sexta-feira, 31 de maio de 2024

O que Deus mostrou


“Rugiu o leão, quem não temerá? Falou o Senhor Deus, quem não profetizará?” Am 3;8

Amós não tinha as credenciais “esperáveis” para profeta. Qualquer um está pronto a escutar mensagens de promessas, de coisas que Deus, supostamente fará por dele.

Amós acenava com juízo, contra a casa de Jeroboão; a morte do rei. E contra a nação toda, que acabaria em cativeiro. Ver cap 7;11

Salvo, um grande e coletivo arrependimento, como fora em Nínive, nos dias de Jonas, a profecia se cumpriria, trazendo à luz seus severos vaticínios; eventualmente, a dureza dos corações, alvos das mensagens, acossa-os contra quem os adverte, invés de rever seus caminhos.

Falar contra a casa real, era demais, para alguns; “Depois Amazias disse a Amós: Vai-te, ó vidente, foge para a terra de Judá; ali come pão e profetiza; mas em Betel daqui por diante não profetizes mais, porque é o santuário do rei, casa real.” Am 7;12 e 13

“Queres seguir contando tuas lorotas, faça-o na terra de Judá; em Betel, não mais; fora daqui!”

O profeta reconheceu sua “falta de credenciais”; “Respondeu Amós, dizendo a Amazias: Eu não sou profeta, nem filho de profeta, mas boiadeiro, e cultivador de sicômoros. Mas, O Senhor me tirou de seguir o rebanho, e me disse: Vai, e profetiza ao Meu povo Israel.” Vs 14 e 15
Logo, “... Falou O Senhor Deus, quem não profetizará?”

No entanto, isso, invés de ser tido como uma banalização do ministério da profecia, como fazem parecer os muitos falsários da praça, vemos a condição estrita indispensável para tanto: “Falou O Senhor Deus...” Sem isso, nem mesmo um experimentado no exercício profético terá algo a dizer, da parte do Eterno.

Quem expõe o que está escrito, pelo Espírito de Deus, observando as devidas regras de interpretação, num sentido amplo, profetiza; uma vez que coloca em relevo algo que Deus falou. No entanto, os que, alheios à Palavra escrita, seguem enchendo ouvidos de incautos com o que “Deus lhes mostra”, não devem ser tidos por profetas, necessariamente.

Além da ortodoxia bíblica, deve passar, a mensagem, pelo devido cumprimento, em tempo, se é que falam mesmo da parte de Deus.

Além disso, muitas “platitudes góspeis” também costumam desfilar como profecias; coisas elementares, que até meu cavalo sabe, são entregues onde houver incautos para receber. Tipo, “Deus tem um plano em tua vida”; Ora, tem isso na vida de todos. “... é longânime para conosco, não querendo que alguns se percam, senão, que todos venham a arrepender-se.” II Ped 3;9 Ou, “Deus tem ouvido tuas orações;” “Aquele que fez o ouvido não ouvirá?” Sal 94;9

São exemplos, há muitos outros semelhantes, de farsantes posando de profetas sem nenhum mandado Divino para isso.

Todavia, a mais cretina de todas as farsas nesse meio, é o “arremesso de buquê”. Figurando aquele momento da cerimônia nupcial, quando a noiva joga para trás seu arranjo florido, e quem pegar pegou. 

Há muitos patifes assim, usando o Nome de Deus. “O Senhor me mostra alguém que...” então, ousam nos detalhes, falam de minúcias; “Há um carro cinza diante da tua casa...” Cáspita!! Afinal, lançando algo assim ao vento, tem boas chances de “acertar”; pouco importa o arremesso; sempre haverá quem o pegue.

O Eterno, Onisciente, não fala com “alguéns.” Chamou a Josias pelo nome antes dele nascer. “... um filho nascerá à casa de Davi, cujo nome será Josias, o qual sacrificará sobre ti os sacerdotes dos altos que sobre ti queimam incenso...” I Rs 13;2 O Santo não adivinha as coisas; avisa o que irá fazer.

Quando Sua Palavra usa pronomes indefinidos, aquele, alguém, quem, qualquer, a ênfase está no predicado. “Todo aquele que Nele crer não pereça...” “Se alguém quiser vir após Mim...” “Se alguém está em Cristo, nova criatura é...” etc.

