quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

Tesouro de tolos


“Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos... Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela.” II Tim 3;1, 2 e 5

Não é erro o amor próprio; na devida medida é tido como referencial do amor devido ao semelhante; “Ama ao teu próximo como (amas) a ti mesmo”.

Quando Paulo denunciou os tempos difíceis, no qual, os homens seriam “amantes de si mesmos” aludiu ao egoísmo doentio de nossos dias; onde, o amor devido ao próximo é sonegado, e doentiamente carreado para si mesmo. Quando alguém faz algo na área da caridade, tira fotos, filma e coloca nas redes sociais; exibe-se, para que todos vejam. Amou a admiração humana e já teve sua recompensa; nada depositou para o “Tesouro nos Céus.”

Se, o próximo é alvo do meu amor, as necessidades dele, em certo grau, são minhas também. “As necessidades materiais do teu próximo, são as tuas necessidades espirituais.” Como disse Israel de Salant.

Sendo ele mero expectador de meu amor próprio desmedido, vira observador de minha “bondade”, alguém que deve me admirar, invés de outrem que, eu devo amar. Para conseguir isso, preciso parecer “bem na foto” aos olhos dele, por isso capricho na “aparência de piedade”. Notemos que, as raízes da hipocrisia são alimentadas pelos “sais minerais” do orgulho e do egoísmo.

A piedade verdadeira me faria preocupado, solícito; a mera aparência é só o doentio desejo de aplausos. Por honrarias humanas, o homem hipócrita consegue fazer sacrifícios até. Contudo, “Ainda que distribuísse toda minha fortuna para sustento dos pobres, ainda que entregasse meu corpo para ser queimado, se não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.” I Cor 13;3

Por que alguém faria tais coisas se não tivesse o amor altruísta como motivo? Pelos motivos vistos acima. Desejo doentio de celebrizar seu nome, invés de, desinteressadamente, partilhar, socorrer.

A prioridade ao semelhante antes de nós, foi defendida por Cristo; “Mas, se vós soubésseis o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício, não condenaríeis os inocentes.” Mat 12;7

A Parábola do Fariseu e do publicano ilustra; nela vemos dois homens, um cheio de sacrifícios, jejuns, religiosidade... enfim, cheio de si. Outro, sem nenhum mérito, apenas, sincero e arrependido. Esse foi justificado, aquele, não.

A misericórdia coloca meus dons, afetivos, espirituais, materiais, a serviço das necessidades alheias; o sacrifício pode ser patrocinado pelo fanatismo, orgulho, egoísmo, buscando coisas exclusivamente para mim.

O Único Sacrifício verdadeiramente altruísta, que se deu inteiramente pelas carências alheias, foi o de Cristo; a maior demonstração possível, de amor; “Ninguém tem maior amor que este, de dar alguém sua vida pelos seus amigos.” Jo 15;13

Então, foi por urgente necessidade nossa. A impostura de Satanás escravizara o homem, apenas um Resgate como O de Jesus Cristo, redimiria; “Porque nos convinha tal Sumo Sacerdote, Santo, Inocente, Imaculado, Separado dos pecadores, e feito mais Sublime do que os Céus; que não necessitasse, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios, primeiramente por seus próprios pecados, depois pelos do povo; porque isto fez Ele, uma vez, oferecendo a si mesmo.” Heb 7;26 e 27

Ele disse que Daria Sua Vida pelos Seus amigos; porém, condicionou essa amizade a certa maneira de ser; “Vós sereis Meus amigos, se fizerdes o que vos Mando... Isto vos Mando: Que ameis uns aos outros.” Jo 15;14 e 17

Mas, voltando ao início, como é possível negar a eficácia da piedade? Antes, devemos ver em quê, ela consiste. “Porque o exercício corporal para pouco aproveita, mas a piedade para tudo é proveitosa, tendo a promessa da vida presente e da que há de vir.” I Tim 4;8

Nas duas esferas, a presente e a eterna, a piedade traz proveito; o apego excessivo às coisas materiais, busca por honrarias na terra dos homens, mostra alguém que, mesmo aparentando ter, não usufrui a eficácia dessa qualidade.

