sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Relativismo; coisa sem fundamento

“Se forem destruídos os fundamentos, que poderá fazer o justo?” Salm 11;3

Fundamentos, ou, bases, são sustentáculos de um edifício, uma doutrina religiosa, um postulado filosófico... Os pensadores chamaram de valores universais, aqueles que se reconhece como válidos em todas as culturas, contextos, épocas; ou, teologicamente se nomina, Absolutos, que existem em si, independente do particular apreço, ou, sua relação com os seres humanos.

A pretensão de submetê-los, à nossa visão, chama-se, relativismo, onde, não haveria verdades absolutas, antes, verdades relativas, apenas pertinentes àqueles que as aquilatam assim, não, necessariamente a todos

A reflexão supra, do cântico hebraico coloca os fundamentos como necessários ao justo. Com o perdão pela redundância, são fundamentais.

Frequentemente deparamos com publicações de cunho relativista que, num primeiro instante parecem plenas de lógica, mas, ao escrutínio de uma mente minimamente sagaz, se revelam pueris. Por exemplo: Duas pessoas voltadas uma para a outra, entre elas, um número no chão, que, visto de um lado é seis, de outro, nove. Ambos, defendem a “verdade” que veem; com tal “lógica” tencionam demonstrar que ambos estão certos, cada um tem sua “Verdade”; uma ova!

Que cada qual tenha direito à opinião, e, devamos conviver pacificamente com os que pensam diverso, tranquilo, não carecemos maiores demonstrações que a própria dignidade de cada um. Contudo, essa concessão ao convívio não remete à conclusão que inexiste verdade absoluta; precisaríamos ignorar um enorme lapso, lógico, sacrificarmos os fatos em nome da convivência; a cômoda opção de sermos hipócritas “legais”, para evitarmos a polêmica, essa desmancha-prazeres nas relações sociais.

Ora, quem escreve um número, nunca o faz para duas leituras distintas. Salvo, um “pensador” como o que propôs a coisa em defesa de algo muito mais volitivo, que intelectual. Digo, que nasce da vontade, mais, que da inteligência.

Aquele número terá necessariamente relação com quem o escreveu. Dependendo da intenção, será seis, ou, nove. Sua posição na folha, tela, ou, relação com outros números adjacentes, fará visível sua identidade. Quando o escrevem numa bola de bilhar, por exemplo, cuja forma nos impede que leiamos com tais “acessórios” colocam um traço na parte de baixo, que elimina qualquer dúvida.

Que cada um tenha sua opinião é lícito, natural; agora, que cada qual tem sua “verdade” como apregoam, nem de longe. Duas opiniões contraditórias sobre o mesmo tema, uma, necessariamente estará errada, quando não, as duas. A única verdade sobre um equívoco, é, que é um erro.

Agora, com as chacinas em presídios do norte, que seriam derivadas de disputas entre facções, voltou à baila o famigerado PCC, cujo lema, pasmem! É: “Paz, Justiça e Liberdade”. Quem teria algo contra esses três valores? Não são considerados bons por quase todos? Pois, é.

Porém, eles têm sua forma peculiar de ver as coisas. Paz com quem? Vivem em constante guerra contra a sociedade organizada, o Estado de Direito. Justiça? Não são os reclames dela que os põem atrás das grades? Liberdade? Que sonhem com ela os que carecem, tudo bem, mas, praticando coisas que tendem à sua privação, defender isso, é no mínimo, contraditório. Assim, sem forçar nada as palavras, podemos dizer que, esposam coisas sem fundamento.

Por mais que possa ferir nosso orgulho, o homem não é “a medida de todas as coisas”, antes, O Filho do Homem, Jesus Cristo, garantiu que, Sua Palavra, mais perene que Céus e Terra, será a Justa medida pela qual seremos julgados, quer concordemos, quer, não. “Quem rejeitar a mim, não receber minhas palavras, já tem quem o julgue; a palavra que tenho pregado, essa o há de julgar no último dia.” Jo 12;48

Claro que, nesse mundo de valores efêmeros, caracteres solúveis, evocar a Bíblia como tribunal de apelação, ter a Palavra de Deus como Valor Absoluto, é coisa de “fanático, fundamentalista”. Acontece que, servos de Deus reportam-se a Ele, não, aos gostos sem sal de uma geração corrupta, sem vergonha, sem fundamento.

