quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Vinagre espiritual


“... esquecendo-me das coisas que atrás ficam, avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo...” Fp 3;13 e 14

Como lidamos com dores idas, é muito importante; disso dependem coisas que estão pela frente. Cícero disse: “Os homens são como o vinho; a uns, o tempo apura; outros, viram vinagre.”

O tempo não passa sozinho; traz incidências, algumas venturosas, outras, decepcionantes; nosso trato com essas é determinante para o devir.

A Palavra compara certas decepções a raízes, cujo viço faria danos até, a terceiros. “Tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, e nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem.” Heb 12;15 Uma raiz assim, alimenta uma árvore.

Frustrações são o que são. Não pintamos corujas com cores de papagaios. De como lidamos com elas, depende, sermos espiritualmente vigorosos, ou, raquíticos.

Cultivar o amargor onde se pode esquecer e seguir em frente, acaba tolhendo um espaço que poderíamos preencher com coisas melhores; “Disto me recordarei na minha mente; por isso tenho esperança. As misericórdias do Senhor...” Lm 3;21 e 22 Lembrar coisas que dão esperança, pode ser a base da saúde psíquica.

Dois tipos de reações danosas às decepções estão em voga. Os desigrejados e os desevangelizadores.

Os primeiros decidem “servir a Deus” às suas maneiras, sem congregar em lugar nenhum. Saem apregoando que os templos são eles, que não precisam de pastores, basta fazer o bem... etc. Quem, deveras, é justificado por Cristo não precisa se justificar. Quem não, mesmo tentando não conseguirá. A propaganda desses é sua confissão.

Outros, mais ousados saem e fundam seus próprios ministérios, cujas mensagens se tornam enfadonhos ataques às coisas que passaram a depreciar. “Saia da religião, do sistema, dos templos...” etc. sua “Boa Nova.”

Todos passamos por decepções; com um mínimo de honestidade haveremos de concluir que também decepcionamos aos outros. Logo, exigir uma perfeição que não demonstramos é uma postura hipócrita.

Não são instituições que decepcionam. São pessoas. Instituições bem organizadas, apenas ensejam que as coisas funcionem melhor. Os que saem fazendo terra arrasada, patenteiam sua covardia, onde deveriam agir como valorosos.

Alguns se queixam “urbe et orbe”, que saíram das igrejas porque lá não existe amor. Ora, fomos chamados para amar, não, para sermos amados. “Ama teu próximo como a ti mesmo.” Se, alguém amoroso discerne que em determinado ambiente falta o que ele possui, certamente encontrou seu lugar; afinal lá carecem do que ele tem para dar; então, mãos à obra! Leve seu amor e o viva, de tal modo, que contagie aos demais.

Esses ministérios da negação, saia disso, daquilo, rejeite aqueloutro, são testemunhos tonitruantes, de gente que, lidou mal com as decepções por excesso de amor próprio. Hoje regam amarguras como suas plantas diletas.

Imagino José no Egito, tendo sido traído e vendido pelos seus irmãos, se agisse nesse espírito. Quer decepções mais incisivas que aquelas?

Na primeira oportunidade em liberdade, deveria ter criado o ministério dos antifraternos da última hora. “Cuidado com seus irmãos, eles são perigosos; saia da sua família!” seria sua mensagem principal. Quando, governador, fecharia as fronteiras para que peregrinos esfomeados não fossem a ele comprar alimento. Temendo os “perigos” previstos nos seus ensinos.

Não. Invés de acariciar mágoas pretéritas viu naquilo a Divina providência; e perdoou seus irmãos. “... Não temais; porventura estou em lugar de Deus? Vós bem intentastes mal contra mim; porém Deus o intentou para bem, para fazer como se vê neste dia, para conservar muita gente com vida.” Gn 50;19 e 20

Se alguém tinha um passado doloroso, esse era Paulo: “... em prisões... em perigo de morte, muitas vezes. Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites menos um. Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo; Em viagens muitas vezes, em perigos de rios, de salteadores, dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, no deserto, no mar, em perigos entre os falsos irmãos;” I Cor 11;23 a 26 etc.

Não seriam essas dores bastantes, para fazer dele um desigrejado e um antissistema? Pelas situações em voga, sobrariam cavalos. Todavia, disse: “... esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo”.

