sábado, 16 de agosto de 2025

O reparo das brechas


“Não subistes às brechas, nem reparastes o muro para a casa de Israel, para estardes firmes na peleja no dia do Senhor.” Ez 13;5

São figuras eloquentes para denunciar a mesma situação. A omissão dos profetas de então, quanto ao dever de chamar o povo ao arrependimento. Se, havia brechas, havia falhas. Nesse lapso, eventuais profetas teriam trabalho a fazer.

Quando O Eterno estabeleceu Jeremias como Seu mensageiro, disse: “Porque hoje te ponho por cidade forte, coluna de ferro, muros de bronze...” Jr 1;18 A própria Palavra interpreta as figuras que apresenta.

Um muro carecendo de reparos, com rachaduras, atinava a uma situação de apostasia, desvio dos ensinos do Senhor; discernir essas coisas, e se colocar solícito ante O Eterno para denunciar tais erros, seria a entrada esperável de um profeta idôneo.

Adiante, pelo mesmo Ezequiel, O Eterno evidenciou a falta de intercessor naquela ocasião; “Busquei dentre eles um homem que estivesse tapando o muro, estivesse na brecha perante Mim por esta terra, para que Eu não a destruísse; porém a ninguém achei.” Ez 22;30 Pelo seu escolhido de então, Ezequiel, O Senhor já não esperava concerto; anunciava o juízo.

Embora um profeta devesse receber instruções da parte do Senhor, no sentido clássico, a Lei de Deus e suas demandas eram conhecidas. Mesmo não sendo chamado, estritamente, um fiel que discernisse os desvios, teria autoridade moral e espiritual para denunciar; chamar ao arrependimento. 

Poderia ser até mesmo um sacerdote. “Porque os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, da sua boca devem os homens buscar a Lei porque ele é o mensageiro do Senhor dos Exércitos.” Ml 2;7

Eli fora sacerdote; sua omissão em disciplinar aos próprios filhos, contaminou ao povo e foi fatal, naqueles dias.

Esposar aquilo que O Eterno falou, no devido contexto, faz de qualquer um, eventualmente, um profeta; “Rugiu o leão, quem não temerá? Falou O Senhor Deus, quem não profetizará?” Am 3;8

Os “profetas” atuais não são como os de então; temos A Palavra de Deus em sua plenitude. Devemos identificar desvios que acontecem e exortar ao arrependimento, sem carecer de novas revelações. Onde alguma heresia grassa, ou uma desobediência assola, o ministro idôneo identifica a brecha e deve se colocar solícito ao Espírito Santo que o anima, para o devido reparo.

De igual calibre ou, ainda pior que a omissão silenciosa perante os descaminhos, é o ativismo oco, que enseja novas expectativas, fechando os olhos aos lapsos gritantes do que deveria ser reparado, antes de qualquer coisa.

Além de omissos, atinente a essas falhas, produziam falsidades, como se, o lapso de obediência e correção pudesse ser preenchido com futilidades, desde que atribuídas ao Todo Poderoso. “Viram vaidade e adivinhação mentirosa os que dizem: O Senhor disse; quando o Senhor não os enviou; fazem que se espere o cumprimento da palavra.” Ez 13;6

A doença mais pujante do que nunca, de camuflar desobediência com ativismo vem desde antigas eras. Nos dias de Saul quando O Eterno mandou varrer a Amaleque da terra, sem poupar nada, eles viram os viçosos rebanhos daqueles ladrões, e decidiram poupá-los, para “oferecer ao Senhor.” Essa “astúcia” custou o reino a Saul.

O Eterno que sonda os coração não pode ser manipulado. E se pudesse, aquele que O Ama, deveras, se recusaria a tentar.

Os mensageiros de futilidades que viçam quais ervas daninhas ao calor da primavera, não dão a mínima para a vontade de Deus. A rigor, desconhecem; senão, não agiriam de modo tão temerário.

O ministro idôneo sempre atuará nas brechas; isso enseja confronto, antipatias.

Aqueles como querem aceitação das suas plateias mais que de Deus, precisam caramelizar todas as suas patifarias espirituais, para que a ausência de substância seja diluída pela doçura ao paladar.

