sábado, 13 de julho de 2024

Amor, em duas vias


“Porque nenhum de nós vive para si e nenhum morre para si.” Rom 14;7

Um dos maiores males da humanidade, certamente é o egoísmo. O Ego surgiu na queda, como alternativa a Deus. Invés de seguir conforme a ordem criada, o homem gerindo a criação em submissão ao Criador, a oposição sugeriu autonomia, independência. “Sereis como Deus; sabereis vós mesmos, o bem e o mal.”

Aceito isso, o ego entrou em cena, usurpando ao Criador. O homem passou a pretender ser, “o limite de todas as coisas”, não mais A Palavra de Deus.

Com o curso do tempo, o egoísmo acabou encorajado, como sendo uma corrente filosófica válida, sábia até. No prisma dos desejos indevidos, grassa um sonoro, “Permita-se!” Não dê ouvidos a quem falar diverso; na busca de força para os sonhados intentos, “Confie em si mesmo!” como uma “vacina” contra os conselhos da prudência; o “só dê palpites na minha vida, depois que pagares minhas contas;” no fundo: “Sou eu que arco com as consequências das minhas escolhas, portanto, não se meta! O deus aqui sou eu.”

Aquele que, foi criado à Imagem e Semelhança do Eterno, em Seus atributos comunicáveis, para o viver coletivo, num rebanho, com Um Pastor, se tornou um deus caído, “conhecedor do bem e do mal”, os quais aprecia no mirante dos interesses carnais, não, no da reta justiça.

Assim, apresentar a esse suposto deus, a ideia inicial de Paulo, que ninguém vive nem morre para si; “Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, ou vivamos ou morramos, somos do Senhor.” Rom 14;8 fere seu conceito acerca da própria “Divindade”.

Logo, a conversão requer como primeiro passo, a remoção desse intruso, que, indignamente pretende assentar-se no Trono de Deus. Daí, render-se a Cristo traz anexo um pé na bunda desse intrometido. “Se alguém quer vir após Mim, negue a si mesmo, tome cada dia sua cruz, e siga-me.” Luc 9;23

O surgimento dos deuses alternativos trouxe maldição ao Paraíso Divino. “... maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida.” Gn 3;17

Mediante Jeremias, as coisas são postas de novo, nos devidos lugares: “Assim diz o Senhor: Maldito o homem que confia no homem, faz da carne o seu braço, e aparta seu coração do Senhor!” Jr 17;5 “Bendito o homem que confia no Senhor, cuja confiança é o Senhor. porque será como a árvore plantada junto às águas, que estende suas raízes para o ribeiro; não receia quando vem o calor, mas sua folha fica verde; no ano de sequidão não se afadiga, nem deixa de dar fruto.” Vs 7 e 8

O egoísmo eleva a píncaros indevidos o dom inato do amor próprio. O Reino de Deus, Seus Ensinos e Mandamentos são todos baseados no amor, com tempero, medida. Ame a Deus sobre todas as coisas, e ao teu próximo como a ti mesmo, é a suma.

Aquele amor que, “... é sofredor, benigno; não é invejoso; não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” I Cor 13;4 a 7

Se, o amor não busca aos próprios interesses, certamente busca aos de quem ama; assim fez O Criador: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu Seu Filho Unigênito, para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha vida eterna.” Jo 3;16

Eventualmente pessoas questionam: “Se Deus É Um apenas, por que tantas religiões?” Porque todos os deuses egoístas que aceitaram a sugestão do canhoto, não bastam a si mesmos. Sentem um vazio espiritual que só O Criador preencheria. Avessos a Ele, por causa do si, que pretendem manter, criam simulacros vazios, com os quais enganam a si mesmos.

