domingo, 28 de janeiro de 2024

Os ventos; a palha


“... assopraram ventos, combateram aquela casa e caiu; foi grande sua queda.” Mat 7:27

Em geral, quando pensamos em nossas “casas”, testadas pelos ventos, cogitamos provações de cunho particular; maledicências, privações, incompreensões, carências, enfermidades, etc. Essas coisas todas acontecem; mas, os ventos que colocam a prova a nossa fé vão muito além das incidências pessoais.

Preceituando a necessidade de aprendizado para a edificação, Paulo apontou o alvo e o motivo: Devemos crescer, “Até que todos cheguemos à unidade da fé, ao conhecimento do Filho de Deus, homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo, para que, não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente.” Ef 4:13 e 14

A negligência nisso foi constatada entre os hebreus, e eles levaram um puxão de orelhas bem rígido; “... vos fizestes negligentes para ouvir. Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar os primeiros rudimentos das palavras de Deus; vos haveis feito tais que necessitais de leite, não de sólido mantimento. Porque qualquer que ainda se alimenta de leite não está experimentado na palavra da justiça, porque é menino.” Heb 5:11 a 13

Ventos de doutrinas sopram continuamente; fazem enormes estragos nas nossas caminhadas espirituais, caso não estejamos devidamente edificados em Cristo.

O obreiro preparado se faz uma barreira contra as poluídas águas das heresias; porém, o que foi relapso, facilmente pode ser cooptado por doutrinas espúrias; presto se fará um divulgador dos enganos aos quais capitulou.

Veja diuturnamente, gente que nada aprendeu quando deveria, agora, refém de um simulacro sem vida, ensinado o que pensa saber, estando na estúpida posse do “brinquedo novo”, mais distante de Cristo do que antes, quando era apenas omisso.

Sinto vergonha alheia, quando ouço que um “evangélico” finalmente descobriu a “verdade” no catolicismo; outro, enfim, “entendeu” que deveria guardar o sábado; um terceiro “aprende” que os dízimos eram coisas do Antigo Testamento; após ele, aquele que, finalmente descobriu o “Nome Verdadeiro” do Eterno, passando a atacar, desfazer dos que não esposam o que “só ele sabe”; isso sem mencionar as falácias amorosas das tais “Igrejas inclusivas”.

À sombra de alguma dessas perversões doutrinárias, certamente buscará abrigo, aquele que, por relapso, deixou de buscar a edificação em Cristo, no devido tempo. Ventos testando a casa que, deveria estar na Rocha, mas, os fatos mostram que estava na areia.

Paulo foi categórico: “Não vos movais facilmente do vosso entendimento...” II Tess 2;2 O contexto era o da volta do Senhor; mas, certamente se aplica, o conselho, sobre a permanência na doutrina aprendida, como disse noutra parte: “Ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro Evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema.” Gál 1:8

Não há novidades teológicas a serem descobertas. Tudo o que era necessário foi dado em tempo; ensinado, estabelecido pela Doutrina dos apóstolos. “Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo.” I Cor 3:11

Antigo é esse conselho: “Teme ao Senhor, filho meu, e ao rei; não te ponhas com os que buscam mudanças, porque de repente se levantará a sua destruição; a ruína de ambos, quem o sabe?” Prov 24:21 e 22

Desde os dias iniciais da Igreja, os ataques a ela começaram mediante infiltrados; foi preceituado o devido combate, em defesa da sanidade da fé. “Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da salvação comum, tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos. Porque se introduziram alguns, que já antes estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus; negam a Deus, Único Dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo.” Jd vs 3 e 4

A novidade desejável, necessária, tem a ver com os frutos da transformação operada em nós por Cristo; “De sorte que fomos sepultados com Ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós em novidade de vida.” Rom 6:4

É muito mais fácil mudar nuances da fé, denominação, doutrina, que mudar o caráter pelas renúncias necessárias em submissão a Cristo. Esse tipo de mudanças, geralmente conta com incentivos externos; de gente de caminhos errôneos, e ousadas pretensões; cegos pretendendo guiar outros cegos.

