quinta-feira, 15 de junho de 2023

Esse estranho; o amor


“Portanto, deixará o homem pai e mãe, se unirá a sua mulher e serão dois numa só carne; assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem. Disseram-lhe eles: Então, por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio, e repudiá-la? Respondeu-lhes: Moisés, por causa da dureza dos vossos corações, vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas no princípio não foi assim.” Mat 19;6 a 8

Os religiosos debatendo com Jesus acerca do casamento. O Senhor o colocara como monogâmico, (os dois) heterossexual (o homem se unirá à sua mulher) e indissolúvel (não separe).

Como que, tendo achado um ponto fraco na Doutrina do Mestre alguém perguntou: “Então, por que Moisés mandou dar carta de divórcio?” O Salvador ensinou que, tal concessão tinha a ver com a ruindade humana, não com o projeto original. “por causa da dureza dos vossos corações... mas, no princípio não foi assim.”

As permissões Divinas têm a ver com nossas limitações, não com Sua Vontade que é “boa, perfeita e agradável.” Rom 12;2

Se, “o amor jamais acaba”, por que tantos casamentos se desfazem diariamente, sempre sob o estigma que ele acabou?

Se nos ativermos apenas à duração do amor, sem atentarmos para as demais características poderemos ver algum simulacro dele, e confundir com o próprio. “O amor é sofredor, benigno; o amor não é invejoso; não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca falha...” I Cor 13;4 a 8

Se essas qualidades todas estiverem presentes num relacionamento, certamente ele permanecerá. Senão, pode ser que, mera atração física, paixão, tenham sido confundidos com amor; arrefecido o calor dessas febres, juras e promessas usadas como moedas de troca em busca da conquista também alçarão voo, deixando um vácuo a testemunhar que “o amor acabou”.

Somos compostos de corpo, alma e espírito, como admoesta Paulo: “... vosso espírito, alma e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.” I Tess 5;23

Deus não criou o homem para fracioná-lo; toda união que Ele abençoa deve contemplar os três aspectos da personalidade humana.

Os apelos do corpo são os mais elementares, atinentes, sobretudo, às formas, aos atrativos estéticos que despertam o desejo de outro, ao apelo sensual. As qualidades de alma atinam aos gostos musicais, intelectuais, esportivos, formas de lazer várias, ambientes, viagens, etc. As afinidades espirituais requerem que ambos creiam no mesmo Deus, tenham interesses parecidos, na adoração, oração, meditação na Palavra.

Se, dois formarem uma família identificados nos três níveis, então teremos algo unido por Deus, que o homem não separará. “As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam.” Cant 8;7

Essas celebridades que exibem coleções de casamentos, beirando a duas dezenas, invés de uma procissão de amores, como poderia parecer ao incauto, deixam patente um deserto, uma busca inglória, infrutífera, por sequer saberem direito o que buscam. “O caminho dos ímpios é como a escuridão; nem sabem em que tropeçam.” Prov 4;19

Uma característica ensinada pelo Salvador sobre os últimos dias da humanidade seria essa; o arrefecimento do amor, pelo crescimento da iniquidade. “Por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará.” Mat 24;12

O efeito colateral desse lapso se daria na banalização dos casamentos. “Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca e não perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também na vinda do Filho do homem.” Mat 24;38 e 39 Banalização nos relacionamentos e alienação espiritual, infelizmente.

A dureza do coração humano precisa ser tratada, pois, para que ele seja regenerado e volte à comunhão com O Criador, como foi no princípio. O único meio possível para isso é através do feito de Cristo; “Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação.” II Cor 5;19

Resolvida a questão do “divórcio” com Deus, pela escravidão ao pecado, poderemos pertencer a Cristo eternamente. Não sem motivo, pois, A Palavra figura a Igreja como a Noiva de Cristo.

