quarta-feira, 6 de novembro de 2024

O fim dos dias


“... nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos.” II Tim 3;1

O que são os últimos dias? Dependendo da perspectiva e do intento, os últimos dias podem sofrer apreciações diferentes. Quando Nabucodonosor sonhou com uma estátua de ouro, prata, bronze, ferro e barro, Daniel interpretou e resumiu, com as seguintes palavras: “Ele (Deus) fez saber ao rei Nabucodonosor o que acontecerá nos últimos dias.” Dn 2;28

Naquele contexto, havia milênios ainda, ao dispor da humanidade; mas o epílogo da saga Divino-humana foi mostrado naquele sonho; certo que era uma mensagem atinente aos últimos dias. Eventualmente, usamos essa expressão com objetivo de apontar a um pretérito recente. “Nos últimos dias tem chovido muito; ou feito um calor intenso.” Significando, ultimamente.

Porém, quando a profecia aponta para os últimos dias, em geral entendemos como o fim do tempo da Graça Divina; os últimos dias para a humanidade reencontrar com O Criador; para reconciliação, ou, juízo.

Pedro também mencionou esse tempo e o que aconteceria nele: “... nos últimos dias virão escarnecedores andando segundo suas próprias concupiscências, dizendo: Onde está a promessa da Sua vinda? Porque desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação.” II Ped 3;3 e 4 Zombaria da fé, escárnio aos valores que abraçamos; deparamos com isso todos os dias.

No apreço de Paulo, os homens deste tempo seriam, talvez, a pior geração de todos os tempos, dadas as características que exibiriam; “porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando sua eficácia.” II Tim 3;2 a 5

Assim, há sobejas as razões para a ira Divina que também se mostrará de modo inequívoco, justamente, nos últimos dias. “Não se desviará a Ira do Senhor, até que excute e cumpra os desígnios do Seu Coração; nos últimos dias entendereis isso claramente.” Jr 23;20

As grandes catástrofes que assolam à humanidade, que o vulgo chama de “fúria da natureza”, são amostras grátis do Juízo que se aproxima, contra uma geração que faz “mais” que descrer; se levanta contra os que creem visando tolher direitos, a fé, e escarnece do Todo Poderoso, como se, a longanimidade do Eterno equivalesse a fraqueza, ou, inexistência. Paulo adverte aos que assim agem: “Segundo tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti, no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus.” Rom 2;5

Enfim, resta considerar que os últimos dias serão mesmo, os últimos dias. Vejamos como foi o primeiro: “A terra era sem forma e vazia, havia trevas sobre a face do abismo; O Espírito de Deus se movia sobre a face das águas; e disse Deus: Haja Luz! E houve luz. Viu Deus que era boa a luz e fez separação entre a luz e as trevas. E chamou à luz, dia; e às trevas, noite. E foi a tarde e a manhã do primeiro dia.” Gn 1;2 a 5

Desde então, para efeito de contagem do tempo, nalgumas culturas de um pôr do sol ao outro, na nossa, da zero hora às 24, chamamos de dia. Embora esse período compreenda uma noite junto. A rigor o dia é quando incide a luz do sol, direta ou indiretamente espalhando sua claridade sobre o planeta.

Pois, num cenário de trevas como foi criado, o dia foi uma dádiva Divina especial. Porém, para o novo mundo, onde estarão os salvos com O Senhor, não haverá mais dias, como os conhecemos. Por isso, estamos rigorosamente vivendo os últimos dias.

A João foi mostrado como serão as coisas no Novo Céu e na Nova Terra: “Nela não vi templo, porque seu Templo É O Senhor Deus Todo-Poderoso, e O Cordeiro; a cidade não necessita de sol nem de lua, para que nela resplandeçam, porque a Glória de Deus a tem iluminado; O Cordeiro É a sua lâmpada; as nações dos salvos andarão à Sua Luz. Os reis da terra trarão para ela sua glória e honra, suas portas não se fecharão de dia, porque ali não haverá noite.” Apoc 21;22 a 25

O dia foi criado num cenário onde tudo era trevas, deixará de existir como o conhecemos, no venturoso reino da luz.

