sexta-feira, 21 de abril de 2017

Jesus ou Moisés?


“Então, por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio, e repudiá-la?” Mat 19;7

Era comum os religiosos contraporem Jesus a Moisés. Esse, com seus escritos era o “Canon” de então; todo e qualquer ensino deveria passar por seu crivo; Jesus era a novidade. Um coração rebelde costuma fazer maravilhas na servidão da própria rebeldia; tendo um pretexto “válido” então, nem se fala. Assim, nunca se punham como refratários aos desafiantes ensinos do Mestre, antes, como zelosos da Lei, a qual, acusavam ao Salvador de descumprir.

Todavia, ele fo categórico: “Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas, cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que céu e terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido.” Mat 5;17 e 18
Veio com exigências maiores que Lei, pelo menos, à forma superficial, com a qual, escribas e fariseus estavam acostumados; daí, o desfio era exceder em essência, aos passos dos pretensos praticantes. As concessões feitas “por causa da dureza do vosso coração”, deixadas de lado, para um alvo melhor, pois, “no princípio, não foi assim.”

Paulo explicou em seus escritos, que, a Lei é espiritual; O Senhor, expôs de modo profundo, seu Espírito. Não apenas, não matar; antes, nem odiar; não apenas, não adulterar, sequer, cobiçar; não a fácil vingança, antes, perdão, amor; mesmo, aos inimigos. Assim, quando Seus ouvintes apelavam a Moisés, não estavam demonstrando zelo, estritamente, mas, fugindo das profundas implicações do ensino proposto pelo Senhor.

Os discípulos não foram desafiados a fazer como os religiosos, sim, fazer mais, melhor: “Porque vos digo que, se, vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus.” Mat 5;20

Afinal, se esperássem deveras, em Moisés, deveriam estar esperando por Cristo; “Porque, se vós crêsseis em Moisés, creríeis em mim; porque de mim escreveu ele. Mas, se não credes nos seus escritos, como crereis nas minhas palavras?” Jo 5;46 e 47 Sim, Moisés previra a vinda de um Profeta que traria também, a Palavra de Deus. “Eis lhes suscitarei um profeta do meio de seus irmãos, como tu, porei minhas palavras na sua boca; ele lhes falará tudo o que eu ordenar. E, qualquer que não ouvir minhas palavras, que ele falar em meu nome, eu requererei dele.” Deut 18;18 e 19

Por isso, justo, na carta endereçada aos hebreus, a diferença entre Moisés, servo, e Jesus, Senhor, é apresentada já na introdução, para, situar devidamente, ambos. “Porque ele é tido por digno de tanto maior glória do que Moisés, quanto, maior honra do que a casa tem aquele que a edificou. toda casa é edificada por alguém, mas, quem edificou todas as coisas é Deus. Na verdade, Moisés foi fiel em toda sua casa, como servo, para testemunho das coisas que se haviam de anunciar; mas, Cristo, como Filho, sobre sua própria casa...” Heb 3;3 a 6

Uma coisa é certa: Quando Deus nos fala para corrigir, das duas uma: Ou, procuramos nos adequar ao que estamos ouvindo, mediante arrependimento, ou, buscamos pretextos desqualificando quem fala, para que sigamos “qualificados”. Aquilo que o entendimento pode captar, nem sempre é o que a vontade abraça. Os discípulos de profetas dos dias de Elias sabiam que O Senhor arrebataria Seu servo; disseram a Eliseu que também sabia. Porém, cumprida a profecia, erraram três dias pelos montes procurando quem Deus levara. Ora, O Eterno continuava entre eles, porém, agora, atuando mediante Eliseu. O Fato novo que recusavam, inicialmente, assimilar.

Que os pecadores recusem mudar, de certa forma é compreensível, pois, toda mudança demanda perdas, renúncias; agora, que o façam com pretextos espirituais, justificando-se, invés de, assumindo sua posição, é que soa insano; parece, tal postura, com os ladrões de nosso país, que querem mecanismos de processar aos juízes, invés de prestarem contas à Lei.

