sábado, 27 de abril de 2024

Os zumbis


“... não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, pai da mentira.” Jo 8;44

Embora essa descrição corresponda a muitos homens que conhecemos, O Salvador estava falando do diabo. “... não se firmou na verdade porque não há verdade nele.” Eloquente figura! Como se, nas pessoas devesse existir um mínimo apreço pela verdade, um “ganchinho” que fosse, onde um volume maior pudesse ser pendurado.

O mentiroso busca verossimilhança, para sua “arte”; faz com que sua mentira tenha algumas nuances verdadeiras; o máximo que consegue colocar em seu “ganchinho.”

Todavia, grassa em nossa nação, refém do esquerdismo e da corrupção disseminados, um nível de mentiras, que pode ter constrangido o inferno. O canhoto deve estar sinceramente pensando na necessidade de fazer mestrado.

Os “defensores da democracia”, sonegam liberdade de expressão; guardiães da Carta Magna, a Constituição, são os primeiros a rasgá-la, lançá-la no lixo; apreendem telefones e violam sigilo de pessoas honestas, e blindam um assassino como Adélio Bispo; garantem que urnas eletrônicas são confiáveis, e vetam que se faça apuração transparente, com voto impresso, ou fornecimento de códigos-fontes; perseguem e caçam direitos, de quem ousar questionar o sistema.

Um homem decente, se, pego nalguma contradição, presto vai reconsiderar, se envergonhará, a contragosto terá que lidar com isso. Decência é seu normal.

Um canhoto, sai por aí ameaçando erradicar as ervas que planta, com a mesma cara; fiel ao mandamento: “Xingue-os do que você é; acuse-os do que você faz.”

Outro dia, Lula, o mentiroso que faz o Capeta se sentir júnior, disse que desejava ter poder para decretar a prisão dos mentirosos. Há um quê de verdade nisso; o desejo de prender desafetos.

Para ele, as coisas das quais gosta, são “verdade”; as que detesta, são “mentiras”. Por esse “código”, certamente deseja mesmo o poder absoluto para prender todos os “mentirosos.”

Se ele diz que Maduro, Ortega, China, são democratas, devem ser; ele que sabe o que é verdade. Se, assegura que, os patriotas, de costumes conservadores, são “nazistas, fascistas, inimigos da democracia”, devem ser, pela mesma razão. Afinal, o que pretendem enchendo as ruas com suas cores verde-amarelas? Acaso não sabem que a democracia veste rubro?

Se, para eles e os “supremos”, revelar ordens veladas de censura, como fez Elon Musk, é um “ataque”, deve ser. Afinal, tudo o que eles fazem é defender nossos direitos, nossas liberdades. Somos livres, inclusive para sermos censurados; e que nenhum intrometido se atreva discordar, sobretudo, um estrangeiro que não planta capim por aqui. Embora a sustentação desses, seja herbívora, o “capim” que viceja nos lupanares mais altos, é outro.

Essa choldra é tão underground, que não contentes em ter furtado tudo, a grana, as liberdades, as instituições, os valores, a esperança, o futuro, roubaram também o sentido das palavras. Zé Dirceu, o preso que a cadeia perdeu, graças aos donos da verdade, disse que Lula é de centro direita; deve ser.

O anão Morais, falou outro dia que o comunismo não existe mais, é uma acusação de gente desinformada, que vê o mal onde não está. Lula dissera antes disso, no Foro de São Paulo, que é comunista com orgulho; tempos depois, emocionado, falou sobre a proeza de colocar um comunista no STF, referindo-se ao “camarada” Flávio Dino; mas, o comunismo não existe, lógico! São eles que sabem tudo o que há.

Pelejar contra essa gente no reino das ideias, usando a “arma” das palavras, dos argumentos, é uma luta inglória. Contra o canhoto, em Nome de Jesus Cristo ainda é possível um exorcismo.

Esses são diabos com corpos, não saem, não teriam pra onde ir, pois, pro inferno só depois de mortos. Não se trata de uma invasão espiritual, que pode ser desfeita. Trata-se da auto anulação da condição humana, uma horda de zumbis amorais, contra os quais, antídotos lógicos, cíveis, legais, filosóficos, são inócuos, pelos anticorpos que eles desenvolveram ao longo de sua esquerdopatia.

