terça-feira, 4 de novembro de 2014

Ocultação de cadáver



“E o mais moço deles disse ao pai: Pai dá-me a parte dos bens que me pertence. E ele repartiu por eles a fazenda. Poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo, partiu para uma terra longínqua, ali desperdiçou os seus bens, vivendo dissolutamente.” Luc 15; 12 e 13.   

Geralmente pensamos no pródigo como sinônimo de erros do começo ao fim, salvo, quando “caiu a ficha”, chegou ao arrependimento e humilhou-se. Certo, não dá para advogar o que fez, exceto, se, para amenizar sua pena.

Todavia, uma coisa tinha, se, lhe faltava juízo; noção do ridículo, autocrítica. Já que estava decidido a “soltar a franga”, esbaldar-se na esbórnia, “partiu para uma terra distante”. Tanto seria ridículo ficar cantando loas à família, ao amor do Pai, bêbado no meretrício; quanto, trazer a bebida e as ditas “damas” para escandalizar a família. Afinal, a casa do Pai era local de respeito, trabalho, disciplina. Desse modo,  o fez ausente da vista dos seus.   

“Queres saber se os conselhos da noite são bons, pratique-os durante o dia”; disse o poeta Zeferino Rossa. Noutras palavras: Queres entender se são boas tuas resoluções? Pratique-as ante os olhos dos teus. O simples precisar esconder, já é íntima admissão de culpa. 

Lembro o exemplo de Moisés. “E olhou a um e a outro lado, vendo que não havia ninguém ali, matou ao egípcio e escondeu-o na areia.” Ex 2; 12 Antes do assassinato certificou-se que não haveria testemunhas; depois, ocultou o cadáver. Todavia, o próprio hebreu que defendera acabou acusando-o. 

A rigor, é impossível praticarmos algo sem que ninguém veja. Além de Deus, claro. Todo homem é tripartido; corpo, alma e espírito. Alma, fonte dos desejos; corpo, meio de expressão; o espírito, o árbitro que autoriza ou, veta as escolhas. A isso chamamos consciência. 

Quando tomamos uma decisão que, de antemão sabemos que devemos praticar em oculto, nossa alma rebelde está dizendo ao espírito que, decidiu fazer e pronto, não tá nem aí para a opinião do espírito. 

Quando Paulo evoca a lisura de sua alma chama o espírito como testemunha. “Em Cristo digo a verdade, não minto (dando-me testemunho a minha consciência no Espírito Santo): Rom 9; 1 Põe o espírito humano como testemunha ante ao Espírito Santo. Desse modo, nunca estamos sós a ponto de nossos atos não serem vistos por duas testemunhas, pelo menos; e testemunho de dois é válido no Tribunal Eterno. 

Quantas vezes presenciei pessoas saindo ao encontro dos vícios bradando: “Não quero nem saber!” Mas, quem estava fazendo saber que sua escolha era má, se, não havia censura externa? Estava direcionando sua “diatribe” contra si mesmo, contra os avisos da consciência. 

Então, aquele que oculta para praticar o erro, posto que errado, ao menos tem noção do ridículo, sua consciência ainda fala. Pior que esse é outro que, de tanto arrostar a  consciência na obstinação pelo mal, cauterizou-a; ela não “apita” mais. “Conservando a fé, e a boa consciência, a qual alguns, rejeitando, fizeram naufrágio na fé.” I Tim 1; 19 Vemos, pois, que o barco da fé não afunda se, ouvirmos e seguirmos nossas consciências, senão, já era. 

Contudo, aquilatando erros de caráter temos ainda um “upgrade”. Digo, se o sem noção que perdeu o senso do ridículo é pior que outrem que se esconde para pecar, o disfarçado, o hipócrita é ainda pior. Esse sabe que seu agir é errado, conhece que o ambiente não comporta; traveste-se de justo usando falsidade. O que chamamos, lobo em pele de ovelha. 