Por um lado, temos a promessa: “Enquanto a terra durar, sementeira e sega, frio e calor, verão e inverno, dia e noite não cessarão.” Gn 8;22

Entretanto, o fim dos dias está reservado à nova terra, afinal, disse O Senhor; “Passará os céus e a terra, mas Minhas Palavras não passarão.” Mat 24;35

segunda-feira, 4 de novembro de 2024

Livres, mas servos


“Como livres, não tendo a liberdade por cobertura da malícia, mas como servos de Deus. I Ped 2;16

Uma “contradição” nesse verso. Aconselha que sejamos livres e servos ao mesmo tempo. A ideia vulgar de liberdade é fazer o que der na telha, sem dar satisfações a ninguém. Um servo não pode agir assim.

A liberdade proposta é em relação à escravidão do pecado, “... em verdade em verdade vos digo, todo aquele que comete pecado, é servo do pecado.” Jo 8;34 a única liberdade possível atinente a isso requer servirmos Jesus. “Se, pois, O Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.” Jo 8;36

O homem natural, simplesmente não pode servir a Deus. “... sem Mim, nada podeis fazer.” Jo 15;5 Mesmo que sinta um anseio interior eivado de boas intenções, não terá forças para cumpri-las, pois, o feitor da perdição, o pecado, dominará seu escravo.

Paulo esmiúça: “De maneira que, não sou eu que faço isso, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; com efeito, querer o bem está em mim, mas não consigo realizá-lo. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero. Ora, se faço o que não quero, já não o faço eu, mas o pecado que habita em mim.” Rom 7;17 a 20 Habita e escraviza.

Mesmo que estejamos convencidos que determinadas atitudes são erradas, que o certo seria deixá-las, essa compreensão no intelecto não basta. É no teatro das ações que evidenciamos a quem servimos. “Não sabeis que, a quem vos apresentardes por servos, para obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis? Ou, do pecado para a morte, ou da obediência para justiça?” Rom 6;16

Por isso, a primeira dádiva do Salvador, mediante o novo nascimento, visa potencializar ao renascido para a obediência. “A todos que O receberam, deu-lhes poder de serem feitos filhos do Deus; aos que creem no Seu Nome.” Jo 1;12

Sermos livres para servir, portanto, invés de ser uma contradição como poderia soar a uma análise superficial, é uma necessidade básica. Uma vez que só os libertos do poder do pecado, podem fazer escolhas agradáveis a Deus, mesmo na presença do pecado, que se insinua mediante as tentações. Agora, em submissão a Cristo podemos dizer não! a elas, e seremos fortalecidos na obediência.

Imaginemos um carro fabricado para funcionar à gasolina que seja abastecido com óleo diesel. Seu dono é livre para abastecer com o que quiser; com água até. Claro que o hipotético carro deixará de funcionar. O mau uso da liberdade do proprietário poria um bem valioso, a perder.

Nossas vidas, pois, são “carros” que foram projetados para funcionar segundo Deus. Cada um pode tentar “funcionar” como melhor lhe parecer. A ilusão de que se pode viver alienado do Criador não passa de uma miragem, derivada da sede de autonomia proposta pelo enganador. Quanto mais o sedento rasteja, mais sua sede se agrava, mais sua escravidão recrudesce.

Alguns ditosos têm suas vistas curadas do engano ainda em tempo; a maioria perde-se, no deserto da sequidão espiritual, apostando todas as fichas na vida terrena, onde confundem o temporário existir, com viver.

Devemos olhar mais longe, se estamos deveras, convencidos, pelas setas que apontam para a eternidade. Paulo sentencia: “Se esperarmos em Cristo só nessa vida, somos os mais miseráveis de todos os homens.” I Cor 15;19

Pois, se alguns equacionam a conversão com mudar de religião, “Passá pá crente” como dizem alhures, a coisa é muito mais séria que isso. O Senhor deixou claro que sua pregação buscava pelos mortos, e os convidava a passarem para a vida. “Na verdade, na verdade vos digo, que quem ouve a Minha Palavra, e crê Naquele que Me enviou tem a vida eterna; não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida. Em verdade em verdade vos digo, que vem a hora, e agora é, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus e os que a ouvirem, viverão.” Jo 5;24 e 25

Nossa liberdade, enfim, traz anexa a responsabilidade de atuarmos segundo as diretrizes Daquele que nos criou. “... não tendo a liberdade por cobertura da malícia...”