Dane-se a aprovação humana, o aplauso do mundo, a sentença está posta: ”... ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo.” I Cor 3;11

E, mesmo tomando esse sublime nome nos lábios, não basta para que alguém esteja certo ou, viva de modo que Ele aprova; Paulo foi categórico: “Todavia o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que são seus, e qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniquidade.” II Tim 2;19

A diferença entre fundar a casa na areia, ou, na rocha se verifica ao praticarmos ou, não, Sua Doutrina. Salvação não é questão de opinião. Um terço dos anjos opinou que Lúcifer estava certo, e hoje dariam tudo para ter direito a uma segunda opinião.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

O cidadão dos Céus

“Mas eu te oferecerei sacrifício com a voz do agradecimento; o que votei pagarei. Do Senhor vem a salvação.” Jn 2;9

Um fragmento da oração de Jonas, feita após três dias, desde o ventre do peixe. Uma pessoa a ser estudada o profeta fujão, pois, num primeiro momento aceitou morrer, quando disse que era o culpado pela tempestade, e, sugeriu que o jogassem ao mar. Depois, engolido pela criatura, só orou após três dias, parece que, estava esperando pela digestão, para ser consumido, como não foi digerido, cansado de tanto, não morrer, decidiu rogar por sua vida.

Interessante que, não há registro de quem tenha pedido isso diretamente, tipo, se deres nova chance, Senhor, obedecerei; antes, se dispôs a cumprir algo que já tinha proposto; “O que votei, pagarei,” disse. Só então, manifestou confiança na misericórdia Divina; “Do Senhor vem a salvação.” Não precisamos muito esforço para concluir que ele prometera obediência incondicional, e, decidira desobedecer, ao discordar da ordem recebida.

Não poucas vezes somos “engolidos” por aflições, por assumirmos algo diante de Deus, e negligenciarmos, depois. Salomão aconselhou certa parcimônia coma as palavras, e, seriedade com os compromissos. “Não te precipites com tua boca, nem, teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus; porque Deus está nos céus, tu estás sobre a terra; assim, sejam poucas as tuas palavras. Porque, da muita ocupação vêm os sonhos, e a voz do tolo das muitas palavras. Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo; não se agrada de tolos; o que votares, paga-o. Melhor é que não votes, que votes e não cumpras.” Ecl 5;2 a 5

Vivemos tempos difíceis, as palavras, pouco, ou, nada valem; daí a necessidade dos contratos; registros escritos de nossos compromissos assumidos mediante palavras. E, mesmo sendo registrado, documentado, muitos não honram os ajustes pactuados. Uma das características alistadas por Paulo, dos homens que viveriam nos “tempos difíceis”, seria: “...infiéis nos contratos...”

Se, devemos ser econômicos em nossas palavras diante de Deus, isso se dá porque Ele as valoriza. O Salvador ensinou: “Por tuas palavras serás justificado, ou, condenado.” Cada palavra proferida, seja em oração ou não, passa a fazer parte dos registros eternos. “Então aqueles que temem ao Senhor falam frequentemente um ao outro; o Senhor atenta e ouve; um memorial é escrito diante dele, para os que temem o Senhor, para os que se lembraram do seu nome.” Mal 3;16

Se, as palavras dos fiéis são registradas, as dos infiéis também, eles diziam ser inútil servir a Deus, e, que certos estariam os soberbos; suas palavras, mais que registradas no céu, foram também na Bíblia, para que todos conhecessem. Contra eles, O Todo Poderoso, imaginem, queixou-se da dureza das suas ímpias falas. “...As vossas palavras foram agressivas para mim, diz o Senhor;” v 13

Deus não tenciona tratar conosco nos domínios da força, onde, Ele É Incomparável, antes, anela uma relação no âmbito do amor, e, mesmo desejando ser correspondido, poder ser rejeitado, até, ouvir “palavras duras”.