Deplorável, súcia walking Dead, ocupando os mais altos postos de poder em nossa nação refém. A única coisa ante a qual parariam seria a força. As forças armadas, cujas atribuições demandam que atuam em caso de desequilíbrio, ruptura entre os poderes, estão estranhamente dominadas pela “democracia.”

Resta-nos “apenas” Deus. É tanta injustiça, tanta mentira, tanta violação, que O Todo Poderoso que detesta essas coisas, há de Se levantar; “... o direito se tornou atrás, justiça se pôs de longe; a verdade anda tropeçando pelas ruas, equidade não pode entrar. Sim, a verdade desfalece; quem se desvia do mal arrisca-se a ser despojado; O Senhor viu, e pareceu mal aos Seus Olhos que não houvesse justiça.” Is 59;14 e 15

Banho de lama


“Sendo Ele consumado, (Cristo) veio a ser a causa da eterna salvação para todos os que Lhe obedecem;” Heb 6;9

O fato que Cristo “aboliu a Lei”, tem sido usado por gente avessa à obediência, como se, a graça fosse sinônimo de licença para pecar. Basta olharmos o verso supra, para percebermos que ela também requer obediência. Paulo chamou de “Lei de Cristo.”

Foi abolida a lei sacerdotal, onde se oferecia reiterados sacrifícios de animais, a cada novo pecado; como se, quem dispusesse de muitos animais, tivesse possibilidade de pecar à vontade, uma vez que poderia “pagar.” Não era objetivo daquela Lei, remover pecados; antes, manifestá-los. “Porque é impossível que o sangue dos touros e bodes tire pecados.” Heb 10;4

Isso remeteu a Cristo, O Único que pode; “De maneira que a Lei serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados.” Gál 3;24

O que a Graça tem de melhor é sua eficácia regeneradora, não, leniência para com o pecado, como fazem parecer os desobedientes citados. Mexe no âmago, busca pelas causas, não apenas denuncia consequências; “ouvistes que foi dito: Amarás teu próximo, e odiarás teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai aos vossos inimigos...” Mat 5;43 e 44 Mais difícil.

“Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; qualquer que matar será réu de juízo. Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo...” Mat 5;21 e 22 Idem.

“... Não cometerás adultério. Eu, porém, vos digo; qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela.” Vs 27 e 28 etc.

A exceção da liberação da guarda do sábado, que Ele disse que foi criado por causa do homem, no qual é lícito fazer o bem, a “Lei de Cristo”, exige coisas mais, que Moisés.

Acaso, agora não precisamos amar a Deus de todo nosso ser? “... Amarás O Senhor teu Deus de todo teu coração, toda tua alma, e pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento.” Mat 22;37 e 38 Ou, amar ao próximo como a nós mesmos, não vetaria mentira, violência, traição, furtos...?

A lei foi superada porque cumpriu seu propósito. Onde ela ordenou coisas como, negar a si mesmo, entrar pela porta estreita, amar inimigos? Não tinha esse alcance.

“Mas agora alcançou Ele (Jesus Cristo) ministério tanto mais excelente, quanto, é mediador de uma melhor Aliança que está confirmada em melhores promessas.” Heb 8;6 e maiores exigências, acrescento.

O “melhor”, é o alcance da purificação, mediante O Sacrifício Perfeito, não, liberdade pra pecar. Aqueles sacrifícios tinham uma “purificação” exterior, mera formalidade social, sem tocar no âmago do problema.

“Se o sangue dos touros e bodes, e a cinza duma novilha esparzida sobre os imundos, os santifica, quanto à purificação da carne, quanto mais o Sangue de Cristo, que pelo Espírito Eterno ofereceu a Si mesmo imaculado a Deus, purificará vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus Vivo?” Heb 9;13 e 14

O alcance é maior, excede à um ritual externo podendo purificar o íntimo, a consciência; porém, a repetição de sacrifícios ficou impossível. Dos que recebem a Cristo se requer que abandonem o pecado. Eventuais tropeços devem ser confessados e deixados. Se seguirmos como antes, fazendo as mesmas coisas e levando outro “carneiro ao sacerdote”, estaremos profanando ao Santo.

