sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

Os conselhos


“... Dai conselho entre vós sobre o que devemos fazer. Disse Aitofel a Absalão: Possui as concubinas de teu pai, que deixou para guardarem a casa; assim todo o Israel ouvirá que te fizeste aborrecível para com teu pai; e se fortalecerão as mãos dos que estão contigo.” II Sam 16:20 e 21

Após seduzir aos súditos de Davi, lisonjeando aos descontentes com promessas de “justiça” caso o rei fosse ele, Absalão, o indigno filho do rei consegui reunir após si muitos inconsequentes; tantos, que, avisado, Davi se pôs em fuga de Jerusalém para não ser morto pelo “novo rei”.

Absalão pediu, conselho a Aitofel, sobre o próximo passo. Deita com as concubinas de teu Pai, para que todos vejam que a coisa não tem volta; assim, os ainda têm dúvidas deixarão de ter.

Tendem as pessoas a cercarem-se de semelhantes, evitando frontalmente as que se lhes opõem. Tinha dado, Absalão, um passo terrível. A sedição contra o rei sempre acabava em pena de morte. Todavia, se tivesse sido aconselhado por um ancião sábio, quiçá seria levado ao arrependimento; uma vez que era filho do rei, poderia ser perdoado.

Porém, buscou o parecer de outro estúpido como ele; invés de alguma atenuante para o mal já feito, aconselhou que se fizesse um mal ainda maior. “Um abismo chama outro abismo...” Sal 42;7

Das lisonjas à sedução; aliciamento de incautos; então, a formação de um exército de revoltosos; por fim, a rebelião; agora o recrudescimento no erro. Sua descida à perdição “progredia” célere.

Seu irmão, Salomão, mais tarde viria a escrever: “Filho meu, se os pecadores procuram te atrair com agrados, não aceites... Porque seus pés correm para o mal, se apressam a derramar sangue... São assim as veredas de todo aquele que usa de cobiça: ela põe a perder a alma dos que a possuem.” Prov 1:10, 16 e 19

O filho de Salomão, Roboão, também errou nisso; quando chegou sua vez de reinar, o povo pediu que reduzisse a carga de impostos que seu pai fizera mui pesada. Buscou os sábios, os anciãos do povo que o aconselharam a ouvir o povo, aliviar sua carga, para reinar em paz.

Porém, buscou uma segunda opinião, dos jovens que se criaram com ele; esses, como é próprio dos que precisam provar alguma coisa, aconselharam a aumentar o peso dos impostos invés de abrandar. O resultado? Rebelião. Das doze tribos, apenas Judá e Benjamim ficaram com ele. Dez se apartaram, escolheram novo rei.

Quando alguém se dispõe a ouvir outro, meio que predeterminando o que deseja escutar, esqueça; faça o que já acha que é certo e dane-se sozinho. O mero fato de precisar reforço numa posição é já um testemunho íntimo de que a coisa está mal. Todavia, quem, sentindo-se assim, se mostra refratário a mudar, qual sentido de buscar conselho?

Oswaldo cruz dizia: “Observando os erros alheios, o homem prudente corrige os seus.”

Um dos nomes atribuídos por Isaías ao Senhor foi: “Maravilhoso Conselheiro...” Is 9;6 Ele quando chamou a si os cansados, oprimidos, entre outras coisas disse: “... aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração; encontrareis descanso para as vossas almas.” Mat 11:29

Infelizmente, como nos exemplos vistos, muitos também vão ao “Maravilhoso Conselheiro” predeterminando o que desejam ouvir; desejam que O Santo os abençoe como são, como estão, mesmo estando muito mal; uma mudança de rumos segundo o sábio conselho não está nos seus planos.

Paulo anteviu: “Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme suas próprias concupiscências; desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas. Mas tu, sê sóbrio em tudo...” II Tim 4:3-5

Se, o que deve se opor a eles carece ser sóbrio, implica que esses estão embriagados pelos seus desejos malsãos; e a “aproximação” do Divino conselheiro é mero verniz, tencionando dar uma aura respeitável para passos que não são assim. A Palavra Daquele que conhece o fim dos caminhos desde o começo, chama-os a voltar atrás; eles se recusam a escutar.