Quantos tentam grudar suas malícias em rótulos bíblicos, pinçando porções aqui, acolá, enfatizando o Amor Divino e esquecendo outras virtudes, para fazer parecer que, quem ama a todos, aceitaria a tudo, necessariamente.

A Palavra de Deus É a Verdade; a Verdade liberta aos que nela permanecem; esses maliciosos cogitam mudar a verdade, porque se recusam a mudar de vida. Malgrado, falsifiquem vistosas cartas de alforria, seguem escravos, prezando mais seus pecados de estimação que a liberdade em Cristo.

domingo, 3 de novembro de 2024

Interferência artificial


“Foi-lhe concedido que desse espírito à imagem da besta, para que também a imagem da besta falasse e fossem mortos todos que não adorassem a imagem da besta.” Apoc 13;15

A ideia de uma imagem falar, quando João escreveu o Apocalipse, era uma coisa absolutamente inconcebível. Imagens naquele tempo eram estritamente, esculturas. Fotografias, vídeos, hologramas são coisas da modernidade. Mais um aspecto a indicar a origem Divina do Escrito. Se fossem fantasias humanas, essas tenderiam a se mover no teatro do que era plausível, então.

Com o advento da inteligência artificial, a vida está ficando cada vez mais desalmada, mais máquina, menos natural, menos viva. Não poucos vídeos são produzidos, onde uma imagem virtual com movimentos mecânicos, desconexos, “narra” as coisas como se fosse uma pessoa. Programas de leitura computadorizada, ainda deixam visível algumas nuances da burrice artificial, quando pronunciam errado, plurais metafônicos, por exemplo.

Ontem fui responder a um “Quiz Bíblico”, e identifiquei que, era produto da dita inteligência; pois, havia questões mal formuladas, com respostas dúbias; uma em que a resposta dada como certa era flagrantemente errada. Seria mais uma burrice artificial, ou a coisa foi feita de propósito, para ensinar distorcendo, deturpando?

Dizem as cartomantes que as cartas não mentem jamais, o que não exclui que quem as lê, invente significados, mentiras. A carta é o que é; um sete de ouros sempre será a mesma coisa. O que farão com ele os “intérpretes” depende de cada um. Temo que a inteligência artificial ande nas mesmas pegadas. Reproduza fielmente aquilo para o que foi programada; quem a programa, é fiel ao quê?

No futebol criaram o VAR. Vídeo Assistant Referee. (árbitro assistente de vídeo) que, em tese acabaria com as reclamações de arbitragem. Pois, um lance decidido na urgência do momento, poderia ser revisto e corrigido, ante eventual erro. Entretanto, as reclamações seguem a mesma balada de antes. A interpretação segue humana; portanto, tendenciosa, falha, para não dizer, mal intencionada.

A Árvore da Ciência é impotente ante coisas que só se resolve na Árvore da Vida. Desde a queda, o homem que fora “formatado” para discernir o justo do injusto, se fez escravo do pecado e de interesses mesquinhos que não têm vínculo com a justiça, necessariamente.
O Salvador ensinou: “Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça.” Jo 7;24

Se há uma coisa que não se pode negar é que o Capiroto tem autocrítica. Nega a própria existência para dominar “no escuro”, ou camufla-se de agente de justiça; se aparecesse “in natura” facilmente seria rejeitados pelos ímpios até.

Sabedor da sua feiura, e consequente impossibilidade de atrair os que gostaria, fará seu efêmero reino, à base de coação. Imporá adoração à imagem que fará de si mesmo, um holograma onipresente, talvez; sob ameaça de morte para quem não se curvar.