Quem só se mostra útil em circunstâncias favoráveis, é um consumidor, não um adorador; é um inútil. Quem confia no Senhor, “Será como a árvore plantada junto às águas, que estende suas raízes para o ribeiro, não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; no ano de sequidão não se afadiga, nem deixa de dar fruto.” Jr 17;8

O Verbo, sujeito


“... o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir; para dar Sua vida em resgate de muitos. Mat 20;28

Deparei com o seguinte: “Se Jesus era Deus, por que precisava orar?” Uma boa pergunta. Nesse lastro, outras poderiam ser feitas. Sendo Deus, porque precisava receber poder? “... tenho poder... recebi de Meu Pai.” Jo 10;18

Sendo Onisciente, careceria aprender? Dele está dito: “Ainda que era Filho, aprendeu obediência, por aquilo que padeceu.” Heb 5;8 Enfim, o rol de “contradições” é amplo.

Seu esvaziamento, assumindo temporariamente a condição humana, é mal compreendido por muitos. Para Testemunhas de Jeová, Jesus era mero homem; para Adventistas, o Arcanjo Miguel.

Vejamos A Palavra: “No princípio era O Verbo, O Verbo estava com Deus, e O Verbo era Deus... O Verbo se fez carne, e habitou entre nós...” Jo 1;1 e 14

Por estar com, e Ser Deus, já evidencia que a Unidade Divina é composta. Além Dele e do Pai, temos O Espírito Santo. “Porque Três testificam no Céu: O Pai, A Palavra (Cristo), e O Espírito Santo; Estes Três São Um.” I Jo 5;7

Como podem Três ser Um? Da mesma forma que homem e mulher, pelo casamento, se tornam um. Unidade composta. Aliás, a unidade espiritual pode conter inumeráveis; O Senhor orou pela Igreja: “Para que todos sejam um, como Tu, ó Pai, o És em Mim, e Eu em Ti...” Jo 17;21
Embora a Palavra Trindade não esteja na Bíblia, o ensino está; isso basta para mentes honestas.

Após punir aos culpados pela queda, O Eterno anunciou de onde viria o Redentor; “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre tua semente e sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.” Gn 3;15

As “remissões” mediante sangue de animais no Antigo Testamento eram meros símbolos de uma superior que viria; “Porque nos convinha tal Sumo Sacerdote, Santo, Inocente, Imaculado, separado dos pecadores, e feito mais Sublime que os Céus;” Heb 7;26

Dado O Divino propósito, e nossa impagável dívida foi necessário que O Santo viesse se fazer como um de nós. “O verbo se fez carne e habitou entre nós...”

Se fosse um anjo, A Palavra diria; mas, distinguindo-o diz: “Porque, na verdade, ele não tomou os anjos, mas tomou a descendência de Abraão. Pois, convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos...” Heb 2;16 e 17

Embora Miguel seja um grande príncipe, ainda é uma criatura. Malgrado, homens sejam menores que anjos, foi a eles que o mundo fora entregue, nos dias de Adão; após a redenção seria de novo ao “Filho do Homem”. “Porque não foi aos anjos que sujeitou o mundo futuro, de que falamos.” Heb 2;5

Assim, sendo Deus, essencialmente, atuou como homem, funcionalmente, como ensina Paulo: “Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens;” Fp 2;6 e 7

Se Ele atuasse como Deus, nas coisas em que deveria representar ao homem para redimi-lo, isso seria uma usurpação. Por isso, submeteu-se à vontade do Pai, às últimas consequências. “Se possível, afasta de Mim esse cálice...” seu medo humano ao pavor da cruz; “... todavia, não seja como Eu quero; mas como Tu queres.” Sua submissão incondicional.

A Palavra ensina que Ele aprendeu obediência pelo que padeceu. Por quê? Acaso era desobediente? “Eu e O Pai Somo Um.” Disse. Dada essa condição não precisava obedecer. Pai Filho e Espírito Santo, pela Igual Divindade, e Iguais Atributos, querem, sabem, e podem as mesmas coisas. Tal sincronia, torna desnecessária a obediência. Porém, padecer algo tão doloroso na humana condição inclinada a evadir-se da dor, forçou-o a aprender isso.