O Eterno segue chamando a todos, preenchendo de vida e paz, aqueles que O Aceitam mediante Cristo. Todavia, os termos para o regresso devem ser os Dele. Para tanto, carecemos algumas renúncias, que não combinam com o egoísmo. “... apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” Rom 12;1 e 2

Enfim, a ideia Divina acerca de nós é restabelecer o relacionamento, baseado no amor, onde cada parte, preocupa-se com os anseios da outra. “Buscai primeiro o Reino de Deus, e Sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” Mat 6;33

quinta-feira, 11 de julho de 2024

Mestres dos mortos


“Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme suas próprias concupiscências; desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas.” II Tim 4;3 e 4

Esse tempo sombrio já veio; estamos em seu pleno curso. Com o incremento da tecnologia, o advento das redes sociais, cada um pode dizer “urbe et orbe” o que pensa, no que acredita; quais são seus mestres.

Quem não se atreve a propor nenhum substituto à verdade, antes, permanece tentando ser fiel, não raro, acaba tachado de dono da verdade, acusador dos erros alheios, quando não, propagador de discursos de ódio.

Suas vaias de espúria inspiração, são mero disfarce do aplauso dos Céus; um testemunho, inda que oblíquo, que nosso andar os incomoda; e deveria ser mesmo assim, pois, servimos a senhores diferentes.

Segundo Paulo, diretamente proporcional à rejeição da “Sã Doutrina”, concorreria a incremento da “eficácia” satânica, como juízo permitido pelo Eterno, contra os que, por avessos à verdade, se albergaram nas obscuras casamatas do engano. “Por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam na mentira; para que sejam julgados todos que não creram na verdade, antes, tiveram prazer na iniquidade.” II Tess 2;11 e 12

Facilmente descartam À Palavra de Deus, em lugar da qual colocam supostas boas obras, como se, o humanismo tivesse a mesma eficácia que Cristo. Sua diatribe contra os mensageiros da Palavra é que não precisam de religiosidade que acusa erros, basta ser uma “boa pessoa”; uma vez que nosso viver, talvez, a mensagem que pregamos, incomode alguém.

O problema básico é que, O Eterno não lida com “bondade”, antes de lidar com o mais relevante; a vida. “... Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos.” Mat 22;32

As presumidas boas obras dos que descreem, não contam; são descartados os predicados como sendo iguais aos sujeitos dos quais derivam; mortos. “... sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus Vivo.” Heb 9;14

Essa balela que o sujeito pode ser ateu e ter mais “espiritualidade” que o crente, pode servir muito bem às comichões de quem se recusa a obedecer; mas, aonde leva? “Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são caminhos da morte.” Prov 14;12

Deus não busca espiritualidade; o capeta também é espírito e todos os credos espúrios têm lá sua espiritualidade.

A vida espiritual que Deus aprova, além do espírito traz anexa certa qualidade: “Deus é Espírito, importa que os que O adoram adorem em espírito e verdade.” Jo 4;24

Como, A Palavra Dele é a Verdade, todo e qualquer culto que descartar à Palavra da Vida como diretriz, é de origem espúria, parte do caminho largo pra perdição.

Essa balela esposada pelo Papa Francisco, por Rodrigo Silva, etc. que há ateus melhores que os crentes não se sustenta. A intenção pode ser cabeça de ouro, mas os pés são de barro. O melhor dos ateus, ainda é blasfemo, por chamar ao Eterno, de mentiroso. “... quem a Deus não crê mentiroso o fez, porquanto não creu no testemunho que Deus de Seu Filho deu.” I Jo 5;10

Fé sem obras é morta. Todavia, para efeito de salvação, basta A Obra de Cristo, e nossa fé; depois, façamos boas obras como testemunho de que fomos salvos, como derivadas da salvação, não, como “pagamento”, para a termos. “Porque somos feitura Sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.” Ef 2;10

Para os reféns de doutrinas espúrias, nosso modo de vida e a mensagem que esposamos incomoda; nesse caso, esperem deitados que deixemos isso, pra fazer as “boas obras” que o mundo aplaude.

Nossa missão não é sermos aceitos a todo custo; antes, sermos fiéis a Deus e À Sua Palavra, custe o que custar; “Toda Palavra de Deus é pura; escudo é para os que confiam Nele. Nada acrescentes às Suas Palavras, para que não te repreenda e sejas achado mentiroso.” Prov 30;5 e 6

No fundo, todo servo de Deus, idôneo, acaba sendo, para quem o ouve, uma extensão da própria consciência; veículo de uma reprovação exterior, já que a interior foi ignorada; isso, da parte de Deus, que os capacita para tanto.