Quem pretende acessar venturas na eternidade pelos degraus das facilidades, trai a si mesmo, sem fazer distinção entre o valioso e o vulgar. “... aquele que tem a Minha Palavra, fale Minha Palavra com verdade. Que tem a palha com o trigo? diz o Senhor.” Jr 23:28

Homens de fé


“Quanto a mim, os meus pés quase que se desviaram; pouco faltou para que escorregassem meus passos. Pois, eu tinha inveja dos néscios, quando via a prosperidade dos ímpios.” Sal 73:2 e 3

“... meus pés quase se desviaram...”
o motivo que “atraía” ao desvio, foi lido nas entrelinhas dessa confissão, como sendo uma queda, não, uma aquisição. “pouco faltou para que escorregassem meus passos.”

Certamente foi após o entendimento exato das coisas que a narrativa foi escrita. No momento em que o comportamento ímpio “leva vantagem”, assoma uma dúvida sobre a escolha de quem opta pela probidade. Faz parecer que, a virtude é um “desperdício”, uma vez que demanda renúncias, e “não compensa.”

Essa foi a “conclusão” o que chegara o escritor. “Na verdade, que em vão tenho purificado meu coração; lavei minhas mãos na inocência. Pois todo o dia tenho sido afligido, castigado cada manhã.” Sal 73:13 e 14

Que valeu escolher a justiça, inocência, se estou sofrendo, enquanto, os que vivem de qualquer maneira, vivem prósperos, folgados?

A ideia de amarmos à justiça por fatores paralelos, como louvores, recompensas, no fundo, deriva da mesma “moral” da “Teologia da Prosperidade.” Pode ser mera mercância disfarçada de virtude.

Mesmo filósofos, que não eram homens espirituais, apenas, racionais, deploravam isso. Sócrates disse, mais ou menos o seguinte: “Quando um homem for considerado justo, lhe caberão por isso, aplausos, elogios, louvores; ficaremos sem saber se ele é justo por apreço à retidão, ou, aos louvores que recebe. Convém, pois, expor o tal, a uma situação onde seja privado de todas essas coisas; se ainda assim, permanecer justo, certamente, o é, por amor à justiça.”

Além de agradar a Deus pela honra que tributa à Sua Palavra, a fé também é uma necessidade funcional, dado o que está em jogo; se, as recompensas fossem imediatas, quer boas, quer ruins, isso a eliminaria, trazendo a coisa para um escambo presente.

Se, fosse mera troca imediata, faça isso e receba aquilo, um exercício, uma recompensa, qualquer animal adestrado poderia manifestar “fé”. Deus pensa do homem, ser esse um pouco mais alto que os animais, uma vez que o criou à Sua própria Imagem e Semelhança.

Dado que a Semelhança com O Criador implica termos um espírito, que os animais não têm, O Eterno espera que façamos uso dessa capacidade atemporal, de tocar o passado, via arrependimento, o futuro através da fé; bem como, entender as vicissitudes presentes, mediante reflexão segundo Sua Palavra. “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se espera, a prova das coisas que se não vê.” Heb 11:1

Não são as circunstâncias que patrocinam as escolhas da fé; ela excede-as; de Moisés A Palavra diz: “Pela fé deixou o Egito, não temendo a ira do rei; porque ficou firme, como vendo o invisível.” Heb 11:27

Quando tudo escurece ao nosso redor, ainda assim, a fé descansa na Integridade e no propósito do Senhor; são essas coisas que ela “vê” quando sadia; “Quem há entre vós que tema ao Senhor e ouça a voz do seu servo? Quando andar em trevas, não tiver luz nenhuma, confie no Nome do Senhor; firme-se sobre seu Deus.” Is 50:10

Os que “fabricam saídas” quando Deus os quer em confiantes esperas, são comparados aos que acendem fogo estranho; “Eis que todos vós, que acendeis fogo e vos cingis com faíscas, andai entre as labaredas do vosso fogo, entre as faíscas, que acendestes. Isto vos sobrevirá da Minha Mão, em tormentos jazereis.” V 11