Há um mineral chamado pirita de ferro, que, pela cor confunde incautos, por se parecer com ouro. Vulgarmente a chamam, por isso, de ouro de tolos. Pois, a vida espiritual também possui sua “pirita”, a hipocrisia; essa faz um estardalhaço áureo/religioso, mas nada valerá diante do Divino Ourives;

“Muitos Me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em Teu Nome? em Teu Nome não expulsamos demônios? em Teu Nome não fizemos muitas maravilhas? Então lhes Direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.” Mat 7;22 e 23

“A aparência das virtudes é muito mais sedutora que as próprias virtudes; quem se vangloria de as possuir tem grande vantagem sobre quem realmente possui.” Madame de Ricobboni

Porém, “Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça.” Jo 7;24

quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

O bom combate


“Lembrai-vos, porém, dos dias passados, em que, depois de serdes iluminados, suportastes grande combate de aflições.” Heb 10;32

Invés da migração de um lugar a outro, iniciação ritual em determinado credo, ou, adesão a um conjunto de regras, normas, a salvação é figurada como sendo o raiar de uma luz. “... depois de serdes iluminados...”

Nossas almas eram ambientes escuros, dentro dos quais, a vinda de Cristo, O Salvador, acendeu uma luz que permitir vermos o que nos estava oculto.

Há uma migração, mas não envolve endereços que identifiquem um percurso; antes, duas condições, uma escura, outra, iluminada. “Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é Quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da Glória de Deus, na face de Jesus Cristo.” II Cor 4;6 “... Eu Sou a Luz do mundo; quem Me segue não andará em trevas, mas terá a Luz da Vida.” Jo 8;12 etc.

Iluminação, refere-se a abertura do entendimento; A Palavra de Deus deixa ver isso, quando alude ao trabalho da oposição; “Mas, se ainda nosso Evangelho está encoberto, para os que se perdem está encoberto. Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do Evangelho da Glória de Cristo, que é a Imagem de Deus.” II Cor 4;3 e 4

É obra estrita da Graça Divina; “vós sois a geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido, para que anuncieis as virtudes Daquele que vos chamou das trevas para Sua Maravilhosa Luz;” I Ped 2;9

Esse “iluminar” em nossos espíritos mostra-nos as coisas como são e nos desafia a andarmos conforme; “Esta é a mensagem que Dele ouvimos e vos anunciamos: que Deus é luz, não há Nele trevas nenhumas. Se dissermos que temos comunhão com Ele e andarmos em trevas, mentimos, não praticamos a verdade. Mas, se andarmos na luz, como Ele na luz Está, temos comunhão uns com os outros, e o Sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, nos purifica de todo pecado.” I Jo 1;5 a 7

Conversão não é mero desafio a mudar de vida; antes, um chamado para receber vida, àqueles que, em si mesmos estavam mortos; “... quem ouve Minha Palavra, e crê Naquele que Me enviou, tem a vida eterna, não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida. Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora, agora é, em que os mortos ouvirão a Voz do Filho de Deus; os que ouvirem viverão.” o 5;24 e 25

Essa luz opera muito mais que o mero possibilitar ver; “Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.” Jo 1;4

Enquanto errarmos em trevas, a oposição não se importará muito conosco; entretanto ao ouvirmos o Chamado de Cristo, as trevas passarão a resistir; “... depois de serdes iluminados, suportastes grande combate de aflições.”

O inimigo não gasta seu latim para dissuadir a quem já está morto em delitos e pecados. Ele “deu corda” a toda maldade do mundo e deixa a mesma “no piloto automático”. A própria natureza humana caída trabalha para ele; “Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem pode ser.” Rom 8;7

Seus esforços visam cegar, barrar o caminho daqueles que aprendem de Cristo.

Muito se fala alhures, em batalha espiritual; poucos, contudo, percebem que a mesma tem como objetivo a conquista das mentes, pois, segundo as diretrizes dessas, as ações humanas são decididas.

