domingo, 25 de junho de 2023

Fraqueza da força



“... Esta é a Palavra do Senhor a Zorobabel, dizendo: Não por força nem por violência, mas pelo Meu Espírito, diz O Senhor dos Exércitos.” Zac 4;6

A restauração do templo e da cidade de Jerusalém, em meio a grandes adversidades. Mesmo assim, métodos comuns entre os homens, força e violência para persuadir, não seriam usados; antes, O Poder do Espírito do Senhor.

A imposição de um querer, forçada normatização de um modo de ser, é próprio das ditaduras, de quem não conseguiria lograr o mesmo mediante argumentos. O Todo Poderoso faz concessões, facultando escolhas, permitindo a desobediência até, embora, advirta das consequências.

Como seria, se, os motejos comuns dos que duvidam, ou, as blasfêmias atrevidas dos que se opõem a Deus fossem punidas de imediato, com prisões, multas, por transgressão de uma hipotética lei de “Deusfobia”?

As pessoas inclinadas a isso seriam cautelosas, dissimuladas; mesmo pensando do mesmo modo, guardariam seus pensares para si, temendo as punições. Aquele que É A Verdade, não gosta dessas coisas. Prefere a rejeição aberta, à “adesão” hipócrita, dissimulada, interesseira.

Simeão disse a Maria, até onde O Senhor levaria a liberdade de expressão: “Uma espada traspassará também tua própria alma; para que se manifestem os pensamentos de muitos corações.” Luc 2;35 Antevendo que a rejeição a Cristo, O levaria até à morte; Deus permitiria que os ímpios manifestassem isso.

O Eterno por um pouco, abandonou Seu Filho; em tempo, O justificou, vivificando-o pelo Seu Espírito. “... Deus se manifestou em carne, foi justificado no Espírito...” I Tim 3;16

Toda requisição a base de gritaria, ameaças de punições, no fundo, invés de zelo por uma lei, traz embutida a confissão de uma transgressão; a certeza de que os meios normais de persuasão não bastam para que tal anseio prevaleça; então, pedem “reforço” à violência, usam o vigor das ameaças, coagem a sociedade; em nome de suposta liberdade, pedem bexiga pra tirania.

A verdade não lhes serve, porque não corrobora anseios de quem ama à mentira. Então, criam narrativas fajutas, colando rótulos de mel, onde acondicionam veneno, para depois, punirem aos dissidentes pelo desperdício de tão precioso líquido.

Óbvio que estou falando da tirania global dos movimentos gays; seu direito de fazerem o que quiserem de suas vidas inclusive no aspecto sexual é inalienável; ninguém nega isso. Mas isso não lhes basta; ousam ingerir em nosso direito de crer.

Em defesa de suas predileções, fundem o aspecto biológico ao psicológico, como se, ambos fossem iguais.

A natureza biológica é determinista. Nascemos machos, ou fêmeas. O aspecto psicológico pode ser moldado. Então, alguém se portar no âmbito sexual, de modo contrário ao ser, biológico, e dizer que o faz porque “nasceu assim”, presume um determinismo psicológico que tornaria o ensino sem sentido, e a mudança, uma automutilação. Se, cada um deve seguir “como nasceu”, por quê Cristo pagou tão alto preço, desafiando os arrependidos a “nascerem de novo?”

Pois, também a nós, heterossexuais, a Palavra de Deus coloca uma série de limites; veta promiscuidade, adultério, fornicação, zoofilia, incesto... coisas às quais, todo pecador nasce inclinado; nem todos são honestos o bastante para admitir. 

Pela mesma “lógica” dos que adotam o comportamento homoafetivo, poderíamos cometer essas coisas todas e defender-nos: “Eu nasci assim!”

Usando da gritaria e da força, nada impediria que criássemos leis punitivas contra “adulterofóbicos”, “promiscuofóbicos”, etc. Estaríamos usando a “democracia”, o grito unido de muitas vontades, contra a “Tirania” do Criador, com Seus “discursos de ódio”. Pois, Ele admite que odeia algo; “Tu amas a justiça e odeias a impiedade...” Sal 45;7

Tende o ímpio a apoiar-se na fragilidade do braço, onde a problema é de coração. “... Maldito o homem que confia no homem, faz da carne o seu braço, e aparta seu coração do Senhor!” Jr 17;5

Não nos enganemos; não se trata de liberdade, que todos possuem já, tampouco de fobias tais ou quais; antes, trata-se da milenar peleja espiritual, entre Deus e o maligno, projetada sobre os que servem a Um e outro.