Como a “vitória” do canhoto se dera por ter dobrado um homem, pereceu bem à Justiça Divina que outro, nessa condição, o vencesse, tirando do inimigo, eventuais argumentos de injustiça. A redenção se deu na esfera humana. “Deu-lhe poder de exercer o juízo, porque é o Filho do Homem.” Jo 5;27

Assim, Jesus Cristo em Sua Essência, estava com Deus e Era Deus; em Seu esvaziamento temporário, portou-se como homem, orando, sentindo cansaço, sede, fome... aprendendo a obedecer.

A razão é clara: “Visto como os filhos participam da carne e do sangue, também Ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo;” Heb 2;14

Enfim, para quem tem dúvidas honestas o exposto esclarece; para quem apenas tergiversa mascarando sua má inclinação, nem todas as explicações convencerão; como disse Spurgeon: “Basta um homem para levar um cavalo até às águas; cem homens não são suficientes para forçá-lo a beber.”

terça-feira, 5 de agosto de 2025

Resgatado da lama


“Foram ter com Jesus, e viram o endemoninhado que tivera a legião, assentado, vestido, em perfeito juízo e temeram.” Mc 5;15

Um que fora possesso por uma legião de demônios e acabara liberto, tendo um encontro com Jesus.

“Foram ter com Jesus e viram o endemoninhado...” A primeira nuance é que, quem é liberto por Jesus, e aprecia essa libertação, dali em diante sempre será visto com Ele; nos ambientes onde Ele é anunciado, aprendendo da Sua doutrina, no desejo agradecido de honrar seu libertador; e no cuidado zeloso pela liberdade recebida.

Igrejas, pessoas podem decepcionar; O Salvador, jamais. Quem se rende a Ele, supera decepções inevitáveis sem abandoná-lo.

Infelizmente são poucos que sabem apreciar deveras, a Obra do Salvador. Certa vez curou dez leprosos; apenas um voltou ao Senhor agradecido. Luc 17;17

Quem busca-o por coisas, não por Ele, tende a se afastar, assim que forem obtidas as coisas desejadas.

“... que tivera a legião...”
outro aspecto nos libertos por Cristo é que, a relação com o inimigo é um mal pretérito. Jesus é um divisor de águas; entre os dias do “charco imundo de lodo”, e os novos sobre a Rocha. Embora a santificação seja um processo lento, a ruptura com os valores inversos de antes, é imediata.
“Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas passaram; eis que tudo se fez novo.” II Cor 5;17

“... assentado...”
Outro aspecto de quem recebe ao Senhor é paz de espírito, que lhe permite descansar. Da sina ímpia está dito: “Mas os ímpios são como o mar bravo, porque não se pode aquietar; suas águas lançam de si lama e lodo. Não há paz para os ímpios, diz o meu Deus.” Is 57;20 e 21

Quando o infeliz estivera sob o jugo da maligno, ignorava o que significa paz; a possibilidade de se assentar, apreciar a calmaria, digerir um ensino, descansar; antes, “Tendo sido muitas vezes preso com grilhões e cadeias, as cadeias foram por ele feitas em pedaços, os grilhões em migalhas, ninguém o podia amansar. Andava sempre, dia e noite, clamando pelos montes, pelos sepulcros e ferindo-se com pedras.” Mc 5;4 e 5

Era violento aos outros e ainda fazia mal a si próprio, ferindo-se com pedras. Atualmente muitas dessas anomalias psíquicas, vícios autodestrutivos, são tratados como se fossem doenças; quando, na verdade são derivados da atuação maligna nas vidas, reféns do inimigo.

“... vestido...” embora andar assim seja o normal, naquele caso, certamente não era; senão, o autor não teria mencionado. Ele reportava uma transformação. Assim chamava atenção a cada fato novo. Não contente em escravizar, aprisionar, e ferir seu objeto de perversões, o inimigo ainda o expunha de modo indecoroso, ensejando vergonha para ele e constrangimento para quem via.

Cheia está a vida, nas ruas, nas redes sociais de gente que abusa da nudez, pensando estar brilhando, causando impacto; a rigor, está sendo um reles objeto da oposição, que os cegou, e faz presumir beleza onde grassa indecência.

Sem essa “filosofia” rasa que o que é belo deve ser mostrado. Pudor, decência, compostura são coisas belas; essas desfilam na passarela da sobriedade do equilíbrio, longe das plagas da obscenidade e da falta de noção.