Tenho meus motivos para supor que, muitos analfabetos bíblicos se “apoiam” no que supostamente Deus lhes “mostra” pela preguiça de estudar com empenho a Palavra que Ele mostrou a todos. Não se conclua, que, sou contra o dom de profecias, autêntico; tenho minha aversão contra farsantes.

Quando Deus fala, deveras, como no caso de Amós, não adianta ficar brabo, como ficou Amazias. Pois, contra ele também, Deus bradou mediante ele; “... Tu dizes: Não profetizes contra Israel, nem fales contra a casa de Isaque. Portanto assim diz O Senhor: Tua mulher se prostituirá na cidade, teus filhos e tuas filhas cairão à espada, a tua terra será repartida a cordel, tu morrerás na terra imunda, e Israel certamente será levado cativo para fora da sua terra.” Vs 16 e 17

É dito proverbial que não ponhamos o carro adiante dos bois; os falsos profetas colocam seus carros onde nem bois, há.

quarta-feira, 29 de maio de 2024

Limpeza parcial


“Fez o que era reto aos olhos do Senhor, conforme tudo que fizera Amazias, seu pai. Tão-somente os altos não foram tirados; porque o povo ainda sacrificava e queimava incenso neles.” II Rs 15;3 e 4

Há muitas passagens semelhantes, relativas a outros reis. Fez o que era reto, porém...
Suas atitudes eram probas; mas, para algo que estava posto antes deles, e que todos sabiam que era errado, faziam vistas grossas, não tocavam naquilo. No caso, altares espúrios dedicados à idolatria.

Embora pudessem evocar retidão no prisma pessoal, sendo reis tinham deveres mais amplos, que abarcavam todo o reino. Nos dias de Ezequias, o profeta Isaías foi enviado a ele com severa advertência: “Põe em ordem tua casa porque morrerás...” Is 38;1

O relato traz: “Então virou Ezequias seu rosto para a parede, e orou ao Senhor: Ah! Senhor, peço-te, lembra-te agora, de que andei diante de Ti em verdade, com coração perfeito; fiz o que era reto aos Teus olhos. E chorou Ezequias muitíssimo.” Vs 2 e 3

O fato de ter recebido mais quinze anos de vida, deixa entrever que, deveras, andara em verdade diante de Deus. Entretanto, a advertência para que colocasse sua casa em ordem, evidencia que, responsabilidades atinentes ao governo ainda careciam ser devidamente tratadas. Não estavam em ordem. Fizera o que era reto, porém...

Nossa responsabilidade pessoal é importante que seja assumida. Todavia, a excelência assoma, quando, damos um passo além; quando coisas que sequer nos foram ordenadas, mas, sabemos que estão erradas, recebem nossa atenção e cuidado. “Assim também vós, quando fizerdes tudo que vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos somente o que devíamos fazer.” Luc 17;10

Bem conheciam eles as Leis do Senhor e a aversão que O Eterno tinha pelo culto aos ídolos. Entretanto, entrava rei e saía rei, e aqueles locais permaneciam; tipo, não fui eu que fiz, que fique onde está; prefiro evitar polêmica.

Havia ordens expressas, sobre o trato com deuses de feitura humana das nações de antes deles; “Guarda-te de fazeres aliança com os moradores da terra aonde hás de entrar; para que não seja por laço no meio de ti. Mas, seus altares derrubareis, suas estátuas quebrareis e seus bosques cortareis. Porque não te inclinarás diante de outro deus; pois o nome do Senhor é Zeloso; é um Deus zeloso."

Pior que não purificar aqueles locais, os próprios, do povo do Senhor erigiam estátuas, como fizera Jeroboão, colocando dois bezerros de ouro; um em Dã, outro em Berseba.

Parecia uma postura esperta no prisma político, não confrontar os costumes do povo, mas, ficava mui aquém, no âmbito do devido zelo espiritual a ser manifesto pelos que se diziam servos do Eterno.

Nem todos os reis foram omissos; Josias subiu ao trono inda garoto, com oito anos; aprendeu as coisas de Deus durante uns tempos, depois colocou a casa em ordem; “Porque no oitavo ano do seu reinado, sendo ainda moço, começou a buscar o Deus de Davi, seu pai; no duodécimo ano começou a purificar Judá e Jerusalém, dos altos, dos bosques e das imagens de escultura e fundição.” II Cron 34;3

O que muitos reis maduros e experientes não ousaram, um jovem de vinte anos fez; por ter aprendido que essa era a vontade de Deus. Não fora ele que colocara aquelas tranqueiras, mas seria ele a removê-las.

