sexta-feira, 22 de março de 2024

Os "bons" e os salvos


“Jesus lhe disse: Por que Me chamas bom? Ninguém há bom senão um, que é Deus.” Mc 10:18

O Salvador não estava dizendo que não era bom; antes, demandando pelos motivos desse adjetivo. Se, apenas Deus é bom, acaso reconheces quem Sou? Não expressou essas palavras, mas estavam implícitas na pergunta.

Deparei com: “Se você precisa de uma religião para ser bom, você não é bom; é apenas um cão amestrado.” Essa “pérola” estava coberta de glórias nos comentários.

Dizer que os seres humanos não são basicamente bons, ofende aos brios de muita gente má. Talvez essa seja a principal razão pela qual, A Palavra de Deus é tão odiada. Ela chama aos maus pelo devido nome.

Tendo deixado a Justiça Divina pela insubmissão, caído da bendita comunhão com O Criador, restou ao caído sem noção, a pretensão de justiça própria. Como essa depende de “padrões” encontráveis em si mesmo, o sujeito pode ser um crápula, um patife e ainda assim, sentir-se “do bem”, vendendo saúde espiritual. Não significa que é. Apenas, que a submissão ao mal tolheu também a noção desse míope espiritual. “... o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos...” II Cor 4:4

A falta de absolutos, como seria um mundo alienado de Deus, criaria uma pluralidade inumerável de “deuses”, cada um legislando, valorando às coisas a partir da própria falta de noção. “vós mesmos sabereis o bem e o mal.” Prometera o tentador.

“Há uma geração que é pura aos seus próprios olhos, mas nunca foi lavada da sua imundícia.” Prov 30:12 Porcos na lama invocando sobre si o rótulo de puros. Em Porcópolis, talvez; não, onde deveriam habitar os filhos de Deus.

Isaías foi usado para mensurar o valor da “justiça” dos pecadores; “Todos nós somos como o imundo, todas nossas justiças como trapo da imundícia; todos nós murchamos como a folha, nossas iniquidades como um vento nos arrebatam.” Is 64:6

Mesmo ele, grande profeta se incluiu entre os impuros. Por ocasião da sua chamada dissera: “... Ai de mim! Pois estou perdido; porque sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios; os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos.” Is 6:5

A Palavra diz: “Deus olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento e buscasse a Deus. Desviaram-se todos, juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, sequer um.” Sal 53:2 e 3

Deus não adestra cães; antes, transforma lobos em ovelhas. Sabedor dos “predicados” da carne, na qual os lobos atuam, sentencia: “A inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem pode ser.” Rom 8:7

Então, apresenta Sua solução, nascer de novo, de origem espiritual na conversão; “... aquele que não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus... aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no Reino de Deus.” João 3:3 e 5

O novo nascimento vivifica a consciência, antes, cauterizada, morta. O sem noção que desejava, pensava e fazia tantas coisas más, “sem culpa” após a conversão tem as “escamas” removidas dos seus olhos, e finalmente consegue ver o quão mau é, quanto necessita do Salvador.

Embora pareça irônico, contraditório, os que vão sendo tornados bons, pela imersão nos Méritos de Cristo, se percebem maus; os maus que ainda acrescentam às maldades corriqueiras a da presunção, se sentem bons e postam ou aplaudem estultices como a que estou apreciando.

“Os melhores homens que conheci - disse Spurgeon – estavam inquietos, descontentes consigo mesmos, desejando aperfeiçoamento, buscando alguma forma de ainda ser melhores.” A noção real das coisas restabelecida, faz algo assim em nossas almas.