Vício antigo também; “Dizem aos videntes: Não vejais; aos profetas: Não profetizeis para nós o que é reto; dizei-nos coisas aprazíveis, vede para nós, enganos.” Is 30;10

Quando ouço um “profeta” se dizendo amigo de todos, não polêmico, apenas pregoeiro do amor, sinto o mau cheiro de longe.

Estamos alistados numa batalha eterna; perderíamos tempo e mentiríamos em demanda dos aplausos humanos? Desculpem, mas nosso alvo é infinitamente mais alto que isso. “Ninguém que milita se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar Àquele que o alistou para a guerra.” II Tim 2;4

Se, nosso alvo é agradar ao Senhor, qual sentido de bajularmos à impiedade que Ele odeia?

Embora essa geração sentimentalóide chame de “amor” à condescendência cúmplice com os errados de espírito, frouxidão moral, o vero amor atina aonde determinados caminhos conduzem, e veta os que levam à perdição. “Os que deixam a lei louvam o ímpio; porém os que a guardam contendem com eles.” Prov 28;4

sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Vergonha; o juízo


“Quem enfraquece, que eu também não enfraqueça? Quem se escandaliza, que eu me não abrase?” II Cor 11;29

Paulo alistando seus sofrimentos; colocou entre eles, a vergonha pelos escândalos que, eventualmente, aconteciam no seio da igreja. Bons tempos!! Não me refiro à incidência de escândalos; mas, ao fato de um cristão veraz, saber que aquilo o atinge. Que, fazendo parte do mesmo corpo, deve sofrer junto quando sinais de enfermidade surgem.

Vivemos um tempo de “Supercrentes”; não, porque poderosos, capazes de fazer acontecer o que “declaram”, como denunciou outrora, o pastor Paulo Romeiro. Mas, porque perfeitos, santos, de tal modo que seus ajuntamentos devem ser dedetizados. Qualquer inseto de pecado que ousar voejar entre os tais, será fulminado pela santidade que permeia os ares que esses respiram.

“O meio religioso é podre! Por isso saí”. Declara um; “O sistema cobra pedágio, estou fora!” Assegura outro. Cada um desses constrói seus microssistemas, onde falam às suas plateias, convencidos de serem depositários de uma visão mais aguçada; uma santidade superior. A rigor, não passam de covardes.

Não ignoramos os escândalos que acontecem, infelizmente. Ora é um psicopata se dizendo bispo e falando como o Capeta; outra, um “Pastor pegador” fazendo programas com piriguetes; agora o “Bispo” de calcinhas... o arsenal de escândalos é imenso.

Qual deve ser nossa postura? Sairmos do meio porque somos mais santos? Não!! A Palavra ensina: “Saiamos, pois, a Ele (Cristo) fora do arraial, levando Seu vitupério.” Heb 13;13

Ele está sendo profanado, envergonhado; nós que lhe pertencemos devemos suportar, juntamente. Essas coisas vergonhosas, vindo à luz, já são derivadas do juízo do Senhor, que, tendo falado muitas vezes aos errados, e não sendo ouvido, restou apenas a exposição deles, para sua vergonha e punição.

A Palavra ensina: “Não são assim os ímpios; mas são como a moinha que o vento espalha. Por isso os ímpios não subsistirão no juízo, nem os pecadores na congregação dos justos.” Sal 1;4 e 5

Cada vez que um escândalo assim é exposto, uma partícula do “Corpo de Cristo” está sendo depurada. Eu me afastaria? Deixaria de crer porque alguns deixaram de obedecer?

O pretexto de santidade superior dos que se afastam, é seu excesso de amor-próprio, usando máscaras. Invés de assumirem suas misérias e sofrerem as coisas atinentes ao “opróbrio de Cristo”, como Pilatos “lavam suas mãos” e saem. Gente inútil e excessivamente melindrosa. Fazem mais dano, tais hipócritas que, os escandalosos. Esses causam e sofrem, uma vergonha pontual, e saem de cena; os farsantes seguem disseminando seu presunçoso veneno, atingindo a muitos.

Claro que, todo aquele que fala da parte do Senhor, deve separar, em seus ensinos o que é santo, do que é profano; “... se apartares o precioso do vil, serás como a Minha Boca; tornem-se eles para ti, mas não voltes tu para eles.” Jr 15;19

Porém, um mestre ensina justiça, sabendo que atua entre injustos; se não vigiar corre risco de tropeçar nas mesmas pedras contra as quais adverte.