Cada um em particular “reina” sobre as escolhas que faz, ou deixa de fazer em sua vida. Não raro, acontece de fazermos o que é reto em determinadas coisas, restando um porém, nalgum aspecto que não ousamos enfrentar.

Com zelo e certo alívio até, banimos de nossas vidas erros grosseiros, quando aprendemos o Divino querer; todavia, no mais recôndito, algum pecado de estimação insiste em ficar, como ídolo herdado, como se não tivéssemos culpa pela sua presença, em nosso “reino.”

A Palavra de Deus é categórica: “Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor;” Heb 12;14

Não importa se, nosso pecado favorito é hereditário, nossos genitores também faziam assim; se o teólogo, a, o reverendo b, dizem que isso pode ser feito. Se, choca-se com os preceitos da Palavra da Vida, por incensado que seja no mundo, deve ser banido do viver de quem teme a Deus.

De certa forma, a mensagem dada a Ezequias nos seus dias é a mesma pertinente a cada um de nós, em nosso tempo. “Põe em ordem tua casa, porque morrerás.” Ou alguém não vai morrer?

O primeiro passo para fazermos isso é identificarmos as desordens que nela há, para a purificarmos. Como? “Com que purificará o jovem o seu caminho? Observando-o conforme Tua Palavra.” Sal 119;9

terça-feira, 28 de maio de 2024

Inventores espirituais



“Um abismo chama outro abismo...” Sal 42;7
“... quando um edifica uma parede, outros a cobrem com argamassa não temperada;” Ez 13;10

Inicialmente, o conceito que um erro costuma requerer outro para se manter; depois, a denúncia objetiva nos dias de Ezequiel, onde um profetizava falso, outro vinha e confirmava a profecia. Um edifica a parede, outro reboca, com material ordinário.

Vaticinavam paz, quando era tempo de guerra; “Porquanto, sim, porquanto andam enganando Meu povo, dizendo: Paz, não havendo paz...”

Embora se diga que a mentira tem pernas curtas, penso que manqueja; carece sempre das “muletas” de nova mentira para se suster.

Nem sempre uma mentira, intencional; às vezes um erro, tido por acerto, torna-se mentira; requer mais do mesmo, digo, outro erro, que o “confirme”.

Por exemplo, o “Juízo Investigativo” dos adventistas. Uma vez que William Miller marcara a data da volta de Jesus para 1844, e nada acontecera, criaram a referida doutrina, dizendo que, a data estava certa, o evento não. Forjaram, então, a citada doutrina, sem nenhum apoio bíblico, ainda que remotamente.
A Obra redentora foi consumada na Cruz. Assim, invés de assumir e abandonar o erro, como fez Miller, criaram outro, para “suporte” daquele.

Mais; tendo decidido ancorados em suposta visão de Ellen White, que Deus requeria a guarda do sábado, ao longo do tempo recrudesceram nisso; “concluíram” que esse é o “Selo de Deus”, nos seus; embora, a Bíblia apresente a guarda do referido dia como desnecessária; selo dos salvos como sendo O Espírito Santo.

“Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, beber, por causa dos dias de festa, da lua nova ou dos sábados” Col 2;16 “... depois que ouvistes a Palavra da Verdade, o Evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com O Espírito Santo da promessa;” Ef 1;13

Assim, convencidos da sua errônea doutrina, como a Palavra ensina que o Anticristo “selará” também os seus, se fez “necessária” a doutrina do “Decreto Dominical”, como sendo a “marca da Besta”; apenas um reboco de má qualidade na “parede” que divide os que guardam o sábado, adventistas e judeus ortodoxos, dos demais; “Babilônia.”

Não é privilégio dos adventistas, descaminhos assim. O Catolicismo, em algum momento interpretou o “Pecado Original” como sendo o ato sexual. Tanto que, na “Ladainha” encontramos, sobre Maria: “Rainha concebida sem pecado original...” Pois, ela concebeu a Cristo pelo Espírito Santo.