“Bondade se aprende.” Ensinava Demócrito. A Maldade também; faz ver, A Palavra de Deus. “Porventura pode o etíope mudar sua pele, ou o leopardo suas manchas? Então podereis fazer o bem, sendo ensinados a fazer o mal.” Jr 13:23

Qual o problema, pois, de ser alguém adestrado para as coisas virtuosas, na senda do dever? “Educa a criança no caminho em que deve andar; até quando envelhecer não se desviará dele.” Prov 22:6

Enfim, quem vocifera arrotando bondade aos quatro ventos, além da ruindade ordinária, deixa patente também, o lapso da visão obtusa onde deveria habitar o discernimento; dom que só exercitados em Deus podemos desenvolver. “O mantimento sólido é para os perfeitos, os quais, em razão do costume, têm sentidos exercitados para discernir tanto o bem quanto o mal.” Heb 5:14

Não são as religiões que transformam o homem. Todo mundo tem a sua, e a maldade campeia. Jesus Cristo, apenas Ele, regenera a Obra de Deus.

quinta-feira, 21 de março de 2024

O engano


“Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.” Ef 5:6

Essa característica do engano dá o que pensar. Quem se deixa enganar, de certa forma estende sua mão à desobediência. Ou seja: A pessoa sabe o que deve ser feito; mas, seduzido por algum arranjo alternativo, ou, eventual negação das consequências, capitula traindo a si mesmo. Opta pelo caminho fácil, onde deveria escolher o verdadeiro.

Não importa se as palavras que moveram ao tal, rumo à desobediência são vãs; se, der a elas um peso de verdade, o dano será inevitável. O que é vão no prisma da virtude, acaba eficaz na perspectiva do vício.

O inimigo precisa de um consórcio com a vontade humana, para lograr êxito, mesmo no seu labor favorito de cegar suas presas. “Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do Evangelho da glória de Cristo, que é a Imagem de Deus.” II Cor 4:4

O ímpio oferece a “cabeça-de-ponte” para desembarque do arsenal do canhoto, pela incredulidade; o que, de certa forma é um aspecto de desobediência; pois, a fé sempre nos desafia a andarmos conforme cremos, uma vez que, a mesma, sem obras seria morta.

A incredulidade traz anexa uma blasfêmia, por atribuir mentiras ao Santo: “Quem crê no Filho de Deus, em si mesmo tem o testemunho; quem a Deus não crê mentiroso O fez, porquanto não creu no testemunho que Deus de Seu Filho deu.” I Jo 5:10

O engano, não raro, se estabelece por um lapso de vontade, não de entendimento. Os que, ouvindo ao Salvador, preferiram se manter à distância, o fizeram conscientes; bem sabiam as implicações de se aproximarem do Senhor; “... os homens amaram mais as trevas que a luz, porque suas obras eram más. Porque todo aquele que faz o mal odeia a luz; não vem para a luz, para que suas obras não sejam reprovadas. Mas, quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus.” Jo 3:19 a 21

O engano é voluntário; a decisão de se manter longe da luz, para poder ficar “seguros” perto dos seus pecados. Basta a esses os rótulos piedosos, dado que estimam certa reputação, mas se afastam da piedade, pois, seu exercício demanda uma renúncia que não é para covardes.

Certamente, o pior tipo de perfídia é do que trai a si mesmo, cegado pela própria hipocrisia.

Assim, quando um produtor de enganos se aproxima de um pérfido assim, não o está violentando, desviando-o à força de um alvo que esse esteja buscando; antes, está suprindo um “nicho de mercado”, oferecendo a esse amante das aparências, os rótulos piedosos que ele precisa, para camuflagem da sua apostasia.

Os de consciência cauterizada buscam pela aceitação mais que pela verdade, se tornam “seletivos” num sentido negativo; visam cercar-se de gente que jamais lhes colocará numa “saia justa” de confronto; antes, acalentará suas preferências, fazendo parecer que essas doenças são alinhadas à vontade Divina.

“Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme suas próprias concupiscências; desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas. Mas tu, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições...” II Tim 4:3 a 5

Se, a primeira advertência quanto aos cuidados necessários nos últimos dias, foi: “Vede que ninguém vos engane.” O melhor antídoto, é a obediência irrestrita do que, sabemos ser a vontade de Deus. 