A dureza dos corações, no âmbito espiritual também enseja separação; não, para novo casamento, antes, para perdição. “segundo tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus;” Rom 2;5

quarta-feira, 14 de junho de 2023

Fábio de Melo e os aplausos

 

“Este homem começou a edificar e não pôde acabar.” Luc 14;30

Sina comum dos que começam bem, mas cedem ao apelo das seduções; se tornam defensores dos erros que deveriam denunciar.
“Se, depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, forem outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se lhes o último estado pior que o primeiro. Porque melhor lhes fora não conhecerem o caminho da justiça, que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado; deste modo sobreveio-lhes o que por um verdadeiro provérbio se diz: O cão voltou ao próprio vômito; a porca lavada ao espojadouro de lama.” II Ped 2;20 a 22

Deparei com um vídeo onde o padre Fábio de Melo fala o seguinte: “Muitos cristãos ainda não entenderam que uma das causas da morte de Jesus foi justamente combater o rigorismo religioso que oprimia de um lado, e favorecia a hipocrisia de outro.”
Reprovando ao que, a mídia e os globalistas comunistas, alinhados a ela, chamam de “discursos de ódio”; (ele chamou rigorismo religioso) quando, pregadores enfatizam que, certos comportamentos sexuais contrariam à Palavra de Deus.
Como ele parece gostar de sair bem na foto, ao lado dos ímpios e suas narrativas “inclusivas”, mais do que da verdade, emprestou sua voz e prestígio para discursar em favor dos ventos da mentira que sopram no mundo. Toda impiedade o aplaude.
Jesus ensinou a sermos cautelosos com a aprovação humana também; “Vós sois os que justificais a vós mesmos diante dos homens, mas Deus conhece vossos corações; porque o que entre os homens é elevado, perante Deus é abominação.” Luc 16;15

Que O nosso Salvador atuou contra a hipocrisia religiosa e o formalismo oco, as Escrituras testificam. Entretanto, em lugar nenhum fracionam os motivos pelos quais Ele deu Sua Vida. “... Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras” I Cor 15;3 “O qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação.” Rom 4;25 “Ele é a propiciação pelos nossos pecados...” I Jo 2;2
Esses textos e muitos mais, deixam patente por que Cristo morreu; todos os pecadores, com todos tipos de pecados. Portanto, qualquer tentativa de fracionar isso, fazer parecer uns erros mais nefastos que outros, não passa de um eufemismo barato, derivado de astúcia maligna, para defender o indefensável, parecendo defender virtude e justiça.
Óbvio que, quem ensina santidade e não pratica é um hipócrita; a Palavra adverte: “Tu, ó homem, que julgas os que fazem tais coisas, cuidas que, fazendo-as, escaparás ao juízo de Deus?” Rom 2;3 Por isso, a aplicação da disciplina está atrelada à coerência: “Estando prontos para vingar toda desobediência, quando for cumprida vossa obediência.” II Cor 10;6 Hipocrisia é um mal em qualquer lugar; sobretudo, nas vidas dos guias espirituais.
Quanto ao rigor, porém, algumas coisas precisam ser melhor entendidas. Quem pensa que a Graça de Deus, manifesta em Cristo significa portas abertas para licenciosidade e toda sorte de erros, ainda não leu a Bíblia; se o fez, não entendeu.
A Lei, cuja função não era salvar, mas conduzir ao Salvador, tratava das coisas superficialmente; Cristo aprofundou; requereu cuidado com as causas; “Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; mas qualquer que matar será réu de juízo. Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; qualquer que disser ao seu irmão: Raca, será réu do sinédrio; qualquer que lhe disser: Louco, será réu do fogo do inferno.” Mat 5;21 e 22
Mais: “Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela.” vs 27 e 28

Quanto à punição pelo agravo à graça, o rigor também cresceu: “Quebrantando alguém a Lei de Moisés, morre sem misericórdia, só pela palavra de duas ou três testemunhas. De quanto maior castigo cuidais, será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, tiver por profano o Sangue da Aliança com que foi santificado e fizer agravo ao Espírito da graça?” Heb 10;28 e 29
Portanto, caro frei, Jesus Cristo deu Sua Vida pelos nossos pecados; como nos deu O Espírito Santo como Ajudador, fez ainda mais severas exigências a quem quiser ver O Eterno. “Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá O Senhor;” Heb 12;14
Como não quero figurar bem perante a Globo, nem aos demais defensores do sistema, não tenho problemas com a verdade.