“... assim, quanto a esses, de novo crucificam O Filho de Deus, O expõem ao vitupério.” Heb 6;6

Se algo mais carecer ser dito sobre a superioridade em temor, que a Graça requer, ouçamos: “Quebrantando alguém a lei de Moisés, morre sem misericórdia, só pela palavra de duas ou três testemunhas. De quanto maior castigo cuidais, será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, tiver por profano o Sangue da Aliança com que foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da Graça?” Heb 10;28 e 29

Portanto, os que pretendem uma vida frouxa, moralmente, “ancorados” na Graça, e os que são infiéis nos dízimos, dizendo que era coisa da Lei, já superada, erram redondamente.

A seriedade é muito maior, que foi nos dias idos. E os dízimos não eram da Lei. Começaram em Abraão, uns 500 anos antes de Moisés.

Claro que a malversação do dinheiro da Igreja é grave. Devem ser combatidos os que isso fazem. Todavia, o lapso de caráter dos que assim agem, não cria uma doutrina, tampouco, anula outra. O Salvador ensinou: “... deveis fazer estas coisas, (dizimar) e não omitir aquelas. (juízo, misericórdia, fé)” Mat 23;23

Quem ama ao dinheiro mais que a Cristo siga com seu amor. Só não venha emporcalhar as coisas santas, tentando se lavar com lama, esposando mentiras.

sexta-feira, 26 de abril de 2024

Os curiosos


“Porque àquele que tem, se dará, terá em abundância; mas àquele que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado.” Mat 13;12

Não parece estranha essa nuance, dar àquele que tem, e tirar do que não tem? Sim, parece.

Embora o ser humano tenda a valorar tudo a partir de coisas materiais, a escala celeste é outra. Cristo ensina: “... Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; porque a vida de qualquer um, não consiste na abundância do que possui.” Luc 12;15

Quando O Salvador prometeu “vida com abundância”, aludia a abundância de vida; vida eterna. Nada a ver com fartura, como o vulgo, e tantos mercenários gostariam que significasse. “Porque nada trouxemos para este mundo, e nada podemos levar dele. Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes.” I Tim 6;7 e 8

O contexto do verso inicial deixa entendermos de quê se trata, dar a quem possui, e retirar de quem tem pouco. O Salvador contara a parábola do semeador, com seus quatro solos distintos, e o resultado de cada um, em consórcio com a semente.

Os discípulos indagaram: “... Por que lhes falas por parábolas? Ele, respondendo, disse-lhes: Porque a vós é dado conhecer os mistérios do Reino dos Céus, mas a eles não é dado;” vs 10 e 11

Logo, as “posses” em jogo, era o entendimento das coisas espirituais. Quem seguia ao Salvador por achá-lo digno, confiável, mesmo sem entender tudo, “tinha” o necessário; a esses, os ensinos mais complexos eram explicados em particular. Os que seguiam como curiosos, apenas, quiçá, como espias desejando “pegá-lo” nalguma palavra, esses “não tinham” o que O Senhor queria; aos tais apenas parábolas sem maiores explicações.

Esse é o sentido de dar em abundância a quem já possui, e negar, ao que tem um pouquinho apenas, mera curiosidade, invés de sede de salvação.

Um desdobramento de antiga sentença dada mediante Samuel: “... aos que Me honram honrarei, porém os que Me desprezam serão desprezados.” I Sam 2;30 Honrar, naquele contexto, seria manter uma promessa, a quem, pela resiliência no mal, total descaso com as coisas santas, profanando-as como faziam os filhos de Eli, lançando-as ao desprezo, revelaram-se indignos delas.

Em geral as pessoas não param pra pensar no que significa a incredulidade. Duvidarmos do semelhante é coisa normal; é um ser falho, como nós; pode falar o que deseja mais que, o que viu; ainda, ter entendido mal o que testemunhou; quiçá, esteja mesmo mentindo com desejo de tirar alguma vantagem de nós... certo ceticismo nas relações interpessoais é necessário, saudável.