Como vimos na loucura de Absalão, ele foi “construindo” sua destruição tijolo a tijolo, aconselhado e seguido pelos maus. No fim, seu breve “reino” acabou com ele pendurado pelos cabelos nos galhos de uma árvore, crivado de flechas. O reino voltou a quem de direito; Davi.

“Há caminhos que ao homem parecem direito; mas no fim, são caminhos da morte.” Prov 14;12

O Maravilhoso Conselheiro segue ao dispor; dos que O rejeitam, diz: “Ai dos filhos rebeldes, diz o Senhor, que tomam conselho, mas não de Mim; se cobrem com uma cobertura, mas não do Meu Espírito, para acrescentarem pecado sobre pecado;” Is 30:1

quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

Templos perdidos


“Que é o homem mortal para que te lembres dele? o filho do homem, para que o visites?” Sal 8:4

“O que é o homem...”
Houve quem dissesse que ele é um bípede sem plumas; outrem, uma espécie de deus; “a medida de todas as coisas...” Originalmente foi o Capeta quem sugeriu que ele teria as “réguas” para medir bem e mal.

Ainda, quem entendeu que as respostas estão além, fora dele, dadas as limitações dos seus movimentos na imensidão do universo, e a sensação de valores maiores que ele, aos quais deveria se enquadrar; “Duas coisas povoam a mente com uma admiração e respeito sempre novos e crescentes: o céu estrelado por cima e a lei moral dentro de nós.” Kant

Em geral, pessoas mal intencionadas e intelectualmente desonestas, usam a suposta igualdade entre os homens, para impor idiossincrasias; diferenças. Ora vitimizam-se com sua condição de minoria; lograda certa aceitação, sobem na mesa pretendendo se impor à maioria. Invocam igualdade quando seus passos os deixam aquém; depois, prevalecer, quando a vigilância coletiva adormece.

Somos todos iguais potencialmente; no ponto de partida. Quanto do potencial se tornará atual, depende de uma série de variáveis, caráter, aprendizado, influências, circunstâncias, que fomenta as diferenças entre nós.

Aristóteles dizia: “A pior forma de desigualdade é considerar iguais, às coisas que são diferentes.” Acaso o policial e o marginal são iguais? Foram no início; as escolhas de cada um os fizeram diferentes.

A separação de certas coisas e práticas está longe de ser preconceito contra um “igual”; se tivessem permanecido ambos, iguais, nem seria visível uma separação; no prisma essencial.

O que é a santificação, à qual Deus chama os Seus, senão, a separação dos que são, espiritualmente diferentes em suas escolhas? “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem justiça com injustiça? que comunhão tem a luz com as trevas? que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel? que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei, entre eles andarei; Eu serei seu Deus e eles serão Meu povo. Por isso saí do meio deles, apartai-vos, diz o Senhor; não toqueis nada imundo, e vos receberei;” II Cor 6:14 a 17

“O que é o homem mortal...”
De certa forma isso reponde a questão. O homem foi feito mortal.

O Criador colocou a morte como uma placa de aviso, para que ele evitasse determinado caminho; mas, preferiu pagar pra ver. Então, o “mortal” era uma possibilidade, desde a queda tornou-se uma necessidade. “A única coisa certa nessa vida é a morte.” Filosofam nos botecos, entre um trago e outro.

A morte se dá em dois estágios; a espiritual aliena o homem de Deus, seu espírito jaz impotente, mas, o homem segue existindo; suplantado pela volúpia da alma, que se esbalda em prazeres, impuros, pilotando o corpo.

A morte física encerra a saga, o tempo dado por Deus, para quem desejar buscar reconciliação consigo. “Enquanto há vida, há esperança;” dizem muitos que se recusam a fazer uso sábio do dom da vida.

A morte paira com sua ameaçadora sombra; todos são convidados em Cristo, a um “salto” sobre a soturna régua; “... quem ouve Minha Palavra, e crê Naquele que Me enviou, tem a vida eterna, não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida.” Jo 5:24

Porque, do outro lado os homens salvos serão feitos imortais, Deus exige uma série de renúncias cá, cioso para não dar diamantes a quem os usaria em fundas.