Ter grande influência como ele tem, não lhe dá maior autoridade, antes, responsabilidade. “... muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo.” Tg 3;1

Figueira amaldiçoada


“De manhã, voltando para a cidade, teve fome; avistando uma figueira perto do caminho, dirigiu-se a ela, e não achou nela senão folhas. E disse-lhe: Nunca mais nasça fruto de ti! A figueira secou imediatamente.” Mat 21;18 e 19

O Senhor estava reduzido à condição humana; portanto, sujeito às mesmas coisas que nós, como sentir fome.

Todavia, ensinou e viveu priorizando a Vontade de Deus, antes das necessidades naturais. “Buscai primeiro o Reino de Deus, e sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” Mat 6;33

“... Seus discípulos lhe rogaram, dizendo: Rabi, come. Ele, porém, lhes disse: Uma comida tenho para comer, que vós não conheceis. Então os discípulos diziam uns aos outros: Trouxe-lhe, porventura, alguém algo de comer? Jesus disse-lhes: Minha comida é fazer a vontade daquele que Me enviou, realizar Sua Obra.” Jo 4;31 a 34

Quanto a comida, dela abriu mão por quarenta dias, priorizando as coisas espirituais; “quarenta dias foi tentado pelo diabo, naqueles dias não comeu coisa alguma;” Luc 4;2

Essas passagens fazem entender que, a fome do Salvador era diferente da nossa. Ele ensinou: “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna...” Jo 6;27 Logo, concluirmos que, Ele estaria com tanta fome que, à impossibilidade de saciar-se, pela ausência de frutos na figueira o levasse a amaldiçoá-la seria uma estupidez.

Somos reputados plantação Dele; “... vós sois lavoura de Deus...” I Cor 3;9 Em Seus ensinos ampliou; “Não escolhestes vós a Mim, mas Eu vos escolhi e nomeei, para que vades e deis fruto, e vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em Meu Nome pedirdes ao Pai Ele vos conceda.” Jo 15;16

Os frutos que O Eterno deseja são de outro tipo; “Porque a vinha do Senhor dos Exércitos é a casa de Israel, os homens de Judá são a planta das suas delícias; esperou que exercesse juízo, eis aqui opressão! Justiça; eis aqui clamor!” Is 5;7

O Salvador contou uma parábola; “certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha, e foi procurar nela fruto, não o achando disse ao vinhateiro: Eis que há três anos venho procurar fruto nesta figueira e não acho. Corta-a; por que ocupa ainda a terra inutilmente? Respondendo ele, disse-lhe: Senhor, deixa-a este ano, até que eu a escave e esterque, se der fruto, ficará; se não, depois a mandarás cortar.” Luc 13;6 a 9

Quando do incidente da figueira amaldiçoada, o ministério do Senhor tinha passado de três anos já, tentando convencer os de Seu povo levando-os ao arrependimento. Havia cavado e estercado a planta e nada de frutos, apenas, rejeição, perseguição. Então, usou o episódio da figueira como uma parábola viva, tipificando Sua ruptura, com o establishment religioso hipócrita.

 Expressou claramente noutro momento: “Portanto, vos digo que o Reino de Deus vos será tirado; será dado a uma nação que dê seus frutos.” Mat 21;43

Tendo sido rejeitado pelos Seus, O Salvador “enxertou” na árvore da salvação, aos que creram, de qualquer nacionalidade; “Veio para o que era Seu, os Seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no Seu Nome;” Jo 1;11 e 12

Olhando para a “figueira” decepcionado pela sua rejeição O Senhor lamentou; “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis ajuntar teus filhos, como a galinha aos seus pintos debaixo das asas, e não quiseste? Eis que a vossa casa se vos deixará deserta. Em verdade vos digo que não Me vereis até que venha o tempo em que digais: Bendito aquele que vem em Nome do Senhor.” Luc 13;34 e 35

Folhas de figueira foram usadas no Éden, quando o primeiro casal pecou, para lhes encobrir a nudez. Esvaziar-se de Sua Glória e descer entre nós e ensinar as veredas da vida, em busca de frutos, e colher apenas rejeição, foi a gota d’água, destilada por aquela geração ímpia. “Nunca mais nasça fruto de ti!”