Dessa “doutrina”, o dogma que ela segue virgem para sempre, malgrado tenha tido mais filhos. Já ouvi padres dizendo que textos que falam em “seus irmãos” para Jesus, refere-se a parentes próximos, ou convertidos. Quanto a convertidos, podemos excluir. “Porque nem mesmo seus irmãos criam nele.” Jo 7;5

Parentes próximos, como primos, por exemplo, eram chamados assim; “Eis que também Isabel, tua prima, concebeu um filho em sua velhice...” Luc 1;36 O fato de Jesus ter pedido para que João cuidasse de Maria, é porque Ele confiava mais nos laços espirituais, que nos carnais. “... qualquer que fizer a vontade de Deus, esse é Meu irmão, irmã e mãe.” Mc 3;35

Ora, o pecado original foi a desobediência; tanto que, a mulher pecou sozinha, depois, chamou seu marido. Quanto ao sexo, no matrimônio, é abençoado. Deus ordenara que eles se multiplicassem, enchessem a terra; “Deus os abençoou e lhes disse: Frutificai, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a” Gn 1;28 Como fariam isso sem a relação conjugal? Deus mandaria pecar?

Como vemos, um erro requer outros. Como mais de 50% do que o catolicismo ensina contraria a Bíblia, esposam dogmas, magistério e tradição, como “fontes” além da Palavra. Nos dias de Sua peregrinação, O Senhor foi categórico: “... nem só de pão viverá o homem, mas de toda a Palavra de Deus.” Luc 4;4 depois de ressurreto, ao encerrar o Cânon, sentenciou: “... se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro; se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará sua parte do livro da vida...” Apoc 22;18 e 19

A Reforma Protestante, na verdade, um padre pelejando pela cura da Igreja, se baseou em cinco pontos: “Sola Scriptura, somente a Escritura; Solus Christus, somente Cristo; Sola Gratia, só a Graça; Sola Fide, só a Fé; Soli Deo Gloria, somente a Deus, Glória."

Embora sejam requeridas boas obras como testemunhas da fé, para efeito de salvação, apenas a fé conta; “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie;” Ef 2;8 e 9

Enfim, quem vive e fala a verdade, não carece inventar nada; “Porque nada podemos contra a verdade, senão, pela verdade.” II Cor 13;8

Pendão do Espírito



“... vindo o inimigo como uma corrente de águas, o Espírito do Senhor arvorará contra ele Sua Bandeira.” Is 59;19

Ao cogitarmos uma bandeira, fatalmente pensaremos numa combinação de cores, uma identidade. Num sentido figurado, um conjunto de ideias, postulado filosófico, visão política do mundo, também pode ser expresso como uma bandeira.

Mas, do Espírito de Senhor, quais seriam as “nuances” do Seu pendão, quais figuras ondulariam nele?

Paulo ensinou: “... ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus.” I Cor 1;11 “As quais também falamos, não com palavras que a sabedoria humana ensina, mas com as que o Espírito Santo ensina, comparando as coisas espirituais com as espirituais.” V 13 Devemos comparar as coisas espirituais, em seu âmbito próprio, embora, possamos usar assessórios naturais.

As figuras são necessidades para nossa expressão, dadas nossas limitações ao imanente, quando, precisamos abordar ao transcendente; ou, quando carecemos lidar “concretamente”, com abstrações.

Era hábito comum nas batalhas, um exército correr ao encontro delas, empunhando sua bandeira. Além do lábaro identificar em favor de quem, iam à luta, todo um compêndio de valores, visão de mundo, estava “abrigado” sob aquele pano.

Assim, quando o profeta alude à Bandeira do Espírito do Senhor, arrola necessariamente, sob ela, todos as coisas agradáveis ao Rei dos Reis. Por outro lado, as distorções e perversões contra as quais O Eterno luta desde a queda, são “soldados” do inimigo; sob a bandeira dele. Os valores que são caros ao Eterno, as coisas que preceitua, pelas quais devemos lutar, estão expressos na Sua Palavra; são as “cores” que identificam os valores defendidos pelo Espírito de Deus.

Não poderia mera bandeira resistir às águas. Essas costumam ser mui destrutivas, como vimos, dolorosa e recentemente. Porém, o próprio texto em apreço, deixa ver que essa expressão é mero símile; “vindo o inimigo ‘como’ uma corrente de águas...” 