Sobre a inevitabilidade dos escândalos O Salvador advertiu: “Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é mister que venham escândalos, mas ai daquele homem por quem o escândalo vem!” Mat 18;7 Como temos “prioridade” no juízo, essas coisas acabam vindo à luz; é necessário que assim seja. “Porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus; se começa por nós, qual será o fim daqueles que são desobedientes ao Evangelho de Deus?” I Ped 4;17

Enfim, esses que, tendo saído do nosso meio pelo seu excesso de santidade, agora, invés de pregadores do Evangelho se fizeram paladinos combatentes do “sistema” acusadores da “religiosidade” servem a quem? “Queres conhecer a identidade espiritual de alguém? Observe contra o quê, ele está lutando.” Apud. Pe. Paulo Ricardo.

Lógico que, coisas diferentes entre si serão tratadas como tais; a separação final, entre o que serve a Deus e o que não, será feita em tempo. “Mandará o Filho do homem os seus anjos; eles colherão do Seu Reino tudo o que causa escândalo e os que cometem iniquidade. Lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes.” Mat 13;41 e 42

Os que comemoram cada escândalo como uma “prova” de que eles estão certos, pela doentia necessidade de se justificar, deixam evidente que não descansam na justificação de Cristo.

Por enquanto estamos numa mescla de gente que se santifica com outros que fazem teatro. Malgrado isso, nos cabe sofrer a vergonha inevitável, e permanecer fiéis.

Até há uma qualidade medicinal nisso; vendo quão ruim é a vergonha, maiores devem ser nossos esforços para não darmos azo ao surgimento dela. “Observando aos erros alheios, o homem prudente corrige aos seus.” Oswaldo Cruz.

Andar em espírito


“Não há trevas nem sombra de morte, onde se escondam os que praticam iniquidade.” Jó 34;22

A impossibilidade de se esconder, restrita aos iníquos, não significa que os demais o poderiam; pois, esses não necessitariam.

Carecer esconder é testificar que algo é mau. “Porque todo aquele que faz o mal odeia a luz, não vem para a luz, para que suas obras não sejam reprovadas.” Jo 3;20

O primeiro a tentar essa inglória empresa foi Adão, quando, após pecar, invés da amizade costumeira com O Criador, sentiu medo. “... Ouvi Tua Voz soar no jardim, temi, porque estava nu e escondi-me.” Gn 3;10

Aquele que anda retamente, invés de se esconder deseja ser visto. “Quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus.” Jo 3;21

Apenas pelo viés psicológico, sem o conhecimento da Palavra de Deus, todo o homem já tem luz acerca do que, O Eterno aprova e do que rejeita.

Se determinada atitude precisar ser oculta, essa “necessidade” já traz embutida a íntima denúncia que é má. Se puder ser praticada diante de todos, por certo é idônea.
Alguém versou assim: “Queres saber se os conselhos da noite são bons? Pratique-os durante o dia.” Zeferino Rossa.

Paulo aludiu ao testemunho da consciência, naqueles, que não ouviram acerca da Lei de Deus; “Porque, quando os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são lei; eles mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente sua consciência, e seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os;” Rom 2;14 e 15

Moisés sentiu desejo de matar a um egípcio que feria a um hebreu; foi advertido pela consciência que era errado. O que fez? “Olhou a um e outro lado e, vendo que não havia ninguém ali, matou ao egípcio e escondeu-o na areia.” Ex 2;12

Invés de escutar a voz que advertira que aquilo estava errado, ignorou; apenas certificou-se que seria possível esconder. Não adiantou; seu feito veio à luz, pelo próprio que ele defendera.

Vivendo em consórcio com a iniquidade, o homem desacostumou-se a ouvir essa íntima voz com suas sentenças sempre precisas. Ela não interfere na decisão que é uma prerrogativa da vontade; apenas valora a intentada ação vetando-a, ou, silenciando, em caso de aprovação.

A falta de uso prolongada dessa faculdade atrofia à mesma de tal forma que é como se nem existisse; cauteriza-a. Paulo ensinou que o concurso de doutrinas de demônios no meio do cristianismo viria, “Pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a própria consciência;” I Tim 4;2

O grande perigo de silenciarmos a essa Divina mensageira, é que passaremos a ouvir demônios, onde deveríamos ouvir a Deus.