Que a confissão de Agur, de invejar eventualmente os ímpios foi escrita após uma visão melhor, o mesmo texto deixa ver. As coisas que desejou num momento primeiro, considerou ofensivas aos heróis da fé do passado, meramente falar; “Se eu dissesse: Falarei assim; eis que ofenderia a geração de Teus filhos. Quando pensava em entender isto, foi para mim muito doloroso; até que entrei no santuário de Deus; então, entendi o fim deles.” 73:15 a 17

Doloroso entender; pareceu injusto, inicialmente. Porém, o valor de um caminho se deve mensurar pelo destino ao qual conduz, não pela facilidade da caminhada. “Certamente Tu os puseste em lugares escorregadios; Tu os lanças em destruição. Como caem na desolação, quase num momento! Ficam totalmente consumidos de terrores.” Vs 18 e 19

Tendem os que são da fé e ver cada vez maiores as “vantagens” dos ímpios, e os prejuízos dos fiéis, num mundo como esse, que “jaz no maligno”.

É esperável que cada ação receba a devida recompensa; as nossas estão depositadas no porvir. Nosso tesouro está no céu; aqui temos aflições. “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens.” I Cor 15:19

sábado, 27 de janeiro de 2024

"Os filhos de Deus."


“Viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; tomaram para si mulheres de todas que escolheram.” Gn 6:2

Além da violência, a poligamia grassava, antes do dilúvio.

Duas correntes disputam sobre quem seriam os “filhos de Deus” que tomaram para si, tantas mulheres, quantas, desejaram.

Uns defendem que seriam anjos, que, seduzidos pela beleza das mulheres, deixaram seus estados originais, para copularem com elas; teriam alcançado filhos de gigantesca estatura. Certo que existiram gigantes naqueles dias, mas, esse fato no corrobora nada.

Outros acreditam que, a distinção entre os filhos de Deus e dos homens era uma leitura da condição espiritual de uns e outros; assim como hoje temos os convertidos e os que estão em inimizade com Deus;

ao longo do Antigo Testamento tivemos o “povo eleito” e os gentios; então, a descendência de Sete, por seu viés piedoso era tida como, filhos de Deus; ao passo que, a de Caim, pela razão oposta, eram os filhos dos homens.

Assim seria, meramente, a descendência dos piedosos misturar-se pela união carnal, com a dos ímpios.

Não é fácil tomar posição quanto a isso, dispondo de poucos dados, para nossos argumentos.

Alguém poderia obstar contra a leitura da condição espiritual, que, se apenas Noé e sua família foram salvos no Dilúvio, oito pessoas, não havia muitos “filhos de Deus” naqueles dias. Seria um argumento a considerar.

Contudo, os fatos narrados pelo homem tendem a sê-lo, a partir da perspectiva humana. Suponhamos que nosso país fosse destruído por algo semelhante ao dilúvio; uma dezena de pessoas sobrevivesse. Depois, resolvesse escrever como eram as coisas antes do evento. Talvez, no prisma religioso anotasse que mais de 70% da população era de “Cristãos”, tomando mera profissão externa como base, não a realidade espiritual, que é pífia, infelizmente.

Imediatamente após ao ato promíscuo, O Criador deu um sonoro basta! à humanidade. “Então disse o Senhor: Não contenderá o Meu Espírito para sempre com o homem; porque ele também é carne; porém seus dias serão cento e vinte anos.” V 3 Se, foram anjos caídos os culpados, por que o juízo incidiu sobre os homens?

Quando Pedro diz que alguns anjos “não guardaram seu estado original”, refere-se ao fato que, originalmente viviam em comunhão com O Criador, obedecendo-lhe; seduzidos pelo Canhoto, caíram da ventura original para a sina de demônios.

Aceita a ideia que eram anjos, se faz necessária uma questão mais: Poderiam eles se materializar ao ponto de possuírem semente humana, capaz de gerar filhos? Que muitas vezes apareceram na forma humana isso é narrativa recorrente nas Escrituras. Daí a gerarem filhos com mulheres, dá o que pensar.