Vulgarmente se chama à derrocada de valores, corrupção, imoralidade, promiscuidade concomitantes, de “mar de lama”. Mais ou menos o que se tornou a sociedade atual.

Como esse mar, a rigor, não é mar, também a Bandeira do Espírito de Deus, não é estritamente, bandeira. Antes, valores que se opõem ao lixo disseminado; o campo de batalha são as mentes humanas, as almas, que ambas as forças pretendem conquistar.

Os exércitos malignos fazem grandes estragos, com o bombardeio dos prazeres, o cerco do mundo, a infantaria da carne, pelejando pela destruição da Imagem e Semelhança Divina.

O Espírito do Senhor emprega a persuasão da Palavra, a Espada do Espírito, escudo da fé, apoiado pela logística do testemunho, e o invencível pelotão de elite da cruz.

Vencedores não são aqueles cujos corpos seguem em pé no final dela; antes, os que, mesmo ao custo das suas vidas, não capitulam ao apelo da oposição, à corrente de águas sujas dos pecados.

Foi na iminência de ser martirizado, que um deles disse: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; não somente a mim, mas a todos que amarem a Sua vinda.” II Tim 4;7 e 8

Justo Paulo, que nos aconselhou a comparar as coisas espirituais com as espirituais, nos mostrou com seu exemplo, como vence aquele que batalha ao lado do Espírito do Santo. Nega à própria vida, quando necessário, sem negar ao seu Senhor. O amor o constrange, e O Espírito Santo o capacita.

O inimigo não pode se gloriar disso; embora seu exército seja muito mais numeroso, os engajados o fazem por si mesmos, pelo lixo moral que seu dominador lhes faculta, não por amor ao senhor deles. Eventualmente marcará, externamente, como gado, aos seus, por não conseguir marcá-los nos seus corações. Amor é munição que apenas o Exército de Cristo possui.

Não confundir com sentimentalismo barato, isso existe em qualquer esquina; falo do amor que, “... é sofredor, benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” I Cor 13;4 a 7

Os valentes do Senhor não vencem exércitos. Negam a si mesmos, para que Cristo vença ao pecado neles. Não são masoquistas que preferem a dor; antes, gente que ousou entrar pela porta estreita; o exercício na obediência já a fez ampla. “... assim vos será amplamente concedida entrada no Reino Eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.” II Ped 1;11

“Muitas coisas não ousamos empreender por parecerem difíceis; entretanto, são difíceis porque não ousamos empreendê-las.” Sêneca

Honra na dor



“Saiamos, pois, a ele (Cristo) fora do arraial, levando Seu vitupério.” Heb 13;13

Vitupério significa expor alguém ao insulto, ou, vergonha pública. Sofrer vergonha por Cristo, embora seja honroso, nem sempre encontramos “cristãos” dispostos a tanto.

Ao surgir um escândalo, infelizmente surgem muitos, presto fracionam o corpo elevando mera denominação à potência de Igreja, para desvincular-se de outra onde o feito vergonhoso ocorreu: “A sorte que não sou dessa Igreja”, respira aliviado o sujeito, como se, Cristo tivesse muitas Igrejas.

Embora as denominações sejam várias, todos que pretendem compromisso com O Senhor são partes do Corpo de Cristo. A congregação visível é mero fragmento da Igreja, cuja plenitude, nos escapa aos olhos.

Então, não significa que, se um membro de uma denominação fizer algo escandaloso, não me atinge, apenas porque congrego noutra. Paulo expressou a necessária interligação das partes do corpo. “Quem enfraquece, que eu também não enfraqueça? Quem se escandaliza, que eu me não abrase?” II Cor 11;29 Sequer havia denominações; mas, cada aglomerado em torno do Santo era parte da Sua Igreja.

Assim, a vergonha alheia é nossa; o que acontecer de virtuoso ou vicioso, nas muitas denominações cristãs, nos diz respeito.

Esse escapismo de se pretender alheio aos erros mostra que, não entendemos o que significa o “vitupério de Cristo.” Ele foi envergonhado publicamente por erros que não eram dele; antes, nossos.