Israel continua sendo o povo da promessa, amado por Deus; mas, ainda não consegue ver ao Messias de modo a dizer: “Bendito o que vem em Nome do Senhor!”

Quanto aos gentios, o risco é o mesmo, caso sejamos omissos em produzir os frutos que O Eterno deseja. “... pela sua incredulidade (aqueles) foram quebrados; tu estás em pé pela fé. Então não te ensoberbeças, mas teme. Porque, se Deus não poupou os ramos naturais, teme que não poupe a ti também.” Rom 11;20 e 21

“Toda a vara em Mim, que não dá fruto, a tira; limpa toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto.” Jo 15;2

terça-feira, 13 de junho de 2023

Brechas nos muros


"Não subistes às brechas, nem reparastes o muro para a casa de Israel, para estardes firmes na peleja no dia do Senhor. Viram vaidade, adivinhação mentirosa os que dizem: O Senhor disse; quando o Senhor não os enviou; fazem que se espere o cumprimento da palavra.” Ez 13;5 e 6

Antes de denunciar o que os falsos profetas faziam, O Senhor lembrou o que eles não faziam; “Não subistes às brechas nem reparastes o muro...” O omisso, relapso nas coisas mais elementares, por que seria diligente nas importantes? “Um abismo chama outro abismo.”

Quem é espiritual identifica que há uma disputa em tempo integral pelos nossos pensamentos, pelo domínio dos temas a ocuparem-nos a mente. Se negligenciarmos às coisas santas, de modo automático acabaremos mesclados às profanas. Quando se diz que, “mente desocupada é oficina de Satanás” a ideia é essa. Que sendo o homem alheio ao que deve, mais cedo ou mais tarde estará se ocupando do que não deve.

Devemos disciplinar nossos pensamentos; “... tudo o que é verdadeiro, tudo que é honesto, tudo que é justo, tudo que é puro, tudo que é amável, tudo que é de boa fama, se há alguma virtude, algum louvor, nisso pensai.” Fp 4;8

O mundo aplaude irreverência, independência, atrevimento, esperteza e coisas afins; a nós que somos de Cristo essas “virtudes” seriam brechas; não apenas devemos evitar a arrogância, o orgulho e similares, como, à medida que essas “cartas” forem postas à mesa, devemos “jogar” outras melhores; “Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas poderosas em Deus para destruição das fortalezas; destruindo conselhos, e toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus; levando cativo todo entendimento à obediência de Cristo;” II Cor 10;4 e 5

Expor o que supostamente O Eterno dissera aos “profetas” óbvio que era mais fácil que organizar as coisas à luz do que fora dito em dias idos já, sobre a Vontade Divina e o dever dos que invocam Seu Santo Nome. Reparar as brechas, tem a ver com denunciar descaminhos do povo; chamá-lo de volta à obediência. Só um profeta idôneo faria assim. Os citados por Ezequiel estavam longe disso.

Quando compôs suas lamentações perambulando entre as ruínas de Jerusalém, Jeremias bem sabia de quem era a culpa: “Os teus profetas viram para ti, vaidade e loucura; não manifestaram tua maldade, para impedirem teu cativeiro; mas viram para ti cargas vãs, motivos de expulsão.” Lam 2;14

Manifestar a maldade de quem se desencaminha, é reparar o muro, tapar as brechas. A mensagem de correção, exortação, nunca é popular. Porém, os falsos profetas laboram em causa própria, buscando aplausos, aceitação, não a correção de rumos de quem está errado. Nos dias de Paulo já havia os que evitavam os temas mais sisudos de olho apenas em facilidades; “Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse, e agora repito chorando, que são inimigos da cruz de Cristo, cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, cuja glória é para confusão deles; pois, só pensam nas coisas terrenas.” Fp 3;18 e 19

Os erros desses, além de mascararem suas mortes espirituais, servem muito bem aos interesses da oposição; pois, mais que ir minando a fé dos crédulos que lhes rodeiam, profanam ao Nome do Senhor, fazendo parecer que Ele falha em Suas promessas; O Senhor não os enviou, porém, usam O Nome Dele como fiador, fazendo os crédulos esperarem o cumprimento da suposta palavra do Eterno.