Entre a vida plenamente espiritual e a carne, há um lapso que é difícil crer que foi superado apenas por desejos “carnais” de seres espirituais. Dos anjos, diz: “Não são porventura todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?” Heb 1:14

Tanto que, quando Deus desejou um Sacrifício Perfeito, precisou “preparar um corpo para Cristo”, pois; “... convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo.” Heb 2:17
“Por isso, entrando no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste, mas corpo me preparaste;” Heb 10:5 “Como acima diz: Sacrifício e oferta, e holocaustos e oblações pelo pecado não quiseste, nem te agradaram... Então disse: Eis aqui venho, para fazer, ó Deus, a Tua vontade. Tira o primeiro,
(sacrifício) para estabelecer o segundo.” Heb 10:8 e 9

Caso seres espirituais possam interagir no âmbito da carne sem um corpo como o nosso, teria sido necessário Jesus nascer de uma mulher?

Portanto, com o devido respeito aos que divergem, penso que se tratava de homens apenas; os “filhos de Deus”, porque se reputavam piedosos pela descendência; e os dos homens, por terem uma situação inversa.

O livro de Enoque? Se alguma fonte de doutrina necessária, estivesse escondida nele, acredito que O Criador, que preservou a pureza da Sua Palavra o teria validado também.

Pedro ensina que Cristo, “... vivificado pelo Espírito... pregou aos espíritos em prisão; os quais noutro tempo foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé...” I Ped 3:18 a 20

Provavelmente se refere aos “filhos de Deus” que caíram; apenas, pode se rebelar aquele que estava em comunhão. Só é chamado desobediente, quem deveria obedecer. Quem sempre esteve espiritualmente alheio, não se rebelaria.

“... por isto foi pregado o Evangelho também aos mortos...” I Ped 4:6 Anjos não morrem; viram demônios. É tipo da coisa sobre a qual a gente opina, argumenta, sem pretensão de ser categórico, de estar certo.

As tristezas


“Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende; mas a tristeza do mundo opera a morte.” II Cor 7:10

Duas origens possíveis para a tristeza. Tanto ela pode ser segundo Deus, quanto, segundo o mundo.

O que entristece ao Eterno é o pecado, a apostasia, as más escolhas que levam Seus filhos à perdição. 

No mundo, qualquer alvo egoísta não atingido, desejo insano não realizado, entristece; mesmo a bênção, a prosperidade de outrem, magoa ao invejoso que imagina que ele mereceria tais coisas, não, quem as recebeu. Pleitos rasteiros podem ensejar uma tristeza falsificada; o velhaco vitimismo, para “justificar” uma demanda; enfim, as variáveis são imensas, embora a razão básica das tristezas do mundo derive de uma causa; alienação de Deus.

Os que reconciliaram com Ele, mesmo ante tristezas necessárias, ainda concorre uma alegria interior, espiritual, que mitiga os danos daquelas; “Porque o reino de Deus não é, comida, nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo.” Rom 14:17

Davi chegou a dizer que tinha no Senhor, gozo maior que o dos ímpios ao festejar uma grande colheita; “Puseste alegria no meu coração, mais do que no tempo em que se lhes multiplicaram o trigo e o vinho.” Sal 4:7

Em linhas gerais, a tristeza segundo Deus verte de alvos nobres não atingidos, como a salvação; Deus só a permite quando, absolutamente necessária; “Porque não aflige nem entristece de bom grado aos filhos dos homens.” Lam 3:33

Há uma qualidade didática na tristeza, como versou alguém: “Caminhei uma légua com a alegria, incansável tagarela; mesmo que falasse tanto, eu nada aprendi com ela; caminhei uma légua com a tristeza, que nenhuma palavra falou; ah, quanta coisa aprendi, quando a tristeza comigo andou!”

A Obra de Deus, pode ser “feita” segundo Deus, ou, segundo o mundo. Malgrado, O Salvador tenha sido categórico quanto à separação, muitos tentam fundir essas coisas, distintas.

O Senhor disse, dos Seus: “Dei-lhes Tua Palavra, e o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como Eu não sou do mundo. Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal. Não são do mundo, como Eu do mundo não sou.” Jo 17:14 a 16

Quem pensa que O Evangelho prioriza “as causas sociais” como está na moda, não entendeu nada.