Faz parte do pacote que abraçamos, sermos incômodos e rejeitados; nisso está nossa glória. “Bem-aventurados sois, quando vos injuriarem, perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós por Minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós.” Mat 5;11 e 12

Luz aos íntimos


“... Elias já veio e não o conheceram, mas fizeram-lhe tudo que quiseram. Assim farão eles também padecer o Filho do homem. Então entenderam os discípulos que lhes falara de João Batista.” Mat 17;12 e 13

Jesus fora mostrado aos seus chegados, como Ele É, em Sua Glória. “... Seu Rosto resplandeceu como o sol, Suas vestes se tornaram brancas como a luz.” V 2

Para completar uma voz vinda dos Céus assinou: “... Este é o Meu amado Filho, em quem Me comprazo; escutai-o.” v 5

Se, alguma dúvida restasse, nos corações de Pedro, Tiago e João, essas foram dissipadas no alto do monte. Oportunamente, Pedro lembrou: “Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas artificialmente compostas; nós mesmos vimos Sua Majestade. Porquanto Ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando da magnífica glória lhe foi dirigida a seguinte voz: Este É O Meu Filho amado, em quem Me tenho comprazido.” II Ped 1;16 e 17

Certificados pelo testemunho celeste, que Ele era O Filho de Deus, restou uma questão teológica aos discípulos. “... Por que dizem então os escribas que é mister que Elias venha primeiro?” v 10

Malaquias dissera: “Eis que Eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor.” Mal 4;5 Embora o “grande e terrível dia do Senhor”, aluda ao Juízo Divino, então, se tratava do juízo contra o pecado; O Elias que havia de vir, já viera. Se haverá segundo cumprimento, em tempo, saberemos.

Os judeus levaram ao pé da letra, esperando Elias mesmo. A Zacarias, o pai de João Batista foi revelado: “Irá adiante dele (do Senhor) no espírito e virtude de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos, os rebeldes à prudência dos justos, com o fim de preparar ao Senhor um povo bem disposto.” Luc 1;17

O Senhor ensinou: “Se quereis dar crédito, é este o Elias que havia de vir.” Mat 11;14

O Espírito Santo não era conhecido no Antigo Testamento. Quando, Eliseu admirou-se com os sinais que Elias operava, não pediu dons do Espírito Santo também para si; antes, desejou porção dobrada do “Espírito de Elias.” A Zacarias foi dito: “... será cheio do Espírito Santo, já desde o ventre de sua mãe.” Luc 1;15 isso explica a “Fonte” da virtude de Elias.

Para os ouvintes e leitores honestos, nenhum problema com a vinda de “Elias”. Tampouco, a mínima base à doutrina reencarnacionista. Não era Elias literalmente; mas, alguém com um ministério profético semelhante, atuando no mesmo poder, pelo Espírito Santo.

Mediante Elias O Espírito Santo operara grandes sinais; por João, o maior dos profetas, trouxe a verdade sobre O Salvador; “... João não fez sinal algum, mas tudo quanto disse deste era verdade.” Jo 10;41 Nenhum dom espiritual fará sentido, se, seu portador não tiver vínculos sólidos com a verdade. A primeira “Peça” da “armadura de Deus”, é o cinto da verdade. Ef 6;14

Quando alguém lê À Palavra, com a mesma “honestidade” que Escribas, Fariseus, Saduceus e Herodianos faziam perguntas ao Senhor, para armar ciladas, não para aprender; digo, lê em busca de “erros”, “contradições” invés de o fazer em anseio por luz, já está decidido, o tal, em seu coração, a descrer; seu esforço nunca será por maior compreensão, antes, por “motivos” para basear sua incredulidade. Ah, se ousasse ser honesto! Santo Agostinho disse: “Lendo a Bíblia encontrei muitos erros; todos, em mim.”