O primeiro agente de engano coabita com cada um de nós, a vontade natural, a carne; “Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem pode ser.” Rom 8:7

Sempre que a verdade for resistida, algum tipo de engano, de injustiça estarão concorrendo para essa resistência. Enquanto a obediência enseja comunhão, a impiedade, não importa quão rebuscada seja sua camuflagem, resulta em Ira Divina, contra os inimigos da doutrina. “Do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça. Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lhes manifestou.” Rom 1:18 e 19

Quando A Palavra assevera que não será possível o inimigo enganar aos “escolhidos”, não significa que haja uma elite espiritual, que Deus guindou acima das tentações. Antes, que Ele escolheu aos que escolheram obedecer; a esses, o inimigo não consegue enganar, pois, O Espírito Santo guarda-os. “Quem guardar o mandamento não experimentará nenhum mal; o coração do sábio discernirá o tempo e o juízo.” Ecl 8:5

A redenção


“Eis que nós subimos a Jerusalém, o Filho do homem será entregue aos príncipes dos sacerdotes, e aos escribas; O condenarão à morte e O entregarão aos gentios.” Mc 10:33

Textos como esse refutam a ideia de que Cristo tenha sido mero mártir; alguém que defendeu um ideal às últimas consequências e foi surpreendido por uma rejeição violenta, que O entregou à morte.

Sempre soube o que lhe aconteceria, e resoluto foi ao encontro. A Obra que tinha a fazer O movia, a despeito das dores envolvidas nela. Chegou a dizer, eventualmente, que tinha pressa que aquilo acontecesse; desejou que seu “batismo de sangue” se cumprisse de uma vez. “Importa, porém, que seja batizado com um certo batismo; como Me angustio até que venha a cumprir-se!” Luc 12:50

Embora, a multidão tenha sido manipulada para pedir Sua Crucificação, O Senhor bem sabia quem estava por trás; “os príncipes dos sacerdotes e os escribas.” Em geral, quem se furta ao peso do próprio dever, usa a energia “economizada” para ser zeloso contra “deveres” alheios.

Na igreja acontece assim; os menos em paz com as próprias consciências, tentam abafar o barulho interno, fazendo barulho contra outros, que não lhes cumpre gerir, como disse Paulo: “Quem és tu, que julgas servo alheio? Para seu próprio Senhor ele está em pé ou cai...” Rom 14:4

Invés de apenas ensinar Apalavra de Deus, que coloca todos sob o mesmo jugo, anexam doutrinas humanas, para posarem de melhores que outros que as não têm; “Eles têm zelo por vós, - disse Paulo dos legalistas da época - não como convém; mas querem excluir-vos, para que vós tenhais zelo por eles.” Gál 4:17

A função do casulo é gerar a borboleta; no devido tempo, deve ser rompido, abandonado. Cristo era o fim da Lei; eles deveriam saber. “De maneira que a Lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados.” Gál 3:24

Não significa que Ele fosse um fora-da-lei. Antes, que Ele a cumpriu e deixou novas diretrizes; “...fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que Eu vos tenho mandado...” Mat 28:19 e 20

Mas, e Moisés? “Ele é tido por digno de tanto maior glória que Moisés, quanto, maior honra que a casa tem aquele que a edificou.” Heb 3:3 Quem dera a Lei a Moisés fora Ele; só Ele poderia mudar o que fizera.

Os sacerdotes tinham a função de ser uma ponte entre Deus e os homens; mediadores a restabelecer o relacionamento com Ele, quando, rompido. Além disso deveriam ser mestres da doutrina de Deus; “Porque os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, da sua boca devem os homens buscar a Lei porque ele é o mensageiro do Senhor dos Exércitos.” Ml 2:7

Aos escribas cabia a missão de serem copistas fidedignos das Leis Divinas, transmitindo-as de modo idôneo, sem acréscimos nem supressões. Não raro, esses “saiam da casinha” por escritos alternativos, para prejuízo próprio e de quem os seguia; “... em vão tem trabalhado a falsa pena dos escribas. Os sábios são envergonhados, espantados e presos; eis que rejeitaram a Palavra do Senhor; que sabedoria têm eles?” Jr 8:8 e 9

Cristo trouxe por Seu próprio Sangue e méritos, um novo sacerdócio superando o antigo; “Porque nos convinha tal Sumo Sacerdote, Santo, Inocente, Imaculado, separado dos pecadores, e feito mais sublime que os céus; que não necessitasse, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios, primeiramente por seus próprios pecados, depois pelos do povo; porque isto fez ele, uma vez, oferecendo a si mesmo.” Heb 7:26,27