A ideia que o homem topa qualquer coisa para preservar sua vida física ele defendeu desde antigamente; “... pele por pele, tudo que o homem tem, dará pela sua vida.” Jó 2;4 Enganou-se o canhoto. O Mesmo Jó tinha valores que iam além da vida; “Ainda que Ele me mate, Nele esperarei; contudo, meus caminhos defenderei diante Dele.” Jó 13;15

Pois, nós, cristãos dos últimos dias também carecemos da mesma ousadia confiante, que não duvida da Bondade e Sabedoria Divinas, mesmo em circunstâncias adversas; a verdadeira fé nos permite ver, mesmo o que não aparece. “Quem há entre vós que tema ao Senhor e ouça a voz do Seu servo? Quando estiver em trevas, não ver luz nenhuma, confie no Nome do Senhor; firme-se sobre seu Deus.” Is 50;10

Não apenas uma contínua e dura batalha resistindo contra os prazeres ilícitos e sofismas da oposição; os veros servos de Deus, da reta final, serão mortos se não negarem a fé. “Em Deus faremos proezas, porque Ele é que pisará nossos inimigos.” Sal 60;12

Como nos curvaríamos ante uma morta engenhoca tecnológica que “fala”, se temos dentro de nós, O Espírito Santo, que nos fala o todo tempo, sem coagir, apenas convence? “Nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que provém de Deus, para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus; as quais também falamos, não com palavras que a sabedoria humana ensina, mas com as que O Espírito Santo ensina, comparando as coisas espirituais com as espirituais.” I Cor 2;12 e 13

Mais que inteligência, nos convém a sabedoria; acima do artificial, sobrenatural, do alto. “A sabedoria que do alto vem é primeiramente pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade e nem hipocrisia.” Tg 3;17 Quem a tiver, não poderá ser morto. Apenas mudará de dimensão.

Você tem medo de quê?


“Melhor é a criança pobre e sábia, que o rei velho e insensato que não se deixa mais admoestar.” Ecl 4;13

Não é o normal uma criança ser sábia; ter em si mais conhecimento que um rei. Todavia, por andar no temor do Senhor, dócil ao aprendizado, maleável aos conselhos, certamente fará melhores coisas que aquele que, presunçoso acha-se acima do bem e do mal, portador de uma luz superior, sequer necessita conselhos, admoestações. 

Quem se enche de si separando-se do Senhor, escolhe a maldição; “... maldito o homem que confia no homem, faz da carne seu braço e aparta seu coração do Senhor.” Jr 17;5

Não significa que a vantagem esteja no momento do “recorte” nas vidas dos dois em apreço. O “melhor” está no fim. Onde as posturas de um e outro os levarão. “Porque um sai do cárcere para reinar, enquanto outro, que nasceu em seu reino, torna-se pobre.” V 14

A arrogância põe a perder, enquanto a humildade recomenda a lugares mais altos.

Davi era um menino que cuidava rebanhos, tocava harpa e compunha cânticos de adoração ao Senhor. Saul, um guerreiro de grande estatura, que foi ungido por Samuel, para ser rei em Israel.

Quando advertido pelo profeta sobre a interdição dos despojos dos Amalequitas, durante uma peleja, ignorou o interdito e permitiu que o povo agisse como lhe aprouvesse. Isso bastou para que fosse rejeitado, o que culminou com sua morte, mais adiante, e a perda do reino. A desculpa de poupar aos animais para cultuar ao Senhor não ajudou. “Melhor é obedecer que sacrificar...” ensinou Samuel.

Davi foi exaltado na peleja contra Golias; depois, perseguido pelo próprio Saul, pelo ciúme, ao ver que o povo se inclinava ao filho de Jessé mais que a ele. No devido tempo, quando o “rei velho e insensato” caiu nos montes de Gilboa, Davi foi guindado ao trono.

Vemos a sina de um, melhor que a do outro, no fim, não durante o percurso. Salomão versou: “Melhor é o fim das coisas que o princípio delas; melhor é o paciente de espírito que o altivo.” Ecl 7;8

Quantas vezes o rigor da caminhada enseja que gente insensata desacredite do propósito dela! Os que estavam migrando do Egito durante o êxodo, ante a mínima dificuldade logo acusavam a Moisés de os ter feito sair “errantes” deixando a “boa mesa” do Egito.

Ignoravam propositalmente que haviam deixado à escravidão sob açoites também. Marchar pra liberdade tem um preço, que alguns preferem seguir prisioneiros a pagar; quando convém, a desobediência usa meias verdades, para vestir-se de algo que não é. Uma criança não é “sábia” assim. Em geral inda tem a verdade como norte.