Por isso, quando Paulo menciona nuances da batalha, alude a isso; “Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas poderosas em Deus para destruição das fortalezas; destruindo conselhos, e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo;” II Cor 10;4 e 5

Desse modo, a derrota do nosso inimigo tem a ver com nossos entendimentos aprimorados em Cristo, não com exorcismo, como parecem crer, alguns. As armaduras figuradas em Efésios capítulo seis, têm a ver com caráter transformado, justiça, verdade, fé, salvação, Evangelho; e a “arma” que faz a operação disso tudo; A Palavra de Deus.

Num mundo que, em nome de evitar polêmicas se “canoniza” tolerância, inclusão e similares, o menor desafio a seguir a Luz de Deus é tachado como “discurso de ódio”, os que desejam manter sua fidelidade a Ele precisam estabelecer prioridades. As coisas periféricas eventuais, combates da oposição, são o preço a pagar.

É compreensível que os “bichos” de hábitos noturnos tenham aversão à luz. Não sejamos dos tais; “Viu Deus que era boa a luz; e Fez separação entre a luz e as trevas.” Gn 1;4

terça-feira, 17 de janeiro de 2023

A Luz


"Agora Senhor, despedes em paz Teu servo, segundo a Tua palavra; pois, já os meus olhos viram Tua salvação, a qual Tu preparaste perante a face de todos os povos; Luz para iluminar as nações, e para glória de Teu povo Israel.” Luc 2;29 a 32

Simeão, por ocasião da apresentação do Menino Jesus, com oito dias de vida. Deus lhe revelara que ele não morreria antes de ver O Ungido do Senhor, uma vez cumprido, disse essas palavras. Despedes em paz Teu servo.

Além de ser informado sobre quem era O Escolhido, Simeão pareceu ter uma ideia clara sobre a Missão do Salvador. Salvaria das trevas, e teria uma missão universal. “Luz para iluminar as nações...”

Fora vaticinado pelos profetas, que O Senhor viria com fulgor de uma imensa Luz; “O povo que andava em trevas, viu uma grande luz, sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz.” Is 9;2 “Levanta-te, resplandece, porque vem a tua luz, a Glória do Senhor vai nascendo sobre ti; porque eis que as trevas cobriram a terra, a escuridão os povos; mas, sobre ti o Senhor Virá surgindo, a Sua Glória se verá sobre ti. Os gentios caminharão à tua luz...” Is 60;1 a 3

Essa compreensão esperável, a partir dos escritos dos profetas, não foi encontrada quando do Ministério do Senhor. Invés de alguém que os iluminasse, os judeus desejavam outrem, que odiasse seus ódios, alimentasse seus preconceitos, e tornasse Israel, outra vez, um império, como nos dias de Salomão.

Invés disso, Jesus se mostrou amigo de publicanos e pecadores, solícito para com samaritanos, e até, pasmem! curava empregados dos romanos.

Grande parte do Ministério libertador do Senhor se perdeu, porque as pessoas não podem ser libertas daquilo que não desejam.

Consideravam mal, coisas que estavam ao redor deles, jamais, as que estavam dentro; ao revelar essas coisas, a rejeição assomou; “A condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, os homens amaram mais as trevas que a luz, porque suas obras eram más. Porque todo aquele que faz o mal odeia a luz, não vem para a luz, para que suas obras não sejam reprovadas. Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus.” Jo 3;19 a 21

A luz tanto é boa, quando, nos mostra as coisas circunstantes, quanto, quando nos mostra. 

O episódio da mulher adúltera, no qual O Salvador Desafiou a lançar a primeira pedra aquele que estivesse sem pecados, ilustra bem a facilidade humana de ver culpas nos outros, e a dificuldade de encontrá-las, em si.
A Luz não tem problemas com isso; mostra as culpas onde estiverem.

O erro que os coevos de Jesus cometeram é o mesmo de muitos atuais. Estão dispostos a ter um relacionamento com Ele, desde que, possam estabelecer em quais termos.