Quem teme perdas, jamais tomará sobre si a cruz de Cristo, pois, essa é a figura das profundas renúncias a que são desafiados os que anelam salvação. Na verdade, tais “perdas” eventuais, no fundo, são um grande investimento, dado, o contraponto proposto aos que se convertem, como ensina Paulo: “Porque para mim tenho por certo que as aflições do tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada.” Rom 8;18 “...As coisas que o olho não viu, o ouvido não ouviu, nem subiram ao coração do homem, São as que Deus preparou para os que o amam.” I Cor 2;9

Muitos pecadores rebeldes morreram assentados “na cadeira de Moisés”; outros tantos, ganharam asas de águia, depois de submissos à cruz do Salvador. Coragem! O céu é o limite.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Reconciliação

“Mas, eles foram rebeldes, contristaram seu Espírito Santo; por isso se lhes tornou em inimigo, Ele mesmo pelejou contra eles.” Is 63;10

A ideia de termos inimizades, por inócuas que sejam, nunca é um pensamento agradável, embora, em algumas situações, pouco, ou, nada possamos fazer. Há casos, nos quais, mesmo que nada tenhamos feito de mal às pessoas, por inveja, ou, alguma outra razão insana, não gostam de nós, saem espalhando veneno a nosso respeito. “Orai pelos que vos perseguem e abençoai aos que vos maldizem”; a receita Bíblica, porque, pessoas assim, certamente, têm carência espirituais grandes.

Contudo, quando algo mais que isso pode ser feito, devemos fazê-lo. “Portanto, se trouxeres tua oferta ao altar, e te lembrares de que teu irmão tem algo contra ti, deixa diante do altar tua oferta, vai reconciliar-te primeiro com teu irmão, depois, vem e apresenta-a. Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz, o juiz te entregue ao oficial, e te encerrem na prisão.” Mat 5;23 a 25

Se, meu irmão tem algo contra mim, foi porque falhei com ele, nesse caso, reconciliação depende de mim. Quando depende dele, nada posso fazer, exceto, orar.

Não podemos chegar a Deus, saltando sobre o semelhante. “Aquele que odeia seu irmão está em trevas, anda em trevas, não sabe para onde deva ir; porque as trevas lhe cegaram os olhos.” I Jo 2;11 “Se alguém diz: Eu amo Deus, e odeia seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama seu irmão, ao qual viu, como pode amar Deus, a quem não viu? Dele temos este mandamento: que quem ama Deus, ame também seu irmão.” Cap 4;20 e 21

Entretanto, quando nossa inimizade é contra Deus, motivada por rebeldias, aí, temos um problema de outra dimensão. Eli, o sacerdote relapso, pusera a questão aos filhos: Pecavam, esses, nas coisas do próprio sacerdócio; invés de exercer com vigor sua autoridade, apenas ergumentou: “Não, filhos meus, porque não é boa a fama que ouço; fazeis transgredir o povo do Senhor. Pecando homem contra homem, os juízes julgarão; pecando, porém, o homem contra Deus, quem rogará por ele?” I Sam 2;24 e 25

O Eterno pôs a questão noutros termos, o de quem luta contra Ele. “Quem poria sarças, espinheiros diante de mim na guerra? Eu iria contra eles e juntamente os queimaria. Que se apodere da minha força, faça paz comigo; sim, que faça paz comigo.” Is 27;4 e 5

Fazer paz com Deus, eis a questão! Embora incautos vejam no Evangelho apenas um desafio a mudar de religião, uma “busca por clientes” estilo telemarketing, ( nalguns casos, infelizmente, é ) no fundo, é um apelo do amor de Deus, que pelo Seu Espírito fala em nós, apresentando aos inimigos eventuiais, uma mensagem de reconciliação. Inimigos? Isso não seria dramático demais? Não. É ser bíblico. “Adúlteros e adúlteras, não sabeis que amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.” Tg 4;4

Assim, a medida que apresentamos de modo sadio a mensagem do Único Mediador, somos feitos agentes da reconciliação entre pecadores e O Santo. “Tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo, nos deu o ministério da reconciliação; isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando seus pecados; pôs em nós a palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamo-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus.” II Cor 5;18 a 20

Claro que isso demanda que deixemos de vez, a rebeldia que, se, por um lado nos dá independência para agirmos como quisermos, por outro, nos distancia do Pai, como fez o filho pródigo em sua insana e egoísta saga. Achou que poderia se virar muito bem por conta; foi usado pelas cobiças alheias quando tinha o que dar; empobrecido, terminou comendo com porcos.