O simples fato de o Senhor escolher apenas três dos Seus, os mais chegados, os levar a um monte e se lhes revelar como Ele É, evidencia que o conhecimento de Deus requer intimidade, mais que, curiosidade. “O segredo do Senhor é com aqueles que O temem; Ele lhes mostrará Sua Aliança.” Sal 25;14

Quem fizer uma leitura puramente matemática, do incidente narrado na Parábola dos talentos, certamente estranhará o fato do senhor ter pego o talento desprezado do que o enterrara, e dado ao que possuía dez; a fé lida com confiança, não com números. “Porque a qualquer que tiver será dado, terá em abundância; mas ao que não tiver até o que tem ser-lhe-á tirado.” Mat 5;29

Quem tem coração humilde, atua em boa índole se deixando ensinar, receberá cada vez mais, não importa, quanto já possua. “Ele reserva a verdadeira sabedoria para os retos. Escudo é para os que caminham na sinceridade.” Prov 2;7

Quem prefere buscar “erros” na Palavra, deixa o bendito consórcio com O Espírito Santo, se coloca à mercê do fabricante mor, de erros; “... o deus deste século cegou entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do Evangelho...” II Cor 4;4

terça-feira, 9 de julho de 2024

Os muros


“... Eu sei que o Messias (que se chama o Cristo) vem; quando Ele vier, nos anunciará tudo.” Jo 4;25

A vinda do Messias permeava os escritos judaicos. Na Lei, Salmos e profetas, havia vaticínios que anunciavam isso. Acima temos o dito de uma samaritana, esposando a mesma esperança, que o Ungido viesse e lhes ensinasse tudo.

Porém, nas próprias falas dela, encontramos um problema: “... Como, sendo Tu judeu, me pedes de beber, se sou mulher samaritana? (porque judeus não se comunicam com samaritanos).” V 9 Se, judeus e samaritanos não se falavam, como pretendia ela, que O Messias, um judeu, lhe ensinasse todas as coisas? Certamente, essa barreira de comunicação precisaria ser rompida; o estava sendo, naquele exato momento; quando ela aludiu à vinda do Messias, O Senhor respondeu: “... Eu Sou, Eu que falo contigo.” V 26

Muitas vezes, muros humanos se fazem obstáculos ao Divino propósito. Não que a difusão do Evangelho não encontre obstáculos legítimos, derivados de barreiras transculturais, limitações cognitivas, entraves da oposição; mas, quando existe boa vontade, honestidade intelectual, as dúvidas acabam dirimidas, a verdade prevalece.

Onde grassa a má vontade, preconceito, predisposição ao escárnio, ao ceticismo gratuito, nem a verdade jorrando qual torrente impetuosa, logrará amaciar corações endurecidos pela incredulidade.

Houve lugares onde Paulo pregou a verdade, que soou dúbia aos ouvintes; como eram honestos, foram às fontes desfazer suas dúvidas. “Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a Palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim.” Atos 17;11 Invés de crer “no escuro”, acenderam as luzes.

Lucas cotejou a reação dos bereanos, com a dos tessalonicenses; eles conferiam a mensagem de Paulo para ver se era fundamentada nas Escrituras. Os de Tessalônica, muitos deles, movidos de inveja perseguiram Paulo, invés de ouvi-lo.

Em duas cidades macedônias, reações bem diferentes. Numa, Paulo recebido com honestidade e respeito; noutra, com inveja e perseguição. Em Atenas, entre os filósofos, no Areópago, uns creram, outros duvidaram, mas, tudo no campo das ideias, sem nenhuma violência. É assim que deve ser; foi ordenado que O Evangelho seja anunciado a todos, em todos os lugares. Como cada um vai reagir, depende do tal.

Os samaritanos daqueles dias tinham uma barreira de modo a nem se comunicarem com judeus; em geral, todos os homens têm uma reação adversa à Palavra de Deus, porque ela costuma expor, coisas que eles prefeririam manter ocultas.