Duas coisas a considerar: Ninguém é forçado a seguir Jesus; mas, se o fizer, que o faça nas condições Dele. “Chamando a si a multidão, com os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quiser vir após Mim, negue a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-Me.” Mc 8;34

“Se alguém quiser...”
Ele jamais coage ao homem. Livremente esse terá que decidir se O segue, ou não. A única forma justa de responsabilizar pelas consequências é advertir das mesmas, e facultar liberdade de escolha; Deus o Faz assim.

Quando A Palavra diz que Ele “nos predestinou em Cristo” isso refere-se aos predicados, não, sujeitos. Digo, preparou d’antemão o destino dos que estarão “em Cristo”, sem predeterminar quem estaria. A escolha continua sendo do homem. “... te tenho proposto a vida e morte, a bênção e maldição; escolhe, pois, a vida...” Deut 30;19

Se alguém supõe tomar para si O Nome do Senhor, para obter vantagens segundo seus desejos desorientados, não entendeu a Missão Dele; “Deus Estava em Cristo reconciliando Consigo o mundo, não lhes imputando seus pecados; e pôs em nós a Palavra da reconciliação.” II Cor 5;19

Há uma inimizade eterna a ser desfeita, primeiramente. Cada um de nós, por cioso de suas boas obras que seja, tem sua parcela de culpa, pelo largo consórcio com o pecado.

A Luz Veio, não para realizar nossos desejos, mas, para suprir uma necessidade vital, e desafiar-nos a segui-la. Apenas assim, a eficácia do que Ele Fez por nós se verifica; “Se dissermos que temos comunhão com Ele, e andarmos em trevas não praticamos a verdade. Mas, se andarmos na luz, como Ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, nos purifica de todo pecado.” I Jo 1;6 e 7

segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

O homem espiritual


“Para que, segundo as riquezas da sua glória, vos conceda que sejais corroborados com poder pelo Seu Espírito no homem interior;” Ef 3;16

O Novo Nascimento é que gera em nós o que Paulo chamou de “homem interior”. Corroborar é o mesmo que, dar robustez, enrijecer, fortalecer. Quais exercícios poderiam fazer isso com o homem espiritual? “... exercita a ti mesmo em piedade; porque o exercício corporal para pouco aproveita, mas a piedade para tudo é proveitosa, tendo a promessa da vida presente e da que há de vir.” I Tim 4;7 e 8

Em Provérbios encontramos a migração do potencial para o atual; “O homem sábio é forte, o homem de conhecimento consolida a força.” Prov 24;5

O homem sábio traz em si esse potencial, de agir conforme a sabedoria; ao atuar assim, ele solidifica o que pode.

Atuar fortalecido no homem interior, muitas vezes requer uma aparente fraqueza; pois, precisamos renunciar às armas naturais, em prol das espirituais; quanto mais de Cristo em nós, mais enfraquecemos em nosso afã natural, para que Nele, sejamos fortalecidos.

“Por isso sinto prazer nas fraquezas, injúrias, necessidades, perseguições e angústias, por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte.” II Cor 12;10

O mesmo Paulo ensinou que lutava contra sua natureza, para que permanecesse subjugada, de modo a não atrapalhar seu ministério. “Todo aquele que luta de tudo se abstém; eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, uma incorruptível. Pois, eu assim corro, não como a coisa incerta; combato, não como batendo no ar. Antes, subjugo meu corpo, o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira ficar reprovado.” I Cor 9;25 a 27

A velocidade da vida moderna faz com que as pessoas anseiem resultados cada vez mais rápidos. O Espírito não embarca para essa insana corrida contra as sombras. Seu processo é lento e demanda espera. “Sede, pois, irmãos, pacientes até à vinda do Senhor. Eis que o lavrador espera o precioso fruto da terra, aguardando-o com paciência, até que receba a chuva temporã e serôdia. Sede vós também pacientes, fortalecei vossos corações; porque já a vinda do Senhor está próxima.” Tg 5;7 e 8