“... em perfeito juízo...” uma pessoa possuída, como a palavra sugere, nem ao próprio juízo preserva. O inimigo tripudia dela fazendo suas vontades. A alma humana nessa nefasta situação torna-se um títere, sem vontade própria. Daí facilmente se adjetiva à tal como louca, fora do juízo. Nos casos de possessão é como se fosse despejada da própria casa, para dar lugar a intrusos. Dos que recebem a ventura de aprender do Senhor está dito: “O bom siso te guardará, a inteligência te conservará;” Prov 2;11

Se, por um lado somos desafiados à “loucura” de crer, concorre o bom siso de saber em Quem cremos, e porquê.

“... temeram.”
Há dois tipos de temor. Um que é simples medo, que quer se manter distante do que teme; e o temor a Deus, que é a reverência ciosa para com O Santo, ao qual, não se quer ofender. Enquanto o primeiro enseja apenas fuga da luz, esse segundo gera obediência, santificação.

Infelizmente, o temor dos gadarenos era o genérico. Invés de desejarem se aproximar do Senhor, dado Sua Misericórdia e poder manifestos, pediram distância. “Começaram a rogar-lhe que saísse dos seus termos.” V 17

Quantos fazem isso hoje! Eventualmente vão a ambientes onde O Senhor atua. Vendo a seriedade e a santidade necessárias, presto se afastam rumo aos seus vícios prediletos.

O Senhor não viola ao arbítrio, não “possui” como os demônios. Onde é rejeitado, se afasta. Quem O pode ver como Ele É, caminha junto.

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

"A evolução é um fato"


Numa página denominada “Segredos do Espaço” encontrei as quatro afirmações que seguem: “A curvatura da Terra existe; os humanos foram para a lua; as mudanças climáticas são reais; a evolução é um fato.” Após breves comentários, a sentença: “A ciência não é um sistema de crenças; é um método baseado em evidências.”

Bueno, colocar duas maçãs e duas pedras numa bandeja, não transforma as frutas em seixos. Assim, arrolar juntamente, coisas verazes, duvidosas, e mentirosas, não altera em nada a essência de cada uma.

Duas merecem o benefício da dúvida; o aquecimento global é desmentido por muitos especialistas no assunto; a ida à lua, também tem ponderadas evidências que pode ter sido uma fraude cinematográfica. Há bons vídeos sobre isso no Youtube.

Que a terra é redonda, ou próximo a isso é pacífico; não sei de onde brotou a sandice que seria uma gigantesca pizza. Todavia, que a Evolução seja um fato, aí parece que o foi Alexandre de Moraes que decidiu. Logo, não cabe recurso.

Mesmo assim, me atreverei. Não usarei à Bíblia, citarei incidentalmente; afinal, só valem evidências; portanto, os argumentos em contrário devem ter algum liame científico.

Se, a ciência não tem nada com as crenças, antes, com evidências, é precisamente esse o “tendão de Aquiles” da famigerada teoria. O silêncio ensurdecedor de evidências verificáveis.

Falta-me saber científico para apresentar incongruências baseadas na entropia, termodinâmica, lapsos do registro fóssil, os infindáveis elos perdidos; afinal, não sou cientista. Embora, tenha lido muitos que são, e mostram essas coisas de modo perturbador.

Dadas essas limitações, usarei o crescimento populacional como evidência que, as datas de 35 bilhões de anos, e similares, que a “ciência” usa, batizando ossos encontrados de “homem de eu creio” ou coisas assim, são estúpidas.

Como também não sou perito em matemática perguntei à inteligência artificial: Começando de um casal, a um crescimento médio anual de 2,5% ao ano, quantos anos seriam necessários para a população chegar a 8 bilhões como é atualmente?

A resposta foi: “Seriam necessários cerca de 897 anos para uma população de apenas duas pessoas crescer até 8 bilhões com uma taxa de 2,5% ao ano — assumindo crescimento contínuo, sem limitações ambientais, genéticas ou sociais (o que, claro, é bem hipotético).”

Podemos acrescentar a gripe espanhola, a peste bubônica, duas guerras mundiais como fatores de diminuição exponencial da população.

Alguém poderia discordar do índice de 2,5% mas é próximo a isso atualmente. Ademais, quanto menor o número de pessoas, maior o crescimento, por razões óbvias. Imaginemos um nascimento hoje; o que mudaria? Nada. Quando havia um casal apenas, o nascimento de um, significaria um aumento de 50%.