Quem não pode dizer de modo verdadeiro, como aquele? “Pai, pequei contra o céu, e perante ti”? Reconhecimento de culpas, eis, o primeiro passo para reconciliação com O Pai! “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas. o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia.” Prov 28;13

Feito isso, poderemos, dizer como Paulo: “Se o Senhor é por nós, quem será contra nós”. Quem, que tenha poder maior? Contudo, “soltos das patas” digo, por nossa conta, estamos em inimizade com Deus, a mercê de um que, mesmo fingindo gostar de nós é traidor, assassino. Rogo, pois, de parte de Deus, que vos reconcilieis com Ele, mediante a cruz de Cristo.

domingo, 16 de abril de 2017

A Terra Plana, Global


“Edifiquemos nós uma cidade, uma torre cujo cume toque nos céus, façamo-nos um nome, para que não sejamos espalhados sobre a face da terra.” Gên 11;4

Certa pergunta que O Senhor fez, não faz mais sentido. “Onde estavas, quando eu fundava a terra? Faze-me saber, se tens inteligência.” Jó 38;4

Agora temos recursos amplos, “cientistas” que conseguem até, desmistificar a ideia “falsa” de um globo, ensinando, enfim, que, diverso do que sempre acreditamos, a Terra é plana, não, esférica. Assisti um ou dois vídeos disso, nem dei importância, pareceu sem sentido demais para serem levados a sério. Entretanto, a coisa fermentou, até textos bíblicos estão usando para “provar” sua tese.

Um, onde homens decidiram fazer a Torre de Babel. Advogam que os antigos eram sábios; chegariam a Deus com sua obra se não fossem impedidos; francamente. A ordem Divina à humanidade fora: “Crescei, multiplicai-vos, enchei a Terra, sujeitai-a”. O texto do projeto da torre mostra uma decisão oposta; queriam fazer algo que fosse visível a grande distância, “para que não sejamos espalhados sobre a face da Terra”, disseram. Além disso, era iniciativa alienante de Deus, com alvo humanista; “façamo-nos, um nome”. A expressão, “torre cujo cume toque nos céus” é mera figura de linguagem, como temos hoje, arranha-céus.

Os terraplanistas apresentam argumentos “científicos”, baseados na curvatura da Terra, no fato de a água só parar em nível, etc. Não sou cientista, contudo, como leigo darei meus pitacos. Depois, sugerirei um ou dois pepinos para que eles descasquem também.


Quem disse que a água só para em nível? Uma gota sobre uma superfície qualquer, tem seu formato ovóide; isso, que se dá com algo mínimo, bem poderia dar-se também no macro, num contexto que engloba gravidade, atmosfera, pressão, etc. Sobre a curvatura, acho que demandarei uma resposta invés de dar.

Antes, suponho que, mesmo advogando que a Terra é plana, defendem que ela paira no ar, ou, estaria “ancorada” em algo? A Bíblia diz que Deus, “O norte estende sobre o vazio; suspende a terra sobre o nada.” Jó 26;7 Os gregos diziam que Atlas a suportava nas costas; os egípcios, que estava sobre quatro colunas; contudo, não sabiam dizer onde se apoiavam os pés do deus, ou, as bases das colunas.


Assim, invés de um globo, seria uma pizza gigantesca, como aquelas naves alienígenas do “Independence Day? Desse modo, como é o “lado avesso”? Alguém já viu? Onde seria a “borda” da Pizza, que, passando alguém dali, começaria andar rumo à superfície oposta?

Certa vez viajei para a Nova Zelândia. Admitindo que sua localização seja aproximada, como está no mapa, extremo oriente, um pouco ao sul da Austrália. Por que, invés de voarmos para leste, sobre a África e Ásia, como deveria ser num sistema plano, chegamos mais rápido voando “para trás”, sobre Argentina, Chile e Oceano Pacífico? Ah, estando lá, por que o fuso horário era de mais dezesseis horas em relação ao Brasil? Aliás, como se explica o fuso, senão, num globo? Poderia alguém falar via Skype, por exemplo, à meia-noite, de um lado da Terra com outros que vivem o meio-dia, se, a Terra fosse plana? Onde o sol faz a curva?