Assim como o natural requer alimento e água para viver, o homem interior precisa da Palavra; “... Nem só de pão viverá o homem, mas de toda Palavra que sai da Boca de Deus.” Mat 4;4

Infelizmente, a nossa geração sofre anorexia, no que tange ao alimento espiritual; negligência nisso, não apenas nos enfraquece, como tolhe o crescimento. “Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar os primeiros rudimentos das Palavras de Deus; vos haveis feito tais que necessitais de leite, não, de sólido mantimento. Porque qualquer que ainda se alimenta de leite não está experimentado na Palavra da Justiça, porque é menino.” Heb 5;12 e 13

Como fortaleceríamos nosso homem interior, se todos os nossos cuidados se voltam ao natural?
A prioridade das coisas espirituais é uma teoria bonita que a maioria tem na ponta da língua; porém, poucos se dão a isso. “Buscai primeiro o Reino de Deus, e sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” Mat 6;33

O egoísmo seria a primeira coisa a perder força, cumprido o “negue a si mesmo”. Entretanto, nem sempre é assim. Alguém ironizou: “Quando atravesso uma floresta, a única coisa que vejo é a lenha para minha fogueira.” Tantas vidas, animais e plantas para ver; mas, o egoísta vê apenas o que supre seus interesses. Esse vício é letal na caminhada espiritual.

“Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros.” Fp 2;4

Num mundo como esse, egoísta, inacessível, onde as pessoas implicitamente dizem: Me ame, aceite como sou, aplauda, não me corrija. A ideia de interdependência, interação, cuidado mútuo, visão de rebanho, soa a agressão, intromissão, invasão.

Quem pertence a Cristo, não faz parte disso; “Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas porque não sois do mundo, antes Eu vos escolhi do mundo, por isso que o mundo vos odeia.” Jo 15;19

Homens espirituais, muitas vezes são rejeitados em seu próprio meio; não poucos preferem o conforto da mediocridade adjacente, a conviver com a luz que desafia.

Há um nível de entendimento excelso ao alcance; mas, só poderemos galgá-lo levando a cruz. “O homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e de ninguém é discernido.” I Cor 2;14 e 15

domingo, 15 de janeiro de 2023

Tesouro a buscar


“Eu te conheci no deserto, na terra muito seca. Depois eles se fartaram em proporção do seu pasto; estando fartos, ensoberbeceu-se seu coração, por isso esqueceram de Mim.” Os 13;5 e 6

O Eterno e Sua conturbada relação com Israel. Quando eles estavam no deserto, no cativeiro sob Faraó, e mesmo na peregrinação do Êxodo, facilmente foram conhecidos pelo Senhor. No entanto, levados à Terra Prometida, à abundância, a maioria esquecera a graça recebida. “Estando fartos, ensoberbeceu-se seu coração...”

Daí, a parcimônia Divina com as bênçãos materiais. Quando pedimos algo, Seu Amor certamente O Inclina a nos dar; porém, o mesmo Amor consorciado com Sua Presciência, O Faz cauteloso; fartura recebida fácil, pode afastar aos ingratos de memória ruim.
Seríamos, perante Ele, como o filho insensato que cansa os ouvidos do pai, pedindo dinheiro para comprar drogas. O que o amor paterno faria?

Às vezes O Santo precisa nos curar de anseios malsãos, antes de nos socorrer nos bens. “Por isso, O Senhor Esperará, para ter misericórdia de vós; por isso se levantará, para se compadecer de vós, porque o Senhor é um Deus de equidade; bem-aventurados todos que Nele esperam.” Is 30;18

Ao salvo, talvez caiba a fala registrada em Jeremias, quando esse falou a Baruque: “Procuras tu grandezas para ti mesmo? Não as procures; porque eis que trarei mal sobre toda carne, diz O Senhor; porém te Darei a tua alma por despojo, em todos os lugares para onde fores.” Jr 45;5