Quando Simeão falou profeticamente a Maria sobre as agruras reservadas ao, então, menino Jesus, disse: “Uma espada traspassará também a tua própria alma; para que se manifestem os pensamentos de muitos corações.” Luc 2;35 Nossa liberdade de expressão, sentimentos, levada às últimas consequências. Contudo, se somos totalmente livres para fazermos escolhas, as consequências nos advêm, mesmo que, contra a nossa vontade.

Nada poderia ser mais justo que isso. Deus propõe dois caminhos, ensina onde cada um leva, e, Ele não é infiel nos contratos, antes, cumpre o prometido, portanto, as escolhas são arbitrárias, as consequências, necessárias.

A um olhar superficial pode ter um quê de heroico, alguém abrir mão da própria vida, como fez, num primeiro momento, Jonas; e, fazem tantos suicidas. Entretanto, isso que pode soar a um gesto de coragem, a rigor, não passa de desesperada fuga. Os valentes que Deus busca não são os que morrem por uma causa, antes, os que mortificam as más inclinações, sacrificam anseios da natureza caída, para seguirem fiéis ao “contrato” assumido em Cristo, de serem Servos Seus, a qualquer custo.

Sacrifício, sim, pois, O de Cristo nos redime para salvação, mas, se requer o nosso a cada dia, se, pretendemos ser tidos por fiéis junto ao Senhor. “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.” Rom 12;1

Se, não temos, como Jonas, a missão de anunciar o juízo em Nínive, temos, como ele, o dever de permanecermos nas coisas que pactuamos com Deus. Pois, o cidadão dos Céus é de caráter tal, que, “ainda que jure com dano seu, não muda”. Salmo 15

domingo, 1 de janeiro de 2017

O homem espiritual

“Para que, segundo as riquezas da sua glória, vos conceda que sejais corroborados com poder pelo seu Espírito no homem interior.” Ef 3;16

A dupla natureza, pós, “novo nascimento”, regeneração, homem espiritual, ou, nas palavras de Paulo, homem interior. Pouco importa o termo, mas, esses, que, recebendo ao Senhor Jesus Cristo receberam junto o poder de serem feitos filhos de Deus, só podem ser fortalecidos pelo Espírito.

Deixar isso e tencionar justificação mediante obras da Lei, foi equacionado por Paulo, com, aperfeiçoar pela carne; repreendeu severamente aos gálatas, por isso. “Só quisera saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé? Sois tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, acabeis agora pela carne?” Gál 3;2 e 3

Eis a razão pela qual o ímpio não consegue entender as coisas de Deus! São de um âmbito que lhe escapa, uma vez que, ao rejeitar O Salvador, seu espírito segue na queda, morto; aí, até pode tomar decisões religiosas, encenar certos cacoetes cristãos, mas, ter vida espiritual é impossível sem Seu Doador, O Senhor.

Escrevendo aos Coríntios, Paulo abordou o problema: “Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Mas, o que é espiritual discerne bem tudo, e, de ninguém é discernido.” I Cor 2;14 e 15

Quando toda ênfase recai sobre o homem espiritual, contudo, não estou nem de perto endossando o maniqueísmo, a doutrina que o espírito seria perfeito, imaculado, e o corpo mau; o “espiritual” seria salvo, mediante ascetismo, invés do Sangue de Cristo, isso, é heresia. O Espírito Santo é Perfeito, o humano, depois de regenerado, por habitar num templo imperfeito, precisa suportar falhas no árduo processo da santificação.

Ninguém, exceto Cristo, consegue viver num corpo de carne e atuar cem por cento em espírito, de tal modo, que nunca peque. Entretanto, no escopo do homem espiritual, o pecado é o elemento estranho, cuja presença incomoda, e deve ser removido. Disso depende sua comunhão com O Pai, e, a paz de sua consciência.