Os que descreem da salvação eterna, obram por “salvar” o que puderem de usufrutos impuros nessa vida. “Curta a vida porque a vida é curta.” Pra eles encerra na morte.

O que chamam de curtição, pois, é pressa, servidão ao pecado, para “fruírem” o máximo antes do fim. A Vitória de Cristo serviu para que “livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão.” Heb 2:15 Os que se recusam a ser livres, pois, não são iguais aos que aceitam essa dádiva.

“O que é o homem mortal para que te lembres dele?” Essa pergunta foi dirigida a Deus. Sua Palavra diz que originalmente fomos criados à Sua Imagem e Semelhança. Que os regenerados são feitos templos para Ele.

Como Deus não é Deus de mortos, os que O aceitam deixam de ser mortais, são vivificados em Cristo.

Quem é o homem? Um ser vivo, inteligente, arbitrário, consequente, um possível santuário; os que recusam-se a transcender as comichões imediatas, jogam isso fora, pagando preço eterno, por deleites efêmeros, letais.

"Casos perdidos"


“Muitos dizem da minha alma: Não há salvação para ele em Deus.” Sal 3:2

Um caso perdido, não tem mais jeito. Acredito que em dado momento, todos nós ouvimos, ou, até falamos isso de alguém, cujo andar era vicioso, e nada acenava com alguma perspectiva de guinada rumo à virtude.

Se víssemos os nossos erros com a rapidez que vemos os alheios, teríamos melhores chances de buscar o conserto que nossas almas carecem.

Certa vez perguntei a um sujeito desregrado, que vive só;
- ainda não casou, fulano?
- Não e nem vou; – respondeu – não existe mulher que preste.
- Você já pensou em se tornar um homem que preste?
Perguntei; para espanto encabulado dele.

Sim, exigimos de outrem, coisas que nem sempre cobramos de nós. Então, “corrigir” imperfeições alhures e deixá-las correr frouxo em nós, é falta de noção, que estraga muitos.

“Não há salvação para ele em Deus.” Se não houver em Deus, caso perdido. Será? Quando pensamos em salvação em Deus, óbvio, falamos de Jesus. Pedro ensinou: “Ele é a Pedra que foi rejeitada por vós, edificadores, a qual foi posta por cabeça de esquina. Em nenhum outro há salvação...” Atos 4:11 e 12

A propósito dos pecados que tornariam alguém uma “missão impossível”, Paulo versou: “Esta é uma palavra fiel, digna de toda aceitação; que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal. Mas por isso alcancei misericórdia, para que em mim, que sou o principal, Jesus Cristo mostrasse toda Sua longanimidade, para exemplo dos que haviam de crer nele para a vida eterna.” I Tim 1:15 e 16

Por ter perseguido à igreja, sido cúmplice na morte de Estêvão, Paulo sentia-se o maior dos pecadores, o principal deles. Ainda assim, foi perdoado e chamado ao ministério. Logo, usou isso como argumento para demonstrar, que, para a bondade Divina ninguém é tão ruim que não possa ser regenerado, caso se arrependa, mude de vida.

Portanto se, ao virmos alguém totalmente depravado, e por isso acharmos que o tal, é algo sem solução, corremos a risco de ser envergonhados; pois, a capacidade Divina para perdoar e regenerar é infinitamente maior que a nossa, para entender.

Todavia, a ideia de que a salvação seja apenas em Deus, Naquele que Ele escolheu, já não é tão pacífica, atualmente. O ecumenismo que está espalhando as garras visando formar uma igreja global, para prejuízo das demais, considera válidas, salvíficas todas as formas de credos.

Algo precisa ser dito em favor do entendimento de quem nos observa de fora. Por um lado, existe a rejeição ao ecumenismo, onde todas as religiões se uniriam; por outro, há muitas diatribes contra as seitas, pelo traço comum na identidade delas, de se presumirem os únicos certos, os remanescentes fiéis. Se, ora somos contra a unificação, outra, rejeitamos o exclusivismo, denominacional, acreditamos no quê?