Desde a queda, o homem morreu espiritualmente, tendo a alma em consórcio com os desejos sensoriais, assumido o comando; essa “dupla” em suas inclinações naturais é chamada de “carne”; traz uma propensão ao erro, dado o estado de rebeldia contra Deus, no qual caiu desde que escolheu obedecer à oposição; “Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à Lei de Deus, nem pode ser.” Rom 8;7 Prefere o risco de se perder, a renunciar suas más inclinações para salvação.

O Salvador ensinou: “A condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, os homens amaram mais as trevas que a luz, porque suas obras eram más.” Jo 3;19

Assim, todos os pecadores, de certa forma estão como a mulher samaritana aquela; no fundo, tinha esperança de salvação; embora, soubesse que essa viria de onde ela nem queria ouvir. Esses, sabem que estão errados, e que a mensagem evangélica é séria; no entanto, fazem barulho sempre que um de nós escandaliza, como que, justificando-se; talvez, pela incapacidade de fazer silêncio quando outro expõe com argumentos sólidos, às Divinas razões.

Sabedor dessa inimizade natural, do homem com Deus, O Salvador se fez mediador da reconciliação, para aqueles que a desejarem; “Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação.” II Cor 5;19

Não importa se você nos detesta, prefere que fiquemos distantes, que não lhe dirijamos a palavra; a mensagem de reconciliação mediante Cristo, foi posta em nós, os que já fomos reconciliados mediante Ele.

Se, há muitos farsantes usando à Palavra para interesses rasos, e infelizmente há, quem fizer como os bereanos, e cotejar os ensinos com as Escrituras, terá seu entendimento aberto; como a mulher de Samaria, além de ser salva passando sobre preconceitos bestas, ainda conduziu muitos ao Salvador.

Não careceu O Senhor, promover milagres, demonstrações de poder; bastou a Água da Vida, Sua Palavra; “... muitos mais creram Nele, por causa da Sua Palavra. E diziam à mulher: Já não é pelo teu dito que cremos; porque nós mesmos o temos ouvido, e sabemos que Este É verdadeiramente O Cristo, O Salvador do mundo.” Vs 41 e 42

domingo, 7 de julho de 2024

A conversão


“Convertendo-se o ímpio da impiedade que cometeu, procedendo com retidão e justiça, conservará este, sua alma em vida.” Ez 18;27

A obscenidade de se prometer prosperidade material aos que abraçarem o Evangelho tem sido tão recorrente, infelizmente, que aos desavisados parece fazer parte dele, o qual, as pessoas abraçariam para “melhorar de vida.”

Ora, ninguém o recebe, tendo vida; antes, o faz para tê-la, uma vez que se encontra morto, em delitos e pecados. “Não quereis vir a Mim para terdes vida.” Jo 5;40 Denunciou O Salvador, depois de assegurar que falava com mortos. “Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve Minha Palavra, e crê Naquele que Me enviou, tem a vida eterna; não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida. Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora, agora é, em que os mortos ouvirão a Voz do Filho de Deus, os que a ouvirem viverão.” Jo 5;24 e 25

Isso demanda uma mudança radical de atitudes. As inclinações naturais devem ser abandonadas de maneira tão cabal, que é como se a pessoa “se suicidasse”, rendendo-se ao Salvador. “Negue a si mesmo, tome sua cruz e siga-me;” requereu Ele.

A salvação acaba subavaliada, como se, recebê-la fosse coisa de pequena monta. Para quem age assim, a pergunta do Senhor: “Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?” Mat 16;26 Bens materiais estão fora de cogitação; “Aqueles que confiam na sua fazenda, se gloriam na multidão das suas riquezas, nenhum deles de modo algum pode remir seu irmão, dar a Deus o resgate dele. Pois, a redenção da sua alma é caríssima...” Sal 49;6 a 8

A fé não é uma força para fazer acontecer os desejos ímpios; quiçá, um poder pelo qual podemos ordenar que as coisas se nos amoldem, porque cremos de determinada maneira; antes, é um dom que nos capacita a confiarmos irrestritamente no Senhor, aconteça o que acontecer, mesmo acontecendo totalmente adverso, aos nossos mais legítimos anseios. “... Quando andar em trevas, não tiver luz nenhuma, confie no Nome do Senhor; firme-se sobre seu Deus.” Is 50;10