Se, como vimos, os que são de Cristo, não são do mundo, embora estando nele, por que forjariam as mais espúrias associações, em demanda de um mundo melhor, como pretende o ecumenismo?

O Evangelho não foi dado para a pacífica convivência entre os diferentes; tampouco, para salvar o sistema. Antes, para anunciar retamente a boa nova que confronta e convida ao arrependimento; desafia o pecador a sentir tristeza segundo Deus, por ter errado o caminho, para que se arrependa em tempo.

As preocupações do mundo têm a ver com a salvação do ecossistema, a convivência pacífica, a legitimação das imoralidades, dos vícios; usam o Nome de Deus, eventualmente como verniz; o espírito do engano como diretriz.

Por mais que ímpios não gostem de escutar isso, o mundo não tem conserto; está perdido. O Eterno não pretende salvá-lo; antes salvar dele, os que lhe derem ouvidos, para os quais, outro mundo foi preparado. “Porque, eis que crio novos céus e nova terra; não haverá mais lembrança das coisas passadas, nem mais se recordarão.” Is 65:17

Pedro falou do fim de um, e da vinda de outro mundo; “Havendo, pois, de perecer todas estas coisas, que pessoas vos convém ser em santo trato e piedade, aguardando, e apressando-vos para a vinda do dia de Deus, em que os céus em fogo se desfarão, os elementos, ardendo se fundirão? Mas nós, segundo Sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça.” II Ped 3:11 a 13

João viu o cumprimento da promessa; “Vi um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe.” Apoc 21:1

Tende esse mundo que, quanto mais avança na vereda do tempo mais se afasta de Deus, a deplorar os que permanecem Nele, segundo Sua Palavra. O desejo mundano por “modernizá-la” é apenas uma máscara para o intento maligno de silenciar À Voz de Deus.

Não somos contra a preservação da natureza, socorro aos pobres, convivência pacífica; também fazemos essas coisas; apenas vemos às tais, não como nosso objetivo aqui; antes, como incidentes paralelos numa caminhada cujo fim é muito mais alto que isso.

Se em última análise não há um mundo melhor para o mundo; há um mundo novo para os que se deixam persuadir pela Palavra de Deus, para salvação.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

Pentecostal ou tradicional


“Filho meu, guarda o mandamento de teu pai, e não deixes a lei da tua mãe;” Prov 6;20

Certa rivalidade permeia o cenário cristão; entre os reformados tradicionais e os pentecostais. Aqueles teriam a vantagem de ter uma hermenêutica mais apurada, uma solidez bíblica estabelecida; enquanto esses, se jactariam de ser mais espirituais, fervorosos; transmitirem a mensagem de salvação com mais poder. Quem está certo?

Os convertidos passam, necessariamente pelo “novo nascimento, da água, (palavra) e do Espírito (Santo)”. Antes que alguém suponha que nascer da água refira-se ao batismo, convém lembrar um dito do Mestre: “Aquele que beber da água que Eu lhe der nunca terá sede, porque a água que Eu lhe der se fará nele uma fonte que salte para a vida eterna.” Jo 4:14

figura alusiva à Sua Doutrina, Palavra.
Água não apenas para matar a sede, como para lavar, purificar também, associada ao Espírito Santo; “... segundo Sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo;” Tt 3:5 “Para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela Palavra;” Ef 5:26

Tanto A Palavra quanto O Espírito, além de regenerar, purificam ao renascido.
Como nascemos de pai e mãe, mantida a figura diríamos que A Palavra é a mãe, e O Espírito, o Pai dos resgatados em Cristo.

O provérbio que inicia esse tratado refere-se à relação familiar mesmo, sem uma conotação espiritual; “Filho meu, guarda o mandamento de teu pai, e não deixes a lei da tua mãe;”

O que impede que seja usado como uma figura válida, na presente abordagem? “Além do que, tivemos nossos pais segundo a carne, para nos corrigirem, e os reverenciamos; não nos sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos, para vivermos?” Heb 12:9

Acontece que, para um filho se manter ao mesmo tempo, obediente ao pai e à mãe, isso requer que ambos falem as mesmas coisas; como funcionaria essa obediência, se, o filho pedisse para ir jogar bola, por exemplo; o pai dissesse que pode; a mãe que não pode, como ficaria? Seria impossível obedecer a ambos, dada a contradição deles.