Porém, em se tratando do Senhor, descrer implica numa blasfêmia, por atribuir imperfeição Àquele que É “... tão puro de olhos que não pode contemplar o mal.” Hc 11;13 Por isso, a sentença de João: “Quem crê no Filho de Deus, em si mesmo tem o testemunho; quem a Deus não crê mentiroso O fez, porquanto não creu no testemunho que Deus, de Seu Filho deu.” I Jo 5;10

A quem foram dados todos os “implementos” para crer, a mensagem do Evangelho, os sinais, e ainda segue distante, tímido, cético em relação ao Senhor, esse O desonra; mesmo o pouco que tem, sua curiosidade covarde, se perderá com o tempo; “até o que tem lhe será tirado.” Não será tirado por Deus, que o enriqueceria, se o tal, desejasse tesouros espirituais.

Quem furtará o pouco do incrédulo, será o traíra, que, pela “cabeça-de-ponte” da incredulidade, desembarcará na alma dele, todo seu arsenal de mentiras que obrarão pela total cegueira; “... o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do Evangelho da Glória de Cristo, que é a Imagem de Deus.” II Cor 4;4

Nosso trabalho é lutar contra esses conselhos que escurecem; “Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas poderosas em Deus para destruição das fortalezas; destruindo conselhos, e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, levando cativo todo entendimento à obediência de Cristo;” II Cor 10;4 e 5

Também os que partem de um desejo natural, e saem garimpando versos que “confirmem” o que eles pensam, serão “ajudados” pelo trevoso mor; ele oferecerá sofismas, “interpretações” doentias, tornando-os adversários da luz, com presunção de serem difusores dela.

Os piores cegos são esses "intérpretes” que “encontram na Palavra” razões para seus desvios. “São justas todas as Palavras da Minha Boca: não há nelas nenhuma coisa tortuosa nem pervertida. Todas elas são retas para aquele que as entende bem, justas para os que acham conhecimento.” Prov 8;8 e 9

Caso alguém fique em dúvida se está na luz ou no escuro, analise com honestidade, contra o quê, está combatendo.

quinta-feira, 25 de abril de 2024

Misericórdia


“Porque o juízo será sem misericórdia sobre aquele que não fez misericórdia; e a misericórdia triunfa do juízo.” Tg 2;13

A misericórdia prescinde do mérito, uma vez que, estende seu manto sobre quem está em falta; por ser prima do perdão, como esse, costuma dar aos seus beneficiários, o que eles não merecem.

Entretanto, certo “mérito” é necessário, alguma inclinação misericordiosa daquele que, em dado momento esteve acima de outrem, que necessitava sua empatia. Se, nessa situação nosso hipotético egoísta não deu a mínima, há razões para crer que em suas carências, colherá o que plantou; indiferença. “Porque o juízo será sem misericórdia sobre aquele que não fez misericórdia...”

Se, alguém presume levianamente que, bondade seja um infinito tapete espalhado, sobre o qual, os maus podem cirandar, zombar, defecar, totalmente alheios, e ela seguirá ali, sempre serviçal, submissa, disposta a limpar o que aqueles fizeram, não entendeu nada. A violência, mesmo verbal, colherá seus frutos; “O homem de grande indignação deve sofrer o dano; porque se tu o livrares ainda terás de tornar a fazê-lo.” Prov 19;19 Quem equaciona bondade à pusilanimidade, precisa repensar sua “matemática”.

Um dos aspectos primeiros da bondade é que ela insta conosco para que reconheçamos nossas maldades; “Ou desprezas tu as riquezas da Sua benignidade, paciência e longanimidade; ignorando que a benignidade de Deus te leva ao arrependimento?” Rom 2;4

Devemos analisar os dois lados da moeda: “Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas para contigo, benignidade, se permaneceres na Sua benignidade; de outra maneira também tu serás cortado.” Rom 11;22

A Palavra aborda os que fazem “ouvidos moucos” ao Divino Chamado, apresentando a resolução do Eterno; “Atentai para Minha repreensão; pois, derramarei abundantemente do Meu Espírito e vos farei saber Minhas Palavras. Entretanto, porque clamei e recusastes; estendi Minha Mão e não houve quem desse atenção, antes rejeitastes todo Meu conselho, e não quisestes Minha repreensão, também de Minha parte rirei, na vossa perdição; zombarei vindo vosso temor.” Prov 1;23 a 26

Quando a Santa Paciência se cansar de alguém, a bondade deixará sua associação com a misericórdia, e emprestará a vivacidade das suas cores, para adornar à justiça.