Preciso citar a Bíblia como informação não como argumento. Teria acontecido um dilúvio global, há aproximadamente quatro mil anos, restando apenas oito seres humanos. Assim mesmo havendo grandes prejuízos de vidas pelas razões citadas e catástrofes eventuais, ainda restaria tempo sobejo para sermos tantos, quantos, somos.

Agora, pegue-se o mesmo índice, abstraia-se o dilúvio que seria um mito nada científico, e calcule-se o crescimento populacional de um milhão de anos. Depois, multiplique por mil, e some-se trinta e cinco vezes. 

As pessoas teriam que ser empilhadas umas em cima das outras, por falta de espaço na superfície; as de cima fariam cócegas nas constelações.

Mas, se a “ciência” afirma que assim foi, baseada em evidências, quem somos nós, frágeis ignorantes, para blasfemar contra essa impoluta deusa?

A ideia que a fé e a ciência sejam coisas excludentes deve ser da ciência. Mas qual? Pascal disse: “Um pouco de ciência afasta ao homem de Deus; um muito, o aproxima.”
Assim parece haver dois tipos de ciência.

Permitam-me usar a Bíblia ainda uma vez, acerca dessa soberana. “Ó Timóteo, guarda o depósito que te foi confiado, tendo horror aos clamores vãos e profanos e às oposições da falsamente chamada ciência, a qual, professando-a alguns, se desviaram da fé.” I Tim 6;20 e 21 A falsa ciência seria a que nega a fé; invés de investigar honestamente em busca da verdade.

Bem sabemos quem induziu o homem à Árvore da Ciência, afastando-o da Árvore da Vida. Embora O Criador demande fé daqueles que se achegam a Ele, deixou sobejas evidências, da Sua Divindade e Poder, para que os “cientistas” o possam ver; “Porque Suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o Seu Eterno Poder, quanto Sua Divindade, se entende, e claramente se vê pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis;” Rom 1;20

Einstein, que foi brilhante como cientista, não viu muito longe, sobre Deus; mas, viu nossa cegueira como poucos; “Duas coisas são infinitas, - disse - o universo e a estupidez humana; não estou muito certo quanto ao universo.”

Maus conselhos da dor


“Minha alma tem tédio da minha vida; darei livre curso à minha queixa, falarei na amargura da minha alma.” Jó 10;1

Se alguém ler isso isoladamente, concluirá que se trata dum depressivo falando. Caso conheça o contexto, dum próspero que perdera tudo de chofre, inclusive os filhos, ao menos se solidarizará.

“Minha alma tem tédio da minha vida...” Tédio é enfado, aborrecimento, cansaço por uma situação desagradável, prolongada; nele, até a esperança decide se afastar. A “falta de chão” é tal, que até, ser colocado dentro do chão parece desejável. Sim, o infeliz desejou a morte. “Quem dera que se cumprisse meu desejo, e Deus me desse o que espero! Deus quisesse quebrantar-me, soltasse Sua Mão e me acabasse!” Cap 6;8 e 9

Mesmo sofrendo de modo inefável, ele só desejou a morte; como que, orou a Deus por ela; mas nada fez nesse sentido, sabendo que dar a vida ou tirá-la é prerrogativa exclusiva do Criador.

Havia uma luta milenar acontecendo, da qual, mesmo estando alheio, ele era o centro. Sua fidelidade estava sendo testada às últimas consequências, para desfazer um argumento rasteiro de Satanás.

Embora compreensível sua dor e os desejos derivados dela, O Eterno tinha planos melhores; de modo que não ouviu seu anelo doentio.

Quantas vezes acontece de pedirmos algo a Deus, que se recebêssemos faria mais mal do que bem? Deus nos abençoa tanto quando concede o que pedimos, quanto, quando nega. Nesse caso está nos protegendo de nossa própria ignorância.

Outro dia uma criança especial correu rumo a um cânion, em Cambará do Sul, sem tempo para que seus pais evitassem a queda, infelizmente. Ela não tinha noção do perigo, e seus pais não imaginaram que ela faria aquilo; acabou morrendo na queda.

Pois, nas coisas espirituais, todos somos crianças especiais, com limitações cognitivas, sobre perigos que espreitam. Cada, não, às nossas petições, é como uma mureta de proteção na beira do abismo, que nosso amoroso Pai coloca para que não caiamos.