Embora lute contra o inimigo, O Criador não deseja medir forças com um verme como nós, seria ridículo. “Quem poria sarças e espinheiros diante de Mim na guerra? Eu iria contra eles e juntamente os queimaria.” Is 27;4

Dada a impossibilidade desse embate, Ele sugere que tomemos para nós Sua Força; “... se apodere da Minha Força, faça paz comigo;” v 5
A Força dos que nos ameaçam tem um limite que O Eterno desconhece; “Não temais os que matam o corpo, depois, não têm mais que fazer.” Luc 12;4

Criem as leis que quiserem! Deus já se antecipou, em nós. “... Porei Minhas Leis no seu entendimento, em seu coração as escreverei...” Heb 8;10

sábado, 24 de junho de 2023

Os náufragos


“Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque, que é a vossa vida? Um vapor que aparece por um pouco, depois se desvanece.” Tg 4;14 

A Palavra sempre nos desafia a uma resposta no presente; “hoje, se ouvirdes Sua Voz, não endureçais vossos corações.”

Assim como, no aspecto dos defeitos temos mais facilidades de identificar os alheios que os nossos, na questão da prudência, ou, da ausência dela, a mesma lógica se verifica.
Tendemos a pensar que não cometeríamos as temeridades que outros cometem, avaliando-as à distância, sob a proteção dos nossos tetos.

Nunca desceria a quatro mil metros no oceano, diz um que encomenda sua vida à fragilidade de uma corda, saltando de bungee Jump; tampouco eu, o que se expõe ao risco de descarrilamento numa montanha-russa.

Essa “análise apurada”, não raro, fazemos com a lupa das consequências trágicas, nunca, ao mero sabor da aventura, quando, a adrenalina se insinua mais persuasiva que os riscos.

Repercute mundialmente o naufrágio do submersível Titan, onde cinco bilionários perderam suas vidas, intentando visitar as ruínas do Titanic, dada uma implosão da nave, nas profundezas do oceano.

Alguns, acometidos pela febre ideológica aproveitaram para deixar patente a “futilidade do capitalismo” em defesa do seu sistema, que propõe partilhar entre todos, as riquezas alheias. Sua doentia proposta já naufragou numas setenta nações; mas, seguem visitando seus destroços ideológicos, culpando aos icebergs pelas escolhas desastradas dos parvos pilotos. Nenhum deles, ao ver os Venezuelanos passando fome, consegue ver a ruindade do socialismo. O problema aquele, dos defeitos alheios visíveis.

Outros, mais “zelosos” vociferam contra as vítimas, chamam-nas de “idiotas!” Como puderam ser tão sem noção de confiarem numa engenhoca rudimentar? Até quem nunca soube nada de navegação, agora está googlespecialista, cheio de dicas sobre segurança em expedições subaquáticas.

Cinco vidas se perderem num acidente sempre é trágico. Não importa se eram milionários ou pobres, dessa ou daquela raça; expoentes desse ou daquele sistema, em tais ou quais circunstâncias.

Entretanto, muitos dos “prudentes” após a tragédia, estariam babando de inveja se, invés de morrer eles voltassem à superfície com belas fotos e objetos dentre os destroços.

Dizer que não faria algo temerário depois que se revela trágico, não é prudência; apenas casuísmo, oportunismo desonesto. Muitos que dizem isso dirigem alheios às leis de trânsito; outros consomem drogas letais; se dão a comportamentos deletérios no prisma moral, destruindo famílias, etc. Não conseguem ser prudentes nas pequenas coisas que administram, mas, pretendem sê-lo, nas grandes que não lhes dizem respeito.

Que há regras de segurança a seguir, saberes de especialistas a considerar, de acordo. Agora dar pitaco só pela coceira por falar, ou achar engraçados os erros alheios, mesmo quando se revelam trágicos, é só mais uma faceta dessa geração abarrotada de cultura inútil, desértica em valores.