Por isso, O Sacrifício de Cristo é infinitamente superior aos de animais, feitos na Antiga Aliança; a “purificação” obrada por aqueles era meramente cerimonial, externa. A operada pelo Senhor lava consciências.
“Porque, se o sangue dos touros e bodes, a cinza de uma novilha esparzida sobre os imundos, os santifica, quanto à purificação da carne, quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito Eterno ofereceu a Si mesmo imaculado a Deus, purificará vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus Vivo?” Heb 9;13 e 14

Os que contrapõem a era da Lei, à da Graça, fazendo parecer que agora o pecado está liberado que a tolerância é maior, ainda não entenderam nada.

O tempo para arrependimento é maior; o Sacrifício Perfeito basta. Porém, a seriedade deve ser infinitamente maior. “Quebrantando alguém a Lei de Moisés, morre sem misericórdia, só pela palavra de duas ou três testemunhas. De quanto maior castigo cuidais, será julgado merecedor aquele que pisar O Filho de Deus, tiver por profano o Sangue da Aliança com que foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da Graça?” Heb 10;28 e 29

Aquele que nasceu de novo em Cristo, teve sua consciência purificada, quanto aos erros passados, pelo perdão; e vivificada para as escolhas presentes, atinentes à necessária santificação.

Antes era possível pecar sem dor, sem objeções íntimas por estar a consciência obtusa, depois de vivificada, não mais.

Ouvirmos à voz da consciência antes das nossas decisões é chamado de “andar em espírito”. É ali que O Espírito fala; apenas para os que assim agem, a salvação é segura. “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo O Espírito.” Rom 8;1

A conservação da consciência, por ouvirmos quando ela fala, é vital. Paulo aconselha: “Conservando a fé, e a boa consciência, a qual alguns, rejeitando, naufragaram na fé.” I Tim 1;19

quinta-feira, 14 de agosto de 2025

A noite da angústia

“Por que estás ao longe, Senhor? Por que te escondes nos tempos de angústia?” sal 10;1

Sendo O Senhor, Onipresente, isso torna estritamente impossível que Ele esteja longe de algo ou alguém. Então, a “distância”, conforme visto na pergunta inicial deve ser entendida como não interferência, ausência de socorro em prol de alguém que se sente em meio à angústia. A questão em apreço é, por quê?

Uma suposição necessária é que esse alguém possui relacionamento com O Senhor; senão, sequer faria sentido sua queixa.

Estar alguém angustiado não é defeito nem credencial; é circunstância. Essa pode advir de razões distintas. É possível alguém se angustiar pela precipitação, por querer as coisas no seu tempo, não no Divino. “Por que estás abatida, ó minha alma, por que te perturbas em mim? Espera em Deus, pois ainda O louvarei pela salvação da Sua Face.” Sal 42;5 Se a solução para o abatimento, seria esperar Nele, a pressa pelo livramento, foi a feitora do abatimento de então.

A relação do Eterno com o tempo é ímpar. Nossa sensação de finitude, de que o tempo está passando leva-nos a demandar coisas, quando, muitas vezes a calmaria confiante seria mais “produtiva”. “... No estarem quietos será sua força.” Is 30;7

Pois, tendemos a ver layouts como arte-final. Deus faz com que coisas aparentemente más, contribuam para alvos venturosos, forjando a têmpera que sabe necessária em nós. Assim, angústias de quem teme esse processo, soam ante Ele como manhas de crianças que se recusam a remédios amargos, embora, necessários. “Sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, e são chamados segundo Seu propósito.” Rom 8;28

Se, coisas angustiosas agora, resultarão em bem para nós, isso já explicaria porque Deus se “esconde”. Sua Palavra testifica dos efeitos benéficos de sofrer angústias seguindo fiel. “Foi-me bom ter sido afligido, para que aprendesse Teus Estatutos.” Sal 119;71

Noutro contexto onde via com melhores olhos que uma criança chorando, mercê dos seus mimos infantis, Davi escreveu: “Deus é nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia.” Sal 46;1 Invés de reclamar de suposto esconderijo, O via bem presente, então. Não houve mudanças no Eterno; antes, nos estados emocionais do salmista.