Nos dias de Jeremias, a Divina paciência fora gasta pela resiliência dos maus; mais que não oferecer Sua Bondade, O Santo vetou que o profeta perdesse tempo em clamores que seriam rejeitados; “Tu, pois, não ores por este povo, não levantes por ele clamor ou oração, nem me supliques, porque não te ouvirei.” Jr 7;16 “Tu, pois, não ores por este povo, não levantes por ele clamor nem oração; porque não os ouvirei no tempo em que clamarem a Mim, por causa do seu mal.” Jr 11;14 “Disse-me mais o Senhor: Não rogues por este povo para seu bem.” Jr 14;11

O que houve com a Bondade Divina? Fora vilipendiada pelo desprezo dos maus, e se retirara por se recusar a compactuar com a maldade deliberada. “Irei, voltarei Meu lugar, até que se reconheçam culpados e busquem Minha face; estando eles angustiados, de madrugada me buscarão.” Os 5;15

Quando a maldade desconhece limites, não apenas encontramos ordens para que se não ore pelo perdão; mas, clamores por juízo, pelo não perdão dos mesmos; “Não cubras sua iniquidade, e não se risque de diante de ti seu pecado...” Nee 4;5

O Prazer de Deus não é julgar, antes, perdoar, como Ele mesmo diz: “... Vivo Eu, diz o Senhor Deus, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas que o ímpio se converta do seu caminho, e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois, por que razão morrereis...” Ez 33;11

Isaías pontua: “Deixe o ímpio seu caminho, o homem maligno seus pensamentos, e se converta ao Senhor, que se compadecerá dele; torne para o nosso Deus, porque grandioso é em perdoar.” Is 55;7

Porém a Divina Longanimidade que faz O Santo esperar pelo arrependimento dos maus, também acha seu termo; “Quando vês o ladrão, consentes com ele, e tens a tua parte com adúlteros. Soltas a tua boca para o mal, e a tua língua compõe o engano. Assentas-te a falar contra teu irmão; falas mal contra o filho de tua mãe. Estas coisas tens feito, e eu me calei; pensavas que era tal como tu, mas eu te arguirei, e as porei por ordem diante dos teus olhos.” Sal 50;18 a 21

Nem que o único “mérito” dos que desejam a misericórdia seja seu arrependimento, esse, é necessário, para que as garras do juízo sejam evitadas, sob a casamata da misericórdia do Eterno. “O que encobre suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia.” Prov 28;13

O zelo cego


“Ouve, ó nosso Deus, que somos tão desprezados; torna seu opróbrio sobre sua cabeça, e dá-os por presa, na terra do cativeiro. Não cubras sua iniquidade, e não se risque de diante de Ti, seu pecado, pois, eles te irritaram na presença dos edificadores.” Ne 4;4 e 5

Os adversários da reedificação dos muros, ora ameaçavam, ora queriam edificar juntos; ou, partiam para a zombaria, o desprezo.

Sempre que alguém intentar algo que tenha relevância, valor, que faça alguma diferença, terá oposição.

Em geral, a mediocridade conta com aplausos, enquanto, a aptidão, com o despeito dos que não têm os mesmos atributos ou, inciativas. “Eu vi que todo o trabalho, toda a destreza em obras, traz ao homem a inveja do seu próximo. Também isto é vaidade, aflição de espírito.” Ecl 4;4

Se, os que assim agem tivessem noção das consequências seriam, mais comedidos. “... torna seu opróbrio sobre sua cabeça...” Mais que um fragmento da oração de Neemias, isso era um vaticínio inevitável do juízo que viria sobre os perturbadores da Obra de Deus.

Sempre foi mais fácil destruir, que edificar. Assim, os que, movidos por ideias nobres, empreendem esforços construindo, não raro, deparam com a oposição dos que se ocupam do “mais fácil.”

Porém, há uma coisa inda mais fácil, que a mera desfeita sobre o trabalho alheio. Desfrutá-lo, sem ter feito nada. O mesmo Tobias, que sempre estivera no front da oposição, quando da reedificação, uma vez consumada, presto se achegou. Aproveitando-se da ausência de Neemias, mediante conchavos com certo Eliasibe, achou um nicho para si, onde, nem de longe merecia estar.