Por isso, Jesus requer dos Seus, que se façam como crianças, maleáveis, ensináveis, confiantes na voz dos mais velhos. “Em verdade vos digo que, se não vos converterdes, e não vos fizerdes como meninos, de modo nenhum entrareis no Reino dos Céus.” Mat 18;3

Graças ao novo nascimento, da água e do Espírito, nossos “reis velhos” podem ser feitos crianças outra vez. Carece cada “monarca” “negar a si mesmo”, abdicar da presunção de saber das coisas, admitir sua crassa ignorância espiritual e se colocar dócil, aprendiz, aos pés do Senhor.

Ironizando a pretensão madura, e contrapondo com a pureza interior infantil que cada um deveria cultivar, Saint-Exupérry versou em “O Pequeno Príncipe:” “Os adultos nunca conseguem entender nada sozinhos; é cansativo para as crianças ter que explicar tudo o tempo todo.”

Pois, quem se converte a Cristo precisa assumir sua condição de adulto obtuso, rei velho e insensato, e deixar que a criança recém-nascida aprenda os novos caminhos; estreitos, é verdade, mas que no final acabarão num abençoado Reino.

Pedro aconselha: “Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo.” I Per 2;2

Cada idade tem seus anseios e medos. Stephen Hawking, célebre ateu, falecido, disse: "A fé é um brinquedo de crianças com medo do escuro." Um pastor americano respondeu: “O ateísmo é um brinquedo de adultos, com medo da luz.” Platão, como que antecipando-se a esse pleito sentenciara: “O trágico não é a criança com medo do escuro; antes, o adulto com medo da luz.”

O que luz tem de “ruim” é que mostra os descaminhos dos “reis velhos”; “A condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas que a luz, porque suas obras eram más. Todo aquele que faz o mal odeia a luz, e não vem para a luz, para que suas obras não sejam reprovadas.” Jo 3;19 e 20

Muito melhor temer o escuro, a ignorância espiritual, pois, que temer a verdade.

sábado, 2 de novembro de 2024

Templos errantes


“Porém, havendo nele algum defeito, se for coxo, cego ou tiver qualquer defeito, não o sacrificarás ao Senhor teu Deus.” Deut 15;21

Os sacrifícios de animais eram, a rigor, incapazes de remover pecados. Entretanto, evidenciavam o estado de alma dos ofertantes; se o faziam de modo piedoso, reverente, testificavam a favor de uma vida que tencionava agradar ao Eterno. Porém, se ofertados de modo relapso, mercantil, numa espécie de pagamento pelo “direito de pecar”, estariam tais mercadores sem noção, “vendendo as cascas do trigo”; oferecendo coisas vis, como se fossem valiosas.

O Senhor não comia as ofertas; antes, os próprios ofertantes, levitas e sacerdotes o faziam. Assim, a advertência para não ofertarem coisas de má qualidade era em defesa do interesse dos próprios adoradores.

Fazendo aquilo de modo relapso, invés de obter perdão pelos erros cometidos, acrescentariam novas culpas às já existentes. “O que desvia seus ouvidos de ouvir a Lei, até sua oração será abominável.”

Aqueles sacrifícios, reitero, não removiam pecados; “Porque é impossível que o sangue dos touros e bodes tire pecados.” Heb 10;4 Mas oferecidos no espírito certo, os cobriam, como que, os devedores assinavam um cheque pré-datado, a espera do que traria os “fundos”, Jesus Cristo.

O sangue dos animais era um rascunho pobre, um tipo profético apontando para necessidades, bem mais altas que aquilo. “Porque nos convinha tal Sumo Sacerdote, Santo, Inocente, Imaculado, separado dos pecadores, feito mais sublime que os Céus.” Heb 7;26

Para nossa redenção, Seu sacrifício basta; sua eficácia é suficiente e está ao alcance de todos. Porém, Ele nos convida a tomarmos a cruz, para lhe pertencer. A contrapartida do amor por nós demonstrado, requer que “crucifiquemos” às más inclinações em obediência a Ele. Nossa demonstração de afeto requer obediência; “Se me amais, guardai Meus Mandamentos.” Jo 14;15

Nossas vidas segundo suas tendências pecaminosas naturais são “sacrificadas”, para que nossa comunhão com Ele seja preservada. “... ofereçais vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus que é o vosso culto racional.” Rom 12;1

Davi antecipou-se ao que deveras, interessa ao Senhor; “Pois não desejas sacrifícios, senão, eu os daria. Tu não Te deleitas em holocaustos. Os sacrifícios para Deus são um espírito quebrantado, a um coração quebrantado e contrito, não desprezarás, ó Deus”. Sal 51;16 e 17

Após Cristo, já não há lugar para aqueles sacrifícios. Como a adoração deve ser em espírito e verdade, em qualquer paragem que O Espírito Santo nos mover, podemos adorar. Os servos da Nova Aliança são chamados de “Templos do Espírito Santo.”

