domingo, 17 de março de 2024

A urgência ignorada


“... Não rogues por este povo para seu bem.” Jr 14:11

O Senhor vetando a Jeremias que ele intercedesse pela bênção dos hebreus. Antes, duas vezes dissera o mesmo: “Tu, pois, não ores por este povo, nem levantes por ele clamor ou oração, nem me supliques, porque não te ouvirei.” Cap 7:16 “Tu, pois, não ores por este povo... ” Cap 11:14

Os motivos da aversão Divina por eles estão expressos no texto do profeta: Trocaram O Deus Vivo por ídolos; “Porque o Meu povo fez duas maldades: a Mim deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm águas.” Cap 2:13

Viviam em inclinação despudorada ao pecado; “... tu tens a fronte de uma prostituta, não queres ter vergonha.” Jr 3:3

Lideranças que deveriam corrigir eram partícipes da apostasia; “Irei aos grandes, falarei com eles; porque eles sabem o caminho do Senhor, o juízo do seu Deus; mas estes juntamente quebraram o jugo, romperam as ataduras.” Cap 5:5

Seus mestres e escribas, invés de difundirem a Doutrina do Senhor, forjavam escritos alternativos; “Como, pois, dizeis: Nós somos sábios, a Lei do Senhor está conosco? Eis que em vão tem trabalhado a falsa pena dos escribas. Os sábios são envergonhados, espantados e presos; rejeitaram a Palavra do Senhor; que sabedoria, pois, têm?” Cap 8:8 e 9 etc.

Assim, nada adiantaria o profeta rogar pelo bem de um povo que, sistematicamente optava pelo mal; invés de acessar a Misericórdia Divina, estavam acendendo a Ira do Eterno: “Porventura por estas coisas não os castigaria? diz o Senhor; não se vingaria Minha alma de nação como esta?” Jr 9:9

Os que apregoam o suposto “poder da oração”, deveriam meditar nesses incidentes, para entender que o poder está com O Eterno; contra a vontade ou aceitação Dele, nada acontece. “... A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos.” Tg 5:16

Todavia, aqueles que, conhecendo à vontade Divina, se alienam, rejeitam ou se opõem, na hora da colheita das suas escolhas desorientadas, não venham cansar a Santa Paciência com petições interesseiras, oportunistas, como se O Todo Poderoso fosse manipulável, dado a sentimentalismos pueris, ao ponto de ceder aos maus, se esses rogarem sob o manto de lágrimas falsas.

Um pecador em estado “puro”, digo, alienado das coisas do Santo, tem acesso ao perdão Divino facilmente se, conhecendo-as, muda de vida segundo o que aprender; “Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, em todo lugar, que se arrependam;” Atos 17:30 “Deixe o ímpio seu caminho, o homem maligno os seus pensamentos e se converta ao Senhor, que se compadecerá dele; torne para nosso Deus, porque Grandioso É em perdoar.” Is 55:7

Porém, aquele que, inteirado do querer do Altíssimo, persiste em agir à sua ímpia maneira, ignorando à voz amorosa que o chama, certamente sofrerá as consequências desse desdém. “... porque clamei e recusastes; estendi Minha mão e não houve quem desse atenção, antes rejeitastes todo Meu conselho e não quisestes a Minha repreensão, também de minha parte me rirei na vossa perdição e zombarei, vindo o vosso temor. Vindo o vosso temor como a assolação, e vossa perdição como uma tormenta, sobrevirá a vós aperto e angústia.” Prov 1:24 a 27

Embora muitos não aquilatem devidamente, ouvir à Palavra de Deus, é um grande privilégio, que traz anexa uma, não menor, responsabilidade. Podemos nos desviar “desentendidamente” do que ouvimos, ou, nos deixar instruir e andar conforme; ambas as escolhas terão consequências: “Porque o erro dos simples os matará, o desvario dos insensatos os destruirá. Mas o que me der ouvidos habitará em segurança, estará livre do temor do mal.” Prov 1:32 e 33

A necessidade de reconciliação do pecador com Deus não é uma coisa que possa ser protelada indefinidamente; a todo instante partem pessoas que tiveram essa oportunidade e desprezaram, e nunca mais a terão; por isso, a advertência: “Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto.” Is 55:6

A incerta duração de nossas vidas terrenas, é a redoma de tempo e espaço, na qual devemos reencontrar o caminho de casa; voltar para Deus. “De um só sangue fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação; para que buscassem ao Senhor, se porventura, tateando, O pudessem achar; ainda que não está longe de cada um de nós;” Atos 17:26 e 27

Como desconhecemos o devir, cada instante pode ser o último; daí, a urgência com que A Palavra de salvação é apresentada. “Hoje, se ouvirdes Sua Voz, não endureçais os vossos corações.” Heb 4:7

sábado, 16 de março de 2024

Salvos pelo Amor de Deus


“Com todo engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvar.” II Tess 2:10

Nuances da manifestação do “homem do pecado, filho da perdição,” o Anticristo.

