sodomitas, ladrões, avarentos, bêbados, maldizentes, nem os roubadores herdarão o Reino de Deus.” I Cor 6;10 etc.

Quem apresenta A Palavra de modo idôneo, é mero porta-voz, não juiz. Isso incomoda, sabemos. Mas, denunciamos a toda sorte de pecados, pois, A Palavra não faz distinção, como um fosse mais réprobo do que outro. Todos os pecadores são chamados ao arrependimento e mudança de vida para salvação; os que preferem mudar À Palavra invés de mudar suas vidas, estão julgando ao Próprio Deus, por terem A Palavra Dele como imperfeita, falível.

Enfim, nenhum de nós carece julgar; mas, se temos o ministério na Obra de Deus, por ofício, o mínimo que se deve esperar de nós, é que conheçamos o que O Eterno falou sobre cada assunto que desejou que conhecêssemos Sua Vontade a respeito.

Das coisas ordinárias da vida espiritual, não saber julgar segundo Deus é que seria o fato vergonhoso, como disse Paulo em determinada ocasião: “Não sabeis vós que os santos hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo deve ser julgado por vós, sois porventura indignos de julgar as coisas mínimas?” I Cor 6;2

O motivo da incapacidade daqueles, para o conhecimento da vontade Divina nas coisas mínimas, foi diagnosticado pelo Apóstolo, noutro trecho: “... porque alguns ainda não têm o conhecimento de Deus; digo-o para vergonha vossa.” I Cor 15;34

Quem sou eu para julgar? Como homem sou mero pecador, que careço do perdão Divino, da Graça de Cristo, para ser salvo da Ira que virá; como ministro, uma voz capaz de fazer audível o Juízo Divino, deixado na Santa Palavra.

A pior das faces da maldade é aquela onde o mal se camufla, tentando furtar às vestes do bem; onde o orgulho se atreve a desfilar com o modelito da humildade.

Há dois gêneros biológicos e múltiplas formas de perversão. A recusa de conhecer ao Eterno nos Seus Termos, é já um julgamento, que coloca as inclinações da carne, acima da revelação de Deus. Alguma anomalia pontual deve ser tida como tal, não, como viés legitimador do que Deus abomina.

Os hereges


“Ao homem herege, depois de uma e outra admoestação, evita-o.” Tt 3;10

Buscar mel numa colmeia traz o risco de sofrermos algumas ferroadas; mexer num vespeiro, também. No primeiro caso, ao menos, a existência do mel, compensa o risco. No segundo não há nenhuma compensação, o que tornaria a hipotética atitude, estúpida.

Debater com outrem, razoavelmente esclarecido, intelectualmente honesto, que, diverge do nosso ponto-de-vista é normal. Certamente, sendo um oponente qualificado, eventualmente nos deixará em “saias justas”, com argumentos sólidos, quiçá, fará repensar e mudar alguns aspectos da nossa visão.

Um gládio de ideias nesse nível, malgrado, eventuais picadas, de um e outro lado, compensa, pelo contraponto do “mel” do crescimento para ambos; certamente sairão do pleito melhores do que entraram.

Porém, outro, sem respeito aos fundamentos estabelecidos, que se esmera em defender o indefensável, sem a honestidade de manter que disse algo, se for demonstrado falso, ou, conceder razão ao oponente quando oportuno; enfim, que não se embrenha na floresta dos argumentos sonhando com a clareira da verdade; acha que já a possui. Foge ou distorce tudo aquilo que ameace mostrar sua fragilidade, nesse caso, evitar o debate é mais sábio. Não encontraremos mel entre vespas ou marimbondos.

Paulo aconselhou que não gastemos latim com tipos desses; “Ao homem herege, depois de uma e outra admoestação, evita-o.”

Entretanto, não é o que acontece. Notórios ateus, vibrantes sectários, especialistas em línguas originais da Bíblia, “intérpretes” preteristas desengonçados que sabem tanto da Palavra, quanto eu de física quântica, nada, estão em muitos vídeos, entrevistas, podcasts, para ensinar. O “Evangelho de Tomé”, de “Maria Madalena”, ETs, reptilianos, não existência do Jesus Histórico, de Moisés, outros esposam que Jesus seria um Deus à Imagem de Paulo, etc.