Há ainda angústias que são consequências de escolhas alienadas da Divina vontade. O que o vulgo chama de “lei do retorno.” Num caso assim, seria estúpido clamarmos a Deus por livramento das consequências, se, fizemos ouvidos moucos quando nos advertiu que evitássemos as causas.

Além de Onipresente É Onisciente; sabe onde cada caminho conduz. “Há caminhos que ao homem parecem direitos, mas no fim são caminhos da morte.” Prov 14;12 Fazermos as coisas à nossa maneira ignorando Seus ensinos, é uma forma segura de irmos ao encontro de angústias.

Então, o conselho: “Reconhece-o em todos os teus caminhos, Ele endireitará tuas veredas. Não sejas sábio aos teus próprios olhos; teme ao Senhor e aparta-te do mal.” Prov 3;6 e 7 Afinal, “... maldição sem causa não virá.” Prov 26;2

Resta ainda, o concurso da nossa miopia, que vê problemas alhures, e não os vê quando palpitam em nós. Nossos problemas sempre são os outros, ou as circunstâncias adversas. Não raro, O Eterno precisa nos livrar disso, do egoísmo, mais que de obstáculos alhures.

Uma vez estabelecido o relacionamento com O Eterno, os termos da relação devem ser observados. Quando temos a obediência como coisa que se pode deixar de lado, desejamos apenas O Salvador, não, O Senhor; essa “autonomia” suicida nos colocará em rota de colisão com O Criador.

Não apenas permitirá que angústias nos visitem, como as causará. Com Israel foi assim. “Em toda a angústia deles Ele foi angustiado, e o anjo da Sua presença os salvou; pelo Seu amor; pela Sua compaixão Ele os remiu; e os tomou e conduziu todos os dias da antiguidade. Mas eles foram rebeldes, e contristaram Seu Espírito Santo; por isso se lhes tornou em inimigo, Ele mesmo pelejou contra eles.” Is 63;9 e 10

O Santo Se mostra mui solícito para socorrer aos necessitados; “Invoca-me no dia da angústia; Eu te livrarei, e tu me glorificarás.” Sal 50;15 Porém, nos versos seguintes, recusa a petição do que escolhe à impiedade como modo de vida; “Mas ao ímpio diz Deus: Que fazes tu em recitar os Meus Estatutos, e em tomar a Minha Aliança na tua boca? Visto que odeias a correção, e lanças as Minhas Palavras para detrás de ti.” V 16 e 17

Enfim, tempos de angústia para os fiéis são provas de fé. Quem passar sem negar ao Eterno, fruirá a recompensa. “... O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã.” Sal 30;5

quarta-feira, 13 de agosto de 2025

Casas restauradas


“Para que não aconteça que, depois de haver posto os alicerces, não a podendo acabar, todos os que a virem comecem escarnecer dele dizendo: Este homem começou edificar e não pôde acabar.” Luc 14;29 e 30

Vendo o contexto entendemos que não se trata de edificação, estritamente; antes, do discipulado ao Senhor, e as renúncias requeridas para o mesmo.

Aquele que não entendesse e aceitasse que, carecia renunciar tudo pelo Senhor, correria risco de abandonar a obra pela metade, motivando escárnios.

O “cristão” que começa a caminhada na vereda da fé, e abandona-a antes do término, se encaixa nessa triste definição.

Quando se trata duma morada para nós, fica fácil entender quando a mesma acaba, tornando-se habitável. Porém, nossas vidas devem receber a outros “Inquilinos”. Pedro ensina: “Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo.” I Ped 2;5
Não, edificadores; somos edificados. Ouçamos Paulo: “Porque nós somos cooperadores de Deus; vós sois lavoura e edifício, de Deus.” I Cor 3;9

O Salvador pontuou: “... Se alguém Me ama, guardará Minha Palavra; Meu Pai o amará; viremos para ele e faremos nele morada.” Jo 14;23

Como o “material de construção” requerido são renúncias, entendemos que se trata duma edificação peculiar.

Certas casas são literalmente “esculpidas” nas rochas; de certa forma, o somos também. Os espaços necessários para os Nobilíssimos habitantes são “negativos”; digo, se revelam pela remoção de entulhos, material excedente, não pela edificação de paredes segundo as técnicas de alvenaria.