Seu método, engano, injustiça; suas presas, os que não receberam o amor da verdade. Em geral pensamos que devemos à verdade, apenas dar crédito. Em se tratando da Verdade, que é Cristo, “...Eu Sou... A Verdade...” Jo 14;6 a relação salvífica com ela demanda um pouco mais; amar.

Diferente do que pensam os que fundem sentimentalismo ao amor, amar vai além de sentir desejos benévolos em relação a alguém; ou, aceitar tudo o que esse alguém faça, como se, o amor que busca e aceita todos, aceitasse tudo. Não. Envolve comprometimento, entrega, obediência. “Se Me amais, guardai Meus Mandamentos.” Jo 14:15 “Aquele que tem Meus mandamentos e os guarda esse é o que Me ama; aquele que Me ama será amado de Meu Pai; Eu o amarei, Me manifestarei a ele.” Jo 14:21

Não é um mercantilismo pueril, toma-lá-dá-cá, comércio de “afeto” em troca de interesses. Eu “amo”, mas se... quem ama deveras não tem um “se” como termo até onde seu amor seguiria sendo “fiel.” A mulher de Jó, no auge da provação dele achou que teria se rompido esse suposto termo; “...ainda reténs tua sinceridade? Amaldiçoa Deus, e morre.” Jó 2:9 “... Como fala qualquer doida, falas tu...” respondeu ele.

“A verdadeira afeição, na longa ausência se comprova”. Camões. Também, em relação a quem pensa amar a Deus, na Verdade. Eventualmente, duros trechos de marcha nos são reservados nesse mundo mau. Quando isso acontece, os que amam questionam os próprios caminhos, buscam entender os motivos Divinos para permitir dores; mas, jamais colocam em dúvida as decisões da Santa e Eterna Sabedoria. “Lendo a Bíblia, encontrei muitos erros; todos em mim.” Agostinho.

As passarmos por esses “túneis”, Isaías aconselha: “Quem há entre vós que tema ao Senhor e ouça a voz do Seu servo? Quando andar em trevas, não tiver luz nenhuma, confie no Nome do Senhor; firme-se sobre seu Deus.” Is 50:10

A verdade é sisuda, confrontadora, restrita aos fatos, despreocupada em agradar. Quem a fala e vive, nesse mundo de mentiras, tem todos os predicados “necessários” para se tornar um desmancha-prazeres, mal visto, indigesto. Todavia, aos olhos celestes fará desejável figura: “Quem Me ama será amado do Meu Pai...” ensinou O Salvador.

Como um cônjuge que ama seu par, notaria pelo convívio, o mínimo traço de alteração comportamental no outro, também nossa relação com a verdade. Ao menor sinal de que “ela está mudando”, identificamos as garras adúlteras da mentira tentando se imiscuir em nossa relação com O Pai. Quem a ama não será enganado pelo Pai da Mentira.

Nosso amor enseja um zelo pelo que é santo; o efeito colateral disso, incide de volta sobre nós, protegendo-nos dos ardis da oposição; “Como guardaste a palavra da Minha paciência, também te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar aos que habitam na terra.” Apoc 3:10

O Senhor atua através da Sua Palavra; quem guarda-a será guardado por ela; como um colete-à-prova-de-balas, só protege quem o possui se for vestido, também a Palavra de Deus; só guarda quem a ama e retém.

Se a verdade tem como limite os fatos, a mentira desconhece termos; o inferno é o limite. Desboca-se em grandezas fora da casinha, caçando incautos que, buscam pelo engano com a sofreguidão que um beduíno busca um oásis no deserto.

Nossa tendência natural atina a isso. Embora grandes devedores a Deus, pelas nossas muitas falhas, a maioria “reina” sobre fantasias de espúria fabricação, atuando como se, a vida lhe devesse grandes coisas, quando, na verdade ele carece dar satisfações ao Criador.