Fez alterações que julgou necessárias; “Porque, mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da Lei.” Heb 7:12

Embora todos os ministros idôneos sejam representantes do Eterno Sumo sacerdote, Ele É O Único, e suficiente; “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.” I Tim 2:5

Quanto aos novos escribas, também circunscreveu a atuação desses à Sua Palavra; “... se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro; se alguém tirar quaisquer palavras... Deus tirará sua parte do livro da vida, e da cidade santa...” Apoc 22:18 e 19

Cristo foi entregue aos gentios, os romanos, para execução. João interpretou: “Veio para o que era seu, os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome;” Jo 1:11 e 12

Nossa redenção, potencialmente, desde a cruz, está consumada; o que fará diferença será recebermos, ou não.

quarta-feira, 20 de março de 2024

Escolher o presente



“Que darei ao Senhor, por todos os benefícios que me tem feito?” Sal 116:12

Quando um de nossas relações está de aniversário, muitas vezes compramos algum regalo, uma lembrança que deixe patente nosso bem querer. O cuidado que nos ocorre nesses casos, é dar algo segundo o gosto desse. Coisa, nem sempre fácil.

Além de acertar nisso, concorre também o estado de espírito da pessoa, em face ao momento que está vivendo; o risco de ela já possuir o que tencionamos lhe dar, etc. Arreglar a coisa certa na hora certa é como que, uma arte.

O salmista cogitou “dar um presente a Deus”, como sinal de gratidão por tantos recebidos; então se viu diante do problema; “Que darei ao Senhor, por todos os benefícios que me tem feito?”

O mesmo Senhor arrola Suas “posses;” “Conheço todas as aves dos montes; Minhas são todas as feras do campo. Se Eu tivesse fome, não te diria; pois, Meu é o mundo e toda sua plenitude.” Sal 50:11 e 12

Como poderia alguém, dar ao Eterno, algo que Ele ainda não possua e deseje?

Embora pareça contraditório, há algo que Ele não tem e quer; como colocou nos lábios de quem recebeu de Sua Sabedoria, Salomão: “Dá-me, filho Meu, o teu coração; os teus olhos observem os Meus caminhos.” Prov 23:26 Ele deseja de nós, uma entrega sentimental, o coração, e um espírito de discípulo, de quem aprende observando o Divino agir; “... teus olhos observem Meus caminhos.”

Imagino que, quem entregou o coração ao Santo, e Dele aprendeu observando-o, certamente terá algum tipo de reação condizente; no mesmo texto onde O Poderoso se declara dono de tudo o que há, Ele pontua o que gostaria de receber dos Seus filhos: “Oferece a Deus sacrifício de louvor, e paga ao Altíssimo os teus votos. Invoca-me no dia da angústia; Eu te livrarei, e tu Me glorificarás.” Sal 50:14 e 15

Como o amor vero é via de mão dupla, antes de ser louvado como deseja, O Eterno promete livrar aos que recorrem a Ele, nas horas de angústias.

Assim como, num relacionamento humano, esse só será saudável se, ambas as partes estiverem afetivamente comprometidas, também O Eterno, só se mostra acessível a quem O Teme, vivendo de modo a honrá-lo, nas escolhas que faz.

Isso de, nas horas cruciais, agir ao bel prazer, e eventualmente citar, recitar, ou escrever algum texto bíblico, para encenar um compromisso com O Eterno, quando a consciência deixar evidente o próprio egoísmo, não cola. “Não há criatura alguma encoberta diante Dele; antes, todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos Daquele com Quem temos de tratar.” Heb 4:13

Ele mesmo adverte contra essa hipocrisia, com uma pergunta retórica: “Mas ao ímpio diz Deus: Que fazes tu em recitar Meus estatutos; tomar Minha Aliança na tua boca?” Sal 50:16

Vulgarmente se diz que, “o papel aceita tudo”; pois, a boca também pode versar sobre tudo, não tendo veraz compromisso com o que diz. O Criador pode ver nossos corações e nem precisa, uma vez que nossas obras os mostram.