Se, então era necessário reparar o muro sanando as brechas para estar firme no dia da peleja, agora muito mais. Naqueles dias, falsos profetas viçavam quais ervas daninhas; agora a profusão é assustadora. Basta que alguém abra as redes sociais, onde esses salafrários semeiam seu joio, para ser informado que “O Senhor lhe reservou três bênçãos”; sempre incondicionais, no quesito, abandono de pecados; no máximo hão de requerer uma “curtida” ou a partilha da mentira em busca de outras vítimas.

Nossa fé nunca foi atacada como agora. Censura, coerção, afrontas, falsificações, deboches, blasfêmias, infiltrações de ministros da oposição, perversão da sã doutrina... porém, os “profetas” seguem “anestesiados” distribuindo facilidades! Pilantras!

“Não mandei esses profetas, contudo, eles foram correndo; não lhes falei, mas, profetizaram. Porém, se estivessem no Meu conselho, então teriam feito o Meu povo ouvir as Minhas palavras; o teriam feito voltar do seu mau caminho e da maldade das suas ações.” Jr 23;21 e 22

Todos os dias os “aríetes” da imprensa a serviço do maligno tentam abalar nossos muros; os farsantes seguem ensinando edificar sobre a areia; desprezíveis, uns e outros.

Permanecemos firmados na Rocha. “Em Deus faremos proezas; porque Ele é que pisará nossos inimigos. Sal 60;12

domingo, 11 de junho de 2023

Natureza do combate


“Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé.” II Tim 4;7

O bom combate. Essa distinção deixa evidente que há combates que não são bons. Que nem por todas as coisas vale a pena lutar. Há lutas que são inglórias, mesmo vencendo-as.

“Vitórias” que pessoas ímpias tiveram, conquistando altos degraus, e prazeres que lhes pareciam oportunos, necessários, uma vez convertidos se lhes tornaram vergonha. Paulo mencionou de passagem; “Que fruto tínheis então das coisas de que agora (convertidos) vos envergonhais? Porque o fim delas é a morte. Mas agora, libertos do pecado, feitos servos de Deus, tendes vosso fruto para santificação; por fim, a vida eterna.” Rom 6;21 e 22

As “conquistas” pretéritas dos que se converteram a Cristo, tinham a ver com a servidão deles, ao pecado. “agora, libertos do pecado...” Então, “vencer” nesse prisma não é conquistar algo, antes, perder-se sob o domínio de um feitor maligno que nos conduz à perdição.

A luta que vale à pena tem a ver com a eternidade que ela reserva aos vencedores. Na epístola aos hebreus, aos que pensavam em retroceder depois de terem tido um início promissor, foi posta a seguinte situação: “Ainda não resististes até ao sangue, combatendo contra o pecado.” Heb 12;4 Parte da peleja estava pendente.

Eis a identidade do “bom combate!” Tendemos a ver de longe os erros alheios. Combatermos contra o pecado requer que enfrentemos os vícios que se abrigam em nós, não, alhures.
O episódio da mulher adúltera registrado em João ilustra bem essa faceta da falta de noção humana. Todos estavam com pedras para atirarem na acusada; uma vez desafiados a olharem para si mesmos antes de julgarem-na, cada um recolheu sua fúria, dando assento à vergonha, à culpa.

“... acabei a carreira...”
às vezes confundimos terminar, com acabar. Terminar algo tem a ver apenas com encerrar, sem nenhum apreço sobre a perícia, a qualidade do que foi feito. Acabar é terminar com esmero, com toques refinados, que chamamos de acabamento.