Não nego que exista algo além da Bíblia; ela não encerra informações sobre tudo o que há; não é esse seu propósito. Entretanto, no motivo pelo qual foi dada, é plena, nada lhe falta. “Visto como o seu divino poder (Deus) nos deu tudo que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou pela Sua Glória e Virtude;” II Ped 1;3

Para a regeneração das vidas perdidas desde a queda, tudo o que é necessário está na Palavra de Deus.

Se, alguém já sabe tudo e cumpre o que sabe, ao tal, para fugir do tédio, nada mais natural que excursione fora da Bíblia, tentando entender o Livro de Enoque, a saga dos dinossauros, a estrutura das galáxias, o tamanho do Universo, etc. Agora, quem não sabe o básico, ou, se sabe não cumpre, qual o sentido de exercitar-se em ímpias ginásticas mentais, cujo fito é desfazer da crença alheia, invés de edificar ao semelhante?

Quem encontrou a salvação, labora para difundi-la, não, para lutar contra os que creem. Os que se opõem, sabemos, servem a outro espírito, e nada lhes compete construir, uma vez que se alistaram nas fileiras do destruidor. Jesus disse: “O ladrão não vem senão a roubar, matar e destruir; Eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância.” Jo 10;10

O Evangelho é a maior declaração de amor de todos os tempos. Mas, está tão amalgamado à justiça, que foi necessário ao Eterno, escrevê-la com sangue. Logo, a leitura isolada, do Amor Divino, deixa de ser O Evangelho, torna-se uma heresia, ao sabor da humana e perversa concepção de “amor”.

O “Carro da salvação” é puxado por uma parelha antagônica; de um lado, o Amor Divino pelos pecadores; do outro, o ódio do Eterno, ao pecado. Do Salvador foi dito: “Tu amas a justiça e odeias a impiedade; por isso Deus, o Teu Deus, Te ungiu com óleo de alegria mais do que aos Teus companheiros.” Sal 45;7 

Quem não sabe separar uma coisa e outra, ao menos deveria saber fazer silêncio. Entretanto, em linhas gerais, quem menos tem a dizer é quem mais fala, salvas venturosas e raras exceções.

O tempo que gastamos após vespas, discutindo com esses cujo benefício é zero para nosso crescimento, e para proveito do Reino de Deus, perdemos, deixando de fazer a coisa certa, altercando acerca do sexo dos anjos. Qual o sentido?

Não basta que tenhamos alguma luz espiritual; é necessário que essa luz seja usada para fim proveitoso, senão, nosso entendimento será usurpado pelo poder das trevas. O Salvador ensinou: “... Se a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas!” Mat 6;23

Pouco importa se, “fulano não crê na existência de Jesus”; “beltrano, duvida que A Bíblia seja de origem Divina”, etc. Como bem disse Spurgeon, não trocamos de lugar com reis em seus tronos, a menos que eles também, conheçam a Jesus. Quanto aos hereges, não os conheço.

quinta-feira, 29 de agosto de 2024

Peregrinos


“Do mundo são, por isso falam do mundo, e o mundo os ouve.” I Jo 1;5

Dois traços para identificação dos falsos profetas e mestres. Quando suas predições, doutrina, ensinos, desalinham das Escrituras, ou, suas pregações, recebem aplausos de gente que não é do Senhor.

A mensagem deve ser pregada aos ímpios, claro! Mas, quando esses a recebem, invés de aplausos, mostram arrependimento, tristeza, contrição. Se não for assim, mesmo pensando que a receberam, ainda não entenderam o que está em jogo; a salvação das almas, mediante arrependimento e conversão.

Em geral, o ser humano aplaude a si mesmo; quando se identifica com determinada performance, arte, ensino, discurso... Quando um ímpio se “encontra” com uma mensagem espiritual, há sobejas razões para acreditarmos que a mesma não procede do Senhor; pois, Ele confronta à impiedade chamando ao arrependimento, invés de avalizar às más posturas. Após o perdão sempre tem um sisudo, “não peques mais.”

Se, um pregador “descolado” com sua “teologia liberal”, seus chavões “politicamente corretos” desfila airoso entre aplausos do mundo, não significa que esteja revolucionando-o com sua mensagem; antes, que ele deturpou à Santa Palavra, por amar mais à glória dos homens, que a de Deus. Trata-se de um farsante, drogando incautos com rótulos bonitos, ninando o berço de mortos.