Tanto é assim, que a aproximação do homem natural, de Deus é impossível. “Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois, não é sujeita à lei de Deus, nem pode ser.” Rom 8:7

Não se trata de querer ou não; mas, de não poder mesmo. Por isso, O Salvador chama a Si para o “novo nascimento”, espiritual; aos que O ouvem e recebem, faculta o poder que faltava. “A todos quantos O receberam, deu-lhes poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no Seu Nome;” Jo 1:12

Os cegados pelo Pai da mentira são levados a buscar “erros” na Palavra de Deus. O traíra formou “teólogos” hábeis nisso. Quem aprendeu amar à verdade, invés de desviado por um falso líder, apenas vislumbra de longe, entristecido, à desértica perdição daquele. “Os sábios são envergonhados, espantados, presos; rejeitaram à Palavra do Senhor; que sabedoria, têm eles?” Jr 8:9

sexta-feira, 15 de março de 2024

As "narco-milícias evangélicas"


“Até quando o tolo vai pelo caminho, falta entendimento e diz a todos que é tolo.” Ecl 10;3

Ninguém sai por aí dizendo: Sou tolo, parvo, imbecil! Antes, a ideia é que a tola forma de agir, evidencia carência de saber. Falar, atuar desconexo com a realidade acaba sendo uma “confissão” de cérebro ermo, onde deveriam habitar saudáveis neurônios.

Repercute trecho de uma entrevista de Gilmar Mendes, que, citando “fontes” difusas, tipo, “ouvi falar”, asseverou a existência do que chamou de “narco-milícia evangélica”, um consórcio de narco-traficantes e pastores, atuando no Rio de Janeiro.

Temos problemas com a fala do ministro, analisando estritamente ela; não, lançando irresponsavelmente ao ventilador, o que alguém teria ouvido falar em algum lugar, como se isso fosse digno de crédito.

Primeiro; um verdadeiro ministro de Corte Suprema, comprometido com a justiça, não sai falando pelos cotovelos intrometendo-se em tudo. Um juiz probo, (ele não é) fala apenas nos autos, argumentando as razões pelas quais vota assim ou assado. No mais, mantém silêncio, cioso que seu dever requer imparcialidade.

Segundo; para soltar ao vento uma afirmação dessa gravidade, ele carece fontes fidedignas; para que possa provar, onde de direito, a veracidade da acusação. Senão, não passa de um leviano, castrado do bom senso e prudência, necessárias a qualquer homem, minimamente decente; que dizer de um decano do STF?

Terceiro; ninguém tem mais casas de recuperação de drogados no nosso país, que as igrejas evangélicas, entre as mais variadas denominações. É necessário assumir uma posição, honorável Ministro: ou, os evangélicos são pela drogadição, ou pela recuperação dos drogados. Apesar de nossas imperfeições, não está em nosso “cardápio” darmos uma mão a Deus, outra, ao Diabo. Evangélicos e traficantes são coisas excludentes. Não se pode ser as duas.

Evangélico, caro decano, é quem adota os ensinos do Evangelho como modo de vida, sendo o mais eloquente, não fazer ao próximo aquilo que não deseja para si. Assim, tanto não desejamos drogas, quanto, lutamos pela libertação dos que já estão nas teias dos vícios.

Por fim, quanto à “milícia” fazemos parte de uma sim. Como o senhor foi guindado aonde está, pelo seu “notável saber”, certamente sabes que a palavra tem mais usos possíveis que, apenas nominar grupos de extermínio, que fazem coisas brutais ao arrepio das leis, pelo arbítrio doentio de uma ou duas cabeças, adoecidas.

Os que combatem pela causa de Cristo, militam por Ele; assim, sua atuação pode ser, figuradamente, adjetivada como milícia, coisa que o apóstolo Paulo fez. “Este mandamento te dou, meu filho Timóteo, que, segundo as profecias que houve acerca de ti, milites por elas boa milícia.” I Tim 1:18
“Se alguém milita, não é coroado, se não militar legitimamente.” II Tim 2:5 “Milita a boa milícia da fé, toma posse da vida eterna, para a qual também foste chamado, tendo já feito boa confissão diante de muitas testemunhas.” I Tim 6:12

Enfim, caro decano, se para ascender à toga preta foi demandado de vossa Excelência, notório saber, e tens mais de uma década de experiência na mais alta corte do país, deves saber muito. Então, mesmo se comportando como o tolo que vimos ao princípio, que sai nu de predicados intelectuais, às mais concorridas “ruas” de nossa nação, expondo sem nenhum pejo toda a obscenidade dos seus lapsos, suspeito que não seja tolice seu motivo, mas, algo bem pior.