Infelizmente, o inferno recebe milhares diuturnamente, desses que, mesmo capazes de ver distante aos erros alheios, não conseguem evitar os próprios.

A arrogância humana no tocante a zombar de Deus é algo incurável. Na mitologia grega, titãs eram gigantes que lutavam contra os deuses. O mega navio, foi batizado de “Titanic”; ou seja: Titânico, gigantesco. Agora, como que, num renovo da arrogância já afundada, o submersível foi chamado de Titan.

Embora, suas dimensões fossem módicas, fizeram questão do nome alusivo ao gigantismo, que foi posto no transatlântico que “nem Deus afundaria.” 111 anos, dois meses e 3 três dias após aquele acidente, outro “titã” pereceu nas águas do Atlântico Norte.

Oswaldo Cruz dizia: “Observando erros alheios, o homem prudente corrige os seus.”

Como estamos pilotando às naves de nossas vidas? Dentro de uma margem confiável de segurança ou estamos nos expondo de maneira insana ao risco da eterna perdição?

A aventura dos bilionários em apreço, teria custado cerca de 1,2 milhão de reais para cada um deles. O fato de a imensa maioria da população não ter condições para uma aventura assim, “protege-nos” de riscos semelhantes.

Porém, há mil maneiras de se perder; só ancorando nossas almas na Palavra de Deus podemos evitar. Pois, como disse O Salvador, “... a vida de qualquer um, não consiste na abundância do que possui.” Antes, consiste na perseverança na fé, cujas obras ensejam uma consciência sem culpa: “Conservando a fé, e a boa consciência, a qual alguns, rejeitando, fizeram naufrágio na fé.” I Tim 1;19

Pois, também temos uma embarcação antiga, (a carne) que afrontou a Deus no passado; afundou nas águas do batismo de arrependimento, dando origem ao “novo homem”. Invés de a considerarmos um ferro-velho, que deve corroer-se nos mares do tempo, se, parecer-nos oportuno, revisitar os seus domínios, colocaremos tudo a perder. “Como o cão torna ao seu vômito, assim o tolo repete sua estultícia.” Prov 26;11

sexta-feira, 23 de junho de 2023

Nós podemos mais


“O homem sábio é forte; o homem de conhecimento consolida a força.” Prov 24;5

Os filósofos fazem distinção entre potencial e atual; entre o que se pode, e o que está sendo feito. Motejando da atuação de alguém se diz: “Você pode mais do que isso.”

O verso supra foi escrito pelo homem que, a Bíblia define como sendo o mais sábio, Salomão. “O homem sábio é forte...” Então, natural afirmarmos que foi o mais forte também.

Normalmente aquilatamos como força, a capacidade de mover, suster, carregar grandes pesos. Esse é o aspecto estritamente físico. A Bíblia não o apresenta como um segundo Sansão. Sua “força” se mostrou na posse de um intelecto privilegiado.

“Disse três mil provérbios; foram os seus cânticos mil e cinco.” I Rs 4;32 “Quanto mais sábio foi o pregador, tanto mais ensinou ao povo sabedoria; atentando, esquadrinhando, compôs muitos provérbios.” Ecl 12;9

Invés de outro aspecto da força concentrou-se no da sabedoria: “O home sábio é forte...” Conhecia a origem dessa força; “As palavras dos sábios são como aguilhões, como pregos bem fixados pelos mestres das assembleias, que nos foram dadas pelo Único Pastor.” Ecl 12;11
O Único Pastor, O Senhor é que fortalece com saber, àqueles que lhe agrada. A revelação, oriunda da mesma “Fonte” também é uma força excelente.

Quando, Nabucodonsor, aflito pela interpretação de um sonho exigiu dos intérpretes, mais que o normal; que, além de interpretar, ainda revelassem o quê, tinha sonhado, ninguém se habilitou. Furioso o rei mandou executar a todos os “sábios”. Sabedor da sentença, Daniel pediu tempo para orar e colocar perante Deus a situação.

Recebida a resposta do Altíssimo, agradeceu assim: “Ó Deus de meus pais, Te dou graças e louvo, porque me deste sabedoria e força; agora me fizeste saber o que Te pedimos, porque nos fizeste saber este assunto do rei.” Dn 2;23 Sabedoria e força, lado a lado. A revelação foi forte o bastante para poupar as vidas de muitos “sábios” porque Daniel fora iluminado.