Infelizmente, esse é o tipo mais nocivo, e comum. Daria um dedo pela aceitação humana, sem deixar de fingir a aprovação Divina. Peca na casa do Pai, com suas prostituições de alma, disfarçadas. Isaías denunciou: “Ainda que se mostre favor ao ímpio, nem por isso aprende justiça; até na terra da retidão pratica a iniqüidade, não atenta para a majestade do Senhor.” Is 26; 10 

Muitas vezes acontecem rupturas violentas em congregações; sofremos porque irmãos que eram “uma bênção” partiram para “uma terra distante”. Não raro, é Deus higienizando o rebanho, banindo ao hipócrita para seu devido lugar. 

O Salmo primeiro ensina: “...os ímpios... são como a moinha que o vento espalha. Por isso, os ímpios não subsistirão no juízo, nem, os pecadores na congregação dos justos.” Sal 1; 4 e 5 Nem toda divisão se encaixa nesse perfil, mas, quando é assim, por dolorosa que pareça, é salutar. 

Em suma, se nossas vontades enfermas forem mais fortes que a consciência, não enganemos na casa do Pai, para que à nossa dissolução não acrescentemos a hipocrisia, a profanação.

Quem sabe, como o pródigo, depois que estivermos comendo com os porcos, a consciência volte a ter nossa atenção.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Você gosta do seu nome?



“...Ao que vencer darei a comer do maná escondido, dar-lhe-ei uma pedra branca, na pedra, um novo nome escrito...” Apoc 2; 17

Essa promessa dum novo nome, ouso dizer que permeia o imaginário de muitos, cristãos ou não. Quem vem de berço mais abastado pode trocar de nome, quando não gosta, via meios judiciais. Mas, a maioria não. 

A princípio, como o nome nos acompanhará por toda a vida, deveria ser escolhido por nós; receberíamos um número provisório até a idade do entendimento, depois, escolheríamos como  seríamos chamados. Isso evitaria nomes de mau gosto; pelo menos, mau gosto alheio, não tolheria o nosso. 

Os judeus geralmente davam nome em atenção a algum detalhe do nascituro, ou, que encerrasse significado profético; como, Isaque, riso; Esaú, vermelho; Moisés, tirado da água; Samuel; Deus ouviu; Jeoshua, em grego, Jesus; Deus é salvação, etc.  

Hoje, na maioria dos casos o significado não é o mais importante, antes, arbitra o gosto pelo som, simplesmente. Aí temos muitos nomes de som agradável que não significam nada.

Alguns pretendem juntar pai e mãe no  filho. Então, o filho da Joana e do Vilson vira Joílson; corre-se o risco da filha de Salatiel e Sandra vire Salamandra.  Ainda, importamos nomes que trazem já, pai e filho aglutinados; tipo: Jeferson. Son e inglês é filho; daí, filho de Jefer, Jeferson;  filho de Eduard ( Ed ) Edson, etc. Todavia, facilmente encontraremos Jeferson júnior, Edson filho, etc, que trazem a palavra filho duplicada. 

Mas, pensando melhor, quem usa meu nome são eles, não eu; viram, sou “Eu”, ou, obliquamente, “mim”; desse modo, quem escolheu mal meu nome, que sofra agora.

Quando cansam da brincadeira criam apelidos, que, seja a síndrome do brinquedo novo, ou, a tardia autocrítica, é problema deles, eu sou eu. 

Contudo, a despeito deste, que herdamos, há dois nomes que escolhemos após nosso domínio da consciência. O funcional, e o moral. Digo, esses “nomes” são efeitos colaterais de nossas escolhas no âmbito profissional, e dos valores. 

Por exemplo: Se, o João decidiu ser professor, seu nome, naturalmente será Professor João. Assim, com todas as profissões.  No campo moral a coisa é mais complexa; nem sempre nos atrevemos a dar nomes aos bois; digo, chamar alguém pelo que é; salvo, em momentos extremos. Mas, quem usa a mentira como meio, para seus fins, é mentiroso; de igual modo o cínico, o adúltero, o falastrão, etc...  Em muitos casos, “profissão” e valores se fundem num nome só; tipo: Prostituta, ladrão, traficante...   