Porém, alguns derivam dessa informação, consequências que ela não traz. Está na moda, os “desigrejados” que pelas suas idiossincrasias afastam-se das congregações; muitos, machucados pelos “irmãos” é verdade. A ideia de templo do Espírito alude à dádiva particular de cada convertido. A congregação é um mandamento, “não deixando nossa congregação como é o costume de alguns...” Heb 10;25 “Oh, Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união...”

Jesus virou mesas no templo, quando encontrou no mesmo, desvio de função, mercadores invés de adoradores. Pois, muitos “templos” atuais, também se desviram do propósito para o qual estavam sendo edificados. “Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual, sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios agradáveis a Deus, por jesus Cristo.” I Ped 2;5 

Ora, se somos edificados para que ofereçamos sacrifício, porque deixamos a congregação, quando o sacrifício de alguma vontade ou capricho é requerido? Fomos feitos templos do Espírito, ou proprietários, Dele?
O Salvador virou as mesas pelo profano desvio de função encontrado, então; o que encontra Ele, ao contemplar nossos templos em particular?

Se abandono à congregação porque algumas expectativas não foram atendidas, não estarei colocando minhas vontades acima das Divinas?

Claro que há casos em que não dá para se caminhar junto; sobretudo com lideranças sem caráter. Se algum líder atua de modo que percamos nosso respeito, já não o poderemos obedecer também. Mas, em casos assim, mudamos de congregação, denominação até, para servir sob melhores líderes, invés de, nos tornarmos inimigos da igreja.

Há muitos templos com mesas egoístas onde, mercadores vendem sofismas, camuflagens para o amor ao dinheiro, máscaras para fraudulentas razões, que precisam de um encontro dramático com Aquele que zela pela verdade.

Se na Antiga Aliança, animais com defeitos eram recusados, na Nova, onde a purificação das consciências é o alvo, Heb 9;14, desculpas esfarrapadas para desobediência, não passam de animais cegos, coxos, tentando figurar, onde a perfeição de motivos é necessária.

Ademais, não são os mais santos na média, que costumam debandar; antes, os que pela desobediência se tornam indignos da congregação. “Por isso, ímpios não subsistirão no juízo, nem os pecadores na congregação dos justos.” Sal 1;5

quarta-feira, 30 de outubro de 2024

Os democratas


“Tudo isto vi quando apliquei meu coração a toda obra que se faz debaixo do sol; tempo há em que um homem tem domínio sobre outro, para desgraça sua.” Ecl 8;9

Os homens tudo fazem pelo dito “poder”; onde, além de uma vida cercada de mesuras e comodidades, acabam tendo autoridade sobre os semelhantes. Usam meios fraudulentos até, para que a prerrogativa de mandar, lhes sorria.

Porém, no apreço das Escrituras, essa situação acarreta desgraça para os “poderosos”; por quê? Na parábola dos talentos A Palavra ensina que aquele que recebe mais, deverá prestar contas sobre o que recebeu. Tendo poder sobre outras vidas, o espectro do dever se amplia também. Mesmo aquele que numa relação particular esteja em paz com Deus. Se sua área de influência é sua “casa”; deverá estar ordenada também.

O rei Ezequias tinha uma relação saudável com Deus. No entanto, Isaías foi enviado a dizer-lhe: “... Põe em ordem a tua casa, porque morrerás...” Is 38;1 sua relação com O Eterno não carecia reparos, segundo Ele mesmo disse: “... Ah! Senhor, peço-te, lembra-te agora, de que andei diante de Ti em verdade, com coração perfeito; fiz o que era reto aos Teus olhos. E chorou Ezequias muitíssimo.” V 3

Como ele era rei, tinha poder sobre um reino e deveres também. Assim “sua casa” era bem maior que suas coisas particulares. Esse é um dos efeitos colaterais de se ter poder sobre os outros. Passa-se a ter deveres para com eles também.