Pessoas venais, corruptas, sempre escolhem o mesmo lado, o da moeda. Em cima disso, usam seus predicados e talento para semeadura de cizânia, calúnia, desinformação; com uma cara privada de vergonha, incapaz de sentir o peso das barbáries que profere em defesa de seus intere$$e$ mais caros.

Sua diarreia verbal ocorre por privação de caráter, não, de saber. O Salvador, ensinando O Evangelho apreciou aos que usam o conhecimento a serviço do mal, como sendo uma “luz”, que, no fundo, são trevas. “Se, porém, teus olhos forem maus, teu corpo será tenebroso. Portanto, se a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas!” Mat 6:23

Chamamos de luz, caro Ministro, um caráter transparente, que nada tem a esconder; isso é parte do Evangelho, a razão primeira, pela qual, os que escolhem o crime e a hipocrisia como modo de vida, se mantêm a uma “distância segura” de Jesus Cristo.

Claro que usei ironia quando o chamei de excelência, e dotado de notável saber! Respeito se conquista agindo de modo respeitável, é não é seu caso nem da maioria dos seus pares. Pago partícula do seu polpudo salário contra minha vontade, pois, não és digno.

A cadeira, o cargo, podem ser de excelência; contudo, sobre a bunda que nela se assenta, apoia-se um cérebro privado de decência.

quinta-feira, 14 de março de 2024

Caçadores de moscas


“Conheço tuas obras, tribulação, pobreza (mas tu és rico), e a blasfêmia dos que se dizem judeus, e não são...” Apoc 2:9

“Eis que Eu farei aos da sinagoga de Satanás, aos que se dizem judeus, e não são, mas mentem: farei que venham, e adorem prostrados aos teus pés, e saibam que te amo.” Apoc 3:9

“Conheço tuas obras, teu trabalho, tua paciência, que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que dizem ser apóstolos e não são, tu os achaste mentirosos.” Apoc 2:2

Fragmentos registradas em Apocalipse. O que cada verso tem em comum com os outros é que, O Senhor denuncia gente que se diz ser uma coisa que, não é.

Vivemos a pós-verdade, onde, mentiras ganham mídia, são divulgadas, enquanto, a verdade é amordaçada, tolhida, caluniada. Sem qualquer pudor, quadrilhas que furtaram ao poder sem nenhuma legitimidade, falam em “criar uma narrativa” nome da moda para mentir sistematicamente, ativar o modo quadrilha, e destruir às reputações.

Isso tudo, permeado com censura a opositores, desejo confesso de controlar as redes sociais; a mídia venal, já compraram. Os poucos honestos equilibram-se a duras penas, entre seu desejo por reportar fatos, e os riscos que isso representa. Os que impõem essas arbitrariedades, o fazem sempre em “defesa da democracia”.

Portanto, a arte de se parecer uma coisa que não é, excede em muito o âmbito das igrejas.

Lá, infelizmente, temos muitos pregadores, cujos modos de vida desmentem suas pregações; se dizem ministros do Senhor e não são. Deem lhes um microfone e logo se transfiguram, cheios de moralismos e “doutrinas” com as quais atacam, olvidando que chamada de um ministro idôneo é para que ele anuncie o Evangelho, não, as nuances de sua predileção, onde deveria fluir apenas a Palavra do Senhor.

“Não mandei esses profetas, porém, foram correndo; não lhes falei, contudo, profetizaram. Se estivessem no Meu conselho, então, teriam feito Meu povo ouvir Minhas Palavras; o teriam feito voltar do seu mau caminho, da maldade das suas ações.” Jr 23:21 e 22

Não que, um ministro probo não possa corrigir, eventualmente, aos de mau proceder; refiro-me aos que não corrigem a si mesmos. Sentem-se superiores, como o fariseu que orava desprezando ao publicano.