O homem prudente haverá de rogar, mais ou menos como Agur; “Afasta de mim a vaidade e a palavra mentirosa; não me dês a pobreza nem a riqueza; mantém-me do pão da minha porção de costume; para que, porventura, estando farto não te negue, e venha a dizer: Quem é o Senhor? ou que, empobrecendo, não venha a furtar; tome O Nome de Deus em vão.” Prov 30;8 e 9

Se, é vero que O Salvador prometeu abundância, “O ladrão não vem senão a roubar, matar e destruir; Eu Vim para que tenham vida, e a tenham com abundância.” Jo 10;10. Convém que observemos o contexto imediato da Sua Fala; está em oposição aos feitos do “ladrão”, Satanás.

Se, ele rouba, mata e destrói, por que seus servidores gozam grandes fortunas na terra, viram presidentes da república até? Porque a vida e a abundância, que O Senhor Trouxe, são de outra estirpe. Assim como, a morte com a qual o ladrão engana aos seus, “folhando carne a ouro”.

Que a vida não tem nexo com a fartura material, Ensinou mais de uma vez; “A vida de cada um não consiste na abundância do que possui.” “Louco! Esta noite pedirão tua alma! O que tens preparado, de quem será?” “Buscai primeiro o Reino de Deus e Sua justiça, e essas coisas vos serão acrescentadas.” etc.

O Salvador pontou, sobre quais riquezas devemos buscar. “Não ajunteis tesouros na terra, onde traça e ferrugem tudo consomem; onde ladrões minam e roubam; mas, ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde ladrões não minam nem roubam.” Mat 6;19 e 20

Paulo seguiu as pisadas do Mestre: “Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo Está assentado à destra de Deus; pensai nas coisas que são de cima, não nas que são da terra; Porque já estais mortos, e vossa vida está escondida com Cristo em Deus.” Col 3;1 a 3

Parece contraditório estarmos mortos, e nossa vida escondida com Cristo; quer dizer, mortos para as coisas terrenas, mas vivos para Deus. “Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na Sua morte? De sorte que fomos sepultados com Ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos em novidade de vida.” Rom 6;3 e 4

Quem presume que seja, O Evangelho, um manual de prosperidade, um compêndio de dicas motivacionais, que nos fará sentirmos satisfeitos conosco mesmos, ou, algo assim, devaneia vestir animais com vestes angelicais. Sim, o homem em si, sem a regeneração é só um bicho; “Disse eu no meu coração, quanto a condição dos filhos dos homens, que Deus os provaria, para que assim pudessem ver que são em si mesmos como animais.” Ecl 3;18

A filiação celeste depende de nossa relação com Cristo; “a todos quantos O receberam, deu-lhes poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no Seu Nome;” Jo 1;12

Aqui somos peregrinos; lá seremos herdeiros do Rei. Esperemos pela herança no tempo certo; “A herança que no princípio é adquirida às pressas, no fim não será abençoada.” Prov 20;21

sábado, 14 de janeiro de 2023

A avareza


“Porque o ímpio gloria-se do desejo da sua alma; bendiz ao avarento, e renuncia ao Senhor.” Sal 10;3

“... o ímpio gloria-se...”
glorificar a si mesmo, pensar de si mais do que convém é um vício. Salomão ensinara: “Que um outro te louve, não tua própria boca; o estranho, não, os teus lábios.” Prov 27;2

Enquanto o piedoso é chamado à renúncia; “negue a si mesmo”, o ímpio busca a própria afirmação. Qual o padrão que esse usa para se glorificar? Seus feitos? Atributos? Talentos? Não. Seus devaneios; os desejos da sua alma.

Algo que desejo, certamente não possuo; senão, fruiria invés de apenas desejar. Então, a “glória” do ímpio é uma coisa vã, sem o menor sentido. “... vos gloriais em vossas presunções; toda glória como esta é maligna.” Tg 4;16

O Senhor até permite que o homem se glorie, mas pelo motivo correto; “Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem o forte, na sua força; não se glorie o rico nas suas riquezas, mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em Me entender Me conhecer, que Eu Sou o Senhor, que Faço beneficência, juízo e justiça na terra; porque destas coisas Me Agrado, diz O Senhor.” Jr 9;23 e 24

Ao fiel se ensina buscar aquilo que agrada Ao Senhor, o ímpio em sua independência suicida agrada a si mesmo; “bendiz ao avarento...”