Só há Um Salvador: “Eu Sou O Caminho, a Verdade e a Vida; ninguém vem ao Pai senão, por Mim.” Jo 14;6 Isso, por si só exclui todos os credos não alicerçados em Cristo e Seu feito na cruz.

Entre as denominações que são coesas no básico, morte sacrifical de Cristo para remissão dos pecados; ressurreição; legado do Espírito Santo para nossa direção, consolação e santificação; e Volta do Senhor para estabelecimento do Seu Reino, as diferenças periféricas, rituais, administrativas, usos e costumes, não são barreiras que separem.

Não somos tão “unificáveis” que compactuemos com qualquer credo, nem sectários, ao ponto de nos presumirmos os únicos salvos. O fato da longanimidade Divina perdoar e aceitar todos, malgrado seus pecados, esbarra na Santidade, tolhendo que O Eterno aceite tudo.

O chamado é inteiramente inclusivo; ninguém deve ficar de fora; “Pregai O Evangelho a toda criatura.” Porém, o que chama, é O Salvador exclusivo; sem Ele ninguém poderá ser, nem será salvo.

Aquele de vida bem tortuosa, quando se deixa persuadir pelo Amor Divino para mudança de vida, sua salvação faz mais “barulho” que a de um “normal”. “Tirou-me dum lago horrível, dum charco de lodo, pôs meus pés sobre uma rocha, firmou os meus passos. Pôs um novo cântico na minha boca, um hino ao nosso Deus; muitos verão, temerão e confiarão no Senhor.” Sal 40:2 e 3

Quem observa essas mudanças em quem era um “caso perdido”, pois, tem uma mensagem apenas no que vê. Quiçá, poderá ficar mais atento, quanto ao que ouve, para entender aos quais, O Salvador chama: “Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o Meu jugo e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas.” Mat 11:28 e 29

quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

A obediência; possível


“A todos quantos o receberam, deu-lhes poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no Seu Nome;” Jo 1:12

Se Deus ordenasse coisas impossíveis de praticar, não seria digno de Sua Onisciência, que esperasse outra coisa, senão, desobediência.

A queda deixou o homem à mercê de uma rebelde contumaz, a carne; feriria a lógica, O Eterno demandar obediência dessa; “Porque a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem pode ser. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus.” Rom 8;7 e 8 Era caso de impotência, não de exercício arbitrário.

Invés de ordenar algo que seria impraticável ao homem natural, primeiro, O Senhor “turbinou-o” mediante novo nascimento da água e do espirito; para que o renascido, doravante, pudesse agir como filho de Deus. O Senhor não requereu obediência, sem antes, torná-la possível.

Um diálogo em “O Pequeno príncipe”, ilustra: “- Imagine que eu ordene a um General que voe de flor em flor, como uma borboleta, ou, que escreva uma peça teatral, ou, que se transforme em gaivota, e ele não faça nada disso; quem de nós dois estaria errado?
- Seria o senhor. Afirmou o pequeno príncipe, convencido.
- Certo! Portanto, é preciso exigir das pessoas, somente o que elas podem dar. E continuou: A autoridade se sustenta, inicialmente, na razão. Se ordenar ao povo que todos se lancem ao mar, ficarão revoltados. Eu tenho direito de exigir respeito, porque minhas ordens são razoáveis.”
Antoine de Saint Exupéry O Pequeno Príncipe, Pg 60

O rei dessa história pode perfeitamente tipificar O Senhor. “Eu tenho direito de exigir respeito, obediência; pois, Minhas ordens são razoáveis, exequíveis.” Poderia Ele dizer.

Antes de Cristo, a humanidade não tinha escolha. Estavam todos mortos espiritualmente, incapazes de agir na dimensão que agrada a Deus.