Então, os reclames do corpo devem ser filtrados entre lícitos e impuros; esses, “crucificados” aqueles, praticados ainda em submissão ao Espírito, pois, mesmo as coisas lícitas, nem sempre convêm. Assim, a “Lei do Espírito” precisa ser seguida, Lei, que só é de conhecimento dos espirituais, pois, é “escrita” nos corações e mentes dos filhos de Deus, não em tábuas de pedra. “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas, segundo o Espírito. Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte.” Rom 8;1 e 2

Desse modo, uma série de atos que envolve a disciplina do corpo e da alma, são preceituados para fortalecimento espiritual.” “...fortalecei-vos no Senhor, na força do seu poder... Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau, e, havendo feito tudo, ficar firmes. Estai, pois, firmes, tendo cingidos os vossos lombos com a verdade, vestida a couraça da justiça;” Ef 6;10, 13, 14.

O homem natural considera virtudes o mero evitar ações más; ao espiritual, se receita que combata até os motivos das tais, mesmo, as que, ainda não praticadas. Aos Escribas e Fariseus, bastaria não matar; O senhor mandou erradicar o ódio; a eles, não adulterar; ao Salvador, sequer, cobiçar... vemos, pois, que os pleitos do homem interior são interiores também, não se satisfazem com aparência de justiça, requerem santidade. Por isso, O Senhor deixou claro: “Porque vos digo que, se, vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus.” Mat 5;20

Assim, enquanto os homens naturais depravados negam veementes, o que as digitais, provas, as delações, acusam, os homens espirituais lutam consigo mesmos, pois, iluminados pela consciência no Espírito, não têm necessidade nem possibilidade de ocultar suas falhas, mas, de confessarem-nas, em busca de perdão, e, fortalecidos espiritualmente, errarem a cada dia menos.

“Tu julgarás a ti mesmo – respondeu o rei. – É o mais difícil. É bem mais difícil julgar a si mesmo que julgar os outros. Se consegues fazer um bom julgamento de ti, és um verdadeiro sábio.” (O Pequeno Príncipe)

De um bom auto julgamento depende nossa permanência saudável no Corpo de Cristo. “Examine, pois, o homem a si mesmo, assim, coma deste pão, beba deste cálice. Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor.” I Cor 11;28 e 29

Conhecer e julgar segundo a “Mente de Cristo”, pois, ao homem interior, é Capital.

sábado, 31 de dezembro de 2016

O Tempo e a vontade

Se quiser derrubar uma árvore na metade do tempo, passe o dobro do tempo amolando o machado.” (Provérbio chinês)

Interessante dito, pois, grosso modo parece contraditório; o sujeito gastaria mais tempo, para gastar menos tempo. Entretanto, a ideia central é que deve investir mais no preparo, quem deseja êxito em algo.

A Doutrina de Cristo, outra coisa não é, senão, que gastemos o tempo de nossa terrena peregrinação, “afiando o machado”, para que, após, tenhamos todo o tempo do mundo. “Porque qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas, qualquer que perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, esse a salvará.” Mc 8;35

Salomão, em temática semelhante acresceu a necessidade de esforço maior, a quem prepara menos sua “ferramenta”. “Se estiver embotado o ferro, e não se afiar o corte, então, se deve redobrar a força; mas, a sabedoria é excelente para dirigir.” Ecl 10;10

Dentre as muitas coisas com as quais lidamos mal, uma das mais importantes é o tempo. Muitas vezes usamos a longanimidade Divina, Sua Santa Paciência, contra nós. Salomão, outra vez: “Porquanto não se executa logo o juízo sobre a má obra, por isso, o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto para fazer o mal.” Ecl 8;11

Isto é, não consideramos a possibilidade do juízo sobre o mal, pois, quiçá, ao longo do tempo se possa remediar o erro, ou, seja esquecido. Ora, quando O Eterno perdoa, lança no “mar do esquecimento”, mas, pecados não confessados, mesmo velhos, inda são feridas vivas perante Ele, e, eventual Silêncio, não significa conivência. “Estas coisas tens feito, eu me calei; pensavas que era tal como tu, mas, eu te arguirei, as porei por ordem diante dos teus olhos.” Sal 50;21

Temos certa fixação com datas “redondas” e na virada do milênio grande histeria tomou a humanidade; agora, no câmbio de ano, muitas queimas de fogos estão preparadas, de modo que, por alguns momentos, a crise profunda, inflação, desemprego, parecerão inexistir. Muitos enganam a si mesmos marcando como certas para o ano novo, coisas que deveriam ter feito há muito, e não fizeram; pelo hábito de procrastinar, não farão de novo.