A Bíblia prevê, o fuso, implicitamente, por ocasião da Volta de Jesus. “Digo-vos que naquela noite estarão dois numa cama; um será tomado, outro, deixado. Duas estarão juntas, moendo; uma será tomada, outra, deixada. Dois estarão no campo; um será tomado, outro será deixado.” Luc 17;34 a 36 Cenários noturnos, “na cama” e diurnos, “no campo” no mesmo evento.

Isaías falando sobre a Soberania de Deus, o faz com as seguintes palavras: “Ele está sentado sobre a redondeza da terra, cujos habitantes são como gafanhotos; é Ele o que estende os céus como uma cortina, os desenrola como uma tenda para neles habitar;” Is 40;22

Todavia, a Bíblia fala, de certo modo, em Terra plana: “Todo o vale será exaltado, todo o monte e todo o outeiro, abatido; o que é torcido se endireitará, o que é áspero se aplainará.” Is 40;4 Trata-se de uma alegoria, onde os religiosos hipócritas, considerados grandes, os montes, seriam abatidos; os excluídos sociais, meretrizes, publicanos, os vales, seriam exaltados, muitos desses foram salvos, daqueles, se perderam.

Soa ridículo dar tratos sérios a algo tão pueril; tantos ataques à sã doutrina, e gastar massa cinzenta discutindo o sexo dos anjos. Como Débora liderando exércitos no front, e “sábios” da tribo de Rubem, “filosofando” se deveriam ir ao combate ou não; ver Juízes 5;15 e 16

A Árvore da Ciência foi onde nosso drama começou; só seremos redimidos, mediante outra, a Árvore da Vida, Jesus Cristo; e, a alienação do Salvador tem um formato mui preciso: Perdição eterna.

Jesus foi anarquista?

“Eu sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente; nada se lhe deve acrescentar, nada se lhe deve tirar; isto faz Deus, para que haja temor diante dele.” Ecl 3;14

Acrescentar, ou, tirar qualquer coisa do que Deus entregou pronto, completo, além da insana ousadia contra a Autoridade do Criador, traz a implicação blasfema de que Ele faz algo falho, que podemos melhorar.

Agur que deixou alguns escritos nos Provérbios pensava diferente: “Toda a Palavra de Deus é pura; escudo é para os que confiam nele. Nada acrescentes às suas palavras, para que não te repreenda e sejas achado mentiroso.” Prov 30;5 e 6

Frequentemente deparo com ditos de “anarquistas cristãos”, gente que diz que O Próprio Senhor foi anarquista, revolucionário; por isso, teria sido morto.

Bem, o que significa a palavra anarquia? O prefixo a, em grego, é de ausência, negação. Assim, sem cérebro= acéfalo; sem moral=amoral; sem letras=analfabeto etc. Dessa fonte jorra anarquia. O termo arquia, deriva de “Archon” chefia, cabeça, comando, governo. Daí vêm palavras como, Arcebispo, arcanjo, autarquia, e claro, anarquia, que significa, sem comando, sem governo, sem autoridade sobre si. Será que O Senhor foi isso mesmo?

Paulo pensava diferente, pois, disse que Cristo, “esvaziou si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens, e, achado na forma de homem, humilhou a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz.” Fp 2;7 e 8

A simples distinção entre anjos, serafins, querubins, arcanjos, principados, potestades, mostra hierarquia no reino espiritual. E, hierarquia nenhuma firma-se, senão, sobre o princípio da autoridade, devidamente obedecida, claro.

Cristo se fez homem, para nos redimir da queda, essa se deu, justo, por terem falhado, nossos pais, em observar a Autoridade do Criador; se, o “Segundo Adão” veio repor as coisas no devido lugar, necessariamente tinha que ser obediente às autoridades que Ele mesmo constituíra. Quando Pilatos gabou-se que tinha poder, tanto para libertar, quanto, crucificar Jesus, Ele não negou, apenas referiu a origem desse poder: “Nenhum poder terias contra mim, se, do alto não te fosse dado.”

Jesus foi “Revolucionário” no sentido de Ousado, veraz e perspicaz em denunciar a hipocrisia, corrupção das autoridades religiosas de então. Seus pleitos não eram com Pilatos ou Herodes, antes, o Sinédrio. “O que me entregou a ti, - disse, após reconhecer a autoridade de Pilatos – maior pecado tem.” Veio para tirar o pecado do mundo, não o reino de César da Palestina, como acusaram alguns. Aliás, disse: “Dai a César o que é de César...”

