quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Violência no Rio

 

“O homem de grande violência deve sofrer o dano; porque se tu o livrares ainda terás de tornar a fazê-lo.” Prov 19;19

Então, se a violência não tiver consequências, ela terá sequência.

Tendemos a vê-la, apenas quando mostra seus frutos maduros, empilhando cadáveres nas ruas, como aconteceu na última operação policial no Rio de Janeiro.

A sociedade vive em consórcio com ela, disfarçada de “soft”, pelo concurso dos vícios que aprazem aos seus pacientes; como a disposição de drogas, para os consumidores, via tráfico; a destruição de valores pelas novelas, o incentivo à imoralidade como nos “realitys” da vida, o aliciamento de adolescentes nos colégios, para torná-los consumidores, clientes do tráfico, etc.

Qualquer violação, duma lei, convenção, direito estabelecido, é uma nuance de violência. Por isso, os cristãos são ensinados a não passar sobre a linha das coisas que, lhe seriam indesejáveis em seu relacionamento com o semelhante. “Portanto, tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-lhes também, porque esta é a lei e os profetas.” Mat 7;12

“O fruto da justiça semeia-se na paz, para os que exercitam a paz.” Tg 3;18 Antes de eu depreciar certo comportamento com minhas falas, devo fazê-lo com minhas atitudes.

Diatribes contra a violência apenas em estado “hard”, somente quando em situações extremas como a presente, são derivadas de mentes inconsequentes, que, assim deixam patente sua identificação ideológica, mais que, eventual aversão ao método.

Dezenas de cristãos são assassinados a cada semana da Nigéria, pelos radicais islâmicos do Boko Haram; onde, protestos na imprensa, pedidos de minutos de silêncio nos parlamentos, em solidariedade às vítimas? Ainda estou esperando, para ver ou ouvir algo assim.

Logo, não é a violência que incomoda pessoas amorais. O que as desperta e coloca para gritar é, contra quem, eventual violência é perpetrada. A identificação comportamental, ideológica, não é sinônima de valores probos. Para nosso presidente, traficantes são vítimas dos usuários, aliás.

Quando pessoas resistem às autoridades usando fuzis, bombas e similares, o simples aparato dessa resistência já evidencia uma anomalia social perturbadora; fruto da imposição violenta dum Estado paralelo, para prejuízo das pessoas de bem, que vivem nessas comunidades. Nem todos por lá são do tráfico; a maioria são vítimas dele.

E, sabem as pessoas bem informadas que há muito esse “Estado” deixou de ser mero tráfico de drogas; (como se isso fosse de pouca monta) ainda, concorrem extorsões, expropriações de bens que interessam aos marginais, ou por mero degredo, de quem não lhes interessa por lá; taxação ilícita de comerciantes, assassinato sumário de dissonantes ou rivais, estupros de menores para “cobrar” drogas não pagas, etc.

Só tem moral para depreciar a violência, pois, quem vive uma cidadania plena, restrito aos limites das leis. Os direitos são frutos caprichosos que só viçam nos galhos do arbusto dos deveres. Quem os viola, está lançando uma semente que, oportunamente frutificará.

Natural que todos os integrantes desse “Estado” bastardo tenham famílias, e, que a morte desses enseje dores profundas nos tais. Porém, certas situações “progridem” tanto, que as alternativas são entre um mal enorme, ou, o mal menor.

As reações veementes de tantas autoridades e muitos da imprensa, deixam evidente que o estado paralelo nem é tão paralelo assim; em grande parte já tomou o Estado do Brasil. Basta ver quem tem vida fácil no STF, quem presto é solto, quando flagrado com grandes quantias de drogas, e quem é tratado como rigores excessivos, para ver, que a maioria daquela casa, não está a serviço de quem paga seus salários.

A Constituição há muito deixou de ser um norte, e se fez um livro empoeirado e ineficaz. Se não houver uma veemente reação enquanto ainda há alguma força, depois será tarde demais.