“... o homem de conhecimento consolida a força.” Voltando à linguagem dos filósofos podemos dizer que, o home sábio pode, e o de conhecimento atua conforme pode. Consolida, se faz sólido junto ao poder que possui.

Mas, a força em si não é sólida? Não necessariamente. O concreto armado, por exemplo, na devida mistura dos elementos sustém toneladas; porém, antes de estar sólido pode ser perfurado com os dedos. Um exemplo didático de poder ainda não solidificado.

O saber requer um segundo passo, que nem sempre, quem sabe, ousa. “Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as fizerdes.” Jo 13;17 O Salvador condicionou o conhecimento da verdade, à solidez em Sua doutrina; “... Se vós permanecerdes na Minha Palavra, verdadeiramente sereis Meus discípulos; conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” Jo 8;31 e 32

Tornar o potencial em atual, deixar o que sabemos moldar o que escolheremos, é o meio de consolidar a força que recebemos. Mas, nem sempre acontece assim; na verdade, mui raramente. Quanto aos “mestres” dos Seus dias Jesus aconselhou: “Todas as coisas que vos disserem que observeis, observai-as, fazei-as; mas não procedais em conformidade com suas obras, porque dizem e não fazem;” Mat 23;3 Aqueles também podiam mais.

O próprio Salomão, o mais privilegiado com o dom da sabedoria, no final dos seus dias agiu de modo insano. “Das nações de que o Senhor tinha falado aos filhos de Israel: Não chegareis a elas, elas não chegarão a vós; de outra maneira perverterão o vosso coração para seguirdes seus deuses. A estas se uniu Salomão com amor... Porque Salomão seguiu a Astarote, deusa dos sidônios, Milcom, a abominação dos amonitas. Assim fez Salomão o que parecia mal aos Olhos do Senhor; não perseverou em seguir ao Senhor, como Davi, seu pai.” I Rs 11;2, 5 e 6

Assim, temos um homem que foi forte, mas não consolidou sua força, antes, se deixou corromper. Sua própria sabedoria condenaria suas escolhas; já na introdução aos provérbios o pintaria como louco; “O temor do Senhor é o princípio do conhecimento; os loucos desprezam sabedoria e instrução.” Prov 1;7

Noutra parte mencionou um sábio pobre que, embora ignorado, desprezado, no momento oportuno livrou uma cidade pela sua sabedoria; então, filosofou: “... Melhor é a sabedoria que a força, ainda que a sabedoria do pobre foi desprezada, e suas palavras não foram ouvidas. As palavras dos sábios devem em silêncio ser ouvidas, mais que o clamor do que domina entre tolos. Melhor é a sabedoria que as armas de guerra, porém um só pecador destrói muitos bens.” Ecl 9;16 a 18

Sabedoria ainda apela: “Deixai os insensatos e vivei; andai pelo caminho do entendimento.” Prov 9;6

Mais que o ouro


“Os castiçais com suas lâmpadas de ouro finíssimo, para as acenderem segundo o costume, perante o oráculo. As flores, as lâmpadas e os espevitadores eram de ouro, do mais finíssimo ouro. Como também os apagadores, bacias, colheres e incensários, de ouro finíssimo; quanto à entrada da casa, suas portas de dentro do lugar santíssimo, e as da casa do templo, eram de ouro.” II Crôn 4;20 a 22

Utensílios pertinentes ao culto no Antigo Testamento, mesmo os para funções mais simples, eram todos de ouro refinado.

Aqueles dias com seus móveis, utensílios preciosos e ritos, apontavam para outros dias no porvir. “Porque tendo a Lei à sombra dos bens futuros, não a imagem exata das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferece cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam.” Heb 10;1 Uma sombra de bens, então, futuros; agora, cumpridos em Cristo.