Poder sofrer um pouco por Ele, mais que um “mal” a evitar como todo esforço, é uma concessão, uma honra. “Porque vos foi concedido, em relação a Cristo, não somente crer Nele, como padecer por Ele.” Fp 1;29

O Senhor advertiu que seria assim; prometeu venturas aos que por isso passassem; “Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus; bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem, perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós por Minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande vosso galardão nos Céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós.” Mat 5;10 a 12

Os apóstolos viram honra na dor, quando açoitados pelo que Cristo neles, representava; “... chamando os apóstolos, tendo-os açoitado, mandaram que não falassem no Nome de Jesus, e os deixaram ir. Retiraram-se, pois, da presença do conselho, regozijando-se de terem sido julgados dignos de padecer afronta pelo Nome de Jesus.” Atos 5;40 e 41

Vergonhoso seria padecer por sermos culpados por um proceder indigno ante os que observam nosso andar; porém, quando for necessário sofrer porque Cristo em nós, incomoda outrem, isso nos é honroso; um testemunho, inda que oblíquo, que O Senhor, deveras, vive em nós.

Por isso Pedro aconselha: “Se padecerdes por amor da justiça, sois bem-aventurados. Não temais com medo deles, nem vos turbeis; antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós.” I Ped 3;14 e 15

À medida que a roda do tempo gira, a inversão de valores se faz mais profunda. Aquilo que foi tido por honroso aos olhos humanos, sem ter sofrido alteração nenhuma, de repente, se torna réprobo, desprezível, vergonhoso. As coisas seguem sendo o que sempre foram; as valorações, não. “Ai dos que, ao mal chamam bem, e ao bem, mal; que fazem das trevas, luz, e da luz, trevas; fazem do amargo, doce, e do doce, amargo! Ai dos que são sábios aos seus próprios olhos, prudentes diante de si mesmos!” Is 5;20 e 21

Sempre seremos confrontados com a dualidade antagônica, entre agradar ao Deus, ou, ao mundo. Todas as vezes que isso acontecer, façamos nossas as palavras de Pedro: “... Julgai vós se é justo, diante de Deus, ouvir antes a vós, que a Deus; porque não podemos deixar de falar do que temos visto e ouvido.” Atos 4;19 e 20

A vergonha de Cristo não deriva de haver lapsos Nele; antes, de quanto se dispôs a sofrer para curar aos nossos. Se, uma gotícula desse remédio amargo nos couber também, soará, ante Ele, uma demonstração, inda que ínfima, de que Seu Amor é correspondido.

Paulo exorta: “Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas atente também para o que é dos outros. De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus.” Fp 2;4 e 5

Ser envergonhado pelo motivo correto é fazer vultoso depósito no Banco dos Céus, onde, fomos exortados a investir nossos valores. Na hora dos rendimentos e correção, renderá valiosos juros em honra, como prometeu o “Gerente”. “Portanto, qualquer que Me confessar diante dos homens, Eu o confessarei diante de Meu Pai, que está nos Céus.” Mat 10;32

segunda-feira, 27 de maio de 2024

A "maldita" propriedade



“Como amaldiçoarei o que Deus não amaldiçoa? Como denunciarei, quando O Senhor não denuncia?” Nm 23;8

Balaão, o profeta mercenário, que fora contratado por Balaque, para amaldiçoar ao povo de Israel, no que foi vetado por Deus; então, disse a frase acima.

Não que alguém, além do Eterno, tenha poder para fazer algo acontecer pelas suas palavras, sejam bênçãos, sejam maldições. Mas, sequer falar, O Santo permitiu, contra Seu povo, em testemunho à Sua Fidelidade, que, oportunamente evocou: “Povo Meu, lembra-te agora do que consultou Balaque, rei de Moabe, e o que lhe respondeu Balaão, filho de Beor; do que aconteceu desde Sitim até Gilgal, para que conheças as justiças do Senhor.” Miq 6;5

Bênção e maldições procedem do Criador, como consequências das escolhas humanas. “Os céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra vós, que te tenho proposto vida e morte, bênção e maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e tua descendência.” Dt 30;19

Quando veta que amaldiçoemos, ordena que, vençamos o mal com o bem, cuida das nossas vidas; não protege nossos eventuais desafetos. Pois, nossas maldições seriam plantios nocivos que acabaríamos colhendo. “... Deus não se deixa escarnecer; porque tudo que o homem semear, isso ceifará.” Gál 6;7

Semana passada ouvimos João Pedro Stédile, líder do MST, dizer no Vaticano, na presença do Papa; “Maldita seja toda cerca! Maldita seja toda propriedade privada!” No que foi aplaudido.