Quantas vidas se perdem no trânsito, infelizmente, pois, muitos, saem em direção às suas festas com muita pressa, para “ganhar tempo.” Vimos há pouco a Corrida de São Silvestre em São Paulo, onde, o tempo foi usado como aferidor do desempenho dos atletas, o que, serve de figura para nossas vidas. A relevância não está em viver mais tempo, antes, em viver, de maneira tal, que qualquer que seja a duração de nossa vida, ela faça sentido, justifique-se, influencie, ilumine a quem nos contemplar na “maratona”. Ocorre-me uma frase de Demócrito: “Viver mal, não refletida, justa e piedosamente, disse, não é viver mal, mas, ir morrendo por muito tempo.”

Alguns se contradizem ao afirmar que creem em Deus e Sua Palavra, porém, quando morre alguém inesperadamente, “filosofam”: “Quando chega a hora de alguém morrer, não adianta, vai mesmo.” Ora, isso de ter uma hora marcada, um destino inelutável deriva do fatalismo grego, não, da Bíblia, que nos apresenta como arbitrários, consequentes.

Uma pessoa imprudente no trânsito não morre porque “chegou sua hora”, antes, porque chegou a colheita de sua semeadura, quiçá, “herdou” consequências de alheia culpa. Sabedor dessas variáveis, A Palavra de Deus nos exorta a tomarmos rumo num eterno presente, não deixando para um porvir que, nem sempre virá. “...Se ouvirdes hoje a sua voz, não endureçais os vossos corações...” Heb 3;7 e 8

O Tempo de Deus para cada um de nós basicamente está em nossa expectativa de vida normal, livre de acidentes, violência, enfermidades graves, coisas que são consequências de escolhas, geralmente, não uma Divina imposição. Dentro desse tempo, O Santo insta conosco no desejo que voltemos à comunhão consigo mediante O Salvador. “De um só sangue fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação; para que buscassem ao Senhor, se porventura, tateando, o pudessem achar; ainda que não está longe de cada um de nós.” Atos 17;26 e 27

A rebeldia do egoísmo humano costuma mascarar a falta de vontade como se, falta de tempo. Muitos desses, quando constatarem, finalmente, a seriedade do que está em jogo, terão vontade, quando o tempo tiver passado, como nos dias de Jeremias: “Passou a sega, findou o verão, e não estamos salvos.” Jr 8;20

Dizemos que querer é poder, e, em certo sentido, é, mesmo; digo, não posso, nem irei, em busca do que não quero. “Conheço muitos que não puderam, quando deviam, porque não quiseram quando podiam.” (François Rabelais)

A Luz e os náufragos

“Olhou de um lado e outro, vendo que não havia ninguém ali, matou ao egípcio, e escondeu-o na areia.” Êx 2;12

Moisés matou um desafeto eventual, após certificar-se de que não haveria testemunhas. Esqueceu, porém, que o próprio hebreu que defendera, vira. Assim, para ações de uma “consciência” superficial, basta que desafetos não vejam, no mais, “tá limpo!”

Entretanto, quem tem uma consciência viva, não encontra lugar confortável para pecar, como José, em dias pretéritos àqueles, no mesmo Egito, quando a esposa de Potifar tentou seduzi-lo, estando apenas ambos em casa. Recusou, pois, pecaria contra seu senhor, e, contra Deus.