“... Vós sois os que justificais a vós mesmos diante dos homens, mas Deus conhece vossos corações, porque o que entre os homens é elevado, perante Deus é abominação.” Luc 16;15

O vulgo arde em febre, por modernismos; nós, ainda que possamos usufruir de meios tecnológicos de última geração, quando ao caminho espiritual, por ter vertido seu ensino da Fonte Perfeita, não há lugar para melhoramentos; apenas perseverança. “Assim diz o Senhor: Ponde-vos nos caminhos e vede, perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele; achareis descanso para vossas almas; mas eles dizem: Não andaremos.” Jr 6;16

Cristãos não pretendem ser melhores que outros que não creem. Mas, atendendo ao chamado de Cristo foram desafiados ao “caminho estreito”, logo, se forem vistos andando “folgados” demais, certamente é porque se desviaram da vereda proposta.

Somos exatamente iguais aos demais pecadores; contudo, aceitamos um convite, que, traz anexo um jugo de obediência a Deus, cuja vontade destoa do jeito mundano. “Tomai sobre vós o Meu jugo, e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração; encontrareis descanso para vossas almas.” Mat 11;29

Isso requer uma postura diferente do modo corriqueiro; quem se atreve a andar após Cristo deve ser um “... que não anda segundo o conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes tem seu prazer na Lei do Senhor, na Sua Lei medita dia e noite.” Sal 1;1 e 2 

Não acha A Lei do Senhor, “jurássica” ultrapassada, carente de edições modernizantes. O que foi superado por ser, segundo os “rudimentos do mundo”, a própria Palavra ensina. No demais, nenhum reparo é necessário.

Empreendedores perspicazes, fazem pesquisas, consultam os anseios do povo, até descobrirem um “nicho de mercado;” o que falta em determinada praça, antes de se lançarem em novo empreendimento.

Os farsantes espirituais nem precisam disso; basta semearem segundo os desejos ímpios, poluindo locais que deveriam ser consagrados à Palavra, com músicas antropocêntricas, coreografias sem vigor espiritual, luzes, fumaça, paredes escuras, e mensagens humanistas, materialistas, ensejando motivação, onde deveria estar a “Água da Vida” fomentando arrependimento para regeneração. Como disse Watchman Nee, “muitos tentam ensinar o ímpio a viver melhor, quando deveriam ensiná-lo a morrer melhor.”

Invés dos “investidores” buscarem o público, esse os busca em sua doentia avidez pelo engano. Tais, conhecem a “receita” de Soren Kierkegaard: “Para dominar as multidões, basta conhecer as paixões humanas, certo talento, e boa dose de mentiras.”

Dominam todas as paixões, pois, padecem das mesmas; assim, propõem a saciedade das alheias, enquanto se locupletam fartando às suas. Paulo disse que os “consumidores” dos últimos dias seriam doentios assim: “Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme suas próprias concupiscências; desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas.” II Tim 4;3 e 4

Um “cristianismo” que oferece matéria-prima para humoristas, menções “honrosas” de “líderes espirituais” em revistas que alistam às grandes fortunas, é um derivado dessa farsa, não da Sã Doutrina do Senhor.

A Palavra da Vida desafia-nos a mudar de mentalidade e de atitudes, deixando o curso do mundo, andando segundo O Senhor. Quem ousar fazer isso, espere por vaias, não, por aplausos alheios. Incomoda um pouco, porém, “O mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre.” I Jo 2;17

quarta-feira, 28 de agosto de 2024

O risco de ignorar


“... Vós não sabeis de que espírito sois.” Luc 9;55

Samaritanos se recusarem a receber Jesus e Seus discípulos; dois deles, Tiago e João cogitaram clamar aos Céus pedindo que caísse fogo sobre eles. Então, O Salvador disse as palavras acima, e acrescentou: “Porque o Filho do homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las...” v 56

Isso deve ser lido pontualmente, sem derivar daí, consequências ausentes. Certo é que o direito de crer ou descrer segue intocável, e, por alguém recusar à mensagem de Cristo, não legitima nenhuma animosidade contra o tal. O que foi vetado então, continua válido.