Amiúde, é a restauração duma obra que foi perfeita na origem, e acabou danificada pela intrusão de gente de maus hábitos; habitantes indignos, nossos instintos desordenados que sempre fizeram o que bem lhes parecia, danando a obra original. Quem assiste vídeos de recuperação de velharias, armas, motos, bicicletas, carros, etc. tem uma ideia aproximada do processo.

A nova “edificação” é mais uma limpeza profunda com alguns reparos pontuais, que outra construção, estritamente. O primeiro a ser banido da construção, deve ser o “mestre da obra” bagunçada de antes; o ego. “Negue a si mesmo.”

Removido esse, o novo Mestre, Espírito Santo assumirá a obra de regeneração, e nos contratará como seus cooperadores. A Palavra do Sumo Arquiteto é o projeto ao qual somos submetidos, pelo qual, seremos regenerados.

Quando a obra redentora sofre percalços, o que sempre acontece, tem a ver com nossa cooperação precária, às vezes, relapsa. O Mestre não se cansa, nem desiste. “Tendo por certo isto mesmo, que Aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo;” Fp 1;6

Ele usa alguns encarregados de áreas específicas, para que a execução do projeto seja fiel; tais, são capacitados pelo Arquiteto da redenção, Jesus Cristo; “Ele mesmo deu uns para apóstolos, profetas, evangelistas, outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo;” Ef 4;11 e 12

Cada um é edificado em particular; o conjunto dos redimidos é chamado de Corpo de Cristo. Os que começam e param antes de acabar, não deixam suas obras extáticas, num ponto de onde as poderão retomar; antes, por serem obras vivas, o parar significa retroceder.

Isso é uma escolha perigosa pelo que espera no fim da linha. “Nós, porém, não somos daqueles que se retiram para perdição, mas daqueles que creem para conservação da alma.” Heb 10;39

Por que as pessoas escarnecem dos que, tendo começado bem e perseverado por algum tempo, depois, se retiram para a perdição? Porque escarnecem mesmo sem motivos dado o espírito invejoso que as anima.

Pois, quando andamos bem, “fazemos mal” aos que não ousam nos imitar na corajosa escolha. Não dando motivos, nos apedrejam como se, fosse diferente; se os dermos, então sentir-se-ão “vingados” de todo o desconforto que lhes causamos quando nosso andar era firme.

Caso permaneçamos inabaláveis mesmo nas provas, os caluniadores estarão glorificando a Deus em nós, quando nos desprezarem e atribuírem males que não fizemos. “... para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, glorifiquem a Deus no dia da visitação, pelas boas obras que em vós observem.” I Ped 2;12

Quando alguém pertencente às trevas fala mal da luz, de modo oblíquo testifica da idoneidade daquela. O escárnio dos maus acaba glorificando nosso Redentor. Testificando do Sua Obra Bendita em nós; “Assim resplandeça vossa luz diante dos homens, para que vejam vossas boas obras e glorifiquem ao vosso Pai, que está nos Céus.” Mat 5;16

A rigor, nossa luz não é nossa; é O Senhor em nós. “Se O Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam...” Sal 127;1

A alegria superior


“Tornaste meu pranto em folguedo; desataste meu pano de saco e me cingiste de alegria.” Sal 30;11

O trânsito dum estado emocional soturno, a outro, jubiloso, figurado na troca de vestes. De panos de saco, sinais de humilhação, para ornatos festivos de celebração.

Isaías usou linguagem semelhante aludindo às transformações ensejadas pelo Salvador. Ele viria, entre outras coisas, para “Ordenar acerca dos tristes de Sião que se lhes dê glória em vez de cinza, óleo de gozo em vez de tristeza, vestes de louvor em vez de espírito angustiado...” Is 61;3

Nem sempre nossas respostas emocionais são coerentes com o que acontece no mundo espiritual. Não porque as vitórias nesse âmbito não sejam alegres. Antes, porque eventualmente nos pesa o preço das conquistas, mais do que, as discernimos, pela nossa prisão às informações sensoriais; pelo distorcido sentido que damos ao que vemos, ignorando coisas que, mesmo não vendo poderíamos saber.

Quando da maior vitória de todos os tempos, a de Cristo, por não ver as coisas como eram no âmbito espiritual, os discípulos do Senhor dispersaram-se aborrecidos.