Pois, as “bênçãos” que trariam efeitos colaterais deletérios, não seriam bênçãos. “A bênção do Senhor enriquece e não traz consigo, dores.” Prov 10;22

A fé sadia confia de modo irrestrito; a doentia acredita que Deus dará o que lhe pedirmos.

“... darei livre curso à minha queixa...” eventualmente, alguém numa situação desfavorável, no trabalho, por exemplo, pode evitar mencionar seu descontentamento; temendo perder o emprego, sofrer restrições. Porém, quando chega num estágio onde pensa não ter nada a perder, fala sem temer as consequências; pois, pior não poderá ficar.

Embora compreensível o estado de espírito de Jó, pelas razões vistas, ainda é uma atitude temerária. Tanto que, o próprio sofredor alternou, em estados de ânimo diversos, numa espécie de bipolaridade; se, ora desesperava de tal forma a abdicar da vida, noutras reencontrava a esperança em Deus, mesmo que fosse levado pela morte. “Ainda que Ele me mate, Nele esperarei; contudo, meus caminhos defenderei diante Dele.” Cap 13;15

Então, invés de desejar a morte, desejava defender a retidão dos seus caminhos, a qualquer custo. Pois, era o que estava em apreço; quem estava questionando isso era o inimigo, não O Eterno. Oscilar duma posição emocional a outra, em situações extremas assim, também é uma “incoerência” compreensível.

“... falarei na amargura da minha alma.” Nesses casos, quando o amargo é mui intenso, as palavras podem tropeçar na lógica, na coerência, como um ébrio nos pedregulhos do caminho. Então, quando O Eterno finalmente concedeu a audiência desejada, começou assim: “Quem é este que escurece o conselho com palavras sem conhecimento?” Cap 38;2

Depois, a suprema ironia do Eterno foi apresentada como recurso retórico: “Agora cinge teus lombos, como homem; perguntar-te-ei, e tu Me ensinarás.” V 3

O Eterno queria Se “matricular” na escola de Jó e aprender com ele. As quarenta perguntas que fez distanciando ao Criador das criaturas bastaram, para ele entender seu lugar, que é também o nosso. “Escuta-me, pois, eu falarei; eu Te perguntarei, e Tu me ensinarás. Com o ouvir dos meus ouvidos ouvi, mas agora Te veem meus olhos. Por isso me abomino; me arrependo no pó e na cinza.” Cap 42;4 a 6
Então, ele se matriculou na “Faculdade Eterna”.

Não importa quão intensa seja nossa dor; nem quão fundadas nossas razões em reclamar; se O Eterno a permite, mesmo nós sendo fiéis a Ele, como fora Jó, sempre terá razões sábias para isso.

A Jó foi dado o dobro do que perdera, e a honra de sua saga estar na Palavra de Deus, para que por ela, possamos entender, em parte, acerca do sofrimento dos justos. A fé que visa se evadir ao sofrimento é reles fuga; a que confia deveras, brilha mesmo sob tempestades.

domingo, 3 de agosto de 2025

O oásis


“O que torna belo o deserto é que ele esconde um poço em algum lugar.” Saint-Exupéry

Essa mistura de certeza com incerteza é uma figura majestosa da fé. Sabe-se que há uma fonte; todavia, ignora-se onde. Em algum lugar.

Quando Deus chamou ao “Pai da Fé”, Abraão, disse: “Sai-te da tua terra e dentre tua parentela para uma terra que te mostrarei.” Gn 12;1 Certeza que Deus lhe falara; incerteza quanto ao lugar para onde ir; a terra ainda lhe seria mostrada. Então, bastava crer. A fé sadia tem a Palavra de Deus como fundamento, não, o anseio humano.

Quando, desertos existenciais nos testam, junto às dificuldades temos oportunidades. A privação da vista enseja uma pista de decolagem para a asa delta da fé. “Quando estiver em trevas, não vir luz nenhuma, confie no Nome do Senhor; firme-se sobre seu Deus.” Is 50;10

Camões disse: “A verdadeira afeição, na longa ausência se comprova”. Quando Deus “se afasta”, que melhor oportunidade de evidenciar nosso amor? Assim como as plantas demandam certo tempo do plantio à ceifa, a fé também, entre sua profissão a demonstração; “Os que semeiam em lágrimas segarão com alegria. Aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará, sem dúvida, com alegria, trazendo consigo seus molhos.” Sal 126;5 e 6

O crente ruma ao devir confiado numa promessa; o descrente, em sua covardia fugaz, mira aos idos, como se fossem melhores. “Quem dera ter ficado no Egito, invés de morrer no deserto.” Seus olhos adoecidos pela incredulidade, enxergam a morte, invés da bênção.