Depois, concorre ainda, a lei da semeadura, aquela que garante que ceifaremos segundo nosso plantio; no caso de um empoderado sobre muitos, é necessário que “semeie” em muitos “campos”. O risco de cometer injustiças é maior, bem como, as tentações das vantagens pessoais, o assédio dos interesses escusos que costumam dar azo à corrupção.

Enfim, ser alguém quase anônimo, não ter poder sobre nada, exceto, as escolhas particulares, é uma grande bênção que bem poucos conseguem valorar devidamente.

Quem expõe seu nome para apreciação popular numa eleição, por exemplo, ciente que, se bem sucedido será servo de toda uma comunidade; imbuído de intenções retas, esse/a abdica do conforto de cuidar apenas de si, mergulhado em projetos que respeitam ao todo, abre mão em parte, de si, pelo bem comum. Sabedor que foi investido de deveres, uma vez eleito, não coroado de poder, como pensa o vulgo, esse/a albino, certamente fará bem à comunidade que lhe delegou responsabilidades. Infelizmente, mentalidades hígidas assim são coisas raras como o albinismo.

Os de má índole, a grande maioria, aqueles que tudo fazem para “reinar” a qualquer preço, pela sua “escala de valore$” farão bem a si mesmos e aos que usam como escada para subir ao trono. O município se lhes faz um meio, os munícipes, servos apenas. Comunidades reféns desses mini-ditadores tendem à estagnação; um mínimo que se pareça com serviço público é mantido, sem a ousadia empreendedora necessária, para conquistar o apoio majoritário dos munícipes. Colégios, postos de saúde funcionando, algumas ruas pavimentadas isso é básico; como uma dona-de-casa a varrer sua casa.

Para ter maioria, em geral compram ou coagem eleitores, invés de colocar a casa em ordem, como requereria a probidade. Se enchessem as medidas com trabalho não careceriam desses meios escusos que usam, sem vergonha, sem pudor.

Os tais, “fazem o diabo para ganhar uma eleição” nas palavras de Dilma Rousseff; contudo, são os primeiros a se abrigar atrás de palavras como “democracia”, uma vez saciada sua sede de poder, pelos meios mais espúrios e antidemocráticos possíveis.

O “diabo” uma vez feito, não desaparecerá num exorcismo fácil; o tinhoso cobra lá seu preço. Deixará rastros, vestígios; perturbará as consciências dos “empoderados” de modo indigno. Seu “poder” foi permitido e as desgraças concomitantes também o serão, no devido tempo.

Abusarão de eufemismos para esconder às coisas feias que precisarão fazer; seguirão mentindo como sempre, chamando atenção para onde pensam que lhes convém, e desviarão a mesma de onde mostraria seus erros.

Desgraçadamente as pessoas idôneas acordaram tarde demais para a política; os patifes que sempre parasitaram nela, criaram um sistema que lhes favorece, cheio de casuísmos que permitem a manipulação das coisas contra a vontade do povo. A democracia acabou se tornando uma formação de quadrilha consentida, onde os quadrilheiros se dão ao luxo de dizer como gostam de ser chamados.

Há tantas “excelências” que não entrariam em minha casa, por minha vontade ou convite, nas mãos dos quais, nossas coisas estão, vergonhosamente. Surja alguém adverso aos tais, e será apedrejado, ridicularizado, roubado.

Deus permite que frutifiquem algumas ervas bem daninhas. Porém, no devido tempo, fará um chá com as folhas dessas, e dará para beber, àqueles que as cultivam.

terça-feira, 29 de outubro de 2024

Boca fechada

“Quem dera que vos calásseis de todo, pois isso seria vossa sabedoria.” Jó 13;5

Alguém disse: “O sábio fala porque tem algo a dizer; o tolo, porque tem que dizer algo.”

No primeiro caso, o teor do que vai ser dito justifica à fala; no segundo, pela inquietação, as falas brotam espúrias, sem nexo ou sentido; talvez, o desejo de ser visto, escutado, motivaria o tolo a se expor, mesmo quando o silêncio seria melhor.