Essa postura alicerçada na Palavra do Santo, atribui a Ele o que Lhe é devido; confiança em Sua Integridade; isso lhe agrada; então, a sentença: “Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele existe, e É galardoador dos que O buscam.” Heb 11;6

Isso num segundo momento; depois que a fé fizer seu trabalho inicial; cumprir seu propósito primeiro, a salvação. “Alcançando o fim da vossa fé, a salvação das vossas almas.” I Ped 1;9

Depois do primeiro passo, tendo migrado da morte para a vida, espiritual, Deus estabelece conosco um relacionamento; Pois, “... Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos.” Mat 22;32

Tendo nós, renascido, espiritualmente, por certo, não teremos os mesmos anseios de quando estávamos mortos; “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; e tudo se fez novo.” II Cor 5;17

Segundo o verso inicial, de Ezequiel, à conversão sucede um novo proceder, agora, em retidão e justiça; logo, todas as nossas “saídas” precisam passar por esse crivo, antes de se abrirem as cortinas no teatro das nossas ações; daí um preceito essencial a observarmos: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida.” Prov 4;23

A conversão também foi figurada como sendo um transplante de coração, dada a necessária e radical, mudança, após ela; “Então aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e todos os vossos ídolos vos purificarei. Dar-vos-ei um coração novo, porei dentro de vós um espírito novo; tirarei da vossa carne o coração de pedra e vos darei um coração de carne.” Ez 36;25 e 26

Logo, se um animal bilíngue aprender alguns balidos, bem poderá tentar se passar por ovelha, malgrado, sua índole lupina; entretanto, a dieta carnívora fará evidente o embuste, e só se deixará enganar quem for demasiado tonto para isso.

Os bilíngues dos dias de Paulo foram vistos de longe, na diferença entre os balidos e as ações; “Confessam que conhecem a Deus, mas negam-no com as obras, sendo abomináveis, desobedientes, e reprovados para toda a boa obra.” Tt 1;16

Noutra parte, aludindo aos tempos difíceis dos últimos dias, por causa da exponencial pujança da maldade humana, entre outras coisas disse que os maus agiriam, “Tendo aparência de piedade, mas negando sua eficácia...” II Tim 3;5

A eficácia mais notável de Cristo em nós, é livrar-nos da corrupção mundana.

Os profanos


“... Ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza Divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo.” II Ped 1;4

Caçadores de palavras pegam expressões como essa, onde Pedro diz que fomos feitos participantes da natureza Divina, para assegurar que somos deuses, nossas palavras têm poder, e blá, blá, blá.

O apóstolo alistou uma relação de virtudes que devemos desenvolver, para que não fiquemos ociosos, nem estéreis no conhecimento de Jesus Cristo. “Fé, virtude, ciência, temperança, paciência, piedade, amor fraternal, caridade.”

Nossa participação refere-se à regeneração do caráter que foi degenerado pela queda; nos atributos comunicáveis, amor, justiça, santidade, verdade, mansidão, longanimidade, etc. sejamos capacitados a imitar O Criador; uma vez que, tendo nascido de novo, da (Água) Palavra, e do Espírito, (Santo) fomos convidados a escapar da corrupção.

A esfera de poder, na qual fomos inseridos, refere-se à capacitação de agir como filhos de Deus, doravante; “A todos quantos O receberam, deu-lhes poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no Seu Nome;” Jo 1;12

Se, pretendermos exercitar nossa condição de “deuses” fazendo acontecer o que desejamos, exercitando-nos em “palavras de poder”, deixaremos patente que ainda somos reféns da corrupção, da qual deveríamos ter escapado, se tivéssemos levado a sério, Cristo.

A regeneração enseja comunhão em santidade e temor, não nos faz micro deuses, autônomos, desejando às mesmas coisas egoístas de antes.