A autoridade para correção requer primeiro uma postura submissa, obediente, como ensina Paulo: “Estando prontos para vingar toda desobediência, quando for cumprida vossa obediência.” II Cor 10:6

Por um detalhe periférico de usos e costumes, esses fariseus que parecem santos e não são, lançam gente mais preparada e de melhor testemunho que eles, ao desprezo; dão de ombros agressivamente deixando claro sua “superioridade”; os que não rezam pela cartilha deles, seriam sub-salvos, pseudo cristãos, ou, na melhor das hipóteses, crentes de segunda divisão. Quiçá, depois de muito aconselhamento de gente como eles, possam ser promovidos aos da primeira; depois de aderir às idiossincrasias deles, claro!

O simples fato de sua “artilharia” estar voltada contra os que creem, invés de buscando pelos perdidos, já deixa patente um crasso erro de alvo.

Quando João decidiu impor restrições a alguns por picuinhas, foi repreendido pelo Senhor; “... Não o proibais, porque quem não é contra nós é por nós.” Luc 9:50

De novo recorro a uma frase citada pelo Padre Paulo Ricardo: “Queres conhecer a motivação espiritual de alguém? Observe contra o quê, ele está lutando.”

Pois, esses que lutam contra os salvos, tentando impor a eles, doutrinas de homens sonegando a sadia interpretação da Palavra de Deus, trabalham para quem? O zelo divorciado da luz é matéria-prima para fanatismo, como disse Paulo dos seus coirmãos judeus: “Porque lhes dou testemunho de que têm zelo de Deus, mas não com entendimento.” Rom 10:2

Acaso não foi movido por esse zelo cego que Paulo precisou um tratamento de choque, quando O Senhor o encontrou a caminho de Damasco?

Tantos problemas graves na Igreja, perversões sexuais “canonizadas”, liberalismo teológico espezinhando diuturnamente à sã doutrina; esses que se presumem obreiros preparados e não são, pelejando com unhas e dentes sobre vestes e cosméticos, como se houvesse santidade nisso.

Desde que não exceda aos padrões de decência, todo mundo sabe o que é indecente, tudo bem; mas para esses caçadores da mosca alheia enquanto engolem camelos, não.

Muitos pregadores defendem suas doenças dizendo que o cristão é conhecido pelas vestes. Parece doutrina, mas não é.

Cristo ensinou que seremos conhecidos pelos frutos; Paulo definiu o caráter transformado, como os frutos esperáveis; “Todavia o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que são seus; qualquer que profere o Nome de Cristo aparte-se da iniquidade.” II Tim 2:19

Quem está ciente que Deus o conhece, passa ao largo do teatro dos hipócritas.

domingo, 10 de março de 2024

Talento alheio

 

“Quantas vezes a gente, em busca da ventura,
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão, por toda parte, os óculos procura
Tendo-os na ponta do nariz!” Mário Quintana

O que nos faz buscarmos distante aquilo que está à mão, nem sempre é nossa incapacidade de ver; mas, de apreciar devidamente o que temos.

Depreciamos desonestidade intelectual. Pois, há também um grave dano, ensejado pela desonestidade conceitual, que acha a cruz do outro, mais leve; as dádivas que possui, insuficientes, mesmo tendo o bastante. Os Pablos Marçais da vida enriquecem com essa doença.

O risco de trazermos pra nós, seres volúveis e falhos, a “autoridade” para a definição das coisas, remete-nos ao conselho de Satanás; ele estimulou a autonomia, independência de Deus. A Palavra Divina adverte: “Confia no Senhor de todo teu coração, não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, Ele endireitará tuas veredas. Não sejas sábio aos teus próprios olhos; teme ao Senhor e aparta-te do mal.” Prov 3:5 a 7

A escolha é nossa: “Não sabeis que, a quem vos apresentardes por servos para obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis...” Rom 6:16 Atitudes mostram escolhas.

A imprudência do primeiro casal, os fez “hospedeiros” de um vício de Satanás; agiram como se tivessem inveja de Deus. Quem padecia disso era o canhoto. “Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei meu trono; no monte da congregação me assentarei, aos lados do norte. Subirei sobre as alturas das nuvens, serei semelhante ao Altíssimo.” Is 14:13 e 14. Quando disse: “vós sereis como Deus...” fez parecer desejável ao primeiro casal, o que assim parecia a ele.

“Elevou-se teu coração por causa da tua formosura, corrompeste tua sabedoria por causa do teu resplendor; por terra te lancei, diante dos reis te pus, para que olhem para ti.” Ez 28:17 Vemos que, formosura e resplendor não bastavam a esse amante do brilho alheio.