Daquele vetado de tomar a Divina Aliança nos lábios foi dito: “... odeias a correção, lanças Minhas Palavras para detrás de ti. Quando vês o ladrão, consentes com ele; tens a tua parte com adúlteros. Soltas a tua boca para o mal, a tua língua compõe o engano. Assentas-te a falar contra teu irmão; falas mal contra o filho de tua mãe. Estas coisas tens feito, e Me calei; pensavas que era tal como tu, mas Eu te arguirei e as porei por ordem diante dos teus olhos.” Sal 50:17 a 21

O salmista que fez a pergunta inicial decidiu pelo presente que lhe pareceu conveniente; “Tomarei o cálice da salvação, e invocarei o Nome do Senhor. Pagarei meus votos ao Senhor, agora, na presença de todo Seu povo.” Sal 116:13 e 14

Os mercenários que apregoam uma relação comercial “com Deus”, exaltam a beleza de dar, e entram na fila para receber.

Os que, confrontados pela Palavra do Santo, se quebrantam arrependidos, certamente fazem melhor que os que pretendem negociar com O Eterno; “Pois, não desejas sacrifícios, senão eu os daria; tu não te deleitas em holocaustos. Sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus.” Sal 51:16 e 17

Enfim, se alguém almejar um encontro com Deus, e estiver em dúvida sobre um presente, ou as vestes adequadas, uma sugestão: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom; que é o que o Senhor pede de ti, senão que, pratiques a justiça, ames a benignidade e andes humildemente com o teu Deus?” Miq 6:8

terça-feira, 19 de março de 2024

Quem julga


“Zelamos do que é honesto, não só diante do Senhor, mas também dos homens.” II Cor 8:21

O homem é refém das aparências; Deus sonda os corações; nem sempre, o que soa probo, idôneo, aos nossos olhos, é assim diante do Eterno.
Seremos julgados por Ele, não pelos homens; isso tranquiliza aos de bom proceder, que, eventualmente não são vistos assim, nos ambientes vulgares.

O lapso de alcance da visão humana não deve ser usado como “escape” pelos que dão mau testemunho, fazem escolhas opostas aos Divinos preceitos. “Quem me julga é O Senhor”, dizem; como se isso fosse uma atenuante, quando, é agravante contra os de mau proceder. Agem como se, Cristo os guindasse a uma dimensão sobre-humana; “julgasse”, tendo toda “jurisprudência” derivada do amor, trazendo anexa a aceitação incondicional dos pecadores.

Quem me julga é O Senhor, mas a partir de meu desempenho entre meus semelhantes, e minha relação, obediente ou não, com Sua Palavra, o “código civil” celeste. “Se alguém ouvir Minhas Palavras e não crer, não o julgo; porque vim, não para julgar o mundo, mas para salvar. Quem Me rejeitar e não receber Minhas Palavras, já tem quem o julgue; A Palavra que tenho pregado, essa o há de julgar no último dia.” Jo 12:47 e 48

Ele veio para salvar; nos deu Sua Palavra para isso; porém, no devido tempo, a mesma Palavra, deixará seu labor salvífico e terá função jurídica.

O “não vos façais servos dos homens” deve ser contextualizado; pois, o fato de pertencermos a Cristo não nos tira dos ambientes humanos; nossa “cidadania celeste”, se a possuímos, deve ser visível aqui, no proceder digno de quem invoca O Santo Nome do Senhor. “O fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que são Seus; qualquer que profere o Nome de Cristo aparte-se da iniquidade.” II Tim 2:19

“Ninguém é obrigado a se declarar um cristão, - dizia Spurgeon - mas, se o fizer, diga e se garanta.”

Nossa capacitação para ser sal da terra e luz do mundo vem de Cristo; “A todos quantos O receberam, deu-lhes poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no Seu Nome;” Jo 1:12

Os reflexos de Cristo em nós, devem ser visíveis às pessoas que nos observam. “Assim resplandeça vossa luz diante dos homens, para que vejam vossas boas obras e glorifiquem ao vosso Pai, que está nos Céus.” Mat 5:16

Há muitos que se negam a ver as coisas como são; outros, caluniam movidos por inveja; nesses casos, quem nos julga é O Senhor e isso nos basta. Todavia, devemos, como Paulo, zelar pelo que é honesto, tanto diante de Deus, quanto, dos homens.