O Senhor deixou patente que falava com “mortos” que podiam ouvir; crendo dariam um salto, para redenção da vida perdida; “Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve Minha Palavra, e crê Naquele que Me enviou, tem a vida eterna; não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida. Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora, agora é, em que os mortos ouvirão a Voz do Filho de Deus; os que a ouvirem viverão.” Jo 5:24 e 25

Não significa que a obediência seja fácil; seria preciso ser desonesto intelectual para afirmar isso. Apenas, que, após a conversão a desejável atitude passou a ser possível. Não é preciso que o “general voe;” basta que ouça a voz do espírito e obedeça, invés de rastejar ante o tentador. “Sujeitai-vos, pois, a Deus, resisti ao diabo; e ele fugirá de vós.” Tg 4;7 Mais que obedecer a Deus, podemos resistir ao inimigo.

Antes tínhamos apenas uma natureza, caída, morta; após a regeneração, o espírito voltou à vida; a aversão natural que a carne tem à obediência, agora sofre o devido contraponto; para o espírito, a obediência não é um fardo, antes, um deleite; “meu fardo é leve e Meu jugo suave,” ensinou O Salvador; “Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na Lei de Deus;” Rom 7:22

O salmo primeiro promete venturas ao que, depois de separar-se de ambientes e pessoas más, “... Tem seu prazer na Lei do Senhor, e na Sua Lei medita dia e noite. Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; suas folhas não cairão; tudo quanto fizer prosperará.” Sal 1:2 e 3

Mais que possível, pois, ao homem espiritual a obediência é deleitosa; porque, a comunhão com O Santo, de longe supera aos mais rebuscados prazeres que a carne possa propiciar.

Todo convertido é um pouco como Rebeca, dentro da qual, quando grávida de gêmeos, dois povos, “Esaú e Jacó” pelejavam pela primazia. O cristão assiste no “Coliseu” íntimo, o gládio da carne contra o espírito, sendo ele, o “César” que decide quem deve perder. “Os que são de Cristo crucificaram a carne com suas paixões e concupiscências.” Gál 5:24

Essa venturosa escolha demanda obediência, do que ouvimos; porém, faculta comunhão, silêncio na consciência, pela ausência de motivos barulhentos; “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito. Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte.” Rom 8:1 e 2

O poder de obedecer não forja supercrentes desses pavões, bobos alegres, que nem o tentador se aproxima; antes, capacita a que façamos as melhores escolhas, e nos incomoda rumo ao arrependimento, quando, falhamos por não as fazer.

Sementes sobre pedras


“Os homens de Nínive creram em Deus; proclamaram um jejum e vestiram-se de saco, desde o maior até ao menor.” Jn 3:5

Na pregação de Jonas em Nínive, uma reação ímpar, jamais vista noutra parte. Um temor coletivo, onde todos, unânimes, decidiram jejuar; impuseram isso como lei sobre eles, e até mesmo, os animais. “... Nem homens, nem animais, nem bois, nem ovelhas provem coisa alguma, nem se lhes dê alimentos, nem bebam água; mas, homens e animais sejam cobertos de sacos, e clamem fortemente a Deus, converta-se, cada um do seu mau caminho...” Cap 3:7 e 8 Ordens do rei.

Qual a mensagem pregada pelo profeta que logrou tão profundo impacto? Que sinais operou, ou que métodos retóricos usou para que fosse tão convincente? Nada. Sua mensagem fora curta, grossa, soturna; sem acenar com nenhum rasgo de esperança, nenhum convite ao arrependimento.

“... Ainda quarenta dias, e Nínive será subvertida.” Cap 3:4 Além de modificar à ordem estabelecida, subverter, significa revolver de baixo para cima, destruir, arruinar.

Simplificando: Vocês só têm mais quarenta dias de vida; depois Deus colocará tudo abaixo. Por mensagens bem menos incisivas, profetas foram presos, esbofeteados.

Apesar da “falta de tato” do pregador, discurso duro, abordagem direta, privada de atenuantes, produziu milagrosamente o efeito que vimos em princípio; por quê?

Certamente Deus revestira Seu servo com uma autoridade ímpar, o que, obraria por protegê-lo de eventual revanchismo pelos assírios; mas, ainda assim ensejar arrependimento, conversão coletiva, não estava no pacote.

O homem, desgraçadamente, tende a lidar melhor com ameaças, que com convites. Imaginemos que alguém tenha dois vizinhos; um, marginal, violento, fora-da-lei, capaz de matar; outro, cordato, manso, acessível, leniente. Ao qual dos dois respeitará prioritariamente? Sim, você acertou.