Pois, mesmo ante o sumo sacerdote, autoridade contra a qual, combatia seus desvios, quando desafiado sob juramento, O Senhor obedeceu. “Jesus, porém, guardava silêncio. Insistindo o sumo sacerdote, disse-lhe: Conjuro-te pelo Deus vivo que nos digas se tu és o Cristo, Filho de Deus. Disse-lhe Jesus: Tu o disseste; digo-vos, porém, que vereis em breve o Filho do homem assentado à direita do Poder, vindo sobre as nuvens do céu.” Mat 26;63 e 64

Portanto, um “anarquista cristão” é tão lógico, quanto, um evolucionista cristão. Uma doutrina que nega a Deus, “casada” com outra que O afirma.

Paulo foi explícito quanto a necessária obediência às autoridades. “Toda a alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; as que há foram ordenadas por Ele. Por isso quem resiste à autoridade resiste à ordenação de Deus; os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação. Porque os magistrados não são terror para as boas obras, mas, para as más. Queres tu, pois, não temer a autoridade? Faze o bem, terás louvor dela. Porque ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme; pois, não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus, vingador para castigar o que faz o mal.” Rom 13;1 a 4

Quando diz que a autoridade é ministro de Deus, não significa que Deus aprova seus passos em particular, antes, que no exercício probo de sua função, faz algo que é Vontade do Eterno.

Quantos “fariseus” de hoje, crucificariam, se pudessem, ao Juiz Sérgio Moro, por exemplo? Acaso é um anarquista, um fora da Lei? Antes, é, justo, seu zelo pela lei e a ordem que o faz indesejável a tantos, cujos feitos os colocam em rota de colisão com ele. Desse modo, Cristo foi Revolucionário entre os religiosos de Seus dias.

Não nos enganemos; a ojeriza às figuras de autoridade, por bonitinha, charmosa que pareça, é a mais bela filha de satanás. Foi com ela que seduziu ao primeiro casal, e disseminou milhões de mortes ao longo da história. Quem deseja harmonia com O Senhor Jesus Cristo, rompa todos e quaisquer laços com assassinos. Sério assim.

sábado, 15 de abril de 2017

O santo, em relevo

“Ser-me-eis santos, porque eu, o Senhor, sou santo, vos separei dos povos, para serdes meus.” Lev 20;26
Uma das coisas mais incompreendidas da vida espiritual, é a concepção de santidade. Pra uns, é poder de fazer milagres; se, fez pelo menos dois, em vida, pós morte, “canonizam”; outros, disposição interior para fazer o bem; mesmo que sua doutrina seja blasfema, à Luz da Bíblia, se “só faz o bem” vira santo; outros, ainda, o rigoroso cumprimento de certas regras eclesiásticas, usos, costumes, leis, uma espécie de Fariseus modernos... contudo, temo que as três correntes padeçam certa alienação do vero sentido.

Primeiro requisito alistado no verso acima: Pertencer a Deus; “ser-me-eis”; ou seja: Sereis para mim. Parece simples, mas, não é. A coisa mais difícil de negar, a mais resiliente, é a vontade. Para sermos do Senhor, precisamos negar a nossa, em prol da Dele. Isso relega ao nada, nossas predileções, opiniões, concepções de vida. Nos anulamos Nele, regidos por Sua Palavra, quer concordemos, quer, não. Abdicamos de nossas ilusões eventuais, confiados na Sabedoria Daquele que conhece onde cada caminho leva. “Há um caminho que ao homem parece direito, mas, o fim dele são os caminhos da morte.” Prov 14;12

Facilmente, pessoas se dizem de Deus, se, a consequência esperada for bênção; não tão simples, se, for para obedecer Sua Palavra. O “Negue a si mesmo”, contraponto à sugestão do traíra no Éden, “decida por si mesmo” é indispensável para reversão dos efeitos da queda, e restabelecimento da comunhão. Feito isso, e tomada a cruz, por mais nefasto que seja nosso pretérito, sujo mesmo, posicionalmente passamos a ser santos; Pertencemos a Deus.