Nossa ideia de testemunho é rudimentar, pois, não excede à confirmação de atos, circunstâncias, através de outro igual, simplesmente. O Criador, porém, socorre-se de coisas, que num primeiro momento, nem ousamos imaginar. “Céus e Terra tomo hoje por testemunhas contra vós, de que te tenho proposto a vida e a morte, bênção e maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e tua descendência.” Deut 30;19

Espere, dirá alguém, isso é uma figura de linguagem. Céus e Terra refere-se aos anjos e homens simplesmente, não, literalmente. Será? A Natureza com seus frutos é tomada como testemunha mais de uma vez, em prol dos feitos, bem como, da existência do Criador. Vejamos: “contudo, não deixou a si mesmo sem testemunho, beneficiando-vos lá do céu, dando-vos chuvas, tempos frutíferos, enchendo de mantimento e de alegria vossos corações.” Atos 14;17 “Porque suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto, seu eterno poder, quanto, sua divindade, se entendem, claramente se veem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis;” Rm 1;20

O renascido não evita testemunhos externos, simplesmente, antes, sabe-se exposto, pois, basta-lhe a voz da própria consciência como atestado de culpa, e, o silêncio da mesma, como aprovação. “Os quais mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente, sua consciência, seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os;” Rom 2;15 Paulo falou isso dos que “não tinham Lei” como tendo já, na consciência, a essência da Lei espiritual.

A Carta aos hebreus apresenta os sacrifícios do Velho Testamento como “sombras dos bens futuros”, ou seja, tipos proféticos do que Deus faria. Tais, obravam uma “purificação” exterior, segundo a carne; mas, a consciência, o templo espiritual da alma seguia impura, pois, os sacrifícios não tinham alcance até ela. Cristo, porém, foi à raiz do problema: “Se, o sangue dos touros e bodes, e a cinza de uma novilha esparzida sobre os imundos, santifica, quanto à purificação da carne, quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?” Heb 9;13 e 14

A purificação da consciência é operada pelo Bendito Sacrifício de Jesus, sobre os que se arrependem; após, é mantida pura mediante obediência. “Ora, o fim do mandamento é o amor de um coração puro, de uma boa consciência, e uma fé não fingida.” I Tim 1;5

Desse modo, invés de olharmos pra um lado e outro antes de um mau passo, a simples necessidade de que seja feito em oculto, é já um testemunho, que, tal ato deve ser abortado. O Salvador ensinou: “...a luz veio ao mundo, os homens amaram mais as trevas que a luz, porque as suas obras eram más. Porque todo aquele que faz o mal odeia a luz, não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. Mas, quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque, são feitas em Deus.” Jo 3;19 a 21

Andando na Luz não tememos acusação nenhuma. Quem prefere o escuro das más obras, não conte com a eficácia do Feito de Cristo. “Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado.” I Jo 1;7

O testemunho do Espírito, portanto, devemos buscar, mais que tudo. Se, alguém acha que a era da graça significa facilidade, deveria pensar melhor, pois, “Quebrantando alguém a lei de Moisés, morre sem misericórdia, só pela palavra de duas ou três testemunhas. De quanto maior castigo cuidais vós, será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, tiver por profano o sangue da aliança com que foi santificado, fizer agravo ao Espírito da graça?” Heb 10;28 e 29

Blasfêmia contra O Espírito Santo é o único pecado imperdoável; fazer isso é ter como mentiroso o testemunho que Ele nos dá. “Conservando a fé, e a boa consciência, a qual, alguns, rejeitando, fizeram naufrágio na fé.” I Tim 1;19

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

A força do amor

“Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, entrará, sairá, e achará pastagens.” Jo 10;9

Uma coisa nem sempre bem compreendida pelos que se aproximam de Deus, é Seu compromisso inalienável, com a liberdade. Embora, quem a Ele se chegue para salvação, o faça na condição de servo, tal servidão deve ser absolutamente voluntária. Desde a adesão primeira; “se alguém entrar por...” a condicionante, “se,” deixa em aberto a possibilidade de, não querer, simplesmente.

E, mesmo tendo entrado, certa “autonomia” nos é facultada, de modo que, permaneçamos servos, somente, se desejarmos. “...entrará, sairá...” O Senhor não baseia nossa permanência no Seu redil, a um conjunto de regras, tipo; isso pode, aquilo, não. Antes, na certeza que, o “Novo nascimento” inserirá nos salvos, paladar espiritual, de tal modo, que a certeza de termos Nele, vastas pastagens, se faz motivo suficiente para que voltemos, quando, uma razão qualquer, nos fizer sair.