Em geral, a capacidade de “não ver”, excede às nossas coisas e toca nas do semelhante, sobretudo, se o que vamos ignorar são as suas qualidades. Não significa que todas as pessoas, a despeito dos seus atos, mereçam o que possuem. Cada um “escreve” sua história como bem lhe parecer. Ora, as circunstâncias são favoráveis, outra, adversas; devemos andar em meio a elas, firmados em valores, se temos em conta a vontade de Deus. Senão, faça cada um o que aprouver e encontre-se, em tempo, com a consequências.

O tempo da análise da “concordância” entre preceitos e atitudes, A Divina vontade, será do dia do juízo; então, a perfeita justiça dará a cada um exatamente o que merecer.

A palavra inveja deriva do latim, “invídia”, com sentido de desgosto causado pela felicidade alheia; recusa a ver as coisas como são.

Machado de Assis colocou um “freio de mão” no “carro” da felicidade; escreveu para que não nos empolguemos muito com ela, pois, sempre traz em sua boca “uma gota da baba de Caim.” Alusão à inveja que aquele sentiu, vendo Abel em comunhão com Deus, enquanto ele estava em falta. Invés de consertar sua vida, decidiu tirar a do irmão. “Se bem fizeres, não é certo que serás aceito?” Gn 4;7 questionara O Criador.

Salomão versou: “Também vi que, todo o trabalho, toda a destreza em obras, traz ao homem a inveja do seu próximo...” Ecl 4;4 Ninguém inveja à mediocridade.

O lado mais doentio da inveja é que ela recusa ver a si mesma. Sempre desfilará com alguma veste furtada, embora, no fundo, saiba o real motivo dos seus pleitos. Como os que entregaram Jesus Cristo a Pilatos. Nenhum dizia que era por algum motivo torpe; antes porque seria um agitador, inimigo de césar, um sedicioso... assim, seu clamor seria por “justiça.”

No entanto, quem não estava sob a febre do ciúme poderia ver o que esse recusava. “Porque ele bem sabia que por inveja os principais dos sacerdotes o tinham entregado.” Mc 15:10

Infelizmente, como o vovozinho citado pelo Quintana, muitos buscam os óculos alhures, tendo-os na ponta do nariz.

Superdimensionam futilidades, desprezam valores. Acerca de posses, poderíamos aprender com Agur: “Afasta de mim a vaidade e a palavra mentirosa; não me dês nem pobreza nem riqueza; mantém-me do pão da minha porção de costume; para que, porventura, estando farto não te negue, e venha a dizer: Quem é o Senhor? ou que, empobrecendo, não venha a furtar, tome o Nome de Deus em vão.” Prov 30:8 e 9

Às vezes é necessária a intervenção de um profeta, para a cura da visão. “Orou Eliseu, e disse: Senhor, peço-te que lhe abras os olhos, para que veja.” II Rs 6:17

O Cordeiro Pastor


“Porque o Cordeiro que está no meio do trono os apascentará, e lhes servirá de guia para as fontes vivas das águas; Deus limpará de seus olhos toda lágrima.” Ap 7:17

Espetacular figura temos aqui! Um Cordeiro pastor. Em geral são esses animais que carecem a condução segura de um pastor.

O Salmo 23 apresenta O Senhor como provedor de pastos e águas às Suas ovelhas; “Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranquilas.” V 2

Acontece que, Senhor é Sua essência, quem Ele É. Cordeiro foi um arranjo circunstancial, para suprimento da nossa necessidade de redenção, que nenhum outro poderia prover.

Aludindo à insuficiência de virtude para remover pecados, dos antigos sacrifícios, temos: “... Sacrifício e oferta, holocaustos e oblações pelo pecado não quiseste, nem te agradaram (os quais se oferecem segundo a Lei). Então disse: Eis aqui venho, para fazer, ó Deus, a tua vontade. Tira o primeiro, para estabelecer o segundo. Na qual vontade temos sido santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez.” Heb 10:8 a 10

Ele, “Sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se, tomando forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; achado na forma humana, humilhou-se, sendo obediente até à morte, e morte de cruz.” Fp 2:6 a 8

Digamos que, Ele, em parte precisou ficar dos “nosso tamanho”, para ser Legítimo Redentor de nossas almas, em atenção à demanda da Justiça Divina. Se, foi feito semelhante a nós nas limitações às quais se entregou, contudo, em Sua Santidade e Justiça, permaneceu sendo como era; Imaculado, Sublime, Perfeito.

“Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por Ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles. Porque nos convinha tal Sumo Sacerdote, Santo, Inocente, Imaculado, separado dos pecadores, feito mais sublime que os céus; que não necessitasse, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios, primeiramente por seus próprios pecados, depois pelos do povo; porque isto fez Ele, uma vez, oferecendo a Si mesmo.” Heb7:25 a 27

O Cordeiro Pastor, circunstancialmente, se fez como um de nós, sofrendo as limitações de um corpo semelhante ao nosso, para que, vencendo-as se tornasse nosso Único Redentor, apto a se identificar com nossas fraquezas, por conhecê-las. “Porque naquilo que Ele mesmo, sendo tentado padeceu, pode socorrer aos que são tentados.” Heb 2:18

O esvaziamento do Senhor para se fazer Cordeiro, nem sempre é devidamente entendido. O Catolicismo pegou esse arranjo pontual, como se fosse uma situação essencial, eterna; daí chamam a Bem aventurada Maria, de “mãe de Deus.”

Outros levam ao pé da letra a metáfora do “segundo Adão”, para esposar a ideia que Cristo é criado. A Palavra é categórica: “Todas as coisas foram feitas por Ele, sem Ele nada do que foi feito se fez.” Jo 1:3

Então, Maria recebeu a honrosa missão de ser feita mãe do “Cordeiro de Deus”, que por Sua vez, É O Criador de tudo.

Careceu “aprender” a obedecer; na Sua Bendita Majestade, jamais precisara obedecer a quem quer que fosse; feito como um de nós, Filho de Deus, por um tempo, as coisas mudaram; “Ainda que Era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu.” Heb 5:8

Identificado com nossas fraquezas, clamou na hora de maior angústia: “... Meu Pai, se é possível, passe de Mim este cálice...” Mat 26:39 Porém, limitado pela obediência que nos convém, ensinou a submissão incondicional à Divina Sabedoria; “... todavia, não seja como Eu quero, mas como Tu queres.”

Quando A Palavra apresenta a imagem do Cordeiro Pastor, pois, aglutina na mesma figura o que Ele Fez em nosso favor, e Quem Ele É. “Eu Sou o Bom Pastor; o Bom Pastor dá Sua vida pelas ovelhas... Eu Sou o Bom Pastor, conheço Minhas ovelhas, e das Minhas Sou conhecido.” Jo 10:11 e 14

O fato Dele ser conhecido das Suas ovelhas é que dá segurança às mesmas; pois, muitas vozes ecoam tentando seduzir o rebanho do Senhor, após rumos estranhos. Muitos mercenários com suas motivações próprias tentam usurpar ao Bom Pastor; porém, na hora das provas ficam nus; “O mercenário, que não é pastor, de quem não são as ovelhas, vê vir o lobo, deixa as ovelhas e foge; o lobo as arrebata e dispersa-as.” Jo 10:12

Estamos tão acostumados às figuras, que, podemos olvidar que, águas e os pastos se referem à doutrina, que nos lega a vida. Há muitos propondo dietas alternativas. Quem adquiriu o paladar espiritual junto ao Bom Pastor, não se satisfaz com simulacros; “de modo nenhum seguirão o estranho, antes, fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos.” Jo 10:5

“O Senhor É o meu Pastor...” sal 23;1

sábado, 9 de março de 2024

Derrocada


“O que foi é o que há de ser; o que se fez, isso se fará; de modo que nada há novo debaixo do sol.” Ecl 1;9

“Cada estágio da história é um momento necessário da ideia do espírito do mundo.” Hegel

A divisão histórica em períodos onde predominou certo modo de pensar, no aspecto político, filosófico, sociológico, é a chamada “Dialética Hegeliana”. Segundo Hegel, em cada estágio duas ideias opostas combatem, tendo conceitos válidos em ambas; depois de certo tempo surge uma “síntese” e abarca parte da tese e da antítese.

Essa, torna-se nova tese, para a qual, surgirá sua oponente, as quais, darão lugar a nova síntese; assim sucessivamente. Como degraus duma escada, facultarão a subida do conhecimento civilizatório. Certa ou não, essa leitura, permanece o fato que seu defensor esposava a humanidade em contínuo aperfeiçoamento.