Quando, nos dez mandamentos encontramos: “Não furtarás”, consequentemente, vemos consagrado o direito à propriedade. Em se tratando de terras, mero avanço sobre o alheio, foi vetado nas “letras miúdas”; “Não mudes o limite do teu próximo, que estabeleceram os antigos na tua herança, que receberás na terra que te dá O Senhor teu Deus para possuíres.” Deut 19;14

Que, comunistas desprezem à propriedade privada, (dos outros) é de conhecimento global. Laboriosos trabalham, empreendem e adquirem; eles protestam, invadem e “se incluem” nos direitos alheios; trabalhar eles não sabem. Não passam de uma horda de ladrões.

O comunismo é uma nefasta praga, que ceifou mais de cem milhões de vidas, na China, leste europeu, e América Latina; além de falir dezenas de nações, como efeito colateral do desestímulo ao trabalho, que a referida ideologia comporta.

Que o “Papa Francisco” é um simpatizante da ideia, também não é segredo. Grande parte dos católicos o rejeita pela sua obscenidade política. Tanto que, deu espaço para esse vagabundo, (nascido aqui, para vergonha dos gaúchos) fazer tais declarações, “Urbe et Orbe”, como se fosse uma liderança espiritual, com autoridade para colocar as coisas em seus devidos lugares.

A maldição, como vimos, deriva das nossas escolhas, sobretudo, em relação ao Eterno e Seus preceitos; “Na verdade a terra está contaminada por causa dos seus moradores; porquanto têm transgredido as Leis, mudado Estatutos, quebrado a Aliança Eterna. Por isso a maldição consome a terra...” Is 24;5 e 6

No caso de Balaão, aumentada a recompensa para que amaldiçoasse, porfiou com Deus na esperança que O Eterno mudasse de ideia. Não sendo bastante a Fala do Criador, Ele apelou para a ironia; colocou voz na jumenta que o sujeito cavalgava, e ela falou; enquanto discutia com ela, viu que o anjo da morte já estava a postos contra ele. Quando a voz de Deus não nos basta, ficamos aquém dos animais. Àqueles Deus ordenou que entrassem na Arca e eles obedeceram.

O Eterno permitiu que o guloso por dinheiro fosse, mas, oportunamente, entre outras coisas, colocou nos lábios dele, o seguinte: “Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa; porventura diria Ele, e não faria? Ou falaria, e não confirmaria?” Núm 23;19

A Palavra de Deus diz ainda, que, por um pouco, o mundo inteiro será “socializado”, governado pelo Anticristo. O povo será propriedade do Estado, não poderá ter cidadania plena sem certa marca, na destra ou na testa.

Todavia, enquanto pudermos resistir o inevitável, resistiremos. Trata-se da preservação dos nossos valores, não, de salvar um sistema falido e condenado.

Quem escolhe a injustiça e a pilhagem como modo de vida, a pirataria social, como fazem esses, nem precisa invocar maldições; suas ações já são eloquentes e bastantes para tal.

Pois A Palavra de Deus ensina a exclusão dos vagabundos, da mesa, até; “... se alguém não quiser trabalhar, não coma também.” II Tes 3;10 Caso falte estímulo, traz também: “Vai ter com a formiga, ó preguiçoso; olha para seus caminhos e sê sábio.” Prov 6;6

Quanto a jumentos falantes há tantos atualmente, que penso que, a descendência daquela, chegou aos nossos dias. “Há tantos burros mandando em homens de inteligência, que, às vezes, fico pensando que a burrice é uma ciência.” Antônio Aleixo

Justiça; o insumo básico



“Vi mais debaixo do sol, que no lugar do juízo havia impiedade, no lugar da justiça, impiedade ainda.” Ecl 3;16

Normalmente temos a piedade como mero sentimento religioso, útil para quando orarmos, buscarmos a Deus. A justiça seria um aferidor necessário nas relações interpessoais, nos contratos cotidianos, sem um vínculo direto com a vida espiritual; será?