A confiança no dinheiro vira substituto à confiança em Deus; e tudo o que usurpa o lugar do Eterno, se converte num ídolo. “Mortificai, pois, vossos membros, que estão sobre a terra: fornicação, impureza, afeição desordenada, vil concupiscência, e a avareza, que é idolatria;” Col 3;5

O Salvador também advertiu contra esse ídolo enganoso; “Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui.” Luc 12;15

Há ímpios religiosos enganando-se sobre a própria condição. Apesar de textos como, “No suor do teu rosto comerás teu pão.” Gn 3;19 “Se já ressuscitastes com Cristo buscai as coisas que são de cima...” Col 3;1 “buscai primeiro O Reino de Deus e Sua Justiça...” Mat 6;33 etc. Esses, ora são vistos onde A Palavra de Deus é ensinada, outra, nas filas das lotéricas “fazendo uma fezinha”.

O amor a Deus e ao dinheiro são coisas excludentes; uma ou outra. “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom.” Mat 6;24 

Não que devamos ser esbanjadores, como o pródigo, mas sejamos solícitos com os necessitados, e fiéis nas finanças pertinentes à Obra.

De modo automático, ao correr após a avareza, o ímpio dá o próximo passo: “... renuncia ao Senhor.” 

Embora, nossos lábios possam ostentar a profissão de fé que convier, é a nossa submissão que deixa patente a quem servimos; “Não sabeis que, a quem vos apresentardes por servos para obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, ou do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?” Rom 6;16

Se, eventualmente um idólatra mencionar ao Senhor, o fará de olho do que Ele Dá; não, por adoração. “sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele Existe, e é galardoador dos que O buscam.” Heb 11;6

Deus É Galardoador; mas, não devemos nos aproximar Dele priorizando isso, o galardão, a bênção. Buscar a Deus não é encontrar algo para nós; antes, “perder” um pouco de nós, em renúncia voluntária no afã de agradar ao Senhor.

Eventualmente criticamos Esaú que abdicou da bênção do Senhor por um prato de lentilhas. Sem estar devidamente atentos, muitos fazem o mesmo. “Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e laço, e muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. Porque o amor ao dinheiro é raiz de toda a espécie de males; nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e traspassaram a si mesmos com muitas dores. Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas...” I Tim 6;9 a 11

Muitos disfarçam seu amor pelo dinheiro travestindo de prudência; “não vou dizimar nem ofertar, porque farão mau uso do dinheiro.” Talvez, nem a Casa da Moeda devesse fabricá-lo, muitos usarão para corrupção, prostituição.

Outros produzem exaustivos estudos “provando” que dízimo é algo superado. Podemos colar aqui, acolá, rótulos que quisermos. No julgamento não serão nossos juízos que contarão, antes, O Divino sobre nós. “De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus.” Rom 14;12

“Aqueles que gostam muito de dinheiro, dificilmente se interessam verdadeiramente por pessoas.” Georgeana Alves

sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

Problemas de coração


“Bem-aventurado o homem cuja força está em Ti, em cujo coração estão os caminhos aplanados.” Sal 84;5

Os caminhos do coração são por onde passam nossas decisões mais caras. “Sobre tudo que se deve guardar, guarda teu coração, porque dele procedem as fontes da vida.” Prov 4;23

Foi dobrando o homem aí, no centro de sua personalidade, que o inimigo o convenceu que autonomia seria melhor; desobedecendo, o homem teria um upgrade; “Sereis como Deus; vós mesmos sabereis o bem e o mal.”