Um convite amoroso, como o “vinde a Mim”, traz anexos, feixes de esperança, como ser aliviado dos fardos, encontrar descanso para a alma, apenas indo após Cristo. Diante disso, pode o ímpio descansar nas “fraquezas de Deus”, concluindo que tais nuances do Seu amor, são atenuantes que tolheriam o juízo; baseado nisso, poderia recusar o convite, eventualmente, sem consequências; ou, pelo menos, protelar.

Salomão versou sobre essa doença: “Porque não se executa logo o juízo sobre a má obra, o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto para fazer o mal.” Ecl 8:11

Assim, entre um, brando “vinde a mim”, e um sisudo e terminal, “acabou!” esse tente a ser ouvido, mais do que aquele.

A longanimidade Divina mal compreendida “patrocina” o “empurrar com a barriga”, onde o homem deveria tomar uma atitude imediata; em muitos casos, a má leitura das facilidades acaba se convertendo numa impossibilidade; “O Homem que muitas vezes repreendido endurece a cerviz, de repente será destruído sem que haja remédio.” Prov 29:1

Como diz o gaiato, corre-se o risco de “dormir e acordar morto”; O Salvador colocou a seriedade disso, de modo claro. “Deus lhe disse: Louco! esta noite pedirão tua alma; o que tens preparado, para quem será?” Luc 12:20

O fato de que o juízo acenado contra Nínive seria imediato, apenas quarenta dias, ensejou uma tomada de decisão, imediata, também. Tendo feito isso para a direção certa, do arrependimento, seu juízo acabou suspenso; a misericórdia Divina os perdoou.

Porém sua “conversão” baseada apenas no medo do juízo, passado esse, também ela arrefeceu e voltaram aos pecados de antes.

 O Salvador ilustrou as decisões vertidas apenas do calor emocional, como sementes sobre pedras; que até nascem, mas privadas de raízes, logo secam.

Algumas décadas mais tarde, outro profeta do Senhor, Naum, falou contra eles. “O Senhor é Deus zeloso e vingador; O Senhor é vingador e cheio de furor; O Senhor toma vingança contra Seus adversários, e guarda a ira contra Seus inimigos. O Senhor é tardio em irar-se, mas grande em poder, ao culpado não tem por inocente...” Naum 1:2 e 3 “É decretado: ela será levada cativa, conduzida para cima; suas servas a acompanharão, gemendo como pombas, batendo em seus peitos. Nínive desde que existiu tem sido como um tanque de águas, porém elas agora vazam...” Cap 2:7 e 8

Na primeira advertência mediante Jonas teve conserto. Então, estava decretado o juízo que seria cumprido, e foi.

Não há outro modo de anunciar a Divina Palavra, senão, numa mescla de amor com justiça. O primeiro traz a disposição do Eterno em perdoar quem se arrepende; a segunda, evidencia as consequências de se permanecer em inimizade com Deus.

Mais ou menos como fez Ezequiel certa vez: “... Vivo Eu, diz O Senhor Deus, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois, por que razão morrereis...” Ez 33:11

terça-feira, 23 de janeiro de 2024

Últimos ingressos


“De tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra;” Ef 1:10

Segundo Paulo, as palavras acima definem o propósito Divino.

“Tornar a congregar em Cristo...” Tornar, se diz quando esse algo já foi feito; está sendo repetido. Tudo o que havia, estava agregado em Cristo, antes da queda. “Todas as coisas foram feitas por Ele, sem Ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida...” Jo 1:3 e 4 Paulo amplia: “Em Quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência... Porque Nele habita corporalmente toda plenitude da Divindade;” Col 2:3 e 9

Como o pecado causou a queda e dispersão da humanidade para longe do Criador, o propósito Divino foi tornar a congregar; chamar para casa, aos “filhos pródigos”, possibilitando-lhes, vestes novas, reconciliação, por Cristo.