Passa pela cruz, onde as vontades carnais devem ser mortificadas. Sem isso, nossa suposta conversão é falaciosa, um derivado doentio do engano maligno. Paulo ensina: “Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na Sua morte? De sorte que fomos sepultados com Ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos também em novidade de vida.” Rom 6;3 e 4

Se, algo deve “morrer” para que o novo homem segundo Cristo viva, como chegaríamos ante Ele com isso inda vivo?

O homem foi criado à Imagem e Semelhança de Deus; ou seja: “Participante da Natureza Divina”; pela queda, um abismo foi posto entre ele, e O Criador. Na esfera inferior para onde caímos, as coisas Divinas soam “sobrenaturais”, dado que, a carne com sua corrupção nos aprisionou no sensorial.

Pela fé nos é dado “acesso” ao sobrenatural, condicionando-nos a crermos conforme a Divina vontade; não, facultando que façamos acontecer as coisas à nossa doentia maneira. Devemos, antes, romper com o sistema corrupto, para conhecer O Divino querer, mediante a Palavra, para que, nossa participação no sobrenatural seja possível. “... apresenteis vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” Rom 12;1 e 2

Não há espaço para desejos autônomos, egoístas após a queda. Nossa participação na “Natureza Divina”, enseja que participemos, sobretudo, da Vontade do Eterno. A Ele compete a direção dos nossos caminhos, se pertencemos a Ele; “Eu sei, ó Senhor, que não é do homem seu caminho; nem do homem que caminha o dirigir seus passos.” Jr 10;23

Como o pródigo arrependido, que voltou humilhado aceitando a condição de servo, malgrado, fosse filho, assim deve ser nossa postura ante O Pai. Se, Ele deseja nos dar vestes novas e festejar nosso retorno, tem a ver como que Ele É; Deus É Amor. Nada a ver com nossos “méritos.” Afinal, somos corruptos e dissolutos como foi aquele.

Nossa participação deve ser em santificação, abandono dos maus hábitos, deixando as coisas atinentes ao poder e ao querer, com nosso Pai, que sabe o que é melhor para nós. Nossa alimentação no âmbito sobrenatural deve ser conforme a “receita” da Palavra Dele; não, segundo os mundanos padrões, afinal, “... Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a Palavra que sai da boca de Deus.” Mat 4;4

Os atrevidos moderninhos que se atrevem a propor uma mudança no “cardápio”, deixam patente que ainda vivem na rasa esfera corrupta, numa pretensa fusão dimensional impossível; anseiam o sobrenatural no prisma do poder, vivendo o raso na arena do querer. Invés desses pródigos se arrependerem e voltarem humilhados à casa do Pai, pretendem que o "Velho” se associe a eles, no meretrício.

Sua religiosidade profana os faz pecadores, mais que seriam sem ela. “O filho honra o pai, o servo ao seu senhor; se Sou Pai, onde está a Minha honra? Se Eu Sou Senhor, onde está o Meu temor? diz O Senhor dos Exércitos a vós, ó sacerdotes, que desprezais o Meu Nome...” Ml 1;6

sábado, 6 de julho de 2024

Fidelidade; os dois lados


“Fiel É Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de Seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor.” I Cor 1;9

Quando cogitamos sobre a fidelidade Divina, costumamos pensar no fato de que Ele cumpre o que promete, sobretudo, com o fim de nos abençoar.

Ora, a fidelidade é um princípio, tanto válido para com promessas de bênçãos, quanto, para advertências de juízo. A Imutabilidade do Santo preserva vivas e atuais, ambas as situações.

“Toda a Palavra de Deus é pura; escudo é para os que confiam Nele. Nada acrescentes às Suas Palavras, para que não te repreenda e sejas achado mentiroso.” Prov 30;5 e 6

É doentio pensarmos que, nossas predileções rasas, derivadas da infidelidade natural, movam ao Santo ao ponto de, Ele deixar de ser o que É, porque nos recusamos a ser transformados no que deveríamos ser; “Se formos infiéis, Ele permanece fiel; não pode negar a si mesmo.” II Tim 2;13 Quem caiu da estatura original foi o homem; em Deus “não há mudança, nem sombra de variação.” Como ensina Tiago.