Ajuntando-se a dois deles pelo caminho, sem se revelar, O Senhor ressuscitado os censurou por aquela tristeza desnecessária, como sendo derivada da lentidão intelectual e espiritual, para entender o que estava em curso; “... Ó néscios, e tardos de coração para crer tudo que os profetas disseram! Porventura não convinha que o Cristo padecesse estas coisas e entrasse na Sua Glória?” Luc 24;25 e 26

As coisas tinham acontecido precisamente como as Escrituras vaticinavam; e eles estavam “derrotados”. O risco de colocarmos nossos afetos adiante da vontade de Deus revelada, é que, aqueles tolhem a sadia compreensão dessa.

Tanto um bobo alegre pode comemorar derrotas, tipo os que se entusiasmam com falsos profetas e suas lisonjas, quanto, um salvo, lamentar vitórias, pela lentidão em discerni-las.

As mulheres que levaram especiarias ao sepulcro se entristeceram por não encontrarem o corpo morto. Entretanto, O Salvador estava vivo. Muitas tristezas derivam da falta de luz, mais que, da falta de motivos para gozo.

A alegria da salvação, da comunhão restaurada com O Eterno é um patrimônio íntimo dado a cada um dos salvos. Pelo alto preço dos nossos pecados demandou uma grande tristeza e ímpar humilhação, como as que foram impingidas ao Salvador. Também requer a nossa, na conversão, em arrependimento.

O resultado da cruz, foi a regeneração dos crentes, motivo de eterna alegria para quem acessa à dimensão espiritual.

Essa, aliás, pode ocorrer a despeito do concurso de privações exteriores, até. “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo.” Rom 14;17 Se deixarmos nossa natureza ler e reportar as coisas como lhe parecem, tendemos a dar mais importância ao casulo que às asas.

Assim como, os que não podem ouvir a música não entendem o motivo dos que estão dançando, eventualmente, os que não têm vida espiritual também desconhecem as razões dos que nasceram de novo. Por quê? Porque “O homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.” I Cor 2;14

Assim como se diz que, o coração tem razões que a própria razão desconhece, também o espírito regenerado, frui alegrias que os escravos dos sentidos ignoram.

A alegria dos naturais, está vinculada a circunstâncias venturosas, coisas palpáveis. A espiritual é patrimônio íntimo dos que conhecem ao Senhor.

Davi versou, comparando isso aos que se alegravam por uma vultosa colheita; “Puseste alegria no meu coração, mais do que no tempo em que se lhes multiplicaram trigo e vinho. Em paz também me deitarei e dormirei, porque só Tu, Senhor, me fazes habitar em segurança.” Sal 4;7 e 8

Alegria no coração; paz de espirito; sono tranquilo; segurança; tais coisas lhe eram melhores que uma farta colheita.

Elementar que cada um priorize aquilo que lhe parece mais importante. O homem natural cuidará, zeloso, do seu corpo e posses materiais; não que seja um problema; é um testemunho das suas prioridades. Paulo ensina qual deve ser a nossa; “... ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia.” II Cor 4;16

A Timóteo aconselhou: “Porque o exercício corporal para pouco aproveita, mas a piedade para tudo é proveitosa, tendo a promessa da vida presente e da que há de vir.” I Tim 4;8

Não precisamos fingir quando dolorosos males assolam. Porém, quem renasceu em Cristo, sabe que as tristezas necessárias pela fidelidade, são sementes, que no devido tempo serão segadas em júbilo. “Aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará, sem dúvida, com alegria, trazendo consigo seus molhos.” Sal 126;6

terça-feira, 12 de agosto de 2025

Os zumbis


“O que prega a maldade cai no mal, mas o embaixador fiel é saúde.” Prov 13;17

Nas entrelinhas vemos que, o pregador da maldade é o mensageiro perverso; pois, contraposto a ele, está o “embaixador fiel.” A figura de embaixadores, aliás, dada sua condição de “estrangeiros”, já é um apontamento dos mensageiros do Senhor, como ensina Paulo: “De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo...” II Cor 5;20

Não é comum se pregar à maldade, abertamente. Muitos patifes usam travestir suas mensagens, ou seus feitos, com alguma aparência de bem. Por exemplo: Todos os tiranos do mundo são “democratas”; os nossos, são “defensores da democracia”, aliás.