O governador, recolocou as coisas nos devidos lugares. “Voltando a Jerusalém, compreendi o mal que Eliasibe fizera para Tobias, fazendo-lhe uma câmara nos pátios da casa de Deus. O que muito me desagradou; de sorte que lancei todos os móveis da casa de Tobias fora da câmara. Ordenei e purificaram as câmaras; tornei a trazer para ali os utensílios da casa de Deus, com as ofertas de alimentos e o incenso.” Nee 13;7 a 9

Além de se imiscuírem em lugares dos quais não são dignos, ainda tomam para si espaços reservados aos utensílios da casa de Deus. Dois males casados.

Sempre se deve ter cuidado com certos “combatentes” que, ardendo em zelo sem entendimento, fazem mais dano que trazem algum benefício à obra. É fácil emprestar brilho a alguma peleja envernizando-a como defesa da verdade, combate à hipocrisia, libertação dos enganados, etc.

Não que erros não devam ser combatidos. Todavia, quando isso se torna um “ministério”, uma cantilena, orquestra de um instrumento só, de só uma corda, como o berimbau, aí temos razões para pensar que tal “combate”, mais que indícios de zelo, exibe traços patológicos.

Façamos a obra, malgrado, os opositores. Na hora dos frutos cada um terá o que for merecido. Se, algum “Tobias” for além do que lhe couber, oportunamente também se lhe dê o devido pé na bunda. A irritação sofrida por Neemias e associados, foi vista como causada contra Deus, dado que era oposta à Obra Dele; “... Te irritaram na presença dos edificadores.”

Uma regra áurea, deveriam aprender, eventuais apologetas da praça. Todo o “viés doutrinário” que, presto cai nas graças do povo, é aplaudido e incensado por grande engajamento, traz digitais da carne, não do Espírito Santo. Isso não é uma “descoberta” minha; antes, uma sentença do Salvador. “... Vós sois os que justificais a vós mesmos diante dos homens, mas Deus conhece vossos corações; porque o que entre os homens é elevado, perante Deus é abominação.” Luc 16;15

Os que se opunham a Neemias se diziam zelosos pelos interesses do rei da Pérsia. Fora o mesmo rei que autorizara a Obra. Assim, os que atrapalham aos ministros probos do Evangelho; também estão em defesa de motivos “nobres.” Cuidado para não se verem, como Saulo, recalcitrando contra aguilhões.

Que todo aquele que malversa, profana, deturpa às coisas santas, responda por isso. Se, não fizer inda na terra, certamente responderá no porvir. Mas, tenhamos cuidado para que eventuais estilhaços de nossas “bombas”, não atinjam a quem deveria ser protegido, invés de combatido.

Gente honesta pode padecer grandes privações, pela consequência do fermento desnecessário no combate aos desonestos, feito de modo imprudente. Mais que pessoas, devemos combater atos; “Ainda não resististes até ao sangue, combatendo contra o pecado.” Heb 12;4

Nenhum de nós é “proprietário de Deus”, apto a dizer quem Ele quer e quem, não. Idôneos intérpretes da Palavra são como placas sinalizando o caminho; afinal, “Quem rejeitar a Mim, não receber as Minhas Palavras, já tem quem o julgue; a Palavra que tenho pregado, essa o há de julgar no último dia.” Jo 12;48

quarta-feira, 24 de abril de 2024

Dores de parto


“Porquanto, ainda que vos contristei com minha carta, não me arrependo, embora já me tivesse arrependido por ver que aquela carta vos contristou, por pouco tempo.” II Cor 7;8

Paulo estava patenteando dois estágios emocionais, nos quais andara, acerca do mesmo assunto. A tristeza que uma carta sua causara na igreja em Corinto. Sabedor do “estrago” que sua escrita fizera, num primeiro momento, culpou-se; caramba! acho que peguei pesado.

Porém, depois de inteirado das consequências benéficas, restauradoras, da sua severa exortação, tendo entendido a necessidade daquilo, pois, fora escrito segundo Deus, não, conforme predileções humanas, refez; pensando bem, foi melhor assim.