Nele, além de deixar patente qual é o centro da congregação dos salvos, evidencia como inúteis, espúrios, todos os outros meios. A exclusividade do Salvador, Sua eficácia ímpar, declara vãos, inúteis, blasfemos, os pretensos caminhos alternativos. Está fadado ao lixo da eternidade, o multifacetado e ímpio, ecumenismo. “Os deuses que não fizeram os céus e a terra desaparecerão da terra e de sob deste céu.” Jr 10:11

“... todas as coisas...”
uma hipérbole; isso requer o devido contexto, para ser entendido. Nesse estilo de linguagem, quando alguém confere o ambiente de uma reunião, por exemplo, e avisa: “Podemos começar; já chegou todo mundo.” Não significa que se refere a todo mundo. No caso, a todos os que eram esperados.

Assim, “todas as coisas”, que são probas, aceitáveis, ante O Senhor; os que escolheram a perdição não serão congregados em Cristo. Embora o chamado do Evangelho seja dirigido a todos, incide apenas sobre aqueles que respondem favoravelmente, se deixando moldar. “Se alguém está em Cristo, nova criatura é...” II Cor 5;17

“... na dispensação da plenitude dos tempos...”
Já vimos noutra mensagem que O Eterno opera Seus propósitos em consórcio com o tempo, que Ele mesmo estabelece. Se, no âmbito da eternidade, contagem de tempo perde o sentido, “Tudo tem seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu.” Ecl 3:1

Quando algum texto fala do fim dos tempos, pois, refere-se ao tempo dado à humanidade, para que reencontremos a casa paterna, como ensinou Paulo em Atenas: “De um só sangue fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação; para que buscassem ao Senhor...” Atos 17:26 e 27

O risco de ser relapsos achando que temos todo tempo que quisermos, é descobrirmos tardiamente que o tempo oportuno passou e não fizemos bom uso dele; “Passou a sega, findou o verão e não estamos salvos.” Jr 8:20

O convite à salvação sempre é feito como algo urgente: “... eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salvação.” II Cor 6:2

“... tanto as que estão no Céu, como as que estão na terra.”
Que há muitas coisas na terra que precisam ser congregadas em Cristo, é de fácil compreensão. Mas, o texto menciona coisas que estavam “no céu” e precisavam ser congregadas Nele também; quais?

Todos os “salvos” da Antiga Aliança, também foram pelo Sangue de Jesus; embora, esse não tivesse sido vertido ainda; “Porque é impossível que o sangue dos touros e bodes tire pecados.” Heb 10:4 Aqueles sacrifícios eram “... sombra dos bens futuros...” 10:1 Símbolos, tipos do que estava por vir.

A salvação dos que se arrependiam e ofereciam sacrifícios de animais, estava em stand by; eles assinavam um “cheque pré-datado”, que seria compensado, “... vindo Cristo, o sumo sacerdote dos bens futuros, por um maior e mais perfeito tabernáculo...” Heb 9:11

Por isso, Nele, só Nele, todas as coisas que terão lugar no novo céu e na nova terra, serão congregados. As demais, estão fadadas à destruição. Em cima desse fato, Pedro lança a questão: “Havendo, pois, de perecer todas estas coisas, que pessoas vos convém ser em santo trato, e piedade, aguardando, apressando-vos para a vinda do dia de Deus, em que os céus, em fogo se desfarão e os elementos, ardendo, se fundirão?” II Ped 3:11 e 12

Depois de perguntar, ele meio que induz a resposta, pela absoluta falta de alternativas, sem Cristo.

Hoje soa irreverente, jocoso, zombar Dele, em músicas, vídeos, passeatas; quando Ele vier separar o congregável do desprezível, de que lado estaremos?

Um “vinde a Mim, e um apartai-vos de Mim” são o repertório do “Show”; um para cada tipo de público. Os lugares, reservamos agora.

Quem poderá se salvar?


“Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus?” I Cor 6:9

De modo superficial, isso poderá dar azo a uma interpretação errada. Se, os injustos não herdarão o Reino, o caminho para chegarmos lá implicaria, sermos justos; o que, abriria espaço para a salvação mediante obras. Porém, a Palavra fecha essa possibilidade. Não que não devamos ser justos, mas parece que é insuficiente.