A repetição sistemática dos rituais era um testemunho, de que o problema do pecado permanecia em pé. “Dando nisto a entender o Espírito Santo que ainda o caminho do santuário não estava descoberto enquanto se conservava em pé o primeiro tabernáculo.” Heb 9;8

Apesar de toda a santidade requerida, da preciosidade dos objetos do culto de então, ainda era mera sombra do que estava por vir. “Mas, vindo Cristo, o Sumo Sacerdote dos bens futuros, por um maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, isto é, não desta criação, nem por sangue de bodes e bezerros, mas por Seu Próprio Sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção.” Heb 9;11 e 12

A “purificação” daqueles dias era como que um cheque pré-datado, que O Próprio Deus assinava, a espera do que, depositaria a devida quantia; “Porque é impossível que o sangue dos touros e bodes tire pecados.” Heb 10;4

A remissão dos ofertantes era exterior, “segundo a carne”; a de Cristo toca consciências; “Porque, se o sangue dos touros e bodes, e a cinza de uma novilha esparzida sobre os imundos, os santifica, quanto à purificação da carne, quanto mais o Sangue de Cristo, que pelo Espírito Eterno ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus Vivo?” Heb 9;13 e 14

A mera repetição de “arrependimentos” que não logram transformar nossa vida, nos lança na mesmice daqueles dias, quando, O Espírito Santo ainda não fora dado aos arrependidos. “Doutra maneira, teriam deixado de se oferecer, (sacrifícios) porque, purificados uma vez os ministrantes, nunca mais teriam consciência de pecado. Nesses sacrifícios, porém, cada ano se faz comemoração dos pecados.” Heb 10;2 e 3

Nosso comprometimento com Cristo deve ser intenso profundo; de modo a nos identificarmos cabalmente, Nele; “Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na Sua morte?” Rom 6;3

Então, o viver relapso, a volta ao lixo depois de havermos sido libertos é considerado como “repetir” para si o Sacrifício do Salvador. “... pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, O expõem ao vitupério.” Heb 6;6

Infelizmente, o ouro compra quase tudo aqui; até coisas que o dinheiro não deveria. Antes de nos impressionarmos com a pompa do templo antigo, suas riquezas, pois, devemos meditar, “Sabendo que, não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais, mas, com o Precioso Sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado, incontaminado.” I Ped 1;18 e 19

Nos impressiona o precioso; na escala de valores dos Céus, o Amor está no topo; “Ninguém tem maior amor do que este, dar alguém sua vida pelos seus amigos.” Jo 15;13 A fé também se avantaja ao metal amarelo; “Para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, honra e glória, na revelação de Jesus Cristo.” I Ped 1;7

Nossa identificação com Cristo em Sua renúncia, fidelidade e obediência, transfere parte do Seu inefável valor, aos regenerados Nele, Deus diz: “Farei que o homem seja mais precioso que o ouro puro, mais raro do que o ouro fino de Ofir.” Is 13;12

Não se trata de encontrar o que há de bom em nós; antes, de remover o que há de ruim, para que Suas virtudes brilhem através do nosso viver. “... Porque Ele será como o fogo do ourives como o sabão dos lavandeiros. Assentar-se-á como fundidor e purificador de prata... os refinará como ouro... então ao Senhor trarão oferta em justiça.” Mal 3;2 e 3

A fé genuína nos torna agradáveis a Deus; obtido isso, quem precisa de ouro?

quarta-feira, 21 de junho de 2023

A demora de Deus


“Porque necessitais de paciência, para que, depois de haverdes feito a Vontade de Deus, possais alcançar a promessa.” Heb 10;36

Os hebreus estavam desanimando, na iminência de recuar, apostatar da fé; então, o autor evocou o começo deles; “Lembrai-vos, porém, dos dias passados, em que, depois de serdes iluminados, suportastes grande combate de aflições. Em parte fostes feitos espetáculo com vitupérios e tribulações, fostes participantes com os que assim foram tratados.” vs 32 e 33

Se, no prisma dos que mudam de vida por Cristo, o passado não importa, “... esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo..” Fp 3;13 e 14

No dos que, começaram bem e vacilam, aquele bom começo deve ser lembrado, para que o ânimo, então latente, torne a despertar. A certa igreja foi cobrado esse retorno: “Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te, e pratica as primeiras obras...” Apoc 2;4 e 5

Esse mundo corre sem tempo para refletir; segue sua desabalada carreira a competir com as sombras; os meios são modernizados a cada dia; os fins? se recusam a perguntar, onde essa insanidade veloz nos levará. As máquinas treinadas por mãos astutas são pródigas em saciar sede de coisas, para maquiar que, no fundo as pessoas têm sede de vida.