Nenhum cristão sadio deveria se portar como filho de mãe solteira, tampouco, de pai.

Em outras palavras: Os que priorizam o estudo da palavra e a sadia interpretação, para edificação das vidas em Cristo, não devem ser tão “bíblicos” ao ponto de se fecharem a eventuais manifestações do Espírito, caso Ele as queira; Afinal, essas também estão previstas na Palavra, descritas na espécie, e disciplinadas no modo;

Os que enfatizam os dons, o exercício neles, também, não devem ser tão “espirituais”, ao ponto de perderem a vigilância necessária, quanto ao teor do que os referidos dons carreiam para o meio do rebanho. Não deve ser aceito nada que contradiga, malverse, ou altere o que foi nos dado mediante A Palavra. “Não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus...” I Jo 4;1 adverte João.

Afinal, se falar novas línguas, interpretação delas, e profecia, são dons expressos na Palavra, e nenhum texto afirma que tais coisas cessariam antes da volta do que “É Perfeito”, palavra da sabedoria e da ciência também são dons arrolados na mesma lista, encabeçando-a; talvez, pela maior relevância que os outros.

Se alguém me perguntar: “Você é tradicional, ou pentecostal?” Sou cristão. Recebi o dom de variedade de línguas, e gosto imensamente de aprender; esforço-me para isso, pois, são coisas complementares, não excludentes. “Filho meu, guarda o mandamento de teu pai, e não deixes a lei da tua mãe;”

Longe de mim, contudo, a “conclusão” de alguns pentecostalistas, que, quem não fala novas línguas, não tem O Espírito Santo. Os dons Dele são diversos; línguas é apenas um, e não é selo de nada.

Aqueles que O Espírito Santo “sela”, mudam o caráter, dão frutos conforme Ele; “Todavia o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que são seus; qualquer que profere o Nome de Cristo aparte-se da iniquidade.” II Tim 2:19

Os dois lados perdem, ao meu ver, caso se apeguem ferrenhamente, cada um, ao seu aspecto favorito para o relacionamento com Deus. Profundidade na Palavra é uma bênção que não se pode exagerar a importância; fervor no espírito, idem.

Dos pais naturais a lei dizia: “Honra a teu pai e tua mãe, para que se prolonguem teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá.” Ex 20:12

Muito mais devemos honrar aos nossos pais espirituais. Assim fazendo, nossos dias se prolongarão à eternidade. A Palavra de Deus e O Espírito Santo sempre andaram juntos; por que os separaríamos? “... homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo.” II Ped 1:21

Os conselhos


“... Dai conselho entre vós sobre o que devemos fazer. Disse Aitofel a Absalão: Possui as concubinas de teu pai, que deixou para guardarem a casa; assim todo o Israel ouvirá que te fizeste aborrecível para com teu pai; e se fortalecerão as mãos dos que estão contigo.” II Sam 16:20 e 21

Após seduzir aos súditos de Davi, lisonjeando aos descontentes com promessas de “justiça” caso o rei fosse ele, Absalão, o indigno filho do rei consegui reunir após si muitos inconsequentes; tantos, que, avisado, Davi se pôs em fuga de Jerusalém para não ser morto pelo “novo rei”.

Absalão pediu, conselho a Aitofel, sobre o próximo passo. Deita com as concubinas de teu Pai, para que todos vejam que a coisa não tem volta; assim, os ainda têm dúvidas deixarão de ter.

Tendem as pessoas a cercarem-se de semelhantes, evitando frontalmente as que se lhes opõem. Tinha dado, Absalão, um passo terrível. A sedição contra o rei sempre acabava em pena de morte. Todavia, se tivesse sido aconselhado por um ancião sábio, quiçá seria levado ao arrependimento; uma vez que era filho do rei, poderia ser perdoado.