Embora, nome próprio, não se traduza, o significado, sim. Desse modo, os nomes passeiam pelos mais diversos idiomas oriundos de fonte comum. Como João, Juan, John, Jean, Giovanni, Ivan, Johann, todos derivados do hebraico Johannah, que significa: “Graça de Jeová.”  Com muitos nomes mais, se dá o mesmo.  

Há ainda os famosos que agregam um “terceiro” nome, os de renome.  A excelência no que fazem, seja bom ou mau, funciona como um apêndice ao próprio nome, mesmo sem ser nomeado. Por exemplo: Imaginemos que estejamos assistindo uns fedelhos jogando bola, e alguém, após um bela jogada diz; “Aquele franzino é um Neymar”.  O renome de Neymar foi usado como sinônimo de qualidade, excelência. 

Para Deus, nome é coisa muito séria; não atrela a ele predileção, antes, identidade. Tanto que, Seus dons comunicáveis aos Seus filhos o são, “em Nome de Jesus”. Isso significa: em submissão ao Seu Senhorio, e identificação com Seu caráter. Quem usa indignamente, apenas profana. 

Quando oro a Deus em Nome de Jesus, digo ao Pai: Ele, Jesus, me autorizou a falar com o Senhor. 

Todavia, muitos, católicos, sobretudo, oram em “Nome do Pai, Filho e Espírito Santo”. Estão falando com quem?  Sim, se evoco Esses Três, como fiadores do meu pleito, devo estar falando com uma quarta pessoa, quem?  

Jesus ensinou expressamente: “Pedi ao Pai em meu Nome”.  A “fórmula” supra aparece uma vez só no epílogo de Mateus, como ordenança para o Batismo. “... batizando-os em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.” Nesse caso, o ministro fala com o batizando, e a tripla menção é plena de sentido.  

Mas, muitos dirão, se, souberem de meu escrito que sempre fizeram assim, o padre faz, quem sou eu, blá  blá, blá... Isso também tem nome: Fanatismo.  A força da paixão disfarçando a fragilidade, ou, ausência de argumentos.  

Em suma, se o nome que carregamos por razões estéticas, ou, funcionais,  não é assim, relevante, o que envergamos derivado de nossos valores é vital. Será essa escolha, em última análise, que abrirá o “processo” para troca de nossos nomes, dando ocasião a Deus para escolhê-lo, desta vez.  Estou certo que, quem criou todas as belezas do Universo, fará a melhor escolha.

O Clássico do Universo



“A mim, o mínimo de todos os santos, foi dada esta graça, anunciar ... as riquezas incompreensíveis de Cristo, e demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério, que desde os séculos esteve oculto... para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus.” Ef 3; 8 a 10 

Quando Paulo diz que foi escolhido para demonstrar um mistério, esse, deixa de existir. Digo, o que está revelado não pode mais ser mistério. 

O texto expõe que o obstáculo era a compreensão limitada; o objeto; “as riquezas... de Cristo;” o alvo; “principados e potestades nos Céus”.  

Se restringirmos o labor da igreja a salvar almas, veremos apenas um lado da questão; sua marcha vitoriosa tem objetivos celestes também. Em suma: Mesmo os anjos dos Céus não conheciam devidamente as riquezas de Cristo; podem fazer isso agora, contemplando a marcha da igreja e Seu cuidado para com ela. 

Não há melhor professor que o exemplo; mais facilmente aprendemos imitando, contemplando, que refletindo. 

Como houve rebelião de anjos, a terça parte foi seduzida, certamente, muitas coisas indevidas foram atribuídas a Deus. Por ocasião da queda temos uma amostra do pano de como age o traidor mor; enganou o primeiro casal atribuindo ao Santo, mentira, e egoísmo. 