No Velho Testamento, tempo de batalhas terrenas, havia uma maldição aos relapsos: “Maldito aquele que fizer a Obra do Senhor fraudulosamente; maldito aquele que retém sua espada do sangue.” Jr 48;10

No Novo, quando não devemos mais lutar contra carne e sangue, o bom combate é realizado dentro de nós mesmos; assim, o ser omisso na obra, tem a ver com acariciar ainda vícios na alma; abandonar alguns pecados, sem ser exaustivo, deixando a todos. A arma da vez é outra: “... a Espada do Espírito, que é A Palavra de Deus;” Ef 6;17

Podemos lançar longe alguns vícios mais rasteiros e conservar os de estimação, nos recônditos de ser. A luta agora, requer profundidade; retoques de acabamento em nossas almas, que A Palavra chama de santificação. “Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá O Senhor;” Heb 12;14

O Salvador condicionou o vermos a Deus, a uma limpeza profunda em nós; “Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus;” Mat 5;8

Paulo alinhou o direito a disciplinarmos, aos desobedientes, apenas, depois que os disciplinadores eventuais, se tornarem exemplares em suas posturas. “Estando prontos para vingar toda a desobediência, quando for cumprida a vossa obediência.” II Cor 10;6

Coerência necessária exposta ainda na Carta aos Romanos; “E tu, ó homem, que julgas os que fazem tais coisas, cuidas que, fazendo-as, escaparás ao juízo de Deus?” Cap 2;3

Acabarmos nossa carreira, além da santificação demandada de cada um, tem a ver ainda com o cuidado de não sermos tropeço aos demais.

“... guardei a fé”. Não se trata do nosso inalienável direito de crer; antes, do conteúdo no qual nos cremos. Quando alguém, ou algo ameaça nossa fé, geralmente o faz pervertendo a mensagem na qual cremos, não vetando-nos de crer. Então, Judas, em sua epístola exortou a se batalhar pela fé, explicando o motivo: “Porque se introduziram alguns, que já antes estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo.” v 4

Todo ser humano crê em alguma coisa; mesmo os ateus acreditam que suas fantasias negacionistas da realidade têm algum sentido.

Sabedor disso, o inimigo não luta para negar-nos o direito de crer; antes, para perverter o teor daquilo em que cremos. Paulo adverte: “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema.” Gál 1;8

Paulo “cantou vitória” quando condenado à morte, porque entendia a natureza do combate no qual militava: “... Não temais os que matam o corpo, depois, não têm mais que fazer.” Luc 12;4

sábado, 10 de junho de 2023

Os dias maus



Apega-te, pois, a Ele e tem paz; assim te sobrevirá o bem. Aceita, peço-te, a lei da Sua Boca, põe Suas palavras no teu coração.” Jó 22;21 e 22

Um dos amigos de Jó, após acusá-lo temerariamente de supostos pecados, aconselhou ao patriarca a que voltasse para um lugar de onde ele não saíra; comunhão com Deus.

Circunstâncias adversas nem sempre significam que nossos caminhos são maus.
Segundo o precipitado conselheiro, tal “concerto” traria abençoadas consequências; “Determinarás tu algum negócio, ser-te-á firme; a luz brilhará em teus caminhos. Quando te abaterem, então dirás: Haja exaltação! Deus salvará ao humilde. Livrará até ao que não é inocente; porque será libertado pela pureza de tuas mãos.” vs 28 a 30 Assim, além de ter os caminhos abertos diante de si, Jó seria um intercessor aceitável.
Se, para tal visão a tribulação significava, necessariamente, que o atribulado estava em pecados, o arrependimento e abandono desses, moveria Jó em direção oposta; das privações para a fartura e prosperidade. Esse imediatismo que supõe que se pode semear e colher no mesmo dia não combina com a Obra do Senhor. Ele costuma ser mais paciente, até com nossos erros. “Estas coisas tens feito e Me calei; pensavas que era tal como tu, mas te arguirei, e as porei por ordem diante dos teus olhos.” v 21 A um que abusara 
da paciência Divina, o juízo às portas.