Porém, buscou o parecer de outro estúpido como ele; invés de alguma atenuante para o mal já feito, aconselhou que se fizesse um mal ainda maior. “Um abismo chama outro abismo...” Sal 42;7

Das lisonjas à sedução; aliciamento de incautos; então, a formação de um exército de revoltosos; por fim, a rebelião; agora o recrudescimento no erro. Sua descida à perdição “progredia” célere.

Seu irmão, Salomão, mais tarde viria a escrever: “Filho meu, se os pecadores procuram te atrair com agrados, não aceites... Porque seus pés correm para o mal, se apressam a derramar sangue... São assim as veredas de todo aquele que usa de cobiça: ela põe a perder a alma dos que a possuem.” Prov 1:10, 16 e 19

O filho de Salomão, Roboão, também errou nisso; quando chegou sua vez de reinar, o povo pediu que reduzisse a carga de impostos que seu pai fizera mui pesada. Buscou os sábios, os anciãos do povo que o aconselharam a ouvir o povo, aliviar sua carga, para reinar em paz.

Porém, buscou uma segunda opinião, dos jovens que se criaram com ele; esses, como é próprio dos que precisam provar alguma coisa, aconselharam a aumentar o peso dos impostos invés de abrandar. O resultado? Rebelião. Das doze tribos, apenas Judá e Benjamim ficaram com ele. Dez se apartaram, escolheram novo rei.

Quando alguém se dispõe a ouvir outro, meio que predeterminando o que deseja escutar, esqueça; faça o que já acha que é certo e dane-se sozinho. O mero fato de precisar reforço numa posição é já um testemunho íntimo de que a coisa está mal. Todavia, quem, sentindo-se assim, se mostra refratário a mudar, qual sentido de buscar conselho?

Oswaldo cruz dizia: “Observando os erros alheios, o homem prudente corrige os seus.”

Um dos nomes atribuídos por Isaías ao Senhor foi: “Maravilhoso Conselheiro...” Is 9;6 Ele quando chamou a si os cansados, oprimidos, entre outras coisas disse: “... aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração; encontrareis descanso para as vossas almas.” Mat 11:29

Infelizmente, como nos exemplos vistos, muitos também vão ao “Maravilhoso Conselheiro” predeterminando o que desejam ouvir; desejam que O Santo os abençoe como são, como estão, mesmo estando muito mal; uma mudança de rumos segundo o sábio conselho não está nos seus planos.

Paulo anteviu: “Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme suas próprias concupiscências; desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas. Mas tu, sê sóbrio em tudo...” II Tim 4:3-5

Se, o que deve se opor a eles carece ser sóbrio, implica que esses estão embriagados pelos seus desejos malsãos; e a “aproximação” do Divino conselheiro é mero verniz, tencionando dar uma aura respeitável para passos que não são assim. A Palavra Daquele que conhece o fim dos caminhos desde o começo, chama-os a voltar atrás; eles se recusam a escutar.

Como vimos na loucura de Absalão, ele foi “construindo” sua destruição tijolo a tijolo, aconselhado e seguido pelos maus. No fim, seu breve “reino” acabou com ele pendurado pelos cabelos nos galhos de uma árvore, crivado de flechas. O reino voltou a quem de direito; Davi.

“Há caminhos que ao homem parecem direito; mas no fim, são caminhos da morte.” Prov 14;12

O Maravilhoso Conselheiro segue ao dispor; dos que O rejeitam, diz: “Ai dos filhos rebeldes, diz o Senhor, que tomam conselho, mas não de Mim; se cobrem com uma cobertura, mas não do Meu Espírito, para acrescentarem pecado sobre pecado;” Is 30:1

quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

Templos perdidos


“Que é o homem mortal para que te lembres dele? o filho do homem, para que o visites?” Sal 8:4

“O que é o homem...”
Houve quem dissesse que ele é um bípede sem plumas; outrem, uma espécie de deus; “a medida de todas as coisas...” Originalmente foi o Capeta quem sugeriu que ele teria as “réguas” para medir bem e mal.