“Agora folgo, não porque fostes contristados, mas porque fostes contristados para arrependimento; pois fostes contristados segundo Deus; de maneira que por nós não padecestes dano em coisa alguma.” V;9

Todo pregador deveria ter isso em mente; que possíveis tristezas assomarão durante a ministração da Palavra, pelo que ela é, e o que os pecadores são; isso é normal. Porém, não deve mesclar à mensagem, coisas de cunho pessoal; aproveitar a ocasião para “embarcar” junto reprimendas de origem espúria, xingamentos rasteiros, indiretas carnais, como se isso fizesse parte do Divino propósito. “... por nós, não padecestes dano em coisa alguma.”

Quem está a serviço de Deus, não tem direito de colocar suas predileções como aferidoras alheias; tampouco, aproveitar o momento em que O Eterno está corrigindo, para anexar alguns açoites de sua autoria.

Não gostamos de ser veículos que carreiam tristezas e depositam sobre almas alheias. Falo dos que possuem almas sadias, não, dos sádicos, egoístas, psicopatas e insanos afins.

No entanto, as tristezas têm uma propriedade medicinal, pela qual, almas são desafiadas ao retorno para o querer do Eterno; como remédios amargos receitados aos enfermos, tornam-se um “mal” necessário. Nenhum médico competente deixará de os ministrar, se, entender a necessidade dos mesmos; tampouco, de prescrever uma cirurgia até, se, a vida do seu paciente depender disso.

Depois de patentear seus dois estados emocionais, um que se arrependera pela dor causada, outro, que folgara por saber que a mesma era um mal segundo Deus, portanto, um bem, o apóstolo fez sua síntese sobre as duas fontes de tristeza possíveis: “Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para salvação, da qual ninguém se arrepende; mas a tristeza do mundo opera a morte.” V 10

A Palavra pregada como é, fatalmente ensejará compunção, arrependimento; é necessário que assim seja. Desde o início da Igreja foi assim; “Ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração, e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, homens irmãos?” Atos 2;37

É por valorizar mais, uma emocionalidade eventual, um momento de bem estar enganoso, que a cura das almas, com sua mensagem confrontadora que entristece, que os falsos profetas, vicejam tanto por aí. Ser aceitos é mais importante, para os tais, que ver as almas salvas.

A tristeza causada por Paulo, invés de indispor aos cristãos coríntios contra ele, deu azo a uma série de discursos inflamados, em defesa da necessária santidade; “Porque, quanto cuidado não produziu isto mesmo em vós que, segundo Deus, fostes contristados! que apologia, que indignação, que temor, que saudades, que zelo, que vingança! Em tudo mostrastes estar puros neste negócio.” V 11

A tristeza possui uma qualidade “medicinal” que a alegria desconhece; como alguém versou: “Andei uma légua com a alegria, incansável, tagarela; mesmo que falasse tanto, nada aprendi com ela; caminhei uma légua com a tristeza, que nenhuma palavra falou; ah quanta coisa aprendi, quando a tristeza comigo andou.”

Davi entendia bem da “medicina;” “Foi-me bom ter sido afligido, para que aprendesse Teus Estatutos.” Sal 119;71

Salomão levou a ideia dos benefícios espirituais da tristeza a um ponto mais profundo; “Melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete, porque naquela está o fim de todos os homens; os vivos o aplicam ao seu coração. Melhor é a mágoa que o riso, porque com a tristeza do rosto se faz melhor o coração.” Ecl 7;2 e 3

Logo, compete aos que são portadores da mensagem de reconciliação, que sejam zelosos pela verdade, mais que, ciosos pelos sentimentos dos que a necessitam escutar.