Ora, se as consequências de abraçarmos a virtude como modo de vida fossem imediatas, nossa “fidelidade” perderia sua essência, e daria assento ao mero interesse. No prisma do Eterno, “Tudo tem o seu tempo determinado, há tempo para todo propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer e de morrer; tempo de plantar e de arrancar o que se plantou;” Ecl 3;1 e 2

Então, as coisas não são assim, tão rápidas. Nem nossos erros, nem nossos acertos têm frutos repentinos; certo decurso de tempo é necessário. Muitas vezes usamos isso em prejuízo de nossas almas, invés de fazermos o contrário. “Porquanto não se executa logo o juízo sobre a má obra, por isso o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto para fazer o mal.” Ecl 8;11

Abraçarmos o mal confiados na longanimidade Divina é já um retrato de nossa infidelidade, que não poderá ser revertida ao bel prazer de nossos desejos; se em pleno vigor tememos o preço da renúncia, como será quando formos velhos? Por isso, o conselho: “Lembra-te também do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias...” Ecl 12;1

A perseverança requer que nos mantenhamos firmes mesmo quando as coisas saem contrárias aos nossos anseios. O próprio Jó bem sabia disso, tanto que afirmou: “Quem me dera agora, que minhas palavras fossem escritas! Quem me dera, fossem gravadas num livro! Que, com pena de ferro, com chumbo, para sempre fossem esculpidas na rocha. Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim, Se levantará sobre a terra.” Cap 19;23 a 25 Seu desejo se cumpriu; suas palavras foram escritas.

Esse “cristianismo” de tempo bom, tipo, serei “fiel” conquanto, as coisas deem certo para mim, passa longe da verdadeira fé, que se estriba na Integridade Divina, não nas circunstâncias. “Quem há entre vós que tema ao Senhor e ouça a voz do Seu servo? Quando andar em trevas, não tiver luz nenhuma, confie no Nome do Senhor; firme-se sobre o seu Deus.” Is 50;10

O infeliz patriarca defendeu que prezara à Palavras do Santo; “Se os meus passos se desviaram do caminho, e se o meu coração segue os meus olhos, e se às minhas mãos se apegou qualquer coisa, então semeie eu e outro coma, seja a minha descendência arrancada até à raiz. Se o meu coração se deixou seduzir por uma mulher, ou se eu armei traições à porta do meu próximo, então moa minha mulher para outro, e outros se encurvem sobre ela, porque é uma infâmia, e é delito pertencente aos juízes.” Jó 31;7 a 11 “Se, como Adão, encobri minhas transgressões, ocultando o meu delito no meu seio;” v 33

Então, é temerário nos apressarmos a conclusões baseados no que vemos; pois, Deus que sonda os corações, às vezes permite que a fidelidade passe por provas, antes de haurir suas recompensas.

Não poucos só as terão por ocasião do juízo; “Então voltareis e vereis a diferença entre o justo e o ímpio; entre o que serve a Deus, e o que não serve.” Ml 3;18

Muitas vezes, nossos dias maus são apenas envelopes escuros disfarçando bênçãos que a seu tempo, o Pai nos envia. “A adversidade desperta em nós capacidades que, em circunstâncias favoráveis, teriam ficado adormecidas.” Horácio

domingo, 4 de junho de 2023

A força do poder


“Bem-aventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração estão os caminhos aplanados.” Sal 84;5

A força humana normalmente evoca músculos desenvolvidos, corpo “sarado”, marombado. Cheias estão as academias, de gente que se esforça buscando essas qualidades.

Coisas benéficas à saúde do corpo; mas, se mal administradas, podem forjar autoconfiança doentia, invés de uma boa sina; nos apartar da essência, se superestimarmos mera aparência: “Assim diz o Senhor: Maldito o homem que confia no homem, faz da carne seu braço, e aparta seu coração do Senhor!” Jr 17;5

Insano sermos autoconfiantes em coisas que pertencem ao Senhor; dizermos: Eu sou mais eu! Onde deveríamos ser totalmente, Ele. “Negue a si mesmo”. Essa confiança em algo instável nos coloca alheios às bênçãos do Eterno.