As ações daqui refletem nos Céus; como efeito de salvação: “Assim vos digo que há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende.” Luc 15:10

Como testemunho registrado nas escolhas de valores que fazemos; “Então aqueles que temeram ao Senhor falaram frequentemente um ao outro; o Senhor atentou e ouviu; um memorial foi escrito diante Dele, para os que temeram o Senhor, e para os que se lembraram do Seu Nome.” Mal 3:16

Ainda, a atuação dos fiéis na terra, serve como didática nos Céus; “Para que agora, pela igreja, a multiforme Sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos Céus.” Ef 3:10

Para efeito de condenação ou absolvição, que julga a todos é O Senhor; no entanto, no prisma dos valores, aprovação ou reprovação de certas atitudes, discernimento, a todo instante devemos julgar, e podemos ser julgados. Como poderia alguém exortar a outrem que se emende, sem saber em quê, consiste a emenda à qual, chamaria? “Não sabeis julgar as coisas mínimas?” I Cor 6;2 Perguntou Paulo.

Se muitos olham com olhos maus, aos que procedem de modo idôneo, salta aos olhos de quem se atreve a ver, a transformação que Cristo opera, nos que O recebem e seguem; “Tirou-me dum lago horrível, dum charco de lodo, pôs meus pés sobre uma rocha, firmou meus passos. Pôs um novo cântico na minha boca, um hino ao nosso Deus; muitos verão, temerão e confiarão no Senhor.” Sal 40:2 e 3

Eventualmente ouvimos: “Fulano faz isso, aquilo e aquilo outro; mas, no fundo, é boa pessoa”. Que raio de lugar tão fundo é esse que, guarda para sai as virtudes, enquanto deixa toda sorte de vícios vir à tona? Ora, o que está no fundo são as “raízes;” o que vem à luz são os “frutos”. “Até a criança se dará a conhecer pelas suas ações...” Prov 20:11

Quem, “no fundo” alberga à Palavra de Deus, nos meandros da vida, agirá necessariamente, como servo dele.

segunda-feira, 18 de março de 2024

Os velhos


“Diante das cãs te levantarás, honrarás a face do ancião; e temerás o teu Deus. Eu sou O Senhor.” Lev 19:32

“Coroa de honra são as cãs, quando estão no caminho da justiça.” Prov 16:31

Uma distinção genérica sobre o respeito que os de mais idade devem receber, dos mais novos. Independente dos predicados deles, pelas suas escolhas na vida, o simples fato de terem andado mais que outros, na estrada da existência, é já um motivo pelo qual se deve respeitá-los.

Todavia, antes que se conclua que cabelos brancos sejam, necessariamente, sinônimo de virtude, temos um segundo verso que qualifica qual brancura o céu aprova. “Os que andam no caminho da justiça.”

Há muitos velhos patifes, que o curso de tempo não conseguiu lhes ensinar nada que valha; erram cometendo os mesmos vícios dos adolescentes, que ainda não tiveram “privilégio” de colher o resultado das escolhas estúpidas.

Ruy Barbosa dizia: “Não te impressiones com os cabelos brancos; os canalhas também envelhecem."

Nos dias de Jó, quando três amigos dele, acreditando-se conselheiros compadecidos, acrescentavam dores à dor dele, pelas errôneas e injustas acusações que faziam; cansaram à paciência do infeliz. Um quarto, o mais jovem de todos, disse que, tinha respeitado à hierarquia dos dias, permitindo que os mais velhos falassem; todavia, vendo a inutilidade das falas daqueles acreditou que precisava dizer algo também.

“... Eu sou de menos idade, vós sois idosos; receei-me e temi de vos declarar minha opinião. Dizia eu: Falem os dias, a multidão dos anos ensine sabedoria.” Jó 32:6 e 7 “Eis que aguardei vossas palavras, dei ouvidos às vossas considerações, até que buscásseis razões.” V 11 “Porque estou cheio de palavras; meu espírito me constrange... Falarei, para que ache alívio...”vs 18 e 20

Bons tempos aqueles em que, os mais jovens silenciavam, tanto quanto podiam, em favor dos mais velhos!