Aí, vamos ao segundo passo: Identificação. “...porque Eu, O Senhor, Sou Santo...” Assim como um pai humano alegra-se ao ver seus traços na fisionomia dos filhos, Deus quer ver, nuances do Seu Ser, no homem que regenera, para que, seja, outra vez, Sua Imagem. É um processo longo. Acostumados que estávamos a agir de nosso modo, ignorantes da Vontade Divina, dois lapsos precisam ser preenchidos.

Primeiro: Devemos abdicar de nossas ideias e aprender a Vontade de Deus. “Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno os seus pensamentos, se converta ao Senhor, que se compadecerá dele; torne para nosso Deus, porque grandioso é em perdoar. Porque os meus pensamentos não são os vossos, nem os vossos caminhos os meus, diz o Senhor.”Is 55;7 e 8
Segundo: Conhecida a Vontade do Altíssimo, ela deve moldar nosso pensar e agir, doravante. Saber e não praticar inda é decidir por si, seguir no conselho do inimigo. Dispor do remédio e convalescer na doença, pela recusa de ingeri-lo. “Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as fizerdes.” Jo 13;17
Claro que, os renascidos não podem de suas próprias forças lograrem isso. Porém, O Senhor enviou O Espírito Santo, que atua em ambas as frentes; tanto nos alumia para que compreendamos A Palavra, quanto, nos fortalece, encoraja, para que, a cumpramos. Seu alvo, nosso aperfeiçoamento; Seu tempo para nós, até O Dia do Senhor. “Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo;” Fp 1;6
Por fim, uma consequência horizontal. “Vos separei dos povos...” Essa separação, entenda-se, não é geográfica, tampouco, física; antes, espiritual. Escrúpulos morais, eventualmente, tolhem nossa presença em certos ambientes, mas, como o sol visita o pântano, leva luz e calor sem sujar-se, podem, os espirituais, andarem, se necessário, em lugares adversos, sem se contaminarem com as circunstâncias. Quando trabalhei entregando produtos de limpeza, em Porto Alegre, muitas vezes entreguei-os em bordéis. Fiz meu trabalho e o ambiente não me devorou.

Óbvio que é muito mais fácil, aprazível, o convívio com outros da mesma fé; entretanto, os que inda não creem carecem ser estimulados pela Luz de Deus em nós; isso requer convívio. “Assim resplandeça vossa luz diante dos homens, para que vejam vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.” Mat 5;16

Ademais, a separação recomendada não é dos pecadores, estritamente, antes, dos hipócritas. “Isto não quer dizer absolutamente com os devassos deste mundo, ou com avarentos, ou, roubadores, ou, idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo. Mas, agora escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, avarento, idólatra, maldizente, beberrão, roubador; com o tal, nem ainda, comais.” I Cor 5;10 e 11
Em suma: Santidade é pertencer ao Senhor; identificar-se com Seu Ser, mediante Sua Palavra, Seus Valores, e separar-se da corrupção do mundo. O santo não precisa fazer milagres, mas, permitir que Aquele que faz, remova sujeiras que maculam a Santa Imagem de Deus. “Os limpos de coração verão a Deus.”

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Santa Hipocrisia

“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois, edificais os sepulcros dos profetas, adornais os monumentos dos justos, e dizeis: Se existíssemos no tempo de nossos pais, nunca nos associaríamos com eles para derramar sangue dos profetas. Assim, vós mesmos testificais que sois filhos dos que mataram os profetas.” Mat 23;29 a 31

De tudo se pode acusar um hipócrita, menos, de não ter autocrítica, intimamente. Seu agir mostra que ele sabe-se desafinado com a verdade, a coerência. Ao fazer “mais” do lhe foi demandado, tenta disfarçar, o menos, da desobediência, com encenação. Os profetas pretéritos, nunca pediram, como Renato Portaluppi, uma estátua, antes, desafiaram o povo à Vontade de Deus. Em geral, não obedeciam, entretanto, os coevos de Jesus tinham os profetas como heróis, edificavam seus túmulos, monumentos em sinal de “honra”.

Depreciando isso, O salvador disse que a prática não era nada mais, que, testemunho de uma culpa, similar a que tiveram os assassinos de profetas, antepassados deles.