A peregrinação confiante é o contraponto da fé, à Integridade Divina. “Aos que Me honram honrarei...” I Sam 2;30 “Porque sem fé é impossível agradar a Deus...” Heb 11;6

Alguns, infelizmente, confundem desejo com fé. Ora, arder em demanda de algo que pensamos necessitar pode ensejar miragens, como nalguns peregrinos sedentos. A fé sadia é, antes, uma confiança em algo prometido, mais que um anelo por um bem, desejado. Os falsos profetas são hábeis em excitar anseios carnais; colocar o cumprimento na conta da fé, como se, O Médico dos Médicos fosse responsável pelas enfermidades, das quais, esses não desejam ser curados.

A fé sadia, invés de um leque infinito de possibilidades, foi dada como uma “fonte” pela qual caminhar; digo, uma promessa precisa na qual confiar. “Mas aquele que beber da água que Eu lhe der nunca terá sede, porque a água que Eu lhe der se fará nele uma fonte que salte para a vida eterna.” Jo 4;14

Quem espera coisas diferentes do prometido, escolhe de antemão, o caminho da decepção; porque, anda patrocinado pelas próprias vontades, invés da direção Divina. “Eu sei, ó Senhor, que não é do homem seu caminho; nem do homem que caminha, dirigir seus passos.” Jr 10;23

Salomão expõe a razão: “Há caminhos que ao homem parecem direitos; mas no fim, são os caminhos da morte.” Prov 14;12

Pois, se a fé tem um quê de incerteza, quanto ao quando, e ao onde, traz contornos precisos relativos ao, “o quê?” Nossa espera deve se firmar naquilo que nos foi prometido; “Para que por duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, (a promessa e o juramento Divinos) tenhamos a firme consolação, nós, os que pomos o nosso refúgio em reter a esperança proposta;” Heb 6;18

Ou, esperar pelo que nos foi prometido. Invés de aceitação, aplausos, renome, esses ouros de tolos, que satisfazem garimpeiros insensatos, devemos estar de sobreaviso quanto a aflições, perseguições, dado que, somos cidadãos dos Céus, e o mundo “jaz no maligno.” Por estarmos em terra estranha, como estranhos seremos tratados.

“Bem-aventurados sois, quando vos injuriarem, perseguirem e mentindo, disserem todo o mal contra vós por Minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande vosso galardão nos Céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós.” Mat 5;11 e 12

Paulo, a duras penas aprendeu isso; adaptado ao deserto necessário, asseverou: “Por isso sinto prazer nas fraquezas, injúrias, necessidades, perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte.” II Cor 12;10

Aquele que, nas suas fraquezas continua firmado na Divina Integridade, no devido tempo será livre delas, quando os frutos da sua fé forem achados maduros. A muitos custa a vida; mas, faz parte da fé iluminada, saber onde esperam as recompensas; afinal, “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens.” I Cor 15;19

Para outros inda nessa vida seus desertos são transformados de modo miraculoso; “A terra seca se tornará em lagos, a terra sedenta em mananciais de águas...” Is 35;7 Pouco importa onde a fonte está; quem caminha com O Senhor, chegará lá.

A invasão da luz


“Destruirá neste monte a face da cobertura, com que todos os povos andam cobertos; o véu com que todas as nações se cobrem.” Is 25;7

Basta lermos o contexto imediato, para entender que isso alude à vinda do Messias, O Salvador. Salta aos olhos Seu aspecto universal; malgrado, viesse como “Filho de Davi”, alcançaria “todos os povos... todas as nações”.

O Salvador desnudaria todos, rasgaria o véu; tornaria inúteis seus pretensos esconderijos; quais?

São inúmeros os “esconderijos” do homem sem Deus. Tende o ser humano a absolutizar o próprio umbigo. Valorar às coisas segundo suas predileções, e as considerar valores universais. Os gregos tinham seus múltiplos deuses; os romanos, idem; povos mais remotos também, todos oriundos de humanas superstições.