Ainda, quem entendeu que as respostas estão além, fora dele, dadas as limitações dos seus movimentos na imensidão do universo, e a sensação de valores maiores que ele, aos quais deveria se enquadrar; “Duas coisas povoam a mente com uma admiração e respeito sempre novos e crescentes: o céu estrelado por cima e a lei moral dentro de nós.” Kant

Em geral, pessoas mal intencionadas e intelectualmente desonestas, usam a suposta igualdade entre os homens, para impor idiossincrasias; diferenças. Ora vitimizam-se com sua condição de minoria; lograda certa aceitação, sobem na mesa pretendendo se impor à maioria. Invocam igualdade quando seus passos os deixam aquém; depois, prevalecer, quando a vigilância coletiva adormece.

Somos todos iguais potencialmente; no ponto de partida. Quanto do potencial se tornará atual, depende de uma série de variáveis, caráter, aprendizado, influências, circunstâncias, que fomenta as diferenças entre nós.

Aristóteles dizia: “A pior forma de desigualdade é considerar iguais, às coisas que são diferentes.” Acaso o policial e o marginal são iguais? Foram no início; as escolhas de cada um os fizeram diferentes.

A separação de certas coisas e práticas está longe de ser preconceito contra um “igual”; se tivessem permanecido ambos, iguais, nem seria visível uma separação; no prisma essencial.

O que é a santificação, à qual Deus chama os Seus, senão, a separação dos que são, espiritualmente diferentes em suas escolhas? “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem justiça com injustiça? que comunhão tem a luz com as trevas? que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel? que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei, entre eles andarei; Eu serei seu Deus e eles serão Meu povo. Por isso saí do meio deles, apartai-vos, diz o Senhor; não toqueis nada imundo, e vos receberei;” II Cor 6:14 a 17

“O que é o homem mortal...”
De certa forma isso reponde a questão. O homem foi feito mortal.

O Criador colocou a morte como uma placa de aviso, para que ele evitasse determinado caminho; mas, preferiu pagar pra ver. Então, o “mortal” era uma possibilidade, desde a queda tornou-se uma necessidade. “A única coisa certa nessa vida é a morte.” Filosofam nos botecos, entre um trago e outro.

A morte se dá em dois estágios; a espiritual aliena o homem de Deus, seu espírito jaz impotente, mas, o homem segue existindo; suplantado pela volúpia da alma, que se esbalda em prazeres, impuros, pilotando o corpo.

A morte física encerra a saga, o tempo dado por Deus, para quem desejar buscar reconciliação consigo. “Enquanto há vida, há esperança;” dizem muitos que se recusam a fazer uso sábio do dom da vida.

A morte paira com sua ameaçadora sombra; todos são convidados em Cristo, a um “salto” sobre a soturna régua; “... quem ouve Minha Palavra, e crê Naquele que Me enviou, tem a vida eterna, não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida.” Jo 5:24

Porque, do outro lado os homens salvos serão feitos imortais, Deus exige uma série de renúncias cá, cioso para não dar diamantes a quem os usaria em fundas.

Os que descreem da salvação eterna, obram por “salvar” o que puderem de usufrutos impuros nessa vida. “Curta a vida porque a vida é curta.” Pra eles encerra na morte.

O que chamam de curtição, pois, é pressa, servidão ao pecado, para “fruírem” o máximo antes do fim. A Vitória de Cristo serviu para que “livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão.” Heb 2:15 Os que se recusam a ser livres, pois, não são iguais aos que aceitam essa dádiva.

“O que é o homem mortal para que te lembres dele?” Essa pergunta foi dirigida a Deus. Sua Palavra diz que originalmente fomos criados à Sua Imagem e Semelhança. Que os regenerados são feitos templos para Ele.

Como Deus não é Deus de mortos, os que O aceitam deixam de ser mortais, são vivificados em Cristo.

Quem é o homem? Um ser vivo, inteligente, arbitrário, consequente, um possível santuário; os que recusam-se a transcender as comichões imediatas, jogam isso fora, pagando preço eterno, por deleites efêmeros, letais.