A velocidade virtual, com sua difusão de cultura inútil, mesclada a algumas coisas úteis para disfarçar, tem cansado às almas humanas, numa carreira sem meta. Essa “corrida” estraga também o andar de poucos que ainda ousam na vereda da fé; pois, como tudo é célere nesse sistema amoral, muitos devaneiam com a mesma rapidez no tocante ao usufruto das coisas espirituais.

“Porque necessitais de paciência, para que, depois de haverdes feito a Vontade de Deus, possais alcançar a promessa.”

Se, nossas bênçãos maiores vêm “depois de termos feito a Vontade de Deus...” Como elas irão ao encontro dos que, recusam-se a pagar o preço das renúncias para conhecê-la? Paulo ensina: “... apresenteis vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. Não vos conformeis com este mundo, mas sede transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis a boa, agradável e perfeita Vontade de Deus.” Rom 12;1 e 2

Duas condicionais, pois; o tempo para sermos abençoados não é um curso de tempo, estritamente; antes, é o tempo necessário para que aprendamos à Vontade Divina, e a pratiquemos. Depois disso, poderemos esperar a “promessa”; O Eterno não se responsabiliza pelos desejos, devaneios; antes, pelo que prometeu.

Quando diz que, “todas as coisas são possíveis ao que crê”, atrela isso à certeza de que, os que creem verdadeiramente, não pedirão coisas opostas à Sua Vontade. “... se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas passaram; eis que tudo se fez novo.” II Cor 5;17

Tudo é possível, mas nem tudo será concedido; “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas edificam.” I Cor 10;23

No fundo, grande parte da insatisfação das pessoas que professam crer é derivada de uma relação pobre com Deus. Quanto mais Dele, houver em nós, menos coisas serão necessárias.

Como os levitas, que tinham privilégio e responsabilidade de cuidar das coisas santas, em Israel; a eles não foi dado possessões para o agro pastoreio; apenas o necessário ao ofício. “Por isso não terão herança no meio de seus irmãos; O Senhor é sua herança, como lhes tem dito.” Deut 18;2

Será que termos “apenas” O Senhor é pouco, e precisamos desejar grandezas terrenas ainda?

Não que não seja lícita a busca pelas coisas necessárias; trata-se de estabelecer prioridades pelos valores celestes, como O Salvador ensina: “buscai primeiro o Reino de Deus, e sua justiça e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Não vos inquieteis pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia seu mal.” Mat 6;33 e 34

Quando nosso relacionamento com O Eterno se apequena, as causas estão sempre em nós. “... a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem agravado Seu ouvido, para não poder ouvir. Mas, vossas iniquidades fazem separação entre vós e vosso Deus; os vossos pecados encobrem Seu Rosto de vós, para que não vos ouça.” Is 59;1 e 2

Em casos assim, invés de parar de crer, desistir de esperar, que tal pararmos de pecar, começarmos a orar e vigiar mais? Na imensa maioria das vezes, as “demoras” de Deus são reflexos das nossas; “Por isso, O Senhor esperará, para ter misericórdia de vós...” Is 30;18

domingo, 18 de junho de 2023

Stênio e a harmonização


Dizemos que as aparências enganam; mas, vivemos como se a essência fosse um imenso deserto, onde, mesmo a sombra do engano trouxesse algum lenitivo.

Nossa dificuldade de convívio com a verdade foi explorara pela arte. Séries como “O Super Sincero” com Luiz Fernando Guimarães, e filmes como “O Mentiroso” com Jim Carrey, retrataram de forma bem-humorada, o vício de mentir para preservar aparências, a “harmonia” dos ambientes e situações. Aparência, tanto tem seu aspecto estético, quanto, psicológico.

A Bíblia também a aborda: “Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça.” Jo 7;24 Os homens dos últimos dias “Terão aparência de piedade, mas negarão sua eficácia.” II Tim 3;5

O que é um hipócrita, senão, um que cultua aparência de virtudes como cosméticos pra disfarçar as marcas dos vícios?

Nem tudo precisa ou deve ser dito, nos relacionamentos interpessoais. Podemos omitir coisas, até conviver com pequenas “mentiras” certos exageros, em nome da boa convivência. Um “super sincero” espantaria às pessoas.