Paulo apresentou a piedade como útil nessa vida e no porvir: “... exercita a ti mesmo em piedade; porque o exercício corporal para pouco aproveita, mas a piedade para tudo é proveitosa, tendo a promessa da vida presente, e da que há de vir.” I Tim 4;7 e 8 Qual seria o aspecto mais visível da piedade, na vida presente?

Mais que nos exercitarmos espiritualmente oferecendo cultos ao Eterno, estamos numa escola, onde nossos valores são alinhados aos dos Céus, aprendendo a prática da justiça, antes de levantarmos as mãos ao Criador. A Palavra Dele requer: “Quero, pois, que os homens orem em todo o lugar, levantando mãos santas, sem ira nem contenda.” I Tim 2;8 Sem injustiças, podemos acrescentar, sem receio.

A Palavra da Vida nos foi dada, não para ensinar trejeitos de religiosidade; antes, para forjar vidas probas, diante Daquele que ama à justiça. “Com minha alma te desejei de noite, com meu espírito que está dentro de mim, madrugarei a buscar-te; porque, havendo Teus Juízos na terra, os moradores do mundo aprendem justiça.” Is 26;9

Se, subestimamos a regeneração dos nossos caracteres em Deus, e ainda assim pretendemos frequentar à Casa Dele, onde Sua Palavra é ensinada, ignoramos Seu objetivo, restaurar-nos; então, fazemos do culto um fim em si mesmo. Como se, pudéssemos viver nosso dia a dia às nossas maneiras, segundo nossos valores, desde que, reservássemos um tiquinho do nosso tempo, num teatrinho religioso para "agradar" a Deus.

Em dias antigos, já se tentou essa farsa. Pomposos cultos, louvores, sacrifícios; lá fora, cada um segundo sua impiedade. O Eterno protestou: “Odeio, desprezo vossas festas; vossas assembleias solenes não me exalarão bom cheiro. Ainda que Me ofereçais holocaustos, ofertas de alimentos, não Me agradarei delas; nem atentarei para as ofertas pacíficas de vossos animais gordos. Afasta de Mim o estrépito dos teus cânticos; porque não ouvirei as melodias das tuas violas. Corra, porém, o juízo como as águas, a justiça como ribeiro impetuoso.” Am 5;21 a 24

O que desqualificava aos cultos não eram sacrifícios, insuficientes, louvores desafinados, pregações imperfeitas; antes, a ausência de juízo, de justiça no modo de vida dos “devotos” de então.

Se, pois, alguém trata o aspecto espiritual da vida como mero apêndice, algo mais, que, se não fizer bem, mal não fará, ainda não entendeu nada; está invertendo prioridades, usando pedra preciosa na funda. Cristo ensina: “Mas, buscai primeiro o Reino de Deus, e sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” Mat 6;33

A Palavra não mostra Deus olhando para a terra esperando encontrar cânticos espirituais, mãos levantadas ou, futilidades simulares; antes, olhou demandando por quem O buscasse para se santificar, aprender a praticar o que Ele deseja. “Deus olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento e buscasse a Deus. Desviaram-se todos, e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, nem sequer um.” Sal 53;2 e 3

Mesmo O Eterno tendo desprezado as “honrarias” da boca pra fora, mediante Isaías; reiterado isso através do Salvador, muitos ainda não entenderam as coisas. Disse: “... Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-Me com os lábios, mas seu coração está longe de Mim;” Mc 7;6

Basta que frequentemos alguns cultos, e o que mais ouviremos será: “Glória a Deus!” É errado? Não. A Ele toda glória. O problema é quando pensamos que são nossos lábios apenas, que O devem glorificar, divorciados das ações. “Resplandeça vossa luz diante dos homens, para que vejam vossas boas obras e glorifiquem ao vosso Pai, que está nos Céus.” Mat 5;16

Não que O Santo despreze sentimentos, lhe bastem as ações. São os sentimentos corretos que patrocinam as ações corretas diante Dele. Do Salvador está dito: “Tu amas a justiça e odeias a impiedade; por isso Deus, O Teu Deus, Te ungiu com óleo de alegria mais do que a Teus companheiros.” Sal 45;7 Seu amor e Seu ódio agradaram a Deus; por estarem, ambos, nos lugares certos.

Porque Deus anseia por justiça mais que louvores, nossa grande dependência de Cristo; submissos a Ele, Sua justiça é imputada a nós, invés dos nossos pecados; “Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação.” II Cor 5;19