Ontem vimos o Papa Francisco lavando os pés de doze presos, e beijando-os; Cristo apenas lavou, ele fez “melhor”; eis aí, um traço da hipocrisia! Naqueles dias, andando de sandálias por estradas poeirentas, lavar os pés era uma necessidade; Cristo o fez em humildade e desafio ao serviço mútuo, invés da competição entre os discípulos. Devemos ficar com a essência do ensino, a figura não é mais necessária, tampouco, o beijo. Certas cenas de “humildade” são o pedágio que muitos pagam para seguirem céleres na autoestrada do orgulho. Humildade vera atua sem plateia e nada busca, senão, servir.

Hoje, o mundo celebra sua “Sexta-feira Santa”. A maioria das pessoas passa o resto do ano alheia a Deus e Sua Palavra, mas, hoje, encenam o Calvário, “edificam o sepulcro dos profetas” e testificam da identificação espiritual com os hipócritas que, fingindo zelo religioso, mataram O Senhor.

O mundo celebra, os servos de Deus O servem, full time, e não dão a esse dia importância maior que aos outros. Sexta-feira Santa, Quaresma, abstinência de carne, etc. são ensinos ausentes nas Escrituras.

Que dizer de um Pai ter um filho egoísta, insensível, desobediente, que passa 364 dias do ano em rebeldia, e, no dia dos pais, chega todo atencioso com presentes; assim, alienar-se da Vontade Divina o ano todo, e hoje, empanturrar-se de religiosidade hipócrita, oca.

Não somos desafiados a santificarmos datas, antes, vidas. “Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede também, santos em toda vossa maneira de viver; porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo.” I Ped 1;15 e 16 “Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual, ninguém verá o Senhor;” Heb 12;14 etc.

Infelizmente, o catolicismo ensinou uma “santificação” que depende de um processo pós morte, outra coisa que desafina da Bíblia. Requerem dois milagres como “prova” para “canonizarem” alguém. Por esse critério, João Batista ficaria de fora, pois, “...João não fez sinal algum...” Jo 10;41

Ora, santificação bíblica é separar-se dos valores mundanos que se opõem ao querer Divino; isso se faz mediante aprendizado e prática da Palavra de Deus; o que destoar, por piedoso que pareça não passa de encenação hipócrita. “Dei-lhes a tua palavra, o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo. Não peço que os tires do mundo, mas, que os livres do mal. Não são do mundo, como eu do mundo não sou. Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.” Jo 17;14 a 17

Fale-se em implantar ensino religioso obrigatório nos colégios baseado na Bíblia, e presto o ódio que o mundo tem de Deus, subirá na mesa. Contudo, hoje, a maioria consome essa droga psíquica, enganando a si mesmo, presumindo-se servo de Deus, apenas por gostar de teatro e de carne de peixe.

Depois, os mesmos “religiosos” saem em seu pleito pelo aborto, descriminação das drogas, postam suas defesas aos corruptos e ladrões de estimação, falam mentiras, faltam com a palavra, sonegam dívidas...invés de basear decisões na Palavra de Deus, o fazem em suas opiniões. Essa foi a sugestão do diabo: “Vocês mesmos decidem o bem e o mal”, e só um completo imbecil, ou, um louco, presumiria fazer a Obra de Deus, usando ferramentas do inimigo.

Esses veem com a balela: “Todas as religiões são boas, tens a tua, tenho a minha, Deus é o mesmo, blá, blá, blá...” Se não estiver cabalmente baseado na Palavra de Deus, ensino espiritual nenhum serve; se, derivar dela, se faz mais que religião, é vida. E vida para o ano todo, todos os anos, não, para um dia apenas.

“Os homens deviam ser o que parecem ou, pelo menos, não parecerem o que não são.” Shakespeare

segunda-feira, 10 de abril de 2017

O ímpio em relevo

“Porque o ímpio gloria-se do desejo da sua alma; bendiz ao avarento, e renuncia ao Senhor.” Salm 10;3

Três características do ímpio. Primeiro, é egoísta; seus próprios desejos são seus parâmetros de ação, e, gloria-se disso; segundo, faz de seus defeitos, “valores” uma vez que, aprova os passos de outros semelhantes; bendiz ao avarento que, também é uma espécie de egoísta. Esse apega-se ao dinheiro, idolatra, fazendo dele, mau uso, um fim, não, meio; por fim, seu brado de independência espiritual, sua autonomia suicida; “renuncia ao Senhor.”