A maldade que forja a perversão do bem, digamos que é a maldade com escrúpulos. Quando ela atinge total dissolução, como a que parte para a violência, imposição pela força, não se importa em ser vista como é, pelo menos, é uma ruindade “honesta”. Digo, nua, crua, sem intenção de posar de bem.

Talvez, nesse âmbito seja menos perigosa que a dissimulada. Pois, em ambientes onde ela grassa todos sabem; quem pode evitar essas paragens, o faz. Todavia a maldade dissimulada, travestida de bem, desarma defesas das suas vítimas, pelo disfarce cretino. Como um pescador oculta o anzol com engodo, assim, os maus com suas pretensões de probidade, de vínculo com a virtude.

Ontem deparei com um vídeo dum sujeito, falando sobre o “pastor mirim” Miguel de Oliveira; o cioso conselheiro estava repudiando aos críticos do jovem “profeta”, exortando-os a orarem por ele, invés de denunciarem suas práticas. Afinal, ponderou, “melhor ver o Miguel profetizando falso, que, com um fuzil nas mãos, a serviço de traficantes”.

Para esse “mestre”, pois, devemos escalonar a maldade em níveis; os aceitáveis e os deploráveis. Ou, talvez, diferir entre maldade má, e maldade “boa”.

Perante O Santo, essa “lógica” não funciona. Não nos cabe sermos “bons” com os maus, tampouco, sermos maus contra os bons. “O que justifica o ímpio, e o que condena o justo, tanto um quanto outro, são abomináveis ao Senhor.” Prov 17;15

Como qualquer um pode entender, a maldade nua, pelo menos não engana, não desarma nossas defesas.

Quando O Salvador nos desafiou a sermos fiéis no pouco, para, oportunamente sermos chamados ao muito, evidenciou que os valores do Reino atinam aos princípios, não, ao volume. Antes de importar com quais, e quantas coisas lidamos, importa que sejamos fiéis ao Senhor e aos Seus Ensinos.

Pois, aquilo cujo princípio é mau, se, ousarmos aquilatar de outra forma, estaremos incorrendo na inversão de valores, contra a qual pesa soturna advertência: “Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem, mal; que fazem das trevas luz, e da luz, trevas; fazem do amargo, doce, e do doce, amargo! Ai dos que são sábios aos próprios olhos, prudentes diante de si mesmos!” Is 5;20 e 21

Miguel de Oliveira, Vitória Souza, e assemelhados vicejam, por duas razões: Uma geração de analfabetos espirituais, que busca entretenimento vazio, onde deveria aprender sobre salvação; e uma súcia de “pastores” cretinos, que assalaria generosamente a esses “bufões teens”, para maquiar a ausência de substância espiritual em seus ajuntamentos, com a colorida fumaça dos adoecidos movimentos.

Tais pregadores não são vítimas. São cúmplices. Sabem bem o que estão fazendo e se mostram hábeis para manipular até adultos mais sonolentos. Falsos profetas e pastores mercenários vivem sua ímpia simbiose, onde cada parte encontra o que quer, a despeito das pessoas e suas necessidades, que viram mero produto dessa ímpia manipulação.

Maldade é sempre má, em todo lugar, com qualquer roupagem. Porém, quando encontra ramo para pouso no átrio de uma liderança espiritual, é mais letal que um fuzil nas mãos de um bandido.

Não sem razão, pois, A Palavra de Deus nos manda orarmos pelos inimigos, e mantermos distância dos falsos irmãos. Pelas razões já vistas, os falsos pastores e pregadores são piores que inimigos. Diz: “Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, avarento, idólatra, maldizente, beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais.” I Cor 5;11

Quando O Eterno quiser, poderá fazer um jumento falar, como já fez; mas, em geral usa adultos preparados, para ensinar. Assim como o que prega a maldade cai no mal, também o que se mete a algo sem o necessário preparo, desce ao mesmo precipício. Depois duma série de qualidades requerida dos obreiros, Paulo acrescenta: “Não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo.” I Tim 3;6

A “condenação do diabo” se verificará no juízo. Aqui muitos dos dele seguem brilhando nos púlpitos. Apenas quem discerne às coisas pelo Divino padrão, vê aos zumbis espirituais, que encenam vida, estando mortos.