No verso inicial temos um abençoado, cujo coração traz caminhos aplanados; agora nosso maldito, em apreço, “aparta seu coração do Senhor.” Benéfico é o usufruto de vigor, força, entretanto é necessário que apreciemos cada coisa em seu devido lugar.

O “músculo” que conta para o sustentáculo da força, nos domínios espirituais, é o coração devidamente alinhado com Deus, submisso a Ele. A força humana é transitória, fugaz; porque está atrelada ao vigor de algo efêmero; “... Porque, que é a vossa vida? Um vapor que aparece por um pouco, depois desvanece.” Tg 4;14 “Os dias da nossa vida chegam a setenta anos; se alguns, pela sua robustez, chegam a oitenta, o orgulho deles é canseira e enfado, pois, cedo se corta e vamos voando.” Sal 90;10

Mesmo tendo esse potencial, um verme ridículo, um vírus invisível, uma bactéria podem nos vulnerar, abreviando nossos dias; quiçá, um acidente, tal a insignificância da força física para preservação da vida.

Não significa que os cuidados com o corpo sejam vãos, desnecessários; mas, seu proveito não excede aos dias da vida terrena. Quem lograr enxergar um pouco além disso, certamente também tomará providências para chegar “sarado” no além; Paulo advertiu: “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens.” I Cor 15;19

Depois aconselhou a Timóteo: “... exercita a ti mesmo em piedade; porque o exercício corporal para pouco aproveita, mas a piedade para tudo é proveitosa, tendo a promessa da vida presente e da que há de vir.” I Tim 4;7 e 8

Normalmente entendemos a fé que remove montanhas, como sendo um meio, um poder para tirar obstáculos de diante de nós. Entretanto, ter no “coração, os caminhos aplanados”, alude a ausência de “montes” por dentro. A remoção de vícios, maus hábitos que nos alienam de Deus é possível mediante à fé Se dermos crédito aos ensinos ouvidos, colocaremos por obras os mesmos, pois, a fé sem obras é morta. Assim, remove montes quando a colocamos para trabalhar.

Paulo ensinou quais “ferros” puxava ao se exercitar em piedade: “todo aquele que luta de tudo se abstém; eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, uma incorruptível. Assim corro, não como a coisa incerta; combato, não como batendo no ar. Antes, subjugo meu corpo e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira, ficar reprovado.” I Cor 9;25 a 27

Trazemos em nossas naturezas caídas, muitas coisas que tornam acidentados os caminhos do coração. Conhecer essas coisas e tratá-las à luz da Palavra de Deus, fará em nós a devida “terraplanagem”. “... endireitai no ermo vereda a nosso Deus. Todo o vale será exaltado, todo o monte e todo o outeiro será abatido; o que é torcido se endireitará, o que é áspero se aplainará.” Is 40;3 e 4 Figuras de linguagem para o aperfeiçoamento tencionado pelo Senhor em nós.

A Palavra enumera montes que devemos remover de nós mediante a fé que gera obediência, transformação; “Estas seis coisas o Senhor odeia, e a sétima Sua alma abomina: Olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que maquina pensamentos perversos, pés que se apressam a correr para o mal, testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia contendas entre irmãos.” Prov 6;16 a 19

Não é uma lista exaustiva dos pecados que cometemos. Apenas algumas “laranjas” mais viçosas que apresentamos na feira da vida; porém, há muito mais no pomar. Até chegarmos a ser “limpos de coração” para vermos a Deus, é grande a caminhada. “Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá O Senhor;” Heb 12;14

Para nossa força estar Nele, precisamos enfraquecer de presunção, deixando-o decidir quando, e o que é preciso mudar em nós; “Por isso sinto prazer nas fraquezas, injúrias, necessidades, perseguições, angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte.” II Cor 12;10