Sua separação eventual dos discípulos, por uma causa necessária, O Salvador figurou assim: “A mulher, quando está para dar à luz, sente tristeza, porque é chegada sua hora; mas, depois de ter dado à luz a criança, já não se lembra da aflição, pelo prazer de haver nascido um homem no mundo.” Jo 16;21

Se, ante à Palavra da Vida, nos entristecermos por constatar que erramos o alvo, nos arrependermos, certo é, que, sucederá à tristeza, grande alegria, por ter vindo mais um filho de Deus, ao mundo.

terça-feira, 23 de abril de 2024

Espigas maduras


“Porque a terra por si mesma frutifica, primeiro a erva, depois a espiga, por último o grão cheio na espiga.” Mc 4;28

Três estágios desde o nascimento à frutificação, figuram o que acontece nas vidas que se convertem a Cristo. O “Negue a si mesmo” é indispensável; sem essa “morte”, nada feito. “Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto.” Jo 12;24

Pedro figurou novos convertidos como, bebês recém-nascidos; A Palavra da Vida, o alimento que os faria crescer; “Deixando, pois, toda a malícia, todo o engano, fingimentos, invejas, e todas as murmurações, desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo;” I Ped 2;1 e 2

Uns que, foram negligentes quanto à necessária amamentação, levaram um puxão de orelhas; “Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar os primeiros rudimentos das Palavras de Deus; vos haveis feito tais que necessitais de leite, não, sólido mantimento. Porque qualquer que ainda se alimenta de leite não está experimentado na palavra da justiça, é menino.” Heb 5;12 e 13

Quando Paulo colocou em relevo o amor, como aferidor das coisas, invés dos sentimentos carnais, e até eventuais dons, aludindo às disputas naturais, considerou-as normais entre meninos, não, entre adultos; depois de toda uma exposição argumentativa, concluiu: “Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.” I Cor 13;11

O Salvador pontuou que dos pequeninos é o Reino dos Céus; exortou a quem queira entrar, para que se faça como criança, tendo em mente a necessária humildade, dependência do Pai, que convém aos que se achegam a Ele.

Não significa que devamos evitar o crescimento espiritual, como se, ignorância fosse sinônimo de humildade; Paulo resumiu: “Irmãos, não sejais meninos no entendimento, mas sede meninos na malícia, e adultos no entendimento.” I Cor 14;20

Entre o nascimento e a maturidade, há todo um processo de aprendizado didático e experimental, edificação. Embora, eventualmente possamos dar frutos durante nosso processo de aprendizado, o “grão maduro na espiga” a maturidade é algo demorado, dada a má inclinação da natureza humana, que atrasa o trabalho de Espírito Santo em nós.

“Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à Lei de Deus, nem pode ser.” Rom 8;7

O homem espiritual não carece de leis externas, vetos de religiões, pareceres de outros para se portar bem. A maturidade lhe capacita a fazer as melhores escolhas sem necessitar de acessórios; “O mantimento sólido é para os perfeitos, os quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem quanto o mal.” Heb 5;14

Esses “perfeitos” (amadurecidos, edificados) sabem ao quê, dizer não! bem como, em quê, ocupar-se; “... não andam segundo o conselho dos ímpios, não se detêm no caminho dos pecadores, nem se assentam na roda dos escarnecedores. Antes têm seu prazer na Lei do Senhor; na Sua Lei meditam dia e noite.” Sal 1;1 e 2

O “conselho dos ímpios” nem sempre é uma coisa de fácil identificação; não raro, nos assedia como um upgrade espiritual, um chamado para águas mais profundas, embora, a rigor seja apenas uma perversão doutrinária.

Quando Paulo prescreveu a necessidade de edificação dos salvos, “Ele mesmo deu uns para apóstolos, outros para profetas, para evangelistas, pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo;” Ef 4;11 e 12

Apresentou como efeito colateral a constância doutrinária, a firmeza contra o assédio de gente fraudulenta; “Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em redor por todo vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente. Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo Naquele que É A Cabeça, Cristo” vs 14 e 15

Enfim, embora devamos ser tolerantes com os que estão em estágio inicial, entendendo suas fraquezas e ajudando suprir seus lapsos, convém também, encorajar à busca de aprendizado, amadurecimento espiritual, para que todos alcancem a “autonomia” possível, na vereda santa, cujo chamado, é para ser servos.

Essa “independência” prescindirá de sermos guiado por homens, onde, a direção pertence ao Espírito de Deus. “... Porei Minhas Leis no seu entendimento, em seu coração as escreverei; Eu lhes serei por Deus, eles Me serão por povo; não ensinará cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece O Senhor; Porque todos Me conhecerão, Desde o menor até ao maior.” Heb 8;10 e 11