Agora adotar a mentira como filosofia de vida é encomendar-se à perdição. “Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, pai da mentira.” Jo 8;44

Certo grau de vaidade todos têm. Escolhemos vestes que combinem entre si e se possível, nos realcem; mulheres, sobretudo, (no meu mundo só há homens e mulheres, agindo com tais, ou, não) usam recursos como maquiagem para melhorar a aparência, o que, dentro de certo equilíbrio, nada tem de anormal. Algumas fazem reparos mediante cirurgias plásticas até.

O assunto da vez é a dita “harmonização facial,” feita pelo ator Stênio Garcia. Mesmo estando na casa dos 90 anos, ficou com uma aparência facial que beira aos cinquenta. Aos meus olhos ficou meio esquisito. Entretanto, as variáveis do gosto são da escolha arbitrária de cada um. O problema é que o restante do corpo seguirá tendo a idade que tem, de modo que, as vantagens disso, são discutíveis. Se ele gostou...

A coisa virou assunto de muitos. Mesmo aqueles indelicados que, ao menor conselho soltam seus porcos-espinhos, “Só fale de mim quando pagares minhas contas”, passaram a fazer memes, ou partilhá-los às custas do procedimento do ator, o que, me leva a concluir que, os tais, pagam as contas dele; quiçá à harmonização até.

Normalmente cito pessoas em meus escritos; quando as critico o faço no tocante às ideias esposadas; suas escolhas de cunho pessoal não me interessam.

Pois, quem ousa expor publicamente o que pensa, precisa aprender a conviver com o contraditório, com a opinião alheia, mesmo dissidente. Aqueles que rechaçam “palpites” geralmente palpitam nas vidas de outros; não têm problemas com a apreciação alheia, quando essa, os aprova. “As pessoas lhe pedem críticas, mas elas somente querem elogios.” W. Somerset Maugham

No fundo, são narcisistas, a postos para os aplausos, e entrincheirados contra toda crítica. “Quem se enfada pelas críticas, reconhece que as tenha merecido.” Tácito

Enfim, é fato que lidamos mal com as marcas do tempo. O que haverá em nossos corações, que desde sempre devaneamos com a fonte da juventude, ou a máquina do tempo? “Tudo fez formoso em seu tempo; também pôs o mundo no coração do homem, sem que este possa descobrir a obra que Deus fez desde o princípio até ao fim.” Ecl 3;11

Uma beleza com prazo de validade, “em seu tempo”; um anseio insaciável, “o mundo no coração”. Algumas versões trazem, a eternidade; o que explicaria a infinda sede dos humanos.

As águas para essa sede não vertem do seio da terra. Aqui recebemos certa redoma de tempo e espaço, onde e quando, devemos aprender o caminho pra Fonte; “De um só sangue fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação; para que buscassem ao Senhor, se porventura, tateando, O pudessem achar; ainda que não está longe de cada um de nós;” Atos 17;26 e 27

Na verdade, em Cristo Deus nos busca; Ele disse: “Aquele que beber da água que Eu lhe der nunca terá sede, porque a água que Eu lhe der se fará nele uma fonte que salte para a vida eterna.” Jo 4;14

Nele recebemos harmonização espiritual por inteiro; nascemos de novo. Nossa vida toda será regenerada conforme o projeto original.

Se nos submetermos, aprenderemos amar à justiça, nela veremos Deus, e seremos feitos parecidos com Ele. “Quanto a mim, contemplarei a Tua face na justiça; eu me satisfarei da Tua semelhança quando acordar.” Sal 17;15

A doentia mão do homem


“Sucedeu que, vindo a Arca da Aliança do Senhor ao arraial, todo o Israel gritou com grande júbilo, até que a terra estremeceu. Os filisteus, ouvindo a voz de júbilo, disseram: Que voz de grande júbilo é esta no arraial dos hebreus? Então souberam que a Arca do Senhor era vinda ao arraial.” I Sam 4;5 e 6

A primeira batalha tinha sido nefasta para Israel; aproximadamente quatro mil homens tinham morrido. Então, alguém sugeriu que Deus não fora à peleja com eles. Decidiram buscar Sua Arca, para que, também Ele participasse da luta.