Isso degenerou de maneira tal, que, esse fundo de vale se tornou o ponto mais “alto” que o homem natural pode galgar. Digo, quando pretende afirmar a certeza de algo, validar o testemunho de um desejo, afeto, assegura que o faz, de todo coração. Essa “inteireza” aos Divinos Olhos é nada. “Enganoso é o coração, mais que todas as coisas, e perverso...” Jr 17;9

A abordagem do Salvador é radical e igualitária; não se perde discutindo a qualidade de nossos corações; quanto de “bondade” permeia cada um; se existe neles algo aproveitável, ou não. “Negue a si mesmo”! Que desperdício! Tantas boas intenções, autoestima desconsideradas...

O Criador Sabe no que se tornaram nossos corações. “Do coração procedem maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias.” Mat 15;19

Quem se recusa a admitir isso, acrescenta à lista a arrogância, essa derivada do orgulho, que ainda deseja a autonomia; porém, vestida de humildade. Enverga airosa o modelito da hipocrisia, sobrepondo, num toque clássico, a capa da religiosidade, com vistosos acessórios de justiça própria.

Não importa quão altos degraus galguem às vistas humanas, tais, não passam de cadáveres ornamentados inutilmente, para serem sepultados entre vermes. “Ainda que na sua vida bendisse sua alma; homens te louvarão, quando fizeres bem a ti mesmo, irá para a geração de teus pais; eles nunca verão a luz. O homem que está em honra, e não tem entendimento é semelhante aos animais, que perecem.” Sal 49;18 a 20

A honestidade intelectual e moral não permite que sejamos enredados por essas astúcias de Satã, ainda fingindo não ver o que Deus fez com a indevida relação: “Porei inimizade entre ti e a serpente...”

A mentira não é amiga do homem, assassina-o. “... todos os mentirosos, sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre; o que é a segunda morte.” Apoc 21;8 Pois, “Aquele que odeia dissimula com seus lábios, mas no seu íntimo encobre o engano; quando te suplicar com voz suave não te fies nele, porque abriga sete abominações no seu coração.” Prov 26;24 e 25

Por palatáveis que soem as defesas de meus vícios, que eu seja radical contra toda sorte de presunção que me assedie: “Mas todos nós somos como o imundo, e todas nossas justiças como trapo da imundícia; todos nós murchamos como a folha, nossas iniquidades como um vento nos arrebatam.” Is 64;6

Paulo pintou em cores bem vivas, as forças das boas intenções habitando num escravo do pecado: “Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim. Acho então esta lei em mim, que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo.” Rom 7;20 e 21

Quer dizer que um cristão não deve agir de coração? Não exatamente; apenas, não será útil, sem antes esse passar pela “formatação” de Cristo, que implantará nele um “antivírus” celeste, Sua Palavra. “Deixe o ímpio seu caminho, o homem maligno seus pensamentos, e se converta ao Senhor, que se compadecerá dele; torne para nosso Deus, porque Grandioso É em perdoar. Porque os Meus Pensamentos não são os vossos, nem vossos caminhos os Meus, diz O Senhor.” Is 55;7 e 8

Essa mudança de descartar nossa vã maneira de pensar em favor da Dele será tão radical, que equivalerá a um transplante de órgãos; “Dar-vos-ei um coração novo, Porei dentro de vós um espírito novo; e Tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos Darei um coração de carne. Porei dentro de vós Meu Espírito, Farei que andeis nos Meus estatutos, guardeis os Meus juízos e os observeis.” Ez 36;26 e 27

Assim, nossa regeneração ao projeto original, nos tolhe toda “originalidade”; digo, não seremos mais fontes, antes, imitadores; “segundo o coração de Deus.” Não é precisamente isso que significa, ser à Sua Imagem e Semelhança?

O pecado, com promessa de autonomia, libertação, trouxe queda e anátema. Quando A Palavra amaldiçoa a confiança no homem, alude exatamente a isso; a presumir de si mesmo, nas coisas que deveria depender de Deus. “... Maldito o homem que confia no homem, faz da carne seu braço, e aparta seu coração do Senhor!” Jr 17;5