Atualmente, qualquer abostado de cabelos multicores, logra a “proeza” de ter dezenas de milhões de “seguidores”, falando do que não sabe; difundindo valores inversos aos de Deus; para o aplauso das amebas que recrudescem suas “amebices”, consumindo certa substância que combina com os vermes; pois, no Saara intelectual que grassa, basta que tenha algo a dizer e seja o “ídolo” dos acéfalos, para ganhar muito dinheiro, “produzindo” essas coisas ao gosto de gente de paladar estragado; efeito colateral da indigência mental disseminada.

Em defesa dos LGBTs “Cristãos”, outro dia ouvi alguns “conselhos teológicos” do Filipe Neto. “Esquece do Levítico, - berrava – foca no que Jesus falou sobre isso.”

Como Cristo não abordou o tema da homossexualidade, pensava o ilustre formador de jegues, assunto encerrado. A prática está liberada; quem criticar deve ser barrado denunciado pelo seu “discurso de ódio.” Será?

Vamos seguir por um pouco o conselho do dito cujo; focar no que O Mestre falou. O que Ele falou sobre o Velho Testamento, os escritos que existiam nos Seus dias na Terra? Disse que os tais davam testemunho Dele; “Examinais as Escrituras, porque vós pensais ter nelas a vida eterna; e são elas que de Mim testificam;” 5:39

Ainda contou uma parábola, onde um “morto” sofrendo em tormentos que pediu que fosse mandado alguém à sua casa, para que seus parentes não sofressem como ele. Foi lhe dito que já tinham o que precisavam; A Lei e os Profetas. Quem rejeitasse seus escritos, também rejeitaria ao Salvador. “Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que algum dos mortos ressuscite.” Luc 16:31

Não divisões na Palavra de Deus; contradições doutrinárias.

Quem rejeita os sóbrios, sisudos e sábios conselhos dos de cabelos brancos, que aprenderam de Deus, fatalmente serão enganados por esses que mudam a cor dos cabelos como quem troca de roupas. Essa inconstância fútil é um testemunho de impiedade, falta de paz, sossego, marca registrada dos ímpios. Da mulher adúltera A Palavra diz: “Estava alvoroçada, irrequieta; não paravam em sua casa seus pés.” Prov 7:11

Dos ímpios em geral, diz mais: “Os ímpios são como o mar bravo, porque não se pode aquietar; suas águas lançam de si lama e lodo. Não há paz para os ímpios, diz o meu Deus.” 57:20 a 21

Quem valora artifícios como, superiores à essência, fatalmente se perderá nessa miscelânea artificial que se tornou esse mundo líquido.

Entretanto, os que aprenderam que a constante renovação dos meios não deve, em nada, alterar os fins, sob seus cabelos brancos ainda escondem torrentes de vida, que lhes permite produtividade apesar de, o apelo aparente não ser seu ponto alto. “Os que estão plantados na casa do Senhor florescerão nos átrios do nosso Deus. Na velhice ainda darão frutos; serão viçosos, vigorosos, para anunciar que O Senhor É Reto.” Sal 92:13 a 15

domingo, 17 de março de 2024

A beleza


“Dizes que a beleza não é nada? Imagina um hipopótamo com alma de anjo... Sim, ele poderá convencer alguém da sua angelitude – mas, que trabalheira!” Mário Quintana

A ideia de a beleza interior suprir lapsos da aparência tem sido explorada pela arte, em contos tipo, “A Bela e a Fera”, peças como “O Fantasma da ópera”, etc.

Toda espécie de arte é, a rigor, uma busca pelo belo em suas multiformes possibilidades; estética, moral, espiritual, psíquica, intelectual, sentimental...

Tanto pode ser motivo de disputa, inveja, como em “Branca de Neve e os Sete Anões”, quanto, pode ser incompreendida e mal apreciada, como foi em “O Patinho Feio”.