Entretanto, essas três “virtudes” são apenas o cabeçalho do livro da vida do ímpio, a ponta do iceberg. Para gloriar-se dos próprios desejos, carece assessoria do orgulho; não raro, deparo com nuances “filosóficas” do egoísta e orgulhoso: “Viva o hoje como se não houvesse amanhã, não ligue para o que os outros pensam, pois, o que importa é estar bem consigo mesmo...” Etc. Essas incoerências de mandar todos os outros a m. enquanto aconselha aos outros, chega a ser bisonha, mas, desfila como sábia em passarelas ignorantes.

O Cristão está inserido no coletivo, célula de um corpo; deve ter cuidado com outros, estar bem com Deus, antes que, consigo mesmo. “Para que não haja divisão, antes, tenham os membros igual cuidado uns dos outros. De maneira que, se um membro padece, todos padecem com ele; se um membro é honrado, todos se regozijam com ele. Ora, vós sois o corpo de Cristo, e seus membros, em particular.” I Cor 12;25 a 27

Ao aprovar atos de outros de má índole, se faz pedra de tropeço, uma vez que, eventual influência que exerça sobre terceiros, será nociva, não, benéfica. A avareza requer falsidade, disfarce; seus filhos não costumam admiti-la. “... as armas do avarento são más; ele maquina invenções malignas, para destruir os mansos com palavras falsas...” Is 32;7

Um político corrupto em campanha, sonhando com as benesses do poder, e adoçando seus lábios demagogos ante incautos é um belo exemplar de falsidade, avareza; e, há tantos.

Por fim, renunciando ao Senhor, mostra-se arrogante, e, necessariamente, profano. Mesmo aqueles que, recusam a obedecer, sequer se importam em conhecer ao Senhor, em dado momento, usam seus, “graças a Deus”, ou, “se Deus quiser”; o que, dado o lapso de relacionamento é, tomar Seu Nome em vão, profanar O Santo.

Claro que, a coisa é ainda mui pior que isso, porém, essa pequena amostra basta para que vejamos quão sério é, alienar-se o homem, de Deus, e atuar em pretensa autossuficiência; comprazer-se na aprovação humana, e desprezar a Divina.

Pois, além do que é em si mesmo, se faz paciente de certos “efeitos colaterais” da impiedade. É amaldiçoado por Deus; “Assim diz o Senhor: Maldito o homem que confia no homem, faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do Senhor!” Jr 17;5

Tal maldição permite que, até desfrute certa calmaria, jamais, a verdadeira paz. Essa, deriva da justiça; ele ignora a árvore e desconhece o fruto. “Os ímpios são como o mar bravo, porque não se pode aquietar, cujas águas lançam de si, lama e lodo. Não há paz para os ímpios, diz o meu Deus.” Is 57;20 e 21

Mais ainda, sua companhia é desaconselhada, pois, sendo alguém que escolheu a maldição, contagia outros à sua volta. “Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem, se assenta na roda dos escarnecedores.” Salm 1;1
Afinal, os pecadores que se arrependem, confessam e mudam de vida, inda que, de pretérito ímpio, passam a ser reputados justos; tais, são comparados a alguém que foi tirado da lama, e firmado sobre uma rocha, enquanto, os que persistem na impiedade, são equacionados como cisco ao vento, que serão desmascarados quando tentarem se esconder entre os justos. “...os ímpios são como a moinha que o vento espalha. Por isso os ímpios não subsistirão no juízo, nem os pecadores na congregação dos justos.” Sal 1;4 e 5

Infelizmente, após a queda, a impiedade é nossa vocação natural; depois que ouvimos O Evangelho, passa a ser uma escolha. Se, antes a culpa era herdada, agora, foi “conquistada” por nossos “méritos”. Por isso, Deus, que a todos ama, malgrado seus erros, amorosamente chama: “Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Deixe o ímpio o seu caminho, o homem maligno os seus pensamentos, e se converta ao Senhor, que se compadecerá dele; torne para nosso Deus, porque grandioso é em perdoar.” Is 55;6 e 7

A esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las.” Santo Agostinho