Entretanto, alguns partidários da “Graça Barata” que resumem suas Bíblias ao “Deus É Amor”, presto elevam suas vozes contra o “Legalismo, cegueira religiosa” dos que, anexo ao amor Divino que chama para arrependimento, apresentam a disciplina necessária, para os que pretendem seguir ao Senhor. Não veio destruir, mas salvar; porém, virá de novo e julgará segundo Sua Palavra; Seu amor não restringe Sua Justiça.

Paulo aconselha: “Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus...” Rom 11;22

Se alguém tenta fundir a universalidade do Amor Divino, com permissividade, o tal não entendeu o que significa nascer de novo, nem o que é andar em espírito. “Vós não sabeis de que espírito sois.”

O novo nascimento em Cristo teve o auxílio do Espírito Santo, capacitando a entender e constrangendo a recebermos a Palavra da Vida; certamente, nas vidas dos salvos segue atuando. Daí a postura necessária dada desde a Antiga Aliança, reiterada por Pedro. “Porquanto está escrito: Sede santos, porque Eu Sou Santo.” I Ped 1;16

Grave é não saber qual Espírito anima-nos, bem como, ignorar esse fato contíguo, que não somos mais autônomos. Pertencemos a Cristo que nos regenerou, e ao Espírito Santo que nos habita.

A autonomia que o canhoto prometeu era falsa. Invés de o homem decidir livremente segundo sua vontade, foi feito escravo do pecado, incapaz de agir, resistindo a ele. “Porque o que faço não aprovo, o que quero não faço, mas o que aborreço, isso faço. se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. De maneira que agora já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim.” Rom 7;15 a 17

Os escrúpulos de gente que se sente desconfortável pecando, “consinto coma Lei que é boa”, mas, por escravo, não pode agir de modo diferente. Poderemos atuar segundo Deus, apenas recebendo a Cristo. “Mas, a todos quantos O receberam, deu-lhes poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no Seu Nome;” Jo 1;12

Infelizmente é muito comum encontrar “cristãos” que não sabem de que espírito são. Eles estão nas filas das lotéricas fazendo suas “fezinhas”; “Vai ter com a formiga, ó preguiçoso; olha para seus caminhos, e sê sábio.” Prov 6;6 na fila do churrasco, na festa do “santo padroeiro”, ignorando que coisas consagradas aos ídolos nos são vetadas. “... as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demônios, não a Deus. E não quero que sejais participantes com os demônios.” I Cor 10;20 Não importa o nome do “Santo” sabemos o que está por trás.

Muitos por crassa ignorância, inda buscam “benzedeiras”, outros leem cartas como se isso fosse equivalente de ler à Bíblia; “vós não sabeis de que espírito sois.” Tiago amplia: “Adúlteros e adúlteras, não sabeis que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus. Ou cuidais que, em vão diz a Escritura: O Espírito que em nós habita tem ciúmes?” Tg 4;4 e 5

A Palavra de Deus é categórica sobre a necessária separação entre o santo e o profano; “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? Que comunhão tem a luz com as trevas? Que concórdia há entre Cristo e Belial? Que parte tem o fiel com o infiel? Que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei, entre eles andarei; Eu serei seu Deus e eles serão Meu povo. Por isso saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; não toqueis nada imundo, e vos receberei; serei para vós Pai, vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso.” II Cor 6;14 a 18

Naquele contexto inicial, os discípulos erraram por desejar juízo onde o propósito era salvação; os mencionados acima erram, pela falta de costume de ouvir O Espírito que lhes foi dado na conversão. “... Andai em Espírito, não cumprireis a concupiscência da carne.” Gl 5;16

terça-feira, 27 de agosto de 2024

"Cristo nunca existiu"


“Disse o néscio no seu coração: Não há Deus. Têm-se corrompido, fazem-se abomináveis em suas obras, não há ninguém que faça o bem.” Sal 14;1

Bons tempos aqueles em que a estupidez tinha escrúpulos e fazia mal apenas ao próprio coração. Hoje, perdeu a modéstia e se pôs a “ensinar”, para deleite dos seus semelhantes.

Deparei com um vídeo onde dois ateus ridicularizavam da existência de Jesus, negando-a, em falas vorazes que tinham a velocidade de uma metralhadora, e a consistência cerebral de um camarão.