Como a sociedade é composta de seres humanos, natural que esses também cresçam, galgando degraus na escada da maturidade.

Machado de Assis ilustrou: “... Cada estação da vida é uma edição, que corrige a anterior, e será corrigida também, até a edição definitiva, que o editor dá de graça aos vermes.” Tendemos a crescer, pois, até que nossos corpos sejam decompostos; a ideia machadiana.

Logo, seja no prisma particular, seja no aspecto social, coletivo, o esperável é que haja contínua escalada, rumo à maturidade, num caso; ao aperfeiçoamento social, n’outro.

Embora, ambos os postulados tenham lógica, a realidade insiste em negar tais teorias, como necessárias no curso da vida. Acontece que, à medida que o fio do tempo se desenrola, um contraste preocupante fica mais visível. Parte do homem sobe; outra, desce vertiginosamente.

Sobre a inevitável piora ao curso do tempo, Salomão versou: “Nunca digas: Por que foram os dias passados melhores que estes? Porque não provém da sabedoria esta pergunta.” Ecl 7:10
Parece que, esperar o decréscimo da qualidade de vida seria o óbvio, infelizmente. Só um tolo e crédulo ousaria pensar diferente.

Se, no prisma tecnológico, a teoria de Hegel se aplica sempre, inventos imperfeitos são sintetizados, aprendizados são aperfeiçoados, dando origem a outros melhores, que por sua vez acabam superados também, nas relações sociais, na maturidade cívica e nas relações interpessoais, pioramos a olhos vistos.

Depois de séculos estabelecendo à família como célula mãe da sociedade; igualdade de gêneros, reconhecendo a dignidade da mulher; o estabelecimento inviolável das liberdades, de credo, ir e vir, expressão, escolha, com a sedimentação da democracia; de repente, num período assustadoramente breve, para tão graves mudanças, tudo isso agoniza, ferido de morte. 

Homem e mulher já não resumem nossos gêneros. São tantos quantos, a perversão conseguir inventar; ela tem sido criativa. Destruir a família, vilipendiar a educação, tolher as liberdades virou programa de governo; “democrático”, pasmem!

O irônico desse “status quo” é que, as múltiplas facilidades tecnológicas atrapalham os anseios tirânicos dos novos ditadores. Pois, podendo amordaçar à imprensa com cédulas, têm que conviver com a “imprensa alternativa” ameaçadoramente livre. Urge que eles façam o “controle social da mídia”, eufemismo palatável, com o qual pretendem dourar a pílula da censura, tão cara aos seus projetos totalitários.

Com devido respeito, pois, caro Georg Wilhelm Friedrich Hegel, sua tese furou. Invés de galgarmos o próximo degrau, estamos ameaçados de voltar uns quatro ou cinco para trás, governados pela “Vanguarda do Atraso” como ironizou Augusto Nunes.

Se, adotando como necessária a figura de Machado de Assis, que, todos os homens passam por “edições”, onde erros pretéritos são corrigidos e eventual crescimento os aperfeiçoa, infelizmente, muitos parecem-se com os “Escritos de Qumram”, ainda rudimentares, “originais”. Incapazes de pensar, defensores do indefensável.

Um parêntese é necessário: Quem carece de aperfeiçoamento, amadurecimento são os seres humanos; o teor da Palavra de Deus, por antigo que seja, segue atual, pelo caráter eterno do seu Autor.

O progresso civilizatório deve ser integral; envolver todos os aspectos da vida humana, sobretudo o ético e o espiritual. Imaginemos uma tribo de antropófagos, que, tenha sido “civilizada” apenas no prisma dos meios e esquecido dos fins. Outrora, enquanto bárbaros, comiam carne humana com seus aparatos toscos; agora, “civilizados” ainda mantêm a mesma “dieta”, porém, usam garfos, facas e lenços...

Assim caminhamos, tristemente. Os meios são superados de modo célere, por outros cada vez mais modernos; os fins apodrecem, porque o homem tão dedicado a melhoramentos tecnológicos, pouco se importa com crescimento psicológico e propósito espiritual como motores de suas escolhas.

Deus não edita; regenera. Os que O rejeitam, o canhoto cega, e põe a trabalhar para ele, como fizeram os filisteus com Sansão. 

Aos Seus depois de justificar, O Eterno ilumina. “A vereda dos justos é como a luz da aurora; vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito.” Prov 4:18