Salomão ensina: “Até o tolo, quando se cala, é reputado por sábio; o que cerra seus lábios é tido por entendido.” Prov 17;28

Jó não estava requerendo dos amigos, algo que eles não pudessem dar; na verdade quando vieram a ele e viram a grandeza da sua desventura, emprestaram seu silêncio solidário durante uma semana. “Levantando de longe os seus olhos, não o conheceram; ergueram a sua voz e choraram, rasgaram cada um o seu manto, e sobre suas cabeças lançaram pó ao ar. Assentaram-se com ele na terra, sete dias e sete noites; nenhum lhe dizia palavra alguma, porque viam que a dor era muito grande.” Cap 2 vs 12 e 13

Admirável, a postura inicial deles! Uma solidariedade silente, empática, que recusava a falar, temendo aumentar à dor do já intensamente sofredor.

No entanto, chegou um momento em que eles falaram; invés de empatia com o desventurado, culpavam-no pelo que estava passando. Ele defendeu sua inocência e reclamou dos maus tratos que seus amigos lhe infligiam. Então, enfadado deles disse aquelas palavras desejando que eles calassem a boca. O ouvido prova às palavras como o paladar ao alimento, ensinou; as falas deles não tinham tempero nenhum.

Como é difícil ao ser humano pretensioso e falastrão, a honestidade sóbria de um “não sei”. Mesmo não sabendo se mete a especular, tecer conjecturas tentando explicar coisas para as quais, não tem uma explicação. A necessidade tola aquela, de ter que dizer algo, mesmo que esse não tenha sentido, ou não seja oportuno.

Na presença de Deus somos convidados à parcimônia nas falas; “Guarda o teu pé, quando entrares na casa de Deus; porque chegar-se para ouvir é melhor que oferecer sacrifícios de tolos, pois não sabem que fazem mal. Não te precipites com a tua boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus; porque Deus está nos céus, tu estás sobre a terra; assim sejam poucas as tuas palavras.” Ecl 5;1 e 2

Eventualmente a consciência culpada cobra alguma coisa; informa seu hospedeiro sobre a carência de higiene moral, espiritual. Denuncia a um mau passo convidando ao arrependimento e à mudança. Quem não está habituado a banhar-se nessas límpidas águas, quando desafiado costuma se esconder atrás do biombo das falas; não fala para dizer algo; antes, para não precisar ouvir, uma denúncia íntima que o tenta corrigir. Sua agitação é sua fuga.

Por isso, a inquietação gratuita, além de ser uma característica dos tolos, é também uma denúncia de impiedade; “Mas os ímpios são como o mar bravo, porque não se pode aquietar; suas águas lançam de si lama e lodo. Não há paz para os ímpios, diz o meu Deus.” Is 57;20 e 21

Retratando a mulher adúltera, na ansiedade para “aproveitar” a ausência do marido, e se “divertir”, Salomão conta: “Estava alvoroçada e irrequieta; não paravam em sua casa seus pés. Foi para fora, depois pelas ruas, ia espreitando por todos os cantos;” Prov 7;11 e 12

Assim, os amigos de Jó, quiçá, assolados pelos próprios temores, tentavam “colar” nele alguma culpa, pelo que parecia um duro juízo que o infeliz estava sofrendo. Se, alguém da estatura dele passava por aquilo, o que seria deles, se fossem julgados, então? Talvez fugindo dessas íntimas questões, atribuíam pecados a Jó sem ter condições de demonstrar que falavam a verdade. Por isso, invés de falar assim, o silêncio seria uma postura mais sábia, ponderou aquele.

Às vezes, nem basta que as palavras estejam certas; é necessário que a ocasião seja oportuna também. “Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita no seu tempo.” Prov 25;11

Quando a plenitude da verdade seria uma carga mui pesada, O Senhor reteve parte, em atenção à fraqueza dos discípulos; “Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não podeis suportar agora.” Jo 16;12

Não precisamos saber tudo, nem poderíamos. Mas, se conseguirmos entender quando é mais oportuno calar do que falar, esse discernimento já nos livrará de muitos males.

Às vezes, inadvertidamente falamos até o que não queríamos; depois, levamos uma surra do silêncio que ecoa nossa estupidez. Enfim, um provérbio hindu versa: “Quando falares, cuida para que tuas palavras sejam melhores que o teu silêncio".