A Palavra de Deus versa, sobre as autoridades: “Porque os magistrados não são terror para as boas obras, mas para as más. Queres tu, não temer a autoridade? Faze o bem, terás louvor dela. Porque ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus, vingador para castigar quem faz o mal.” Rom 13;3 e 4

Como a violência não pode ser combatida de outra forma, senão, com uma maior, a coisa tendo chegado onde chegou, torna-se inevitável. Ademais, quem atira contra a polícia invés de depor as armas, não está sofrendo violência; antes, declarando guerra em defesa do que acredita.

Acha que seu Estado paralelo é algo pelo qual valha, matar ou morrer, o Estado Oficial tem deveres com os cidadãos, que o sustentam.

“Não tenhas inveja do homem violento, nem escolhas nenhum dos seus caminhos.” Prov 3;31 “... aprendei de Mim que Sou manso...” Mat 11;29

 [U1]

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Corruptores

 “... na doutrina mostra incorrupção...” Tt 2;7

A palavra corrupção, em nosso idioma, encerra a ideia de uma ruptura conjunta; feita por duas partes, ou mais. Corromper, é a aglutinação de, romper com.

Quem atua tentando persuadir aos sonolentos, num sentido de corromper a são doutrina? A Palavra arrola nossos adversários. “Porque não temos que lutar contra a carne e sangue, mas contra principados, potestades, príncipes das trevas deste século, hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.” Ef 6;12

Sempre que, rompermos as diretrizes da sã doutrina, estaremos corrompendo; porque, associados a alguma força espiritual dessas, cujo labor se opõe ao Divino querer.

Invés de um exorcismo imaginário como devaneiam alguns, uma peleja pela preservação da sanidade dos conselhos nos quais fomos ensinados. “Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas poderosas em Deus para destruição das fortalezas; destruindo conselhos, e toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus; levando cativo todo entendimento à obediência de Cristo;” II Cor 10;4 e 5

Aquilo que, para os vencidos sofre a pecha de radicalismo, vencedores veem como perseverança. “Na doutrina, mostra incorrupção.”

Os que recuam

 “Lembrai-vos, porém, dos dias passados, em que, depois de serdes iluminados, suportastes grande combate de aflições.” Heb 10;32

Efeito colateral da luz, sobre o qual, poucos são ensinados. Combates, aflições. Que diferente essa perspectiva do “Evangelho” festeiro que se escuta por aí.

O autor exorta hebreus, desanimados, a reencontrarem a ousadia dos primeiros dias. “Não rejeiteis, pois, vossa confiança, que tem grande e avultado galardão. Porque necessitais de paciência, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa.” V 35 e 36

A Divina vontade deve ser feita até o fim; “Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida.” Apoc 2;10

O convertido precisa aprender que, entrando para O Reino de Deus, saiu do mundo que “Jaz no Maligno”.

Carecemos suportar aflições e combates com as forças espirituais da maldade. Quem ensina algo que enfatiza expectativas festeiras, falsifica a sadia mensagem.

A fé foi dada para que possamos viver na dimensão onde está nossa vitória; por ela vencemos o mundo, não no mundo. “O justo viverá da fé; se ele recuar, Minha Alma não tem prazer nele.” Heb 10;38

Entardecer

 “Foi a tarde e a manhã, o dia quinto.” Gn 1;23

Tendemos a ler as coisas segundo a sua ordem de incidência. Aludindo à passagem dum dia, diremos, da manhã à tarde; não, o inverso como no relato bíblico. Por quê?

O Eterno, não tem com o tempo a mesma relação que nós. A narrativa do Gênesis foi revelada a Moisés “à posteriori”. Bem depois das coisas terem acontecido. Lendo o pretérito com nossa perspectiva, as coisas mais recentes, serão as primeiras; por estarem “mais perto”, dum eventual narrador.

A escrita hebraica do Velho Testamento também difere da nossa; verte da direita para a esquerda.