O "mestre” dizia que, se fosse um fato histórico, pelo menos um historiador deveria ter mencionado Cristo, e segundo ele, nada. Citou Filo de Alexandria que teria escrito 30 livros e vivido na mesma época, sem citar Jesus, como uma “prova” que Ele seria produto de um romance, uma ficção, não uma pessoa histórica. Investigadores honestos não derivam a verdade de omissões.

O fato do dito escritor não o ter citado não é prova cabal de Sua inexistência. Flávio Josefo, malgrado, não fosse seguidor de Cristo, mas um sacerdote do judaísmo, era também historiador, vivendo em Jerusalém, não em Alexandria como Filo.

Ele escreveu, em seu livro Antiguidades Judaicas, livro 18, parágrafos 63 e 64, escrito em 93 em grego koiné: "Havia neste tempo Jesus, um homem sábio [se é lícito chamá-lo de homem, porque ele foi o autor de coisas admiráveis, um professor tal que fazia os homens receberem a verdade com prazer]. Ele fez seguidores tanto entre os judeus como entre os gentios.[Ele era o Cristo.] E quando Pôncio Pilatos, seguindo a sugestão dos principais entre nós, condenou-o à cruz, os que o amaram no princípio não o esqueceram;[ porque ele apareceu a eles vivo novamente no terceiro dia; como os divinos profetas tinham previsto estas e milhares de outras coisas maravilhosas a respeito dele]. E a tribo dos cristãos, assim chamados por causa dele, não está extinta até hoje."

Logo, o argumento que nenhum historiador citou a existência do Salvador é mentira do sujeito, ou, crassa ignorância; ele que escolha a razão. 

Ademais, ignorar que os Evangelhos são quatro reportagens históricas, de autores diferentes, tendo, inclusive, pequenas discrepâncias; tentar agrupá-los numa coisa só como se fosse uma ficção ou romance de único autor, é preciso um cérebro de galinha para isso.

Em dado momento o “mestre” ateísta, disse que Marcos e Lucas não eram discípulos. Como eles poderiam saber coisas como o sonho da mulher de Pilatos, que teria aconselhado o marido a não se meter com Jesus? Perguntou.

Marcos não era dos doze; era de segunda geração. Certamente aprendeu dos apóstolos que andaram com O Senhor. Lucas admite que não foi testemunha ocular, antes, que entrevistou aos que foram para escrever. Disse: “Tendo, pois, muitos empreendido pôr em ordem a narração dos fatos que entre nós se cumpriram, segundo nos transmitiram os mesmos que os presenciaram desde o princípio, e foram ministros da palavra, pareceu-me também conveniente descrevê-los a ti, ó excelente Teófilo, por sua ordem, havendo-me já informado minuciosamente de tudo desde o princípio;” Lc 1;1 a 3

Pior que ver duas cabeças ermas desprovidas do recheio original que deveriam ter, foi ler os comentários sob o vídeo de outros do mesmo calibre. “Ganharam um seguidor, são fantásticos, sempre fui enganado, mas abriram meus olhos” etc. 

A Bíblia ensina que seria assim. “... tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme suas próprias concupiscências; desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas.” II Tim 4;3 e 4

As consequências benditas da Doutrina de Cristo, ensinada, crida e vivida, como ficam? Aquele que era adúltero, e tendo aprendido Dele, mudou de vida se tornou um homem decente, quem o indenizará pelo seu engano? Os que deixaram o crime, as drogas, a mentira, por amor a Cristo, como ficam? Quem os reembolsará pelos prejuízos??

“Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes.” I Cor 15;33

Ele mesmo, Cristo ensinou como poderíamos desfazer eventuais dúvidas quanto à origem dos seus ensinos; “... Minha doutrina não é Minha, mas Daquele que Me enviou. Se alguém quiser fazer a vontade Dele, pela mesma doutrina conhecerá se ela é de Deus, ou se falo de Mim mesmo.” Jo 7;16 e 17

A Palavra nem se detém muito com a irrelevância dos que se opõem ao evidente. Apenas coloca-os na devida prateleira e segue seu curso; “Disse o néscio em seu coração: Não há Deus.”

Porém, no tempo do juízo, os que trabalham contra a verdade, serão alvos da Ira, porque desprezaram e debocharam dos apelos do Amor Divino; “Do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça.” Rom 1;18