A salvação “... não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie;” Ef 2:8 e 9

Quanto aos justos, temos um problema também; “... Não há um justo, nem um sequer.” Rom 3:10

“... Quem poderá, pois, salvar-se?” Mat 19:25 “Jesus, olhando para eles, disse-lhes: Aos homens é isso impossível, mas a Deus tudo é possível.” V 26

A “justiça” dos salvos não é propriamente deles; antes, é uma justiça imputada. “Àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, sua fé lhe é imputada como justiça.” Rom 4:5

A primeira injustiça foi o casal do Éden ter duvidado da Palavra de Deus e acreditado na falácia da oposição. Por isso, o passo inicial para salvação é “virarmos essa chave”; deixarmos os múltiplos conselhos do príncipe desse mundo, difusos através dos escravos dele, para voltarmos a confiar estritamente na Palavra de Deus.

A incredulidade é muito mais grave do que pode parecer. “fulano é ateu, mas é gente boa. Não é obrigado a crer em nada.” Ou, “cada um crê em Deus como o concebe”, "ninguém pode impor sua fé a outrem". Afirmações assim, quem jamais ouviu?

Que as pessoas são arbitrárias, livres para fazer escolhas isso é pacífico. Porém, que o ateísmo seja uma “neutralidade” inócua, inofensiva, não é tão simples. Dado o fato de Deus se ter desnudado, revelado cabalmente, por Sua Palavra e Suas Obras, a descrença traz anexa uma blasfêmia: “... quem a Deus não crê mentiroso o fez, porquanto não creu no testemunho que Deus de Seu Filho deu.” I Jo 5:10

Isso da Palavra. Da revelação paralela, as obras, também descreem; “Porque as suas (de Deus) coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto, Seu Eterno Poder, quanto Sua Divindade, se entende, e claramente se vê pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis;” Rom 1:20

Quanto a um Deus como “você o concebe”, a mera forma verbal já traz uma inversão; como se, invés de sermos criados por Ele, O Criador seria uma concepção nossa. Sendo assim, mero artifício, cada um pode criar o seu, como bem lhe parecer. Em eventual perigo, que clame ao seu concebido; pois, O Eterno não lhe ouvirá.

Os que, em momentos de escuridão, provação que Deus permite para aperfeiçoar a fé dos Seus, resolvem forjar caminhos alternativos, são comparados aos que acendem fogos estranhos; “Eis que todos vós, que acendeis fogo e vos cingis com faíscas, andai entre as labaredas do vosso fogo, entre as faíscas, que acendestes. Isto vos sobrevirá da minha mão, em tormentos jazereis.” Is 50:11

O que é a pregação do Evangelho, senão, um chamamento para que todos conheçam ao Senhor? O que é a conversão, à qual somos desafiados, senão, o abandono das maneiras rasas e mundanas de pensar e agir, para aprendermos de Deus segundo valores mais altos? “Porque, Meus pensamentos não são os vossos, nem vossos caminhos os Meus, diz o Senhor.” Is 55:8

Quem considera válidas todas as “buscas” por Deus, no fundo, está apenas maquiando sua fuga, numa desonestidade intelectual embriagada, que mente para si mesmo, e acredita.

A salvação é de graça, apenas pela fé no Único Salvador, Jesus Cristo. Pelo nosso simples crer Nele, Sua Justiça é imputada aos que creem.

Não importa as obras de injustiça que tenhamos em nossos pretéritos; dali em diante, somos desafiados a um novo modo de viver. “De sorte que fomos sepultados com Ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos também, em novidade de vida.” Rom 6:4

Se, nossas obras justas não bastam, todavia, as boas obras devem concorrer com nossa profissão de fé, não como meios de salvação, antes, com testemunhos de que fomos salvos por Cristo. “Porque somos feitura Sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.” Ef 2:10

Os que levam a sério a graça recebida, se ocupam de conhecer a Deus, praticar o que Ele ensina, passam por um câmbio tão radical, que sendo os mesmos, já não são mais os mesmos; “Se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas passaram, e tudo se fez novo.” II Cor 5;17