Nossos últimos atos é contarão para efeito de salvação; isto é, como terminamos nossa carreira contará mais do que, como a corremos, por determinado tempo; assim, as coisas serem lidas de trás para frente, facilitam.

Malgrado o que tivermos feito em nossas “manhãs”, se à “tarde” estivermos reconciliados com O Senhor, isso bastará.

Quem conheceu deveras, ao Senhor, “anoitecerá” ligado a Ele; “Na velhice ainda darão frutos; serão viçosos e vigorosos...” Sal 92;14

terça-feira, 28 de outubro de 2025

Camuflagem

“O Senhor dará força ao Seu povo; o Senhor abençoará Seu povo com paz.” Sal 29;11

A tendência do que possui força é se impor. Porém, os fortalecidos pelo Senhor, são capacitados contra si mesmos; para aquietarem as próprias turbulências, na paz recebida.

Pode parecer elementar, o domínio próprio; mas, não é assim. “Melhor é o que tarda em irar-se que o poderoso; o que controla seu ânimo que aquele que toma uma cidade.” Prov 16;32

A força que O Senhor dá aos Seus, invés de poderio sobre o semelhante, se mostra eficaz contra as rebeldias naturais.

“Mas, os ímpios são como o mar bravo, porque não se pode aquietar; suas águas lançam de si lama e lodo. Não há paz para os ímpios, diz o meu Deus.” Is 57;20 e 21

Aos que chama, O Eterno fortalece para aquilo que deseja; reconciliação. “Que se apodere da Minha Força e faça paz comigo...” Is 27;5

Os fortalecidos no Senhor, precisam abdicar do natural para receber ao sobrenatural; “Porque quando estou fraco então sou forte.” II Cor 12;10

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Abençoados

 “... abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; tu serás uma bênção.” Gn 12;2

Todos estamos prontos para promessas como, “abençoar-te-ei.”

Entretanto, nem sempre levamos devidamente a sério, o chamado para sermos bênçãos.

Tanto podemos abençoar socorrendo numa necessidade, como ensina Tiago, sobre a importância das obras; quanto, fazendo isso, seremos difusores de Cristo, num modo de viver que enseje luz espiritual a quem nos observa: “Assim resplandeça vossa luz diante dos homens, para que vejam vossas boas obras e glorifiquem ao vosso Pai, que está nos Céus.” Mat 5;16

A transformação radical, de quem deixa um modo vicioso de viver, em troca de aprender e viver, as virtudes de Cristo, é a mais eloquente das pregações; evidencia de modo prático, o que O Salvador faz nas vidas que O recebem.

“... muitos o verão, temerão e confiarão no Senhor.” Sal 40;3

Ao mesmo tempo em que somos abençoados, somos feitos bênçãos para outros, vivendo as transformações que o Evangelho opera.

Como disse a Abraão, o Senhor fala a cada um; te abençoarei, para que sejas uma bênção.

domingo, 26 de outubro de 2025

Obras abandonadas


“Este homem começou edificar e não pôde acabar.” Luc 14;30

O Salvador realçou a importância das renúncias em perseverança; usou a edificação de uma torre como figura. Abandonar a vereda da salvação equivale a ter começado uma obra, sem acabá-la.

Se, para uma torre, literalmente, o risco seria a falta de materiais, na edificação da salvação, eventualmente, é o que “sobra” que atrapalha; os maus hábitos que não conseguimos “crucificar”.

Homens dúbios querem o Céu, sem renunciar à Terra. Tiago foi categórico sobre isso: “Sujeitai-vos, pois, a Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós. Chegai-vos a Deus, Ele se chegará a vós. Alimpai as mãos, pecadores; vós de duplo ânimo, purificai os corações.” Tg 4;7 e 8

Na parábola do semeador, O Salvador advertiu sobre os espinhos; “O que foi semeado entre espinhos é o que ouve a Palavra, mas os cuidados deste mundo, a sedução das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera;” Mat 13;22

O Senhor concluiu o Seu ensino com a seguinte advertência: “... qualquer de vós, que não renuncia tudo quanto tem, não pode ser Meu discípulo.” V 33 Quanto maiores as renúncias, mais “matéria prima” teremos.