Não é verdade que morrereis, se, pecardes; Deus não quer que sejais como Ele. Coisas semelhantes devem ter sido espalhadas entre as miríades celestes. Um terço sucumbiu ao desejo de aventura e seguiu ao novo líder. Dois terços permaneceram fiéis; mas, as coisas que ouviram sobre o Eterno certamente ficaram palpitando em seus pensamentos.

Há duas formas de obedecer; uma, por medo das consequências, simplesmente, de eventual castigo; com esses predicados, até os maus, os sem caráter governam; outra, por amor, por reconhecer a dignidade, a majestade de quem detém o poder. 

Assim, entre os que seguiram obedientes, poderia haver resquícios de dúvidas sobre o amor e dignidade do Santo; estarem obedecendo por medo, apenas. Então, o calvário foi o teatro, a cruz, o “grand finale,” a consumação de um Enredo Eterno, cujo fito era demonstrar cabalmente, a justiça e amor, Divinos. 

Mesmo de servos humanos, Deus não deseja obediência por medo, antes, amor. “Quem achar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a sua vida, por amor de mim, achá-la-á.” Mat  10; 39 Quando adverte do inferno Seu motor ainda é amor; quer nos livrar de lá.  

Tal qual a seleção de um esporte qualquer vai representar seu país noutro, distante, e seu desempenho transmitido via satélite conta com a torcida de todo país, nossa atuação aqui é contemplada dos céus; quando alguém está jogando um “bolão” dando um “chocolate” seu torcedor não deixa de tocar uma “flauta” por lá. “E disse o Senhor a Satanás: Observaste tu a meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus, que se desvia do mal.” Jó 1; 8 

Sei que sirvo-me de um exemplo pobre, dado, o que está em jogo; um Reino Eterno, milhões de vidas. Minha ilustração visa ser didática não, engraçada. 

Aliás, a célebre galeria dos Heróis da fé de Hebreus, capítulo 11, depois de evocar seus exemplos como estímulo a nós  pinta um quadro, como se, estivéssemos num estádio defendendo as “cores” do Céu, eles na torcida atentos ao nosso desempenho. Leiamos: Portanto nós também, pois, que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta...” Heb 12; 1 

E o que está proposto é a renúncia de prazeres  pecaminosos, em busca dos eternos. “Olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus.” V 2 Para uma conquista assim, todo sacrifício é válido. 

Paulo ilustrou seu “Preparo físico”; “Todo aquele que luta de tudo se abstém; eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, uma incorruptível. Assim corro, não como a coisa incerta; combato, não como batendo no ar. Antes subjugo o meu corpo, o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado.” I Cor 9; 25 a 27 

O mesmo que fazia receitou ao  discípulo Timóteo. “...exercita-te  em piedade; porque o exercício corporal para pouco aproveita, mas,  piedade para tudo é proveitosa, tendo a promessa da vida presente e da que há de vir.” I Tim 4; 7 e 8 

Se, nossa luta aqui tem reflexos celestes, natural que os vencedores comemorem lá, com sua torcida.

domingo, 2 de novembro de 2014

Do abismo ao Everest



“Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.” Luc 15; 7 

Temos uma repercussão festiva no Céu, por uma decisão triste na Terra. Todo arrependimento é acompanhado de tristeza, embora, as consequências sejam alegres, depois; no céu são imediatas. 

Talvez seja lícito inferir que, o contrário também é verdadeiro. Digo, que quando um servo de Deus abandona a fé, há um júbilo no inferno.  Se, nosso individualismo é intocável no campo das decisões, cada um é senhor de suas escolhas, no prisma das consequências, o reflexo extrapola ao indivíduo. Toca Céus, Terra, Inferno. Somos figurantes num teatro universal. 

Embora a cultura moderna apregoe e incentive a conquista da independência, realização individual; a beleza aos olhos Divinos se dá por outro ângulo. O coletivo; interdependência, cooperação, interação, solidariedade. Olhamos admirados para o triunfo de grandes campeões; Deus contempla a beleza no cardume, no bando, enxame, rebanho...