Malgrado, o caráter transitório, temporal, da formosura estética, é inegável que sua presença, ou ausência têm impacto no apreço dos semelhantes. Tenhamos os predicados que tivermos, ninguém gosta de “sair mal na foto.”

Qualquer coisa que tenda ao exagero, se, não por outra razão, pelo desequilíbrio, traz um componente feio a anular outro que lhe seja oposto. Como a vaidade excessiva que leva pessoas a fazer dezenas de cirurgias plásticas, só para ficarem parecidas com esse ou aquele, sem um propósito sadio; apenas, tendo suas velas enfunadas pelos ventos da futilidade.

A beleza interior se avantaja à aparente, pela relação de ambas com o tempo. Enquanto a estética é biodegradável, sofre a ação dos dias num sentido deletério, a interna tende a crescer, à medida que o curso da vida apura nosso “paladar” espiritual, intelectual, cultural...

De onde nasceu que, as aparências enganam, senão, da experiência de gente que, seduzida pela beleza visível, foi vitimado por alguma feiura subjacente?

A progressão da formosura interior não é regra; muitos envelhecem apenas, sem amadurecer, sem crescer, como denunciou Saint Exuperry: “Ninguém te sacudiu pelos ombros quando ainda era tempo. Agora, a argila de que és feito já secou e endureceu e nada mais poderá despertar em ti o místico adormecido ou o poeta ou o astrônomo que talvez te habitassem.”

Num filme como Shrek, por exemplo, quem se enternece com a sina das personagens, certamente o faz em vista da beleza interior em jogo. Não há esmero estético numa saga de ogros, nem num burrico “casando” com um dragão fêmea. O amor, e os meandros que precisa vencer para se realizar traz uma gala intrínseca, que prescinde do aprumo estético.

Então, voltando ao Quintana, os “hipopótamos” bem que podem evidenciar suas “angelitudes”.

No que tange a Deus, O Autor de todas as belezas verdadeiras, uma ocupa lugar de destaque, a Santidade, A separação de tudo o que é imperfeito, impuro, inacabado; “Tu És tão puro de olhos, que não podes ver o mal...” Hc 1;13 “A lei do Senhor é perfeita e refrigera a alma; o testemunho do Senhor é fiel e dá sabedoria aos símplices. Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração; o mandamento do Senhor é puro e ilumina os olhos. O temor do Senhor é limpo e permanece eternamente; os juízos do Senhor são verdadeiros e justos juntamente.” Sal 19:7 a 9

Plena de sentido a exortação: “Dai ao Senhor a glória devida ao Seu Nome, adorai o Senhor na beleza da santidade.” Sal 29:2

Por ser Espírito Deus não pode ser visto, ainda assim, podemos “vê-lo” nos Seus Traços que Suas obras revelam: “Porque Suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o Seu Eterno Poder, quanto Sua divindade, se entende, e claramente se vê pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis;” Rom 1:20

Ficam sem desculpas, pois, os que vendo a “Beleza de Deus” pelos Seus feitos, negam-se a glorificá-lo como merece. Quantas vezes, vendo documentários como “Globo Repórter, National Geographic” etc. diante de situações maravilhosas de simbiose entre seres vivos, peculiaridades de interação entre vidas e ambiente, etc. os repórteres concluem: “A natureza é sábia!”

Seu modo oblíquo de desonrarem a Deus, atribuindo a beleza das Suas Obras ao acaso. “Porquanto, tendo conhecido a Deus, não O glorificaram como Deus, nem Lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram e o seu coração insensato se obscureceu.” Rom 1:21

A feiura da desonestidade intelectual dos ímpios, assomando para prejuízo deles.

Se esses não fingissem ignorar a quais “contornos” Deus aprecia, seriam bem aventurados; “Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus.” Sal 51:17

Quem, ensinado por Ele, pouco a pouco vai “adquirindo paladar” para a beleza espiritual acima das outras, no decurso venturoso disso, vai desejando ser cada vez mais parecido com O Mais Belo de todos os seres, O Criador. “Quanto a mim, contemplarei Tua Face na justiça; e me satisfarei da Tua semelhança quando acordar.” Sal 17:15