O Senhor assevera que ficarão de fora os tímidos; (Apoc 21;8) não se refere à timidez como traço de personalidade; a que faz alguém mais retraído. Antes, alude aos que deixam de perseverar resolutos, nos momentos que são desafiados a sofrer por Cristo. Se, o barco da fé singra em remansos, festeiros seguem, os superficiais; mas, quando uma nuance do “opróbrio de Cristo” testa-os, presto fogem; esses são os tímidos que serão excluídos. Seus melindrosos excessos de amor próprio tolhem que manifestem amor pelo Salvador.

A fé sadia tem um quê de loucura, capaz de arrostar tempestades. Nem tanto pela nossa fibra, por termos uma têmpera superior; antes, por saber em quem cremos, como disse Paulo. Nele confiarmos sem reservas.

Pode patrocinar ousadias como a dos jovens ameaçados com a fornalha em Babilônia; “Nosso Deus a quem servimos pode nos livrar; se não, fica sabendo, ó Rei, que não nos curvaremos aos teus ídolos.” Dn 3;17 e 18 Como os cristão nigerianos, que, perdem as vidas fiéis ao Senhor; ou, ainda como a declaração de Jó; “Ainda que me mate, Nele esperarei...” Jó 13;15

Sempre que houver impedimentos no curso da Obra Santa em nós, invés de cogitar obstáculos alhures, olhemos no espelho e veremos o culpado. Do ponto-de-vista Divino, não há interrupções; “Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra, aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo;” Fp 1;6

A bem da verdade, quem começa a “obra” e depois a abandona, se torna pior do que, se nem tivesse começado. Pois, ao dizer-se de Cristo, anexa seu nome ao Dele. Sempre há o risco que isso se mostre vão. Caso escandalize, tal pecado, além do seu peso natural, ainda trará consigo a profanação, por macular ao Santo, ao qual dissera pertencer.

Pedro andou nessas pisadas, quando falou dos profanos; “Porque melhor seria não conhecerem o caminho da justiça, que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado;” II Ped 2;21

Esses mortos com aparências de vivos, não param de frequentar ambientes santos, tampouco, se deixam contagiar por eles; a uns assim, foi dito: “... Conheço tuas obras, que tens nome de que vives e estás morto.” Is 3;1

Isaías advertiu sobre os resistentes ao contágio da virtude: “Ainda que se mostre favor ao ímpio, nem por isso aprende a justiça; até na terra da retidão ele pratica a iniquidade; não atenta para a Majestade do Senhor.” Is 26;10

Nos ambientes onde a retidão é ensinada, esses permanecem acoroçoando suas tortuosas inclinações; “... nódoas são eles e máculas, deleitando-se em seus enganos, quando se banqueteiam convosco; tendo os olhos cheios de adultério, não cessando de pecar, engodando as almas inconstantes, tendo o coração exercitado na avareza, filhos de maldição; os quais, deixando o caminho direito, erraram seguindo o caminho de Balaão, filho de Beor, que amou o prêmio da injustiça;” II Ped 2;13 a 15

Spurgeon dizia: “Ninguém é obrigado a se declarar cristão; mas, se o fizer, diga e se garanta.” Não seja tímido, covarde; honre sua escolha ao preço que for necessário.

O mesmo Pedro que depreciou aos de tais comportamentos, usou uma figura poderosa para mostrar o real significado do seu proceder; “Deste modo sobreveio-lhes o que por um verdadeiro provérbio se diz: O cão voltou ao próprio vômito; a porca lavada ao espojadouro de lama.” II Ped 2;22

Embora alguns esposem que os “eleitos” jamais se perderão, a Palavra do Senhor é categórica: “Aquele que perseverar até ao fim será salvo.” Mat 24;13