Supondo que esse arranjo bastaria para que O Eterno os socorresse, ao verem a Arca comemoraram vitória, de modo que, até os inimigos ouviram e temeram.

Acontece que, aqueles dias eram mui sombrios em Israel. A profanação do sacerdócio pelos filhos de Eli e a omissão dele em colocar as coisas no lugar tinha acendido a Ira do Senhor, que os traria a juízo, como advertira mediante ao ainda jovem Samuel. “Porque já lhe fiz saber que julgarei sua casa para sempre, pela iniquidade que ele bem conhecia; porque, fazendo-se seus filhos execráveis, não os repreendeu.” Cap 3;13 A omissão dos pais em educar devidamente os filhos, sobretudo, pais envolvidos no ministério, é grave.

A primeira derrota era já o começo do Divino Julgamento, pela forma profana, relapsa e descompromissada com que tinham se portado, os que, deveriam ser exemplares, as lideranças.

Se, nas horas de calmaria virarmos as costas ao Poderoso, e apenas em tempos de aflição desejarmos seu socorro, deixaremos patente o reles interesse, não, fidelidade como convém.

“Devemos consertar o telhado em dias de tempo bom” B. Franklin. Assim, quando aflições externas não nos assolam, é prudente aproveitarmos essa calmaria, para bem ordenarmos nosso relacionamento com O Eterno.

Se estivermos em comunhão com Ele, não careceremos de arranjos de emergência ante eventuais ameaças. “Então temerão o Nome do Senhor desde o poente, e Sua glória desde o nascente do sol; vindo o inimigo como uma corrente de águas, O Espírito do Senhor arvorará contra ele Sua Bandeira.” Is 59;19

Se, O Senhor quisesse defender a Israel já o teria feito, sem carecer de levar a Arca da Aliança ao front; nunca se fizera isso antes. Mas, em tempos de paz viverem às suas ímpias maneiras, na hora do aperto lançaram mão de uma astúcia, como se, isso colocasse O Poderoso a pelejar por eles, não passava de uma forma requintada de idolatria.

Por que idolatria, se envolvia ao Senhor? Porque o suposto “envolvimento” não passava de uma obra das mãos humanas; uma inglória tentativa de cooptar ao Todo Poderoso, como se Ele fosse manipulável.

A idolatria é multifacetada e ocorre sempre que o braço humano visa suplementar ou substituir ao Divino; “... Maldito o homem que confia no homem, faz da carne seu braço, e aparta seu coração do Senhor!” Jr 17;5

A gritaria que os animados soldados fizeram ao ver a Arca no front é um triste retrato da tendência idólatra das nossas almas. Somos chamados a confiar no que não vemos; porém, nosso júbilo, confiança, só eclodem quando vemos alguma coisa palpável; pois, nossa alma hemiplégica parece carecer sempre de muletas. Desse “Calibre” todos os tipos de fetiches “góspeis” que se distribui por aí; ou, o apego desordenado ao dinheiro, que o converte num detestável ídolo. “Mortificai, pois... a avareza, que é idolatria;" Col 3;5

“Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, a prova das coisas que se não vê.” Heb 11;1 “... Quando andar em trevas, não tiver luz nenhuma, confie no Nome do Senhor, firme-se sobre seu Deus.” Is 50;10 “... Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram.” Jo 20;29

As coisas invisíveis se tornam compreensíveis pelas que vemos, se formos honestos com as informações que recebemos; “Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto Seu Eterno Poder, quanto Sua Divindade, se entende, e claramente se vê pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis;” Rom 1;20

O usufruto de graças genéricas que descem sobre justos e injustos não é testemunho de salutar relacionamento com Deus. Agora, um modo de vida avesso à iniquidade, zeloso na busca por santificação, certamente exercita sua “eloquência” no silêncio de uma consciência sem culpas. “... O Senhor conhece os que são Seus; qualquer que profere o Nome de Cristo aparte-se da iniquidade.” II Tom 2;19

Nossas casas espirituais são testadas pelas tempestades da vida; em dias de calmaria devemos fundá-las sabiamente. “Todo aquele, pois, que escuta estas Minhas Palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou sua casa sobre a rocha;” Mat 7;24