O erro crasso do legalismo, vício dos Fariseus de então, e, de muitos, até hoje, é fundamentar a caminhada dos salvos num conjunto de regras exteriores, as quais, bem se pode “cumprir”, estando o interior totalmente depravado. Dos tais, disse: “Eles têm zelo por vós, não como convém; mas, querem excluir-vos, para que vós tenhais zelo por eles. É bom ser zeloso, mas, sempre do bem, não somente quando estou presente convosco.” Gál 4;17 e 18

A graça não nos deixou sem Lei, como imaginaria uma conclusão simplista, antes, mudou da Lei exterior, do não farás, para a interior, do Espírito, que testifica na consciência, silenciando nos bons passos, e, acusando, nos maus. “Porque, mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei... Porque a lei constitui sumos sacerdotes a homens fracos, mas, a palavra do juramento, que veio depois da lei, constitui ao Filho, perfeito para sempre.” Heb 7;12 e 28

Paulo ilustra o tribunal da consciência, onde, o pecador, mesmo, bem intencionado, não consegue absolvição por atos próprios, sequer consegue atuar plenamente, segundo a Lei interior; “De maneira que agora já não sou eu que faço isto, mas, o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; com efeito, querer está em mim, mas, não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas, o mal que não quero, esse, faço.” Rom 7;17 a 19

Ora, essa “sintonia fina” que ensina a equacionar bem e mal ao mais íntimo desejo, invés da aparência piedosa, de quem “joga pra torcida”, é a Lei do Espírito, nos reconduzindo às vastas pastagens do Salvador. “Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte.” Rom 8;2 Livrou pela cruz, pela morte. Graça não é facilidade; é imerecida possibilidade, de, “morrendo” renascer.

O cumprimento dos preceitos exteriores bastava para que alguém se sentisse em paz com Deus, mesmo, com muitos maus desejos no coração; a Lei do Espírito, insta conosco, até que, mediante arrependimento, confissão, deixemos também, intenções impuras, na cruz.

Desse modo, quem é Templo do Espírito, não carece um acusador externo, para o cientificar de eventual mau passo, mediante o conhecimento da Lei de Deus, pois, de certo modo, todos os salvos conhecem; é a essência do Novo Testamento. “Porque esta é a aliança que depois daqueles dias Farei com a casa de Israel, diz o Senhor; porei minhas leis no seu entendimento, em seu coração as escreverei; Eu lhes serei por Deus, eles me serão por povo; não ensinará cada um a seu próximo, nem, ao seu irmão, dizendo: Conhece o Senhor; porque, todos me conhecerão...” Heb 8;10 e 11

Quem conhece O Senhor, volta ao aprisco sem mais estímulos que Sua Bendita Pessoa, pois, aprendeu ouvir, confiar na voz do Pastor. Assim, é improdutivo, desnecessário, construir “cercas” por líderes religiosos, cercando ovelhas que não são suas. Improdutivo, pois, um conjunto de regras faz um religioso, não, um salvo; desnecessário, pois, não carece prender os passos de quem já está preso pelo coração, por amor do Bom Pastor.

Por isso os servos do Senhor podem ser livres, malgrado, estejam presos a Ele por toda a eternidade. Quem conhece a força do amor, não a coteja com as frágeis cercas da insegurança humana. “Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam.” Cant 8;6 e 7

sábado, 24 de dezembro de 2016

O Senhor do Natal

“Toda a multidão da terra dos gadarenos ao redor lhe rogou que se retirasse deles; porque estavam possuídos de grande temor. Entrando ele no barco, voltou.” Luc 8;37

O temor do Senhor é preceito bíblico, mas, o que pede que Ele se afaste é medo, apenas. Se, Jesus menino é bem vindo em todas as casas, como indica a comemoração generalizada do Natal, parece que, Cristo homem, O Senhor, não é tão bem vindo, assim.