Quando ouço pessoas afirmando tolices, tipo: “Se  bebo é problema meu”, ou, “Faço o que  quiser; ninguém paga minhas contas”, ou, ainda; “minhas escolhas dizem respeito única e exclusivamente a mim;” etc. fico pensando quão desinformados estão sobre as consequências dos atos. Não raro se ouve dos mesmos lábios, elogios aos bons exemplos, bem como, críticas ácidas aos maus; o quê, na prática, é a negação de sua “filosofia”.

Se, mesmo os Céus acusam consequências de nossas escolhas, que dizer dos que nos rodeiam? A Bíblia expressa claramente a interligação de Céus e Terra, tanto em coisas boas, quanto más, que fazemos. Quando o Eterno Fala, deseja ser ouvido lá e cá; “Ouvi, ó céus,  dá ouvidos, tu, ó terra; porque  fala o Senhor:..” Is 1; 2 Se o assunto for, nossas más escolhas, das quais não nos envergonhamos, os Céus se envergonham; “Espantai-vos disto, ó céus, horrorizai-vos! Ficai verdadeiramente desolados, diz o Senhor. Porque o meu povo fez duas maldades: a mim deixaram, o manancial de águas vivas; cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm águas.” Jr 2; 12 e 13 

Então, tanto quanto, o bom porte é uma pregação silenciosa que ilumina e pode atrair pessoas a Deus, a dissolução, o vício de toda ordem, apostasia, dissipam valores que O Eterno preza, e estimulam a queda de pessoas influenciáveis que a isso contemplam.

A inter-relação é tal, que, nos vestimos em função das pessoas, falamos, escrevemos, atuamos, buscando influenciar de alguma forma; mesmo que, inconscientemente. Cada melhoria que fazemos em nossa habitação, cada conquista material, emocional, precisamos dividir. 

Claro que, ao buscarmos o bem alheio necessariamente colheremos o nosso. “Mais bem aventurado é dar que receber”; ou, como diz um provérbio: “Quem acende uma luz é o primeiro a ser iluminado.” 

No fundo, somos peças, de um gigantesco quebra-cabeças, que só fazem sentido, encaixadas no devido lugar, mas, nos desprendemos dele via egoísmo; cada qual visa improvisar desenhos alternativos. Bem disse Pascal, que o homem tem dentro de si um vazio com o formato de Deus; enquanto esse vazio não for preenchido devidamente, seremos apenas, uma peça fora do lugar. 

Assim como a gente vibra se conseguir encaixar uma difícil, vemos no texto supra, aos anjos celebrando um passo semelhante por ocasião da conversão de um pecador.  

E uma peça fora do lugar, dada a inevitável interação, acaba tirando muitas outras; como disse Salomão: “Melhor é a sabedoria do que as armas de guerra, porém um só pecador destrói muitos bens.” Ecl 9; 18 

Quantas vezes, a peça está encaixada, mas, acossada por devaneios insanos cogita achar para si um lugar melhor? O Caso clássico do Filho Pródigo que, tendo tudo, na casa do Pai, avaliou mal a realidade e superdimensionou seus enganos. 

Estando nossa vida escondida em Deus, o devido lugar, somos como alpinistas no cume do Everest; não podemos mais cambiar de nível, exceto, para baixo. 

Às vezes vejo sexagenários, ou, mais idosos até, ansiosos na fila das lotéricas quando a Mega está acumulada. Que fariam os tais, se acertassem? Pois, lhes restam poucos dias de vida que poderiam viver em paz com o quê já possuem. 

Quem sai em busca do não precisa, carece urgente aprender a avaliar o que tem; ou, o quê, deveras falta. Esses, diverso dos alpinistas, estão no fundo do abismo da ignorância; aí, só podem mudar para cima. Quando as cordas da salvação são lançadas, e os anjos conseguem içar a um, com razão festejam, como os chilenos quando tiravam os mineiros soterrados na mina. 

Somos ímpares, mas partes do todo; só os tolos ignoram isso. Busca satisfazer seu próprio desejo aquele que se isola; ele se insurge contra toda sabedoria.” Prov 18; 1