Considerar todas essas crendices como vãs, inócuas, quase que soaria uma ofensa para os que nelas confiavam. Paulo considerou os cultos dos gregos antes de Cristo, como “tempos da ignorância.” Atos 17;30 Pois, O Salvador não se impressionara com possíveis melindres; antes, fora cirúrgico acerca do Seu exclusivismo: “Eu Sou O Caminho, A Verdade e A Vida; ninguém vem ao Pai, senão, por Mim.” Jo 14;6

Uma declaração assim, é como rasgar todos os véus, lançando-os na vala comum da inutilidade.

Isaías pontuou, quanto aos deuses de humana feitura: “Eis que sois menos do que nada, a vossa obra é menos que nada; abominação é quem vos escolhe... todos são vaidade; suas obras não são coisa alguma; suas imagens de fundição são vento e confusão.” Is 41;24 e 29

No capítulo seguinte, contrapondo-o aos ídolos mortos, retomou o assunto do Messias; “Eis aqui o Meu Servo, a quem sustenho, Meu Eleito, em quem se apraz Minha Alma; pus Meu Espírito sobre Ele; Ele trará justiça aos gentios.” Cap 42;1

Apesar de Majestoso, seria humilde; “Não clamará, não se exaltará, nem fará ouvir Sua voz na praça. A cana trilhada não quebrará, nem apagará o pavio que fumega; com verdade trará justiça. Não faltará, nem será quebrantado, até que ponha na terra a justiça; e as ilhas aguardarão Sua Lei.” Vs 2 a 4 De novo, Sua universalidade. Nosso país, no contexto de então, era uma gigantesca “ilha” desconhecida.

Adiante, nas minúcias do Seu agir encontramos um detalhe que ajuda a entender a natureza do “véu” global que Ele rasgaria; “Para abrir os olhos dos cegos, tirar da prisão os presos, e do cárcere os que jazem em trevas.” V 7

Véu era uma metáfora usada pelo profeta; cegueira espiritual, o vero problema que aprisionava aos povos todos. Assim, quando nosso entendimento das coisas espirituais, finalmente floresce, é como se uma cobertura que detinha a luz fosse removida.

Todavia, essa remoção nem sempre é pacífica. Os que estão “confortáveis” no escuro, reagirão quais vampiros ao nascer do sol. Presto fugirão, rumo aos seus nichos favoritos ainda não “invadidos.”

Correrão da salvação ao encontro da condenação, por preferirem o confortável ao salutar; “E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, os homens amaram mais as trevas que a luz, porque suas obras eram más.” Jo 3;19 Quando o mal é o “bem” de alguém, como poderá ser salvo?

Quem supõe que seja possível uma conversão sem dor, sem aflições pela renúncia de coisas que pareciam caras, devaneia com a possibilidade de fogo sem calor, água sem umidade. “Negue a si mesmo, tome sua cruz e siga-me.” Luc 9;23

Por isso essa geração melindrosa, que valora quase tudo pelos sentimentos, sem a ousadia necessária para o vero aprofundamento espiritual, é tão refratária à Palavra da Vida. À medida que o tempo passa, o percentual de pessoas que se rendem a Cristo diminui; concorre ainda, a nefasta falsificação do Evangelho, numa deletéria “esperteza” dos que se importam mais com movimento que, com renascimento.

Os coachs motivacionais, têm auditórios lotados onde exibem seus talentos de encantadores de serpentes. Os veros mensageiros da verdade, em muitos lugares são rejeitados, pelo desconforto que ensejam, e os pífios resultados numéricos que alcançam.

Falsificando a mensagem da vida, acendem seus fogos fátuos, sob a cobertura dos amantes de prazeres insanos, invés de rasgar o véu do engano, com incisões precisas da Espada do Espírito.

Quem, tendo ouvido acerca da Luz, ainda oferece à oposição alguma “cabeça-de-ponte”, de incredulidade, presto o canhoto ancorará em tais almas, trazendo novo véu, para que não sofram com a “ameaça” da luz. “Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do Evangelho da Glória de Cristo, que é a Imagem de Deus.” II Cor 4;4

Salvação é para corajosos que têm ousadia de ser santos diante de todos, como marketing de Cristo; e onde ninguém vê, como amigos Dele.