Existe duas formas distintas de dar; uma, tendo minhas conveniências como alvo, a egoísta; outra, que tem as necessidades alheias como motor, a amorosa, altruísta. O Senhor jamais priorizou quantidade, antes, qualidade da doação, do sentimento que a moveu; deixou isso patente, quando afirmou que uma viúva pobre, que dera duas moedas, dera mais, que os ricaços que despejavam suas sobras.

Por isso, disse que seus opositores deveriam aprender o real significado do “Misericórdia quero, não, sacrifício.” Na misericórdia, busco o bem alheio; no sacrifício, recompensa própria. Assim, dar tudo que tenho, mesmo que sejam duas moedas, pode ser mais que centenas de moedas, se, o fim da primeira ação foi ajudar quem precisa, da segunda, ostentar a própria “bondade”.

Deus sempre foi cioso de tempos, datas, no que tange à Sua Obra, tanto que, O Messias só veio, “cumprida a plenitude do tempo” como ensinou Paulo. Vejamos um exemplo mais: “...todas as gerações, desde Abraão até Davi, são catorze gerações; desde Davi até a deportação para a Babilônia, catorze gerações; desde a deportação para a Babilônia até Cristo, catorze gerações.” Mat 1;17

Assim, se, O Santo quisesse que comemorássemos o Natal, teria deixado registrada sua data precisa, que, certamente, não é dezembro, pois, nesse tempo, cai pesadas nevascas em Israel, auge do inverno, o que faz impossível a presença de pastores no Campo, e, duro a uma grávida, a peregrinação de Nazaré a Belém, como se deu, então.

Sua morte ordenou que fosse rememorada, “fazei isso, em memória de mim.” Deus É Eterno, e, a vida que propõe aos Seus, igualmente; desse modo, pouco contam efemérides, numa dimensão que, de certa forma, o tempo não passa.


O problema que faz infinitamente mais fácil comemorarmos o Natal, que a morte, é que, naquele caso, basta enchermos nossos átrios de luzinhas pisca-pisca, alguns penduricalhos numa árvore, ao som do mantra: “Feliz natal”!

No caso da morte Dele, convém, a quem rememora, uma identificação, e nova vida: “Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim, andemos nós também em novidade de vida.” Rom 6;3 e 4

O batismo na morte Dele é figura da renúncia que espera dos Seus, em prol da Divina Vontade, que, A Palavra chama de cruz; dado esse passo, pós arrependimento, lega Seu Bendito Espírito Santo, evento que chamou, “Novo Nascimento”, sem o qual, disse, ninguém pode entrar, sequer, ver, O Reino de Deus.

Se, o juízo começa por nós, como disse mediante Ezequiel, e reiterou por Pedro, os que celebram Sua morte, na Santa Ceia, são exortados a um autojulgamento segundo a “mente de Cristo”, Sua Palavra: “Examine-se, pois, o homem a si mesmo, assim, coma deste pão e beba deste cálice. Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor.
Por causa disto há entre vós muitos fracos, doentes, e muitos que dormem. Porque, se julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. Mas, quando somos julgados, somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo.” I Cor 11;28 a 32


Discernir o Corpo de Cristo, não tem a ver com o pão que comemos, como ensinam alguns; antes, O Corpo de Cristo é a igreja, da qual, somos células, então, ao participar do Santo Ritual, encenamos ser, “um dos tais”; sejamos e participemos, senão, melhor evitar, pois, profanaria ao Santo.

João Batista, o “amigo do Noivo” disse: “Convém que Ele cresça, e eu, diminua.” “Papai Noel”, o fantoche espetaculoso cresce tanto, que atrai todos os holofotes para si, e ofusca ao Senhor.

Se, por um lado somos todos iguais, em direitos, dignidade, todos somos alvos do Amor Divino, nossas ações no que tange a Ele, nos diferenciam. Se, posso e devo abençoar a todos, Ele, “reserva a verdadeira sabedoria para os retos...” Prov 2;7

E enquanto o mundo envia seu “Feliz Natal” a toda sorte de corruptos, ladrões, promíscuos, adúlteros, etc. O Senhor do Natal é mais seletivo em Seus votos: “Felizes os limpos de coração, porque eles verão a Deus;” at 5;8