Logo, quando escutamos gente pleiteando por edições à Palavra, acréscimos ou supressões, não podemos ver de outra forma, senão, a ousadia do maligno, em consórcio com a suicida impiedade humana, profanando coisas santas. O Salvador assegurou: “Passarão os Céus e a Terra, mas Minhas Palavras, não hão de passar.” Mat 24;35

Embora, para o mundo, termos como, “inclusão, união, tolerância,” sejam quase santos, em nome deles se possa sagrar ao que Deus abomina, para quem serve ao Eterno, essas coisas têm cheiro de morte, não nos atrevemos a elas. Por outro lado, a fidelidade incondicional tem sido ressignificada, como sendo, “radicalismo, intolerância, fundamentalismo, discurso de ódio.” Se, o ingresso ao Céu fosse decidido pela Terra, aquele não se avantajaria ao inferno; felizmente, não é.

Não raro, escutamos mestres dessa ou daquela doutrina explicando o que Cristo significa, o que fez, qual a real abrangência da Sua obra; sempre alinhada, a explicação, aos mundanos parâmetros, “inclusivos”; pisoteando porções cristalinas da Água da Vida; sujando o que deve ser mantido limpo. Esses, conhecedores das paixões humanas, por serem delas também, reféns, sabem quais cordas vibrar para soarem afinados aos colegas de infortúnio espiritual; assim, arranjam muitos seguidores na avenida ampla da perdição, onde caminham.

Ninguém é obrigado a crer. Cada um pode dispor da sua vida como bem lhe parecer; pois, as consequências das suas escolhas incidirão obre ele, não, sobre o semelhante. “Cada um dará conta de si mesmo a Deus.” Rom 14;12

Porém, quando alguém ousa alterar À Palavra da Vida, aí invade a praia alheia; uma vez que, ensinando falsidades como se, derivadas da Palavra de Deus, leva a perder aos semelhantes que lhe derem ouvidos. A ninguém foi dado esse direito.

Embora esposando expressões com semblante lógico, tiradas com cacoetes evangélicos, abordagens aparentemente altruístas, com certo senso de justiça, se contrariam à Palavra do Senhor, as imanentes “virtudes” da mensagem são apenas alegorias a disfarçar o opositor mor e seus ministros. “Não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz. Não é muito, pois, que seus ministros se transfigurem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme suas obras.” II Cor 11;14 e 15

Os mesmos que ensinam doutrinas que desencaminham de Cristo, depois postam suas “filosofias” libertárias, tipo: “Esforce-se por mudar a si mesmo, não perca tempo tentando mudar o outro.”

Ora, o que é a pregação do Evangelho, que Cristo ordenou, senão, o desejo que o semelhante mude para sua salvação? Por que Jesus chamou aos Seus, de “sal da Terra e luz do mundo”, sendo que, essas coisas, sal e luz, não existem para si mesmos, mas, para servir aos outros? Claro que não devemos nem podemos, decidir nada, pelo semelhante. Todavia, viver de uma forma que seja exemplar, segundo Cristo, e à medida do dom de cada um, ensinar o que aprendemos, é inevitável.

Descobriríamos uma “Pérola de Grande Valor”, e quereríamos apenas para nós? Quatro leprosos de antanho fizeram melhor do que faríamos se agíssemos de modo egoísta; “Então disseram uns para os outros: Não fazemos bem; este dia é dia de boas novas, e nos calamos; se esperarmos até à luz da manhã, algum mal nos sobrevirá; por isso agora vamos, anunciaremos à casa do rei.” II Rs 7;9

As boas novas daqueles dias, se referiam à fartura de pão a uma cidade faminta. As que temos para anunciar, respeitam ao “Pão dos Céus” ao mundo que padece com fome de Deus.


Fiel É Deus, para cumprir tudo o que prometeu; tanto, para acolher aos que buscam pela salvação, quanto, para tolher descaminhos que propõem os errados de espírito.